Protestos
da Geração Z na Ásia inspiram América do Sul
Uma
fúria juvenil tem percorrido diversos lugares do mundo. Do Nepal à Indonésia,
passando pelas Filipinas, Bangladesh e Sri Lanka, vários países asiáticos viram seus
jovens irem às ruas manifestar
seu descontentamento com a corrupção e a
desigualdade – e serem reprimidos com violência. Nas últimas semanas, os
protestos chegaram também à América Latina. No Peru, os jovens estão no centro das recentes mobilizações de
repúdio à presidente Dina Boluarte, seu governo e o Congresso, sob o lema
"O povo se levanta, dia do despertar peruano".Os protestos eclodiram
em 20 de setembro, após reformas no sistema de pensões do país que exigem que
todos os peruanos com mais de 18 anos se filiem a um fundo de pensão. No último
sábado, mais manifestações ocorreram, acompanhadas de forte reação policial,
que deixou dezenas de feridos.
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Juventude ativa no Paraguai
No
domingo (28/09) foi a vez do Paraguai, um dos países mais corruptos da América
Latina, de acordo com o Índice de Percepção da Corrupção 2024 elaborado pela
Transparência Internacional.
Os
manifestantes tomaram o centro de Assunção em resposta a um chamado divulgado
nas redes sociais. A concentração aconteceu em frente ao Congresso, e uma
marcha seguiu pelas ruas da capital. O lema do protesto foi "Somos 99,9%.
Não queremos corrupção".
"Há
muito cansaço por parte dos jovens diante da corrupção estatal, da má gestão do
Estado, do nepotismo descarado. Todos os dias vemos que parentes e pessoas
relacionadas a políticos entram no setor público. Isso causa muita frustração e
muita raiva, assim como a ausência de políticas adequadas. Enquanto o partido
do governo se dedica à sobrevivência partidária, não há suprimentos nos
hospitais. Há uma raiva muito grande diante da cooptação da política do Estado
por parte do narcotráfico", disse à DW Lilian Soto, médica, política e
ativista feminista.
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"One Piece"
Um
símbolo está presente em toda essa leva de manifestações: uma caveira com um
chapéu de palha, do popular mangá japonês "One Piece", sobre piratas
caçadores de tesouros. No anime de 1997, a bandeira é carregada por um bando de
piratas de chapéu de palha que enfrentam governantes corruptos e repressivos. A
imagem acabou se tornando um emblema de rebeldia e esperança para os
manifestantes da geração Z em toda a Ásia, e além.
Na
Indonésia, a bandeira é vista pendurada do lado de fora de casas e carros. No
Nepal, foi colocada nos portões dourados do palácio que abriga o parlamento – em chamas –,
enquanto os jovens derrubavam o governo. Agora ela tem sido
vista no Peru e no Paraguai. Leonardo Munoz é um dos manifestantes em Lima que
abraçou o símbolo. "O personagem principal, Luffy, viaja de cidade
em cidade libertando pessoas de governantes tirânicos e corruptos em cidades de
escravos", disse Munoz à agência de notícias Reuters. "Isso
representa o que está acontecendo em vários países. É o que está acontecendo
agora no Peru."
Os
protestos estão ocorrendo em um contexto mais amplo, no qual as democracias em
todo o mundo estão sob pressão, e seguem os esforços do governo para
enfraquecer tribunais, órgãos de fiscalização e promotores, aponta Jo-Marie
Burt, professora visitante do programa de estudos latino-americanos da
Universidade de Princeton, para a Reuters. "Isso lembra muito o que
aconteceu na década de 1990, durante o governo Fujimori, quando o sistema
judiciário foi essencialmente capturado para consolidar o controle
autoritário." Os protestos anteriores no Peru ajudaram a "impedir que
as instituições fossem tomadas" e até derrubaram presidentes, aponta.
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Redes e repressão
"Há
informação e comunicação sobre o que acontece em outros lugares. O que é novo
neste protesto dos jovens no Paraguai é a forma de se organizar", ressalta
Lilian Soto. As redes sociais fervilharam após os protestos em Assunção,
denunciando uma repressão violenta por parte das forças de segurança, com mais
de 30 prisões. "Entre 500 e 1.000 pessoas participaram e houve um
destacamento de mais de 3.000 policiais, que perseguiram as pessoas uma a uma
quando elas já estavam voltando para casa", denuncia Soto. "Houve
operações policiais de perseguição em batidas nas quais as forças públicas
saíram à caça de manifestantes sem ordem judicial, sem autos, sem o devido
processo legal, deixando as pessoas detidas por mais de doze horas, sem a
presença de um promotor, com claros exemplos de abuso de força", avalia
Leonardo Berniga.
A
polícia, por sua vez, defendeu sua atuação, dizendo que as detenções foram por
"desordens" ou por "agressões contra agentes".
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Os protestos da Geração Z no Peru contra reforma da
previdência e anistia
Os protestos contra o governo e o
Congresso peruanos, que há semanas
ocorrem no centro de Lima, são uma preocupação cada vez maior para as
autoridades no Peru.
Durante
a manifestação mais recente, que aconteceu no último domingo (28/9), houve
confronto entre a polícia e os
manifestantes, deixando vários feriados, danos materiais e a sensação de um
mal-estar crescente em um movimento que começou entre os estudantes e agora se
espalha para outros grupos. Os trabalhadores do setor de transportes, por
exemplo, se queixam de estar à mercê da criminalidade que assola o país.
Desde o
início das manifestações, foram vistas muitas faixas e cartazes com a letra Z,
em alusão à Geração Z — nascidos
entre 1995 e 2010. Por isso, e pelas semelhanças com os protestos que ocorreram recentemente
em países asiáticos como
o Nepal — onde os jovens conseguiram derrubar o
governo exibindo
bandeiras semelhantes às que se vê em Lima —, eles foram batizados pela mídia
de "protestos da Geração Z".
As
manifestações evidenciaram um amplo descontentamento no Peru, onde todas as
pesquisas apontam para uma rejeição popular esmagadora à presidente Dina Boluarte e à coalizão de
forças no Congresso que a apoia. Elas também lembram os episódios turbulentos
da história recente peruana, com as marchas que terminaram forçando a renúncia do presidente Manuel Merino, em 2020, e os
protestos de 2023 que deixaram dezenas de mortos após a queda de Pedro Castillo.
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Quem protesta?
Os
protestos começaram como um movimento sem liderança centralizada e parecem ter
respondido a convocações espontâneas na internet. Aos poucos, grupos mais
organizados, como associações de estudantes universitários, começaram a se
juntar.
Omar
Coronel, especialista em Movimentos Sociais da Pontífica Universidade Católica
(PUC) do Peru, disse à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, que
"quem protagoniza os protestos são, sobretudo, jovens que agora estão
ingressando no mercado de trabalho e descobrindo as limitações e dificuldades
que vão encontrar".
Mas os
motivos desse mal-estar não são apenas econômicos.
"Há
uma grande rejeição à presidente Boluarte e seus aliados no Congresso devido ao
crescente autoritarismo que vem sendo imposto no Peru." E alguns
acontecimentos internacionais parecem ter incentivado as manifestações. "Os
protestos que derrubaram o governo no Nepal ou os que ocorreram na Indonésia
inspiraram o que estamos vendo agora no Peru", afirmou o especialista em
Relações Internacionais Ramiro Escobea.
Coronel
também percebe a influência. "No Peru, já fazia um tempo que as pessoas
não se atreviam a protestar pelo alto custo que isso teve na onda de
manifestações de 2023, que deixou dezenas de civis mortos. Mas o exemplo do
Nepal parece ter ensinado que é possível conquistar mudanças, até mesmo em
contextos mais autocráticos que o peruano, por meio de mobilizações."
