sexta-feira, 12 de junho de 2026

Nova terapia celular brasileira avança no combate à leucemia e linfoma

Desenvolvida no Hemocentro de Ribeirão Preto, em parceria com o Instituto Butantan, a CAR-T Cell, uma terapia celular que utiliza células de defesa do paciente modificadas em laboratório para tratar pessoas diagnosticadas com linfoma e leucemia, apresentou uma taxa de resposta de 87,5%.

Os dados foram divulgados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta quarta-feira (10/6), durante coletiva de imprensa. O estudo, conduzido pela Universidade de São Paulo (USP), ainda está em andamento e o Ministério da Saúde (MS) divulgou, até o momento, apenas os resultados preliminares. De acordo com Padilha, os resultados são muito animadores e representam um grande avanço na medicina brasileira.

“O Comitê de Inovação, criado pela diretoria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), vai tratar esse produto como um dos produtos inovadores. Esse comitê é formado pelos diretores da Anvisa, que acelera a avaliação e o acompanhamento que já é feito permanentemente pela equipe técnica da Anvisa”, esclarece o ministro.

Para seguir as normas internacionais de tratamentos deste tipo, a Anvisa precisa acompanhar os pacientes selecionados para receber a terapia por um ano, analisando a evolução de cada um, bem como a segurança e a eficácia da CAR-T Cell.

O Ministério da Saúde investiu R$100 milhões para o desenvolvimento da terapia. Alexandre Padilha destacou que o valor destinado ao estudo busca fortalecer a capacidade de pesquisa do Brasil, garantindo que pesquisadores estejam no Brasil produzindo tecnologia para o país. “Também é uma terapia que custa hoje R$2,5 milhões para a família que quiser buscar esse tratamento e que pode virar um direito pelo SUS (Sistema Único de Saúde) de graça”, destaca o ministro.

Pelo menos 100 novos pacientes ainda serão recrutados para o estudo, até o momento 75 participantes foram incluídos no estudo clínico e 25 iniciaram a terapia. Os dados divulgados pelo MS ainda apontam que aproximadamente 9 em cada 10 pacientes tiveram uma redução significativa ou o desaparecimento do tumor após o tratamento.

A USP anunciou que, a partir da evolução do estudo, o Ministério da Saúde deve realizar a criação de uma rede de hospitais públicos treinada para tratar pacientes com a terapia CAR-T Cell.

•        Sistema diagnostica tumores cerebrais em minutos e supera especialistas

A grande diversidade de tumores do cérebro e da medula espinhal torna o diagnóstico complexo. Atualmente, muitos só podem ser identificados com segurança pela análise de suas propriedades moleculares, um processo considerado padrão ouro na classificação de tumores cerebrais.

Contudo, esses testes exigem laboratórios especializados, equipamentos caros e quantidade suficiente de material tumoral. Os resultados costumam demorar cerca de duas semanas, e a tecnologia necessária não está disponível em muitas regiões do mundo.

Um novo sistema de inteligência artificial chamado “Hetairos” promete melhorias substanciais. Desenvolvido por especialistas em Heidelberg, na Alemanha, ele prevê a qual subgrupo molecular um tumor pertence usando apenas cortes histológicos de rotina.

O Hetairos foi treinado com mais de 11.000 cortes de tecido digitalizados de 9.606 pacientes. Os dados vieram de onze centros médicos em quatro continentes. No total, o sistema distingue 102 subtipos moleculares diferentes de tumores, abrangendo quase todo o espectro da classificação atual da OMS.

<><> Hetairos supera especialistas experientes

A IA não apenas fornece seu diagnóstico, mas também indica o grau de confiança nele. Em aproximadamente 50% a 70% dos casos, o Hetairos fez previsões com alta certeza, atingindo uma precisão de 87% a 88%. Mesmo quando incerto, geralmente conseguia reduzir o número de diagnósticos possíveis.

Uma comparação direta com especialistas humanos mostrou a capacidade do sistema. Cinco neuropatologistas experientes receberam 210 casos e, com base apenas nos cortes histológicos, alcançaram uma média de acerto de 30%. O Hetairos obteve 68%.

Ao considerar os três diagnósticos mais prováveis, a IA atingiu 84% de precisão, enquanto os especialistas conseguiram cerca de 50%. “Os resultados mostram que os sistemas de IA modernos agora são capazes de reconhecer padrões morfológicos extremamente sutis”, afirma Felix Sahm, um dos líderes da pesquisa.

Em um estudo prospectivo, o diagnóstico molecular completo levou, em média, doze dias. O Hetairos gerou seus resultados em apenas doze minutos em um computador padrão, após a digitalização dos tecidos. Incluindo a preparação e a digitalização, os resultados ficaram disponíveis entre 24 horas e dois dias.

A ferramenta pode ser valiosa em situações onde os métodos moleculares tradicionais atingem seus limites, como em casos de material tumoral insuficiente. O sistema também destaca as áreas no tecido que foram importantes para sua decisão, permitindo que os médicos compreendam a base do diagnóstico da IA. “Desenvolvemos o Hetairos principalmente como uma ferramenta de apoio ao diagnóstico”, explica o neuropatologista.

 

Fonte: Correio Braziliense

 

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