sexta-feira, 26 de junho de 2026

Asma não afeta apenas os pulmões: o impacto emocional das crises

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que provoca sintomas como falta de ar, chiado no peito, tosse e sensação de aperto torácico. Já a ansiedade é uma resposta natural do organismo diante de situações percebidas como ameaçadoras, mas que pode se tornar excessiva e prejudicar a qualidade de vida quando ocorre de forma frequente ou intensa.

<><> Quando a crise de asma vira medo constante

Embora sejam condições distintas, existe uma relação estreita entre asma e ansiedade. Muitas vezes, uma pode influenciar diretamente a outra, criando um ciclo que dificulta o controle dos sintomas e aumenta o sofrimento da pessoa.

Quem já passou por uma crise de asma sabe o quanto a sensação de não conseguir respirar adequadamente pode ser assustadora. Durante uma crise, o indivíduo pode sentir medo intenso, insegurança e até pânico. Esse impacto emocional não desaparece necessariamente quando os sintomas respiratórios melhoram. Algumas pessoas passam a viver em estado de alerta constante, preocupadas com a possibilidade de uma nova crise acontecer a qualquer momento.

Esse medo pode gerar comportamentos que limitam a rotina, como evitar exercícios físicos, viagens ou atividades sociais. Aos poucos, a preocupação excessiva com a respiração pode favorecer o desenvolvimento ou agravamento de quadros de ansiedade.

<><> Como a ansiedade pode piorar os sintomas respiratórios

Por outro lado, a ansiedade também pode interferir nos sintomas da asma. Quando uma pessoa está ansiosa, o organismo entra em estado de alerta e libera substâncias relacionadas à resposta ao estresse. Além disso, a respiração tende a se tornar mais rápida e superficial. Essa mudança no padrão respiratório pode aumentar a sensação de falta de ar, aperto no peito e desconforto respiratório.

Em alguns casos, os sintomas da ansiedade podem ser tão semelhantes aos da asma que se torna difícil diferenciá-los. Sensação de sufocamento, respiração acelerada, aperto no peito e desconforto físico podem estar presentes em ambas as situações. Isso pode gerar ainda mais preocupação, levando a pessoa a interpretar qualquer alteração respiratória como o início de uma crise grave.

<><> Por que reconhecer essa ligação muda o tratamento

Reconhecer essa conexão é essencial para evitar interpretações equivocadas dos sintomas. Quando a pessoa compreende que fatores emocionais podem influenciar sua respiração, torna-se mais fácil identificar os sinais do corpo e buscar estratégias adequadas para lidar com cada situação.

Forma-se, então, um ciclo: a asma gera medo e ansiedade; a ansiedade aumenta a percepção dos sintomas respiratórios; essa percepção intensificada aumenta o medo; e o medo, por sua vez, alimenta ainda mais a ansiedade.

Estudos mostram que pessoas com asma apresentam maior frequência de sintomas ansiosos quando comparadas à população geral. Além disso, a presença de ansiedade pode estar associada a pior qualidade de vida, maior procura por serviços de saúde e maior dificuldade para manter o controle adequado da doença respiratória.

Por isso, o tratamento da asma não deve se limitar apenas ao controle dos sintomas físicos. É fundamental considerar também os aspectos emocionais envolvidos. O acompanhamento médico regular, o uso correto das medicações prescritas e o conhecimento sobre a doença ajudam a aumentar a sensação de segurança e reduzem o medo relacionado às crises.

Da mesma forma, estratégias voltadas para a saúde mental podem trazer benefícios importantes. Psicoterapia, técnicas de relaxamento, atividade física orientada e hábitos saudáveis de sono podem contribuir para reduzir os níveis de ansiedade e melhorar o bem-estar geral.

Cuidar da asma e da ansiedade de forma integrada permite que a pessoa tenha mais controle sobre sua saúde e sua rotina. Quando o corpo e a mente recebem atenção adequada, torna-se mais fácil interromper o ciclo entre dificuldade respiratória e sofrimento emocional, promovendo uma vida mais equilibrada e com melhor qualidade.

<><> Poluição e queimadas agravam doenças respiratórias; veja como se proteger

Uma das consequências da crise climática na vida das pessoas é o crescimento de doenças respiratórias decorrentes das queimadas, ar seco e poluição atmosférica. Um estudo da Fiocruz em parceria com o WWF-Brasil sobre a Amazônia mostrou que as queimadas aumentaram os percentuais de internações por doenças respiratórias e que, em áreas mais afetadas pelo fogo, o número de crianças internadas chegou a dobrar.

Em outra análise, publicada na revista Nature Communications, pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) estimaram que a exposição à fumaça de queimadas pode elevar em até 23% a chance de o brasileiro desenvolver doenças respiratórias. Os resultados ainda associaram esse cenário ao aumento de internações por causas circulatórias.

De acordo com Paulo Saldiva, patologista e professor da Universidade de São Paulo (USP), a má qualidade do ar pode resultar em uma série de problemas de saúde, "desde desconfortos leves e também algumas situações de internação e possivelmente aumento de mortalidade". Em entrevista à CNN Brasil, o especialista ressaltou ainda que a situação é particularmente crítica nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde as queimadas persistem.

Mesmo com o governo registrando, em agosto de 2025, o menor número de queimadas da série histórica, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostrou que os focos continuaram concentrados no Cerrado e a sazonalidade permanece, com o fogo aparecendo no auge da seca.

"O sistema de saúde sente quando o clima piora. No Brasil, temos o aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave no outono e no inverno, agravado por uma piora da qualidade do ar. Quando essas duas curvas sobem juntas, o paciente sofre e o serviço de saúde é pressionado", afirma Hélio Magarinos Torres Filho, patologista clínico e diretor do Richet Medicina e Diagnóstico.

Segundo o especialista, o ar seco e frio pode, por si só, irritar as vias aéreas. Quando somado às fumaças de queimadas, ricas em partículas finas que conseguem atingir os brônquios e os pulmões, a capacidade de defesa cai e qualquer vírus circulante encontra terreno para causar quadros mais longos e graves.

"É por isso que o inverno e o começo da primavera são períodos em que vemos mais crianças chiando, mais idosos com piora da função respiratória e mais exames sendo pedidos pelos médicos", explica.

O médico lembra, inclusive, que crianças e idosos formam o grupo mais atingido pelas consequências das mudanças climáticas na saúde, o que também foi constatado em levantamentos sobre queimadas na Amazônia. Em 2019, por exemplo, estimou-se mais de duas mil internações atribuíveis à fumaça do desmatamento, sendo cerca de 70% em bebês e pessoas com mais de 60 anos.

Para Magarinos, levar esses dados à COP30 é fundamental. “A conferência é o lugar certo para dizer que desmatamento e clima não são só temas ambientais. Eles já estão aumentando o gasto com hospitalizações e com exames no Brasil”, reforça.

<><> Como se proteger?

Para se proteger do ar seco, da poluição do ar e da fumaça de queimadas, medidas simples podem ser úteis, a começar pelo ambiente doméstico: fechar janelas nas horas em que houver fumaça intensa e ventilar a casa apenas nos momentos com menor concentração de poluentes, como no início da manhã ou à noite.

Manter o ambiente limpo e úmido também é uma medida recomendada tanto para evitar a secura como para reduzir o acúmulo de fuligem. Outra orientação é moderar no uso de ar-condicionado, pois esses aparelhos ressecam ainda mais o ar.

A hidratação é fundamental, principalmente durante a prática de atividade física. A recomendação é de, no mínimo, 35 ml de água por quilo de peso corporal por dia para garantir uma boa hidratação.

 

Fonte: CNN Brasil

 

 

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