Os
coletivos estudantis estão entre os mais ativos em uma onda de protestos que
cresce, mas também jovens não universitários têm participado. Coronel explica
que, nos símbolos usados durante os protestos, percebe-se a marca da geração Z,
cujos integrantes são considerados "nativos digitais" porque não
conheceram o mundo antes da revolução da internet. "Temos visto muitas
bandeiras e cartazes com a letra Z e também a bandeira com a caveira pirata
de One Piece, uma série de desenho animado japonês em que os protagonistas
lutam contra uma espécie de ditadura mundial", explica. A bandeira
do One Piece esteve presente em outras manifestações
protagonizadas por jovens nas últimas semanas ao redor do mundo, desde a França
até o Nepal, Paraguai e Marrocos.
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A reforma da previdência
Os
primeiros protestos surgiram em resposta à reforma do sistema previdenciário
aprovada pelo Congresso peruano. A nova lei obriga os trabalhadores autônomos a
contribuir com o sistema público de aposentadorias, mas limita ao mínimo o
valor que os menores de 40 anos podem sacar antecipadamente.
A
reforma irritou muitos jovens em um país onde os políticos de diferentes
partidos protagonizam escândalos de corrupção dia após dia. "Sou
trabalhador autônomo e quando soube que a reforma iria tirar parte da minha
renda, decidi que era hora de sair para protestar", disse Jorge, estudante
de História da Universidade Nacional Maior de San Marcos, em Lima, que prefere
não falar seu sobrenome por medo de retaliações.
Jorge
trabalha como professor em uma escola enquanto completa seus estudos e sente
que a situação no Peru se tornou inaceitável. "Entre os jovens, o
descontentamento é total", afirma. Embora os líderes parlamentares tenham
anunciado rapidamente que os pontos mais polêmicos da reforma seriam
eliminados, a lei continua em vigor e os manifestantes pedem pela revogação.
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Um grito contra a falta de segurança
À
reclamação inicial contra a reforma do sistema previdenciário se somaram
outras.
Uma das
principais questões é a falta de segurança e as extorsões a pequenos negócios e
no setor de transportes. "Todos os dias, no ônibus que pego para o
trabalho, vejo criminosos extorquindo dinheiro dos motoristas cobrando a
passagem. Isso acontece todos os dias, à vista de todos, e a polícia não faz
nada", contou Jorge.
Ataques
a tiros contra veículos de transporte público e assassinatos de motoristas são
registrados no Peru quando as empresas se negam a ceder às chantagens. O setor
de transporte já realizou várias paralisações para exigir do governo uma
solução.
Segundo
a Associação Nacional de Integração do Transporte, 46 motoristas foram
assassinados nos últimos meses. "Os mesmos policiais que aparecem para nos
reprimir quando estamos protestando, desaparecem quando pedimos ajuda para
enfrentar os criminosos", comenta Jorge. Diante dessa situação, o
sindicato do transporte se juntou à geração Z no último protesto em Lima. "Se
deixar de ser apenas um movimento jovem e se tornar um movimento transversal,
isso pode se transformar em um problema mais sério para o governo", disse
o jornalista peruano Martín Riepl à BBC.
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Rejeição à polêmica anistia
Também
há oposição à polêmica Lei da Anistia promulgada em agosto, que beneficia os
militares, policiais e membros dos Comitês de Autodefesa processados por crimes
contra os direitos humanos cometidos durante a guerra do Estado peruano contra
as guerrilhas de esquerda Sendero Luminoso e o Movimento Revolucionário Túpac
Amaru (MRTA) entre 1980 e 2000. "A sensação de impunidade total agrava a
ideia de que no Peru impera um regime autoritário", afirma Coronel. Esse
fator também tem levado muitas pessoas às ruas, que conecta diferentes gerações
de opositores do governo Boluarte.
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O que exigem os manifestantes?
Os
manifestantes não apresentam um objetivo concreto ou definido além da revogação
da lei da reforma da previdência. Enquanto isso, o governo optou por ignorar os
protestos em suas declarações públicas.
