sábado, 27 de junho de 2026

Tian Min: Guiados pela Iniciativa da Governança Global, China e Brasil escrevem um novo capítulo de cooperação

Recentemente, o governo chinês divulgou o Livro Branco "Governança Global Mais Justa e Equitativa: Princípios, Propostas e Ações da China", que apresenta de forma abrangente as propostas e práticas chinesas em matéria de governança global. O objetivo reside em reunir um consenso internacional mais amplo, com vistas a fortalecer a cooperação para reformar e aperfeiçoar o sistema de governança global, e enfrentar de maneira mais eficaz os desafios comuns.

Atualmente, as transformações sem precedentes em um século estão se acelerando, com conflitos geopolíticos, fragmentação econômica e outros desafios interligados; o unilateralismo e o protecionismo estão ganhando força; e o sistema de governança global enfrenta problemas como o questionamento de sua autoridade e a falta de eficácia e representatividade. A comunidade internacional vem manifestando cada vez mais o desejo de aperfeiçoar a governança global. Em 2025, o presidente Xi Jinping apresentou a Iniciativa de Governança Global (IGG), convocando os países a agirem em conjunto para construir um sistema de governança global mais justo e equitativo, oferecendo assim a solução chinesa para superar o déficit de governança global e traçar o caminho a seguir para a humanidade.

Baseando-se na defesa dos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e na prática do conceito de governança global de ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados, a IGG propõe cinco princípios centrais: aderir à igualdade soberana, respeitar o Estado de direito internacional, praticar o multilateralismo, defender a abordagem centrada nas pessoas e concentrar-se na tomada de ações reais. A iniciativa enfatiza que todos os países, independentemente de seu tamanho, força ou nível de desenvolvimento, são iguais e têm o direito de participar dos processos de governança global. Os assuntos internacionais devem ser tratados por meio do diálogo e da consulta com base no direito internacional, e não dominados pela política de poder. O destino do mundo deve ser decidido conjuntamente por todos os países, e o multilateralismo constitui o caminho indispensável para enfrentar os desafios globais. A governança global deve ter como objetivo permanente o bem-estar dos povos, permitindo que os frutos do desenvolvimento beneficiem de forma mais ampla e equitativa todas as nações. Ao mesmo tempo, é necessário transformar visões compartilhadas em ações concretas, promovendo esforços conjuntos da comunidade internacional para enfrentar desafios e alcançar o desenvolvimento comum.

Como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e o maior país em desenvolvimento do mundo, a China tem participado ativamente da construção do sistema de governança global e mantém seu compromisso de ser construtora da paz mundial, promotora do desenvolvimento global, defensora da ordem internacional e provedora de bens públicos internacionais, contribuindo continuamente para a reforma e o aperfeiçoamento da governança global.

Praticamos o verdadeiro multilateralismo e promovemos a paz mundial, bem como a justiça e a equidade internacionais. A China defende firmemente o sistema internacional com a ONU em seu núcleo e a ordem internacional baseada no direito internacional. Apoia ativamente as operações de manutenção da paz da ONU e empenha-se na preservação da estabilidade estratégica global. Além disso, a China explora ativamente soluções com características chinesas para questões quentes, persiste firmemente em promover a paz e o diálogo, impulsiona a resolução política de questões quentes internacionais e regionais e oferece sua contribuição para a solução pacífica de disputas internacionais.

Defendemos a abertura, a cooperação e os benefícios mútuos para promover o desenvolvimento e a prosperidade compartilhados. A China apoia firmemente o sistema multilateral de comércio centrado na Organização Mundial do Comércio e já se tornou o principal parceiro comercial de mais de 160 países e regiões. Mantém uma política de abertura de alto nível ao exterior e promove a construção de uma economia mundial aberta. Nesse processo, impulsiona a cooperação de alta qualidade no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota, bem como a liberalização e a facilitação do comércio e dos investimentos. Ao mesmo tempo, fortalece a cooperação com os países do Sul Global, contribuindo com novas oportunidades para o crescimento econômico mundial e para os processos de modernização dos diversos países.

Defendemos a solidariedade e a cooperação, por meio de consultas e da construção conjunta, para aperfeiçoar o sistema de governança global. A China impulsionou a histórica ampliação do BRICS, promoveu o fortalecimento da Organização para Cooperação de Xangai, e apoiou a adesão da União Africana ao G20, contribuindo para aumentar a representatividade e a voz dos países do Sul Global. Também promoveu a criação da Organização Internacional para Mediação, lançou a Conferência para o Diálogo das Civilizações Asiáticas e o Fórum das Civilizações Antigas, estabeleceu o Fundo de Biodiversidade de Kunming. Além disso, apresentou a Iniciativa Global sobre Segurança de Dados e a Iniciativa Global para a Governança da Inteligência Artificial, oferecendo ativamente bens públicos e soluções de governança à comunidade internacional, e contribuindo para novos avanços na reforma do sistema de governança global.

China e Brasil têm sido desde sempre bons amigos e parceiros que se respeitam mutuamente e promovem o desenvolvimento conjunto e mutuamente benéfico, constituindo um exemplo de solidariedade e cooperação entre os países do Sul Global. Os dois países compartilham amplos consensos sobre importantes questões relacionadas à paz e ao desenvolvimento mundiais e mantêm estreita coordenação em plataformas multilaterais como ONU, BRICS e G20, defendendo conjuntamente o multilateralismo e a justiça e equidade internacional.

No cenário atual, a ascensão coletiva do Sul Global tornou-se uma característica marcante da evolução da ordem internacional. Sendo os mais representativos países em desenvolvimento e economias emergentes dos hemisférios Oriental e Ocidental, China e Brasil assumem a importante responsabilidade de promover a reforma do sistema de governança global. A China está disposta a trabalhar lado a lado com o Brasil para implementar a Iniciativa de Governança Global, praticar o verdadeiro multilateralismo, fortalecer ainda mais a coordenação estratégica. Ambos os países devem defender firmemente o papel central da ONU, preservar a ordem internacional baseada no direito internacional e apoiar o sistema multilateral de comércio centrado na OMC e fundamentado em regras. Juntamente com os países do Sul Global, a China continuará defendendo os interesses comuns dos países em desenvolvimento, ampliando sua representatividade e sua voz nos assuntos internacionais e promovendo o desenvolvimento da governança global em direção a uma ordem mais justa e equitativa, com vistas à construção de um futuro de paz, segurança, prosperidade e progresso para toda a humanidade.

¨      China diz que BRICS se consolidou como "força inabalável pela paz, desenvolvimento e justiça"

A China afirmou nesta quarta-feira (24) que o BRICS se consolidou como uma "força inabalável pela paz, desenvolvimento e justiça globais". A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, em entrevista coletiva em Pequim. Durante a coletiva, Jiakun afirmou que os países integrantes do bloco "chegaram a um consenso sobre a salvaguarda do multilateralismo, manifestaram apoio à independência, à autossuficiência, à solidariedade e à assistência mútua entre o BRICS e o Sul Global".

O porta-voz comentou a participação do chanceler Wang Yi na 16ª Reunião de Conselheiros de Segurança Nacional e Altos Representantes para Assuntos de Segurança Nacional do BRICS, realizada na terça-feira (23), em Nova Délhi, na Índia.

Segundo Jiakun, ao longo de duas décadas de cooperação, o BRICS consolidou sua posição como uma força central na geopolítica internacional. Nesse contexto, ele defendeu a necessidade de os países do grupo "assumirem suas responsabilidades de defender a ordem internacional e construir consenso sobre como lidar com as dificuldades".

¨      A oportunidade da China 2.0. Por Michael Wang

Hoje em dia, alguns alertam para um suposto “choque da China 2.0”. Desta vez, a preocupação já não gira em torno de têxteis ou móveis, mas de veículos elétricos, baterias, inteligência artificial e robótica.

Mas classificar isso como outro “choque” é algo limitado demais. Parte da ideia de que o progresso tecnológico da China necessariamente deve ocorrer às custas dos outros.

No Fórum de Verão de Davos deste ano, realizado em Dalian, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, propôs uma leitura diferente: “China Opportunity 2.0”.

Entendo isso como uma proposta sobre o papel em transformação da China na economia global.

A primeira fase dessa oportunidade surgiu de um mercado enorme, uma manufatura competitiva e uma escala extraordinária. Poderíamos chamá-la de um dividendo de mercado. A segunda fase pode vir de um dividendo de inovação: a capacidade da China não apenas de desenvolver tecnologias, mas também de comercializá-las e implementá-las rapidamente.

Isso é importante porque a invenção por si só não muda o mundo. Uma tecnologia só gera valor real quando se torna confiável, acessível e amplamente disponível. A China pode ajudar a reduzir essa lacuna entre o avanço tecnológico e sua adoção em larga escala.

Para empresas internacionais, a China é cada vez mais do que um simples mercado ou uma base de manufatura. É também sede de centros de inovação, um vasto campo de testes e um parceiro para a comercialização.

Para as economias em desenvolvimento, a oportunidade é ainda maior. A escala da China já contribuiu para reduzir o custo de uma ampla gama de bens tecnológicos avançados, como painéis solares, baterias e mobilidade elétrica. Se esse mesmo processo se estender à inteligência artificial, à robótica e à tecnologia médica, capacidades avançadas poderão chegar a países que, de outra forma, teriam dificuldade de acessá-las.

O valor da inovação não é medido apenas por quem inventa primeiro, mas por quantas pessoas acabam se beneficiando dela.

O mundo não precisa de menos inovação por medo de quem possa liderá-la. Precisa de mais inovação, de mais lugares e ao alcance de mais pessoas.

A China permitiu ao mundo fabricar em escala. Sua próxima contribuição pode ser ajudar o mundo a inovar em escala.

Essa é a promessa da China Opportunity 2.0.

¨      105 anos do Partido Comunista da China: fiel aos seus princípios, firme em seu caminho. Por Oliver Vargas

Longe da agitação das grandes cidades da China, uma das áreas mais bonitas que se pode visitar é Yan’an, terra sagrada na história revolucionária do país. Foi o que decidi fazer no 105º aniversário da fundação do Partido. A apenas uma hora de Xi’an graças à lendária rede ferroviária de alta velocidade do país, foi aqui que a Longa Marcha chegou ao fim em 1936 e onde o Partido Comunista estabeleceu sua sede para as batalhas seguintes do que se tornaria os anos mais decisivos da guerra e da revolução.

Ao contrário de Xi’an, no entanto, esta pequena cidade tranquila não está tomada por turistas estrangeiros; na verdade, não vi nenhum durante meus dois dias ali. É preciso ser um certo entusiasta da história revolucionária chinesa para ter ouvido falar de Yan’an, algo que me atraiu ao buscar compreender como a China rompeu a prisão da dominação estrangeira e traçou seu próprio caminho de desenvolvimento, uma aspiração histórica dos movimentos populares do meu próprio país, a Bolívia. As questões e críticas ao neocolonialismo levantadas por aqueles revolucionários há 105 anos são as mesmas questões e críticas levantadas por revolucionários em todo o Sul Global.

Quando se percebe isso, esses locais revolucionários em Yan’an, onde aqueles que fundaram o Partido Comunista tornaram seu sonho realidade, passam a parecer muito mais como patrimônios globais do movimento internacional dos trabalhadores; os sacrifícios do povo chinês durante aquelas lutas brutais tornam-se lições para aqueles de nós na América Latina e além, que enfrentamos as mesmas questões e desafios.

Com isso em mente, enquanto subia as colinas para ver as antigas cavernas que um dia serviram de moradia e sede para a geração fundadora do Partido, não pude deixar de pensar no que aqueles homens e mulheres que se abrigaram ali, muitas vezes com frio e fome, em meio a uma luta de resistência para defender sua nação, diriam das conquistas da China hoje, fruto de seus sacrifícios. Desde então, sob a liderança do Partido Comunista, a China tirou centenas de milhões de pessoas da pobreza e eliminou completamente a pobreza absoluta há cinco anos, no ano do centenário do Partido. Hoje, é líder global nas tecnologias de ponta e nas indústrias do futuro, além de uma inspiração para os povos do mundo.

Cento e cinco anos após sua fundação, retornar a esses locais oferece uma forma de entender como essa jornada foi possível — e por que um partido centenário pode manter sua vitalidade contra todas as probabilidades.

Para compreender o que aconteceu aqui, é preciso dar um passo atrás. A China do final da dinastia Qing era um país sob dominação colonial: concessões estrangeiras dividiam seu território entre potências ocidentais, tratados comerciais desiguais eram impostos à força, prendendo o país à pobreza e à dependência. A revolução democrática de 1911 derrubou a dinastia, mas não conseguiu completar as transformações necessárias ao país. A China permaneceu fragmentada, rapidamente mergulhando no domínio de senhores da guerra e vulnerável à manipulação externa. Foi nesse vácuo, diante do fracasso da revolução burguesa, que em 1921 um pequeno grupo de trabalhadores e intelectuais fundou o Partido Comunista da China, buscando responder aos desafios históricos do imperialismo, do feudalismo e da reconstrução nacional.

O que começou como um círculo modesto cresceu até se tornar um partido de massas que liderou todo o país durante a guerra de resistência nacional contra a invasão japonesa e, depois, a revolução social. Uma qualidade central desse processo foi algo que está no coração do importante pensamento de Xi Jinping sobre a construção do Partido: a autogovernança plena e rigorosa e a autorreforma como estratégia de longo prazo e prioridade constante. Como base para sustentar sua liderança, o Partido não possui interesses especiais próprios além dos interesses do povo; o Partido assume responsabilidade por suas próprias fileiras, estabelecendo padrões rigorosos de conduta para seus membros, supervisionando o exercício do poder em todos os níveis e corrigindo seus próprios erros antes que se enraízem. Como enfatizou o secretário-geral Xi, a coragem de se engajar em autorreforma e renovação para enfrentar cada desafio conjuntural é a característica que mais claramente distingue o PCCh.

Yan’an é onde a ideia por trás disso tudo se torna tangível. Após a Longa Marcha, o Partido se estabeleceu ali entre 1937 e 1948, e nessas cavernas forjou uma disciplina de autocorreção junto de sua estratégia militar. Visitei o salão onde foi realizado o lendário Sétimo Congresso Nacional, com seus estandartes restaurados e bancos de madeira intactos, e onde o pensamento que emergiu durante o famoso Movimento de Retificação da década de 1940 — uma expressão inicial do esforço para identificar e eliminar erros e adaptar o marxismo à realidade chinesa — tornou-se princípio orientador do Partido.

Essa autorreforma tem sido um hábito inscrito no DNA do Partido desde seus primeiros dias. O que o secretário-geral Xi fez foi elevar esse instinto a uma doutrina sistemática, vinculando a natureza avançada do Partido a uma vigilância permanente sobre si mesmo. Um partido que deixa de examinar sua própria conduta começa a morrer, por mais impressionantes que sejam suas conquistas. Essa convicção molda a forma como as conquistas visíveis em qualquer cidade, vila ou aldeia da China hoje são compreendidas — como a etapa mais recente de uma longa história de luta.

Ao caminhar pelo Museu da Revolução de Yan’an, com suas fotografias de camponeses aprendendo a ler e soldados cultivando suas próprias terras em Nanniwan, percebe-se o outro pilar dessa visão: o vínculo entre o Partido e o povo. O lema daqueles anos — servir o povo — permanece vivo até hoje. Disso vem uma convicção que o secretário-geral Xi frequentemente reafirma: o povo é o verdadeiro mestre de sua história, e um partido que se afasta dele perde sua razão de existir. A autogovernança rigorosa, sob essa ótica, é o mecanismo que mantém a liderança ancorada no povo que lhe confere legitimidade.

Enquanto caminhava pelas ruas de Yan’an, com o som de tambores de cintura vindo da praça próxima preenchendo o ar, e a lendária pagoda da dinastia Tang observando as pessoas do alto das colinas, pensei em todos aqueles que deram suas vidas ali ao longo desses rios: jovens quadros de todas as partes do país que marcharam por meses atravessando as montanhas nevadas de Sichuan para estabelecer essa base, a partir da qual a Nova China foi construída. Apesar desse legado heroico, isso nunca foi uma justificativa para a complacência. Um partido de 105 anos poderia facilmente ter se deleitado com seus sucessos e esquecido o que custou chegar até aqui. A aposta de Xi Jinping na construção do Partido aponta na direção oposta, defendendo que esses próprios sucessos só são garantidos por meio de uma autogovernança e autorreforma ininterruptas, disciplinas que preservam a vitalidade do Partido.

Yan’an, com sua beleza tranquila entre cavernas e bandeiras vermelhas, mostra que a história é feita pelo povo e suas lutas, seus sacrifícios — e que os sonhos antes sussurrados nessas colinas ainda permanecem porque o Partido que os carregou nunca deixou de sustentar esses princípios fundamentais e aplicá-los a cada news rage da história, refazendo-os junto ao povo para enfrentar cada novo desafio.

 

Fonte: Brasil 247

 

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