sexta-feira, 12 de junho de 2026

Moisés Mendes: Eles ainda fingem não saber quem é Flávio Bolsonaro

Flávio é como as figuras dos circos de horrores de antigamente. Todos sabem que ele é uma aberração política, mas querem vê-lo de perto para saber como se comporta. Os que se aproximam também fazem parte de um teatro de verdades e fingimentos.

Flávio é peludo e tem garras, mas finge que é fofo e moderado, que é liberal e que é até humanista. E muita gente finge acreditar que ele possa ser tudo isso. É extremista e assustador, mas nunca será como foi o pai abominável, cruel e sem escrúpulos.

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É o que pode ter acontecido essa semana em almoço de mulheres empresárias do Grupo Voto, em São Paulo. As anfitriãs ouviram de Flávio que ele é um caçador de bandidos do crime organizado. E que Lula, por se opor à classificação desses bandidos como terroristas, como Trump deseja, “parece ser o chefe do PCC”.

Mulheres empresárias foram ouvir essa conversa na segunda-feira. Nessa terça, leram nas manchetes dos jornais que um ex-chefe de investigações contra o tráfico, da polícia civil de Tarcísio de Freitas, era infiltrado do PCC.

O investigador e um ex-estagiário atuavam dentro da polícia. O crime organizado que Flávio diz combater é parte da polícia de Tarcísio e está dentro da Faria Lima que trabalha para o bolsonarismo e treina até estagiários para o PCC. Mas senhoras empresárias podem ter fingido acreditar, como quase toda a direita finge, que Lula é o cara envolvido com o PCC.

É quase idêntica a situação do eleitor que chamam genericamente de independente, essa entidade quase mitológica da política brasileira. O eleitor até agora indeciso e sem candidato teria demonstrado espanto, expresso em pesquisas, com o fato de que Flávio é amigo-irmão do banqueiro mafioso Daniel Vorcaro.

O eleitor independente se espanta porque ele e as executivas e empresárias são da mesma turma dos crédulos inocentes. Dizem não saber direito quem é Flávio Bolsonaro. Os cientistas informam que esse eleitor representa até um terço dos brasileiros. É a figura mais arrogante e pernóstica do eleitorado.

Esse eleitor blasé não diz em quem vai votar, enrola até parentes e amigos e tenta passar uma sabedoria que os eleitores já engajados não teriam. O eleitor independente e as empresárias em dúvida se consideram protagonistas numa eleição.

Mas são apenas figurantes que ajudam, com seus vacilos, a esclarecer muita coisa do que ainda é confuso. Precisamos reconhecer a contribuição do indeciso ao esforço para a compreensão desse muro de fingimentos. Eu não sei, eu preciso ver de perto, eu só confio ouvindo suas propostas.

Mas os eleitores independentes e as empresárias sabem, no que importa, quem é Flávio Bolsonaro. Sabem que propostas são conversas vagas e sem fundamento. Os negaceios dos indecisos ajudam a lançar luzes no teatro da campanha já deflagrada. A contribuição é essa: um terço da população simula desconhecimento sobre o que é bem conhecido.

Sabemos que poucos não sabem de fato quem é, na essência, o candidato Flávio Bolsonaro. Sabem o que fez e o que fará, ao completar agora 23 anos de política. Sabem tudo sobre o pai dele. Sabem muito bem dos irmãos e das estruturas políticas que os sustentam.

E todos sabem quem é Lula. Mas um terço da população se diz  independente e/ou indecisa, sob o pretexto de que tomará uma decisão na última hora, porque só às vésperas do voto terão certezas que ainda não se apresentaram.

E eles sabem que Flávio é o cara com vínculos provados com o crime organizado e com o que especialistas em segurança definem como organizações milicianas e mafiosas, e não como terroristas. Flávio nem tem condições de ser terrorista.

E sabem que Lula tem se esforçado para combater essas organizações criminosas que agem por toda parte, no mercado financeiro da Faria Lima bolsonarista e na polícia do bolsonarista Tarcísio de Freitas.

O eleitor independente e a elite em ‘dúvida’, diante de uma escolha difícil, não são, é claro, a mesma pessoa, até porque há muitos pobres entre esses indecisos. O que há em comum entre eles é a certeza de que a dúvida é apenas uma desculpa, quando a verdade é desconfortável.

•        Com ajuda da imprensa, Flávio Bolsonaro inunda noticiário com mentiras. Por Chico Alves

Jornais, sites e emissoras de rádio e TV divididem o noticiário em editorias: política, economia, cultura, meio ambiente… e por aí vai. Além dessas, convencionais, há uma seção muito movimentada ultimamente na imprensa brasileira que ainda não foi batizada. Pode muito bem ser chamada de editoria “diz que”.

É um espaço cravado no meio das notícias, dedicado exclusivamente às mentiras e acusações infundadas de Flávio Bolsonaro e sua família — o alvo obviamente é Lula e seu governo.

Basta olhar as páginas principais de grandes veículos de comunicação ou fazer uma pesquisa rápida no Google para constatar a grande quantidade de títulos que começam assim: “Flávio Bolsonaro diz que…” O que vem depois disso invariavelmente é uma mentira, distorção de algum fato ou pura ofensa, sem nenhuma contestação por parte do site, jornal ou emissora que publicou.

Há também variantes como “afirma que” ou “diz Flávio”.

Não é que jornalistas devam publicar apenas as declarações inteligentes, coerentes ou brilhantes de políticos e outras figuras públicas. Muitas vezes, é justamente pelas asneiras ditas que um figurão revela seu verdadeiro caráter — vide o patriarca, Jair Bolsonaro. Mas todas as afirmações que não tiverem base na realidade devem ser contestadas e contextualizadas pelo veículo. Ou então a asneira passa como verdade.

São muitos os exemplos recentes dessa anomalia jornalística.

Na segunda-feira (8), a Folha de S. Paulo publicou o seguinte título em sua homepage: “Em evento com empresários em SP, Flávio Bolsonaro afirma que Lula parece ser o ‘chefe do PCC'”. Nessa acusação completamente sem fundamento, o presidenciável do PL joga no ar uma fala irresponsável e o jornal simplesmente reproduz, sem contestar.

Também o site Poder360 publicou a acusação: “Flávio Bolsonaro diz que Lula ‘parece’ chefe do PCC”. Zero de contestação, nem a simples informação de que a afirmação foi feita sem nenhuma prova. O site apenas comunica ter procurado a Presidência da República, que não se pronunciou — como se a imprensa precisasse do “outro lado” para chamar uma mentira de mentira.

A Folha é um dos veículos que mais utiliza a editoria “diz que” e suas variantes.

Há uma semana, o periódico estampou na primeira página da edição impressa a chamada “Flávio fala em guerra espiritual na Marcha para Jesus”. O embate etéreo a que o filho 01 se referia era, claro, contra Lula. Durante o mesmo evento, o presidente da República mandou a seu aliado, Jorge Messias, o seguinte recado, para justificar a ausência: “Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada”.

Qual das duas declarações é mais relevante? Ou a Folha acredita na tese de “guerra espiritual”? Mesmo que fosse para contestar Lula — certamente a ausência teve muito a ver com a enorme possibilidade de ser mal recebido pelo rebanho de tantos pastores bolsonaristas –, a fala do presidente deveria ter o destaque dado à mistificação de Flávio.

Na atual temporada eleitoral a editoria informal se transformou em palanque para o senador amigão de Daniel Vorcaro falar as besteiras que quiser — e com destaque. Nesta quarta-feira (10) tivemos essa pérola na Folha: “Flávio Bolsonaro diz que a Lula persegue o agro e trata os produtores como bandidos e fascistas”. O Globo fez coisa parecida.

Os jornais não se dignaram a oferecer aos leitores, em contraponto, mínima informação sobre o generoso investimento que os sucessivos governos do PT fizeram no setor agropecuário. A fala do senador circulou sem qualquer checagem ou crítica.

Tratadas de forma adequada, as bobagens e mentiras disseminadas por figuras públicas podem servir de material para estudo antropológico. Foi assim com “Febeapá – O Festival de Besteiras que Assola o País”, série de três livros de Stanislaw Ponte Preta, heterônimo do jornalista Sérgio Porto, que mostrou a péssima qualidade dos políticos do Brasil nos anos de 1966, 1967 e 1968, início da ditadura militar.

Do jeito que as besteiras de Flávio Bolsonaro frequentam o noticiário, a imprensa, que sempre se gaba de estar em busca da verdade, se torna apenas porta-voz de um mentiroso.

Pior: um mentiroso que tenta a todo custo se eleger presidente da República.

•        Eleitores independentes e direita não-bolsonarista abandonam Flávio Bolsonaro

 Eleitores independentes e da direita não-bolsonarista reduziram o apoio ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ajudaram o presidente Lula (PT) a ampliar sua vantagem nas simulações eleitorais de 2026, segundo análise do professor e diretor da Quaest, Felipe Nunes, com base na nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10). No primeiro turno estimulado, o presidente aparece com 39%, contra 29% do senador, uma diferença de 10 pontos percentuais.

A pesquisa Genial/Quaest, contratada pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado sob o número BR-07661/2026.

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Na avaliação de Felipe Nunes, o bolsonarismo segue consolidado em torno de Flávio Bolsonaro, mas o mesmo não ocorre com outros segmentos da direita. “O bolsonarismo continua firme com Flávio (94%), mas repare que a direita não-bolsonarista aparece bem menos adepta a Flávio no 1º turno”, afirmou o diretor da Quaest em análise publicada no X.

Segundo ele, esse grupo já começa a se dividir entre diferentes nomes. “Já são 11% deles com intenção de votar em Renan, 10% em Lula e 6% em Caiado”, escreveu Nunes. No cenário geral de primeiro turno, Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem com 3% cada. Aécio Neves e Romeu Zema têm 2% cada, enquanto os indecisos somam 10%.

<><> Independentes mudam cenário de segundo turno

A mudança mais relevante apontada por Felipe Nunes ocorre entre os eleitores independentes. Na simulação de segundo turno, Lula lidera Flávio Bolsonaro por 44% a 38%, uma vantagem de seis pontos percentuais. Segundo o diretor da Quaest, “a mudança mais expressiva aconteceu nos independentes, que trocaram Flávio por Lula”.

No recorte desse eleitorado, Lula aparece com 37%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 24%. Outros 30% dizem que votariam em branco, anulariam ou não votariam, e 9% estão indecisos. O resultado mostra que o grupo independente, considerado decisivo para a disputa, passou a favorecer mais o presidente do que o senador.

Nunes também chamou atenção para a perda de fôlego de Flávio entre eleitores de direita não-bolsonarista. Neste grupo, o senador saiu de 88% para 82%. “Também chama atenção a oscilação negativa que Flávio obtém entre a direita não-bolsonarista”, afirmou.

<><> Outros nomes da direita não superam Flávio

Apesar da piora de Flávio Bolsonaro em segmentos importantes, a análise de Felipe Nunes aponta que outros nomes da direita ainda não conseguem se mostrar mais competitivos contra Lula. “Os outros nomes da direita não conseguem, no entanto, melhorar seu desempenho contra Lula a ponto de serem mais competitivos que Flávio”, escreveu.

Na simulação contra Romeu Zema (Novo), Lula aparece com 45%, contra 35% do ex-governador mineiro. Contra Ronaldo Caiado (PSD), o presidente também registra 45%, enquanto o ex-governador goiano tem 35%. Zema teve oscilação negativa no último mês, enquanto Caiado se manteve estável nas três pesquisas mais recentes.

Renan Santos (Missão) foi o nome que mais avançou entre os adversários testados, mas ainda aparece atrás de Flávio no potencial competitivo contra Lula. “Quem tem melhorado seu desempenho na simulação de 2º turno é Renan Santos, que chegou a 31%, seu melhor desempenho na série histórica. Mas ainda aparece menos competitivo que Flávio”, afirmou o diretor da Quaest.

<><> Rejeição e desconhecimento pesam no campo da direita

A pesquisa também mediu conhecimento, potencial de voto e rejeição de lideranças nacionais. Segundo Felipe Nunes, Lula teve oscilação positiva de um ponto em seu potencial de voto, enquanto Flávio Bolsonaro viu sua rejeição oscilar negativamente dois pontos. A análise destaca ainda que os demais nomes seguem com alto grau de desconhecimento entre os eleitores.

No levantamento, Lula aparece com 45% de eleitores que dizem conhecê-lo e que votariam nele, 2% que não o conhecem e 53% que o conhecem, mas não votariam. Flávio Bolsonaro tem 39% de potencial de voto, 5% de desconhecimento e 56% de rejeição.

Entre outros nomes, o desconhecimento é mais elevado. Romeu Zema tem 20% de potencial de voto, 51% de desconhecimento e 29% de rejeição. Ronaldo Caiado aparece com 20% de potencial, 48% de desconhecimento e 32% de rejeição. Renan Santos tem 10% de potencial de voto, 70% de desconhecimento e 20% de rejeição.

<><> Melhora de Lula tem três explicações, diz Nunes

Para Felipe Nunes, a melhora do cenário para Lula tem três fatores principais. O primeiro é o efeito continuado da nova faixa de isenção do Imposto de Renda. Segundo a pesquisa, 32% dos entrevistados dizem que a isenção beneficiou diretamente sua família, e, entre os beneficiados, 23% afirmam que a renda aumentou significativamente.

O segundo fator apontado é o impacto do novo Desenrola. A pesquisa mostra que caiu de 28% para 23% o percentual de brasileiros que dizem ter muitas dívidas. Ao mesmo tempo, subiu para 30% o grupo que afirma não ter dívidas.

O terceiro fator é a percepção sobre a cobertura noticiosa do governo. Segundo a Quaest, 34% dizem ter visto notícias mais positivas sobre o governo Lula, enquanto 40% apontam notícias mais negativas. Embora as menções negativas ainda sejam maiores, a série mostra crescimento das notícias positivas em relação às rodadas anteriores.

<><> Banco Master amplia desgaste de Flávio

A piora de Flávio Bolsonaro, segundo Felipe Nunes, também tem três explicações complementares. A primeira é o aumento, de 9% para 16%, no percentual de brasileiros que acreditam que a crise do Banco Master afetará mais a família Bolsonaro.

A pesquisa mostra ainda que 65% dos entrevistados avaliam que Flávio Bolsonaro errou ao pedir financiamento ao banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro (PL). Apenas 17% dizem que ele acertou, enquanto 18% não souberam ou não responderam.

Outro dado destacado por Nunes é que 58% dos brasileiros acreditam que Flávio Bolsonaro pode estar escondendo um possível envolvimento ilegal no caso Banco Master. Além disso, 60% avaliam que as conversas entre Flávio e Vorcaro levantaram suspeitas sobre atitudes ilegais, enquanto 19% consideram que foram normais.

<><> Agenda com Trump não beneficia Flávio

A análise também aponta que a agenda de Flávio Bolsonaro associada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não produziu efeitos positivos para o senador. Embora 60% defendam que organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho sejam classificadas como terroristas pelo governo brasileiro, a sociedade aparece dividida sobre a decisão ser tomada pelo governo norte-americano.

Quando a pergunta trata dos Estados Unidos, 45% defendem que o governo americano classifique PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, enquanto outros 45% são contra. Além disso, 53% acreditam que as punições dos EUA podem prejudicar bancos e empresas brasileiras.

No tema das tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, a narrativa de Lula tem maior aderência. A pesquisa mostra que 47% concordam mais com Lula, que acusa Flávio Bolsonaro de ter pedido o novo tarifaço contra o Brasil. Outros 35% concordam mais com Flávio, que diz ter pedido a Trump para não impor novas tarifas.

A Quaest também perguntou qual explicação os entrevistados consideram mais convincente sobre as tarifas. Para 46%, prevalece a versão de Lula, segundo a qual as novas tarifas seriam uma retaliação ao Pix. Para 36%, vale mais a versão atribuída a Flávio, de que as tarifas seriam resultado de declarações de Lula contra os Estados Unidos. Outros 10% não concordam com nenhum dos dois, e 8% não souberam ou não responderam.

O conjunto dos dados mostra que Lula ampliou vantagem no confronto com Flávio Bolsonaro em meio à melhora marginal da avaliação do governo e ao aumento do desgaste do senador em temas como Banco Master, tarifaço e relação com Trump.

 

Fonte: Brasil 247/ICL Notícias

 

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