sexta-feira, 12 de junho de 2026

Cerca de um terço dos adultos interpreta mal as instruções médicas

As instruções dos medicamentos prescritos podem parecer claras, mas muitas vezes levam a interpretações diferentes. Novas pesquisas sugerem que mal-entendidos e erros relacionados a informações de saúde e instruções de medicamentos são generalizados.

Quase um terço dos americanos de meia-idade têm dificuldades com tarefas de saúde pessoal, como lembrar informações de uma consulta médica, ler materiais de saúde padrão e dosar corretamente os medicamentos, de acordo com uma pesquisa publicada na quarta-feira no Journal of Internal Medicine.

Muitos dos participantes da pesquisa já tinham experiência com o sistema de saúde – alguns lidavam com múltiplas doenças crônicas.

“Nosso estudo conseguiu realmente dar alguma validação às pessoas”, disse a coautora do estudo, Abigail Vogeley, pesquisadora e doutoranda da Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, em Chicago. “Elas não estão sozinhas em se sentirem confusas com o sistema de saúde e com os medicamentos.”

“É algo que nós, como sistema de saúde, precisamos melhorar e ajudar as pessoas a lidar com isso, em vez de simplesmente dizer: 'OK, boa sorte'.'

O estudo solicitou a 942 pacientes de cuidados primários, com idade média de 52 anos, que realizassem uma série de tarefas para testar o nível de alfabetização em saúde — ou seja, sua capacidade de interpretar, compreender e utilizar com precisão as informações que lhes eram fornecidas.

Essas tarefas incluíam simular uma consulta médica na qual os participantes recebiam um novo diagnóstico e observar quais informações conseguiam lembrar e relatar, além de dar aos participantes um frasco de remédio falso e observar quais informações conseguiam obter lendo o rótulo e as instruções.

Apenas 10 minutos depois, as pessoas já tinham dificuldade em se lembrar de todos os detalhes do diagnóstico que receberam, disse Vogeley. Além disso, os problemas com as prescrições frequentemente surgiam de nuances na linguagem e da variação nas práticas de rotulagem, acrescentou.

As pessoas queriam obter informações corretas sobre suas prescrições e fazer o melhor possível por sua saúde, mas promover a alfabetização em saúde pode ser difícil quando as consultas médicas são curtas e as informações podem não ser escritas de forma clara, disse o autor sênior do estudo, Dr. Michael Wolf, professor de medicina e diretor do Centro de Pesquisa Aplicada em Saúde sobre Envelhecimento da Northwestern.

Em geral, os medicamentos funcionam melhor quando tomados conforme as instruções.

Ao tomar um medicamento prescrito, seja com alimentos, a frequência de administração ou até mesmo a finalidade do tratamento podem se perder na comunicação, principalmente quando os pacientes não se sentem à vontade para fazer perguntas aos seus profissionais de saúde, afirmou a Dra. Jan Carney, presidente do American College of Physicians e professora de medicina na Faculdade de Medicina Robert Larner da Universidade de Vermont.

Segundo Vogeley, mal-entendidos nas instruções podem levar o paciente a tomar uma dose insuficiente ou excessiva de um medicamento, a tomá-lo com outro medicamento com o qual não deve ser combinado, ou a tomá-lo de uma forma que o torne mais propenso a efeitos colaterais.

•        Medo da radiação ainda afasta pacientes de exames que podem salvar vidas

O aumento do uso de exames de imagem na medicina moderna, indispensáveis para o rastreio e o diagnóstico de várias doenças e para o acompanhamento preciso de tratamentos, tem despertado em muitos pacientes receio de exposição à radiação. O medo é compreensível, principalmente quando consideramos que, para a maioria das pessoas, a radiação está associada a eventos catastróficos, como a explosão das bombas atômicas que destruíram Hiroshima e Nagasaki, o desastre da usina de Chernobyl e – bem mais perto de nós – a exposição ao Césio-137 proveniente de um aparelho de radioterapia abandonado, fato que, há quase 40 anos, marcou o país.

Na medicina contemporânea, porém, exames de imagem e tratamentos guiados por radiação são parte da rotina. O SUS realiza anualmente mais de 100 milhões de exames de imagem que utilizam radiação ionizante, montante que, somado ao total de exames realizados na rede privada, chega a 168 milhões por ano, segundo mapeamento do Atlas da Radiologia no Brasil. O que nem todos conhecem é o grau de evolução tecnológica da área: hoje, equipamentos muito mais modernos conseguem produzir imagens mais precisas com doses muito menores de radiação do que as usadas no passado.

No final do século XIX e início do século XX, quando a radiologia estava em seus primórdios, havia riscos reais, pois, sem conhecer os efeitos da radiação ionizante, cientistas e profissionais de saúde se expunham a altas doses sem nenhum tipo de proteção, sofrendo graves consequências, como queimaduras, amputações e até mortes por câncer. De lá para cá, as coisas mudaram radicalmente, tanto no quesito proteção de pacientes e de profissionais quanto na evolução dos próprios equipamentos, inclusive com uso de inteligência artificial.

A tomografia computadorizada é o exame que mais expõe o paciente à radiação, mas, há várias décadas, os equipamentos, além de muito mais eficientes na captura das imagens, reduziram sobremaneira o tempo de exposição à radiação. Hoje temos aparelhos equipados com algoritmos que ajustam a dose de radiação com base na anatomia do paciente.

Além da inovação tecnológica, os protocolos de proteção também evoluíram. Hoje nenhum exame com radiação pode ser feito sem que haja justificativa médica consistente, que comprove que o benefício do diagnóstico supera o risco da exposição, por mínima que seja. Vale o princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable), isto é, a dose deve ser “tão baixa quanto racionalmente exequível”.

Assim, a dose de radiação é calculada de acordo com o peso e a altura do paciente, sendo drasticamente reduzida em caso de exames em crianças, cujas células se multiplicam mais rápido e são mais sensíveis, podendo sofrer danos mais severos. Os trabalhadores da saúde (técnicos e médicos) também estão protegidos, sendo garantido a eles um teto de radiação acumulada permitida por ano.

Os pacientes podem e devem questionar os médicos quando lhes são pedidos exames. É importante saber se o exame é realmente necessário naquele momento, que benefícios pode trazer ao tratamento, que tipo de proteção será usado e, finalmente, se há opções sem radiação. Vale lembrar que ultrassonografia e ressonância magnética não usam radiação, não oferecendo nenhum risco. No caso de gestantes, caso seja realmente necessário fazer uma tomografia na região abdominal ou na pelve, o médico deve adotar protocolos de proteção máxima.

É importante ter em mente que os exames são ferramentas absolutamente necessárias para orientar os tratamentos e jamais devem ser negligenciados por qualquer tipo de receio. Hoje os protocolos e os equipamentos oferecem segurança a todos os pacientes.

 

Fonte: CNN Brasil

 

Nenhum comentário: