Da
complementaridade comercial à disputa com os EUA: como mudou a estratégia da
China na América Latina
Em um
contexto de disputa inter-hegemônica entre China e Estados Unidos, durante as
duas primeiras décadas do século XXI o país asiático consolidou-se como um dos
principais parceiros comerciais de vários países da América Latina, bem como
uma de suas principais fontes de investimento estrangeiro direto
(IED) e
de projetos de infraestrutura, voltados especialmente para atividades
extrativas e energéticas. O tipo de vínculo com a China está estreitamente
ligado à matriz produtiva de cada país e envolve disputas materiais e
discursivas entre diversos atores sociais.
A República Popular da China expandiu sua
influência geoeconômica e geopolítica sobre a América Latina de maneira
distinta das potências ocidentais tradicionais, sob uma retórica de suposta
simetria e de vínculos “Sul-Sul”. Essa proposta de “ascensão pacífica” ou de
exercício de um “poder brando” (soft power) gerou na região intensos
debates teóricos sobre seu significado para a América Latina.
Em um
mundo em transformação, após a pandemia de covid-19, com os Estados Unidos cada
vez mais dispostos a defender seus interesses por meio de incursões bélicas e
com a ascensão de governos de extrema direita na região, este artigo revisa os
atuais vínculos entre China e América Latina.
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O “Consenso de Beijing” como modelo de “poder brando”
Desde o
início do século XXI, os vínculos entre China e América Latina vêm se
estreitando em ritmo acelerado. A estratégia bélica dos Estados Unidos no
Oriente Médio, motivada por seu interesse no controle dos hidrocarbonetos,
relegou parcialmente seu tradicional olhar sobre a região, que sempre
considerou seu “quintal”.
Sua
influência na América Latina também se enfraqueceu após a IV Cúpula das
Américas de 2005, realizada na cidade argentina de Mar del Plata, quando
ocorreu a rejeição à Área de Livre
Comércio das Américas (ALCA), promovida pelos Estados Unidos.
A
ascensão de governos de perfil progressista ou com retóricas anti-imperialistas
possibilitou a criação de instituições regionais como a Comunidade de Estados
Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União de Nações Sul-Americanas
(Unasul), esta última atualmente desativada. Essas novas articulações
permitiram questionar o Consenso de Washington e avançar em tentativas de maior
autonomia para os países da região.
Simultaneamente,
a China foi consolidando relações com os países da região que, nos primeiros
anos do século XXI, basearam-se quase exclusivamente na complementaridade
comercial. Com o tempo, esses vínculos evoluíram para a assinatura de
associações estratégicas ou estratégicas integrais com vários países
latino-americanos, a criação de instâncias de diálogo como o Fórum China-Celac
e a extensão da Iniciativa do Cinturão e Rota para a região.
Além
das diferenças sub-regionais e dos vínculos específicos que a China estabelece
com cada país, é possível identificar uma característica distintiva das
relações sino-latino-americanas em cada década do século XXI. Poderíamos dizer
que a primeira foi marcada pela expansão de laços sustentados principalmente
pela complementaridade comercial.
A
segunda, por sua vez, caracterizou-se pela consolidação de relações baseadas em
investimentos, projetos de infraestrutura e uma relação política mais estável,
apoiada por uma diplomacia extremamente ativa. A terceira distingue-se pela
incerteza geopolítica e geoeconômica, dado que a região se converteu em uma
área de disputa entre as duas grandes potências, após um “retorno” dos Estados
Unidos, que atuam sob princípios inspirados na Doutrina Monroe que pareciam ter
ficado no passado.
Durante
as duas primeiras décadas do século XXI, a tensão sino-estadunidense parecia
manter-se em um “estado latente”. Na terceira, o enfrentamento pelo domínio
tecnológico e dos recursos nas cadeias de suprimento torna-se explícito e gera
confrontos diretos. Nesse contexto, o exercício do soft power chinês
na região vai se transformando, adaptando-se a novas condições e desafios.
De
fato, durante cada um desses períodos (2008, 2016 e 2025), a China publicou um
livro branco sobre sua política para a América Latina e o Caribe, o que permite
compreender como o país percebe a região.
O
primeiro livro branco foi publicado em pleno auge do chamado “superciclo das
commodities”, durante a expansão de sua relação comercial com a região. No
documento, foi esboçada a possibilidade de consolidar o vínculo com base na
complementaridade das economias e até mesmo no interesse da China pela “riqueza
natural” latino-americana. Naquele momento, os fluxos de IED e financeiros eram
modestos e só passaram a ser relevantes a partir de 2010. Em uma primeira
etapa, o IED concentrou-se em poucos países e no setor de hidrocarbonetos, com
presença secundária da mineração e de algumas atividades de apoio financeiro e
infraestrutura ferroviária.
O
primeiro quinquênio da segunda década do século XXI mostrou um importante
crescimento dos fluxos de IED e financeiros destinados à infraestrutura e a
projetos extrativos, juntamente com vínculos diplomáticos muito mais densos.
Como destacam Eduardo Oviedo e Rubén Laufer, muitos laços bilaterais evoluíram
de uma “relação de parceria estratégica” para uma “relação de parceria
estratégica integral”.
Em
julho de 2014, durante a Cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e
África do Sul), o presidente Xi Jinping anunciou o lançamento do Primeiro Plano
de Ação Quinquenal para a América Latina 2015-2019, denominado “1+3+6”: um
plano, três motores (comércio, investimento e finanças) e seis áreas (energia e
recursos naturais, infraestrutura, agricultura, manufaturas, inovação
científica e tecnológica, e tecnologia da informação).
Nesse
contexto, em janeiro de 2015 foi realizada a Primeira Reunião do Fórum
China-Celac em Beijing. Na interpretação do Conselho Argentino para as Relações
Internacionais (CARI), a China hierarquiza seus vínculos com a América Latina
por meio de associações estratégicas e integrais, que refletem a expansão
sustentada de sua relação com a região.
Em
meados da década de 2010, a China já não se consolidava apenas como uma grande
potência nas esferas comercial, financeira e produtiva — reduzindo também as
diferenças de influência em fóruns internacionais e de poderio bélico em
relação aos Estados Unidos —, mas também disputava a primazia tecnológica nos
campos da inteligência artificial e da energia.
Com
base em uma narrativa particular sobre seu papel global, a China apresenta sua
política internacional apoiando-se nos “Cinco princípios da coexistência
pacífica”: respeito mútuo à integridade territorial e à soberania, não
agressão, não ingerência em assuntos internos, igualdade e benefício mútuo, e
coexistência pacífica.
No
final da década, incorporou também os princípios de uma “Comunidade de destino
compartilhado para a humanidade”, em consonância com o pensamento de Xi
Jinping. A partir dessa perspectiva, a China reinventa os tradicionais vínculos
diplomáticos bilaterais entre potências e países do Sul Global, assim como
entre potências e blocos regionais. Apresenta esse processo como uma forma de
exercício de poder brando (soft power), em contraste com o imperialismo
europeu do século XIX e o intervencionismo militar estadunidense durante o
século XX.
O
especialista em relações internacionais Javier Vadell sustenta que, por meio de
um conjunto de instrumentos associados ao poder brando — como os vínculos
bilaterais com os diferentes países da América Latina, o Fórum China-Celac e a
extensão da Iniciativa do Cinturão e Rota à região —, a China realiza dois
movimentos simultâneos: por um lado, disputa a primazia hegemônica dentro das
regras da governança global e, por outro, molda gradualmente novas normas ou
até mesmo um modelo de hegemonia alternativa.
Sem
ensaiar aqui uma taxonomia das interpretações sobre os vínculos entre China e
América Latina, é relevante destacar que, nos últimos anos, proliferaram na
academia e na política visões que exaltam as virtudes dessa relação e sua
possível contribuição para o “desenvolvimento” dos países da região.
Curiosamente, essas leituras partem de definições muito distintas do próprio
conceito de “desenvolvimento”, mas convergem na ideia de que o caminho para
alcançá-lo passa, de maneira quase inevitável, pelo aprofundamento dos vínculos
sino-latino-americanos.
Entre
essas posições podem ser encontradas diversas vertentes. Por um lado, a do
analista argentino Jorge Castro, que destaca em suas colunas jornalísticas as
oportunidades que a expansão dos negócios com a China oferece a determinadas
frações empresariais de cada país.
Por
outro, a de economistas vinculados à Comissão Econômica para a América Latina e
o Caribe (Cepal) que, embora reconheçam um padrão comercial assimétrico em
termos de valor agregado e os riscos de reprimarização do perfil exportador,
pensam a relação com a China em termos de “oportunidades e desafios” e
consideram a potência asiática o parceiro econômico mais dinâmico da região.
Também
existem abordagens que, sem ignorar as assimetrias entre América Latina e
China, veem nesse vínculo uma oportunidade para configurar projetos regionais
com maiores graus de autonomia política frente às formas tradicionais de
dominação imperial.
Nesse
contexto, a socióloga argentina Maristella Svampa observava que governos
regionais de diferentes orientações políticas e com propostas de modelos
econômicos distintos entre si — incluindo governos de esquerda,
“nacional-populares” e neoliberais de diferentes matizes — vêm promovendo, de
forma simultânea, a expansão de diferentes tipos de modelos extrativistas em
larga escala.
Esses
modelos têm como consequência a estruturação de economias de enclave e o
aprofundamento das desigualdades ecológico-distributivas e da conflitualidade
ecoterritorial: esses seriam os contornos do “Consenso das Commodities”.
Como
conceito em diálogo com essa perspectiva, propusemos a conceitualização dos
vínculos sino-latino-americanos sob a categoria de “Consenso de Beijing”. Sob
essa categoria, agrupamos as posições de governos de diferentes orientações
ideológicas — como os já mencionados — que percebem a China como um parceiro
comercial e político fundamental, entendido como determinante para o
desenvolvimento econômico e social de seus países.
Em
debate com algumas leituras provenientes das taxonomias das relações
internacionais sobre os vínculos sino-latino-americanos, esse conceito não se
concentra nos aspectos constitutivos das relações comerciais e dos fluxos de
investimento — como as assimetrias em valor agregado, a concentração das
exportações latino-americanas em poucos produtos primário-extrativos de preços
voláteis, a reprimarização do perfil produtivo e a orientação do IED para
atividades extrativas com importantes impactos socioambientais.
Em vez
disso, busca colocar o foco na forma como se exerce uma relação assimétrica
que, embora “branda” e pacífica, constitui um projeto de determinados setores
que disputam o poder em cada país, em detrimento de amplos setores subalternos
da população.
A
categoria de “Consenso de Beijing” remete a uma forma sui generis,
própria da China, de exercer vínculos bilaterais e relações com blocos de
países. Suas características distinguem essas relações do imperialismo, sem
mascarar, sob um discurso de suposta simetria, a possibilidade de que todas as
classes e atores sociais “ganhem” dentro de um determinado padrão de vinculação
(como postulam os “Cinco princípios da coexistência pacífica” ou a “Comunidade
de destino compartilhado”).
Por
meio dessa categoria, é possível visualizar que, embora a China não interfira
nos assuntos de política interna dos países, ela vincula as negociações de
investimento ao seu papel como financiadora na região ou utiliza de maneira
coercitiva seu peso como destino das exportações de cada economia.
Da
mesma forma, limita ou impede a transferência de tecnologia ou aplica cláusulas
de cross-default de forma explícita ou tácita em negociações
de contratos ou financiamentos realizados por entidades vinculadas ao Estado.
Outro traço distintivo é a flexibilidade, entendida como a capacidade de
adaptação para estabelecer vínculos bilaterais pragmáticos com países,
independentemente de sua orientação política.
O
conceito de “Consenso de Beijing” é outra maneira de denominar e analisar a
forma como se exerce o chamado soft power na região. Ele não
estabelece de maneira linear as mesmas características do exercício das
assimetrias pelas potências ocidentais, mas também não reduz a unidade de
análise da economia política internacional ao Estado-nação a ponto de negar as
tensões entre classes sociais dentro de cada país. As potências sempre
constroem consensos com atores sociais que detêm ou pretendem deter o poder, e
isso ocorre em detrimento de outras classes sociais.
Assim,
o conceito de “Consenso de Beijing” permite visualizar que, enquanto grandes
projetos hidrelétricos, minerários e de hidrocarbonetos geram benefícios
econômicos para um reduzido grupo empresarial local, para os grupos que veem
seus direitos econômicos, sociais, culturais ou ambientais violados, esse
exercício de poder não é tão brando. Destacam-se, em particular, os movimentos
sociais e as comunidades indígenas prejudicados pelo uso da água em projetos
minerários ou que sofrem impactos em sua saúde, assim como os deslocamentos
populacionais implicados por essas atividades e por outros projetos de
infraestrutura.
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Em direção a um maior pragmatismo
Em
pleno auge do “Consenso de Beijing”, em meados da segunda década do século XXI,
já havia se tornado evidente que o chamado superciclo das commodities havia se
esgotado. Além de continuar sendo um mercado atraente para os produtos
primário-extrativos da região, poderíamos dizer que a forma de exercício do
poder brando na América Latina evolui e, consequentemente, o próprio conceito
de “Consenso de Beijing” se transforma.
As
relações comerciais continuam sendo extremamente dinâmicas e, de fato, a China
consolida-se como um dos principais destinos das exportações e origens das
importações de um número cada vez maior de países da região. No entanto, algo
distintivo desse segundo quinquênio é a expansão e diversificação do IED e do
financiamento de projetos.
Não se
podem ignorar alguns elementos de contexto: a consolidação da liderança de Xi
Jinping, que havia iniciado seu mandato em março de 2013; uma mudança de
orientação política em vários países da região, com uma guinada ao
neoliberalismo (com a chegada ao governo de Mauricio Macri na Argentina, em
dezembro de 2015, e de Michel Temer no Brasil, após o processo de destituição
de Dilma Rousseff); e o início do primeiro governo de Donald Trump, em janeiro
de 2017, depois de um ano de 2016 cuja campanha eleitoral teve como eixo
permanente as relações entre os Estados Unidos e a China.
Em um
contexto de menor afinidade política entre vários países da região e a China,
de tentativas de alinhamento com as potências ocidentais e de preços mais
baixos das commodities, a relação torna-se mais pragmática. Os governos
latino-americanos passam então a apresentar esses vínculos como
“desideologizados”, e Beijing encontra uma forma de estabelecer relações
funcionais para sua política internacional, para seu abastecimento interno de
matérias-primas e para a expansão dos mercados de alguns de seus produtos nos
países da região.
Já na
mencionada Primeira Cúpula do Fórum China-Celac, em janeiro de 2015, Xi Jinping havia anunciado
a meta de elevar o estoque de IED da China na região de 86 bilhões para 250
bilhões de dólares até 2025, além de implementar diversos fundos de
financiamento para cooperação, infraestrutura e agricultura.
Em
2016, a China publicou seu segundo livro branco para a América Latina. Trata-se
de um documento não apenas mais extenso, mas também com maior densidade
política, que inclui mais dimensões para o vínculo com a região. Abrange
aspectos sociais e culturais e dedica mais espaço tanto à ciência e tecnologia
quanto às questões energéticas.
Após a
publicação desse documento, acentua-se a diversificação do destino do IED e dos
fluxos financeiros. Estes, antes concentrados quase exclusivamente nos
hidrocarbonetos, expandem-se para outros tipos de energia (solar, eólica,
hidrelétrica de grande escala e até mesmo anúncios de investimento no setor
nuclear), bem como para obras de infraestrutura portuária, ferroviária e
rodoviária (incluindo a conectividade bioceânica) e para alguns dos hoje
chamados “minerais críticos para a transição energética”.
Como
assinala Mariano Treacy, a China consolidou seu domínio tecnológico em cadeias
produtivas vinculadas à transição energética. Isso explica seu interesse em
investir “a montante” nas cadeias de suprimento ligadas a esses setores, de
forma antecipada em relação a outras potências.
Em
2018, enquanto Trump já restringia suas importações globais, durante a Segunda
Reunião Ministerial do Fórum China-Celac, Xi Jinping anunciava a inclusão da
América Latina na Iniciativa do Cinturão e Rota.
Como
explica Florencia Rubiolo, a China não obriga os países a aderirem à iniciativa
para receber assistência financeira destinada à infraestrutura, o que expressa
uma forma de exercício de poder brando ou de geração de consenso com os setores
dominantes dos países da região. No entanto, os acordos são realizados
bilateralmente com a China, de modo que a iniciativa não constitui um espaço
multilateral nem simétrico.
A
hostilidade de alguns países da região em relação à China não deveria nos levar
a abandonar a categoria de “Consenso de Beijing”, mas apenas a avaliar a
flexibilidade da potência asiática para continuar sustentando e reinventando
vínculos bilaterais com os países latino-americanos, em um contexto de choque
de narrativas no cenário global. Enquanto os Estados Unidos negam as mudanças
climáticas, a China, apesar de suas contradições, tem desenvolvido um discurso
em termos de “civilização ecológica”.
Os
Estados Unidos são o país que corrói a legitimidade das instâncias de
diplomacia multilateral, enquanto a China procura preservá-las. Ao mesmo tempo,
os Estados Unidos deram um passo além em suas incursões bélicas em terceiros
países e atacam militarmente a Venezuela e o Irã. Nesse contexto, enquanto a
maior parte dos países da União Europeia cede diante da “irracionalidade” do
presidente estadunidense, a China evita o confronto direto, mas não recua na
disputa pela hegemonia global.
Na
América Latina, Washington reforça suas aproximações e sua coerção sobre cada
país da região. A China, por sua vez, parece aceitar abrir mão do dinamismo
político que sua relação com a América Latina havia adquirido, mas não deixa de
sustentar seus interesses (como os investimentos nos minerais críticos para a
transição ecológica).
No
final de 2025, a China publicou um terceiro livro branco para a América Latina.
Este parece seguir, sem rodeios, na contramão da situação global. A China
propõe a necessidade de construir seus vínculos com a região com base em quatro
pilares: a Iniciativa para o Desenvolvimento Global (IDG), a Iniciativa para a
Segurança Global (ISG), a Iniciativa para a Civilização Global (ICG) e a
Iniciativa para a Governança Global (IGG). No livro, reivindica a ordem global
multilateral e o compromisso com a resolução pacífica de conflitos, ao mesmo
tempo que rejeita a guerra comercial e defende os Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS).
Em um
contexto em que os Estados Unidos decidem atacar de maneira arbitrária
terceiros países, a publicação desse novo livro branco chega em um
momento-chave para a ordem internacional.
Como já
afirmávamos em 2022, o desafio para os setores populares na América Latina é
verificar se essas formas de poder brando realmente podem fazer com que os
projetos de investimento — de capitais privados ou públicos, ou com
financiamento chinês — gerem instâncias de participação e empoderamento
cidadão, além de mais direitos coletivos para o conjunto da população.
Caso
contrário, beneficiarão apenas grupos reduzidos pertencentes às elites locais,
em uma América Latina onde avançam governos de ideologia neoliberal na economia
e autoritários na política (como já ocorre em outros continentes). Depende,
evidentemente, dos próprios setores populares a articulação da luta por
direitos coletivos e sua transferência para as instâncias de negociação da
política internacional.
Fonte:
Por Ariel Slipak, da Nueva Sociedad

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