sexta-feira, 12 de junho de 2026

O que Bill Gates disse sobre relação com Jeffrey Epstein em investigação do Congresso dos EUA

O bilionário Bill Gates disse a uma comissão do Congresso dos Estados Unidos na quarta-feira (10/06) que nunca teve um relacionamento pessoal com Jeffrey Epstein e que rompeu todos os laços com o criminoso sexual quando ele não conseguiu cumprir promessas de arrecadação de fundos para esforços filantrópicos.

O fundador da Microsoft compareceu voluntariamente em Washington a uma audiência a portas fechadas com o Comitê de Supervisão da Câmara que investiga Epstein. Acredita-se que Gates mencionou o nome de pessoas poderosas que Epstein abordou para tentar arrecadar fundos.

Gates também falou sobre infidelidades conjugais suas, dizendo que Epstein as usou para pressioná-lo.

Membros do painel disseram que o depoimento mostrou que Epstein era um "colecionador de amigos" e se associava a pessoas como Gates para "projetar poder e influência".

Em sua declaração inicial, Gates disse que nunca presenciou Epstein envolvido em conduta criminosa, nem teve qualquer indicação disso.

"Eu nunca fui à ilha dele, ao rancho dele ou à casa dele na Flórida. Nunca vitimei ninguém", disse. "Embora ele possa ter buscado fomentar um relacionamento pessoal, eu nunca tive interesse nisso e nunca correspondi."

Ele também disse esperar que "os sobreviventes dos crimes de Epstein possam obter a justiça que merecem".

Além de Gates, também já falaram ao comitê o ex-presidente Bill Clinton, a ex-secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton e o secretário de Comércio dos EUA Howard Lutnick, entre outros.

Epstein se suicidou em uma cela de prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento. Sua amiga de longa data, Ghislaine Maxwell, cumpre uma pena de 20 anos de prisão. Ela compareceu virtualmente perante o comitê em fevereiro, mas invocou seu direito de se recusar a responder perguntas.

Quando o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) publicou milhões de páginas de documentos ligados à investigação criminal de Epstein em janeiro, o nome de Gates foi mencionado milhares de vezes e ele apareceu em várias fotos ao lado de Epstein.

Gates negou qualquer irregularidade e conhecimento das atividades ilegais de Epstein.

<><> Arrependimento

Em sua declaração inicial, Gates reiterou o que havia dito em uma entrevista do início deste ano sobre ter exercido mau julgamento ao encontrar Epstein e que é "uma das muitas pessoas que se arrependem de tê-lo conhecido".

Uma foto divulgada pelo DOJ mostra Gates perto de uma aeronave com o piloto de Epstein presente. Gates disse que viajou com Epstein em um jato privado.

Outros documentos incluem rascunhos de e-mails atribuídos a Epstein, contendo uma série de alegações não verificadas e contestadas sobre a vida pessoal de Gates. Entre elas, alegações de que Epstein facilitou "encontros ilícitos" com "mulheres casadas" para Gates, que Gates teria contraído uma infecção sexualmente transmissível (IST) de "garotas russas" e que ele "ajudou Bill a obter remédios" para tratá-la.

Em outro e-mail, Epstein alega que Gates tentou dar, de forma escondida, antibióticos à então esposa Melinda para protegê-la da mesma infecção. Gates nega essas alegações, mas admitiu ter tido casos extraconjugais com duas mulheres russas.

"Epstein estava trabalhando para usar informações sobre minhas infidelidades — além de muitas mentiras que ele acrescentou — para me pressionar a retomar contato com ele", disse Gates em sua declaração inicial.

A ligação entre os dois teve início em 2011, três anos após Epstein ser condenado na Flórida por duas acusações relacionadas à procura de serviços de prostituição, e se intensificou à medida que discutiam possíveis estratégias de arrecadação de fundos para a iniciativa global de saúde de Gates, afirmou o fundador da Microsoft.

Gates disse que deixou claro desde o início que Epstein nunca teria uma função no trabalho de sua fundação nem receberia qualquer compensação.

O principal democrata do comitê, Robert Garcia, disse a repórteres em uma atualização sobre a audiência que "Gates estava ciente de que Jeffrey Epstein poderia ter sido condenado por um crime horrível e continuou a interagir com ele para tentar obter dinheiro para sua fundação".

Gates disse ao comitê que, em 2014, após Epstein reunir um grupo que descreveu como potenciais doadores, ele "percebeu que nossas discussões anteriores — que deveriam ter se traduzido em apoio filantrópico significativo — eram um beco sem saída", acrescentando que ficou claro que ninguém no grupo estava interessado em avançar.

"Naquele momento, concluí que Epstein nunca cumpriria suas promessas", disse. "Disse a ele que não seguiríamos adiante e parei de me comunicar ou me reunir com ele."

Parlamentares democratas do comitê disseram que Gates forneceu os nomes das pessoas reunidas por Epstein, mas não os compartilhou publicamente.

O membro republicano do comitê Tim Burchett disse que as perguntas foram "muito intensas" e que Gates foi cauteloso em suas respostas.

"Está bastante claro para mim, porém, que Epstein era um colecionador de amigos. Ele simplesmente gostava de ter por perto pessoas importantes, tirar fotos com elas e conviver com elas, e acho que foi assim que ele as atraiu", disse Burchett.

Ele também disse a repórteres que Gates parecia "abatido para alguém que tem vários bilhões".

Garcia e outros democratas do comitê disseram que Gates falou sobre os rascunhos de e-mails de Epstein e insistiu que nunca foi apresentado a mulheres, meninas ou qualquer pessoa menor de idade por Epstein.

"Algumas de suas respostas nos mostram que muitos dos homens que interagiram com Jeffrey Epstein só viram o que queriam ver em suas interações", disse a democrata Emily Randall.

Gates disse a funcionários de sua fundação, em fevereiro, que tinha conhecimento de algo vago sobre uma proibição de viagens de Epstein por um período de 18 meses, mas que não investigou a fundo seu histórico.

Os parlamentares questionaram Gates se é plausível acreditar que ele — um dos gurus da era da informação — tenha permanecido em grande parte alheio aos detalhes do histórico de Epstein, incluindo fatos que já estavam em domínio público.

¨      Casa Branca fez reunião secreta sobre caso Epstein, diz NYT

Altos integrantes do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participaram de uma reunião reservada para discutir a crise provocada pelos chamados "arquivos Epstein". As informações foram reveladas em reportagem exclusiva publicada nesta quarta-feira (10) pelo "The New York Times".

Segundo o jornal, o encontro ocorreu em 17 de julho de 2025, na Sala de Situação da Casa Branca e reuniu integrantes do núcleo político e jurídico do governo. Entre os participantes estavam o vice-presidente JD Vance, a chefe de gabinete Susie Wiles e então procuradora-geral Pam Bondi, destituída do cargo em abril.

O encontro ocorreu no mesmo dia em que o jornal "The Wall Street Journal" publicou uma reportagem sobre a relação entre Trump e Epstein, aumentando a preocupação da Casa Branca com a repercussão do tema. Segundo o "The New York Times", Trump tentou, sem sucesso, impedir a publicação por meio de contatos com executivos do grupo de mídia.

A reunião aconteceu após a divulgação de um memorando do Departamento de Justiça e do FBI sobre o caso Jeffrey Epstein. O documento afirmava que as autoridades não haviam encontrado uma suposta lista de clientes associada ao financista, o que provocou forte reação entre apoiadores de Trump e ampliou a pressão por mais transparência.

De acordo com o "The New York Times", Vance liderou a conversa e defendeu a divulgação ampla dos documentos relacionados ao caso para reduzir especulações e evitar novos desgastes políticos. O vice-presidente avaliou que o Congresso poderia acabar impondo a abertura dos arquivos e, por isso, sustentou que a Casa Branca deveria se antecipar e conduzir o processo por iniciativa própria.

Vance também teria sugerido uma entrevista com Ghislaine Maxwell, ex-companheira de Epstein condenada por tráfico sexual, para que ela esclarecesse publicamente questões ligadas ao caso. A proposta, porém, enfrentou resistência dentro do governo, já que assessores temiam uma reação negativa da opinião pública a qualquer aproximação com Maxwell.

¨      NYT: Casa Branca discutiu reação a arquivos Epstein e tentou conter crise

A Casa Branca se mobilizou para conter a crise política causada pela pressão por divulgação dos arquivos de Jeffrey Epstein e pelo impacto do tema na base de Donald Trump. As informações foram divulgadas hoje pelo jornal The New York Times.

<><> O que aconteceu

Assessores de Trump se reuniram sem o presidente na Sala de Situação em 17 de julho de 2025 para definir uma resposta coordenada ao caso Epstein. O encontro ocorreu após um memorando conjunto do Departamento de Justiça e do FBI afirmar que a investigação não encontrou uma suposta "lista de clientes", o que irritou apoiadores do presidente.

JD Vance, vice-presidente, liderou a conversa e tratou o tema como uma ameaça imediata ao governo. "Este é um problema enorme", disse ele, diante de integrantes do núcleo político e jurídico da Casa Branca e de representantes do Departamento de Justiça e do FBI por telefone.

Vance defendeu divulgar rapidamente todo o material disponível para evitar vazamentos em capítulos e reduzir teorias de conspiração. Ele também sugeriu uma estratégia de comunicação envolvendo uma entrevista com Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Epstein, proposta que gerou resistência interna.

Integrantes do grupo avaliaram alternativas que pudessem sinalizar transparência sem ampliar o desgaste de Trump. James Blair criticou a linha adotada até então e alertou para o risco de uma coletiva de imprensa dar errado: "Com todo o respeito, a estratégia de comunicação deste grupo nos trouxe até aqui. Não sei se será a mesma que nos tirará desta situação. E se vocês pretendem se apresentar diante da imprensa, têm muito trabalho pela frente", teria dito.

A opção considerada mais segura foi pedir a tribunais federais na Flórida e em Nova York a liberação de depoimentos do grande júri ligados a casos anteriores de Epstein. A avaliação, segundo o jornal, era que a chance de os juízes manterem o sigilo era alta, o que permitiria ao governo transferir a responsabilidade pela não divulgação para o Judiciário.

<><> Reportagem do WSJ acelerou a resposta

Durante a reunião, o The Wall Street Journal publicou uma reportagem sobre a relação de Trump com Epstein, o que aumentou a pressão por uma reação imediata. Como celulares são proibidos na Sala de Situação, cópias impressas do texto circularam entre os participantes, enquanto a equipe preparava uma negativa pública para o presidente.

Após a publicação, Trump adotou a linha discutida por assessores e disse ter pedido à procuradora-geral Pam Bondi que buscasse a divulgação de depoimentos do grande júri. "Com base na quantidade absurda de publicidade dada a Jeffrey Epstein, solicitei à Procuradora-Geral Pam Bondi que apresente todos os depoimentos pertinentes do Grande Júri, sujeitos à aprovação do Tribunal. Essa FARSA, perpetuada pelos Democratas, deve acabar agora mesmo!", escreveu ele no Truth Social.

O debate interno também incluiu a hipótese de oferecer benefícios a Maxwell para obter declarações públicas, ideia rechaçada por auxiliares. Steven Cheung afirmou que um indulto seria politicamente tóxico: "Perdoar Maxwell, uma traficante de meninas, criaria um enorme problema de relações públicas".

<><> Pressão da base e disputa de narrativa

O The New York Times relata que o caso Epstein já dividia a coalizão MAGA e alimentava cobranças por mais transparência. A reportagem descreve que aliados e influenciadores conservadores pressionaram o governo, como Dan Bongino, que questionou em seu programa: "Que diabos eles estão escondendo sobre Jeffrey Epstein?"

Em resposta a pedidos de comentário, a Casa Branca reiterou que Trump não cometeu irregularidades ligadas a Epstein. A porta-voz Abigail Jackson também afirmou, segundo o jornal, que o presidente teria cooperado com iniciativas de divulgação de documentos e com pedidos do Congresso relacionados ao caso.

 

Fonte: BBC News/Sbt News/UOL

 

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