quarta-feira, 10 de junho de 2026

Daniel Vorcaro queria blindar Flávio Bolsonaro e Dark Horse em novo acordo de delação

No novo acordo de delação premiada que será entregue à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), Daniel Vorcaro tenta blindar Flávio Bolsonaro (PL) ao citar o “patrocínio” ao filme Dark Horse, uma narrativa da ultradireita sobre Jair Bolsonaro. A proposta ampliada, após a recusa da primeira versão, deve ser negociada nesta semana e, ao que tudo indica, deve ser novamente rejeitada por contrariar fatos e provas já obtidas pelos investigadores.

Após esconder até mesmo a relação com o grupo político ligado ao ex-presidente, Vorcaro incluiu na nova proposta a relação íntima com nomes como Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil e presidente de fato da era Bolsonaro, e explicações sobre os cerca de 24 milhões de dólares – dos quais 10 milhões de dólares teriam sido transferidos para o fundo Havengate – que seriam destinados à cinebiografia do ex-presidente, produzida pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

No entanto, segundo informações de Igor Gadelha, no site Metrópoles, Vorcaro anteciparia no acordo de delação que não haveria irregularidades no patrocínio de Dark Horse, o que contraria fatos e provas já obtidas pela PF.

Vorcaro teria descrito que o patrocínio prometido ao “irmão” Flávio Bolsonaro” não envolveria contrapartidas e seria uma questão privada, o que confronta com as investigações sobre os dutos de dinheiro público transferidos ao Master por governos bolsonaristas, como de Cláudio Castro (PL-RJ) e Ibaneis Rocha (MDB-DF), além do esquema de fraudes em empréstimos consignados via Credcesta.

Vorcaro teria decidido incluir Dark Horse na delação após a revelação do áudio em que Flávio Bolsonaro o cobra sobre parte do dinheiro que não havia sido transferido ao fundo, que supostamente operava a gestão financeiro do filme. A troca de mensagens ocorreu às vésperas da primeira prisão do banqueiro, em novembro. Já com Vorcaro com tonozeleira eletrônica, Flávio visitou o amigo um dia antes de anunciar sua pré-candidatura à Presidência.

<><> R$ 60 bilhões

Vorcaro ainda teria prometido ressarcir os cofres públicos em um valor que varia entre R$ 40 e R$ 60 bilhões. No entanto, a dúvida dos investigadores é de onde o banqueiro do liquidado Master vai tirar o montante. O valor é próximo aos R$ 40 bi que o Fundo Garantidor de Crédito (FCG) teve que dispor para reembolsar investidores que compraram até R$ 250 mil em títulos podres negociados pelo banco.

No acordo, Vorcaro teria se comprometido a ressarcir fundos públicos da Previdência, como o RioPrevidência, que aportou R$ 3 bilhões no Master.

Durante as tratativas, a proposta em discussão prevê que a restituição dos valores considerados irregulares a fundos estaduais e municipais de aposentadoria seja um dos principais pontos na definição da multa a ser aplicada ao banqueiro.

Na semana passada, a Polícia Federal apontou uma coincidência temporal entre os investimentos bilionários realizados pelo fundo fluminense e encontros mantidos por Vorcaro com o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que também é alvo das apurações.

As investigações, no entanto, não se limitam ao estado do Rio de Janeiro. O Ministério da Previdência Social identificou ao menos 18 fundos previdenciários estaduais e municipais com aplicações no Banco Master.

Além do Rioprevidência, a lista inclui os fundos estaduais do Amapá, que investiu cerca de R$ 400 milhões, e do Amazonas, com aproximadamente R$ 50 milhões aplicados. Também aparecem entre os investidores fundos municipais de cidades localizadas nos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Alagoas e Pernambuco.

De acordo com os levantamentos iniciais, os investimentos realizados por entidades previdenciárias além do fundo fluminense ultrapassam R$ 1 bilhão.

•        Mario Frias celebra blindagem de Vorcaro a Flávio Bolsonaro e Dark Horse em nova tentativa de delação

Com paradeiro incerto e não sabido, o deputado Mário Frias (PL-SP) celebrou a tentativa de blindagem de Flávio Bolsonaro (PL) e do filme Dark Horse na segunda tentativa de Daniel Vorcaro de firmar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

A segunda versão do acordo deve ser entregue até sexta-feira (12) pelos advogados do banqueiro, que incluiu o “patrocínio” a Dark Horse após a revelação do áudio em que é cobrado por Flávio Bolsonaro do pagamento de parte dos 24 milhões de dólares prometidos pelo clã.

A troca de mensagens ocorreu às vésperas da primeira prisão de Vorcaro, em novembro. Dias depois, quando o dono do Master usava tornozeleira eletrônica e era monitorado pela PF, Flávio Bolsonaro o visitou na mansão onde mora em São Paulo.

Segundo informações de Igor Gadelha, no site Metrópoles, Vorcaro deve confirmar o patrocínio no acordo de delação, mas deve alegar que não haveria irregularidades, o que contraria fatos e provas já obtidas pela PF.

O banqueiro pretende descrever que o patrocínio prometido ao “irmão” Flávio Bolsonaro” não envolveria contrapartidas e seria uma questão privada, o que confronta com as investigações sobre os dutos de dinheiro público transferidos ao Master por governos bolsonaristas, como de Cláudio Castro (PL-RJ) e Ibaneis Rocha (MDB-DF), além do esquema de fraudes em empréstimos consignados via Credcesta.

<><> Celebração

Nas redes, o deputado Mario Frias, produtor-executivo do filme ao lado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), compartilhou diversas publicações sobre o tema, celebrando a blindagem ao filme e à Flávio Bolsonaro.

“Nova delação de Vorcaro é um balde de água fria na sordidez da esquerda sobre Dark Horse”, diz uma das publicações, compartilhada de um site do ecossistema bolsonarista.

Carlos Bolsonaro (PL-RJ) também celebrou a proposta de delação de Vorcaro para blindar o irmão das investigações da PF.

“Se fosse só a esquerda….. Os permitidos trabalham dia sim e dia também para manter qualquer narrativa contra os FILHOS de Bolsonaro para então se colocarem no tabuleiro autorizado”, escreveu, sinalizando que acredita que a revelação do fato foi fogo-amigo.

<><> Blindagem

No novo acordo de delação premiada que será entregue à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), Daniel Vorcaro tenta blindar Flávio Bolsonaro (PL) ao citar o “patrocínio” ao filme Dark Horse, uma narrativa da ultradireita sobre Jair Bolsonaro. A proposta ampliada, após a recusa da primeira versão, deve ser negociada nesta semana e, ao que tudo indica, deve ser novamente rejeitada por contrariar fatos e provas já obtidas pelos investigadores.

Após esconder até mesmo a relação com o grupo político ligado ao ex-presidente, Vorcaro incluiu na nova proposta a relação íntima com nomes como Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil e presidente de fato da era Bolsonaro, e explicações sobre os cerca de 24 milhões de dólares – dos quais 10 milhões de dólares teriam sido transferidos para o fundo Havengate – que seriam destinados à cinebiografia do ex-presidente, produzida pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

No entanto, segundo informações de Igor Gadelha, no site Metrópoles, Vorcaro anteciparia no acordo de delação que não haveria irregularidades no patrocínio de Dark Horse, o que contraria fatos e provas já obtidas pela PF.

Vorcaro teria descrito que o patrocínio prometido ao “irmão” Flávio Bolsonaro” não envolveria contrapartidas e seria uma questão privada, o que confronta com as investigações sobre os dutos de dinheiro público transferidos ao Master por governos bolsonaristas, como de Cláudio Castro (PL-RJ) e Ibaneis Rocha (MDB-DF), além do esquema de fraudes em empréstimos consignados via Credcesta.

Vorcaro teria decidido incluir Dark Horse na delação após a revelação do áudio em que Flávio Bolsonaro o cobra sobre parte do dinheiro que não havia sido transferido ao fundo, que supostamente operava a gestão financeiro do filme. A troca de mensagens ocorreu às vésperas da primeira prisão do banqueiro, em novembro. Já com Vorcaro com tonozeleira eletrônica, Flávio visitou o amigo um dia antes de anunciar sua pré-candidatura à Presidência.

•        Blindagem a Flávio Bolsonaro: delação que inclui Dark Horse deve ser recusada e Vorcaro irá para a Papuda; entenda

A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) estão analisando a segunda proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entregue pelos advogados, e devem dar um parecer até a próxima sexta-feira (12). O acordo inclui menção ao suposto patrocínio ao filme Dark Horse e à relação com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com a alegação de que não houve irregularidades, versão que investigadores consideram contraditória com as provas já reunidas.

A decisão final sobre a homologação caberá ao ministro do STF André Mendonça, relator do caso, e o prazo para uma resposta de PF e PGR se encerra nesta semana, quando também termina o acesso ampliado dos advogados ao banqueiro. A tendência é que haja uma nova recusa à proposta.

Um encontro que havia sido agendado para a quarta-feira (10) com advogados foi cancelado porque os investigadores pediram mais tempo para analisar os novos anexos.

A expectativa da defesa é que PF e PGR se pronunciem sobre a proposta até o fim desta semana, prazo que coincide com o encerramento do regime excepcional de visitas autorizado pelo ministro André Mendonça. Por determinação do relator do caso no STF, os advogados de Vorcaro puderam despachar com o banqueiro das 9h às 17h durante os dias úteis, com o objetivo de produzir a nova proposta de colaboração. A partir da segunda-feira (15), o limite volta a ser de 30 minutos diários.

A decisão final sobre a homologação do acordo não pertence à PF nem à PGR: caberá ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Mendonça tem acompanhado de perto as negociações e, na semana passada, se reuniu com a defesa de Vorcaro, com novo encontro previsto com o advogado Sérgio Leonardo, responsável pelas tratativas desde que assumiu a coordenação da defesa no fim de maio.

<><> Blindagem a Flávio Bolsonaro e Dark Horse

O ponto mais sensível da nova proposta é a tentativa de proteger o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro produzida pelo deputado Mario Frias (PL-SP) e por Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo informações do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, Vorcaro decidiu incluir o tema na delação após a revelação de um áudio em que Flávio Bolsonaro o cobra por parte dos US$ 24 milhões prometidos para o projeto, dos quais US$ 10 milhões teriam sido transferidos ao fundo Havengate. A troca de mensagens ocorreu às vésperas da primeira prisão do banqueiro, em novembro.

A estratégia de Vorcaro é descrever o patrocínio prometido ao “irmão” Flávio como uma negociação “republicana”, sem contrapartidas e de natureza privada. A PF, no entanto, avalia que essa versão contraria fatos e provas já obtidas nas investigações. Os investigadores apuram dutos de dinheiro público transferidos ao Master por governos bolsonaristas, citando os casos do governador Cláudio Castro (PL-RJ) e do governador Ibaneis Rocha (MDB-DF), além de um esquema de fraudes em empréstimos consignados operado via Credcesta. Esse conjunto de apurações, segundo a PF, contradiz a narrativa de que a relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro seria estritamente privada e isenta de irregularidades.

A PF apreendeu mais de oito aparelhos do banqueiro e a perícia inicial já revelou que o esquema vai além de fraudes financeiras, envolvendo corrupção, organização criminosa e uso de milícia privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos.

<><> Rejeição da primeira proposta e exigências da PF/PGR

A primeira versão da delação de Vorcaro, coordenada pelo advogado José Luis Oliveira Lima, foi rejeitada pela PF e recebida com reservas pela PGR. Investigadores a classificaram como “inconsistente” e “omissiva”: o material não trazia informações novas, era visto mais como uma peça de defesa do que como um conjunto de relatos com admissão de crimes, e deixava de fora referências a pessoas já identificadas pelos investigadores a partir da análise dos celulares apreendidos. A PF concluiu que Vorcaro “criou muita historinha” e evitou aprofundar temas sensíveis, especialmente os que envolviam suas conexões políticas.

Para que a nova proposta avance, PF e PGR estabeleceram condições claras. O acordo precisa apresentar informações inéditas capazes de ampliar o alcance das investigações, ser acompanhado de provas que sustentem os relatos, incluir a admissão das irregularidades praticadas pelo banqueiro e detalhar suas relações políticas, algo que não ocorreu na primeira versão. Investigadores também exigem que Vorcaro descreva o passo a passo de como movimentou bilhões por meio de uma teia de fundos nacionais e internacionais.

Outro ponto considerado fundamental é o compromisso de ressarcimento de valores. Investigadores mencionam cifras que poderiam chegar a R$ 60 bilhões, considerando os prejuízos ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ao BRB e a fundos de previdência estaduais e municipais, como o RioPrevidência, que aportaram bilhões no Master antes de sua liquidação pelo Banco Central, em novembro do ano passado. A negociação da delação tem como eixo central a devolução de recursos e a comprovação de atos de ofício de autoridades citadas.

<><> Contexto da prisão e atuação de André Mendonça

Daniel Vorcaro está com tornozeleira eletrônica e cumpre prisão na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Mesmo sob monitoramento, o banqueiro recebeu a visita de Flávio Bolsonaro em sua mansão em São Paulo, episódio que ocorreu dias antes de Flávio anunciar sua pré-candidatura à Presidência da República. A visita, registrada enquanto Vorcaro estava sob vigilância da PF, reforça o peso político das relações que o banqueiro tenta agora enquadrar como “privadas” em sua proposta de delação.

Após a rejeição da primeira proposta, Vorcaro chegou a ser transferido da sala de Estado-Maior onde estava detido para uma cela comum na Superintendência, com restrições maiores de contato com advogados e espaço compartilhado com outros presos. O ministro André Mendonça, porém, autorizou seu retorno à sala especial, onde dispõe de banheiro individual e pode receber sua defesa em horários determinados. Foi também Mendonça quem autorizou o regime excepcional de visitas que permitiu a produção da nova proposta, com reuniões diárias que chegaram a durar mais de seis horas,.

O papel de Mendonça no processo vai além da custódia: como relator do caso no STF, ele é quem decidirá sobre a homologação de qualquer acordo que venha a ser firmado. Interlocutores do ministro avaliam que Vorcaro perderá o direito à sala de Estado-Maior e poderá ser transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda caso a nova delação seja rejeitada. Na Papuda, o contato com familiares e advogados é limitado, monitorado e todas as comunicações são gravadas, condições que tornariam qualquer negociação futura significativamente mais difícil.

<><> Repercussão política e próximos passos

A tentativa de blindagem a Flávio Bolsonaro e ao filme Dark Horse foi recebida com entusiasmo por figuras do bolsonarismo. O deputado Mario Frias (PL-SP), produtor-executivo do filme ao lado de Eduardo Bolsonaro, compartilhou diversas publicações sobre o tema nas redes sociais, celebrando a proposta. Uma das publicações compartilhadas por Frias, originária de um site do ecossistema bolsonarista, dizia: “Nova delação de Vorcaro é um balde de água fria na sordidez da esquerda sobre Dark Horse.” Carlos Bolsonaro (PL-RJ) também comemorou publicamente, sugerindo que a revelação do conteúdo da delação foi obra de “fogo-amigo” e que há uma narrativa orquestrada contra os filhos de Bolsonaro.

A celebração antecipada de figuras bolsonaristas, no entanto, contrasta com a avaliação dos investigadores. A PF considera que a nova proposta dificilmente será aceita, e o material complementar entregue pela defesa não trouxe elementos inéditos capazes de alterar essa percepção. A pressão por rapidez também é real: investigadores vinham exigindo que o escopo da delação fosse articulado com prazo pré-definido por Mendonça, justamente para evitar que a defesa postergasse a entrega como ocorreu na primeira tentativa, e para que o processo não fosse contaminado pelo período eleitoral. O mês de julho era visto como limite para esse risco.

Os próximos passos dependem diretamente da avaliação que PF e PGR concluírem nesta semana. Se o acordo for considerado suficiente, Vorcaro será chamado para prestar novos depoimentos e as informações passarão por verificação antes de qualquer acordo formal ser firmado. Se rejeitado, a PF pode intensificar a pressão pela transferência do banqueiro para um presídio comum, encerrando o regime de custódia diferenciada que, até agora, tem facilitado as negociações. Em qualquer cenário, a palavra final continuará sendo de André Mendonça.

 

Fonte: Fórum

 

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