Asma
não afeta apenas os pulmões: o impacto emocional das crises
A asma
é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que provoca sintomas como
falta de ar, chiado no peito, tosse e sensação de aperto torácico. Já a
ansiedade é uma resposta natural do organismo diante de situações percebidas
como ameaçadoras, mas que pode se tornar excessiva e prejudicar a qualidade de
vida quando ocorre de forma frequente ou intensa.
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Quando a crise de asma vira medo constante
Embora
sejam condições distintas, existe uma relação estreita entre asma e ansiedade.
Muitas vezes, uma pode influenciar diretamente a outra, criando um ciclo que
dificulta o controle dos sintomas e aumenta o sofrimento da pessoa.
Quem já
passou por uma crise de asma sabe o quanto a sensação de não conseguir respirar
adequadamente pode ser assustadora. Durante uma crise, o indivíduo pode sentir
medo intenso, insegurança e até pânico. Esse impacto emocional não desaparece
necessariamente quando os sintomas respiratórios melhoram. Algumas pessoas
passam a viver em estado de alerta constante, preocupadas com a possibilidade
de uma nova crise acontecer a qualquer momento.
Esse
medo pode gerar comportamentos que limitam a rotina, como evitar exercícios
físicos, viagens ou atividades sociais. Aos poucos, a preocupação excessiva com
a respiração pode favorecer o desenvolvimento ou agravamento de quadros de
ansiedade.
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Como a ansiedade pode piorar os sintomas respiratórios
Por
outro lado, a ansiedade também pode interferir nos sintomas da asma. Quando uma
pessoa está ansiosa, o organismo entra em estado de alerta e libera substâncias
relacionadas à resposta ao estresse. Além disso, a respiração tende a se tornar
mais rápida e superficial. Essa mudança no padrão respiratório pode aumentar a
sensação de falta de ar, aperto no peito e desconforto respiratório.
Em
alguns casos, os sintomas da ansiedade podem ser tão semelhantes aos da asma
que se torna difícil diferenciá-los. Sensação de sufocamento, respiração
acelerada, aperto no peito e desconforto físico podem estar presentes em ambas
as situações. Isso pode gerar ainda mais preocupação, levando a pessoa a
interpretar qualquer alteração respiratória como o início de uma crise grave.
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Por que reconhecer essa ligação muda o tratamento
Reconhecer
essa conexão é essencial para evitar interpretações equivocadas dos sintomas.
Quando a pessoa compreende que fatores emocionais podem influenciar sua
respiração, torna-se mais fácil identificar os sinais do corpo e buscar
estratégias adequadas para lidar com cada situação.
Forma-se,
então, um ciclo: a asma gera medo e ansiedade; a ansiedade aumenta a percepção
dos sintomas respiratórios; essa percepção intensificada aumenta o medo; e o
medo, por sua vez, alimenta ainda mais a ansiedade.
Estudos
mostram que pessoas com asma apresentam maior frequência de sintomas ansiosos
quando comparadas à população geral. Além disso, a presença de ansiedade pode
estar associada a pior qualidade de vida, maior procura por serviços de saúde e
maior dificuldade para manter o controle adequado da doença respiratória.
Por
isso, o tratamento da asma não deve se limitar apenas ao controle dos sintomas
físicos. É fundamental considerar também os aspectos emocionais envolvidos. O
acompanhamento médico regular, o uso correto das medicações prescritas e o
conhecimento sobre a doença ajudam a aumentar a sensação de segurança e reduzem
o medo relacionado às crises.
Da
mesma forma, estratégias voltadas para a saúde mental podem trazer benefícios
importantes. Psicoterapia, técnicas de relaxamento, atividade física orientada
e hábitos saudáveis de sono podem contribuir para reduzir os níveis de
ansiedade e melhorar o bem-estar geral.
Cuidar
da asma e da ansiedade de forma integrada permite que a pessoa tenha mais
controle sobre sua saúde e sua rotina. Quando o corpo e a mente recebem atenção
adequada, torna-se mais fácil interromper o ciclo entre dificuldade
respiratória e sofrimento emocional, promovendo uma vida mais equilibrada e com
melhor qualidade.
