quinta-feira, 26 de junho de 2025

SÓ PENSA NAQUILO... Bolsonaro sugere que Lula será reeleito se não houver nova ação golpista

Jair Bolsonaro (PL), em vias de ser condenado por sua tentativa de golpe de Estado, voltou a insinuar a necessidade de uma nova ação golpista para evitar outra vitória do seu adversário político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nas eleições de 2026. Em mais uma de suas declarações absurdas, o ex-presidente, que está em contagem regressiva para ir para a cadeia, afirma que, se as coisas "seguirem como estão", Lula será reeleito sem qualquer contestação.

Em entrevista à rádio bolsonarista AuriVerde Brasil, o extremista inelegível falou com tom alarmante sobre as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito eleitoral, sugerindo que elas estariam criando um "ambiente" propício à reeleição de Lula. Segundo ele, a situação está se encaminhando para que não haja qualquer possibilidade “de questionar” a campanha do Partido dos Trabalhadores, ou seja, ele reclama que não poderá rejeitar os resultados das urnas e armas seu circo golpista. No entanto, o que mais chama a atenção é que, mesmo fora do jogo eleitoral, Bolsonaro insinua que as eleições de 2026 precisam ser "contestadas" caso Lula se reeleja, o que na prática já é adiantar um discurso de derrota e apelar a expedientes fora da lei para que sua vontade seja feita.

"Se, de acordo com a decisão final do Supremo, realmente vai ser complicado as eleições do ano que vem", afirmou, referindo-se a um suposto cenário de favorecimento ao atual presidente. Bolsonaro não especifica como as decisões do STF interfeririam diretamente na disputa eleitoral, mas o teor de suas palavras, carregadas de invencionices e delírios, deixa claro que a sua obsessão por uma nova tentativa de golpe não foi deixada de lado.

<><> A manipulação de qualquer cenário

Bolsonaro continua a disseminar a ideia de que um “cenário eleitoral justo”, no qual Lula poderia ser reeleito, não seria legítimo “sem uma contestação”. Ele relembra uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2022, que o impediu de vincular Lula a ditaduras durante as campanhas de rádio e TV. A vinculação de uma reeleição de Lula a um processo "sem contestação" é uma alegação vazia, pois se baseia em suposições infundadas sobre algo que ainda nem ocorreu e na tentativa de criar uma narrativa de fraude, tal como fez em 2022. Para qualquer cidadão com juízo, um Bolsonaro praticamente sentenciado deveria de todas as formas ficado afastado desse tipo de conjectura, evitando fomentar qualquer nova desordem.

Mesmo com seu nome fora da corrida presidencial e disputas internas acontecendo em sua base de apoio, o ex-presidente permanece incitando a ideia de que a eleição de 2026 só será "verdadeira" se ele ou seus aliados vencerem, seja pelos votos ou pela contestação de um resultado indesejado, numa clara ameaça de que, caso o pleito não aconteça do jeito que ele deseja, a estratégia será questioná-lo ou impedi-lo de ocorrer.

<><> O cenário de 2026 e os bastidores da política

De acordo com uma pesquisa Datafolha do início deste mês, Lula lidera as intenções de voto para 2026, com Bolsonaro sendo apontado como o adversário mais competitivo, embora esteja inelegível e em vias de ser preso. A pesquisa também revela que o petista tem empates no segundo turno, tanto com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) quanto com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Durante a mesma entrevista, Bolsonaro ainda mencionou que o “ambiente” político de “perseguição” aos seus filhos, Eduardo e Carlos, poderia dificultar a candidatura deles ao Senado Federal. Eduardo Bolsonaro, especificamente, se encontra no meio de um inquérito, o que coloca sua elegibilidade em risco.

Apesar de sua inelegibilidade, Bolsonaro continua insistindo na narrativa de um golpe como única alternativa. A questão aqui não é apenas o delírio de um homem prestes a ser trancado numa cela, mas a forma como ele tenta manipular os sentimentos de seus seguidores e criar um terreno para mais uma tentativa de subverter a democracia brasileira. As palavras de líder radical não podem ser minimizadas: ele continua a visar um futuro onde sua visão política e sua ânsia de poder se sobreponham à vontade do povo brasileiro.

•        Freire Gomes enterra Anderson Torres em acareação no STF

O general Freire Gomes, ex-comandante do Exército, prestou um depoimento devastador para Anderson Torres durante acareação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF). Confirmando que a minuta do golpe apreendida na casa do ex-ministro da Justiça tinha conteúdo semelhante ao documento apresentado por Jair Bolsonaro em reunião com os comandantes das Forças Armadas, o general praticamente encerrou qualquer margem de defesa para Torres.

Na ata da acareação, registrada por determinação do ministro Alexandre de Moraes, consta que "a testemunha diz que a minuta apresentada no dia 7 teria o conteúdo semelhante à encontrada na residência do réu Anderson Torres". Embora Freire Gomes tenha evitado afirmar que os textos eram idênticos, reforçou que tratavam do mesmo tema: a tentativa de instaurar um estado de sítio por meio de um decreto inconstitucional.

"Eu não me lembro ipsis litteris dos documentos pra comparar, não tenho essa capacidade. O que eu sei, sim, é que o conteúdo, em termos gerais, era muito parecido ou tinha pontos idênticos (...). Não sei quem foi o autor, não sei se foi apreendido e esse documento não me foi apresentado por ele", declarou o general.

<><> Documento discutido com Bolsonaro e o achado na casa de Torres tratavam do mesmo plano

Durante a acareação, Freire Gomes reiterou que o material encontrado com Torres abordava "o mesmo assunto constante naquele documento do dia 07/12, ou seja, a possibilidade de decretação do estado de sítio e GLO [Garantia da Lei e da Ordem]". A semelhança no teor reforça a gravidade das acusações e aponta diretamente para uma articulação centralizada em torno de Bolsonaro e de seus auxiliares próximos.

"Em virtude disso, a testemunha reafirma que entende que os documentos têm conteúdo semelhante, pois tratam do mesmo assunto, em que pese jamais ter afirmado que se trata do mesmo documento", diz a ata oficial do STF.

A fala enfraquece de forma contundente a linha de defesa de Anderson Torres, que vinha alegando desconhecimento sobre a autoria da minuta e sua relevância. O próprio ex-ministro havia dito que o material estava entre os papéis levados do gabinete para casa, sem que tivesse tomado qualquer providência a respeito de seu conteúdo.

<><> Torres foi excluído das reuniões decisivas, mas participou de discussões sobre GLO

Freire Gomes também afirmou que Anderson Torres não esteve presente nas duas reuniões mais sensíveis do período, realizadas nos dias 7 e 14 de dezembro de 2022, quando Jair Bolsonaro teria apresentado aos militares o plano de ruptura democrática.

Apesar disso, o general confirmou que Torres participou de outros encontros ministeriais, nos quais se discutia o uso da GLO, ainda que com justificativas ligadas à segurança pública — e não com conotação golpista, como nas reuniões promovidas por Bolsonaro.

"Nessas reuniões ministeriais, recorda-se que o réu Anderson Torres se manifestou, até pelo fato de na época ser Ministro da Justiça e Segurança Pública. A testemunha reitera o seu depoimento judicial onde afirmou que o réu Anderson Torres, na sua presença, jamais incentivou qualquer ato fora da legalidade", diz o documento.

No entanto, Freire Gomes fez uma distinção clara entre essas reuniões institucionais e os encontros restritos com Bolsonaro, nos quais as propostas de ruptura, como a decretação de estado de sítio, teriam sido efetivamente tratadas.

Mesmo com essa ressalva, o depoimento do general derruba o discurso de inocência e fragiliza ainda mais a posição de Anderson Torres na investigação que apura os bastidores da tentativa de golpe.

<><> Defesa de Torres tenta minimizar impacto

O advogado de Torres, Eumar Novacki, tentou relativizar os danos causados pela acareação. Para ele, o encontro entre os dois teria tido um resultado “positivo” e até melhor do que o esperado. No entanto, diante da confirmação de que a minuta achada na casa do ex-ministro era semelhante à apresentada por Bolsonaro aos comandantes militares, a narrativa de que Torres foi apenas um depositário ocasional de um documento irrelevante desmorona.

A fala do general Freire Gomes crava, com a autoridade de quem esteve nas reuniões mais sensíveis da transição, que o conteúdo golpista não era apenas um rascunho disperso, mas parte de um plano discutido no mais alto nível — e cujas peças agora estão vindo à tona uma a uma.

•        Freire Gomes nega ter ordenado prisão de Bolsonaro e diz que apenas alertou sobre “consequências jurídicas”

Durante acareação realizada nesta terça-feira (24) no Supremo Tribunal Federal (STF), o general Marco Antônio Freire Gomes desmentiu a versão de que teria determinado a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo reportagem publicada pela CNN Brasil, o militar afirmou que o que houve foi uma "advertência" ao então chefe do Executivo sobre os riscos jurídicos de um eventual decreto que instituísse "medidas de exceção" no país.

O episódio foi esclarecido em sessão conjunta com o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, no âmbito das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado, com ramificações nos atos de 8 de janeiro de 2023. Freire Gomes relatou ao STF que, diante da proposta de Bolsonaro de editar o decreto, explicou-lhe que tal ação teria graves repercussões legais. “A testemunha esclarece que jamais deu ‘ordem de prisão’ ao então presidente da república, mas sim, que o avisou das consequências jurídicas do eventual decreto que previa medidas de exceção”, registra o documento oficial da Corte.

Ainda segundo o teor do depoimento, o general teria reforçado ao ex-presidente a necessidade de refletir sobre os desdobramentos de uma medida extrema: “inclusive alertando ao então presidente que deveria pensar ‘no dia seguinte’, porque uma medida de exceção levaria a outras”. De acordo com Freire Gomes, após essa conversa, Bolsonaro “teria concordado e não voltou mais a tratar do assunto”.

•        Acareação entre Anderson Torres e Freire Gomes ocorreu em tom de ‘cordialidade’

Durou pouco mais de uma hora a audiência de acareação entre o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres e o ex-comandante do Exército Marco Antônio Freire Gomes no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (24), no âmbito da ação penal que julga a participação o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras sete pessoas na tentativa de golpe de Estado entre 2022 e 2023.

Assim como na acareação entre o general Walter Braga Netto e o tenente-coronel Mauro Cid, que ocorreu mais cedo, a audiência não pode ser registrada e foi acompanhada pelos advogados de defesa e pelo procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet.

De modo cordial, Freire Gomes, que é testemunha de acusação no processo, chegou a afirmar que o ex-ministro da Justiça “jamais incentivou qualquer ato fora da legalidade”.

A acareação foi solicitada pela defesa de Anderson Torres para esclarecer eventuais contradições nos depoimentos das testemunhas no processo. Na fase de instrução processual, Freire Gomes afirmou em depoimento haver participado de reuniões com o ex-ministro da Justiça nas quais foi tratada a adoção de medidas de exceção. O general também relatou ter tido conhecimento sobre a “minuta do golpe”, documento encontrado pela Polícia Federal (PF) na residência de Torres, em Brasília.

Em sua versão à PF, o general Freire Gomes afirmou que teria participado de “algumas reuniões” com a presença do presidente da República e do ministro da Defesa, e que Anderson Torres assessorava juridicamente Bolsonaro sobre as medidas de exceção que poderiam ser adotadas, como a Garantia da Lei da Ordem (GLO), o estado de defesa e o estado de sítio.

Na audiência de acareação, no entanto, o general disse que o ex-ministro “jamais opinou no sentido da quebra do Estado de Direito”, nas palavras do general. Freire Gomes não soube precisar as datas das reuniões em que Torres esteve presente. Contudo, afirmou que após a realização do segundo turno eleitoral, não voltou a participar de reuniões com a presença do ex-ministro da Justiça.

Sobre a minuta apreendida na residência do ex-ministro da Justiça, Freire Gomes reafirmou que recebeu uma cópia do documento apreendido na residência de Anderson Torres e confirmou que o conteúdo dessa minuta foi exposto a ele nas reuniões com o presidente Jair Bolsonaro e, posteriormente, com o ministro da Defesa. Mas o ex-comandante do Exército disse que não poderia afirmar que minuta encontrada na casa de Torres fosse “a mesma” ou “idêntica” à que foi apresentada nas reuniões, apenas que o conteúdo era “semelhante”.

Em seus depoimentos, Torres afirma que nunca participou de uma reunião com o ex-presidente Jair Bolsonaro onde o assunto da “minuta do golpe” tenha sido tratado e minimiza a importância do documento, referindo-se a ele de forma depreciativa como “minuta do Google”. Na acareação desta terça, Anderson Torres também foi questionado sobre sua participação nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, e reafirmou sua inocência.

 

Fonte: Fórum/Brasil de Fato

 

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