Trump
não merece crédito pelo cessar-fogo entre Israel e Irã
Em 24
de junho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma trégua
entre Israel e Irã, após quase duas semanas de escalada. Israel começou a
guerra, lançando uma ofensiva de surpresa em 13 de junho, com ataques aéreos
contra instalações nucleares iranianas, instalações de mísseis e alto escalão
de militares e cientistas, além de vários civis.
Em
resposta, o Irã lançou uma onda de mísseis balísticos e drones em território
israelense, acionando sirenes de ataque aéreo em Tel Aviv, Haifa e Bersheba e
vários outros locais, causando destruição sem precedentes no país.
O que
testemunhos foi uma encenação política — uma disputa cuidadosamente orquestrada
entre dois parceiros que jogam dos dois lados de um jogo perigoso. O que
começou como uma escalada bilateral, rapidamente se transformou em algo muito
mais consequente: um confronto direto entre os Estados Unidos e o Irã.
Em 22
de junho, às Forças Aéreas e a Marinha dos Estados Unidos realizaram um ataque
de larga escala em três instalações iranianas — Fordow, Natanz e Isfahan — em
um ataque coordenado denominado Operação Martelo da Meia-Noite. Sete
bombardeiros B-2 da 509ª Ala de Bombardeiro supostamente voaram sem escalas da
Base Aérea de Whiteman, no Missouri, para realizar os ataques.
No dia
seguinte, o Irã retaliou bombardeando a base militar norte-americana Al-Udeid,
no Qatar, e disparando uma nova onda de mísseis contra alvos israelenses.
Isso
marcou um ponto de virada. Pela primeira vez, Irã e Estados Unidos se
enfrentaram no campo de batalha sem intermediários. E, pela primeira vez na
história recente, a longa campanha de Israel para provocar uma guerra liderada
pelos EUA contra o Irã foi bem sucedida.
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Consequências estratégicas
Nos 12
dias de guerra, Israel alcançou duas de suas metas. Primeiro, colocou
Washington diretamente no conflito com Teerã, estabelecendo um precedente
perigoso para o futuro envolvimento dos EUA nas guerras regionais de Israel.
Segundo, gerou capital político imediato em casa e no exterior, retratando o
apoio militar dos EUA como uma “vitória” para Israel.
Entretanto,
além desses ganhos de curto prazo, as rachaduras na estratégia de Israel já
estão aparecendo.
O
primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não conseguiu uma mudança de
regime em Teerã — o verdadeiro objetivo de sua campanha de anos. Em vez disso,
enfrentou um Irã resiliente e unificado que revidou com precisão e disciplina.
Pior ainda, ele pode ter despertado algo ainda mais ameaçador para as ambições
israelenses: uma nova consciência regional.
O Irã,
por sua vez, emerge desse confronto significativamente mais forte. Apesar dos
esforços dos EUA e de Israel para paralisar seu programa nuclear, demonstrou
que suas capacidades estratégicas permanecem intactas e altamente funcionais.
Teerã
estabeleceu uma nova e poderosa equação de dissuasão, provando que pode atingir
não apenas cidades israelenses, mas também bases norte-americanas em toda a
região.
Ainda
mais importante, o Irã travou essa luta de forma independente, sem depender do
Hezbollah ou dos Houthis, nem mesmo mobilizar milícias iraquianas. Essa
independência surpreendeu muitos observadores e forçou uma recalibração do peso
regional do Irã.
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Unidade iraniana
Talvez
o acontecimento mais significativo de todos seja aquele que não pode ser medido
em mísseis ou baixas: o aumento da unidade nacional dentro do Irã e o amplo
apoio que recebeu em todo o mundo árabe e muçulmano.
Durante
anos, Israel e seus aliados buscaram isolar o Irã, apresentando-o como um pária
até mesmo entre os muçulmanos. No entanto, nos últimos dias, testemunhamos o
oposto. De Bagdá a Beirute, até mesmo em capitais politicamente cautelosas como
Amã e Cairo, o apoio ao Irã aumentou. Essa unidade, por si só, pode revelar o
desafio mais formidável de Israel até o momento.
