Brasil
corre o risco de 'apagão', caso governo e Congresso não aprovem ajustes de
despesas, apontam especialistas
A
derrubada de decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que
aumentavam o IOF, imposto sobre empréstimos e operações de câmbio, pelo
Congresso Nacional nesta quarta-feira (25), escancara a dificuldade do governo
de emplacar um equilíbrio das contas públicas por meio da alta de tributos.
🔎 Analistas ouvidos pelo g1, contudo,
são unânimes em dizer que o governo precisa reformar despesas obrigatórias para
tentar manter previsibilidade sobre as contas públicas nos próximos anos e
evitar um "apagão".
🔎Essa mesma estratégia poderia ajudar a
conter uma disparada da dívida pública — que teria o efeito de aumentar ainda
mais a taxa de juros cobrada pelos bancos nas operações de crédito.
As
propostas de cortes de gastos envolvem:
• vinculações de gastos previdenciários e
do Benefício de Prestação Continuada (BPC) ao salário-mínimo;
• vinculação de saúde e educação ao
crescimento das receitas;
• benefícios fiscais a segmentos e setores
da sociedade;
• emendas parlamentares e
• aportes a empresas estatais.
Como
antecipou o blog do jornalista Valdo Cruz, o relatório da Instituição Fiscal
Independente (IFI), do Senado, divulgado nesta terça-feira (24), também mostrou
que só reformas estruturais salvam o Brasil de enfrentar uma grave crise fiscal
em 2027 e um 2026 no mínimo desafiador, cumprindo a meta fiscal deste ano
batendo na trave.
➡️ Entenda o aumento do IOF: A equipe econômica
anunciou, no fim de maio, um decreto presidencial que elevou o IOF incidente
sobre operações de crédito, principalmente para empresas. A medida também
abrangeu câmbio e seguros e investimentos. Diante da pressão, o governo revogou
alguns dos atos. Ainda assim, a proposta sofreu forte resistência e acabou
barrada pelo Congresso, algo inédito.
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Bloqueio adicional
➡️Sem o decreto do IOF, as regras das contas
públicas estabelecem a necessidade de um bloqueio adicional, ou de um aumento
de arrecadação para compensar a perda desses recursos.
➡️Isso porque esse dinheiro é necessário para
tentar atingir a meta de zerar o déficit nas contas do governo neste ano — com
um intervalo de tolerância (de até R$ 31 bilhões) e exclusão de parte dos
precatórios previstos.
➡️O valor dessa perda é calculado em R$ 10
bilhões pelo governo, mas pode superar essa cifra, segundo especialistas. A
estratégia para atingir a meta deste ano ainda não foi anunciada pela área
econômica.
"A
gente sabe o que vai acontecer agora. A questão é muito concreta: a derrubada
desse decreto do IOF significa contingenciamento imediato de R$ 12 bilhões a
mais [...]. O que que nós vamos cortar: programa social, cortar da educação,
cortar da saúde, cortar do Minha Casa, Minha Vida", declarou nesta quarta
o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ).
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Paralisia da máquina pública
Enquanto
o governo se debruça sobre o orçamento de 2025, buscando uma estratégia para
fechar os cálculos no curto prazo, avaliações de especialistas em contas
públicas revelam que um problema muito maior se aproxima: a paralisia da
máquina pública nos próximos anos, ou melhor, o temível "apagão".
Isso
está relacionado com a regra do arcabouço fiscal, a norma para as contas
públicas proposta pela equipe econômica do presidente Lula em 2023, e aprovada
naquele ano pelo Legislativo, que fixa um teto para a maior parte das despesas
orçamentárias - que não podem crescer acima de 2,5% ao ano (acima da inflação).
➡️Nesse caso, não adianta o governo elevar a
arrecadação para ajustar as contas públicas. Sem cortes de gastos obrigatórios,
que só podem ser feitos por meio de reformas enviadas ao Congresso Nacional, os
chamados "gastos livres" ficarão com valores decrescentes nos
próximos anos — e terão as cifras zeradas a partir de 2027.
A
explicação é que os gastos obrigatórios, que têm regras específicas fixadas em
leis, continuarão crescendo nos próximos anos — mesmo considerando o alívio
trazido pelo pacote de cortes de gastos do fim de 2024. Com isso, as despesas
obrigatórias avançarão progressivamente sobre o espaço para gastos livres do
governo.
Entre
os gastos livres, cujo espaço cairá ano a ano, estão: investimentos em
infraestrutura, alguns tipos de emendas parlamentares, verbas para a defesa
agropecuária, bolsas do CNPq e da Capes, emissão de passaportes, fiscalização
ambiental e do trabalho escravo, e o Farmácia Popular.
➡️A avaliação de economistas ouvidos pelo g1 é
que, sem cortes de gastos, o cenário de restrições para 2026 — marcado por
eleições para deputados, senadores e presidente da República — será de fortes
restrições (pois haverá menos recursos para os gastos livres).
➡️E, em 2027, o próprio governo admite que pode
haver uma paralisia do Estado, sem espaço para investimentos, ações importantes
do governo e até mesmo dinheiro para pagar despesas básicas, como água e luz
dos ministérios, levando a uma mudança do arcabouço fiscal, a regra para as
contas públicas.
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Cortes de gastos
Em
maio, a economista Zeina Latif, sócia da Gibraltar Consulting, afirmou ao g1
que o governo teria de ter "abraçado" antes uma agenda com medidas
mais agressivas de contenção de despesas obrigatórias desde o início do
governo, envolvendo mudanças de leis pelo Congresso Nacional.
"Não
é uma coisa que você consegue rapidamente tirar da cartola. Eu não vejo espaço
para grandes contenções, acaba batendo mesmo em emendas parlamentares, eu não
consigo avaliar o quanto. Mas é inevitável [uma agenda de contenção de despesas
obrigatórias]", acrescentou Zeina Latif, na ocasião.
Também
naquele momento, Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset Management, ex-secretário
do Tesouro Nacional na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou que a
grande reforma fiscal que o governo precisa fazer é reduzir os gastos
obrigatórios para trazer previsibilidade à trajetória das despesas e ao
endividamento público.
Ele
cita como foco as despesas previdenciárias, o formato de correção do salário
mínimo (que sobe acima da inflação, pressionando gastos obrigatórios); os
mínimos constitucionais de saúde e educação e uma reforma administrativa.
O mesmo
diagnóstico foi divulgado em estudo publicado pelo Banco Mundial. A instituição
divulgou um conjunto de propostas para que as contas públicas voltem ao azul
nos próximos anos, contendo o crescimento do endividamento brasileiro e da taxa
de juros cobrada pelo mercado financeiro, além de promover uma agenda que
engloba "desafios ambientais".
"A
rígida estrutura de gastos do Brasil, com grandes alocações para o pagamento de
aposentadorias e salários de servidores públicos, impõe desafios. Aumentos
automáticos de custos nos principais programas, especialmente nas
aposentadorias e pensões pagas a idosos (devido à transição demográfica e à
indexação de benefícios), criam pressões fiscais contínuas que dificultam a
adesão à regra fiscal de 2023 [arcabouço fiscal]", avaliou o Banco
Mundial.
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Entre as medidas sugeridas pelo Banco Mundial, estão:
➡️Desvincular as despesas obrigatórias dos
aumentos das receitas e do salário mínimo
Com
isso, os benefícios assistenciais (BPC) e previdenciários (benefícios e
pensões) cresceriam menos do que o salário mínimo, reduzindo os gastos
públicos.
➡️Desvincular as despesas de saúde e educação
ao comportamento das receitas
Com a
medida, os gastos mínimos em saúde e educação não subiriam mais de acordo com a
arrecadação, o que poderia gerar perda de centenas de bilhões de reais aos
setores nos próximos anos.
➡️Reforma administrativa com regras para
servidores:
Proposta
contempla redução dos salários iniciais em 20%, em média; a adoção de prazos
mais longos para progressões na carreira; mudança nas políticas de contratação
para redução de privilégios no setor público; introdução de práticas de gestão
de recursos humanos mais orientadas aos resultados; ajuste dos salários dos
atuais servidores apenas pela inflação e redução do número de carreiras.
➡️Nova reforma da previdência e assistência
social
Estudo
propõe um valor mínimo da aposentadoria contributiva proporcional aos anos de
contribuição; a definição de um valor inferior ao das aposentadorias
contributivas para o BPC; a consolidação do BPC com pensões rurais para
simplificar a administração e garantir proteção mínima universal aos idosos; a
eliminação de diferenças "injustificadas" nas idades de aposentadoria
(por gênero, local, profissão).
➡️Fiscalização maior do Bolsa Família
Com
maior fiscalização é possível impedir que os moradores do mesmo domicílio se
dividam em mais de um grupo familiar para receber vários benefícios.
➡️Reforma do seguro-desemprego e abono salarial
Proposta
é que as contas individuais do FGTS sejam utilizadas como primeira linha de
financiamento para pedidos de assistência ao desemprego. Já o abono salarial,
pela proposta, deveria ser direcionado às famílias de renda baixa, o que
economizaria até 0,2% do PIB.
➡️Ampliar a base dos contribuintes do Imposto
de Renda
Essa
medida seria o contrário do que vem propondo o governo federal (com a isenção
de até R$ 5 mil).
Estudo
propõe reduzir isenções que beneficiam os mais ricos, voltando a taxar lucros e
dividendos (que tem alto potencial de arrecadação), assim como diminuir
isenções e deduções voltados principalmente para os mais ricos (aposentadorias
por idade e invalidez, indenizações e deduções em saúde e educação), além de
uma alíquota maior (acima da atual, de 27,5%) para os mais ricos.
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'Jabutis' na conta de luz
Ao
mesmo tempo em que mostra resistência a cortar gastos, o Congresso Nacional
também pode onerar mais o consumidor ao elevar o custo da conta de luz.
Na
semana passada, o Legislativo derrubou parte dos vetos do presidente Lula a um
projeto cujo objetivo inicial era o de estimular a geração de energia eólica
gerada em alto-mar, com maior capacidade devido à força do vento.
Sem
acordo com o Congresso, a queda dos vetos a "jabutis elétricos" será
repassada para a conta de luz de consumidores.
🔎Os chamados 'jabutis' são artigos que
não correspondem ao tema original do texto e foram inseridos pelos
parlamentares durante a tramitação.
▶️Os trechos da proposta retomados na lei por
deputados e senadores, que agora passam a valer, podem provocar aumento de 3,5%
na conta de luz para os consumidores.
Pelos
cálculos de entidades do setor elétrico, a queda dos vetos em sessão do
Congresso vai custar para os consumidores R$ 195 bilhões até 2050, elevando a
conta de energia dos brasileiros em 3,5%. A equipe técnica do governo fez novas
contas e chegou a um valor maior, de R$ 525 bilhões.
• Cenário atual deve levar a novos cortes
no Orçamento
Após a
derrubada pelo Congreso do decreto presidencial sobre o aumento do IOF, segundo
especialistas ouvidos a decisão deve levar o governo a aplicar novos bloqueios
e contingenciamentos no Orçamento 2025.
As
análises levam em conta as perdas para os cofres públicos com a anulação do
decreto. Estimativas do Ministério da Fazenda indicam que a decisão dos
parlamentares deve resultar em uma queda de arrecadação de cerca de R$ 10
bilhões neste ano.
O
ex-secretário da Fazenda de São Paulo e economista-chefe da Warren
Investimentos, Felipe Salto, projeta um rombo ainda maior: de ao menos R$ 15
bilhões.
"Neste
caso, será preciso ampliar o contingenciamento, que já foi feito em maio em
valores expressivos", diz, ao g1, o especialista em contas públicas.
Ele se
refere ao bloqueio de R$ 31,3 bilhões no Orçamento de 2025, o maior dos últimos
cinco anos, que atingiu os gastos livres dos ministérios — ou seja, aqueles que
não são obrigatórios. São despesas envolvem investimentos e custeio da máquina
pública.
O texto
derrubado pelo Congresso era considerado essencial pela equipe econômica para
equilibrar o orçamento e alcançar a meta fiscal estabelecida para este ano.
Desde o início, a proposta enfrentou forte oposição do Legislativo, por
envolver aumento de impostos. (leia mais abaixo)
Segundo
Salto, com a decisão, o problema maior será em 2026.
"Para
o ano que vem, estamos com projeções muito diferentes do projetado pelo governo
no PLDO [Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias] e vemos uma necessidade
expressiva de cortes ou novas medidas, mesmo na presença do IOF", diz.
"Sem
ele [o decreto do IOF], as coisas complicariam ainda mais e a mudança da meta
fiscal seria líquida e certa", acrescenta.
Alterar
a meta das contas públicas costuma provocar reação negativa no mercado, que vê
na medida um sinal de enfraquecimento do compromisso do governo com a
estabilidade fiscal. Entre os reflexos, estão a retirada de investimentos do
país, além da pressão sobre os juros e alta do dólar.
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Meta fiscal e problema estrutural
O
economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, segue a mesma linha.
Para ele, a decisão do Congresso dificulta o cumprimento da meta de déficit
zero — ou seja, fazer com que as despesas fiquem no mesmo nível das receitas ao
longo do ano, sem considerar os juros da dívida.
• 🔎 Para este ano, a
meta é zerar o déficit das contas, que somou R$ 43 bilhões em 2024. O governo
pode ter um déficit de até 0,25% do PIB sem que o objetivo seja formalmente
descumprido, o equivalente a cerca de R$ 31 bilhões.
"Nesse
sentido, contingenciar e bloquear despesas vai ajudar o governo a perseguir e
cumprir com esse resultado", diz Galhardo.
Há,
porém, outro ponto de consenso entre economistas: o país ainda carece de
medidas estruturais capazes de garantir a sustentabilidade das contas públicas
no médio e longo prazo. Entre elas, especialistas propõem:
• O fim da correção real do salário mínimo
e de remuneração de servidores;
• Uma mudança da regra de correção do
gasto mínimo da Saúde e da Educação;
• Um corte das emendas parlamentares;
• Mudanças na Previdência e no Fundeb.
"O
grande problema, e que tem trazido estresse para os mercados, é que o governo
tem sido incapaz de propor mudanças que tragam a resolução do problema da
trajetória das despesas", diz Galhardo.
Isso
afeta também a dívida do setor público consolidado do país, que hoje é de 76,2%
do Produto Interno Bruto (PIB) — o equivalente a R$ 9,2 trilhões. Os números
preocupam, principalmente, devido às projeções: analistas do mercado financeiro
preveem que essa dívida deverá atingir 93,5% do PIB em 2034.
Marcos
Moreira, sócio da WMS Capital, acredita que não haverá um aumento significativo
do risco fiscal com a derrubada do IOF. Isso porque, diz ele, a medida foi
publicada "como uma forma de tentar simplesmente tapar um buraco no curto
prazo".
"O
mercado não tem precificado tanto essas medidas de curto prazo, já que elas não
têm capacidade de resolver o problema fiscal. São ações que aproximam o governo
do cumprimento do arcabouço [a regra de gastos públicos] para 2025, mas não
atacam o problema", afirma.
Governo
e Congresso fogem de medidas estruturais?
Mesmo
com o decreto do IOF e os cortes de gastos tributários prometidos pelo governo
— e ainda não encaminhados ao Congresso — Felipe Salto, da Warren, prevê que
ainda faltariam cerca de R$ 25 bilhões para atingir o limite inferior da meta
fiscal.
"Imagine
a situação sem o decreto do IOF e as outras medidas. Seria, obviamente,
bastante pior", afirma.
"O
quadro fiscal é grave e estão brincando com fogo. É inacreditável o papel a que
a liderança da Câmara está se prestando. E sabemos o motivo: medo de perder as
polpudas emendas", diz Salto.
André
Galhardo, da consultoria Análise Econômica, destaca que, assim como o governo,
o Legislativo brasileiro não se empenha em encontrar medidas para a redução de
gastos.
Ele
cita propostas que vão na contramão desse objetivo, como a de aumentar de 513
para 531 o número de vagas para deputados federais — o que pode gerar um
impacto de, pelo menos, R$ 95 milhões por ano. O texto foi aprovado pelo Senado
nesta quarta e retornará à Câmara.
"O
Congresso Nacional diz que o governo precisa cortar gastos, mas os próprios
parlamentares não querem cortar. Por outro lado, o governo também tem tido
dificuldade em propor uma mudança."
Marcos
Praça, diretor de Análise da Zero Markets Brasil, afirma que o governo federal
está “engessado” e que há grande ceticismo — inclusive entre aliados — quanto à
aprovação de medidas voltadas ao aumento da arrecadação.
"Acredito
que, pelo fato de no ano que vem termos eleições, os parlamentares vão seguir
engessando o governo, atrapalhando ao máximo", diz. "É um ano em que
vai acabar puxando um para cada lado e não vai sair nada", diz, ao
reforçar a impopularidade das ações.
Já para
Harrison Gonçalves, membro do CFA Society Brazil, a decisão do Congresso
"demonstra que o Parlamento considera que o nível de arrecadação do
governo já é elevado, e que é essencial organizar as contas públicas e cortar
despesas antes de pensar em novos aumentos de impostos".
"Essa
postura, além de promover uma gestão mais eficiente dos recursos, também pode
aumentar a confiança do mercado e dos investidores, mostrando um compromisso
firme com a responsabilidade fiscal do país."
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Relembre o aumento do IOF
No
final de maio, a equipe econômica anunciou um decreto presidencial que aumentou
o IOF sobre operações de crédito, especialmente para empresas. A medida também
passou a valer para operações de câmbio (compra de moeda estrangeira), seguros
e investimentos, como a negociação de títulos.
O
governo informou que, sem o aumento do IOF, o bloqueio orçamentário de R$ 31,3
bilhões — o maior dos últimos cinco anos — teria que ser ainda maior. A área
econômica espera arrecadar R$ 20 bilhões neste ano com a alta do tributo. Sem
esse aumento, o bloqueio precisaria crescer na mesma proporção ou maior.
Ainda
em maio, a área econômica decidiu revogar o aumento do IOF que havia sido
anunciado para aplicações de fundos nacionais no exterior. Com isso, a alíquota
zero foi mantida nesses casos. Sem essa reversão, o tributo subiria para 3,5%.
Diante
da pressão do Legislativo, o governo decidiu, em junho, revogar alguns atos que
haviam aumentado o IOF. A alíquota fixa do tributo sobre a contratação de
empréstimos, que no mês passado subiu de 0,38% para 0,95%, foi revertida. A
alíquota diária, entretanto, foi mantida em 0,0082%, ante 0,0041% antes do
aumento.
Também
houve recuo no aumento do IOF sobre operações de risco sacado, modalidade em
que um banco antecipa o pagamento de uma fatura que será cobrada posteriormente
do cliente. Com a decisão, o governo deixou de cobrar a alíquota fixa de 0,95%,
aplicada na contratação do crédito. Porém, manteve a alíquota diária em
0,0082%, o que, segundo o Ministério da Fazenda, representa uma redução de 80%
na tributação desse tipo de operação.
Houve,
ainda, a revogação do aumento da tributação sobre seguros do tipo VGBL: o IOF
sobre os aportes passou a incidir apenas sobre o valor que ultrapassar R$ 300
mil e, a partir de 1º de janeiro de 2026, a cobrança vale para o valor que
exceder R$ 600 mil.
Por
fim, foi revogada parte do aumento do IOF sobre Fundos de Investimento em
Direitos Creditórios (FDI), assim como sobre o retorno de investimentos diretos
ao país, que continuam isentos de tributação.
Fonte:
g1

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