quarta-feira, 10 de junho de 2026

Efeito dominó: possível acordo de delação de Bacellar em investigações sobre o CV ameaça Flávio Bolsonaro

ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União-RJ), iniciou negociações para uma colaboração premiada com a Polícia Federal. Preso há pouco mais de dois meses sob acusação de integrar organização criminosa e vazar informações sigilosas para o Comando Vermelho, Bacellar teria preparado um esboço de delação que detalha esquemas financeiros na gestão Cláudio Castro (PL) e o repasse de recursos a parlamentares aliados na Alerj. A movimentação, ainda sem homologação judicial confirmada, já provoca apreensão nos bastidores da política fluminense e acende um alerta direto no campo bolsonarista do estado.

<><> O movimento de Bacellar

Rodrigo Bacellar chegou à prisão como um dos nomes mais influentes da política fluminense: ex-presidente da Alerj, aliado orgânico do bolsonarismo no Rio e figura com trânsito direto no Palácio Guanabara. Dois meses depois, o ex-deputado teria tomado uma decisão que pode redesenhar o mapa de poder do estado: colaborar com a Polícia Federal.

A acusação que o mantém preso é grave. Bacellar é investigado por integrar organização criminosa e por vazar informações sigilosas sobre operações da PF, o que teria beneficiado o ex-deputado estadual TH Joias, permitindo que ele ocultasse provas antes de uma apreensão. A Procuradoria-Geral da República chegou a denunciá-los ao Supremo Tribunal Federal por obstrução de investigação, segundo apuração da Fórum.

Diante desse quadro, a delação premiada é, na prática, a única saída disponível. Bacellar atuou como advogado antes de entrar na política e conhece de perto o peso que uma colaboração pode ter sobre uma investigação criminal.

O isolamento político reforça a urgência da decisão. O ex-presidente da Alerj perdeu o mandato, perdeu a liberdade e, com as investigações avançando sobre seu entorno, perdeu também os aliados que poderiam articular sua defesa nos corredores do poder. Um esboço da delação já teria sido submetido a uma avaliação preliminar pelas autoridades policiais, mas não há confirmação oficial de qualquer instância judicial ou do Ministério Público sobre o andamento formal do acordo.

<><> O que a delação promete revelar

O conteúdo que Bacellar estaria disposto a entregar à PF vai além de relatos pessoais: o ex-deputado promete detalhar esquemas que teriam operado dentro das secretarias de Educação e de Fazenda durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ). A estrutura da colaboração incluiria anexos específicos sobre a origem dos recursos utilizados no pagamento de mesadas a parlamentares ligados ao seu grupo na Alerj, o que, se confirmado, atingiria diretamente deputados ainda em exercício.

O ex-secretário de Governo André Moura aparece como personagem central na articulação política descrita na delação, segundo fontes da política fluminense. Moura teve trânsito relevante no Palácio Guanabara e na costura de apoios parlamentares ao governo Castro, o que torna seu nome um dos mais sensíveis no material que Bacellar teria preparado. A implicação direta de um operador político dessa envergadura daria à delação um alcance que vai da Alerj ao Executivo estadual.

Quanto aos valores, os bastidores falam em ressarcimento estimado em R$ 300 milhões aos cofres públicos, mas ainda não há acordo fechado sobre esse montante. A cifra, atribuída não foi confirmada oficialmente por nenhuma das partes envolvidas nas negociações. O potencial da delação, contudo, já é reconhecido: caso o acordo avance e seja homologado, ele tem potencial para provocar um efeito dominó na política do Rio de Janeiro.

<><> A teia de conexões

As investigações que cercam Bacellar não existem no vácuo: elas fazem parte de uma teia mais ampla que, segundo a PF, conecta o Palácio Guanabara ao crime organizado. Em apenas 11 dias, a Polícia Federal realizou duas operações contra o ex-governador Cláudio Castro, vinculando-o ao caso Refit e ao escândalo do Banco Master.

Nas buscas realizadas na cobertura de luxo onde Castro reside, avaliada em mais de R$ 5 milhões, agentes apreenderam cinco telefones celulares cujo conteúdo pode expor de vez a rede de relações entre o grupo político do senador Flávio Bolsonaro e lideranças do Comando Vermelho, especialmente no fornecimento de fuzis AK-47 e AR-15 vindos dos Estados Unidos.

A cobertura onde Castro mora pertence formalmente à empresa J3 Real Estate, cujo sócio é o advogado José Mauro de Farias Junior. O imóvel foi adquirido em junho de 2023 por R$ 3,5 milhões, pagos à vista. Mauro chefiou a Secretaria de Transformação Digital do governo Castro entre 2022 e 2024, pasta que empenhou R$ 216 milhões em seu primeiro ano completo de funcionamento.

