Foucauld
Giuliani: “Trump substitui Deus pelo seu próprio deus, um deus que convoca à
guerra e a apoia”
A
análise das palavras proferidas por Trump no discurso em que anunciou a
operação no Irã revela como sua teologia não só está impregnada de idolatria,
mas também é posta a serviço de uma estratégia imperialista.
“E eu
quero agradecer a todos e, em particular, a Deus. Quero apenas dizer que te
amamos, Deus, e amamos nossas grandes forças armadas. Proteja-as. Deus abençoe
o Oriente Médio. Deus abençoe Israel e Deus abençoe a América”. Essas são as
palavras que concluem o discurso de Donald Trump em que anuncia e justifica a
entrada dos Estados Unidos na guerra contra o Irã.
Palavras
cheias de mentiras, palavras a serem desmontadas no plano teológico. Mesmo que
isso seja inútil; mesmo que as palavras permaneçam para sempre impotentes e
bastante ridículas diante da força que se desencadeia; justamente porque esta
nossa época humilha todo desejo de verdade, toda vontade de não ceder ao
caminho do puro interesse.
“Agradecer
a todos e, em particular, a Deus”. Trump procura aqui envolver “todos” –
incluindo “Deus” – em sua empreitada bélica. Agradecendo a todos por tal
empreitada, cada um se sente envolvido e comprometido com ela.
Universalização
fictícia do ato de guerra e de sua responsabilidade, falsa unanimidade
político-militar. O poder ama a linguagem da unidade. Dessa forma, pode dar a
ilusão de ser a expressão da sociedade em sua totalidade. Isso também reforça
sua legitimidade: se fala em nome de todos, sua força se enriquece
simbolicamente com a força de todos.
<><>
O orgulho mais destrutivo
Essa
primeira frase é também um modelo original de blasfêmia. Trump agradece a Deus
por um ato político que lhe é totalmente estranho: desencadear uma guerra. O
Evangelho nos ensina que a presença de Deus na história não passa por campanhas
militares lançadas por Estados sedentos de poder.
Agradecendo
a Deus por um evento que ele não quis nem pediu, Trump atribui a Ele um ato que
não é seu e substitui Deus pelo “seu” Deus, um Deus que convoca à guerra e a
apoia.
De
maneira particularmente sorrateira – aparentemente usando a linguagem humilde
do agradecimento e da gratidão –, Trump na realidade cobre de glória a si
mesmo. O orgulho mais destrutivo assume a máscara da humildade mais inocente, a
vontade obstinada de poder assume a aparência de abertura à graça. Trump honra
um Deus diferente do verdadeiro Deus, cria um Deus que lhe convém, um Deus
feito à sua medida. Na Bíblia, esse processo tem um nome bem conhecido:
idolatria.
Deus é
um entre outros, é simplesmente agradecido “em particular”. Uma maneira
grosseira de estender a todos os protagonistas da guerra a sensação de estarem
no seu bom direito, na estrada certa, no caminho desejado para eles por um Deus
insidiosamente redefinido. Os militares e os funcionários são agradecidos
exatamente como Deus. Há, aqui, portanto, uma obra comum, uma colaboração, uma
aliança entre os homens e Deus. Guerra santificada, aliança sagrada entre Deus
e os homens. Em outras palavras: a guerra tornou-se sagrada, indiscutível, fora
do campo do discernimento moral e da racionalidade democrática.
“Quero
apenas dizer que te amamos, Deus, e amamos nossas grandes forças armadas.
Proteja-as”.
<><>
Um grande projeto de amor universal
Amamos
o que quer fazer e faz o nosso bem. Sendo a guerra um bem, Deus, que a quis, e
o exército, que a conduz, são eminentemente dignos de amor. Chamar o amor como
testemunha da fundamentação dos bombardeios e do ato de semear morte? É
exatamente esse tipo de absurdo que Trump proclama aqui. “Proteja-as”: cuidamos
daquilo que nos ama, o amamos, não queremos sua morte. À manifestação do amor
segue-se, assim, a ordem de não o prejudicar e de honrá-lo em suas necessidades
e exigências.
“Deus
abençoe o Oriente Médio. Deus abençoe Israel e Deus abençoe a América”.
De
acordo com essas palavras de Trump, não há interesses conflitantes, não há
vontade hegemônica e imperialista, não há hierarquização do valor das vidas –
vidas dos israelenses e dos estadunidenses infinitamente mais dignas de serem
vividas do que as dos cidadãos de Gaza ou dos iranianos –, não, haveria apenas
um grande projeto de amor universal desejado por Deus, Deus que o elegeu como
seu tenente! Isso é evidentemente falso.
Esse
grande projeto é apresentado de forma maniqueísta e apocalíptica: o campo do
bem contra o campo do mal, o campo da “liberdade” contra o campo da “tirania”.
Mais uma vez, a imagem da unidade, da totalidade, por trás da qual se esconde
uma lógica imperial. A “pax americana” – apresentada positivamente como um bem
universal ao qual todos teriam “direito” – passa pelo uso necessário da força,
considerada, portanto, libertadora.
Legitimação
da guerra, divinização da força, santificação da morte; teologia do poder e da
violência; heresia não cristã e antievangélica.
<><>
As loucas 24 horas de Trump
Israel e Irã concordaram com
um "cessar-fogo completo e total" que levará ao "fim
oficial da guerra de 12 dias" em 24 horas, anunciou o presidente Trump em sua conta
social Truth, no fim de um dia agitado e cheio de surpresas.
No
domingo, o presidente parecia estar inclinado a acelerar o conflito quando,
contrariando seus assessores mais próximos, abriu-se para uma mudança de regime
no Irã, após os atentados em Fordow, Natanz e
Isfahan:
"Não é politicamente correto", escreveu ele nas redes sociais,
"usar o termo 'mudança de regime', mas se o atual regime iraniano não é
capaz de tornar o Irã grande
novamente, por que não deveria haver uma mudança de regime???" Daí o
lançamento do slogan MIGA, na esteira do MAGA que o levou à
Casa Branca.
Na
manhã de ontem, a porta-voz Karoline Leavitt deu a interpretação
autêntica, alegando que o presidente "apenas fez uma pergunta que muitos
estão fazendo". Ele então alertou a todos para não aproveitarem a crise
para aumentar o preço do petróleo.
Pouco
depois, o Irã ordenou sua resposta ao bombardeio das três instalações
nucleares, lançando uma dúzia de mísseis contra a base americana de Al Udeid, no Catar, sede
do Comando Central que Trump havia visitado em 15 de maio. Todos eles
foram interceptados e não causaram nenhuma vítima.
Por
volta das 13h em Washington, Trump convocou o Conselho de Segurança
Nacional. A retaliação contra Al Udeid tornou-se o tema central, mas,
em vez de atacar os aiatolás, após a reunião, ele recorreu novamente às redes
sociais para reclamar da forma como a mídia estava descrevendo os efeitos dos
ataques de sábado: "Os locais que atacamos no Irã foram
totalmente destruídos e todos sabem disso. Só as notícias falsas dizem algo
diferente, só para denegrir".
Anteriormente,
ele havia criticado o assessor de Putin, Medvedev, pela leviandade com
que ameaça o uso de armas nucleares.
Trump recorreu
às redes sociais logo depois, na esperança de pôr fim à crise:
"O Irã respondeu oficialmente à nossa destruição de suas
instalações nucleares com uma resposta muito fraca, como esperávamos, e que
combatemos com muita eficácia. 14 mísseis foram disparados, 13 foram abatidos e
1 foi "deixado livre" porque estava direcionado a uma direção não
ameaçadora. Tenho o prazer de informar que nenhum americano ficou ferido e não
houve danos. Mais importante ainda, eles liberaram completamente sua raiva e
espero que não haja mais ódio. Quero agradecer ao Irã por nos alertar
em tempo hábil, o que significou que nenhuma vida foi perdida. Talvez
o Irã possa agora avançar em direção à paz e à harmonia na região, e
eu encorajarei Israel com entusiasmo
a fazer o mesmo".