Mas, à
medida que o movimento ganha adeptos, parece estar se tornando mais ambicioso. "O
ponto comum desses protestos é o repúdio a um governo e congressistas
extremamente impopulares", diz Coronel, explicando que "na marcha
convocada esta semana já será pedido explicitamente a destituição da
presidente".
Jorge,
que pretende continuar participando das manifestações, afirma que "o que
se busca é derrubar o governo e o Congresso e promover uma reforma no
país".
"As
mesmas cabeças cabeças corruptas que nos levaram a essa situação não podem ser
as que vão conduzir a reforma", indica.
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O que pode acontecer agora?
Depois
das imagens de domingo, quando foram registrados confrontos violentos entre a
polícia e os manifestantes — que tentaram chegar à sede do Congresso — poucos
acreeditam que os protestos vão perder força imediatamente. Pode até ser que a
ação da polícia sirva para alimentá-los.
O
Conselho da Imprensa Peruana, uma organização civil dedicada à defesa do
jornalismo, denunciou que ao menos 20 profissionais da imprensa foram
"agredidos" pelos agentes enquanto cobriam a última manifestação. Um
vídeo compartilhado nas redes sociais mostrou como um policial golpeou com seu
cassetete o rosto de um homem idoso quando ele se retirava do local, causando
um ferimento e hemorragia.
Após os
comentários de indignação, a polícia anunciou a abertura de uma investigação
disciplinar por suposto "uso arbitrário da força".
O que
começou como um grito de jovens parece ter tomado outro rumo com a incorporação
dos sindicatos de transporte e outros coletivos. "No próximo ano há
eleições no Peru e essa é uma das chaves", destaca Coronel, que acredita
que os protestos não vão diminuir de um dia para o outro, mas duvida que
consigam todos os seus objetivos. "Para derrubar o governo, seriam
necessárias manifestações tão massivas quanto as que tiraram o presidente
Manuel Merino em 2020, e isso ainda não ocorreu, em parte, porque após as
mortes de 2023, as pessoas ainda têm medo de protestar", observa o
especialista.
Jorge,
contudo, vê "cada vez mais pessoas nas manifestações". E acrescenta:
"É preciso seguir em frente. O descontentamento é generalizado e nós,
jovens, tomamos consciência disso".
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Jornada de trabalho de 13 horas provoca indignação na
Grécia
"Não
posso trabalhar 13 horas por dia e também não espero isso das minhas
funcionárias", diz a gerente do salão de beleza 64, Anni, no centro de
Atenas, a capital da Grécia. Ela argumenta que suas clientes também não vão ficar
satisfeitas com o trabalho de uma esteticista cansada.
É por
isso que Anni se pergunta por que a ministra grega do Trabalho, Niki Kerameos,
está tão empenhada pela jornada de trabalho de 13 horas. A resposta da própria
ministra, dada em várias entrevistas: trata-se de uma exceção que vale para
apenas 37 dias do ano e que é "do interesse dos trabalhadores".
Os
sindicatos rejeitam os planos e estão tentando derrubar o projeto de lei sobre
a "flexibilização da jornada de trabalho", que será apresentado em
breve ao Parlamento Helênico.
Eles
convocaram uma greve geral de um dia para esta quarta-feira (1º/10) que afetou
sobretudo o setor de transportes. Desde a meia-noite (horário local),
principalmente trens e balsas que conectam o continente às ilhas pararam de
funcionar, assim como metrôs e ônibus em determinados horários do dia.
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"Flexibilização" do mercado de trabalho
Mesmo
antes desse novo projeto de lei, o governo conservador do primeiro-ministro
Kyriakos Mitsotakis já havia transformado o mercado de trabalho grego num dos
mais "flexíveis" da Europa. Desde julho de 2024, trabalhadores da
indústria, do comércio, da agricultura e de alguns serviços devem trabalhar seis dias por semana
se o empregador assim decidir. O sexto dia é remunerado com um adicional
de 40%.
