Suplementos
podem ajudar na saúde do coração? Especialistas respondem
Todos
os anos, cerca de 400 mil brasileiros morrem devido a doenças cardiovasculares,
de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). No entanto, 80%
desses casos poderiam ser evitados com a adoção de hábitos alimentares e estilo
de vida mais saudável. É para fazer esse alerta que, nesta segunda-feira (29),
é reconhecido o Dia Mundial do Coração.
Entre
os dez pontos fundamentais para a saúde cardiovascular, de acordo com a
Organização Mundial da Saúde (OMS), está a adoção de uma alimentação saudável e
menos processada. Recentemente, a suplementação alimentar está ganhando
popularidade entre quem busca um estilo de vida com mais equilíbrio, mas será
que ela pode ajudar a manter a saúde do coração em dia?
Segundo
Patrícia Oliveira, cardiologista do Hospital Sírio-Libanês, algumas vitaminas e
minerais são comprovadamente benéficos para a saúde cardiovascular, mas nem
sempre são obtidos em doses adequadas apenas pela alimentação.
"É
o caso dos óleos de peixe (ômega 3, 6 e 9), que podem ajudar a reduzir a
inflamação nas artérias do coração, melhorar a pressão arterial e contribuir
para a melhora do colesterol HDL (colesterol 'bom')", afirma Oliveira à
CNN. "A suplementação com fibras também pode beneficiar a saúde do
coração, auxiliando no controle dos triglicerídeos, que são fator de risco para
doenças das artérias, do coração e do fígado", completa.
Outro
suplemento interessante para a saúde cardiovascular é o magnésio, de acordo com
Andrea Ávila, naturopata e especialista em nutrição clínica.
"Esse
nutriente é fundamental para a contração muscular, regulação da pressão
arterial e manutenção do ritmo cardíaco", explica. "Vitaminas do
complexo B, como B6, B9 e B12, também ajudam a reduzir a homocisteína, um
aminoácio que, em excesso, pode prejudicar as artérias, diminuindo o risco de
AVC [acidente vascular cerebral] e infarto", completa.
A
seguir, veja as principais indicações de suplementos alimentares para o
coração, segundo as especialistas:
• Ômega-3: equilibra o colesterol e
contribui para a pressão arterial saudável. Pode ser encontrado também em
peixes de água fria, linhaça e canola;
• Coenzima Q10: atua como antioxidante,
protegendo as células cardíacas e auxiliando na função do coração. Pode ser
encontrada também no fígado e sardinha;
• Magnésio: ajuda a regular a pressão
arterial e a manter o ritmo cardíaco. Também pode ser encontrado em vegetais
verde-escuros e sementes;
• Vitaminas do complexo B: reduzem o risco
de AVC e infarto. Também pode ser encontrado em cereais integrais, vegetais e
carnes magras;
• Vitamina D: contribui para a função
muscular, incluindo o coração. Também pode ser encontrada na gema de ovo e
produzida através da exposição solar.
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Quem deve fazer a suplementação?
Apesar
de terem seus benefícios comprovados, nem sempre o uso de suplementos
alimentares é recomendado para a manutenção da saúde cardiovascular.
"O
ideal é que os nutrientes sejam obtidos prioritariamente por meio de uma
alimentação equilibrada e variada", afirma Oliveira. "Suplementar sem
acompanhamento pode trazer riscos e não garantir o benefício esperado."
Ávila
acrescenta, ainda, que cada pessoas tem necessidades diferentes, o que deve
influenciar na indicação de suplementos ou não. "Profissionais de saúde
analisam histórico médico, dieta e fatores de risco antes de indicar qualquer
suplemento", afirma.
"É
importante priorizar alimentos ricos em nutrientes antes de recorrer a
cápsulas, além de manter hábitos saudáveis diariamente, incluindo exercícios,
sono adequado e controle do estresse", completa.
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Outros cuidados com a saúde do coração
Segundo
a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem 10 pontos fundamentais para a
saúde cardiovascular:
1. Redução da circunferência abdominal e
aumento da massa muscular
2. Aderência a uma alimentação menos
processada
3. Restrição de tempo e quantidade da
alimentação
4. Ser ativo todos os dias
5. Evitar consumo de álcool
6. Não fumar
7. Priorizar qualidade do sono
8. Reduzir estresse
9. Cultivar amizades e relações familiares
10. Minimizar exposição à poluição
• Novas diretrizes de colesterol alto
tornam níveis mais rígidos
A
Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) atualizou as diretrizes sobre
dislipidemias (aumento dos níveis de colesterol e/ou triglicerídeos no sangue),
revelando valores mais rígidos para avaliação do colesterol. As regras também
revelam uma nova classificação de risco.
O maior
controle com os níveis de gordura no sangue visam evitar que pacientes
desenvolvam uma doença crônica que restringe o fluxo sanguíneo, e se torna uma
das causas de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
As
novas recomendações da (SBC) alteraram o valor considerado adequado para a
lipoproteína de baixa densidade (LDL), popularmente chamada de “colesterol
ruim”, em pessoas com baixo risco cardiovascular.
O
limite ideal passa a ser de até 115 mg/dL, em comparação aos 130 mg/dL
definidos pelas diretrizes de 2017. Para os demais níveis de risco, não houve
mudanças: risco intermediário deve manter valores abaixo de 100 mg/dL; risco
alto, inferiores a 70 mg/dL; e risco muito alto, menores que 50 mg/dL.
A CNN
conversou com o cardiologista Bruno Valdigem, que explicou as mudanças.
"Essa nova diretriz, pilotada pela Fabiana Rached e um time de
cardiologistas com foco em prevenção cardiovascular, cria um fluxograma para
tratamento de intolerância a estatinas (drogas essenciais para reduzir
colesterol ruim e reduzir risco de doenças cardiovasculares, que às vezes os
pacientes não usam por dor muscular).
Além
disso, foi criada uma nova categoria de risco cardiovascular, chamada risco
extremo, na qual se recomenda que os níveis de LDL não ultrapassem 40 mg/dL.
Essa classificação é determinada a partir de uma avaliação que considera
fatores como histórico familiar de doença cardíaca precoce, presença de
obesidade, diabetes, esteatose hepática, entre outros elementos.
"O
maior ganho dessa diretriz ainda é a melhor avaliação de risco e orientação
para perseguir metas mais rígidas de colesterol ruim. E também insere na
prática médica o uso racional de outros exames de sangue e exames de imagem
para melhor definir o risco do paciente de desenvolver infarto, angina ou
doença arterial", conclui Valdigem.
O novo
documento também definiu limites mais rigorosos para o colesterol não-HDL — que
corresponde a todo o colesterol presente no sangue, exceto o HDL, conhecido
como o “colesterol bom”. Esse marcador passa a ser considerado uma meta
coprimária de tratamento, ao lado do LDL, e o valor recomendado para indivíduos
de baixo risco cardiovascular agora é de até 145 mg/dL, em comparação aos 160
mg/dL previstos na diretriz anterior.
Nos
demais grupos de risco, os parâmetros permanecem inalterados.
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Abaixo, veja as novas metas:
• Baixo risco: menor que 115 mg/dL (antes
era menor que 130 mg/dL)
• Intermediário: menor que 100 mg/dL
(antes era menor que 100 mg/dL)
• Alto: menor que 70 mg/dL (sem alteração)
• Muito alto: <50 mg/dL (antes era
menor que 70 mg/dL)
• Extremo: <40 mg/dL (nao existia na
diretriz anterior)
Fonte:
CNN Brasil

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