Economia
dos EUA encolhe após tarifas de Trump
A economia americana sofreu uma
contração maior do que a prevista anteriormente nos primeiros três
meses deste ano, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (26/06) pelo
Departamento de Comércio dos Estados Unidos.
O
Produto Interno Bruto (PIB) real americano caiu 0,5% no primeiro trimestre do
ano, em comparação com uma previsão anterior do Departamento de Comércio de
queda de 0,2%.
A queda
de janeiro a março no PIB reverteu um aumento de 2,4% nos último trimestre
de 2024 e marcou a primeira vez em três anos que a economia se contraiu. As
importações aumentaram 37,9%, o maior crescimento desde 2020, e pressionaram o
PIB em quase 4,7 pontos percentuais.
Os
gastos do consumidor também desaceleraram acentuadamente, expandindo apenas
0,5%, abaixo dos robustos 4% do quarto trimestre do ano passado.
O mau
desempenho veio na esteira de um aumento nas importações desencadeado pelo
anúncio das tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que levou empresas e consumidores a
estocarem produtos importados, principalmente da China, antes das novas taxas
entrarem em vigor.
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Tarifas de Trump valerão a partir de julho
O ritmo
das importações provavelmente não se repetirá no segundo trimestre e, portanto,
não deverá pesar sobre o PIB, já que o crescimento entre maio e junho deve
retornar a 3%, segundo algumas previsões.
Trump
acabou adiando ou recuando em algumas das tarifas mais altas devido às
negociações com os parceiros comercias, ainda em andamento. Contudo, a
aproximação do prazo final de julho para a entrada em vigor das tarifas mais
altas aumenta as incertezas econômicas no país.
As
tarifas de Trump levaram a China e a União Europeia (UE) a uma corrida
para encontrar novos parceiros comerciais, com os
Estados-membros da UE se aproximado de países das regiões do Indo-Pacífico e do
Sul Global.
No mês
passado, Trump suspendeu as tarifas de 50% sobre produtos da UE até 9 de julho.
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Americanos mais pessimistas com a economia
Na
cúpula Otan realizada nesta quarta-feira, o presidente da França, Emmanuel
Macron, chamou "aberração" a guerra comercial impulsionada por Trump
e pediu a redução das tarifas após os membros da aliança militar do Atlântico
Norte firmarem o compromisso de dedicar 5% de seus PIBs aos gastos com defesa.
O think
tank Conference Board relatou esta semana que a perspectiva dos americanos
sobre a economia piorou em junho, retomando uma queda que havia levado a
confiança do consumidor em abril para seu nível mais baixo desde a pandemia de
covid-19, há cinco anos.
O
Conference Board informou nesta terça-feira que seu índice de confiança do
consumidor caiu para 93 em junho, uma queda de 5,4 pontos em relação aos 98,4
do mês passado.
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PIB dos EUA desaba mais que o previsto e pressiona Trump
O
Departamento de Comércio dos Estados Unidos divulgou nesta quinta-feira, 26,
uma revisão do desempenho econômico do país no primeiro trimestre, indicando
uma contração maior do que a estimada inicialmente. A nova leitura mostra que o
Produto Interno Bruto (PIB) recuou a uma taxa anualizada de 0,5%, acima da
retração de 0,2% informada na estimativa anterior.
A
revisão foi atribuída principalmente à queda nos gastos dos consumidores, que
representam mais de dois terços da atividade econômica nos Estados Unidos.
Segundo o relatório, o consumo teve crescimento de apenas 0,5% no período, bem
abaixo da estimativa anterior de 1,2%.
Além
disso, a demanda doméstica, que exclui o impacto do comércio exterior, foi
reduzida para uma taxa de crescimento de 1,9%, frente aos 2,5% projetados
anteriormente. O resultado marca uma desaceleração significativa em comparação
com o quarto trimestre de 2024, quando a economia dos Estados Unidos cresceu a
uma taxa de 2,4%.
A
contração no início de 2025 é atribuída, em parte, ao aumento de importações no
fim de 2024, quando empresas americanas anteciparam compras para evitar as
tarifas impostas pelo governo do ex-presidente Donald Trump. A antecipação
dessas compras pressionou negativamente o saldo comercial no primeiro
trimestre, contribuindo para a retração do PIB.
De
acordo com o relatório, as empresas aumentaram suas encomendas de mercadorias
estrangeiras no final do ano passado, especialmente veículos automotores, para
evitar os efeitos das tarifas. Essa movimentação inflou temporariamente as
importações e provocou distorções nas contas nacionais.
Com a
normalização do fluxo de importações nos meses seguintes, analistas projetam um
desempenho mais favorável da economia no segundo trimestre. O Federal Reserve
de Atlanta estima uma recuperação com crescimento de 3,4% no período de abril a
junho. A projeção, no entanto, é recebida com cautela por economistas que
alertam para sinais de desaceleração em outros indicadores.
Dados
recentes sobre vendas no varejo, mercado de trabalho e setor imobiliário
indicam que a atividade econômica permanece moderada. Segundo analistas, a
elevação de juros promovida pelo Federal Reserve nos últimos trimestres também
continua a exercer efeitos sobre o consumo e o investimento.
Embora
o desempenho negativo do primeiro trimestre tenha sido atribuído a fatores
pontuais, como o ajuste nas importações, economistas alertam que a volatilidade
dos dados não deve ser interpretada como sinal de força estrutural. As
previsões para os próximos trimestres dependem do comportamento da inflação, da
política monetária e da resposta dos consumidores a eventuais mudanças no
mercado de crédito.
O
relatório do Departamento de Comércio também indicou que estoques e gastos
governamentais tiveram influência limitada no resultado do trimestre. As
exportações permaneceram estáveis, enquanto os investimentos empresariais
tiveram leve retração.
Apesar
da expectativa de recuperação no segundo trimestre, a incerteza sobre a
trajetória da economia americana persiste. O mercado monitora de perto os
próximos indicadores de inflação, emprego e confiança do consumidor, que podem
influenciar os próximos passos do Federal Reserve em relação à taxa básica de
juros.
Até o
momento, o banco central dos EUA não sinalizou alterações significativas em sua
estratégia de política monetária, mas dirigentes da instituição têm adotado um
discurso cauteloso. A projeção atual é de manutenção das taxas de juros no
patamar atual até que haja sinais mais claros de desaceleração sustentada da
inflação.
Com o
desempenho revisado do primeiro trimestre, o crescimento anual dos Estados
Unidos em 2025 dependerá do ritmo de retomada nos próximos trimestres. A
possibilidade de expansão acima de 2% ao longo do ano ainda está em análise por
parte das principais instituições financeiras.
A
próxima leitura do PIB, com os dados do segundo trimestre, será divulgada em
agosto e poderá oferecer uma visão mais precisa sobre a consistência da
atividade econômica em meio ao atual cenário global.
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Trump e o cavalo de Troia digital da privatização da
moeda. Por Yanis Varoufakis
Até
agora, os banqueiros centrais consideravam as criptomoedas um mero
incômodo, de magnitude insuficiente para alterar as políticas que estão sob seu
encargo. Mas eles estão muito mais preocupados desde a aprovação, na
terça-feira, 17 de junho, da Lei Genius (Lei de Orientação e
Estabelecimento da Inovação Nacional para Stablecoins dos EUA)
pelo Senado deste país, que segue o decreto assinado pelo
presidente Donald Trump em 6 de março e
que estabelece uma reserva estratégica de criptomoedas.
Agora
temem que Trump se baseie nas “moedas estáveis” (criptoativos cujo valor está
indexado a outro produto) atreladas ao dólar para reconfigurar o sistema
monetário global (de passagem, fazendo fortuna para ele e sua família).
Eles temem um desmantelamento deliberado e caótico da ordem monetária do século
XX, na qual os bancos centrais reinavam como os únicos arquitetos da moeda.
O Projeto
de Lei Genius permite moedas estáveis privadas; mas há também outro
projeto de lei que visa proibir o Federal Reserve (Fed, o banco
central estadunidense) de emitir moedas digitais de banco
central (MNBC). A adoção definitiva desses dois textos consagraria
os tokens emitidos por
determinadas empresas como os novos instrumentos da hegemonia do dólar.
Não se
trata de uma inovação, mas de uma oferta pública de compra hostil de dinheiro.
Na ausência de qualquer regulamentação séria, as moedas estáveis não são nem
estáveis nem uma alternativa real ao dólar. Elas nada mais são do que
o cavalo de Troia para a privatização do dinheiro.
O Banco
Central Europeu (BCE) está ciente do perigo. Se a gestão e o comércio de
títulos migrarem para o blockchain – se os
títulos, as ações e os derivativos forem “tokenizados” –, os sistemas
regulatórios também precisarão se adaptar. A solução do BCE reside em
um euro digital que circula através de um blockchain. O dinheiro público,
portanto, permaneceria sendo a base das finanças. Até agora,
o BCE enfrentava a resistência dos bancos privados alemães e
franceses. Agora, enfrenta um segundo problema, ainda mais sério:
os Estados Unidos estão indo na direção contrária. Ao proibir
as MNBCs e dar sinal verde para as moedas estáveis, a equipe
de Trump não está apenas rejeitando a ideia de um dinheiro público
digital, mas também terceirizando a supremacia do dólar para as Big Techs.
Feudalismo
monetário
Os
mesmos libertários que se rebelam contra o Estado agora imploram para que ele
transforme suas moedas estáveis em moeda oficial de fato. Pior ainda, exigem o
direito de depositar seus tokens nas reservas de um banco central,
o Federal Reserve. Imagine um mundo em que Tether, Circle ou um “token X” apoiado por Elon Musk se beneficiam
do apoio implícito do Tesouro dos EUA, ao mesmo tempo em que escapam de
qualquer regulamentação bancária. Uma forma de feudalismo monetário!
Os Estados
Unidos já passaram por esse caos monetário. No século XIX, milhares de
bancos selvagens emitiram notas privadas; os pânicos financeiros frequentes
deixaram os cidadãos, e particularmente a classe trabalhadora, com papéis sem
valor. O próprio J.P. Morgan ficou tão consternado que travou um
cabo de guerra com o governo federal e outros banqueiros para criasse
o Federal Reserve como uma instituição pública com a missão de
estabilizar a moeda.
Os Estados
Unidos estão retornando a esse passado, arrastando o resto do mundo
consigo. O Genius Act é a receita perfeita para desencadear uma era
digital selvagem, na qual as moedas estáveis, indexadas ao dólar,
mas controladas por agentes privados, inundariam a economia global com
pseudodólares digitais. As stablecoins privadas jamais
manterão sua âncora no dólar depois de receberem o imprimatur oficial
das autoridades federais e verem seu volume disparar. Mesmo que os países
abandonem o dólar, permanecerão prisioneiros de sua sombra digital.
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Um renminbi digital
Ciente
da ameaça, o Banco Central Europeu acelera a criação de uma
“MNBC atacadista”, um euro digital para uso institucional, que serviria
como uma solução paliativa: um sistema híbrido projetado às pressas com o
objetivo de ganhar tempo até que uma solução regulatória real se apresente.
Mas
pode ser tarde demais. Se as moedas estáveis se tornarem a moeda padrão para os
mercados de criptomoedas, as finanças descentralizadas e as economias
emergentes, o euro digital mal encaminhado do BCE entraria no campo
de batalha de uma guerra já perdida.
O único
banco central que tomou a iniciativa foi o Banco Popular da China. Com seu
próprio renminbi digital já em operação, o Banco Popular da
China pode se dar ao luxo de se recusar a conferir legitimidade às moedas
estáveis, proibindo-as. No entanto, esta escolha deixaria sem resposta um
dilema considerável: as instituições públicas e privadas chinesas acumularam
economias de aproximadamente US$ 4,5 bilhões (€ 3,9 bilhões). Deveriam se
livrar delas, impulsionando assim o plano de desvalorização do dólar
estadunidense da equipe de Trump, ou mantê-las e permanecer expostos
à turbulência que o presidente dos EUA é tão bom em causar?
A longo
prazo, esta bifurcação monetária pode exacerbar as incertezas geopolíticas.
Dois sistemas monetários paralelos – um baseado em moedas públicas emitidas
na China, Índia e, potencialmente, na zona do euro, e o outro
composto por dinheiro privado cada vez mais dominado por moedas estáveis
indexadas ao dólar – inevitavelmente acabariam em conflito. Os banqueiros
centrais não são os únicos que têm motivos para se preocupar.
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Trump pressiona petroleiras dos EUA para aumentarem a
produção após tensão com Irã
O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a pressão sobre o
setor energético norte-americano em 23 de junho, após uma série de interrupções
no tráfego de petroleiros na região do Estreito de Ormuz.
Através
de publicações em redes sociais, Trump acusou os produtores de petróleo de
contribuírem com os adversários do país e solicitou ao Departamento de Energia
que aumentasse imediatamente a produção nacional.
Em uma
de suas declarações, Trump utilizou a expressão “Perfure, baby, perfure”,
retomando o discurso que marcou sua política energética durante o mandato
anterior. A reação ocorreu horas depois de ao menos dois superpetroleiros
alterarem suas rotas na região do Golfo Pérsico, o que contribuiu para a
elevação dos preços do petróleo ao maior nível dos últimos cinco meses.
