O
que Bill Gates disse sobre relação com Jeffrey Epstein em investigação do
Congresso dos EUA
O
bilionário Bill Gates disse a uma
comissão do Congresso dos Estados Unidos na quarta-feira (10/06) que nunca teve
um relacionamento pessoal com Jeffrey Epstein e que rompeu
todos os laços com o criminoso sexual quando ele não conseguiu cumprir
promessas de arrecadação de fundos para esforços filantrópicos.
O
fundador da Microsoft compareceu voluntariamente em Washington a uma audiência
a portas fechadas com o Comitê de Supervisão da Câmara que investiga Epstein.
Acredita-se que Gates mencionou o nome de pessoas poderosas que Epstein abordou
para tentar arrecadar fundos.
Gates
também falou sobre infidelidades conjugais suas, dizendo
que Epstein as usou para pressioná-lo.
Membros
do painel disseram que o depoimento mostrou que Epstein era um
"colecionador de amigos" e se associava a pessoas como Gates para
"projetar poder e influência".
Em sua
declaração inicial, Gates disse que nunca presenciou Epstein envolvido em conduta
criminosa,
nem teve qualquer indicação disso.
"Eu
nunca fui à ilha dele, ao rancho dele ou à casa dele na Flórida. Nunca vitimei
ninguém", disse. "Embora ele possa ter buscado fomentar um
relacionamento pessoal, eu nunca tive interesse nisso e nunca
correspondi."
Ele
também disse esperar que "os sobreviventes dos crimes de Epstein possam
obter a justiça que merecem".
Além de
Gates, também já falaram ao comitê o ex-presidente Bill Clinton, a
ex-secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton e o secretário de Comércio dos
EUA Howard Lutnick, entre outros.
Epstein
se suicidou em uma cela de prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento. Sua
amiga de longa data, Ghislaine Maxwell, cumpre uma pena de 20 anos de prisão.
Ela compareceu virtualmente perante o comitê em fevereiro, mas invocou seu
direito de se recusar a responder perguntas.
Quando
o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) publicou milhões de páginas de
documentos ligados à investigação criminal de Epstein em janeiro, o nome de
Gates foi mencionado milhares de vezes e ele apareceu em várias fotos ao lado
de Epstein.
Gates
negou qualquer irregularidade e conhecimento das atividades ilegais de Epstein.
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Arrependimento
Em sua
declaração inicial, Gates reiterou o que havia dito em uma entrevista do início
deste ano sobre ter exercido mau julgamento ao encontrar Epstein e que é
"uma das muitas pessoas que se arrependem de tê-lo conhecido".
Uma
foto divulgada pelo DOJ mostra Gates perto de uma aeronave com o piloto de
Epstein presente. Gates disse que viajou com Epstein em um jato privado.
Outros
documentos incluem rascunhos de e-mails atribuídos a Epstein, contendo uma
série de alegações não verificadas e contestadas sobre a vida pessoal de Gates.
Entre elas, alegações de que Epstein facilitou "encontros ilícitos"
com "mulheres casadas" para Gates, que Gates teria contraído uma
infecção sexualmente transmissível (IST) de "garotas russas" e que
ele "ajudou Bill a obter remédios" para tratá-la.
Em
outro e-mail, Epstein alega que Gates tentou dar, de forma escondida,
antibióticos à então esposa Melinda para protegê-la da mesma infecção. Gates
nega essas alegações, mas admitiu ter tido casos extraconjugais com duas
mulheres russas.
"Epstein
estava trabalhando para usar informações sobre minhas infidelidades — além de
muitas mentiras que ele acrescentou — para me pressionar a retomar contato com
ele", disse Gates em sua declaração inicial.
A
ligação entre os dois teve início em 2011, três anos após Epstein ser condenado
na Flórida por duas acusações relacionadas à procura de serviços de
prostituição, e se intensificou à medida que discutiam possíveis estratégias de
arrecadação de fundos para a iniciativa global de saúde de Gates, afirmou o
fundador da Microsoft.
Gates
disse que deixou claro desde o início que Epstein nunca teria uma função no
trabalho de sua fundação nem receberia qualquer compensação.
