quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Suplementos podem ajudar na saúde do coração? Especialistas respondem

Todos os anos, cerca de 400 mil brasileiros morrem devido a doenças cardiovasculares, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). No entanto, 80% desses casos poderiam ser evitados com a adoção de hábitos alimentares e estilo de vida mais saudável. É para fazer esse alerta que, nesta segunda-feira (29), é reconhecido o Dia Mundial do Coração.

Entre os dez pontos fundamentais para a saúde cardiovascular, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), está a adoção de uma alimentação saudável e menos processada. Recentemente, a suplementação alimentar está ganhando popularidade entre quem busca um estilo de vida com mais equilíbrio, mas será que ela pode ajudar a manter a saúde do coração em dia?

Segundo Patrícia Oliveira, cardiologista do Hospital Sírio-Libanês, algumas vitaminas e minerais são comprovadamente benéficos para a saúde cardiovascular, mas nem sempre são obtidos em doses adequadas apenas pela alimentação.

"É o caso dos óleos de peixe (ômega 3, 6 e 9), que podem ajudar a reduzir a inflamação nas artérias do coração, melhorar a pressão arterial e contribuir para a melhora do colesterol HDL (colesterol 'bom')", afirma Oliveira à CNN. "A suplementação com fibras também pode beneficiar a saúde do coração, auxiliando no controle dos triglicerídeos, que são fator de risco para doenças das artérias, do coração e do fígado", completa.

Outro suplemento interessante para a saúde cardiovascular é o magnésio, de acordo com Andrea Ávila, naturopata e especialista em nutrição clínica.

"Esse nutriente é fundamental para a contração muscular, regulação da pressão arterial e manutenção do ritmo cardíaco", explica. "Vitaminas do complexo B, como B6, B9 e B12, também ajudam a reduzir a homocisteína, um aminoácio que, em excesso, pode prejudicar as artérias, diminuindo o risco de AVC [acidente vascular cerebral] e infarto", completa.

A seguir, veja as principais indicações de suplementos alimentares para o coração, segundo as especialistas:

•        Ômega-3: equilibra o colesterol e contribui para a pressão arterial saudável. Pode ser encontrado também em peixes de água fria, linhaça e canola;

•        Coenzima Q10: atua como antioxidante, protegendo as células cardíacas e auxiliando na função do coração. Pode ser encontrada também no fígado e sardinha;

•        Magnésio: ajuda a regular a pressão arterial e a manter o ritmo cardíaco. Também pode ser encontrado em vegetais verde-escuros e sementes;

•        Vitaminas do complexo B: reduzem o risco de AVC e infarto. Também pode ser encontrado em cereais integrais, vegetais e carnes magras;

•        Vitamina D: contribui para a função muscular, incluindo o coração. Também pode ser encontrada na gema de ovo e produzida através da exposição solar.

<><> Quem deve fazer a suplementação?

Apesar de terem seus benefícios comprovados, nem sempre o uso de suplementos alimentares é recomendado para a manutenção da saúde cardiovascular.

"O ideal é que os nutrientes sejam obtidos prioritariamente por meio de uma alimentação equilibrada e variada", afirma Oliveira. "Suplementar sem acompanhamento pode trazer riscos e não garantir o benefício esperado."

Ávila acrescenta, ainda, que cada pessoas tem necessidades diferentes, o que deve influenciar na indicação de suplementos ou não. "Profissionais de saúde analisam histórico médico, dieta e fatores de risco antes de indicar qualquer suplemento", afirma.

"É importante priorizar alimentos ricos em nutrientes antes de recorrer a cápsulas, além de manter hábitos saudáveis diariamente, incluindo exercícios, sono adequado e controle do estresse", completa.

<><> Outros cuidados com a saúde do coração

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem 10 pontos fundamentais para a saúde cardiovascular:

1.       Redução da circunferência abdominal e aumento da massa muscular

2.       Aderência a uma alimentação menos processada

3.       Restrição de tempo e quantidade da alimentação

4.       Ser ativo todos os dias

5.       Evitar consumo de álcool

6.       Não fumar

7.       Priorizar qualidade do sono

8.       Reduzir estresse

9.       Cultivar amizades e relações familiares

10.     Minimizar exposição à poluição

•        Novas diretrizes de colesterol alto tornam níveis mais rígidos

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) atualizou as diretrizes sobre dislipidemias (aumento dos níveis de colesterol e/ou triglicerídeos no sangue), revelando valores mais rígidos para avaliação do colesterol. As regras também revelam uma nova classificação de risco.

O maior controle com os níveis de gordura no sangue visam evitar que pacientes desenvolvam uma doença crônica que restringe o fluxo sanguíneo, e se torna uma das causas de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

As novas recomendações da (SBC) alteraram o valor considerado adequado para a lipoproteína de baixa densidade (LDL), popularmente chamada de “colesterol ruim”, em pessoas com baixo risco cardiovascular.

O limite ideal passa a ser de até 115 mg/dL, em comparação aos 130 mg/dL definidos pelas diretrizes de 2017. Para os demais níveis de risco, não houve mudanças: risco intermediário deve manter valores abaixo de 100 mg/dL; risco alto, inferiores a 70 mg/dL; e risco muito alto, menores que 50 mg/dL.

A CNN conversou com o cardiologista Bruno Valdigem, que explicou as mudanças. "Essa nova diretriz, pilotada pela Fabiana Rached e um time de cardiologistas com foco em prevenção cardiovascular, cria um fluxograma para tratamento de intolerância a estatinas (drogas essenciais para reduzir colesterol ruim e reduzir risco de doenças cardiovasculares, que às vezes os pacientes não usam por dor muscular).

Além disso, foi criada uma nova categoria de risco cardiovascular, chamada risco extremo, na qual se recomenda que os níveis de LDL não ultrapassem 40 mg/dL. Essa classificação é determinada a partir de uma avaliação que considera fatores como histórico familiar de doença cardíaca precoce, presença de obesidade, diabetes, esteatose hepática, entre outros elementos.

"O maior ganho dessa diretriz ainda é a melhor avaliação de risco e orientação para perseguir metas mais rígidas de colesterol ruim. E também insere na prática médica o uso racional de outros exames de sangue e exames de imagem para melhor definir o risco do paciente de desenvolver infarto, angina ou doença arterial", conclui Valdigem.

O novo documento também definiu limites mais rigorosos para o colesterol não-HDL — que corresponde a todo o colesterol presente no sangue, exceto o HDL, conhecido como o “colesterol bom”. Esse marcador passa a ser considerado uma meta coprimária de tratamento, ao lado do LDL, e o valor recomendado para indivíduos de baixo risco cardiovascular agora é de até 145 mg/dL, em comparação aos 160 mg/dL previstos na diretriz anterior.

Nos demais grupos de risco, os parâmetros permanecem inalterados.

<><> Abaixo, veja as novas metas:

•        Baixo risco: menor que 115 mg/dL (antes era menor que 130 mg/dL)

•        Intermediário: menor que 100 mg/dL (antes era menor que 100 mg/dL)

•        Alto: menor que 70 mg/dL (sem alteração)

•        Muito alto: <50 mg/dL (antes era menor que 70 mg/dL)

•        Extremo: <40 mg/dL (nao existia na diretriz anterior)

 

Fonte: CNN Brasil

 

Nenhum comentário: