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de um terço dos adultos interpreta mal as instruções médicas
As
instruções dos medicamentos prescritos podem parecer claras, mas muitas vezes
levam a interpretações diferentes. Novas pesquisas sugerem que mal-entendidos e
erros relacionados a informações de saúde e instruções de medicamentos são
generalizados.
Quase
um terço dos americanos de meia-idade têm dificuldades com tarefas de saúde
pessoal, como lembrar informações de uma consulta médica, ler materiais de
saúde padrão e dosar corretamente os medicamentos, de acordo com uma pesquisa
publicada na quarta-feira no Journal of Internal Medicine.
Muitos
dos participantes da pesquisa já tinham experiência com o sistema de saúde –
alguns lidavam com múltiplas doenças crônicas.
“Nosso
estudo conseguiu realmente dar alguma validação às pessoas”, disse a coautora
do estudo, Abigail Vogeley, pesquisadora e doutoranda da Faculdade de Medicina
Feinberg da Universidade Northwestern, em Chicago. “Elas não estão sozinhas em
se sentirem confusas com o sistema de saúde e com os medicamentos.”
“É algo
que nós, como sistema de saúde, precisamos melhorar e ajudar as pessoas a lidar
com isso, em vez de simplesmente dizer: 'OK, boa sorte'.'
O
estudo solicitou a 942 pacientes de cuidados primários, com idade média de 52
anos, que realizassem uma série de tarefas para testar o nível de alfabetização
em saúde — ou seja, sua capacidade de interpretar, compreender e utilizar com
precisão as informações que lhes eram fornecidas.
Essas
tarefas incluíam simular uma consulta médica na qual os participantes recebiam
um novo diagnóstico e observar quais informações conseguiam lembrar e relatar,
além de dar aos participantes um frasco de remédio falso e observar quais
informações conseguiam obter lendo o rótulo e as instruções.
Apenas
10 minutos depois, as pessoas já tinham dificuldade em se lembrar de todos os
detalhes do diagnóstico que receberam, disse Vogeley. Além disso, os problemas
com as prescrições frequentemente surgiam de nuances na linguagem e da variação
nas práticas de rotulagem, acrescentou.
As
pessoas queriam obter informações corretas sobre suas prescrições e fazer o
melhor possível por sua saúde, mas promover a alfabetização em saúde pode ser
difícil quando as consultas médicas são curtas e as informações podem não ser
escritas de forma clara, disse o autor sênior do estudo, Dr. Michael Wolf,
professor de medicina e diretor do Centro de Pesquisa Aplicada em Saúde sobre
Envelhecimento da Northwestern.
Em
geral, os medicamentos funcionam melhor quando tomados conforme as instruções.
Ao
tomar um medicamento prescrito, seja com alimentos, a frequência de
administração ou até mesmo a finalidade do tratamento podem se perder na
comunicação, principalmente quando os pacientes não se sentem à vontade para
fazer perguntas aos seus profissionais de saúde, afirmou a Dra. Jan Carney,
presidente do American College of Physicians e professora de medicina na
Faculdade de Medicina Robert Larner da Universidade de Vermont.
Segundo
Vogeley, mal-entendidos nas instruções podem levar o paciente a tomar uma dose
insuficiente ou excessiva de um medicamento, a tomá-lo com outro medicamento
com o qual não deve ser combinado, ou a tomá-lo de uma forma que o torne mais
propenso a efeitos colaterais.
• Medo da radiação ainda afasta pacientes
de exames que podem salvar vidas
O
aumento do uso de exames de imagem na medicina moderna, indispensáveis para o
rastreio e o diagnóstico de várias doenças e para o acompanhamento preciso de
tratamentos, tem despertado em muitos pacientes receio de exposição à radiação.
O medo é compreensível, principalmente quando consideramos que, para a maioria
das pessoas, a radiação está associada a eventos catastróficos, como a explosão
das bombas atômicas que destruíram Hiroshima e Nagasaki, o desastre da usina de
Chernobyl e – bem mais perto de nós – a exposição ao Césio-137 proveniente de
um aparelho de radioterapia abandonado, fato que, há quase 40 anos, marcou o
país.
Na
medicina contemporânea, porém, exames de imagem e tratamentos guiados por
radiação são parte da rotina. O SUS realiza anualmente mais de 100 milhões de
exames de imagem que utilizam radiação ionizante, montante que, somado ao total
de exames realizados na rede privada, chega a 168 milhões por ano, segundo
mapeamento do Atlas da Radiologia no Brasil. O que nem todos conhecem é o grau
de evolução tecnológica da área: hoje, equipamentos muito mais modernos
conseguem produzir imagens mais precisas com doses muito menores de radiação do
que as usadas no passado.
No
final do século XIX e início do século XX, quando a radiologia estava em seus
primórdios, havia riscos reais, pois, sem conhecer os efeitos da radiação
ionizante, cientistas e profissionais de saúde se expunham a altas doses sem
nenhum tipo de proteção, sofrendo graves consequências, como queimaduras,
amputações e até mortes por câncer. De lá para cá, as coisas mudaram
radicalmente, tanto no quesito proteção de pacientes e de profissionais quanto
na evolução dos próprios equipamentos, inclusive com uso de inteligência
artificial.
A
tomografia computadorizada é o exame que mais expõe o paciente à radiação, mas,
há várias décadas, os equipamentos, além de muito mais eficientes na captura
das imagens, reduziram sobremaneira o tempo de exposição à radiação. Hoje temos
aparelhos equipados com algoritmos que ajustam a dose de radiação com base na
anatomia do paciente.
Além da
inovação tecnológica, os protocolos de proteção também evoluíram. Hoje nenhum
exame com radiação pode ser feito sem que haja justificativa médica
consistente, que comprove que o benefício do diagnóstico supera o risco da
exposição, por mínima que seja. Vale o princípio ALARA (As Low As Reasonably
Achievable), isto é, a dose deve ser “tão baixa quanto racionalmente
exequível”.
Assim,
a dose de radiação é calculada de acordo com o peso e a altura do paciente,
sendo drasticamente reduzida em caso de exames em crianças, cujas células se
multiplicam mais rápido e são mais sensíveis, podendo sofrer danos mais
severos. Os trabalhadores da saúde (técnicos e médicos) também estão
protegidos, sendo garantido a eles um teto de radiação acumulada permitida por
ano.
Os
pacientes podem e devem questionar os médicos quando lhes são pedidos exames. É
importante saber se o exame é realmente necessário naquele momento, que
benefícios pode trazer ao tratamento, que tipo de proteção será usado e,
finalmente, se há opções sem radiação. Vale lembrar que ultrassonografia e
ressonância magnética não usam radiação, não oferecendo nenhum risco. No caso
de gestantes, caso seja realmente necessário fazer uma tomografia na região
abdominal ou na pelve, o médico deve adotar protocolos de proteção máxima.
É
importante ter em mente que os exames são ferramentas absolutamente necessárias
para orientar os tratamentos e jamais devem ser negligenciados por qualquer
tipo de receio. Hoje os protocolos e os equipamentos oferecem segurança a todos
os pacientes.
Fonte:
CNN Brasil

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