Thiago
Dhatt: O jogo sujo da neutralidade - a FIFA entre guerras, pressões e
submissões
Ao
disputar a organização da Copa do Mundo Masculina de
2014, o Estado brasileiro foi impelido a aprovar uma legislação excepcional, a
chamada Lei Geral da Copa, por meio da qual compromissos comerciais,
operacionais, publicitários e tributários assumidos perante a entidade passaram
a repercutir diretamente no ordenamento jurídico interno.
A
soberania nacional não foi formalmente abolida, mas foi funcionalmente
comprimida, o país legislou sob a sombra de uma necessidade política criada por
uma entidade privada global, que converteu o desejo de sediar um megaevento em
instrumento de pressão normativa. Mesma lógica da preparação da Copa do Mundo
Feminina de 2027, confirmando que a FIFA continua a exigir dos Estados
anfitriões uma arquitetura jurídica especial para viabilizar seus torneios.
Esse
padrão de imposição contrasta com o que se observa na Copa do Mundo de 2026,
organizada por Estados Unidos, México e Canadá. Se no Brasil a entidade se
apresentou como polo forte da negociação, capaz de condicionar o Parlamento a
criar zonas de exclusividade comercial, isenções tributárias e regimes
jurídicos de exceção, em solo norte-americano a FIFA parece aceitar uma
inversão completa da relação de forças.
Em vez
de impor ao país anfitrião condições correlatas às de outros países, como
acesso, circulação e tratamento igualitário de delegações, torcedores, árbitros
e oficiais, a entidade vem se acomodando a uma realidade no mínimo incômoda; a
FIFA adota uma postura subserviente e permissiva diante das exigências e
restrições dos Estados Unidos para a Copa do Mundo de 2026. Enquanto a entidade
costuma punir governos menores por interferência política ou descumprimento de
regras, em solo americano ela tem aceitado passivamente que decisões
diplomáticas passem por cima das suas próprias diretrizes esportivas.
Os
casos envolvendo o Irã, delegações do Oriente Médio e da África, árbitros e
torcedores revelam com nitidez essa assimetria. A revogação da alocação oficial
de ingressos destinada aos torcedores iranianos, a deportação de árbitros
chancelados pela própria FIFA, como o somali Omar Abdulkadir Artan, e as
restrições de visto que transformaram a seleção iraniana em uma espécie de
“seleção nômade”, obrigada a estabelecer sua base em Tijuana, no México, e a
entrar nos Estados Unidos apenas no dia dos jogos, violam frontalmente a
promessa de universalidade do torneio e a integridade competitiva.
A
entidade limitou-se a emitir notas protocolares, afirmando que “não se envolve
nos processos de imigração dos países sedes” e alertando torcedores de que
possuir ingresso não garante entrada no país anfitrião. A neutralidade invocada
nesse contexto não é um princípio universal, mas uma prudência seletiva diante
de uma superpotência capaz de constranger institucionalmente o futebol global.
Essa
prudência ganha contornos ainda mais complexos quando se observa o papel dos
Estados Unidos no chamado FIFA Gate. Foi em solo norte-americano, por meio da
atuação do Departamento de Justiça e do FBI, que o maior escândalo de corrupção
da história do futebol mundial resultou na prisão de dezenas de dirigentes e na
queda de Joseph Blatter. A jurisdição norte-americana, valendo-se de conexões
financeiras e bancárias com seu território, produziu uma reordenação profunda
do poder interno da FIFA, deixando claro que os Estados Unidos não são apenas
mercado, anfitrião e potência diplomática, mas também centro financeiro e ator
com capacidade real de impor custos penais à própria entidade.
Desde
então, a organização sabe que, diante de Washington, não fala como autoridade
soberana do futebol, mas como parte administrativamente condicionada. Essa
condição ajuda a explicar por que a mesma FIFA que exige leis de exceção de
países periféricos se mostra tão discreta diante de barreiras migratórias e
securitárias impostas pelos Estados Unidos.
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O direito internacional para a FIFA — dois pesos e duas medidas
A
diferença de tratamento da FIFA em relação a conflitos geopolíticos e violações
do direito internacional também é ponto desgaste na imagem de neutralidade da
instituição.
A
Rússia e seus clubes estão suspensos de todas as competições da FIFA e da UEFA
desde fevereiro de 2022. A sanção foi aplicada em conjunto pelas entidades
devido ao conflito na Ucrânia e permanece em vigor, impedindo o país de
disputar torneios oficiais como a Copa do Mundo. Nesse caso, a excepcionalidade
geopolítica converteu-se rapidamente em sanção esportiva. O ponto crítico não
está em debater a justeza ou ilicitude da conduta russa, nem em sustentar que o
esporte deva permanecer indiferente a violações severas do direito
internacional.
O
problema está na ausência de um critério universalizável. Se a FIFA aceita que
uma guerra de agressão, a violação de fronteiras e a apropriação esportiva de
territórios justifiquem exclusão, precisa explicar por que situações distintas,
mas igualmente permeadas por violações do direito internacional, deslocamento
forçado, punição coletiva, uso de armas proibidas, ataques a estruturas civis e
operações militares unilaterais não produzem sequer processo disciplinar
equivalente quando envolvem aliados estratégicos do Ocidente, como Estados
Unidos e Israel.
Especialistas
em direito internacional e órgãos multilaterais apontam que o conflito no Irã
carece de respaldo jurídico, pois a Carta das Nações Unidas proíbe o uso da
força entre Estados, exceto em casos de legítima defesa ou mediante resolução
do Conselho de Segurança da ONU. A captura e destituição forçada de Nicolás
Maduro por tropas dos Estados Unidos, classificada diplomaticamente por
diversos países e movimentos como um sequestro político, também é considerada
uma violação direta ao direito internacional. As ofensivas militares
norte-americanas configuram quebras severas do direito internacional civil e
humanitário.
Da
mesma forma, as ações conduzidas por Israel na Faixa de Gaza, na Cisjordânia e
no Líbano, que envolvem ordens de deslocamento forçado, destruição de
infraestrutura civil essencial e ataques documentados contra tropas de
manutenção da paz da ONU (UNIFIL), não geraram qualquer sanção esportiva de
natureza excludente.
A
Associação Palestina de Futebol questiona há anos a participação, em
competições organizadas pela federação israelense, de clubes situados em
assentamentos na Cisjordânia ocupada, o que toca diretamente um ponto sensível
dos estatutos da FIFA: a impossibilidade de uma associação atuar no território
de outra sem autorização. Ainda assim, a entidade optou por não aplicar sanção
esportiva substancial.
O
debate sobre “dois pesos e duas medidas” suscita uma reflexão crítica sobre a
reverberação de uma postura institucional que leva a FIFA a agir com
desequilíbrio e parcialidade sobre um esporte que teoricamente deveria
representar a pluralidade e inclusão de diferentes povos em todo o mundo. No
caso do Brasil, a FIFA utilizou a ameaça de retirar o evento para pressionar o
governo federal a ceder pressões da entidade e que resultaram na criação de
legislações que sobrepuseram interesses comerciais da FIFA ao ordenamento
jurídico nacional, ao passo que nos EUA a entidade se curva numa linha reversa
de pressão; a dos norte-americanos. Como se os EUA fizessem um favor à FIFA
realizando o evento em seu território e impusessem suas condições para tal.
A
Rússia, isolada por sua condição de adversária estratégica, tornou-se
sancionável. Israel, protegido por alianças diplomáticas robustas permanece em
campo. A neutralidade, assim, deixa de ser princípio e passa a funcionar como
linguagem de conveniência, capaz de justificar tanto a intervenção quanto a
omissão. As seleções entram em campo sob a retórica da igualdade, enquanto suas
federações, torcedores e oficiais são tratados conforme a hierarquia real do
poder internacional.
A
pergunta central, portanto, não é se a FIFA deve banir todos os Estados
envolvidos em controvérsias internacionais, mas quais critérios distinguem uma
violação internacional esportivamente relevante de uma violação politicamente
tolerável. Enquanto essa resposta não for esclarecida, o universalismo
proclamado pela entidade continuará a parecer apenas retórico, e a Copa do
Mundo seguirá revelando uma verdade incômoda; todos os países parecem iguais,
mas nos bastidores da governança, alguns continuam sendo muito mais iguais do
que outros.
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'A Copa não é para nós': os torcedores que desistiram
após serem barrados ou ficarem sem visto para os países-sede
Quando
a seleção de futebol do Iraque se classificou para a Copa do Mundo no fim de
março, Abdulla Adnan comprou ingressos para os jogos de seu país contra Noruega
e França, que serão disputados nas cidades americanas de Boston e Filadélfia
neste mês.
"Ir
a um jogo, a um estádio, a uma multidão, torcer e ver meu time — isso é tudo
para mim", diz ele. "É um sentimento incomparável."
A Copa
do Mundo começa oficialmente nesta quinta-feira (11/06), com a cerimônia de
abertura às 14h30. Acompanhe a cobertura ao vivo da abertura da Copa do Mundo
2026 na BBC Brasil.
Esta é
apenas a segunda vez que o Iraque se classificou para o Mundial — a primeira
foi em 1986. Mas está sendo difícil conseguir um visto.
E Adnan
não está sozinho. Torcedores de mais de um quarto dos países participantes
da Copa do Mundo estão
enfrentando proibições de viagem, restrições mais rígidas ou altas taxas de
rejeição de vistos, mostra uma análise de dados de viagens feita pela BBC.
O
Iraque não está na lista de proibição de viagens do governo de Donald Trump.
Por isso, no caso de Adnan, o obstáculo foi inesperado.
Após o
início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, os EUA suspenderam serviços
consulares de rotina no Iraque devido a preocupações com a segurança na região.
Isso significa que não há lugar no país onde Adnan e outros torcedores
iraquianos possam obter vistos, já que precisam comparecer a uma entrevista
presencial.
Por
isso, Adnan viajou ao país vizinho, a Jordânia, para tentar obter um visto na
embaixada dos EUA. Mas, quando chegou para sua entrevista, funcionários
disseram que, por não ser cidadão jordaniano, aquela embaixada não poderia lhe
dar um visto.
Os
ingressos para o jogo e a viagem à Jordânia custaram cerca de US$ 1,8 mil (R$
9,4 mil).
Adnan
considerou solicitar o visto na Turquia, mas como o processo poderia levar até
duas semanas, decidiu que não poderia ficar tanto tempo longe de casa. Ele
desistiu de tentar obter o visto.
Torcedores
de vários países disseram à BBC que outros obstáculos também estão causando
indignação e frustração.
Uma das
barreiras é a lista do governo Trump com proibições e restrições de vistos para
determinados países, incluindo quatro que disputam a Copa do Mundo — Haiti,
Irã, Senegal e Costa do Marfim. Isso significa que seus cidadãos estão
impedidos de receber o tipo de visto de visitante que as autoridades dos EUA
recomendam para torcedores.
Políticas
rígidas de imigração e repressão a migrantes sem documentação foram parte
central da campanha de reeleição de Trump em 2024. As autoridades dos EUA
afirmam que seu sistema precisa ser rigoroso devido aos desafios enfrentados
para gerenciar o enorme fluxo de pessoas que cruzam as fronteiras do país.
Julien
Kouadio Adonis, da associação de torcedores da Costa do Marfim, diz: "É
uma forma de segregação velada, mas a prova está aí. Nenhum país europeu
enfrentou esse tipo de restrição. Por que a África?"
Sua
associação normalmente envia um grupo de torcedores à Copa do Mundo, mas
decidiu nem tentar ir aos EUA por causa das barreiras.
Embora
esteja aliviado por evitar o que chamou de preços "exorbitantes" dos
ingressos, Adonis acredita que um país que não quer receber torcedores de
equipes classificadas não deveria ser autorizado a sediar a Copa do Mundo.
"O
futebol é um espetáculo e um espetáculo precisa de pessoas assistindo",
diz ele.
Quarenta
e dois países, geralmente mais ricos, se beneficiam de um programa de isenção
de visto, no qual os pedidos são feitos online por meio do Sistema Eletrônico
para Autorização de Viagem dos EUA (Esta). Isso custa cerca de US$ 40 (R$ 200).
Não há países africanos nessa lista.
