PIX
x Zelle: cada vez que Eduardo Bolsonaro posta abre uma crise, dizem aliados
A
repercussão de declarações feitas por Eduardo Bolsonaro sobre o Pix e o sistema
de transferências dos Estados Unidos Zelle gerou desconforto entre aliados de
Flávio Bolsonaro (PL), que veem o episódio como mais uma controvérsia capaz de
criar obstáculos desnecessários para a estratégia eleitoral do senador.
Nos
bastidores, integrantes da pré-campanha avaliam que a fala acabou consumindo
energia política. E isto justamente em um momento considerado delicado, com
vários escândalos ocorrendo, entre eles a divulgação da troca de áudios com o
banqueiro Daniel Vorcaro.
A
polêmica começou após a circulação de um vídeo em que Eduardo cita o Zelle,
plataforma utilizada nos Estados Unidos, ao comentar possíveis negociações
entre os governos brasileiro e norte-americano. O trecho foi interpretado por
adversários como uma defesa da substituição do Pix por um sistema estrangeiro,
leitura que o ex-deputado rejeitou posteriormente.
A
reação foi imediata nas redes sociais, onde o vídeo passou a ser compartilhado
por perfis ligados à esquerda e por críticos do bolsonarismo. Diante da
repercussão negativa, Eduardo iniciou uma ofensiva para rebater as
interpretações sobre sua fala, publicando nove mensagens para sustentar que
jamais propôs a troca do sistema brasileiro.
Pessoas
próximas a Flávio revelaram ao Globo que o episódio evidencia um problema
recorrente. Muitas das declarações de Eduardo Bolsonaro acabam dominando o
debate público. Isto, invariavelmente obriga o grupo a concentrar esforços em
explicações e contenção de danos, em vez de avançar com temas considerados
estratégicos para a campanha.
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Preocupação com mudança de narrativa
A
avaliação de integrantes da equipe do senador é que a controvérsia surgiu
justamente quando a pré-campanha de Flávio buscava explorar politicamente o
debate sobre as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos,
especialmente após a ameaça de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Segundo
interlocutores, a discussão sobre o Pix acabou desviando a atenção da pauta
econômica e dificultando a tentativa da oposição de concentrar críticas ao
governo federal.
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Histórico alimenta críticas reservadas
O
episódio reforçou uma percepção já existente dentro do entorno do senador sobre
o estilo político de Eduardo Bolsonaro. Integrantes da pré-campanha citam, sob
reserva, outros momentos em que iniciativas do ex-deputado acabaram produzindo
efeitos diferentes dos esperados.
Um dos
exemplos lembrados envolve sua atuação nos Estados Unidos durante a crise
comercial entre os dois países. Na avaliação de alguns aliados, a movimentação
acabou favorecendo o governo Lula, que passou a explorar com mais intensidade o
discurso de defesa da soberania nacional.
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Embate com Nikolas
Outro
caso frequentemente mencionado foi o embate público com o deputado federal
Nikolas Ferreira (PL-MG), ocorrido neste ano. A troca de acusações entre duas
das principais lideranças da direita provocou preocupação em setores do
bolsonarismo que defendem maior unidade do campo conservador diante da disputa
presidencial.
• A reação de Eduardo Bolsonaro após nova
revelação sobre esquema com Vorcaro
A
Intercept publicou nesta terça-feira (9) documentos que comprovam que os
pagamentos feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark
Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, foram parar no fundo
ligado a Eduardo Bolsonaro, o Havengate Development Fund LP.
Na
documentação revelada, constam as especificações técnicas do comprovante de
liquidação. A operação teve como instituição remetente a empresa Entre
Investimentos e Participações Ltda., sendo o pagamento processado por meio do
Banco BS2 e destinado a uma conta do Havengate vinculada diretamente ao
JPMorgan Chase Bank, nos Estados Unidos. O extrato bancário contém todos os
códigos de identificação da transferência, referências da operação e chaves de
segurança exigidas pelo sistema financeiro internacional.
Eduardo
Bolsonaro, ao tomar conhecimento das novas revelações feitas pelo Intercept
Brasil sobre as suas conexões e as de seu irmão Flávio com Daniel Vorcaro,
preso por liderar a maior fraude bancária da história do Brasil, reagiu de
forma explosiva e desesperada e, claro, partiu para o ataque:
“‘Fundo
ligado a Eduardo Bolsonaro’… os caras são muito vagabundos.”
Ganhou
novos e explosivos desdobramentos a investigação que apura as conexões
financeiras ocultas entre o sistema bancário e a família do ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL), em especial seu filho presidenciável, o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ). Em uma nova revelação que está sacudindo Brasília, o site
jornalístico The Intercept Brasil mostrou novas provas nesta terça-feira (9),
que fulminam a narrativa de aliados que, há semanas, tentavam deslegitimar a
série de reportagens Vaza Flávio.
A
contraofensiva de desinformação, liderada nas redes sociais por parlamentares
bolsonaristas e pelo comentarista Paulo Figueiredo, sustentava que a denúncia
carecia de lastro e que os valores divulgados pela imprensa eram
contraditórios. No entanto, a publicação dos documentos oficiais joga luz sobre
a negociata e comprova que a investigação jornalística sempre foi precisa.
O
Intercept demonstronu que nunca houve recuo: a denúncia sempre distinguiu o
valor total negociado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro
Daniel Vorcaro (US$ 24 milhões, ou R$ 134 milhões na cotação da época) do
montante que foi efetivamente pago e rastreado até aqui: US$ 10,6 milhões (o
equivalente a R$ 61 milhões), destinados a bancar o filme “Dark Horse”, uma
cinebiografia de Jair Bolsonaro.
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O “Funding Schedule”: Repercussão do mapa do fluxo de caixa
O ponto
central da documentação revelada pelo veículo, e que agora passa a ser alvo de
escrutínio público, é a planilha interna intitulada “Funding Schedule”
(Cronograma de Financiamento). O documento funciona como um verdadeiro diário
de bordo da operação, desvelando a regularidade e o planejamento cirúrgico dos
repasses.
Os
dados publicados revelam que o fluxo de caixa foi estruturado em 14 desembolsos
periódicos com valores padronizados, estendendo-se entre janeiro de 2025 e
janeiro de 2026. As duas primeiras parcelas foram fixadas em US$ 2 milhõe cada.
A primeira delas estava inicialmente prevista para o dia 20 de janeiro de 2025,
mas acabou sendo efetivamente paga em 13 de fevereiro. Já a segunda parcela,
agendada para 25 de janeiro, foi liquidada no dia 24 de março.
As
outras 12 parcelas restantes do cronograma foram estabelecidas no valor fixo de
1,66 milhão de dólares cada. De acordo com os registros da planilha, a primeira
desse lote também foi quitada em 24 de março, seguida por outros dois aportes
em 25 de abril e mais um em 29 de maio. Ao final de todo esse acompanhamento de
depósitos sequenciais, a soma total atinge exatamente os US$ 10,6 milhões (R$
61 milhões) repercutidos pela imprensa.
A
reportagem do Intercept expôs ainda mensagens cruciais de 7 de agosto de 2025,
nas quais o empresário Thiago Miranda cobra diretamente Daniel Vorcaro, dono do
Banco Master, alertando sobre “Duas em atraso e está para vencer a terceira
agora em agosto”. A resposta imediata do banqueiro, “Segunda fazemos duas”,
acendeu o alerta de investigadores, pois sugere que o fluxo de pagamentos
continuou ativo e o rombo final pode ser ainda maior.
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A triangulação e a rede de operadores evangélicos
A
repercussão das mensagens obtidas aponta para uma sofisticada rede de
operadores montada para blindar o banqueiro. Meses antes, em 12 de março de
2025, o próprio Daniel Vorcaro havia encaminhado a planilha ao pastor Fabiano
Zettel, seu cunhado e operador financeiro, cobrando controle e ordenando: “tem
que pagar a segunda e a terceira”.
Zettel,
por sua vez, garantiu que iria “para cima do Mineiro”, codinome utilizado nas
agendas telefônicas para identificar Antônio Carlos Freixo Júnior, executivo
ligado à empresa Entre Investimentos e Participações.
O
vazamento dessas conversas desmonta as negativas oficiais. Embora Vorcaro e a
Entre Investimentos sustentem publicamente que não possuem qualquer vínculo
societário ou de controle, os registros de fevereiro de 2025 provam o
contrário: o próprio banqueiro sugeriu realizar a operação milionária “via
entre”, utilizando a empresa como fachada operacional para movimentar os
recursos.
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O Comprovante SWIFT: A rota do dinheiro até o advogado de Eduardo Bolsonaro
O
documento mais contundente repercutido pela investigação é o comprovante de
transferência internacional emitido pela rede SWIFT (sistema bancário global de
liquidação de transações). Ele materializa o caminho exato percorrido pela
primeira parcela do dinheiro. O registro financeiro é datado de 13 de fevereiro
de 2025 e confirma oficialmente a remessa líquida de US$ 2 milhões enviada ao
Havengate Development Fund LP, fundo sediado no exterior e que é formalmente
controlado por Paulo Calixto, advogado do deputado federal Eduardo Bolsonaro
(PL-SP).
Segundo
as especificações técnicas do comprovante de liquidação, a operação teve como
instituição remetente a empresa Entre Investimentos e Participações Ltda, sendo
o pagamento processado por meio do Banco BS2 e destinado a uma conta do
Havengate vinculada diretamente ao JPMorgan Chase Bank, nos Estados Unidos. O
extrato bancário contém todos os códigos de identificação da transferência,
referências da operação e chaves de segurança exigidas pelo sistema financeiro
internacional.
A
repercussão dos bastidores dessa transferência revela o motivo da triangulação
financeira: em 5 de fevereiro, o pastor Fabiano Zettel avisou Vorcaro que a
área de conformidade (compliance) e câmbio do próprio Banco Master estava
criando severos obstáculos burocráticos para enviar os milhões para o filme no
exterior. Para burlar a fiscalização, os operadores decidiram usar a estrutura
jurídica da Entre Investimentos.
A
confirmação do sucesso da manobra veio no dia 14 de fevereiro, exatas 24 horas
após a compensação bancária internacional. Em mensagem direta a Daniel Vorcaro,
o pastor Zettel anexou o comprovante SWIFT de US$ 2 milhões e resumiu o
sentimento do grupo em uma celebração de uma única palavra: “Filme!”.
O
espaço permanece aberto para a manifestação formal dos citados, que até o
momento têm evitado dar explicações detalhadas sobre o teor técnico dos
documentos apresentados.
• Karina Gama, produtora do filme “Dark
Horse”, é investigada há quase dez anos
A
empresária Karina Gama, responsável pela produtora associada ao filme Dark
Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, já era alvo de
apontamentos da Controladoria-Geral da União (CGU) antes de ampliar sua atuação
em contratos públicos de grande valor. Documentos obtidos pelo pelo site The
Intercept Brasil mostram que investigações sobre a gestão de recursos por
organizações ligadas à empresária remontam a pelo menos sete anos.
Os
relatórios analisam a atuação do Instituto Conhecer Brasil, organização
comandada por Karina e que, segundo os auditores, apresentou indícios de
irregularidades em projetos financiados com recursos administrados pelo Serviço
Social da Indústria (Sesi). Entre os apontamentos estão suspeitas de
superfaturamento, falhas na prestação de contas e possíveis conflitos
envolvendo empresas contratadas para executar serviços.
A
documentação revela que uma das preocupações dos auditores era a relação entre
o instituto e empresas terceirizadas contratadas para atuar em projetos
financiados pela entidade. Em um dos casos analisados, uma empresa escolhida
para executar serviços de infraestrutura e divulgação de um evento funcionava
praticamente no mesmo endereço da organização responsável pelo contrato,
diferenciando-se apenas pelo número da sala comercial.
Os
auditores registraram que a proximidade entre as empresas levantava dúvidas
sobre a independência da contratação e recomendaram aprofundamento das
verificações.
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Crescimento durante o governo Bolsonaro
Apesar
das ressalvas apontadas pelos órgãos de controle, os negócios vinculados a
Karina Gama cresceram significativamente nos anos seguintes. Segundo relatos de
pessoas que acompanharam a trajetória da empresária, a expansão ocorreu
principalmente durante o período em que Jair Bolsonaro ocupou a Presidência da
República.
Nesse
intervalo, organizações e empresas associadas a Karina passaram a participar de
projetos que movimentavam cifras muito superiores às registradas anteriormente.
Um dos contratos que ganhou destaque recentemente foi firmado com a Prefeitura
de São Paulo para implantação de pontos de internet em comunidades da capital
paulista.
O
acordo se tornou alvo de investigação policial após suspeitas de que parte dos
serviços previstos não teria sido efetivamente entregue.
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Filme financiado por banqueiro amplia escrutínio
A
situação ganhou nova dimensão após a divulgação de informações sobre o
financiamento do filme Dark Horse. Reportagens revelaram que a produção recebeu
recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
A
revelação trouxe novos questionamentos sobre a estrutura financeira do projeto
e colocou novamente sob os holofotes as empresas e organizações relacionadas à
produtora responsável pela obra.
Nos
bastidores, investigadores avaliam se há conexão entre os diferentes contratos
e a movimentação de recursos envolvendo entidades administradas por Karina
Gama.
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Recomendações para restringir contratações
Os
documentos da CGU mostram que as conclusões das auditorias motivaram
recomendações para reforçar controles e evitar novas contratações até que
pendências fossem esclarecidas.
Relatórios
internos do próprio Sesi também registraram preocupação com a execução de
projetos patrocinados pela entidade. Entre as medidas adotadas à época estavam
a interrupção de novos patrocínios semelhantes e o endurecimento das exigências
para análise de prestações de contas.
Segundo
fontes ligadas aos órgãos de controle, os relatórios sempre estiveram
disponíveis para consulta pública, o que significa que eventuais gestores
interessados em contratar organizações ligadas à empresária poderiam ter acesso
às informações antes da assinatura de novos acordos.
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Investigações continuam
Atualmente,
atividades relacionadas a Karina Gama e a entidades sob sua gestão são objeto
de apurações conduzidas por diferentes órgãos, incluindo a Polícia Federal, a
Polícia Civil de São Paulo e o Supremo Tribunal Federal.
As
investigações buscam esclarecer possíveis irregularidades em contratos
públicos, execução de projetos e movimentações financeiras envolvendo
organizações vinculadas à empresária. Até o momento, os procedimentos seguem em
andamento e não há conclusão definitiva sobre as responsabilidades dos
envolvidos.
Fonte:
Fórum

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