quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Protestos da Geração Z na Ásia inspiram América do Sul

Uma fúria juvenil tem percorrido diversos lugares do mundo. Do Nepal à Indonésia, passando pelas Filipinas, Bangladesh e Sri Lanka, vários países asiáticos viram seus jovens irem às ruas manifestar seu descontentamento com a corrupção e a desigualdade – e serem reprimidos com violência. Nas últimas semanas, os protestos chegaram também à América Latina. No Peru, os jovens estão no centro das recentes mobilizações de repúdio à presidente Dina Boluarte, seu governo e o Congresso, sob o lema "O povo se levanta, dia do despertar peruano".Os protestos eclodiram em 20 de setembro, após reformas no sistema de pensões do país que exigem que todos os peruanos com mais de 18 anos se filiem a um fundo de pensão. No último sábado, mais manifestações ocorreram, acompanhadas de forte reação policial, que deixou dezenas de feridos.

<><> Juventude ativa no Paraguai

No domingo (28/09) foi a vez do Paraguai, um dos países mais corruptos da América Latina, de acordo com o Índice de Percepção da Corrupção 2024 elaborado pela Transparência Internacional.

Os manifestantes tomaram o centro de Assunção em resposta a um chamado divulgado nas redes sociais. A concentração aconteceu em frente ao Congresso, e uma marcha seguiu pelas ruas da capital. O lema do protesto foi "Somos 99,9%. Não queremos corrupção". 

"Há muito cansaço por parte dos jovens diante da corrupção estatal, da má gestão do Estado, do nepotismo descarado. Todos os dias vemos que parentes e pessoas relacionadas a políticos entram no setor público. Isso causa muita frustração e muita raiva, assim como a ausência de políticas adequadas. Enquanto o partido do governo se dedica à sobrevivência partidária, não há suprimentos nos hospitais. Há uma raiva muito grande diante da cooptação da política do Estado por parte do narcotráfico", disse à DW Lilian Soto, médica, política e ativista feminista.

<><> "One Piece"

Um símbolo está presente em toda essa leva de manifestações: uma caveira com um chapéu de palha, do popular mangá japonês "One Piece", sobre piratas caçadores de tesouros. No anime de 1997, a bandeira é carregada por um bando de piratas de chapéu de palha que enfrentam governantes corruptos e repressivos. A imagem acabou se tornando um emblema de rebeldia e esperança para os manifestantes da geração Z em toda a Ásia, e além.

Na Indonésia, a bandeira é vista pendurada do lado de fora de casas e carros. No Nepal, foi colocada nos portões dourados do palácio que abriga o parlamento – em chamas –, enquanto os jovens derrubavam o governo. Agora ela tem sido vista no Peru e no Paraguai. Leonardo Munoz é um dos manifestantes em Lima que abraçou o símbolo.  "O personagem principal, Luffy, viaja de cidade em cidade libertando pessoas de governantes tirânicos e corruptos em cidades de escravos", disse Munoz à agência de notícias Reuters. "Isso representa o que está acontecendo em vários países. É o que está acontecendo agora no Peru."

Os protestos estão ocorrendo em um contexto mais amplo, no qual as democracias em todo o mundo estão sob pressão, e seguem os esforços do governo para enfraquecer tribunais, órgãos de fiscalização e promotores, aponta Jo-Marie Burt, professora visitante do programa de estudos latino-americanos da Universidade de Princeton, para a Reuters. "Isso lembra muito o que aconteceu na década de 1990, durante o governo Fujimori, quando o sistema judiciário foi essencialmente capturado para consolidar o controle autoritário." Os protestos anteriores no Peru ajudaram a "impedir que as instituições fossem tomadas" e até derrubaram presidentes, aponta.

<><> Redes e repressão

"Há informação e comunicação sobre o que acontece em outros lugares. O que é novo neste protesto dos jovens no Paraguai é a forma de se organizar", ressalta Lilian Soto. As redes sociais fervilharam após os protestos em Assunção, denunciando uma repressão violenta por parte das forças de segurança, com mais de 30 prisões. "Entre 500 e 1.000 pessoas participaram e houve um destacamento de mais de 3.000 policiais, que perseguiram as pessoas uma a uma quando elas já estavam voltando para casa", denuncia Soto. "Houve operações policiais de perseguição em batidas nas quais as forças públicas saíram à caça de manifestantes sem ordem judicial, sem autos, sem o devido processo legal, deixando as pessoas detidas por mais de doze horas, sem a presença de um promotor, com claros exemplos de abuso de força", avalia Leonardo Berniga.

A polícia, por sua vez, defendeu sua atuação, dizendo que as detenções foram por "desordens" ou por "agressões contra agentes".

¨      Os protestos da Geração Z no Peru contra reforma da previdência e anistia

Os protestos contra o governo e o Congresso peruanos, que há semanas ocorrem no centro de Lima, são uma preocupação cada vez maior para as autoridades no Peru.

Durante a manifestação mais recente, que aconteceu no último domingo (28/9), houve confronto entre a polícia e os manifestantes, deixando vários feriados, danos materiais e a sensação de um mal-estar crescente em um movimento que começou entre os estudantes e agora se espalha para outros grupos. Os trabalhadores do setor de transportes, por exemplo, se queixam de estar à mercê da criminalidade que assola o país.

Desde o início das manifestações, foram vistas muitas faixas e cartazes com a letra Z, em alusão à Geração Z — nascidos entre 1995 e 2010. Por isso, e pelas semelhanças com os protestos que ocorreram recentemente em países asiáticos como o Nepal — onde os jovens conseguiram derrubar o governo exibindo bandeiras semelhantes às que se vê em Lima —, eles foram batizados pela mídia de "protestos da Geração Z".

As manifestações evidenciaram um amplo descontentamento no Peru, onde todas as pesquisas apontam para uma rejeição popular esmagadora à presidente Dina Boluarte e à coalizão de forças no Congresso que a apoia. Elas também lembram os episódios turbulentos da história recente peruana, com as marchas que terminaram forçando a renúncia do presidente Manuel Merino, em 2020, e os protestos de 2023 que deixaram dezenas de mortos após a queda de Pedro Castillo.

<><> Quem protesta?

Os protestos começaram como um movimento sem liderança centralizada e parecem ter respondido a convocações espontâneas na internet. Aos poucos, grupos mais organizados, como associações de estudantes universitários, começaram a se juntar.

Omar Coronel, especialista em Movimentos Sociais da Pontífica Universidade Católica (PUC) do Peru, disse à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, que "quem protagoniza os protestos são, sobretudo, jovens que agora estão ingressando no mercado de trabalho e descobrindo as limitações e dificuldades que vão encontrar".

Mas os motivos desse mal-estar não são apenas econômicos.

"Há uma grande rejeição à presidente Boluarte e seus aliados no Congresso devido ao crescente autoritarismo que vem sendo imposto no Peru." E alguns acontecimentos internacionais parecem ter incentivado as manifestações. "Os protestos que derrubaram o governo no Nepal ou os que ocorreram na Indonésia inspiraram o que estamos vendo agora no Peru", afirmou o especialista em Relações Internacionais Ramiro Escobea.

Coronel também percebe a influência. "No Peru, já fazia um tempo que as pessoas não se atreviam a protestar pelo alto custo que isso teve na onda de manifestações de 2023, que deixou dezenas de civis mortos. Mas o exemplo do Nepal parece ter ensinado que é possível conquistar mudanças, até mesmo em contextos mais autocráticos que o peruano, por meio de mobilizações."

Os coletivos estudantis estão entre os mais ativos em uma onda de protestos que cresce, mas também jovens não universitários têm participado. Coronel explica que, nos símbolos usados durante os protestos, percebe-se a marca da geração Z, cujos integrantes são considerados "nativos digitais" porque não conheceram o mundo antes da revolução da internet. "Temos visto muitas bandeiras e cartazes com a letra Z e também a bandeira com a caveira pirata de One Piece, uma série de desenho animado japonês em que os protagonistas lutam contra uma espécie de ditadura mundial", explica. A bandeira do One Piece esteve presente em outras manifestações protagonizadas por jovens nas últimas semanas ao redor do mundo, desde a França até o Nepal, Paraguai e Marrocos.

<><> A reforma da previdência

Os primeiros protestos surgiram em resposta à reforma do sistema previdenciário aprovada pelo Congresso peruano. A nova lei obriga os trabalhadores autônomos a contribuir com o sistema público de aposentadorias, mas limita ao mínimo o valor que os menores de 40 anos podem sacar antecipadamente.

A reforma irritou muitos jovens em um país onde os políticos de diferentes partidos protagonizam escândalos de corrupção dia após dia. "Sou trabalhador autônomo e quando soube que a reforma iria tirar parte da minha renda, decidi que era hora de sair para protestar", disse Jorge, estudante de História da Universidade Nacional Maior de San Marcos, em Lima, que prefere não falar seu sobrenome por medo de retaliações.

Jorge trabalha como professor em uma escola enquanto completa seus estudos e sente que a situação no Peru se tornou inaceitável. "Entre os jovens, o descontentamento é total", afirma. Embora os líderes parlamentares tenham anunciado rapidamente que os pontos mais polêmicos da reforma seriam eliminados, a lei continua em vigor e os manifestantes pedem pela revogação.

<><> Um grito contra a falta de segurança

À reclamação inicial contra a reforma do sistema previdenciário se somaram outras.

Uma das principais questões é a falta de segurança e as extorsões a pequenos negócios e no setor de transportes. "Todos os dias, no ônibus que pego para o trabalho, vejo criminosos extorquindo dinheiro dos motoristas cobrando a passagem. Isso acontece todos os dias, à vista de todos, e a polícia não faz nada", contou Jorge.

Ataques a tiros contra veículos de transporte público e assassinatos de motoristas são registrados no Peru quando as empresas se negam a ceder às chantagens. O setor de transporte já realizou várias paralisações para exigir do governo uma solução.

Segundo a Associação Nacional de Integração do Transporte, 46 motoristas foram assassinados nos últimos meses. "Os mesmos policiais que aparecem para nos reprimir quando estamos protestando, desaparecem quando pedimos ajuda para enfrentar os criminosos", comenta Jorge. Diante dessa situação, o sindicato do transporte se juntou à geração Z no último protesto em Lima. "Se deixar de ser apenas um movimento jovem e se tornar um movimento transversal, isso pode se transformar em um problema mais sério para o governo", disse o jornalista peruano Martín Riepl à BBC.

<><> Rejeição à polêmica anistia

Também há oposição à polêmica Lei da Anistia promulgada em agosto, que beneficia os militares, policiais e membros dos Comitês de Autodefesa processados por crimes contra os direitos humanos cometidos durante a guerra do Estado peruano contra as guerrilhas de esquerda Sendero Luminoso e o Movimento Revolucionário Túpac Amaru (MRTA) entre 1980 e 2000. "A sensação de impunidade total agrava a ideia de que no Peru impera um regime autoritário", afirma Coronel. Esse fator também tem levado muitas pessoas às ruas, que conecta diferentes gerações de opositores do governo Boluarte.

<><> O que exigem os manifestantes?

Os manifestantes não apresentam um objetivo concreto ou definido além da revogação da lei da reforma da previdência. Enquanto isso, o governo optou por ignorar os protestos em suas declarações públicas.

Mas, à medida que o movimento ganha adeptos, parece estar se tornando mais ambicioso. "O ponto comum desses protestos é o repúdio a um governo e congressistas extremamente impopulares", diz Coronel, explicando que "na marcha convocada esta semana já será pedido explicitamente a destituição da presidente".

Jorge, que pretende continuar participando das manifestações, afirma que "o que se busca é derrubar o governo e o Congresso e promover uma reforma no país".

"As mesmas cabeças cabeças corruptas que nos levaram a essa situação não podem ser as que vão conduzir a reforma", indica.

<><> O que pode acontecer agora?

Depois das imagens de domingo, quando foram registrados confrontos violentos entre a polícia e os manifestantes — que tentaram chegar à sede do Congresso — poucos acreeditam que os protestos vão perder força imediatamente. Pode até ser que a ação da polícia sirva para alimentá-los.

O Conselho da Imprensa Peruana, uma organização civil dedicada à defesa do jornalismo, denunciou que ao menos 20 profissionais da imprensa foram "agredidos" pelos agentes enquanto cobriam a última manifestação. Um vídeo compartilhado nas redes sociais mostrou como um policial golpeou com seu cassetete o rosto de um homem idoso quando ele se retirava do local, causando um ferimento e hemorragia.

Após os comentários de indignação, a polícia anunciou a abertura de uma investigação disciplinar por suposto "uso arbitrário da força".

O que começou como um grito de jovens parece ter tomado outro rumo com a incorporação dos sindicatos de transporte e outros coletivos. "No próximo ano há eleições no Peru e essa é uma das chaves", destaca Coronel, que acredita que os protestos não vão diminuir de um dia para o outro, mas duvida que consigam todos os seus objetivos. "Para derrubar o governo, seriam necessárias manifestações tão massivas quanto as que tiraram o presidente Manuel Merino em 2020, e isso ainda não ocorreu, em parte, porque após as mortes de 2023, as pessoas ainda têm medo de protestar", observa o especialista.

Jorge, contudo, vê "cada vez mais pessoas nas manifestações". E acrescenta: "É preciso seguir em frente. O descontentamento é generalizado e nós, jovens, tomamos consciência disso".

¨      Jornada de trabalho de 13 horas provoca indignação na Grécia

"Não posso trabalhar 13 horas por dia e também não espero isso das minhas funcionárias", diz a gerente do salão de beleza 64, Anni, no centro de Atenas, a capital da Grécia. Ela argumenta que suas clientes também não vão ficar satisfeitas com o trabalho de uma esteticista cansada.

É por isso que Anni se pergunta por que a ministra grega do Trabalho, Niki Kerameos, está tão empenhada pela jornada de trabalho de 13 horas. A resposta da própria ministra, dada em várias entrevistas: trata-se de uma exceção que vale para apenas 37 dias do ano e que é "do interesse dos trabalhadores".

Os sindicatos rejeitam os planos e estão tentando derrubar o projeto de lei sobre a "flexibilização da jornada de trabalho", que será apresentado em breve ao Parlamento Helênico.

Eles convocaram uma greve geral de um dia para esta quarta-feira (1º/10) que afetou sobretudo o setor de transportes. Desde a meia-noite (horário local), principalmente trens e balsas que conectam o continente às ilhas pararam de funcionar, assim como metrôs e ônibus em determinados horários do dia.

<><> "Flexibilização" do mercado de trabalho

Mesmo antes desse novo projeto de lei, o governo conservador do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis já havia transformado o mercado de trabalho grego num dos mais "flexíveis" da Europa. Desde julho de 2024, trabalhadores da indústria, do comércio, da agricultura e de alguns serviços devem trabalhar seis dias por semana se o empregador assim decidir. O sexto dia é remunerado com um adicional de 40%.

Embora a Grécia ainda tenha uma semana de trabalho de 40 horas, os empregadores podem solicitar até duas horas extras não remuneradas por dia, por um período limitado, e oferecer mais tempo livre em troca. Em tese, trata-se de uma oferta voluntária, mas em muitas empresas os funcionários acabam sendo obrigados a trabalhar mais horas, e sem qualquer compensação.

Também a jornada de trabalho de 13 horas deverá ser voluntária, enfatiza a ministra do Trabalho. Ninguém será obrigado a fazer horas extras, afirma.

<><> Efeito negativo na produtividade

Mas um funcionário pode mesmo se recusar a fazer horas extras? "Não. Isso não pode ser feito sem temer consequências, pois o funcionário tem pouco poder de barganha", diz o professor de relações trabalhistas Theodoros Koutroukis, da Universidade Demócrito da Trácia.

Koutroukis diz que a nova regulamentação legal não terá um impacto positivo no mercado de trabalho, pois a extensão da jornada de trabalho diária provavelmente diminuirá a satisfação dos funcionários no trabalho e levará a uma queda na produtividade. Isso, por sua vez, levará a uma deterioração na qualidade dos bens e serviços produzidos e até mesmo a um aumento nos custos de produção, prevê.

A extensão da jornada de trabalho pode ainda perturbar o equilíbrio entre vida familiar e profissional e diminuir o tempo que os funcionários podem dedicar para o aprendizado profissional, acrescenta o professor.

<><> Para atender as necessidades das empresas

Além da jornada de trabalho de 13 horas, o projeto de lei de Kerameos prevê a distribuição "flexível" dos dias de férias, a atribuição flexível e de curto prazo de duas horas extras por dia e a disponibilidade dos funcionários por meio de um app. Os critérios para isso são "necessidades urgentes" das empresas. Uma semana de trabalho de quatro dias com 40 horas de trabalho também é possível.

A ministra diz que sua reforma do mercado de trabalho adapta a legislação à realidade. Mas especialistas trabalhistas dizem que ela legaliza todas as violações da lei que os empregadores costumam cometer.

<><> Gregos já trabalham muito

Devido aos baixos salários, muitos trabalhadores na Grécia têm dois empregos e já trabalham até 13 horas por dia. A nova lei permitirá que façam isso para um único empregador. "Se você já faz isso com dois empregadores, por que não ter a oportunidade de fazer isso com um só e ainda ganhar 40% a mais?", argumenta Kerameos.

O que fica em aberto é a questão de por que tantas pessoas na Grécia não conseguem sobreviver com um emprego de 40 horas e dependem de horas extras ou de um outro emprego. De acordo com o órgão de estatísticas Eurostat, os gregos trabalham muito, mais de 1.886 horas por ano, o que é bem mais do que qualquer outra nação da União Europeia.

No entanto, eles têm menor produtividade – talvez justamente por trabalharem tanto. E também menor poder de compra (30% abaixo da média da União Europeia). E agora o governo quer que eles trabalhem ainda mais.

<><> Sindicatos dizem "basta!"

A confederação sindical grega GSEE, que representa 2,5 milhões de trabalhadores do setor privado, rejeita a jornada de 13 horas, assim como a Confederação dos Sindicatos dos Funcionários Públicos (Adedy). "Exaustão não é melhoria, a resiliência humana tem limites" será o lema dos protestos em Atenas.

Os sindicatos defendem a redução da jornada de trabalho para 37,5 horas semanais, como em muitos países europeus. De fato, o governo grego vai contra a tendência na UE, onde muitos cidadãos exigem uma semana de 35 horas ou de quatro dias.

"Os trabalhadores gregos, que já trabalham mais horas por ano do que qualquer um de seus colegas na União Europeia e que relatam, em sua maioria, burnout e excesso de trabalho, agora enfrentam uma distopia. Chega. Não aguentamos mais", resumiu a liderança da GSEE.

 

Fonte: DW Brasil/BBC News Brasil

 

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