O visto
que os EUA recomendam para torcedores da Copa do Mundo custa US$ 185 (R$ 930) e
os solicitantes devem comparecer a uma entrevista presencial. O Departamento de
Estado afirma que eles devem demonstrar "sua intenção de deixar os EUA
após a viagem e/ou sua capacidade de pagar todos os custos da viagem".
No
entanto, em maio, os EUA anunciaram que retirariam a exigência de depósitos de
até US$ 15 mil (R$ 77 mil) para pessoas de países classificados para a Copa do
Mundo — Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Senegal e Tunísia — desde que
tenham ingressos válidos para o torneio. Torcedores de Senegal e Costa do
Marfim tiveram que garantir vistos até dezembro, antes do começo das novas
restrições.
O
torcedor senegalês Aliou Ngom esteve nas duas últimas Copas do Mundo no Catar e
na Rússia. Para ele, um dos destaques do torneio é ver "culturas se unindo
de todo o mundo".
Um
treinamento da seleção feminina de basquete do Senegal nos EUA foi cancelado no
ano passado quando várias jogadoras tiveram o visto negado. Assim como Adonis,
Ngom decidiu que fazia pouco sentido solicitar um visto como torcedor.
A
análise da BBC dos dados do Departamento de Estado dos EUA mostrou que a taxa
de rejeição de vistos para cidadãos de 11 dos 48 países que se classificaram
para a Copa do Mundo foi superior a 40%. Isso inclui solicitantes de todos os
tipos, não apenas torcedores.
Isso se
compara a uma taxa média de rejeição de 34% para pedidos de visto de negócios
B1 e turismo B2 — o tipo recomendado para torcedores que vão ao torneio — de
todos os países.
Os
dados abrangem o período de outubro de 2024 até o fim de setembro de 2025,
portanto não incluem torcedores que pediram vistos nos últimos oito meses. Os
11 países são Equador, Egito, Haiti, Argélia, Uzbequistão, Cabo Verde,
Jordânia, Irã, República Democrática do Congo, Gana e Senegal.
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Rejeições
Com uma
taxa de rejeição elevada, é difícil para torcedores desses países saber se
devem arriscar gastar dinheiro em ingressos caros antes de solicitar um visto,
que talvez nem venham a obter.
Se
comprarem ingressos diretamente da Fifa, eles podem revendê-los no site da
entidade mediante taxa e também podem usar o sistema Fifa Pass para acelerar o
processo de solicitação de visto.
"O
Fifa Pass é um passo positivo porque tenta colocar os detentores de ingressos
em entrevistas prioritárias para vistos", diz Celine Atallah, de um
escritório de advocacia de imigração em Massachusetts.
Mas ela
acrescenta que, embora torne o processo mais rápido, isso não aumenta a
probabilidade de aprovação do visto.
"O
sistema de vistos é o controlador de acesso invisível da Copa do Mundo",
diz Atallah. "A Fifa pode vender um ingresso, mas o governo dos EUA decide
quem recebe um visto, e a CBP [Alfândega e Proteção de Fronteiras] decide quem
realmente entra."
Mesmo
com um visto, quem viaja aos EUA não tem entrada garantida na chegada, pois
autoridades de fronteira ainda podem recusar a entrada.
Abu
Kass é presidente da associação de torcedores de futebol da Jordânia, país onde
57% dos pedidos de visto para os EUA foram recusados no ano até o fim de
setembro de 2025.
"Eles
vêm rejeitando pessoas nos últimos três a quatro meses", diz ele,
acrescentando que não conhece um único torcedor que tenha recebido visto. A
associação de torcedores jordanianos nos EUA disse à BBC que conhecia apenas um
torcedor jordaniano que havia recebido visto.
Kass
afirma que levou mais de 42 documentos para sua entrevista de visto na capital
jordaniana, Amã, onde seu pedido foi recusado. Os EUA não informam o motivo
quando negam um visto.
"Esta
Copa do Mundo não é nossa", diz Kass. "Não é para árabes esta Copa do
Mundo, é para eles. Se o presidente da associação de torcedores foi recusado,
quem será aceito?"
Um
porta-voz do Departamento de Estado disse à BBC que o governo estava
"preparado para receber visitantes de todo o mundo para a maior e melhor
Copa do Mundo da Fifa da história" e que "a maioria dos torcedores
estrangeiros não precisava usar o Fifa Pass porque são nacionais do Canadá ou
de um dos 42 países que se qualificam para viagem sem visto" ou já
possuíam visto.
Ele
afirmou que, em todos os casos, "vamos dedicar o tempo necessário para
garantir que um solicitante não represente risco à segurança dos EUA" e
que "analisamos cada pedido de visto caso a caso, após revisão rigorosa e
verificação minuciosa, para determinar se o indivíduo é elegível segundo a lei
dos EUA".
O
Departamento de Segurança Interna está preocupado com pessoas que permanecem no
país após o vencimento do visto e afirma que houve mais de 538 mil "casos
de permanência além do prazo" entre outubro de 2023 e setembro de 2024. O
Pew Research Center estima que, em 2023, antes da repressão do governo Trump a
migrantes sem documentação, havia 14 milhões de imigrantes vivendo ilegalmente
nos EUA.
Os
países que sediaram as últimas quatro Copas do Mundo criaram sistemas especiais
de visto para torcedores, embora a aprovação de documentos de viagem não fosse
garantida.
Canadá
e México são coanfitriões do torneio, mas 78 das 104 partidas, incluindo a
final, serão disputadas em cidades dos EUA.
Os
sistemas próprios de imigração e vistos do Canadá e do México são diferentes do
americano. Nenhum dos dois emitiu proibições de viagem para países específicos,
embora o Canadá, assim como os EUA, tenha recentemente imposto restrições de
entrada a países afetados pelo recente surto de Ebola na África, o que inclui a
República Democrática do Congo, classificada para a Copa do Mundo.
O
Canadá exige que as pessoas forneçam dados biométricos para solicitações de
visto e há dois países classificados para a Copa do Mundo — Irã e Cabo Verde —
onde o Canadá não possui instalações para coleta desses dados.
O
Canadá não detalha as taxas de recusa de vistos por tipo ou país, mas sua taxa
geral em 2025 foi de 54%.
O
México não publica dados de recusa de vistos. O país exige que os solicitantes
façam o pedido presencialmente em uma embaixada ou consulado. Entre os países
classificados para a Copa do Mundo, há oito — Cabo Verde, República Democrática
do Congo, Costa do Marfim, Senegal, Uzbequistão, Bósnia e Herzegovina, Tunísia
e Iraque — onde o México não tem presença diplomática para atendimento.
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Fifa censura uniforme do Haiti por mensagem política
Às
vésperas da estreia do Haiti na Copa do Mundo de
2026, a Fifa solicitou
alteração em um dos elementos visuais que compõem o uniforme da seleção
caribenha por considerá-lo uma manifestação política. A fabricante das camisas,
a Saeta, comunicou a decisão nesta quarta-feira (10). O símbolo vetado faz
referência à Batalha de Vertières, confronto decisivo que abriu caminho para a
independência do Haiti do domínio francês, em 1804.
O
projeto foi elaborado em parceria com a Federação Haitiana de Futebol e tinha
como objetivo homenagear “o orgulho, a resiliência e o espírito do povo
haitiano” e “não tinha a intenção de ser uma declaração política”. A seleção
haitiana voltará a disputar uma Copa do Mundo após 52 anos, justamente em um
dos momentos mais simbólicos de sua história recente.
“Diversos
conceitos foram desenvolvidos e aperfeiçoados ao longo de vários meses e
submetidos ao processo padrão de aprovação da FIFA”, esclarece a nota da
fabricante.
A Saeta
afirma que a peça fazia referência aos homens e mulheres que ajudam a construir
o futuro do Haiti e que jamais teve a intenção de transmitir uma mensagem
partidária ou eleitoral. Ainda assim, durante a análise do material, a Fifa
concluiu que “certos elementos visuais poderiam ser interpretados de maneira
diferente” de acordo com os regulamentos da entidade para equipamentos
esportivos. Por isso, solicitou mudanças no design antes da aprovação final.
“Embora
essa interpretação tenha sido diferente da nossa intenção, a Saeta respeitou o
processo e implementou os requisitos finais comunicados pela Fifa”, concluiu a
empresa.
Fonte:
ICL Notícias/BBC News Árabe

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