O
resultado foi imediato, como o próprio Trump anunciou nas redes
sociais às 18h em Washington: "Parabéns a todos! Foi totalmente
acordado entre Israel e Irã que haverá
um cessar-fogo completo e total (aproximadamente daqui a 6 horas,
quando Israel e Irã tiverem
concluído e completado suas últimas missões em andamento!), por 12 horas,
momento em que a guerra será considerada encerrada!" Ele explicou o
mecanismo da seguinte forma: "O Irã iniciará um cessar-fogo e, na décima
segunda hora, Israel iniciará um cessar-fogo e, na vigésima quarta hora, o fim
oficial da guerra de 12 dias será aclamado pelo mundo. Supondo que tudo corra
como deveria, e correrá, gostaria de parabenizar ambos os países, Israel e Irã,
por terem a coragem e a inteligência para pôr fim ao que deveria ser chamado de
"guerra dos 12 dias". Ela poderia ter durado anos e destruído todo
o Oriente Médio, mas não durou e
nunca durará! Deus abençoe Israel, Deus abençoe o Irã, Deus abençoe o Oriente
Médio, Deus abençoe os Estados Unidos da América e Deus abençoe o mundo!"
¨
Líder supremo do
Irã diz que 'nada de significativo' aconteceu com instalações nucleares
atingidas pelos EUA
O líder
supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, fez nesta
quinta-feira (26/06) seu primeiro pronunciamento público em vídeo desde
os ataques dos EUA ao seu país e o cessar-fogo com Israel.
Chefe
de Estado e comandante-chefe das Forças Armadas, incluindo a Guarda
Revolucionária Iraniana, Khamenei está escondido em um bunker em algum lugar do
país, para se proteger de uma eventual tentativa de assassinato por parte das
tropas israelenses.
Em uma
mensagem por vídeo transmitida pela TV estatal, ele disse que "nada
significativo" ocorreu nas instalações nucleares atacadas pelos EUA no
início desta semana, contrariando as declarações do presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, de que o programa iraniano havia sido completamente
destruído.
A
versão do presidente americano já havia sido questionada por um relatório preliminar do setor de
inteligência do Pentágono que vazou na terça-feira (24/6). Segundo o
documento, os ataques dos Estados Unidos não destruíram o programa nuclear
iraniano e provavelmente apenas o atrasaram por alguns meses.
Os
Estados Unidos atacaram três instalações nucleares no Irã — Fordo, Natanz e
Isfahan — com bombas bunker buster, capazes de penetrar 18 metros
de concreto ou 61 metros de terra antes de explodir.
A Casa
Branca afirmou que a avaliação inicial dos danos está "totalmente
errada" e representa "uma tentativa clara de menosprezar" o
presidente Trump.
Também
em sua mensagem divulgada nesta quinta, o aiatolá Ali Khamenei afirmou que
Trump pediu que seu país se "rendesse", mas que seus comentários
foram "grandes demais para a boca" do presidente americano.
"Para
um grande país e nação como o Irã, a simples menção de rendição é um
insulto", disse.
O líder
iraniano também ameaçou realizar mais ataques contra bases americanas na
região, acrescentando: "Se um ataque ocorrer, o custo para o inimigo e o
agressor certamente será alto".
Khamenei
acrescentou ainda que seu país demonstrou unidade durante a troca de ataques
dos últimos dias, enviando a mensagem de que "nosso povo é uma só
voz".
Ele
também repetiu os parabéns pelo que descreveu como a "vitória" de seu
país sobre Israel.
Anteriormente,
em postagens compartilhadas nas redes sociais, o líder supremo afirmou que o
Irã havia "dado um tapa na cara dos EUA" em seu ataque a uma base
americana no Catar.
<><>
'A guerra de 12 dias'
Os
enfrentamentos mais recentes entre Israel e Irã começaram em 13 de junho,
quando as forças israelenses lançaram um ataque aéreo de proporções inéditas,
alvejando instalações nucleares e integrantes do alto escalão militar iraniano.
Segundo
o governo do premiê Benjamin Netanyahu, o objetivo da operação era impedir o
avanço nuclear iraniano, que Israel vê como uma ameaça à sua existência. O Irã
nega essa ideia, afirmando que seu programa nuclear tem fins pacíficos e civis.
Pouco
tempo depois do primeiro ataque israelense, Teerã respondeu. A partir daí, o
conflito escalou.
Na
noite do nono dia de enfrentamentos, décimo no horário de Israel e Irã, os
Estados Unidos entraram oficialmente na guerra, realizando um ataque direto
contra instalações nucleares iranianas.
Após
uma ação calculada e com aviso prévio do Irã contra uma base americana no
Catar, que causou poucos estragos, Donald Trump anunciou um cessar-fogo em 23
de junho.
Segundo
ele, Irã e Israel haviam concordado em acabar com a "guerra de 12
dias" em negociações mediadas por Estados Unidos e Catar.
O
governo israelense chegou a acusar iranianos de violar a trégua, mas, após alertas de Trump, os dois Estados
afirmaram publicamente que o cessar-fogo estava em vigor.
Ainda
não se sabe ao certo a extensão dos danos causados pelos bombardeios contra o
Irã.
Pelo
menos três instalações nucleares foram atacadas, entre elas a usina de Fordo,
construída a vários metros de profundidade sob uma cordilheira montanhosa. O
governo israelense afirma que ela foi deixada inoperante.
Israel
também diz ter matado 14 cientistas envolvidos no programa nuclear iraniano e
membros do governo.
O Irã,
porém, diz ter movido seu estoque de urânio enriquecido antes dos ataques e
oficiais do governo falaram em "danos limitados" provocados pelos
bombardeios.
¨
As perguntas que ficam no cessar-fogo entre Israel e Irã
O
surpreendente anúncio de um acordo de cessar-fogo entre Israel e Irã, feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite desta segunda-feira (23/06),
sugere inicialmente que a arriscada aposta feita por ele de bombardear instalações nucleares
iranianas não
resulte por ora em uma guerra generalizada.
Mas há
ainda uma longa lista de questões sem resposta, incluindo a mais urgente de
todas: se um cessar-fogo entre esses dois arqui-inimigos pode realmente durar e
significar o fim da guerra. Nas horas seguintes ao anúncio, o acordo já sofreu
abalos.
<><>
A guerra entre Israel e Irã acabou?
Relatos
iniciais das agências de notícias indicaram que as hostilidades entre
ambos os lados pareciam ter acabado depois das 4h (horário local).
Porém,
a fragilidade do acordo entre os dois arqui-inimigos ficou evidente ao
amanhecer desta terça-feira, quando o ministro israelense da Defesa, Israel
Katz, acusou o Irã de violar o cessar-fogo, o que o regime em Teerã
imediatamente negou.
Israel
acusou o Irã de lançar novamente mísseis e prometeu retaliar. Pouco
depois, aviões israelenses atingiram uma estação de radar no Irã.
As
novas agressões irritaram Trump, que fez advertências tanto contra o Irã quanto
Israel. "Israel, não jogue suas bombas. Se fizer isso, será uma
grande violação. Traga seus pilotos para casa, agora!", escreveu Trump nas
redes sociais.
Depois,
falando a jornalistas, ele voltou a dirigir palavras de reprovação. "Não
estou feliz com Israel. Não estou feliz com o Irã também, mas realmente não
estou feliz com Israel. Israel tem de se acalmar, tenho de fazer Israel se
acalmar", disse.
Aparentemente,
a advertência de Trump teve algum efeito. Israel cancelou um ataque mais amplo
contra Teerã e ordenou a volta de seus aviões. Segundo o governo israelense, a
decisão foi tomada após Trump ligar para o premiê Benjamin Netanyahu.
<><>
O que diz o acordo de cessar-fogo?
Os
termos exatos do acordo de cessar-fogo ainda são desconhecidos. Certo está que
ele foi inicialmente confirmado por ambos os lados. Na manhã desta terça-feira,
o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que Israel
concordou com um cessar-fogo bilateral com o Irã, em coordenação com Trump.
Depois
foi a vez de o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã confirmar que
havia sido alcançado um cessar-fogo, classificando o acordo como uma derrota
para Israel.
O que
se sabe até o momento é o cronograma que Trump divulgou em suas postagens.
Segundo o presidente americano, o Irã deverá suspender as hostilidades nas
primeiras 12 horas, e Israel só a partir das 12 horas seguintes. Depois dessas
24 horas será declarado o "fim oficial" da guerra, deflagrada em 13
de junho com o bombardeio israelense a instalações nucleares do Irã.
<><>
Como se chegou ao acordo?
Segundo
o jornal The Washington Post, que cita um alto funcionário dos EUA,
negociadores iranianos disseram aos americanos que retornariam à mesa de
negociações para debater o programa nuclear do Irã se Israel interrompesse os
bombardeios, o que obrigava os EUA a buscar essa garantia com o governo de
Israel.
Um alto
funcionário da Casa Branca relatou à agência de notícias AP que Trump se
comunicou diretamente com o primeiro-ministro israelense para garantir o
cessar-fogo. Esse mesmo alto funcionário disse que o vice-presidente J.D.
Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff se
comunicaram com os iranianos por canais diretos e indiretos.
O
governo do Catar desempenhou um papel importante na mediação do cessar-fogo,
principalmente na intermediação com os iranianos, segundo os relatos. O
primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, garantiu o
sim do regime em Teerã numa ligação telefônica com autoridades iranianas, disse
à agência de notícias Reuters uma autoridade informada sobre as negociações.
Trump
conversou com o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad al-Thani, para agradecê-lo
por ajudar a firmar o acordo. O emirado do Golfo tem sido o principal
interlocutor também nas negociações entre Israel e Hamas na guerra em Gaza.
À
agência Reuters, um alto funcionário da Casa Branca afirmou que Israel
concordou com um cessar-fogo desde que o Irã não lançasse novos ataques. Já o
Irã sinalizou que não realizaria novos ataques, disse o mesmo funcionário.
O Irã
se mostrou receptivo ao cessar-fogo porque se encontrava num "estado
gravemente enfraquecido", disse a autoridade da Casa Branca. Os iranianos
enfrentaram dias de bombardeios israelenses contra instalações nucleares e
militares, bem como as mortes de importantes cientistas nucleares e comandantes
de segurança.
<><>
As negociações com o Irã serão reiniciadas?
Nada
foi dito sobre novas negociações com o Irã sobre o programa nuclear do país.
Tudo indica que os países ocidentais tentarão levar a República Islâmica de
volta à mesa de negociações, mas essas conversas deverão ser difíceis.
O Irã
já anunciou que pretende continuar seu programa nuclear mesmo após os ataques
dos EUA às suas instalações nucleares mais importantes. O chefe da Organização
de Energia Atômica do Irã (AEOI), Mohammed Eslami, disse à emissora estatal
iraniana IRIB que o país pretende continuar o processo de produção sem
interrupção.
Os
danos às instalações ainda estão sendo avaliados, disse. A extensão da
destruição após os ataques de Israel e dos Estados Unidos às instalações
nucleares do país permanece incerta, disseram especialistas.
Outra
pergunta que segue sem resposta é o destino do estoque de Urânio enriquecido do
Irã (cerca de 400 quilos, segundo estimativas), que muitos especialistas
acreditam que pode não ter sido atingido pela campanha de bombardeios dos EUA e
de Israel..
O chefe
da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, disse nesta
terça-feira que escreveu ao ministro do Exterior do Irã, Abbas Araqchi, para
propor uma reunião e pediu cooperação após o anúncio de um cessar-fogo entre
Irã e Israel. Grossi afirmou que a retomada da cooperação do Irã com a agência
poderia levar a uma solução diplomática para a longa controvérsia sobre o
programa nuclear de Teerã.
O Irã
nega que queira obter armas nucleares. O vice-presidente americano afirmou,
porém, que "o Irã esteve muito perto de ter uma arma nuclear", em
entrevista ao programa Special Report with Bret Baier, da emissora Fox News.
O
governo Trump disse que o objetivo dos bombardeios americanos a instalações
nucleares iranianas era unicamente destruir o programa nuclear do Irã, sem
iniciar uma guerra mais ampla.
Trump
citou relatórios de inteligência de que o Irã estava perto de construir uma
arma nuclear, sem dar mais detalhes. No entanto, agências de inteligência dos
EUA afirmaram no início deste ano que avaliaram que o Irã não estava
construindo uma arma nuclear e uma pessoa com acesso a relatórios de
inteligência dos EUA disse à Reuters na semana passada que essa avaliação não
havia mudado.
Fonte: Le Monde/La Stampa/La Repubblica/BBC News/DW
Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário