A
escalada de tensões entre Trump e Maduro no Mar do Caribe
Sob a
justificativa oficial de combater o narcotráfico e deter o envio
de drogas aos Estados Unidos, o governo do
presidente americano Donald Trump mobiliza desde agosto tropas no mar do
Caribe, em frente à costa da Venezuela.
A
mobilização inclui destróieres com mísseis guiados, caças F-35B, drones MQ-9
Reaper, um grupo de assalto anfíbio com 4,5 mil militares (sendo cerca de 2,2
mil fuzileiros navais), um submarino de propulsão nuclear e um navio de apoio a
operações de guerra especial. Isso representa 8% de toda a frota global
americana de navios de guerra.
Nas
últimas semanas, os Estados Unidos também fizeram demonstrações de força aérea.
O 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais, que dá apoio de helicóptero
em missões das forças de operações especiais Navy SEALs, Boinas Verdes e Força
Delta, parece ter sobrevoado a costa venezuelana.
O
Exército americano também posicionou três bombardeiros estratégicos B-52 na
região. E ao menos um bombardeiro supersônico B-1B foi visto voando em direção
à Venezuela nesta quinta-feira (23/10), segundo sites de rastreamento de
tráfego aéreo. Trump, porém, negou que a aeronave tenha realizado o
trajeto.
Nesta
sexta-feira (24/10), autoridades americanas anunciaram o reforço de um
porta-aviões capaz de transportar mais de 75 aeronaves, incluindo destróieres,
no que agências de notícias descreveram como uma escalada significativa das
tensões.
A
embarcação, com mais de 5 mil homens a bordo, se encontra atualmente em um
porto na Croácia. Os EUA têm apenas 11 porta-aviões. Batizada de Gerald Ford,
ela tem um reator nuclear próprio e um arsenal de mísseis de médio alcance e
terra-ar, além de radares sofisticados que podem ajudar a controlar o tráfego
aéreo e marítimo.
A
ostensiva presença militar americana suscitou dúvidas sobre o real interesse de
Trump na região, que tem especulado sobre a possibilidade de atacar a Venezuela
e protagonizado embates recorrentes com seu presidente, Nicolás Maduro.
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Veja, abaixo, alguns dos momentos-chave da escalada militar dos Estados Unidos
sob Trump na região.
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Novo tom na Casa Branca
Ao
assumir a Casa Branca em janeiro de 2025, Donald Trump revoga a extensão do
status de proteção de 600 mil imigrantes venezuelanos nos Estados Unidos, expondo-os ao risco de deportação. Seu secretário de
Estado, Marco Rubio, afirma que a Venezuela é "governada por uma
organização do narcotráfico".
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Maduro é designado chefe de organização terrorista estrangeira
Em
julho, os EUA expedem nova licença autorizando a americana Chevron a extrair
petróleo venezuelano após um acordo para troca de prisioneiros. No mesmo mês,
Washington designa o "Cartel de los Soles", supostamente encabeçado
pelo presidente venezuelano Nicolás Maduro e formado por militares associados
ao narcotráfico, como uma organização terrorista estrangeira.
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Cabeça a prêmio
Em
agosto, Washington anuncia um prêmio de 50 milhões de dólares por informações
que levem à prisão ou condenação de Maduro por "violar leis
antinarcóticos" e liderar um "Estado narcoterrorista" vinculado
a cartéis de cocaína.
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Pentágono autorizado a usar força militar contra cartéis de droga na América
Latina
Também
em agosto, jornais americanos noticiam que Trump assinou uma ordem secreta
autorizando o Pentágono a usar força militar contra cartéis de drogas
enquadrados como organizações terroristas.
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Congelamento de bens
Em 12
de agosto, o regime de Maduro prende 13 supostos integrantes de "células
terroristas" ligadas à oposição e as acusa de planejar um atentado na
capital, Caracas. Eles acabariam sendo soltos cerca de duas semanas depois.
Antes disso, em 13 de agosto, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anuncia o
congelamento de mais de 700 milhões de dólares em ativos ligados a Maduro.
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EUA deslocam tropas para perto da Venezuela
Em 18
de agosto, Washington anuncia o envio de três destróieres e um grupo de navios
de desembarque com 4,5 mil soldados (incluindo 2,2 mil fuzileiros navais) em
direção à costa venezuelana. A justificativa: "Enfrentar as
ameaças dos cartéis latino-americanos de drogas".
Maduro
reage prometendo mobilizar 4,5 milhões de milicianos em todo o país
– observadores independentes estimam que o número real não passe de 300 mil – e
intensifica os controles de fronteira.
Uma
semana depois, em 25 de agosto, um cruzeiro com mísseis guiados e um submarino
de propulsão nuclear se juntam à missão americana no Mar do Caribe. Em
resposta, Maduro anuncia a mobilização de drones e barcos ao longo da costa
venezuelana.
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Primeiro ataque no Mar do Caribe
Em 2 de
setembro, os EUA divulgam um vídeo que mostra a destruição, em "águas
internacionais", de uma embarcação supostamente carregada de drogas e
ligada ao cartel de drogas venezuelano Tren de Aragua, também classificado por
Washington como organização terrorista. Onze pessoas morreram.
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Trump não descarta ataques em solo venezuelano
"Vamos
ver o que acontece", diz Trump ao ser perguntado, em 14 de setembro, se
atacaria alvos em solo venezuelano.
No dia
anterior, caças F-35 americanos haviam chegado a Porto Rico. O ministro
venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino, ameaça retaliar países da região que
servirem de base americana para ataques contra Caracas. Em 2 de outubro,
Padrino denuncia o que chamou de "assédio militar" por caças que
estariam sobrevoando próximo da costa venezuelana.
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Novos ataques no Mar do Caribe
Em 3 de
outubro, o secretário americano de Defesa, Pete Hegseth, anuncia que os EUA
bombardearam um barco em águas internacionais próximo à Venezuela, e que quatro
"narcoterroristas foram mortos".
De 2 de
setembro até 24 de outubro, dez embarcações – nove barcos e um semi-submersível
– foram alvo dos militares americanos, com um saldo total de 43 mortos, de
diferentes nacionalidades, sendo oito delas no Mar do Caribe. Em nenhum dos
casos as autoridades americanas divulgaram evidências de que elas de fato
transportavam drogas. Especialistas consideram as execuções sumárias ilegais, mesmo que tenham
como alvo traficantes confirmados.
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Nobel da Paz para opositora venezuelana
Em 10
de outubro, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado é premiada com o Nobel da Paz e dedica a
láurea a Trump. Maduro reage dias depois com o fechamento das embaixadas da
Venezuela na Noruega e na Austrália.
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Trump autoriza operações da CIA contra a Venezuela
Em 15
de outubro, reportagens na imprensa americana revelam que Trump autorizou
operações secretas da CIA na Venezuela. A informação foi posteriormente confirmada pelo próprio Trump, que declarou
cogitar também ataques terrestres contra cartéis de drogas do país.
"Vamos
atingi-los de forma muito dura quando eles vierem por terra", disse em 22
de outubro. "Estamos totalmente preparados para fazer isso, e
provavelmente vamos voltar ao Congresso e explicar exatamente o que estamos
fazendo quando chegarmos ao país [Venezuela]."
No dia
seguinte, Trump afirmou que não vai "necessariamente pedir [ao Congresso
americano] uma declaração de guerra" para autorizar operações militares
contra supostos traficantes, e sugeriu que pretende atacar o país em breve.
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Maduro diz que Venezuela tem 5 mil mísseis antiaéreos
russos
Reagindo
às ameaças de Trump, Maduro afirmou em 22 de outubro que o país conta com "mais de 5 mil" mísseis
antiaéreos russos Igla-S – arma concebida para abater aviões a baixa
altitude.
No dia
seguinte, porém, adotou um tom mais conciliatório, após Trump confirmar que
autorizou operações secretas da CIA na Venezuela: "Paz, sim; paz, sim,
para sempre; paz para sempre. Sem guerra maluca, por favor!", disse, em
inglês, durante um encontro com sindicalistas leais a Caracas.
Já
nesta quinta-feira, porém, o ministério das Relações Exteriores de Trinidad e
Tobago, que divide parte de sua costa com a Venezuela, anunciou que receberá um
navio de guerra e um grupo de fuzileiros navais americanos para realizar
exercícios militares no final de outubro.
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Brasil reage: "Não podemos aceitar intervenção externa"
Sem
citar diretamente a Venezuela ou Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
criticou nesta sexta-feira (24/10) a atuação dos militares americanos na
região, afirmando que o combate ao narcotráfico precisa ser feito dentro da lei
e com respeito à soberania de outros países.
"Se
a moda pega, cada um acha que pode invadir o território do outro para fazer o
que quer", declarou. "Se o mundo virar uma terra sem lei, vai ser
difícil viver."
Já
Celso Amorim, assessor especial de Lula, foi mais direto: "Não podemos
aceitar uma intervenção externa, pois isso provocaria um enorme
ressentimento", afirmou à agência de notícias AP. "Isso poderia
inflamar a América do Sul e levar à radicalização da política em todo o
continente."
Além de
Lula, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também tem criticado a ação
americana no Mar do Caribe, qualificando os ataques como "execuções
extrajudiciais".
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Governo Trump avalia atacar pontos de produção de cocaína na Venezuela
Os
planos foram noticiados nesta sexta-feira (24/10) pela emissora CNN, que cita
três emissários da Casa Branca. O martelo da decisão, porém, ainda não teria
sido batido.
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Existe ameaça real de intervenção dos EUA na América
Latina?
A
mobilização de tropas na fronteira com o México e o envio de navios de guerra
para a costa da Venezuela são uma mensagem contundente dos Estados
Unidos. Não dá para dizer, contudo, se a estratégia é um blefe para intimidar e
demonstrar poder ou o prelúdio de uma intervenção direta.
O
episódio mais recente de tensão entre os dois países envolveu a
circulação de um vídeo que mostraria militares americanos atirando contra uma
embarcação no Caribe que teria partido da Venezuela rumo ao território
americano carregada de drogas. O presidente Donald Trump declarou que "11
terroristas" foram mortos na operação. O governo venezuelano acusou os EUA
de terem fabricado as imagens por meio de inteligência artificial.
Segundo
Tamara Lajtman, doutora em Ciências Sociais pela Universidade de Buenos Aires,
a política externa dos EUA na área do combate ao narcotráfico na América Latina
vem desde a década de 1970, conduzida tanto por governos republicanos como
democratas.
Neste
segundo mandato, Trump "aprofundou essa narrativa de securitização, que
funde migração, narcotráfico e terrorismo sob um único espectro de ameaças à
segurança nacional dos Estados Unidos", afirmou à DW a pesquisadora
brasileira-argentina.
Aníbal
García, doutor em estudos latino-americanos pela Universidade Autônoma do
México, concorda. "Temos a união da guerra contra o narcotráfico com a do
terrorismo. Há um aprofundamento da diplomacia pelo uso da força por parte dos
Estados Unidos que reforça essa narrativa do narcoterrorismo a partir de
diferentes políticas públicas", disse à DW.
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Um tom mais agressivo
Além de
ações concretas, García observa um aprofundamento das relações políticas com a
América Latina. Ele aponta que de todas as viagens feitas e anunciadas de Marco
Rubio, chefe do Departamento de Estado, 37% envolvem a América Latina.
"Os principais temas em questão são segurança, combate ao narcotráfico e
migração, além da China."
Nos
últimos meses, observa Lajtman, a narrativa dos Estados Unidos "se traduz
concretamente na militarização das fronteiras, na expansão dos centros de
detenção ou na designação de cartéis como organizações terroristas
estrangeiras. Eles imprimem um tom muito mais agressivo a estratégias já
conhecidas".
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"Mecanismo de pressão"
Em
fevereiro de 2025, o Departamento de Estado incluiu a gangue criminosa de
origem venezuelana Tren de Aragua, a salvadorenha Mara
Salvatrucha e os cartéis mexicanos na lista das organizações terroristas
estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). E, no início de agosto, os EUA dobraram
a recompensa por informações que ajudem na captura do presidente venezuelano Nicolas Maduro, elevando-a para 50
milhões de dólares. Eles o acusam de ser o líder de um suposto grupo criminoso
que se chamaria Cartel de los Soles.
A
recente publicação do New York Times indicando que Trump teria
enviado um decreto ao Pentágono para autorizar o uso da força militar no
exterior contra cartéis latino-americanos considerados narcoterroristas poderia
abrir as portas para manobras na Venezuela, no México e na América Central.
"Embora
uma intervenção direta fosse extremamente cara, a verdade é que o envio da
frota para o Caribe é uma realidade. A simples ameaça serve como mecanismo de
pressão. O mais provável é que ela se mantenha, combinada com sanções
financeiras e outras medidas jurídicas extraterritoriais", afirma Tamara
Lajtman.
Na
opinião da pesquisadora da Universidade de Santiago do Chile, trata-se de uma
série de normas concebidas como resposta ao terrorismo: "Trump usa essa
arquitetura jurídica para reconfigurar e legitimar pressões e ameaças,
sobretudo contra a Venezuela. Sem dúvida, o principal objetivo é promover
uma mudança de regime, o que não seria algo novo".
"As
pressões também aprofundam as tensões com o México, a Colômbia e o Brasil,
reinstalando um clima de guerra fria em uma região que busca disciplinar-se no
âmbito de uma competição global com a China e a Rússia", acrescenta.
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Interesses geopolíticos
Uma
intervenção é factível? "No histórico da política americana, Trump foi
mais longe. Desde a invasão do Panamá em 1989, não havia a possibilidade de uma
nova invasão em território latino-americano e caribenho por motivos
relacionados ao narcotráfico, que é o que está latente no caso da
Venezuela", aponta Aníbal García.
O
pesquisador mexicano identifica, por trás da política cada vez mais
intervencionista dos EUA, um interesse geopolítico em frear a presença da China
na América Latina e a intenção de "apropriar-se das grandes reservas de
petróleo da Venezuela". Além de grande concorrente comercial, a
China figura como um outro alvo na guerra dos EUA contra o narcotráfico, com
base nas alegações de que precursores do fentanil viriam da Ásia e, em
particular, desse país.
No caso
do México, que mantém uma
cooperação em termos de controle do narcotráfico, segurança e migração, García
também reconhece as pressões do vizinho do norte: "Não tivemos, pelo menos
nos últimos 25 anos, um governo tão beligerante como o atual nos Estados Unidos,
ainda mais do que o primeiro de Trump".
Após o
envio de tropas das forças armadas para a fronteira e a designação dos cartéis
de tráfico de drogas como terroristas, "há a possibilidade de se travar
uma guerra em outros países, mas não há evidências que sustentem que isso vá
acontecer", ressalta.
Sobre
uma possível intervenção armada na Venezuela, ele adverte: "Esperamos que
isso não aconteça, devido à quantidade de problemas que isso geraria e, acima
de tudo, pela perda de vidas humanas. Vimos que, após intervenções dos Estados
Unidos, seguem-se longos períodos de instabilidade no país invadido e, além
disso, as relações internacionais na região são reconfiguradas".
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Pentágono envia porta-aviões de alto nível enquanto a
militarização do Caribe por Trump aumenta
O
Pentágono disse na sexta-feira que estava enviando o porta-aviões mais avançado
dos Estados Unidos para o Caribe, uma grande escalada na guerra do governo
Trump contra os cartéis de drogas, que fornece os recursos para começar a
conduzir ataques contra alvos em terra.
A
mudança levará o porta-aviões USS Gerald Ford, com dezenas de caças furtivos e
aeronaves de vigilância, além de outros navios de guerra que acompanham o
porta-aviões, para a costa da Venezuela , à medida que se aproxima do fim de
sua atual implantação no Mediterrâneo.
O envio
do grupo de ataque do porta-aviões para o Caribe é o sinal mais claro até o
momento de que o governo pretende expandir drasticamente o escopo de sua
campanha militar letal, desde atingir pequenos barcos supostamente
transportando drogas com destino aos EUA até alvos em terra.
O grupo
de ataque de porta-aviões conta com dezenas de caças F-35, o que aumenta o
poder de fogo e a capacidade dos EUA de atingir sistemas de defesa aérea na
Venezuela. Isso abriria caminho para que operações especiais ou drones dos EUA
destruam alvos terrestres, disseram autoridades atuais e antigas.
A
presença naval expandida "reforçará a capacidade dos EUA de detectar,
monitorar e interromper atividades e atores ilícitos que comprometam a
segurança e a prosperidade do território dos Estados Unidos e nossa segurança
no hemisfério ocidental", disse um porta-voz do Pentágono, Sean Parnell,
em um comunicado.
Durante
semanas, o governo Trump tem planejado intensificar sua campanha contra os
cartéis de drogas — bem como seu esforço para desestabilizar o governo do
presidente venezuelano Nicolás Maduro — após uma campanha inicial de ataques a
pelo menos nove supostos barcos de tráfico de drogas.
Donald Trump também
confirmou a repórteres na Casa Branca na quinta-feira que a próxima etapa de
sua campanha militar seria atingir alvos em terra. "A terra será a
próxima", disse Trump. "As drogas terrestres são muito mais perigosas
para eles. Vai ser muito mais perigoso. Vocês verão isso em breve."
Trump
não discutiu quais alvos e em quais países os EUA pretendiam atacar. Mas
ordenou ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, que estava sentado ao seu lado
no evento na Casa Branca para conter o fluxo de drogas ilegais para os EUA, que
notificasse o Congresso sobre os planos do governo.
Questionado
se declararia guerra aos cartéis, Trump sugeriu que continuaria com ataques
individuais. "Acho que vamos simplesmente matar as pessoas que estão
trazendo drogas para o nosso país, ok?", disse ele. "Vamos matá-los,
você sabe que eles vão estar, tipo, mortos."
Trump
anunciou o que parece ter sido o primeiro ataque a um barco em 3 de setembro,
divulgando um breve vídeo do ataque. Nas semanas seguintes, o governo anunciou
mais ataques sem divulgar detalhes além do número de mortos e da alegação de
que os barcos transportavam drogas.
Desde o
início da campanha militar, o governo forneceu uma justificativa legal duvidosa
para os ataques, alegando que os barcos são afiliados a "organizações
terroristas designadas", ou DTOs, com as quais os EUA estavam agora em um
"conflito armado não internacional", informou o Guardian.
No
entanto, o governo não apresentou nenhuma evidência concreta até o momento de
que os mortos nos ataques com barcos estivessem contrabandeando drogas para os
EUA. Em briefings ao Congresso, autoridades do Pentágono basicamente disseram
que os barcos eram alvos legítimos porque Trump os havia designado como ativos
de cartéis considerados DTOs, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.
A
campanha militar também atraiu a Agência Central de Inteligência (CIA). Trump
confirmou em 15 de outubro que havia autorizado a chamada "ação
secreta" da
CIA na Venezuela. O jornal The Guardian noticiou que a CIA tem fornecido a
maior parte da inteligência usada nos ataques aéreos.
Fonte:
DW Brasil/The Guardian

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