Cura
do diabetes tipo 1 já existe? Médica e pesquisadora explica o que a ciência
conseguiu até agora
A busca
pela cura do diabetes tipo 1 avança em diferentes países e envolve pesquisas
com células-tronco, transplantes de ilhotas pancreáticas, imunossupressores e
terapias para retardar o surgimento da doença. No entanto, apesar dos
resultados recentes, especialistas alertam que ainda não existe uma cura
disponível para a população. A avaliação é da endocrinologista, educadora em
diabetes e pesquisadora Denise Franco, durante participação no DiabetesCast.
Nos
últimos meses, uma notícia envolvendo um paciente tratado na China chamou a
atenção de pessoas com diabetes em todo o mundo. O caso levou muitos usuários
das redes sociais a afirmarem que a cura do diabetes havia sido encontrada.
Porém, segundo Denise Franco, a realidade é mais complexa.
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Caso da China chamou atenção, mas não representa uma cura
O
episódio que ganhou repercussão envolveu um homem de 59 anos com diabetes tipo
2. Pesquisadores utilizaram células-tronco do próprio paciente para produzir
células capazes de fabricar insulina. Depois disso, elas foram implantadas no
organismo.
Segundo
Denise Franco, o paciente deixou de precisar de aplicações de insulina por um
período. Ainda assim, o resultado não permite afirmar que a cura foi alcançada.
A
especialista explica que a ciência exige a reprodução dos resultados em
diferentes pessoas antes que uma nova terapia seja considerada eficaz e segura.
Além
disso, o caso ocorreu em 2024 e voltou a circular nas redes sociais apenas
entre o fim de 2025 e o início de 2026. Portanto, ainda é necessário acompanhar
por quanto tempo o paciente permanecerá sem necessidade de tratamento.
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O que existe hoje para tentar mudar o curso do diabetes tipo 1
Ao
falar sobre cura do diabetes tipo 1, Denise Franco destaca que a doença pode
ser analisada em diferentes fases.
Segundo
ela, uma das novidades mais importantes envolve pessoas que estão no chamado
estágio 2 da doença. Nesse momento, o indivíduo já apresenta autoanticorpos
relacionados ao diabetes tipo 1 e alterações iniciais da glicemia, mas ainda
não desenvolveu os sintomas clássicos.
Nesse
contexto, uma medicação aprovada pode retardar o aparecimento do diabetes tipo
1 por um período que varia entre três e cinco anos em alguns pacientes.
A
endocrinologista ressalta que esse tratamento não representa uma cura. No
entanto, ele mostra que já é possível interferir no processo da doença antes do
diagnóstico clínico.
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Estudos tentam preservar ou substituir células produtoras de insulina
Para
pessoas que já receberam o diagnóstico de diabetes tipo 1, os pesquisadores
seguem diferentes caminhos.
Segundo
Denise Franco, alguns estudos tentam agir sobre o processo autoimune
responsável pela destruição das células beta do pâncreas.
Por
outro lado, outras pesquisas buscam substituir as células perdidas por meio de
transplantes de ilhotas pancreáticas.
As
ilhotas são estruturas do pâncreas responsáveis pela produção de insulina.
Atualmente, a maior parte dos estudos utiliza células obtidas de doadores
falecidos.
Em
alguns países, especialmente nos Estados Unidos, esse tipo de procedimento já
faz parte da rotina de centros especializados. Ainda assim, a estratégia não
pode ser aplicada de forma ampla.
Primeiro
porque não existem doadores suficientes para atender toda a demanda. Além
disso, muitos pacientes precisam utilizar medicamentos para evitar a rejeição
do transplante.
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O desafio da imunossupressão
Um dos
principais obstáculos dos transplantes é a necessidade de imunossupressão.
De
forma simples, o sistema imunológico identifica estruturas estranhas ao
organismo e tenta destruí-las. Por isso, quando uma pessoa recebe células,
tecidos ou órgãos de outra origem, existe o risco de rejeição.
Nesse
cenário, entram os imunossupressores, medicamentos que reduzem a atividade do
sistema de defesa.
Segundo
Denise Franco, o problema é que esses remédios não atuam apenas sobre o
transplante. Eles também afetam outras funções do sistema imunológico e podem
provocar efeitos adversos.
Por
esse motivo, pesquisadores procuram alternativas para reduzir esse impacto.
Um dos
caminhos envolve o uso de microcápsulas ou nanocápsulas que funcionariam como
uma barreira de proteção ao redor das células transplantadas. Dessa forma, elas
ficariam menos expostas ao ataque do sistema imunológico.
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Novo imunossupressor busca reduzir efeitos colaterais
Outra
linha de pesquisa envolve o desenvolvimento de imunossupressores mais
específicos.
Denise
Franco cita o tegoprubarte, medicamento que vem sendo estudado em protocolos
relacionados ao transplante de ilhotas.
Segundo
a pesquisadora, a proposta é diminuir os efeitos adversos observados com os
imunossupressores utilizados atualmente.
O
medicamento não elimina a necessidade de imunossupressão. Porém, pode tornar o
tratamento mais tolerável para alguns pacientes.
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China acelera pesquisas e ganha espaço na corrida científica
A
especialista afirma que a China se tornou um dos principais destaques na
corrida pela cura do diabetes.
Segundo
ela, isso não significa necessariamente que o país encontrou respostas
definitivas. No entanto, o sistema regulatório chinês tem permitido uma análise
mais rápida de novos estudos clínicos.
Na
prática, isso reduz o tempo necessário para aprovação de pesquisas e inclusão
de voluntários.
Além
disso, a China aumentou os investimentos em inovação e pesquisa clínica nos
últimos anos.
Enquanto
isso, Estados Unidos e Europa continuam ocupando posições importantes. Os
americanos concentram um grande número de estudos clínicos em andamento e
possuem uma longa tradição em pesquisa biomédica.
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Pesquisa clínica exige tempo, investimento e segurança
Durante
a entrevista, Denise Franco também destacou que o desenvolvimento de um
tratamento envolve várias etapas.
Primeiro,
os pesquisadores realizam estudos iniciais para avaliar a segurança e o
potencial da tecnologia. Depois disso, a investigação passa por diferentes
fases com grupos cada vez maiores de participantes.
Somente
após esse processo é possível solicitar aprovação regulatória.
Além
disso, os estudos costumam envolver equipes multidisciplinares e diversos
centros de pesquisa ao redor do mundo.
Segundo
a endocrinologista, esse modelo ajuda a verificar se os resultados podem ser
reproduzidos em diferentes populações.
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Busca pela cura envolve várias etapas
Para
explicar a complexidade do tema, Denise Franco utilizou uma analogia
apresentada pela endocrinologista Melanie Rodacki. Segundo ela, encontrar a
cura do diabetes tipo 1 funciona como montar um conjunto de peças de Lego.
Cada
pesquisa resolve uma parte do problema. No entanto, ainda é necessário encaixar
várias etapas relacionadas à imunidade, produção de insulina, transplantes e
proteção das células.
Por
isso, especialistas alertam que resultados isolados devem ser analisados com
cautela.
Ao
mesmo tempo, os avanços observados nos últimos anos mostram que a ciência
continua acumulando conhecimento e criando novas possibilidades de tratamento.
Fonte:
Um Diabético

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