Ele também foi próximo de Bacellar, e seu irmão Rafael Thompson de Farias atuou como braço-direito do ex-presidente da Alerj no governo estadual. A relação entre os dois se deteriorou, mas os vínculos documentados tornam Mauro uma peça relevante na investigação sobre contratos públicos e lavagem de dinheiro.

A PF também investiga o empresário Ricardo Magro, suspeito de ter utilizado ao menos 15 offshores registradas em Delaware, nos Estados Unidos, para lavar dinheiro e enviar fuzis em contêineres destinados ao tráfico no Rio de Janeiro. É nesse ponto que as investigações brasileiras encontram um obstáculo externo de peso.

<><> O impacto no bolsonarismo

Flávio Bolsonaro construiu sua pré-candidatura à Presidência sobre um discurso de combate ao crime organizado. O problema é que o passado não colabora com a narrativa. O senador tentou articular o nome de Bacellar para a disputa pelo governo do Rio em 2026: o acordo previa que Jair Bolsonaro apoiasse o candidato do União Brasil ao Palácio Guanabara em troca de espaço para o PL na composição eleitoral. Bacellar teve o mandato cassado e foi preso antes de qualquer candidatura.

O histórico de Flávio com figuras ligadas ao crime organizado é documentado por investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro. Quando era deputado estadual, ele entregou a Medalha Tiradentes a Adriano da Nóbrega, ex-policial apontado pelo MP como integrante da milícia de Rio das Pedras e do grupo de extermínio Escritório do Crime, que havia recebido visita de Flávio e de Jair Bolsonaro na prisão em 2005. A esposa de Adriano, Danielle Mendonça da Costa Nóbrega, trabalhou no gabinete de Flávio entre 2007 e 2018 e, segundo o MP-RJ, estava envolvida no esquema de rachadinhas. Adriano foi morto em operação policial na Bahia em fevereiro de 2020, após mais de um ano foragido.

Diante das investigações atuais, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que “a família Bolsonaro e Flávio Bolsonaro não compactuam com facções ou grupos armados e criminosos”, acusando o governo Lula de “lobby nos Estados Unidos a favor de facções narcoterroristas”, segundo nota. A declaração não apresenta elementos que respondam às conexões documentadas. Ao mesmo tempo, o senador celebrou publicamente a decisão do governo Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, usando a medida como trunfo eleitoral.

<><> O cenário de incertezas

A mesma decisão de Trump que Flávio Bolsonaro comemorou pode, paradoxalmente, criar um escudo jurídico involuntário para seus aliados investigados. Especialistas no combate às facções criminosas, como o promotor Lincoln Gakyia, do Ministério Público de São Paulo, e Mário Sarrubo, ex-secretário Nacional de Segurança Pública, alertam que a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas retira o tema da esfera do DEA e do FBI, que mantinham acordos de colaboração com a PF, e o transfere para a alçada dos militares e da CIA, subordinados diretamente à Casa Branca. Na prática, qualquer informação compartilhada com autoridades americanas sobre essas facções passa agora pelo filtro político de Trump, que decidirá se haverá ou não cooperação.

O impacto direto recai sobre a investigação das offshores em Delaware ligadas ao empresário Ricardo Magro. A apuração sobre lavagem de dinheiro e tráfico internacional de armas depende de dados que estão sob jurisdição americana, e a nova configuração política em Washington pode travar esse fluxo de informações de forma indefinida.

No plano interno, a delação de Bacellar segue sem confirmação oficial de homologação pela Justiça ou pelo Ministério Público. O que existe, por ora, é um esboço em avaliação preliminar e uma movimentação de bastidores que já é suficiente para provocar apreensão em boa parte da classe política fluminense. Se o acordo avançar, o alcance das informações, segundo fontes do Diário do Rio, pode atingir “parte expressiva” dos parlamentares do estado. É esse potencial, ainda não confirmado em juízo, que transforma a negociação de Bacellar em um dos movimentos mais vigiados da política do Rio de Janeiro neste momento.

•        Quaest aponta desgaste de Flávio Bolsonaro após tarifaço de Trump

A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros pode ter provocado reflexos além da economia e chegado ao cenário eleitoral de 2026. É o que a nova pesquisa Genial/Quaest, com divulgação prevista para a próxima quarta-feira (10), deve ajudar a esclarecer ao medir tanto as intenções de voto para a Presidência quanto a percepção dos brasileiros sobre a escalada das tensões entre Brasília e Washington.

O levantamento será o primeiro realizado após o anúncio do possível tarifaço norte-americano e também depois da viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Casa Branca, episódio que ampliou o debate político em torno das relações entre os dois países. A expectativa é saber se a crise internacional teve algum efeito sobre a avaliação dos principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto.

<><> Lula x Flávio

Entre os pontos mais aguardados está a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontaram crescimento da vantagem de Lula após a repercussão da crise envolvendo o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Agora, a Quaest poderá indicar se esse movimento se consolidou ou se houve recuperação da candidatura do parlamentar.

Outro foco de atenção será o comportamento do eleitorado de centro. Levantamentos recentes sugeriram que parte do desgaste de Flávio Bolsonaro ocorreu justamente entre os eleitores moderados e menos identificados com os polos ideológicos. Os recortes detalhados da Quaest poderão mostrar se essa tendência persiste ou se houve mudança de direção.

<><> Alternativas

A pesquisa também deverá fornecer pistas sobre a possibilidade de surgimento de alternativas à polarização entre lulismo e bolsonarismo. Nomes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema continuam distantes dos líderes nas sondagens nacionais, mas os recentes episódios políticos reacenderam discussões sobre o espaço para uma terceira via no campo conservador.

Além dos cenários eleitorais, o instituto pretende avaliar a opinião dos entrevistados sobre temas que ganharam destaque nos últimos dias, especialmente os possíveis impactos econômicos e políticos da sobretaxa anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026, a pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. O levantamento foi contratado pelo Banco Genial, possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Os resultados serão divulgados em 10 de junho.

•        “Morte digital” de Bolsonaro vira dado: ex-presidente perde mais de 100 mil seguidores por mês nas redes sociais

Jair Bolsonaro (PL) perdeu cerca de 800 mil seguidores nas redes sociais desde novembro. A soma dos perfis públicos do ex-presidente no Instagram, X, Facebook, YouTube e TikTok caiu de 68,5 milhões para 67,7 milhões. A perda média supera 100 mil seguidores por mês.

O dado dá peso concreto à expressão “morte digital”, usada por aliados para descrever o isolamento de Bolsonaro nas plataformas. O ex-presidente segue impedido de usar redes sociais, direta ou indiretamente, por decisão do STF.

A queda atinge o ponto mais sensível do bolsonarismo. Bolsonaro construiu sua força política com comunicação direta, mobilização permanente e ataque constante a adversários nas redes. Sem acesso aos próprios perfis, perdeu o principal canal de comando sobre a militância digital.

<><> Bolsonaro perde seguidores no centro da máquina digital

O movimento mostra uma virada. Mesmo depois da restrição judicial, os perfis de Bolsonaro ainda mantinham algum crescimento residual, puxado por publicações antigas e pela atuação de apoiadores. Agora, a curva mudou de direção.

A perda de seguidores indica redução de alcance, menor capacidade de mobilização e desgaste no ambiente em que Bolsonaro sempre operou com mais força. Para o bolsonarismo, as redes não foram apenas vitrine. Foram método de pressão política.

A decisão do Supremo mira justamente esse uso. A Corte deixou claro que Bolsonaro não foi impedido de falar em público, conceder entrevistas ou fazer discursos. O bloqueio recai sobre a tentativa de transformar falas em conteúdo para redes sociais por meio de aliados e apoiadores.

<><> STF corta o atalho digital de Bolsonaro

Sem poder publicar diretamente, Bolsonaro passou a depender dos filhos, de parlamentares e de influenciadores para continuar circulando nas plataformas. A substituição, porém, não tem o mesmo efeito. O comando direto desaparece. A audiência sente.

O desgaste digital ocorre no mesmo período em que o ex-presidente enfrenta as consequências da trama golpista. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.

A condenação reforçou o isolamento político do ex-presidente. A perda de seguidores mostra que esse isolamento também chegou ao território onde Bolsonaro sustentou parte decisiva de sua liderança.

<><> “Morte digital” deixa de ser só discurso

A expressão “morte digital” ganhou força entre bolsonaristas porque resume a perda de presença direta de Bolsonaro nas redes. Agora, o termo aparece acompanhado de um número: 800 mil seguidores a menos desde novembro.

A família Bolsonaro tenta manter o ex-presidente ativo no debate público com publicações e mensagens de apoio. Mas a operação terceirizada não reproduz a força das postagens feitas pelo próprio Bolsonaro.

O bolsonarismo continua presente nas plataformas, mas seu principal líder perdeu o controle do próprio centro de distribuição. Com os perfis parados, a condenação no STF e a audiência em queda, Bolsonaro vê a “morte digital” deixar de ser retórica e virar dado nas redes.

 

Fonte: Fórum

 

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