quinta-feira, 26 de junho de 2025

Breno Altman: Israel e EUA sofreram derrotas táticas na tentativa de atingir Irã

Israel e os Estados Unidos sofreram uma tripla derrota tática ao tentar emplacar sucesso nos ataques contra o Irã, analisou o jornalista Breno Altman.mPara o fundador de Opera Mundi, o ataque aéreo coordenado com os EUA atingiu instalações nucleares iranianas e causou danos limitados, mas que o “objetivo não foi alcançado” — ou seja, destruir as capacidades totais nucleares do Irã.

Apesar de ter adotado todas as medidas possíveis, inclusive na tentativa de envolver o republicano Donald Trump em uma coalizão para derrubar o regime iraniano, o governo de Benjamin Netanyahu não conseguiu atingir esse objetivo estratégico e aprofundou críticas à gestão do premiê.

“A escalada verbal de Pequim e Moscou contra as agressões de Israel e dos Estados Unidos, pode ter sido um elemento dissuasório na escalada impulsionada pelo regime sionista e, até certo ponto, acompanhada por Washington”, declarou. E acrescentou: “O presidente norte americano em certo momento falou abertamente de passar uma estratégia voltada a mudança de regime do irã, incluindo o assassinato do Khamenei, mas teve que recuar essas pretensões megalonomaníacas”.

Além disso, os ataques iranianos mostraram que o “mito da invulnerabilidade de Israel foi desfeito”. A capacidade de reação do Irã rompeu a ideia de que Israel dominava militarmente sem riscos. A população do país persa se manteve coesa em torno do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei — até mesmo entre setores tradicionalmente opositores. “As Forças Armadas iranianas revelaram capacidade de impor dor e pânico ao Estado de Israel”, afirmou Altman.

Com as retaliações de de Teerã, a crise política dentro da coalizão governista liderada por Netanyahu reacendeu, já que partidos religiosos e extremistas “exigem a continuidade da guerra expansionista para se manter na aliança”, o que tem intensificado o genocídio palestino após o cessar-fogo com a República Islâmica.

“O cessar-fogo é bastante inseguro, a crise está longe de ter sido superada e a dinâmica do regime sionista conduz as guerras de ocupação e agressão, tanto para atender seus objetivos expansionistas quanto para Netanyahu se manter no poder. Algo parecido vale para os Estados Unidos”, complementa o especialista.

O Irã, segundo o jornalista, passou a receber maior simpatia internacional e, somada à crise política interna israelense, parte da população já percebe que a estratégia do governo sionista resultou em “maiores dificuldades econômicas e maior repúdio da opinião pública internacional”.

¨      Acusações, desconfiança e vitória dos dois lados: os movimentos de Israel e Irã após o início do cessar-fogo

O cessar-fogo entre Irã e Israel entrou em vigor na madrugada desta terça-feira (24). Nas primeiras 24 horas, não houve novos bombardeios intensos, mas o clima seguiu tenso, com trocas de acusações e declarações de vitória dos dois lados. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que ambos os países violaram o acordo momentaneamente.

A trégua, articulada pelos Estados Unidos com apoio do Catar, foi estabelecida após 12 dias de confronto. Segundo autoridades dos dois países, cerca de mil pessoas morreram e mais de 3 mil ficaram feridas.

No fim de semana, os EUA bombardearam estruturas nucleares do Irã, o que intensificou o conflito. Em resposta, o regime iraniano lançou mísseis contra uma base militar americana no Catar, na segunda-feira (23).

Diante do risco de uma escalada ainda maior, Trump afirmou que entrou em contato com os governos de Israel e Irã para negociar um cessar-fogo. Ambos anunciaram que aceitaram a proposta.

Após o início da trégua, os dois países divulgaram comunicados internos em que se declararam vitoriosos.

<><> Trégua mediada por Trump

O cessar-fogo entre Israel e Irã foi anunciado por Trump e negociado durante uma ligação do presidente dos Estados Unidos com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. A trégua se iniciou à 1h de terça-feira, pelo horário de Brasília.

Um funcionário da Casa Branca ouvido pela agência Reuters disse que Israel concordou com o cessar-fogo desde que o Irã não lançasse novos ataques. O governo iraniano sinalizou que cumpriria o acordo, segundo ele.

Ainda de acordo com o funcionário, a negociação também envolveu o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff.

A Reuters informou também que Trump e o vice-presidente discutiram a proposta com o emir do Catar, após o ataque iraniano à base americana no país, na segunda-feira.

Segundo uma fonte com conhecimento das negociações, Trump disse ao emir que Israel havia aceitado o cessar-fogo. Durante o diálogo, ele também pediu ajuda do Catar para convencer o Irã a fazer o mesmo.

Ainda segundo a agência, Teerã concordou com a proposta durante uma ligação telefônica com a participação do primeiro-ministro do Catar.

Em um primeiro momento, o chanceler iraniano chegou a publicar em uma rede social que nenhum cessar-fogo havia sido acordado. Horas depois, no entanto, a mídia estatal do Irã noticiou que a trégua tinha entrado em vigor.

<><> Israel diz que atingiu seus objetivos

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta terça-feira que o país vai responder fortemente a quaisquer violações do cessar-fogo. Em um comunicado, ele disse que Israel "atingiu seu objetivo de eliminar a ameaça nuclear e de mísseis balísticos do Irã".

Depois, um porta-voz do exército de Israel confirmou que o cessar-fogo havia começado, mas alertou que "ainda há risco de perigo".

“O exército permanece em alerta”, declarou. “A força aérea segue pronta para remover ameaças.”

Pouco após o início do cessar-fogo, Israel acusou o Irã de ter disparado três mísseis. Os militares israelenses responderam com um bombardeio a um radar perto de Teerã, mas se abstiveram de novos ataques após uma conversa entre Trump e Netanyahu por telefone.

Mais tarde, em um vídeo à nação, o premiê afirmou que o país obteve uma "vitória histórica" que será lembrada por gerações. Disse ainda que Israel precisa completar sua campanha contra o eixo iraniano, derrotando o Hamas e trazendo de volta os reféns mantidos pelo grupo na Faixa de Gaza.

Enquanto isso, as Forças de Defesa de Israel indicaram que vão voltar seus esforços para a Faixa de Gaza a fim de "desmantelar o regime" imposto pelo Hamas no território palestino.

<><> Os últimos ataques do Irã

Na madrugada de terça-feira, a imprensa estatal iraniana informou que o país lançou mísseis contra Israel minutos antes do início da trégua: "O cessar-fogo tem início após quatro ondas de ataques em territórios ocupados por Israel", afirmou a Press TV.

De acordo com as Forças Armadas israelenses, o Irã realizou ao menos cinco ataques antes da trégua. Quatro pessoas morreram na região de Beersheva, no sul do país, e outras 12 ficaram feridas.

Em Teerã, explosões foram ouvidas por jornalistas da AFP. As detonações ocorreram por volta das 3h locais (20h30 de segunda-feira no horário de Brasília) e foram acompanhadas pelo sobrevoo de aviões militares no norte e no centro da cidade.

O Irã afirmou que o cessar-fogo poderá interrompido caso Israel descumpra o acordo e realize novos ataques.

Em comunicado, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acusou Israel de iniciar a guerra e chamou o país de “terrorista”. Segundo ele, o Irã encerrou o conflito com “sucesso”, alcançando uma “grande vitória”.

O Comando Militar do Irã também divulgou uma nota pela imprensa estatal, dizendo que Israel e os EUA precisam aprender com os “golpes devastadores” conduzidos contra o território israelense e a base americana no Catar.

<><> O conflito

A ofensiva começou no dia 13 de junho, quando Israel lançou uma operação preventiva para conter o avanço do programa nuclear iraniano. Em 12 dias de confronto, 974 pessoas morreram no Irã e 28 em Israel, segundo autoridades dos dois países. A maioria das vítimas é composta por civis.

Desde o início da guerra, forças israelenses bombardearam alvos militares e nucleares em território iraniano. Em resposta, o Irã prometeu vingança e lançou mísseis contra Tel Aviv, Haifa e Jerusalém.

Israel alega que o regime de Teerã está próximo de obter uma bomba atômica. Por isso, o governo de Benjamin Netanyahu justificou os ataques como uma tentativa de neutralizar o que considera uma ameaça à existência do país.

No fim de semana, os Estados Unidos lançaram um ataque contra instalações nucleares iranianas. O principal alvo foi a usina de Fordow — uma instalação subterrânea a 80 metros da superfície, onde funcionavam centrífugas para enriquecimento de urânio.

Nesta segunda-feira, o Irã retaliou e lançou mísseis contra uma base militar americana no Catar. Autoridades norte-americanas e catarianas afirmaram que os projéteis foram interceptados e que os danos foram mínimos. Não houve registro de mortes ou feridos.

Segundo a imprensa americana, o Irã avisou os EUA e o Catar com horas de antecedência. O objetivo seria realizar uma resposta simbólica, que evitasse uma escalada no conflito.

¨      Irã e Israel disputam narrativa da vitória após 12 dias de confronto

Tanto Irã quanto Israel declararam vitória no conflito que durou 12 dias, em uma tentativa de demonstrar força diante da população e aliados. A trégua começou na madrugada desta terça-feira (24), em um cessar-fogo costurado com a ajuda dos Estados Unidos e do Catar.

Em um vídeo à nação israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o país obteve uma "vitória histórica" que será lembrada por gerações. Ele disse ainda que Israel precisa completar sua campanha contra o eixo iraniano, derrotando o Hamas e trazendo de volta os reféns mantidos pelo grupo na Faixa de Gaza.

Enquanto isso, as Forças de Defesa de Israel também indicaram que vão voltar seus esforços para a Faixa de Gaza para "desmantelar o regime" imposto pelo Hamas no território palestino.

Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acusou Israel de iniciar a guerra, chamando o rival de "terrorista". Segundo ele, o conflito foi encerrado com "sucesso" pelo Irã, que teria alcançado uma "grande vitória".

Além disso, o Comando Militar do Irã divulgou um comunicado na imprensa estatal afirmando que Israel e EUA precisam aprender com os "golpes devastadores" conduzidos contra o território israelense e a base americana no Catar.

A ofensiva entre os dois países começou em 13 de junho, quando Israel bombardeou estruturas nucleares do Irã. Teerã revidou atacando cidades israelenses. Dezenas de pessoas morreram e centenas ficaram feridas.

O conflito escalou com a entrada dos Estados Unidos. No fim de semana, os norte-americanos bombardearam o Irã e disseram ter "obliterado" o programa nuclear do país. Na segunda-feira (23), o Irã respondeu com um ataque à base americana de Al Udeid, no Catar.

A resposta iraniana aos EUA, no entanto, foi considerada fraca pelo governo americano. Além disso, autoridades do Irã ouvidas pela imprensa internacional afirmaram que o país havia comunicado o Catar e os Estados Unidos sobre o ataque com horas de antecedência.

Segundo essas fontes, o objetivo era realizar uma ofensiva simbólica — uma forma de dar satisfação ao público interno sem fechar a porta para uma saída diplomática.

<><> Cessar-fogo sob tensão

O cessar-fogo entrou em vigor por volta de 1h desta terça-feira, pelo horário de Brasília, segundo o presidente dos EUA, Donald Trump. Mas relatos de novos ataques em Teerã e declarações cruzadas entre os envolvidos colocaram o acordo sob incerteza logo nas primeiras horas.

Mais tarde, em uma rede social, Trump afirmou que tanto Israel quanto o Irã violaram os termos da trégua e disse estar "insatisfeito com os dois lados".

"Israel tem de se acalmar. Tenho de fazer Israel se acalmar", afirmou Trump ao embarcar para a cúpula da Otan, em Haia. Em uma rede social, o presidente dos EUA alertou: "Israel, não jogue suas bombas. Se fizer isso, será uma grande violação."

<><> Papel dos EUA e do Catar na negociação

O anúncio do cessar-fogo foi feito por Trump após uma ligação com Netanyahu. Segundo a Reuters, o Irã também aceitou a trégua após contato mediado pelo primeiro-ministro do Catar, com envolvimento direto de altos funcionários da Casa Branca.

De acordo com uma fonte oficial americana, o Irã sinalizou que cumpriria o acordo caso não houvesse novos ataques de Israel.

A mesma fonte confirmou que participaram das negociações o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff.

¨      Irã está pronto para ‘resolver os problemas’ com os EUA, diz Masoud Pezeshkian

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, garantiu nesta quarta-feira (24/06) que sua nação está pronta para “resolver os problemas” com o governo dos Estados Unidos, no âmbito de um cessar-fogo alcançado após 12 dias de uma guerra iniciada pelo regime sionista de Israel sob apoio norte-americano.

“O Irã está pronto para resolver os problemas com os Estados Unidos, com base no quadro internacional. Não pedimos nada além de nossos direitos”, disse o mandatário iraniano durante uma conversa por telefone com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman. 

“Esperamos que as conversas com os Estados Unidos comecem e deem frutos o quanto antes. O Irã agradece pela ajuda de nossos países amigos e irmãos nesse sentido”, acrescentou Pezeshkian.

A autoridade também assegurou que Teerã “não procura confrontos” com as nações islâmicas e fronteiriças, em uma mensagem direcionada ao Catar, palco do ataque iraniano contra a principal base militar dos EUA no Oriente Médio. A ofensiva ocorrida na segunda-feira (23/06) atingiu a base aérea de Al Udeid, além de um reduto norte-americano no Iraque, entretanto, não deixou vítimas.

“Tivemos de atacar a base no Catar para responder à direta cumplicidade dos americanos na agressão israelense contra a integridade territorial do Irã”, reforçou, acusando a Casa Branca e o regime sionista de “semear discórdia e inimizade entre países islâmicos”.

Trump contradiz Pentágono

Por sua vez, o presidente norte-americano Donald Trump alegou nesta quarta-feira que o cessar-fogo “caminha muito bem” e que os iranianos “não construirão a bomba [atômica] por muito tempo”.

No último fim de semana, aviões liderados pelos EUA bombardearam três centrais nucleares no Irã – em Fordow, Isfahan e Natanz. O magnata afirmou que “Fordow foi totalmente destruída”, entrando em contradição com os relatos da mídia norte-americana citando uma avaliação do Pentágono de que os ataques apenas atrasaram o programa nuclear de Teerã em alguns meses. Além disso, a extensão dos danos não foi confirmada por Teerã.

Trump seguiu alegando que o ataque às instalações nucleares iranianas “foi a mesma coisa de Hiroshima e Nagasaki”, em referência às bombas nucleares dos EUA que devastaram as duas cidades japonesas, em uma das piores catástrofes da história, e marcaram o fim da Segunda Guerra Mundial.

“Mas agora estamos muito de acordo com o Irã”, afirmou em declaração à imprensa em Haia, na Holanda, ao lado do secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte.

Uma avaliação inicial do Pentágono sugeriu que o bombardeio norte-americano não conseguiu destruir as instalações nucleares subterrâneas do Irã conforme afirma Trump, segundo os veículos The New York Times, The Washington Post e CNN na terça-feira (24/06), que citaram autoridades familiarizadas com o relatório de inteligência militar dos EUA.

À CNN, fontes declararam que o “urânio enriquecido do Irã não foi destruído” e as centrífugas estavam “praticamente intactas”. Acrescentaram também que, de acordo com a avaliação, o urânio enriquecido havia sido movido antes dos ataques dos EUA.

¨      Papa condena 'lógica da vingança' no conflito do Oriente Médio

O Papa Leão 14 cobrou nesta quarta-feira (25/06) o fim da “lógica da vingança” no Oriente Médio e disse acompanhar “com atenção e esperança” os desdobramentos da crise que envolve Irã, Israel e Palestina.

As declarações foram dadas na audiência geral do pontífice americano na Praça São Pedro e chegam na esteira do cessar-fogo entre Irã e Israel, após 12 dias de guerra.

“Continuamos a seguir com atenção os desdobramentos da situação no Irã, em Israel e na Palestina. As palavras do profeta Isaías são hoje mais urgentes do que nunca: ‘uma nação não levantará mais a espada contra outra nação'”, afirmou Leão 14.

“Que sejam curadas as feridas causadas pelas ações sangrentas dos últimos dias, se rejeite qualquer lógica de prepotência e de vingança e se escolha com determinação o caminho do diálogo, da diplomacia e da paz”, disse o Papa.

Em seu apelo, o pontífice também cobrou que a comunidade internacional mantenha a atenção sobre a Síria, onde um atentado terrorista de matriz islâmica matou pelo menos 30 pessoas em uma igreja greco-ortodoxa em Damasco no último domingo (22/06).

“Esse trágico episódio evoca a profunda fragilidade que ainda marca a Síria, após anos de conflitos e instabilidade. É fundamental que a comunidade internacional não desvie o olhar deste país e continue a oferecer-lhe apoio por meio de gestos de solidariedade e com um renovado compromisso com a paz e a reconciliação”, salientou Robert Prevost.

 

Fonte: Opera Mundi/g1/Ansa

 

Nenhum comentário: