Inverno:
o que quem tem diabetes precisa saber sobre os cuidados com os pés
O
inverno começou neste domingo (21), e com ele chegam calçados mais fechados,
meias mais grossas e noites mais frias. Para a maioria das pessoas, essa
mudança é só uma questão de conforto. Para quem vive com diabetes, ela também
representa um alerta: os pés ficam mais cobertos, menos inspecionados e
expostos a situações que, combinadas com a neuropatia diabética, podem evoluir
para lesões graves.
A
neuropatia periférica é uma das complicações mais comuns do diabetes e reduz ou
elimina a sensibilidade nos membros inferiores. Isso significa que ferimentos,
pressões excessivas e queimaduras podem ocorrer sem dor, e sem que a pessoa
perceba a tempo. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD),
aproximadamente 20% das internações de pessoas com diabetes são motivadas por
lesões nos pés. A maioria dessas complicações é evitável com autocuidado
sistemático e orientação adequada.
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Por que o frio representa um risco a mais para os pés
No
inverno, alguns hábitos aparentemente inofensivos se tornam fatores de risco
relevantes para quem tem diabetes. O uso de bolsas térmicas, escalda-pés ou
qualquer fonte de calor direta nos membros inferiores é contraindicado: a
temperatura pode ser alta demais sem que a pessoa perceba, causando queimaduras
que dificilmente cicatrizam com rapidez.
O
ressecamento da pele, mais intenso na estação fria, é outro ponto de atenção. A
pele seca racha, e as fissuras, mesmo as pequenas, funcionam como porta de
entrada para infecções. O frio também costuma desestimular a inspeção diária
dos pés, já que ficam cobertos por mais tempo. Mas é justamente nessa época que
o monitoramento precisa ser mantido com mais disciplina.
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A inspeção diária dos pés: simples, eficaz e inegociável
A SBD
orienta que a inspeção dos pés seja feita todos os dias, sem exceção. O exame
deve incluir a sola, os calcanhares e a região entre os dedos. A orientação é
ficar de olho em áreas onde lesões costumam aparecer primeiro e passam
despercebidas com mais facilidade. Quem tiver dificuldade para visualizar a
planta do pé pode usar um espelho ou pedir ajuda a um familiar.
Os
sinais que pedem atenção imediata incluem alteração de cor na pele, bolhas,
calos ou ferimentos e variação de temperatura no pé. Inchaço, odor ou secreção
também exigem avaliação profissional sem demora. Em nenhum caso se deve
recorrer à automedicação ou à manipulação em casa.
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Higiene, hidratação e cuidado com as unhas
A
limpeza diária dos pés deve ser feita com água morna e sabão neutro. Após
lavar, a secagem precisa ser completa, especialmente entre os dedos: a umidade
acumulada nessa região favorece o surgimento de fungos e pequenas lesões que
podem se agravar rapidamente.
A
hidratação dos pés com creme ou loção específica é recomendada pela SBD para
prevenir o ressecamento e as rachaduras. O único cuidado é não aplicar o
produto entre os dedos, onde o excesso de umidade é prejudicial.
O corte
das unhas deve ser feito de forma reta, sem arredondar os cantos. O corte
inadequado é uma das causas mais comuns de encravamento e feridas. Além disso,
calos, calosidades e unhas encravadas não devem ser tratados em casa: o
procedimento deve ser realizado por podólogo ou enfermeiro estomaterapeuta com
experiência em diabetes.
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Calçados: a escolha certa faz toda a diferença
A
seleção de sapatos para pessoas com diabetes é tratada pela SBD como uma
prescrição clínica. O calçado adequado precisa ter parte anterior ampla para
acomodar os dedos sem pressão e solado antiderrapante com espessura mínima de
20 mm. A ausência de costuras internas é igualmente necessária. Palmilha
removível e fechamento regulável são outros critérios importantes.
O
Departamento de Pé Diabético da SBD criou o Selo de Calçado Adequado, que
certifica modelos que atendem a critérios técnicos de segurança. Entre os
parâmetros avaliados estão: peso máximo de 400 g, rigidez adequada no médio pé,
fixação no calcanhar e salto de até 2 cm. Andar descalço, inclusive dentro de
casa, é um fator de risco direto para ulcerações e deve ser evitado.