Embora
a Grécia ainda tenha uma semana de trabalho de 40 horas, os empregadores podem
solicitar até duas horas extras não remuneradas por dia, por um período
limitado, e oferecer mais tempo livre em troca. Em tese, trata-se de uma oferta
voluntária, mas em muitas empresas os funcionários acabam sendo obrigados a
trabalhar mais horas, e sem qualquer compensação.
Também
a jornada de trabalho de 13 horas deverá ser voluntária, enfatiza a ministra do
Trabalho. Ninguém será obrigado a fazer horas extras, afirma.
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Efeito negativo na produtividade
Mas um
funcionário pode mesmo se recusar a fazer horas extras? "Não. Isso não
pode ser feito sem temer consequências, pois o funcionário tem pouco poder de
barganha", diz o professor de relações trabalhistas Theodoros Koutroukis,
da Universidade Demócrito da Trácia.
Koutroukis
diz que a nova regulamentação legal não terá um impacto positivo no mercado de
trabalho, pois a extensão da jornada de trabalho diária provavelmente diminuirá
a satisfação dos funcionários no trabalho e levará a uma queda na
produtividade. Isso, por sua vez, levará a uma deterioração na qualidade dos
bens e serviços produzidos e até mesmo a um aumento nos custos de produção,
prevê.
A
extensão da jornada de trabalho pode ainda perturbar o equilíbrio entre vida
familiar e profissional e diminuir o tempo que os funcionários podem dedicar
para o aprendizado profissional, acrescenta o professor.
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Para atender as necessidades das empresas
Além da
jornada de trabalho de 13 horas, o projeto de lei de Kerameos prevê a
distribuição "flexível" dos dias de férias, a atribuição flexível e
de curto prazo de duas horas extras por dia e a disponibilidade dos
funcionários por meio de um app. Os critérios para isso são "necessidades
urgentes" das empresas. Uma semana de trabalho de quatro dias com 40 horas
de trabalho também é possível.
A
ministra diz que sua reforma do mercado de trabalho adapta a legislação à
realidade. Mas especialistas trabalhistas dizem que ela legaliza todas as
violações da lei que os empregadores costumam cometer.
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Gregos já trabalham muito
Devido
aos baixos salários, muitos trabalhadores na Grécia têm dois empregos e já
trabalham até 13 horas por dia. A nova lei permitirá que façam isso para um
único empregador. "Se você já faz isso com dois empregadores, por que não
ter a oportunidade de fazer isso com um só e ainda ganhar 40% a mais?",
argumenta Kerameos.
O que
fica em aberto é a questão de por que tantas pessoas na Grécia não conseguem
sobreviver com um emprego de 40 horas e dependem de horas extras ou de um outro
emprego. De acordo com o órgão de estatísticas Eurostat, os gregos trabalham
muito, mais de 1.886 horas por ano, o que é bem mais do que qualquer outra
nação da União Europeia.
No
entanto, eles têm menor produtividade – talvez justamente por trabalharem
tanto. E também menor poder de compra (30% abaixo da média da União Europeia). E agora o governo
quer que eles trabalhem ainda mais.
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Sindicatos dizem "basta!"
A
confederação sindical grega GSEE, que representa 2,5 milhões de trabalhadores
do setor privado, rejeita a jornada de 13 horas, assim como a Confederação dos
Sindicatos dos Funcionários Públicos (Adedy). "Exaustão não é
melhoria, a resiliência humana tem limites" será o lema dos protestos em
Atenas.
Os
sindicatos defendem a redução da jornada de trabalho para 37,5 horas semanais,
como em muitos países europeus. De fato, o governo grego vai contra a tendência
na UE, onde muitos cidadãos exigem uma semana de 35 horas ou de quatro dias.
"Os
trabalhadores gregos, que já trabalham mais horas por ano do que qualquer um de
seus colegas na União Europeia e que relatam, em sua maioria, burnout e excesso
de trabalho, agora enfrentam uma distopia. Chega. Não aguentamos mais",
resumiu a liderança da GSEE.
Fonte:
DW Brasil/BBC News Brasil

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