sexta-feira, 12 de junho de 2026

'Eu amo a inflação', diz Trump, enquanto preços nos EUA sobem no ritmo mais acelerado em 3 anos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quarta-feira (10/06) que "ama a inflação" — após novos dados mostrarem que os preços subiram no mês passado no ritmo mais rápido em três anos no país.

Dados do Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS, na sigla em inglês) mostraram que os preços aumentaram 4,2% em maio em relação a um ano antes. O aumento, de 3,8% em abril, foi impulsionado pela alta dos custos de energia na esteira da guerra entre EUA e Israel no Irã.

"Eu amo isso. Os números foram ótimos. Sabe o que eu realmente amo? Eu amo a inflação", disse Trump na Casa Branca.

Trump prometeu que a inflação vai "cair como uma pedra" quando a guerra com o Irã terminar. Mais tarde no mesmo dia, os militares dos EUA bombardearam o Irã.

Reagindo aos números da inflação na quarta-feira, o presidente disse que forças dos EUA realizaram operações noturnas para retirar "milhões de barris" de petróleo do Irã, o que, segundo ele, contribuiu para uma leve queda nos preços.

"Quando esse conflito acabar… você verá o [preço do] petróleo cair para onde estava antes", disse Trump a jornalistas na Casa Branca.

O principal índice global do petróleo, o Brent, ainda está sendo negociado significativamente acima dos níveis anteriores à guerra.

Trump disse posteriormente ao jornal New York Post que seus comentários foram tirados de contexto e que quis dizer que a inflação está "muito mais baixa do que o previsto", apesar da guerra no Irã.

<><> Inflação alta nos EUA

A quarta-feira marcou o terceiro mês consecutivo de alta no Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA, com consumidores sentindo cada vez mais o impacto da guerra dos EUA e de Israel no Irã.

Trump já havia dito em outras ocasiões que a inflação está subindo apenas temporariamente e que espera que ela desacelere rapidamente assim que a guerra terminar.

A inflação ainda está bem abaixo do pico de 9,1% durante o governo de seu antecessor Joe Biden em meados de 2022.

Ainda assim, representa um problema político para Trump, dado que os eleitores classificaram a economia como uma das principais preocupações antes das eleições legislativas de novembro.

Uma inflação mais alta aumenta a probabilidade de o Federal Reserve — o Banco Central dos EUA — elevar as taxas de juros na tentativa de conter os gastos.

De modo geral, as contas de energia — incluindo gás e eletricidade — estavam quase um quarto mais altas em maio do que um ano antes, sendo a gasolina responsável por grande parte desse aumento.

Segundo dados da associação automobilística AAA, o preço médio do galão de gasolina comum nos EUA está atualmente em US$ 4,15 (R$ 4,73 por litro) — um aumento significativo em relação aos US$ 2,98 (R$ 3,40 por litro) registrados em 28 de fevereiro, quando Trump lançou ataques contra o Irã.

Em resposta aos ataques, o Irã fechou o estreito de Ormuz, por onde normalmente passa o transporte de cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo, restringindo a oferta.

Na noite de quarta-feira, os militares dos EUA disseram ter lançado ataques contra o Irã pela segunda vez em dois dias.

Ambos os lados têm trocado ataques esta semana — apesar de um cessar-fogo que entrou em vigor em abril. O conflito começou há mais de três meses.

Os dados do BLS também apontaram para o aumento dos custos de passagens aéreas, cuidados pessoais e médicos, lazer e comunicação.

O CPI mede a alta dos preços em um determinado mês em comparação com o mesmo mês do ano anterior. A meta de inflação de longo prazo do Fed é de 2%.

Economistas alertaram que, mesmo com uma resolução rápida da guerra no Irã, pode levar até 2027 para que o fluxo normal de bens pelo estreito de Ormuz seja restabelecido.

Trump prometeu em sua campanha de 2024 que reduzir a inflação estaria no centro de sua agenda.

Mas seu comentário de quarta-feira, aparentemente entusiasmado com o aumento dos preços, foi explorado por opositores. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, escreveu na rede X: "O desprezo dele por vocês não tem limites."

Trump também foi criticado no mês passado por dizer que não foi "nem um pouco" influenciado pela situação financeira dos americanos ao tentar garantir que o Irã não desenvolva armas nucleares.

<><> Desafio para autoridades monetárias

A inflação mais alta também representa um desafio para Kevin Warsh, o novo presidente do Federal Reserve, antes de sua primeira decisão sobre taxas de juros à frente do banco central na próxima semana.

Quando a inflação está significativamente acima da meta do Fed, o conselho de governadores do banco central normalmente opta por elevar as taxas de juros. Isso, por sua vez, aumenta os custos de empréstimos e restringe o fluxo de dinheiro na economia, limitando novos aumentos de preços e trazendo a inflação sob controle.

No período que antecedeu a nomeação de Warsh, Trump pediu repetidamente a seu antecessor, Jerome Powell, e ao banco central que reduzissem as taxas de juros.

Economistas esperam que as taxas permaneçam no nível atual, entre 3,5% e 3,75%, no próximo mês, mas alertaram que mais evidências de inflação persistente podem forçar o Fed a elevá-las.

Stephen Brown, economista-chefe para a América do Norte da Capital Economics, disse que a alta de maio, por si só, "não é grande o suficiente para fornecer munição" àqueles no comitê de definição de taxas do Fed que querem aumentá-las.

Mas Isaac Stell, gestor de investimentos da Wealth Club, disse que um aumento das taxas de juros é "a conclusão mais lógica com base nos dados de hoje combinados com os sólidos números de empregos da semana passada".

¨      Inflação dos EUA sobe ao nível mais alto em três anos e pressiona Trump

A inflação disparou em maio nos Estados Unidos para um máximo em três anos devido aos preços da energia a partir da guerra contra o Irã do presidente americano, Donald Trump, o que representa um desafio para os republicanos com vistas às eleições de meio de mandato.

O índice de preços ao consumo (IPC) subiu para 4,2% interanual, acima dos 3,8% de abril, informou, nesta quarta-feira (11), o Escritório de Estatísticas de Trabalho dos Estados Unidos.

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Trata-se do maior número desde abril de 2023, mas está alinhado com as expectativas dos analistas.

Este repique é explicado em grande medida pelo encarecimento da gasolina provocado pela guerra no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro com o ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Em represália, o Irã bloqueou o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% do petróleo mundial. 

Os dados de maio mostram que os preços da energia aumentaram 23,5% em relação ao mesmo período do ano passado, com um aumento de 40,5% na gasolina.

Os preços dos alimentos subiram de forma significativa pelo segundo mês consecutivo, 2,7%.

Trump tem insistido que o impacto nos preços será temporário e em que em breve será assinado um acordo de paz, mas o encarecimento dos custos é um tema-chave para os eleitores à medida que se aproximam as eleições de meio de mandato, em novembro.

O Partido Republicano de Trump pretende manter o controle das duas Câmaras do Congresso, mas enfrentará uma prova difícil enquanto os preços impactam as famílias americanas.

Se os legisladores democratas recuperarem uma ou as duas Câmaras, limitarão a capacidade de Trump de levar adiante suas políticas no Congresso, como tem feito ao longo de seu segundo mandato.

- "Eu adoro a inflação" -

"Os números foram magníficos... eu adoro a inflação", respondeu Trump aos jornalistas que perguntaram se ele estava preocupado com os dados divulgados nesta quarta-feira.

No Salão Oval da Casa Branca, ele insistiu que "a inflação vai cair como uma pedra" quando a guerra terminar.

"Consideramos que a inflação atingiu um teto e deveria desacelerar durante o segundo semestre, com a condição de que se encontre um acordo rapidamente com o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz", disse, em nota, Kathy Bostjancic, economista da Nationwide. 

Outros preços que subiram foram o do atendimento médico, das tarifas aéreas e do lazer. 

Há anos, os americanos enfrentam preços mais altos que o esperado, com uma inflação que tem se mantido elevada muito após a pandemia.

A inflação subjacente - excluindo a energia e os alimentos - também subiu em maio a 2,9% interanual, frente aos 2,8% de abril.

No começo do ano, a inflação nos Estados Unidos se manteve estável, em 2,4% tanto em janeiro quanto em fevereiro.

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) trabalha com uma meta de inflação de 2% no longo prazo, e a comissão encarregada de fixar a principal taxa de juros do BC se reunirá na próxima semana.

Os mercados esperam que esta reunião mantenha os juros inalterados, mas agora estão estimando aumentos dos juros mais à frente no ano, o que inquieta os investidores em renda variável.

Antes da guerra, os mercados tinham estimado cortes nos juros mais adiante no ano, com a expectativa de que a inflação impulsionada pela política tarifária de Trump começasse a se atenuar.

O índice de inflação preferido pelo Fed, o índice de preços dos Gastos de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), também alcançou um máximo em três anos em sua última leitura.

"O Fed não estará na posição de cortar os juros se isto continuar", afirmou Chris Zaccarelli, diretor de investimentos da Northlight Asset Management. 

"O mercado acionário vem escalando um muro de preocupações e foi capaz de se recuperar graças a lucros mais sólidos e a taxas de juros estáveis, mas um ambiente com juros em alta é algo completamente diferente", acrescentou.

¨      BCE aumenta as taxas de juro para travar a inflação provocada pela guerra

O Banco Central Europeu elevou as taxas de juros pela primeira vez em quase três anos nesta quinta-feira, na esperança de conter a inflação antes que o aumento nos custos de energia, desencadeado pela guerra com o Irã, se espalhe de forma mais ampla pela economia da zona do euro.

Foi o primeiro aumento de juros por um dos principais bancos centrais globais em resposta ao choque energético e ocorre uma semana antes de o Federal Reserve dos EUA, o Banco do Japão, o Banco da Inglaterra e várias outras instituições importantes tomarem decisões de política monetária.

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A medida, já amplamente anunciada, surge num momento em que a inflação no bloco monetário de 21 países já ultrapassa os 3%, bem acima da meta de 2% do BCE, e o crescimento econômico está muito fraco – um cenário que divide os economistas quanto à necessidade de uma política monetária mais restritiva.

Os membros do Conselho do BCE, alguns dos quais já haviam pressionado por medidas em abril, seguiram em frente com a decisão unânime, que foi acompanhada por projeções mais altas para a inflação deste ano e do próximo, mas mais fracas para o crescimento.

"A guerra no Oriente Médio está gerando pressões inflacionárias, e a decisão de aumentar as taxas de juros é sólida em uma série de cenários que descrevem como o choque pode evoluir", disse o BCE em um comunicado.

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O aumento anunciado nesta quinta-feira é o primeiro desde setembro de 2023 e eleva a taxa de referência de depósitos do BCE de 2,0% para 2,25%.

Economistas já esperavam a medida, afirmando que ela visava principalmente conter as expectativas de inflação e salvaguardar a credibilidade do BCE após a lenta reação ao pico inflacionário pós-pandemia em 2022. Diversos analistas do BCE a classificaram como um "aumento de segurança" – uma medida de precaução que poderia ser revertida caso as pressões inflacionárias diminuam.

Mas a presidente do BCE, Christine Lagarde, rejeitou essa caracterização.

"Não foi nada parecido com a forma como discutimos o assunto", disse ela em uma coletiva de imprensa. "Estaremos monitorando atentamente quaisquer consequências adicionais desse grande choque energético", afirmou, reiterando que as decisões dependerão dos dados que forem divulgados.

Os mercados financeiros esperam mais dois aumentos nas taxas de juros ao longo do próximo ano, com o próximo previsto já em setembro, enquanto outros preveem um aperto monetário mais limitado.

"Há risco de alta para a inflação, mas também há risco de queda para o crescimento", disse Mark Wall, economista-chefe para a Europa do Deutsche Bank. "Mais um aumento em setembro e acabou."

PROJEÇÕES DE INFLAÇÃO REVISADAS PARA CIMA

As novas projeções de referência do BCE para a inflação apontam para 3,0% este ano, 2,3% em 2027 e 2,0% em 2028, aproximando-as do cenário "adverso" que o banco havia publicado em março. As previsões de crescimento para 2026 e 2027 foram reduzidas em 10 pontos base e os números para 2028 foram revisados ​​para cima na mesma proporção.

Consumidores , empresas e investidores financeiros revisaram suas próprias opiniões sobre os aumentos de preços, embora as expectativas de médio prazo permaneçam próximas da meta do BCE e muito distantes dos níveis registrados após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

UM ERRO DE POLÍTICA?

Nem todos os economistas estão convencidos de que um aumento das taxas de juros seja justificado: alguns alertam que o BCE corre o risco de apertar as taxas em uma economia que já está pagando um preço alto pelo conflito no Irã.

Paul Donovan, economista-chefe da UBS Global Wealth Management, afirmou que o BCE estava cometendo um "erro" e preso a uma "mentalidade prejudicial para 2022", referindo-se à recuperação da inflação que se seguiu aos confinamentos da COVID-19.

Uma análise da Reuters sobre as transcrições das teleconferências de resultados de empresas da zona do euro mostrou que apenas 40% daquelas fora do setor financeiro aumentaram os preços ou planejavam fazê-lo, aproximadamente metade da proporção observada em 2022, quando a guerra na Ucrânia elevou os preços da energia.

Holger Schmieding, do Berenberg, também classificou a medida como "um erro político", dado o mercado de trabalho estagnado e a fraca demanda do consumidor.

"Em meio à destruição contínua da demanda, o inevitável aumento temporário dos preços... parece improvável que se transforme em um problema prolongado de inflação que precisaria ser enfrentado com taxas de juros mais altas", escreveu ele em uma nota.

Mas o BCE reforçou sua mensagem em apoio a uma política monetária mais restritiva. O economista-chefe Philip Lane — geralmente visto como um defensor da política monetária expansionista — afirmou que o choque relacionado ao Irã pode ter um alcance maior do que a crise na Ucrânia, já que afeta os mercados globais de energia, e não principalmente a Europa.

 

Fonte: BBC News/AFP/Reuters

 

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