Maurici
de Morais: Mais uma vez, os pretensos patriotas apunhalam o Brasil
Aqueles
que se apresentam como patriotas são os que apunhalam o Brasil pelas costas. E
o fazem sem remorso, movidos pelos próprios interesses. Ou alguém já se
esqueceu de quando Eduardo Bolsonaro articulou junto ao governo dos Estados
Unidos o tarifaço, que impôs taxas draconianas à importação de produtos
brasileiros, colocando em risco a indústria nacional e os milhares de empregos
que dela dependem? Na ocasião, sequer tiveram o trabalho de esconder a
verdadeira motivação: chantagear a Justiça brasileira para reverter a
condenação de Jair Bolsonaro por liderar a tentativa de golpe de 8 de janeiro
de 2023.
Agora,
o roteiro se repete. Para desviar o foco de seu pedido de milhões de reais a
Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro foi aos Estados Unidos atrás de uma nova
intervenção de Donald Trump: a classificação como organizações terroristas das
facções criminosas que atuam no Brasil. A iniciativa surge em meio ao escândalo
das mensagens trocadas entre o senador e candidato à Presidência e o dono do
Banco Master, nas quais aparece um pedido de dinheiro para financiar um filme
sobre Jair Bolsonaro. Uma produção que, apesar do valor artístico questionável,
teve um orçamento superior ao de dois dos mais recentes sucessos do cinema
brasileiro indicados ao Oscar: “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”.
Não é
de hoje que a extrema direita se vale do diversionismo como estratégia para
desviar a atenção de um problema central, com discursos geralmente mais
polêmicos ou emocionais, dispersando as discussões e distraindo as pessoas com
uma cortina de fumaça. O problema é que a estratégia já está manjada e cola
cada vez menos. Afinal, é tanta sujeira que nem sempre dá para esconder debaixo
do tapete.
Para
além do discurso fácil, a classificação, pelos Estados Unidos, do PCC e do
Comando Vermelho como organizações terroristas atrapalha o combate efetivo às
facções criminosas e pode causar prejuízos econômicos ao Brasil, especialmente
nos setores financeiro e produtivo. Para compreender o que está em jogo, é
preciso conhecer os efeitos práticos da medida.
Companhias
nacionais podem ser alvo de sanções dos Estados Unidos caso, mesmo sem
conhecimento, prestem serviços utilizados por integrantes dessas facções.
Moradores de periferias que vivem em territórios controlados pelo crime
organizado podem enfrentar dificuldades para obter vistos, ainda que jamais
tenham cometido qualquer delito. O combate ao crime deixaria de atingir apenas
criminosos e passaria a afetar a vida cotidiana de milhares de brasileiros
inocentes.
Especialistas
alertam que a classificação pode reduzir a cooperação internacional.
Informações atualmente compartilhadas entre polícias passam a circular em
níveis de sigilo, controladas por agências de inteligência militarizadas,
limitando o acesso brasileiro. Na prática, isso enfraquece investigações e
reduz a capacidade nacional de enfrentar o próprio crime organizado.
O
terrorismo está ligado a motivações políticas, ideológicas, étnicas e raciais e
busca provocar medo, gerar repercussão simbólica e influenciar decisões de
governos e sociedades. As facções criminosas brasileiras atuam com uma lógica
diferente: seu objetivo é obter lucro por meio de atividades ilícitas. Por
isso, equiparar crime organizado e terrorismo não é apenas uma imprecisão
conceitual, mas um ato de má-fé, que mistura alhos com bugalhos.
É
evidente que o crime organizado precisa ser combatido com firmeza. O governo
brasileiro ampliou ações de inteligência, aprovou uma legislação antifacção e
aprofundou a cooperação internacional entre forças policiais. Há uma diferença
fundamental entre cooperação e submissão. Quando uma potência estrangeira passa
a enquadrar organizações criminosas brasileiras segundo seus próprios
interesses e critérios, cria-se um precedente perigoso de interferência
externa.
O
governo do presidente Lula reagiu rápido à decisão de Donald Trump ao dizer, em
alto e bom som, que “quem define como o crime é classificado e combatido dentro
do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de
segurança”. A preocupação não é infundada. O país possui riquezas estratégicas
que despertam crescente interesse internacional: minerais críticos, terras
raras, biodiversidade amazônica, água doce e recursos energéticos.
Em um
cenário global de disputa econômica e tecnológica, qualquer brecha para o
enfraquecimento da soberania nacional precisa ser observada com atenção. A
história mostra que intervenções externas raramente acontecem apenas por razões
humanitárias ou de segurança. Frequentemente, interesses econômicos e
geopolíticos caminham junto com os discursos oficiais.
Logo
após a articulação de Flávio Bolsonaro junto ao governo Trump para enquadrar
facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, os Estados Unidos
concluíram, ainda que de forma preliminar, a investigação da Seção 301 sobre
supostas práticas comerciais desleais do Brasil. O resultado foi mais um ataque
aos interesses nacionais: a imposição de tarifas de 25% sobre parte das
exportações brasileiras e uma nova ofensiva contra o Pix, uma pedra no sapato
dos interesses de gigantes estadunidenses como Visa e Mastercard.
O
secretário de Estado, Marco Rubio, que, descumprindo as obrigações impostas
pelo cargo que ocupa, não compareceu ao encontro entre Lula e Trump, deixou
muito claro qual é a questão ao declarar que não é “amigável” ao Brasil, assim
como a Cuba e à Venezuela.
O que a
extrema direita estadunidense deseja não é a amizade dos demais países do
continente americano, mas a sua completa submissão aos desígnios e interesses
da potência hegemônica, nos termos da antiga Doutrina Monroe, rebatizada de
Doutrina Donroe. Apesar das imensas diferenças existentes entre os três países,
Cuba, Venezuela e o Brasil, nos governos do PT, têm em comum a intransigente
defesa de sua soberania e a rejeição à vassalagem a quem quer que seja.
Mais
uma vez, a família Bolsonaro abre espaço para que uma potência estrangeira
pressione o Brasil em temas estratégicos. E ainda tenta travestir a submissão
em patriotismo. Agora, a extrema direita fará malabarismo para atribuir ao
presidente Lula a responsabilidade por essa sequência de novas interferências
dos Estados Unidos.
Porém,
segundo coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, um
levantamento feito pela AtivaWeb Datalab mostra que, das 15 milhões de
interações em redes sociais até a tarde de 2 de junho, 78% foram de “sentimento
negativo” contra Trump e a família Bolsonaro. A realidade é teimosa e o povo já
percebeu quem são os verdadeiros traidores da pátria.
<><>
Janones diz que autoridades dos EUA ficaram em choque com denúncias contra
Flávio Bolsonaro
O
deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou que autoridades dos Estados
Unidos ficaram “em choque” com denúncias contra o senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ), durante viagem de parlamentares da base do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) a Washington. Os relatos foram divulgados nesta segunda-feira (8)
pelo Metrópoles.
O
parlamentar da Rede entregou a autoridades estadunidenses informações sobre
supostas ligações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro,
controlador do Banco Master e alvo de investigações da Polícia Federal. A
comitiva pediu que o senador passe por investigação nos EUA.
Em
vídeo, Janones classificou a agenda em Washington como “extremamente positiva”
e afirmou que saiu das reuniões com expectativa de novos encaminhamentos.
“Saímos
daqui com um compromisso de procedimentos que serão instaurados e, muito em
breve, creio eu que antes do período eleitoral, vamos ter um resultado da
posição das autoridades americanas. O que eu posso resumir para vocês é: o
cerco está se fechando, a casa de Flávio Bolsonaro caiu”, declarou.
Janones
também afirmou que levou aos Estados Unidos suspeitas sobre o possível uso do
sistema financeiro norte-americano para lavagem de dinheiro. Segundo o
deputado, as autoridades dos EUA não conheciam a gravidade das acusações que
ele apresentou contra o senador.
“Eles
ficaram em choque, não tinham nenhuma noção da periculosidade desse bandido que
é o Flávio Bolsonaro, e a gente citou principalmente a ligação do Flávio com o
Vorcaro, mostrando que ele se utilizou do sistema financeiro americano para
lavar dinheiro”, afirmou Janones.
O
deputado mineiro também mencionou, durante a viagem, o assassinato da vereadora
Marielle Franco. Ele alegou existir vínculo entre Flávio Bolsonaro e o crime,
além de ligação da família Bolsonaro com milícias. A abertura de eventuais
investigações, até o momento, ainda não teve confirmação.
<><>
Comitiva buscou cooperação nos EUA
Além de
André Janones, participaram da viagem aos Estados Unidos os deputados Jandira
Feghali (PCdoB-RJ), Pedro Campos (PSB-PE) e Pedro Uczai (PT-SC).
Segundo
Janones, os parlamentares buscaram apoio de autoridades estadunidenses para
apurar a origem e o destino de recursos relacionados ao filme Dark Horse,
produção inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro (PL).
O
deputado também afirmou que pediu cooperação entre órgãos de investigação dos
dois países para analisar supostas movimentações financeiras envolvendo aliados
de Bolsonaro.
A
viagem ocorre em meio ao aumento da pressão política sobre aliados de Bolsonaro
no Brasil e no exterior. A comitiva governista tenta ampliar a apuração sobre
fluxos financeiros, possíveis conexões com o sistema bancário norte-americano e
recursos ligados à produção do filme.
<><>
Internautas não perdoam e ‘Flávio Bolsonaro ditador’ fica entre os assuntos
mais comentados nas redes
A
expressão “Flávio Bolsonaro ditador” ficou entre os assuntos mais comentados da
rede social X nesta segunda-feira (8), após críticas de internautas à decisão
do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu uma
pesquisa AtlasIntel
O
levantamento indicava queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato
à Presidência da República, e a suspensão provocou forte reação nas redes.
Usuários associaram o episódio a uma tentativa de conter a repercussão negativa
dos números divulgados pela AtlasIntel.
A
mobilização digital ganhou força ao longo do dia e colocou a expressão crítica
entre os temas de maior destaque da plataforma. As mensagens miraram tanto
Flávio Bolsonaro quanto a decisão judicial que barrou a pesquisa.
Segundo
um perfil citado no X, “após a decisão de Nunes Marques envolvendo a pesquisa
Atlas, o que era para ser uma vitória virou dor de cabeça. A repercussão
negativa nas redes teria acendido o sinal de alerta na campanha de TARIFLÁVIO,
Flávio Bolsonaro (PL)”.
A mesma
publicação afirmou que a equipe do pré-candidato acompanha os efeitos políticos
do caso. “Nos bastidores, o clima seria de preocupação com os desdobramentos do
caso. O episódio vem sendo amplamente comentado e monitorado pela equipe do
candidato”, acrescentou.
Outro
usuário compartilhou a pesquisa e associou a suspensão à atuação do senador e
do ministro. “Essa é a pesquisa da Atlas que TARIFLÁVIO e Nunes Marques
censuraram!”, escreveu.
As
críticas também incluíram cobranças por responsabilização política e
institucional. “A justiça tem que ser feita. Basta de fisiologismo”, publicou
mais um perfil na rede social X.
¨ Lindbergh denuncia
crimes de Eduardo Bolsonaro e diz que o Brasil não será entregue a
"traidores"
O
deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) denunciou nesta segunda-feira (8),
pela rede social X, ações atribuídas ao ex-deputado federal cassado Eduardo
Bolsonaro (PL-SP) e afirmou que o Brasil não será entregue a
"traidores", em referência às articulações do ex-parlamentar nos
Estados Unidos contra o país sul-americano.
"Se
Eduardo Bolsonaro hoje está no banco dos réus por coação no curso do processo,
por atentado à nossa soberania, tentativa de intimidação, tarifas, Lei
Magnitsky, pedidos de intervenção militar dos EUA contra o Brasil, tudo isso
foi por conta de um trabalho incansável que fizemos", escreveu Lindbergh.
O
ex-parlamentar da extrema direita mora nos Estados Unidos desde o começo do ano
passado e será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a partir de 16 de
junho, no processo sobre coação judicial. A apuração envolve acusações de
tentativa de interferência em investigações sobre a trama golpista que levou à
condenação de Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão.
O
petista afirmou que lideranças e eleitores do campo progressista denunciaram as
ações de Eduardo Bolsonaro e de aliados no exterior. Segundo Lindbergh, essas
iniciativas buscavam garantir impunidade a Jair Bolsonaro, condenado no
inquérito sobre tentativa de golpe de Estado.
"Nós
não vamos entregar o Brasil a esses traidores que continuam agindo contra o
nosso país e o povo brasileiro. A resposta será na Justiça, mas também virá das
urnas. O povo brasileiro não vai seguir o caminho da traição!",
acrescentou.
Lindbergh
também afirmou que momentos de crise institucional exigem reação política.
"Existem momentos em que é preciso agir com firmeza, pegar a história
pelas mãos e transformá-la."
<><>
Contexto das acusações
Eduardo
Bolsonaro, deputado cassado pelo PL de São Paulo, mantém articulações junto ao
governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de
estimular sanções contra o Brasil por causa de condenações em inquéritos sobre
tentativas de golpe.
O STF
julgará o ex-parlamentar após acusações ligadas à tentativa de interferência no
caso da trama golpista. Ao todo, ao final do inquérito da trama golpista, a
Corte condenou 29 pessoas, incluindo Jair Bolsonaro, que recebeu pena de 27
anos e três meses de prisão.
A
investigação sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 resultou em mais
de 1,4 mil condenações no STF. Esse conjunto de decisões ampliou a pressão de
aliados bolsonaristas sobre instituições brasileiras e autoridades do
Judiciário.
<><>
Tarifaço, Pix e soberania nacional
As
articulações entre bolsonaristas e o governo Donald Trump ganharam novo peso
após a gestão estadunidense anunciar, na semana passada, a intenção de aplicar
um tarifaço de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para os
Estados Unidos.
O
governo trumpista também criticou o Pix e acusou o Brasil, sem apresentar
provas, de adotar práticas desleais no comércio global. Para políticos do campo
progressista, essas medidas fazem parte de uma ofensiva contra a soberania
nacional brasileira.
Lindbergh
enquadra o caso como uma disputa política e institucional. Para o deputado, a
tentativa de buscar apoio externo contra decisões do Judiciário brasileiro
representa uma continuidade dos ataques à democracia e aos interesses
nacionais.
Fonte:
Brasil 247

Nenhum comentário:
Postar um comentário