Moisés
Mendes: Eles ainda fingem não saber quem é Flávio Bolsonaro
Flávio
é como as figuras dos circos de horrores de antigamente. Todos sabem que ele é
uma aberração política, mas querem vê-lo de perto para saber como se comporta.
Os que se aproximam também fazem parte de um teatro de verdades e fingimentos.
Flávio
é peludo e tem garras, mas finge que é fofo e moderado, que é liberal e que é
até humanista. E muita gente finge acreditar que ele possa ser tudo isso. É
extremista e assustador, mas nunca será como foi o pai abominável, cruel e sem
escrúpulos.
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É o que
pode ter acontecido essa semana em almoço de mulheres empresárias do Grupo
Voto, em São Paulo. As anfitriãs ouviram de Flávio que ele é um caçador de
bandidos do crime organizado. E que Lula, por se opor à classificação desses
bandidos como terroristas, como Trump deseja, “parece ser o chefe do PCC”.
Mulheres
empresárias foram ouvir essa conversa na segunda-feira. Nessa terça, leram nas
manchetes dos jornais que um ex-chefe de investigações contra o tráfico, da
polícia civil de Tarcísio de Freitas, era infiltrado do PCC.
O
investigador e um ex-estagiário atuavam dentro da polícia. O crime organizado
que Flávio diz combater é parte da polícia de Tarcísio e está dentro da Faria
Lima que trabalha para o bolsonarismo e treina até estagiários para o PCC. Mas
senhoras empresárias podem ter fingido acreditar, como quase toda a direita
finge, que Lula é o cara envolvido com o PCC.
É quase
idêntica a situação do eleitor que chamam genericamente de independente, essa
entidade quase mitológica da política brasileira. O eleitor até agora indeciso
e sem candidato teria demonstrado espanto, expresso em pesquisas, com o fato de
que Flávio é amigo-irmão do banqueiro mafioso Daniel Vorcaro.
O
eleitor independente se espanta porque ele e as executivas e empresárias são da
mesma turma dos crédulos inocentes. Dizem não saber direito quem é Flávio
Bolsonaro. Os cientistas informam que esse eleitor representa até um terço dos
brasileiros. É a figura mais arrogante e pernóstica do eleitorado.
Esse
eleitor blasé não diz em quem vai votar, enrola até parentes e amigos e tenta
passar uma sabedoria que os eleitores já engajados não teriam. O eleitor
independente e as empresárias em dúvida se consideram protagonistas numa
eleição.
Mas são
apenas figurantes que ajudam, com seus vacilos, a esclarecer muita coisa do que
ainda é confuso. Precisamos reconhecer a contribuição do indeciso ao esforço
para a compreensão desse muro de fingimentos. Eu não sei, eu preciso ver de
perto, eu só confio ouvindo suas propostas.
Mas os
eleitores independentes e as empresárias sabem, no que importa, quem é Flávio
Bolsonaro. Sabem que propostas são conversas vagas e sem fundamento. Os
negaceios dos indecisos ajudam a lançar luzes no teatro da campanha já
deflagrada. A contribuição é essa: um terço da população simula desconhecimento
sobre o que é bem conhecido.
Sabemos
que poucos não sabem de fato quem é, na essência, o candidato Flávio Bolsonaro.
Sabem o que fez e o que fará, ao completar agora 23 anos de política. Sabem
tudo sobre o pai dele. Sabem muito bem dos irmãos e das estruturas políticas
que os sustentam.
E todos
sabem quem é Lula. Mas um terço da população se diz independente e/ou indecisa, sob o pretexto de
que tomará uma decisão na última hora, porque só às vésperas do voto terão
certezas que ainda não se apresentaram.
E eles
sabem que Flávio é o cara com vínculos provados com o crime organizado e com o
que especialistas em segurança definem como organizações milicianas e mafiosas,
e não como terroristas. Flávio nem tem condições de ser terrorista.
E sabem
que Lula tem se esforçado para combater essas organizações criminosas que agem
por toda parte, no mercado financeiro da Faria Lima bolsonarista e na polícia
do bolsonarista Tarcísio de Freitas.
O
eleitor independente e a elite em ‘dúvida’, diante de uma escolha difícil, não
são, é claro, a mesma pessoa, até porque há muitos pobres entre esses
indecisos. O que há em comum entre eles é a certeza de que a dúvida é apenas
uma desculpa, quando a verdade é desconfortável.
• Com ajuda da imprensa, Flávio Bolsonaro
inunda noticiário com mentiras. Por Chico Alves
Jornais,
sites e emissoras de rádio e TV divididem o noticiário em editorias: política,
economia, cultura, meio ambiente… e por aí vai. Além dessas, convencionais, há
uma seção muito movimentada ultimamente na imprensa brasileira que ainda não
foi batizada. Pode muito bem ser chamada de editoria “diz que”.
É um
espaço cravado no meio das notícias, dedicado exclusivamente às mentiras e
acusações infundadas de Flávio Bolsonaro e sua família — o alvo obviamente é
Lula e seu governo.
Basta
olhar as páginas principais de grandes veículos de comunicação ou fazer uma
pesquisa rápida no Google para constatar a grande quantidade de títulos que
começam assim: “Flávio Bolsonaro diz que…” O que vem depois disso
invariavelmente é uma mentira, distorção de algum fato ou pura ofensa, sem
nenhuma contestação por parte do site, jornal ou emissora que publicou.
Há
também variantes como “afirma que” ou “diz Flávio”.
Não é
que jornalistas devam publicar apenas as declarações inteligentes, coerentes ou
brilhantes de políticos e outras figuras públicas. Muitas vezes, é justamente
pelas asneiras ditas que um figurão revela seu verdadeiro caráter — vide o
patriarca, Jair Bolsonaro. Mas todas as afirmações que não tiverem base na
realidade devem ser contestadas e contextualizadas pelo veículo. Ou então a
asneira passa como verdade.
São
muitos os exemplos recentes dessa anomalia jornalística.
Na
segunda-feira (8), a Folha de S. Paulo publicou o seguinte título em sua
homepage: “Em evento com empresários em SP, Flávio Bolsonaro afirma que Lula
parece ser o ‘chefe do PCC'”. Nessa acusação completamente sem fundamento, o
presidenciável do PL joga no ar uma fala irresponsável e o jornal simplesmente
reproduz, sem contestar.
Também
o site Poder360 publicou a acusação: “Flávio Bolsonaro diz que Lula ‘parece’
chefe do PCC”. Zero de contestação, nem a simples informação de que a afirmação
foi feita sem nenhuma prova. O site apenas comunica ter procurado a Presidência
da República, que não se pronunciou — como se a imprensa precisasse do “outro
lado” para chamar uma mentira de mentira.
A Folha
é um dos veículos que mais utiliza a editoria “diz que” e suas variantes.
Há uma
semana, o periódico estampou na primeira página da edição impressa a chamada
“Flávio fala em guerra espiritual na Marcha para Jesus”. O embate etéreo a que
o filho 01 se referia era, claro, contra Lula. Durante o mesmo evento, o
presidente da República mandou a seu aliado, Jorge Messias, o seguinte recado,
para justificar a ausência: “Eu não participo de nada religioso em época de
eleição porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito
político de uma coisa sagrada”.
Qual
das duas declarações é mais relevante? Ou a Folha acredita na tese de “guerra
espiritual”? Mesmo que fosse para contestar Lula — certamente a ausência teve
muito a ver com a enorme possibilidade de ser mal recebido pelo rebanho de
tantos pastores bolsonaristas –, a fala do presidente deveria ter o destaque
dado à mistificação de Flávio.
Na
atual temporada eleitoral a editoria informal se transformou em palanque para o
senador amigão de Daniel Vorcaro falar as besteiras que quiser — e com
destaque. Nesta quarta-feira (10) tivemos essa pérola na Folha: “Flávio
Bolsonaro diz que a Lula persegue o agro e trata os produtores como bandidos e
fascistas”. O Globo fez coisa parecida.
Os
jornais não se dignaram a oferecer aos leitores, em contraponto, mínima
informação sobre o generoso investimento que os sucessivos governos do PT
fizeram no setor agropecuário. A fala do senador circulou sem qualquer checagem
ou crítica.
Tratadas
de forma adequada, as bobagens e mentiras disseminadas por figuras públicas
podem servir de material para estudo antropológico. Foi assim com “Febeapá – O
Festival de Besteiras que Assola o País”, série de três livros de Stanislaw
Ponte Preta, heterônimo do jornalista Sérgio Porto, que mostrou a péssima
qualidade dos políticos do Brasil nos anos de 1966, 1967 e 1968, início da
ditadura militar.
Do
jeito que as besteiras de Flávio Bolsonaro frequentam o noticiário, a imprensa,
que sempre se gaba de estar em busca da verdade, se torna apenas porta-voz de
um mentiroso.
Pior:
um mentiroso que tenta a todo custo se eleger presidente da República.
• Eleitores independentes e direita
não-bolsonarista abandonam Flávio Bolsonaro
Eleitores independentes e da direita
não-bolsonarista reduziram o apoio ao senador e pré-candidato à Presidência
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ajudaram o presidente Lula (PT) a ampliar sua
vantagem nas simulações eleitorais de 2026, segundo análise do professor e
diretor da Quaest, Felipe Nunes, com base na nova pesquisa Genial/Quaest
divulgada nesta quarta-feira (10). No primeiro turno estimulado, o presidente
aparece com 39%, contra 29% do senador, uma diferença de 10 pontos percentuais.
A
pesquisa Genial/Quaest, contratada pela Genial Investimentos, ouviu 2.004
brasileiros de 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho de 2026. A margem
de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O
levantamento foi registrado sob o número BR-07661/2026.
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Na
avaliação de Felipe Nunes, o bolsonarismo segue consolidado em torno de Flávio
Bolsonaro, mas o mesmo não ocorre com outros segmentos da direita. “O
bolsonarismo continua firme com Flávio (94%), mas repare que a direita
não-bolsonarista aparece bem menos adepta a Flávio no 1º turno”, afirmou o
diretor da Quaest em análise publicada no X.
Segundo
ele, esse grupo já começa a se dividir entre diferentes nomes. “Já são 11%
deles com intenção de votar em Renan, 10% em Lula e 6% em Caiado”, escreveu
Nunes. No cenário geral de primeiro turno, Renan Santos e Ronaldo Caiado
aparecem com 3% cada. Aécio Neves e Romeu Zema têm 2% cada, enquanto os
indecisos somam 10%.
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Independentes mudam cenário de segundo turno
A
mudança mais relevante apontada por Felipe Nunes ocorre entre os eleitores
independentes. Na simulação de segundo turno, Lula lidera Flávio Bolsonaro por
44% a 38%, uma vantagem de seis pontos percentuais. Segundo o diretor da
Quaest, “a mudança mais expressiva aconteceu nos independentes, que trocaram
Flávio por Lula”.
No
recorte desse eleitorado, Lula aparece com 37%, enquanto Flávio Bolsonaro tem
24%. Outros 30% dizem que votariam em branco, anulariam ou não votariam, e 9%
estão indecisos. O resultado mostra que o grupo independente, considerado
decisivo para a disputa, passou a favorecer mais o presidente do que o senador.
Nunes
também chamou atenção para a perda de fôlego de Flávio entre eleitores de
direita não-bolsonarista. Neste grupo, o senador saiu de 88% para 82%. “Também
chama atenção a oscilação negativa que Flávio obtém entre a direita
não-bolsonarista”, afirmou.
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Outros nomes da direita não superam Flávio
Apesar
da piora de Flávio Bolsonaro em segmentos importantes, a análise de Felipe
Nunes aponta que outros nomes da direita ainda não conseguem se mostrar mais
competitivos contra Lula. “Os outros nomes da direita não conseguem, no
entanto, melhorar seu desempenho contra Lula a ponto de serem mais competitivos
que Flávio”, escreveu.
Na
simulação contra Romeu Zema (Novo), Lula aparece com 45%, contra 35% do
ex-governador mineiro. Contra Ronaldo Caiado (PSD), o presidente também
registra 45%, enquanto o ex-governador goiano tem 35%. Zema teve oscilação
negativa no último mês, enquanto Caiado se manteve estável nas três pesquisas
mais recentes.
Renan
Santos (Missão) foi o nome que mais avançou entre os adversários testados, mas
ainda aparece atrás de Flávio no potencial competitivo contra Lula. “Quem tem
melhorado seu desempenho na simulação de 2º turno é Renan Santos, que chegou a
31%, seu melhor desempenho na série histórica. Mas ainda aparece menos
competitivo que Flávio”, afirmou o diretor da Quaest.
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Rejeição e desconhecimento pesam no campo da direita
A
pesquisa também mediu conhecimento, potencial de voto e rejeição de lideranças
nacionais. Segundo Felipe Nunes, Lula teve oscilação positiva de um ponto em
seu potencial de voto, enquanto Flávio Bolsonaro viu sua rejeição oscilar
negativamente dois pontos. A análise destaca ainda que os demais nomes seguem
com alto grau de desconhecimento entre os eleitores.
No
levantamento, Lula aparece com 45% de eleitores que dizem conhecê-lo e que
votariam nele, 2% que não o conhecem e 53% que o conhecem, mas não votariam.
Flávio Bolsonaro tem 39% de potencial de voto, 5% de desconhecimento e 56% de
rejeição.
Entre
outros nomes, o desconhecimento é mais elevado. Romeu Zema tem 20% de potencial
de voto, 51% de desconhecimento e 29% de rejeição. Ronaldo Caiado aparece com
20% de potencial, 48% de desconhecimento e 32% de rejeição. Renan Santos tem
10% de potencial de voto, 70% de desconhecimento e 20% de rejeição.
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Melhora de Lula tem três explicações, diz Nunes
Para
Felipe Nunes, a melhora do cenário para Lula tem três fatores principais. O
primeiro é o efeito continuado da nova faixa de isenção do Imposto de Renda.
Segundo a pesquisa, 32% dos entrevistados dizem que a isenção beneficiou
diretamente sua família, e, entre os beneficiados, 23% afirmam que a renda
aumentou significativamente.
O
segundo fator apontado é o impacto do novo Desenrola. A pesquisa mostra que
caiu de 28% para 23% o percentual de brasileiros que dizem ter muitas dívidas.
Ao mesmo tempo, subiu para 30% o grupo que afirma não ter dívidas.
O
terceiro fator é a percepção sobre a cobertura noticiosa do governo. Segundo a
Quaest, 34% dizem ter visto notícias mais positivas sobre o governo Lula,
enquanto 40% apontam notícias mais negativas. Embora as menções negativas ainda
sejam maiores, a série mostra crescimento das notícias positivas em relação às
rodadas anteriores.
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Banco Master amplia desgaste de Flávio
A piora
de Flávio Bolsonaro, segundo Felipe Nunes, também tem três explicações
complementares. A primeira é o aumento, de 9% para 16%, no percentual de
brasileiros que acreditam que a crise do Banco Master afetará mais a família
Bolsonaro.
A
pesquisa mostra ainda que 65% dos entrevistados avaliam que Flávio Bolsonaro
errou ao pedir financiamento ao banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre
Jair Bolsonaro (PL). Apenas 17% dizem que ele acertou, enquanto 18% não
souberam ou não responderam.
Outro
dado destacado por Nunes é que 58% dos brasileiros acreditam que Flávio
Bolsonaro pode estar escondendo um possível envolvimento ilegal no caso Banco
Master. Além disso, 60% avaliam que as conversas entre Flávio e Vorcaro
levantaram suspeitas sobre atitudes ilegais, enquanto 19% consideram que foram
normais.
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Agenda com Trump não beneficia Flávio
A
análise também aponta que a agenda de Flávio Bolsonaro associada ao presidente
dos Estados Unidos, Donald Trump, não produziu efeitos positivos para o
senador. Embora 60% defendam que organizações criminosas como PCC e Comando
Vermelho sejam classificadas como terroristas pelo governo brasileiro, a
sociedade aparece dividida sobre a decisão ser tomada pelo governo
norte-americano.
Quando
a pergunta trata dos Estados Unidos, 45% defendem que o governo americano
classifique PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, enquanto
outros 45% são contra. Além disso, 53% acreditam que as punições dos EUA podem
prejudicar bancos e empresas brasileiras.
No tema
das tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, a
narrativa de Lula tem maior aderência. A pesquisa mostra que 47% concordam mais
com Lula, que acusa Flávio Bolsonaro de ter pedido o novo tarifaço contra o
Brasil. Outros 35% concordam mais com Flávio, que diz ter pedido a Trump para
não impor novas tarifas.
A
Quaest também perguntou qual explicação os entrevistados consideram mais
convincente sobre as tarifas. Para 46%, prevalece a versão de Lula, segundo a
qual as novas tarifas seriam uma retaliação ao Pix. Para 36%, vale mais a
versão atribuída a Flávio, de que as tarifas seriam resultado de declarações de
Lula contra os Estados Unidos. Outros 10% não concordam com nenhum dos dois, e
8% não souberam ou não responderam.
O
conjunto dos dados mostra que Lula ampliou vantagem no confronto com Flávio
Bolsonaro em meio à melhora marginal da avaliação do governo e ao aumento do
desgaste do senador em temas como Banco Master, tarifaço e relação com Trump.
Fonte:
Brasil 247/ICL Notícias

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