No Irã,
a guerra apagou, pelo menos por enquanto, as profundas divisões entre
reformistas e conservadores. Diante de uma ameaça existencial, o povo iraniano
se uniu, não em torno de um único líder ou partido, em torno da defesa da sua
Pátria.
Os
descendentes de uma das civilizações mais antigas do mundo reagiram com uma
dignidade e orgulho que nenhuma agressão estrangeira conseguiu extinguir.
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A questão nuclear
Apesar
dos acontecimentos no campo de batalha, o resultado real desta guerra pode
depender do que o Irã fizer em seguida com seu programa nuclear.
Se
Teerã decidir se retirar do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) — mesmo
que temporariamente — e sinalizar que seu programa continua funcional, as
chamadas “conquistas” de Israel perderão o sentido.
No
entanto, se o Irã não conseguir dar sequência a esse confronto militar com um
reposicionamento político ousado, Netanyahu estará livre para alegar —
falsamente ou não — que conseguiu conter as ambições nucleares do Irã. Os
riscos são tão altos quanto sempre foram.
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Uma farsa fabricada
Alguns
meios de comunicação estão agora elogiando Trump por supostamente “ordenar” que
Netanyahu suspendesse novos ataques ao Irã.
Essa
narrativa é tão ofensiva quanto falsa. O que estamos testemunhando é uma
encenação política — uma disputa cuidadosamente orquestrada entre dois
parceiros que jogam os dois lados de um jogo perigoso.
A
publicação de Trump na Truth Social “tragam seus pilotos para casa” não foi um
apelo à paz. Foi uma ação calculada para recuperar a credibilidade após a
rendição total à guerra de Netanyahu. Ela permite que Trump se apresente como
moderado, distraia a atenção das perdas de Israel no campo de batalha e crie a
ilusão de um governo americano controlando a agressão israelense.
Na
verdade, esta sempre foi uma guerra conjunta entre EUA e Israel — planejada,
executada e justificada sob o pretexto de defender os interesses ocidentais, ao
mesmo tempo em que preparava o terreno para uma intervenção mais profunda e uma
potencial invasão.
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O retorno do povo
Em meio
a todos os cálculos militares e teatro geopolítico, uma verdade se destaca: os
verdadeiros vencedores são o povo iraniano.
Quando
mais importava, eles permaneceram unidos. Compreenderam que resistir à agressão
estrangeira era mais importante do que disputas internas. Lembraram ao mundo —
e a si mesmos — que, em momentos de crise, as pessoas não são atores
periféricos na história, são seus autores.
A
mensagem de Teerã é inequívoca: estamos aqui. Estamos orgulhosos. E não seremos
destruídos.
Essa é
a mensagem que Israel e, talvez até Washington, não previu. E é a que poderá
remodelar a região nos próximos anos.
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“Trégua”, o “cessar-fogo” e a “paz” naufragam em um mar
de mentiras que Trump destila. Por Nilo Meza
A
teoria de Lênin sobre a guerra imperialista (“Sobre a guerra imperialista:
escritos selecionados de Lenin), elaborada entre 1914 e 1922, ganha
relevância nos processos bélicos hoje protagonizadas pelas grandes e médias
potências. Os EUA, a Rússia e a China aparecem como hegemônicos, enquanto a
Alemanha, a Inglaterra e a França se perfilam como impérios de segundo nível,
mas com o mesmo roteiro: conquista e manutenção de colônias, controle de
mercados e fontes de matérias-primas, bem como do sistema financeiro, ampliação
e consolidação de áreas de influência, entre outros. Sem dúvida, está em curso
uma nova divisão do mundo e das áreas de influência.
Uma
guerra de conquista e pilhagem que, para citar alguns casos, põe em evidência
os “acordos comerciais” dos EUA com a Ucrânia em relação às terras raras, a
anexação (recuperação) de territórios pela Rússia, a conquista de novos
mercados, a ampliação das áreas de influência da China, entre outros, com base
na devastação e no extermínio, são elementos que compõem um cenário de guerra
imperialista.