O
principal democrata do comitê, Robert Garcia, disse a repórteres em uma
atualização sobre a audiência que "Gates estava ciente de que Jeffrey
Epstein poderia ter sido condenado por um crime horrível e continuou a
interagir com ele para tentar obter dinheiro para sua fundação".
Gates
disse ao comitê que, em 2014, após Epstein reunir um grupo que descreveu como
potenciais doadores, ele "percebeu que nossas discussões anteriores — que
deveriam ter se traduzido em apoio filantrópico significativo — eram um beco
sem saída", acrescentando que ficou claro que ninguém no grupo estava
interessado em avançar.
"Naquele
momento, concluí que Epstein nunca cumpriria suas promessas", disse.
"Disse a ele que não seguiríamos adiante e parei de me comunicar ou me
reunir com ele."
Parlamentares
democratas do comitê disseram que Gates forneceu os nomes das pessoas reunidas
por Epstein, mas não os compartilhou publicamente.
O
membro republicano do comitê Tim Burchett disse que as perguntas foram
"muito intensas" e que Gates foi cauteloso em suas respostas.
"Está
bastante claro para mim, porém, que Epstein era um colecionador de amigos. Ele
simplesmente gostava de ter por perto pessoas importantes, tirar fotos com elas
e conviver com elas, e acho que foi assim que ele as atraiu", disse
Burchett.
Ele
também disse a repórteres que Gates parecia "abatido para alguém que tem
vários bilhões".
Garcia
e outros democratas do comitê disseram que Gates falou sobre os rascunhos de
e-mails de Epstein e insistiu que nunca foi apresentado a mulheres, meninas ou
qualquer pessoa menor de idade por Epstein.
"Algumas
de suas respostas nos mostram que muitos dos homens que interagiram com Jeffrey
Epstein só viram o que queriam ver em suas interações", disse a democrata
Emily Randall.
Gates
disse a funcionários de sua fundação, em fevereiro, que tinha conhecimento de
algo vago sobre uma proibição de viagens de Epstein por um período de 18 meses,
mas que não investigou a fundo seu histórico.
Os
parlamentares questionaram Gates se é plausível acreditar que ele — um dos
gurus da era da informação — tenha permanecido em grande parte alheio aos
detalhes do histórico de Epstein, incluindo fatos que já estavam em domínio
público.
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Casa Branca fez reunião secreta sobre caso Epstein, diz
NYT
Altos
integrantes do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, participaram de uma reunião reservada para discutir a crise provocada
pelos chamados "arquivos Epstein". As informações foram
reveladas em reportagem exclusiva publicada nesta quarta-feira (10) pelo
"The New York Times".
Segundo
o jornal, o encontro ocorreu em 17 de julho de 2025, na Sala de Situação
da Casa Branca e reuniu integrantes do núcleo político e jurídico do governo.
Entre os participantes estavam o vice-presidente JD Vance, a chefe de gabinete
Susie Wiles e então procuradora-geral Pam Bondi, destituída do cargo em abril.
O
encontro ocorreu no mesmo dia em que o jornal "The Wall Street
Journal" publicou uma reportagem sobre a relação entre Trump e
Epstein, aumentando a preocupação da Casa Branca com a repercussão do tema.
Segundo o "The New York Times", Trump tentou, sem sucesso,
impedir a publicação por meio de contatos com executivos do grupo de mídia.
A
reunião aconteceu após a divulgação de um memorando do Departamento de Justiça
e do FBI sobre o caso Jeffrey Epstein. O documento afirmava que as autoridades
não haviam encontrado uma suposta lista de clientes associada ao financista, o
que provocou forte reação entre apoiadores de Trump e ampliou a pressão por
mais transparência.
De
acordo com o "The New York Times", Vance liderou a conversa e
defendeu a divulgação ampla dos documentos relacionados ao caso para reduzir
especulações e evitar novos desgastes políticos. O vice-presidente avaliou que
o Congresso poderia acabar impondo a abertura dos arquivos e, por isso,
sustentou que a Casa Branca deveria se antecipar e conduzir o processo por
iniciativa própria.
Vance
também teria sugerido uma entrevista com Ghislaine Maxwell, ex-companheira de
Epstein condenada por tráfico sexual, para que ela esclarecesse publicamente
questões ligadas ao caso. A proposta, porém, enfrentou resistência dentro do
governo, já que assessores temiam uma reação negativa da opinião pública a
qualquer aproximação com Maxwell.
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NYT: Casa Branca discutiu reação a arquivos Epstein e
tentou conter crise
A Casa
Branca se mobilizou para conter a crise política causada pela pressão por
divulgação dos arquivos de Jeffrey Epstein e pelo impacto do tema na base de
Donald Trump. As informações foram divulgadas hoje pelo jornal The New York
Times.
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O que aconteceu
Assessores
de Trump se reuniram sem o presidente na Sala de Situação em 17 de julho de
2025 para definir uma resposta coordenada ao caso Epstein. O encontro ocorreu
após um memorando conjunto do Departamento de Justiça e do FBI afirmar que a
investigação não encontrou uma suposta "lista de clientes", o que
irritou apoiadores do presidente.
JD
Vance, vice-presidente, liderou a conversa e tratou o tema como uma ameaça
imediata ao governo. "Este é um problema enorme", disse ele, diante
de integrantes do núcleo político e jurídico da Casa Branca e de representantes
do Departamento de Justiça e do FBI por telefone.
Vance
defendeu divulgar rapidamente todo o material disponível para evitar vazamentos
em capítulos e reduzir teorias de conspiração. Ele também sugeriu uma
estratégia de comunicação envolvendo uma entrevista com Ghislaine Maxwell,
ex-companheira e cúmplice de Epstein, proposta que gerou resistência interna.
Integrantes
do grupo avaliaram alternativas que pudessem sinalizar transparência sem
ampliar o desgaste de Trump. James Blair criticou a linha adotada até então e
alertou para o risco de uma coletiva de imprensa dar errado: "Com todo o
respeito, a estratégia de comunicação deste grupo nos trouxe até aqui. Não sei
se será a mesma que nos tirará desta situação. E se vocês pretendem se
apresentar diante da imprensa, têm muito trabalho pela frente", teria dito.
A opção
considerada mais segura foi pedir a tribunais federais na Flórida e em Nova
York a liberação de depoimentos do grande júri ligados a casos anteriores de
Epstein. A avaliação, segundo o jornal, era que a chance de os juízes manterem
o sigilo era alta, o que permitiria ao governo transferir a responsabilidade
pela não divulgação para o Judiciário.
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Reportagem do WSJ acelerou a resposta
Durante
a reunião, o The Wall Street Journal publicou uma reportagem sobre a relação de
Trump com Epstein, o que aumentou a pressão por uma reação imediata. Como
celulares são proibidos na Sala de Situação, cópias impressas do texto
circularam entre os participantes, enquanto a equipe preparava uma negativa
pública para o presidente.
Após a
publicação, Trump adotou a linha discutida por assessores e disse ter pedido à
procuradora-geral Pam Bondi que buscasse a divulgação de depoimentos do grande
júri. "Com base na quantidade absurda de publicidade dada a Jeffrey
Epstein, solicitei à Procuradora-Geral Pam Bondi que apresente todos os
depoimentos pertinentes do Grande Júri, sujeitos à aprovação do Tribunal. Essa
FARSA, perpetuada pelos Democratas, deve acabar agora mesmo!", escreveu
ele no Truth Social.
O
debate interno também incluiu a hipótese de oferecer benefícios a Maxwell para
obter declarações públicas, ideia rechaçada por auxiliares. Steven Cheung
afirmou que um indulto seria politicamente tóxico: "Perdoar Maxwell, uma
traficante de meninas, criaria um enorme problema de relações públicas".
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Pressão da base e disputa de narrativa
O The
New York Times relata que o caso Epstein já dividia a coalizão MAGA e
alimentava cobranças por mais transparência. A reportagem descreve que aliados
e influenciadores conservadores pressionaram o governo, como Dan Bongino, que
questionou em seu programa: "Que diabos eles estão escondendo sobre
Jeffrey Epstein?"
Em
resposta a pedidos de comentário, a Casa Branca reiterou que Trump não cometeu
irregularidades ligadas a Epstein. A porta-voz Abigail Jackson também afirmou,
segundo o jornal, que o presidente teria cooperado com iniciativas de
divulgação de documentos e com pedidos do Congresso relacionados ao caso.
Fonte: BBC News/Sbt News/UOL

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