Dados
de rastreamento das plataformas Kpler e LSEG indicam que as embarcações Coswisdom
Lake — fretada pela chinesa Unipec — e South Loyalty —
programada para carregar petróleo bruto iraquiano — reverteram seus cursos ao
se aproximarem do Estreito de Ormuz em 22 de junho. Após interrupções, ambas
retomaram suas rotas parcialmente, mas o episódio gerou atrasos generalizados
no transporte de petróleo na região.
Segundo
a consultoria Sentosa Shipbrokers, o volume de navios petroleiros, tanto
carregados quanto vazios, que atravessaram o Estreito de Ormuz caiu 27% e 32%, respectivamente,
na última semana.
Parte
das embarcações ancorou nas proximidades de Fujairah, nos Emirados Árabes
Unidos, enquanto outras foram desviadas para a costa de Omã. Companhias de
navegação como Nippon Yusen e Mitsui OSK Lines instruíram suas tripulações a
reduzirem o tempo de permanência no Golfo.
As
declarações de Trump ocorreram no mesmo período em que seu grupo político tem
reforçado propostas para acelerar a produção de combustíveis fósseis. A equipe
do ex-presidente defende a flexibilização de regras ambientais, a ampliação da
perfuração em áreas públicas e a eliminação de barreiras regulatórias para
empresas de energia.
“Temos
a maior quantidade de petróleo e gás de qualquer país na Terra – e vamos
usá-los”, disse Trump em declaração feita no início deste ano, que voltou a ser
repercutida diante dos recentes desdobramentos no Oriente Médio.
A
Chevron, uma das maiores produtoras de petróleo dos Estados Unidos, informou um
crescimento de 19% em sua produção ao longo de 2024. No entanto, executivos da
empresa destacam que o aumento da oferta está condicionado à revisão
legislativa sobre os processos de licenciamento de infraestrutura energética.
Representantes do setor também apontam a volatilidade dos mercados e disputas
judiciais como obstáculos ao crescimento acelerado da produção.
A
tensão no Estreito de Ormuz ganhou novos contornos após o parlamento iraniano
aprovar uma medida para fechar a passagem marítima, que ainda aguarda a
autorização de instâncias superiores do país. Embora o estreito continue
operando, o anúncio elevou a percepção de risco para o comércio global de
petróleo e aumentou a pressão para que os Estados Unidos adotem ações de
resposta imediata.
O
Estreito de Ormuz é um dos principais pontos estratégicos para o transporte
marítimo de petróleo no mundo. Cerca de um quinto do petróleo comercializado
globalmente passa por essa rota. A instabilidade na região é observada com
atenção por governos, empresas de energia e mercados financeiros.
A Casa
Branca, sob orientação do grupo de Trump, está mobilizando esforços para
revisar políticas energéticas nacionais em resposta à emergência declarada no
setor. Entre as prioridades estão o incentivo à perfuração em terras federais e
o destravamento de projetos que envolvem gasodutos e refinarias.
A
decisão de Trump de se manifestar publicamente sobre o tema ocorre em meio a
disputas internas sobre a condução da política energética dos Estados Unidos.
Enquanto a atual administração adota uma abordagem mista entre expansão da
energia limpa e manutenção de reservas fósseis, o ex-presidente tem reforçado o
discurso de autossuficiência e independência energética por meio da exploração
intensiva de petróleo e gás.
Empresas
do setor aguardam os desdobramentos da proposta iraniana e as respostas das
autoridades americanas. O mercado global permanece instável diante do risco de
bloqueio da principal via marítima de exportação de petróleo do Oriente Médio.
O
aumento dos preços, registrado logo após os desvios de rota dos petroleiros,
reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade das cadeias logísticas energéticas e
o papel dos Estados Unidos no abastecimento global. Para Trump e aliados, a
solução está na produção interna em larga escala. O Departamento de Energia,
segundo fontes próximas à equipe do ex-presidente, já recebeu orientações para
revisar metas e acelerar projetos em andamento.
Com o
avanço da tensão geopolítica, os próximos dias deverão ser decisivos para a
definição de novas diretrizes de produção e exportação de petróleo por parte
dos Estados Unidos. O impacto potencial sobre o mercado global dependerá da
resposta política e operacional à ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz e
da capacidade do país de elevar sua produção rapidamente.
Fonte:
DW Brasil/Reuters/IHU/The Cradle

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