Trump,
com o ataque focado em usinas nucleares inventadas, não desencadeia
necessariamente a Terceira Guerra Mundial, mas revela que está disposto a
exibir seu poder bélico que, de muitas maneiras, está fazendo parte da atual
guerra imperialista de conquista e pilhagem. Os “bandidos” (Lênin) estão em
plena ação e buscam sua parte do “saque” na Groenlândia, Panamá, Ucrânia, Gaza,
Congo e Sudão, depois de terem devastado a Somália, o Afeganistão, o Paquistão,
o Líbano, a Síria, o Iraque, etc.
Em
momentos em que o capitalismo e seus principais expoentes, como os EUA,
apresentam crises de superprodução e, ao mesmo tempo, diminuição do consumo,
tendência à queda da taxa de lucro, desemprego, concentração insustentável da
riqueza, etc., Trump acredita que chegou o momento de recorrer à guerra como
principal fator de solução para essa crise que compartilha com as outras
potências de primeiro e segundo nível. Ou seja, se a guerra é “positiva” para o
imperialismo norte-americano, por que não seria para os outros protagonistas da
guerra?
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Pensando a guerra
Embora
pareça uma verdade incontestável, é importante lembrar. A guerra, em primeiro
lugar, é um fenômeno político e, em segundo lugar, um meio e não um fim. Então,
qual seria o fim da guerra? Na perspectiva de um fim supremo, como é modificar
a correlação de forças e as relações de poder existentes, seus objetivos
concretos têm a ver com a gestão econômica e política global, incluindo,
colateralmente, propósitos sociais. Por isso, “a guerra é a continuação da
política por outros meios” (Carl von Clauewitz)
A
guerra imperialista, nesse sentido, é um instrumento político das classes
dominantes nos países que fazem parte do sistema imperialista. Seus objetivos
estão associados à manutenção ou ampliação de seu domínio e poder no planeta.
Com a
guerra, como estamos vendo, não só se queima todo o estoque de armas, mas se
destrói o capital físico ocioso e ativo em todo o planeta. É a condição para
que o capitalismo volte a colocar em marcha o processo de produção capitalista,
com mercados ampliados, garantindo altas taxas de lucro, sem importar que seja
igualmente autodestrutivo que a fase anterior.
É
acionado todo o mecanismo de produção da poderosa indústria bélica que, por
suas dimensões e alcance, arrasta todo o resto da economia, adquirindo especial
relevância a recuperação e o desenvolvimento da infraestrutura econômica e
social destruída pela guerra, bem como os processos industriais que requerem
tecnologia.
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A paz e a guerra
Para
Netanyahu e Trump, belicistas obstinados, a paz só será possível após a
eliminação da resistência do inimigo, neste caso, dos palestinos e do Irã. Na
lógica criminosa do imperialismo norte-americano e do sionismo, cabeças
visíveis da hidra imperialista, “A paz através da força. Primeiro vem a
força, depois a paz” (Trump e Netanyahu).
Com o
ataque ao Irã, o imperialismo norte-americano não apenas viola a Carta das
Nações Unidas e o Tratado de Não Proliferação, mas age de forma criminosa
assassinando cidadãos, cientistas e líderes militares daquele país. Zomba e
escarnece dos diálogos políticos e diplomáticos, sem deixar de usá-los como
álibi para suas feitorias bélicas (ataque de Israel ao Irã e ataque dos EUA ao
Irã), cujo “sucesso espetacular” estaria dando conta da “destruição
completa e total” das instalações nucleares do Irã.
No dia
seguinte ao ataque norte-americano, o Irã e outras fontes, incluindo meios de
comunicação ocidentais, afirmaram que não há tal “sucesso” nem “destruição”,
como Trump se gaba. O Programa Nuclear para fins pacíficos continua. Ao mesmo
tempo, seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, disse que o Irã “se
reserva todas as opções de resposta para defender sua soberania, seus
interesses e seu povo” ao ataque criminoso de Trump. Certamente, isso não
era esperado por Trump e seus aliados da UE, muito menos quando ele havia
“ordenado” ao Irã que se abstivesse de represálias.
O mundo
está reagindo. António Guterres, o fantasmagórico secretário-geral da ONU,
saindo de sua lógica de “nem chicha nem limonada”, condenou o ataque dos
EUA e alertou sobre suas consequências para a humanidade se a escalada bélica
não for detida. É alguma coisa.
Por sua
vez, sem surpresa, a Rússia condenou a “decisão irresponsável dos EUA (que
busca) submeter com mísseis e bombas um Estado soberano”, violando o “Direito
Internacional, a Carta das Nações Unidas e as Resoluções do Conselho de
Segurança das Nações Unidas”. A China, da mesma forma, afirmou que os EUA “violam
gravemente os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e do DIU”,
exacerbando as tensões no Oriente Médio. Além disso, lembrou os 30 países que
bombardeou desde 1950. A Arábia Saudita, aliada dos EUA, disse que
condenava “a violação da soberania do Irã”. Omã, sede de reuniões entre
os EUA e o Irã, repetidamente frustradas por Trump, “condenou veementemente os
ataques ao Irã”. O Líbano, o Catar e o Egito pediram moderação e “descartaram
soluções militares” para o conflito, exigindo evitar a escalada na região.
A UE,
por meio de Kaja Kallas, burocrata por excelência que ninguém elegeu, se
posiciona ao lado dos EUA, mesmo sabendo que não existem os motivos invocados
por Trump. Com a hipocrisia que o mundo conhece, pede o retorno “à mesa de
negociações”, tantas vezes ridicularizada por seu chefe de facto. O
Reino Unido, com submissão semelhante, afirmou que os EUA estavam aliviando a
“ameaça nuclear” em que o Irã poderia se tornar.
Desta
forma, em plena guerra imperialista, a nova ordem mundial vai mostrando uma de
suas características: um mundo dividido em dois campos, o do Ocidente e seus
seguidores, de um lado, e, do outro, o resto do mundo que tem como referências
a Rússia e a China. Por enquanto.
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Não há mal menor para os socialistas
Todo
socialista, a esta altura, sabe que nenhum dos grupos imperialistas está em
guerra em defesa da pátria ou da democracia, mas sim para obter os maiores
benefícios da nova divisão do mundo. Um socialista não pode optar por nenhum
dos bandos imperialistas, nem mesmo apelando para o subterfúgio corrosivo do
“mal menor”. Nenhuma guerra, menos ainda a imperialista, defende os interesses
populares.
A luta
encarniçada por mercados, recursos naturais e financeiros tem como complemento
a tarefa de decapitar o movimento popular, adormecer as convicções de luta por
um mundo melhor, dividir e fragmentar contingentes políticos e sindicais
contestadores, pisotear os princípios da democracia, etc., o que não poderia
merecer a adesão socialista.
¨ Trump chama
declaração de Khamenei sobre vitória do Irã na guerra contra Israel de
"mentira"
O
presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitou nesta sexta-feira (27) a
afirmação do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, de vitória sobre Israel, classificando-a
como mentira.
"Por
que o chamado 'Líder Supremo', Aiatolá Ali Khamenei, do devastado país do Irã,
diria de forma tão descarada e tola que venceu a guerra contra Israel, quando
sabe que sua declaração é mentira, não é verdade? Como homem de grande fé, ele
não deveria mentir", escreveu Trump em sua rede social Truth Social.
Trump
também afirmou que sabia exatamente onde o líder iraniano estava escondido
durante a guerra, mas optou por não permitir que Israel ou as forças dos EUA
tirassem sua vida.
"Seu
país foi devastado, seus três malignos locais nucleares foram obliterados, e eu
sabia exatamente onde ele estava abrigado, e não permiti que Israel, ou as
Forças Armadas dos EUA, de longe as maiores e mais poderosas do mundo,
terminassem sua vida", disse.
O
presidente norte-americano acrescentou que "salvou" Khamenei da
morte, "e ele não precisa dizer".
"Na
verdade, no ato final da guerra, exigi que Israel recolhesse um grande grupo de
aviões, que estavam indo diretamente para Teerã, em busca de um grande dia,
talvez o nocaute final! Um dano tremendo teria ocorrido, e muitos iranianos
teriam morrido. Seria de longe o maior ataque da guerra", afirmou Trump.
Mais
cedo, Khamenei declarou vitória na guerra contra Israel e falou em “tapa pesado
na cara dos EUA” (com Sputnik).
Fonte:
Opera Mundi

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