Efeito
dominó: possível acordo de delação de Bacellar em investigações sobre o CV
ameaça Flávio Bolsonaro
ex-presidente
da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar
(União-RJ), iniciou negociações para uma colaboração premiada com a Polícia
Federal. Preso há pouco mais de dois meses sob acusação de integrar organização
criminosa e vazar informações sigilosas para o Comando Vermelho, Bacellar teria
preparado um esboço de delação que detalha esquemas financeiros na gestão
Cláudio Castro (PL) e o repasse de recursos a parlamentares aliados na Alerj. A
movimentação, ainda sem homologação judicial confirmada, já provoca apreensão
nos bastidores da política fluminense e acende um alerta direto no campo
bolsonarista do estado.
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O movimento de Bacellar
Rodrigo
Bacellar chegou à prisão como um dos nomes mais influentes da política
fluminense: ex-presidente da Alerj, aliado orgânico do bolsonarismo no Rio e
figura com trânsito direto no Palácio Guanabara. Dois meses depois, o
ex-deputado teria tomado uma decisão que pode redesenhar o mapa de poder do
estado: colaborar com a Polícia Federal.
A
acusação que o mantém preso é grave. Bacellar é investigado por integrar
organização criminosa e por vazar informações sigilosas sobre operações da PF,
o que teria beneficiado o ex-deputado estadual TH Joias, permitindo que ele
ocultasse provas antes de uma apreensão. A Procuradoria-Geral da República
chegou a denunciá-los ao Supremo Tribunal Federal por obstrução de
investigação, segundo apuração da Fórum.
Diante
desse quadro, a delação premiada é, na prática, a única saída disponível.
Bacellar atuou como advogado antes de entrar na política e conhece de perto o
peso que uma colaboração pode ter sobre uma investigação criminal.
O
isolamento político reforça a urgência da decisão. O ex-presidente da Alerj
perdeu o mandato, perdeu a liberdade e, com as investigações avançando sobre
seu entorno, perdeu também os aliados que poderiam articular sua defesa nos
corredores do poder. Um esboço da delação já teria sido submetido a uma
avaliação preliminar pelas autoridades policiais, mas não há confirmação
oficial de qualquer instância judicial ou do Ministério Público sobre o
andamento formal do acordo.
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O que a delação promete revelar
O
conteúdo que Bacellar estaria disposto a entregar à PF vai além de relatos
pessoais: o ex-deputado promete detalhar esquemas que teriam operado dentro das
secretarias de Educação e de Fazenda durante a gestão do ex-governador Cláudio
Castro (PL-RJ). A estrutura da colaboração incluiria anexos específicos sobre a
origem dos recursos utilizados no pagamento de mesadas a parlamentares ligados
ao seu grupo na Alerj, o que, se confirmado, atingiria diretamente deputados
ainda em exercício.
O
ex-secretário de Governo André Moura aparece como personagem central na
articulação política descrita na delação, segundo fontes da política
fluminense. Moura teve trânsito relevante no Palácio Guanabara e na costura de
apoios parlamentares ao governo Castro, o que torna seu nome um dos mais
sensíveis no material que Bacellar teria preparado. A implicação direta de um
operador político dessa envergadura daria à delação um alcance que vai da Alerj
ao Executivo estadual.
Quanto
aos valores, os bastidores falam em ressarcimento estimado em R$ 300 milhões
aos cofres públicos, mas ainda não há acordo fechado sobre esse montante. A
cifra, atribuída não foi confirmada oficialmente por nenhuma das partes
envolvidas nas negociações. O potencial da delação, contudo, já é reconhecido:
caso o acordo avance e seja homologado, ele tem potencial para provocar um
efeito dominó na política do Rio de Janeiro.
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A teia de conexões
As
investigações que cercam Bacellar não existem no vácuo: elas fazem parte de uma
teia mais ampla que, segundo a PF, conecta o Palácio Guanabara ao crime
organizado. Em apenas 11 dias, a Polícia Federal realizou duas operações contra
o ex-governador Cláudio Castro, vinculando-o ao caso Refit e ao escândalo do
Banco Master.
Nas
buscas realizadas na cobertura de luxo onde Castro reside, avaliada em mais de
R$ 5 milhões, agentes apreenderam cinco telefones celulares cujo conteúdo pode
expor de vez a rede de relações entre o grupo político do senador Flávio
Bolsonaro e lideranças do Comando Vermelho, especialmente no fornecimento de
fuzis AK-47 e AR-15 vindos dos Estados Unidos.
A
cobertura onde Castro mora pertence formalmente à empresa J3 Real Estate, cujo
sócio é o advogado José Mauro de Farias Junior. O imóvel foi adquirido em junho
de 2023 por R$ 3,5 milhões, pagos à vista. Mauro chefiou a Secretaria de
Transformação Digital do governo Castro entre 2022 e 2024, pasta que empenhou
R$ 216 milhões em seu primeiro ano completo de funcionamento.
Ele
também foi próximo de Bacellar, e seu irmão Rafael Thompson de Farias atuou
como braço-direito do ex-presidente da Alerj no governo estadual. A relação
entre os dois se deteriorou, mas os vínculos documentados tornam Mauro uma peça
relevante na investigação sobre contratos públicos e lavagem de dinheiro.
A PF
também investiga o empresário Ricardo Magro, suspeito de ter utilizado ao menos
15 offshores registradas em Delaware, nos Estados Unidos, para lavar dinheiro e
enviar fuzis em contêineres destinados ao tráfico no Rio de Janeiro. É nesse
ponto que as investigações brasileiras encontram um obstáculo externo de peso.
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O impacto no bolsonarismo
Flávio
Bolsonaro construiu sua pré-candidatura à Presidência sobre um discurso de
combate ao crime organizado. O problema é que o passado não colabora com a
narrativa. O senador tentou articular o nome de Bacellar para a disputa pelo
governo do Rio em 2026: o acordo previa que Jair Bolsonaro apoiasse o candidato
do União Brasil ao Palácio Guanabara em troca de espaço para o PL na composição
eleitoral. Bacellar teve o mandato cassado e foi preso antes de qualquer
candidatura.
O
histórico de Flávio com figuras ligadas ao crime organizado é documentado por
investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro. Quando era deputado
estadual, ele entregou a Medalha Tiradentes a Adriano da Nóbrega, ex-policial
apontado pelo MP como integrante da milícia de Rio das Pedras e do grupo de
extermínio Escritório do Crime, que havia recebido visita de Flávio e de Jair
Bolsonaro na prisão em 2005. A esposa de Adriano, Danielle Mendonça da Costa
Nóbrega, trabalhou no gabinete de Flávio entre 2007 e 2018 e, segundo o MP-RJ,
estava envolvida no esquema de rachadinhas. Adriano foi morto em operação
policial na Bahia em fevereiro de 2020, após mais de um ano foragido.
Diante
das investigações atuais, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que “a
família Bolsonaro e Flávio Bolsonaro não compactuam com facções ou grupos
armados e criminosos”, acusando o governo Lula de “lobby nos Estados Unidos a
favor de facções narcoterroristas”, segundo nota. A declaração não apresenta
elementos que respondam às conexões documentadas. Ao mesmo tempo, o senador
celebrou publicamente a decisão do governo Donald Trump de classificar o PCC e
o Comando Vermelho como organizações terroristas, usando a medida como trunfo
eleitoral.
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O cenário de incertezas
A mesma
decisão de Trump que Flávio Bolsonaro comemorou pode, paradoxalmente, criar um
escudo jurídico involuntário para seus aliados investigados. Especialistas no
combate às facções criminosas, como o promotor Lincoln Gakyia, do Ministério
Público de São Paulo, e Mário Sarrubo, ex-secretário Nacional de Segurança
Pública, alertam que a classificação do Comando Vermelho e do PCC como
organizações terroristas retira o tema da esfera do DEA e do FBI, que mantinham
acordos de colaboração com a PF, e o transfere para a alçada dos militares e da
CIA, subordinados diretamente à Casa Branca. Na prática, qualquer informação
compartilhada com autoridades americanas sobre essas facções passa agora pelo
filtro político de Trump, que decidirá se haverá ou não cooperação.
O
impacto direto recai sobre a investigação das offshores em Delaware ligadas ao
empresário Ricardo Magro. A apuração sobre lavagem de dinheiro e tráfico
internacional de armas depende de dados que estão sob jurisdição americana, e a
nova configuração política em Washington pode travar esse fluxo de informações
de forma indefinida.
No
plano interno, a delação de Bacellar segue sem confirmação oficial de
homologação pela Justiça ou pelo Ministério Público. O que existe, por ora, é
um esboço em avaliação preliminar e uma movimentação de bastidores que já é
suficiente para provocar apreensão em boa parte da classe política fluminense.
Se o acordo avançar, o alcance das informações, segundo fontes do Diário do
Rio, pode atingir “parte expressiva” dos parlamentares do estado. É esse
potencial, ainda não confirmado em juízo, que transforma a negociação de
Bacellar em um dos movimentos mais vigiados da política do Rio de Janeiro neste
momento.
• Quaest aponta desgaste de Flávio
Bolsonaro após tarifaço de Trump
A
ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor novas tarifas
sobre produtos brasileiros pode ter provocado reflexos além da economia e
chegado ao cenário eleitoral de 2026. É o que a nova pesquisa Genial/Quaest,
com divulgação prevista para a próxima quarta-feira (10), deve ajudar a
esclarecer ao medir tanto as intenções de voto para a Presidência quanto a
percepção dos brasileiros sobre a escalada das tensões entre Brasília e
Washington.
O
levantamento será o primeiro realizado após o anúncio do possível tarifaço
norte-americano e também depois da viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) à
Casa Branca, episódio que ampliou o debate político em torno das relações entre
os dois países. A expectativa é saber se a crise internacional teve algum
efeito sobre a avaliação dos principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto.
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Lula x Flávio
Entre
os pontos mais aguardados está a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva e Flávio Bolsonaro. Pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontaram
crescimento da vantagem de Lula após a repercussão da crise envolvendo o
senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Agora, a Quaest poderá indicar se esse
movimento se consolidou ou se houve recuperação da candidatura do parlamentar.
Outro
foco de atenção será o comportamento do eleitorado de centro. Levantamentos
recentes sugeriram que parte do desgaste de Flávio Bolsonaro ocorreu justamente
entre os eleitores moderados e menos identificados com os polos ideológicos. Os
recortes detalhados da Quaest poderão mostrar se essa tendência persiste ou se
houve mudança de direção.
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Alternativas
A
pesquisa também deverá fornecer pistas sobre a possibilidade de surgimento de
alternativas à polarização entre lulismo e bolsonarismo. Nomes como Ronaldo
Caiado e Romeu Zema continuam distantes dos líderes nas sondagens nacionais,
mas os recentes episódios políticos reacenderam discussões sobre o espaço para
uma terceira via no campo conservador.
Além
dos cenários eleitorais, o instituto pretende avaliar a opinião dos
entrevistados sobre temas que ganharam destaque nos últimos dias, especialmente
os possíveis impactos econômicos e políticos da sobretaxa anunciada pelos
Estados Unidos contra produtos brasileiros.
Registrada
no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026, a pesquisa
Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de
junho. O levantamento foi contratado pelo Banco Genial, possui margem de erro
de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
Os resultados serão divulgados em 10 de junho.
• “Morte digital” de Bolsonaro vira dado:
ex-presidente perde mais de 100 mil seguidores por mês nas redes sociais
Jair
Bolsonaro (PL) perdeu cerca de 800 mil seguidores nas redes sociais desde
novembro. A soma dos perfis públicos do ex-presidente no Instagram, X,
Facebook, YouTube e TikTok caiu de 68,5 milhões para 67,7 milhões. A perda
média supera 100 mil seguidores por mês.
O dado
dá peso concreto à expressão “morte digital”, usada por aliados para descrever
o isolamento de Bolsonaro nas plataformas. O ex-presidente segue impedido de
usar redes sociais, direta ou indiretamente, por decisão do STF.
A queda
atinge o ponto mais sensível do bolsonarismo. Bolsonaro construiu sua força
política com comunicação direta, mobilização permanente e ataque constante a
adversários nas redes. Sem acesso aos próprios perfis, perdeu o principal canal
de comando sobre a militância digital.
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Bolsonaro perde seguidores no centro da máquina digital
O
movimento mostra uma virada. Mesmo depois da restrição judicial, os perfis de
Bolsonaro ainda mantinham algum crescimento residual, puxado por publicações
antigas e pela atuação de apoiadores. Agora, a curva mudou de direção.
A perda
de seguidores indica redução de alcance, menor capacidade de mobilização e
desgaste no ambiente em que Bolsonaro sempre operou com mais força. Para o
bolsonarismo, as redes não foram apenas vitrine. Foram método de pressão
política.
A
decisão do Supremo mira justamente esse uso. A Corte deixou claro que Bolsonaro
não foi impedido de falar em público, conceder entrevistas ou fazer discursos.
O bloqueio recai sobre a tentativa de transformar falas em conteúdo para redes
sociais por meio de aliados e apoiadores.
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STF corta o atalho digital de Bolsonaro
Sem
poder publicar diretamente, Bolsonaro passou a depender dos filhos, de
parlamentares e de influenciadores para continuar circulando nas plataformas. A
substituição, porém, não tem o mesmo efeito. O comando direto desaparece. A
audiência sente.
O
desgaste digital ocorre no mesmo período em que o ex-presidente enfrenta as
consequências da trama golpista. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses
de prisão por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.
A
condenação reforçou o isolamento político do ex-presidente. A perda de
seguidores mostra que esse isolamento também chegou ao território onde
Bolsonaro sustentou parte decisiva de sua liderança.
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“Morte digital” deixa de ser só discurso
A
expressão “morte digital” ganhou força entre bolsonaristas porque resume a
perda de presença direta de Bolsonaro nas redes. Agora, o termo aparece
acompanhado de um número: 800 mil seguidores a menos desde novembro.
A
família Bolsonaro tenta manter o ex-presidente ativo no debate público com
publicações e mensagens de apoio. Mas a operação terceirizada não reproduz a
força das postagens feitas pelo próprio Bolsonaro.
O
bolsonarismo continua presente nas plataformas, mas seu principal líder perdeu
o controle do próprio centro de distribuição. Com os perfis parados, a
condenação no STF e a audiência em queda, Bolsonaro vê a “morte digital” deixar
de ser retórica e virar dado nas redes.
Fonte:
Fórum

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