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Poluição e queimadas agravam doenças respiratórias; veja como se proteger
Uma das
consequências da crise climática na vida das pessoas é o crescimento de doenças
respiratórias decorrentes das queimadas, ar seco e poluição atmosférica. Um
estudo da Fiocruz em parceria com o WWF-Brasil sobre a Amazônia mostrou que as
queimadas aumentaram os percentuais de internações por doenças respiratórias e
que, em áreas mais afetadas pelo fogo, o número de crianças internadas chegou a
dobrar.
Em
outra análise, publicada na revista Nature Communications, pesquisadores da
Fundação Getúlio Vargas (FGV) estimaram que a exposição à fumaça de queimadas
pode elevar em até 23% a chance de o brasileiro desenvolver doenças
respiratórias. Os resultados ainda associaram esse cenário ao aumento de
internações por causas circulatórias.
De
acordo com Paulo Saldiva, patologista e professor da Universidade de São Paulo
(USP), a má qualidade do ar pode resultar em uma série de problemas de saúde,
"desde desconfortos leves e também algumas situações de internação e
possivelmente aumento de mortalidade". Em entrevista à CNN Brasil, o
especialista ressaltou ainda que a situação é particularmente crítica nas
regiões Norte e Centro-Oeste, onde as queimadas persistem.
Mesmo
com o governo registrando, em agosto de 2025, o menor número de queimadas da
série histórica, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostrou que
os focos continuaram concentrados no Cerrado e a sazonalidade permanece, com o
fogo aparecendo no auge da seca.
"O
sistema de saúde sente quando o clima piora. No Brasil, temos o aumento de
casos de síndrome respiratória aguda grave no outono e no inverno, agravado por
uma piora da qualidade do ar. Quando essas duas curvas sobem juntas, o paciente
sofre e o serviço de saúde é pressionado", afirma Hélio Magarinos Torres
Filho, patologista clínico e diretor do Richet Medicina e Diagnóstico.
Segundo
o especialista, o ar seco e frio pode, por si só, irritar as vias aéreas.
Quando somado às fumaças de queimadas, ricas em partículas finas que conseguem
atingir os brônquios e os pulmões, a capacidade de defesa cai e qualquer vírus
circulante encontra terreno para causar quadros mais longos e graves.
"É
por isso que o inverno e o começo da primavera são períodos em que vemos mais
crianças chiando, mais idosos com piora da função respiratória e mais exames
sendo pedidos pelos médicos", explica.
O
médico lembra, inclusive, que crianças e idosos formam o grupo mais atingido
pelas consequências das mudanças climáticas na saúde, o que também foi
constatado em levantamentos sobre queimadas na Amazônia. Em 2019, por exemplo,
estimou-se mais de duas mil internações atribuíveis à fumaça do desmatamento,
sendo cerca de 70% em bebês e pessoas com mais de 60 anos.
Para
Magarinos, levar esses dados à COP30 é fundamental. “A conferência é o lugar
certo para dizer que desmatamento e clima não são só temas ambientais. Eles já
estão aumentando o gasto com hospitalizações e com exames no Brasil”, reforça.
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Como se proteger?
Para se
proteger do ar seco, da poluição do ar e da fumaça de queimadas, medidas
simples podem ser úteis, a começar pelo ambiente doméstico: fechar janelas nas
horas em que houver fumaça intensa e ventilar a casa apenas nos momentos com
menor concentração de poluentes, como no início da manhã ou à noite.
Manter
o ambiente limpo e úmido também é uma medida recomendada tanto para evitar a
secura como para reduzir o acúmulo de fuligem. Outra orientação é moderar no
uso de ar-condicionado, pois esses aparelhos ressecam ainda mais o ar.
A
hidratação é fundamental, principalmente durante a prática de atividade física.
A recomendação é de, no mínimo, 35 ml de água por quilo de peso corporal por
dia para garantir uma boa hidratação.
Fonte:
CNN Brasil

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