Antes
de calçar qualquer sapato, a recomendação é inspecionar o interior do calçado
com a mão. Objetos pequenos, dobras na palmilha ou irregularidades podem causar
lesões que a neuropatia impede de sentir. Por isso, esse cuidado deve ser
repetido toda vez que o calçado for colocado.
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Controle glicêmico e cicatrização
O
controle da glicemia é parte integrante dos cuidados com os pés. A glicose
elevada prejudica a circulação sanguínea e a resposta imunológica, tornando
qualquer ferida mais difícil de cicatrizar e mais suscetível a infecções. Por
isso, manter a glicemia dentro das metas estabelecidas pelo médico é, ao mesmo
tempo, prevenção e tratamento.
Neste
contexto, a SBD orienta que pessoas com diabetes realizem avaliação periódica
dos pés na consulta médica ou de enfermagem, mesmo sem sintomas aparentes. A
identificação precoce de alterações de sensibilidade, circulação ou estrutura
óssea permite intervenções antes que qualquer lesão se instale.
• Diabetes: você pode estar treinando no
horário errado para controlar a glicemia; veja o que diz especialista
Quem
pratica musculação ou treino de força já sabe que a glicemia pode se comportar
de forma imprevisível durante e após os exercícios. O que muitas pessoas ainda
não sabem é que o horário do treino também influencia essa resposta. E essa
distinção pode ser um recurso valioso no planejamento do controle glicêmico.
O
exercício físico é um componente fundamental do tratamento do diabetes. As
diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recomendam combinar o
exercício aeróbio com o exercício resistido para um controle mais eficiente.
Cada modalidade, porém, age de forma diferente sobre a glicose.
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O exercício resistido e seu efeito diferente na glicemia
Diferentemente
da caminhada, da corrida ou da natação, o exercício resistido pode elevar a
glicemia durante a sua execução. Isso acontece porque o esforço intenso
estimula a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol, que mobilizam
glicose para os músculos. Como consequência, o risco de hipoglicemia tende a
ser menor durante e após esse tipo de treino.
Por
isso, segundo as diretrizes da SBD, antecipar o exercício resistido em relação
ao aeróbio pode ser uma estratégia eficaz para pessoas que usam insulina. Essa
sequência ajuda a reduzir o risco de hipoglicemia ao longo da sessão.
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O melhor horário segundo o especialista
O
fisiologista e preparador físico especializado em diabetes William Komatsu,
aponta que o período entre 15h e 19h tende a ser o mais favorável para o
treino. Nesse intervalo, o organismo apresenta maior sensibilidade à insulina,
o que contribui para um melhor controle glicêmico durante e após o exercício.
No entanto, o especialista é enfático: a regularidade é mais importante do que
o horário escolhido.
“O
melhor horário para treinar é aquele em que há maior sensibilidade à insulina,
geralmente entre 15h e 19h. No entanto, a prioridade máxima é a regularidade no
dia a dia, independentemente do período escolhido”, orienta o fisiologista do
exercício.
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Como otimizar o controle da glicemia no treino
Além do
horário, Komatsu destaca algumas estratégias práticas para quem quer melhorar a
performance sem comprometer a glicemia.
A
primeira delas é a combinação de modalidades. Mesclar exercícios aeróbios, como
caminhada, corrida ou bike, com o treino de força promove o melhor controle
glicêmico. Os aeróbios tendem a reduzir a glicemia mais rapidamente, enquanto a
musculação mantém os níveis mais estáveis. Usados juntos, os dois se
complementam.
O
monitoramento constante é igualmente essencial. Medir a glicemia antes, durante
e após a atividade ajuda a entender como o organismo responde a diferentes
intensidades e a ajustar a estratégia com o tempo.
Outro
ponto de atenção envolve os carboidratos pré-treino. Segundo o especialista,
consumir carboidratos de absorção rápida nos 30 minutos anteriores ao exercício
pode causar um pico de insulina reativa seguido de queda de energia logo no
início da sessão. Por isso, o momento e o tipo do alimento pré-treino merecem
atenção.
Por
fim, Komatsu reforça que as respostas glicêmicas variam conforme o tipo de
diabetes. Compreender como o próprio organismo reage a cada modalidade é o
caminho para tornar o treino um aliado mais eficaz no controle da glicemia.
Fonte:
Um Diabético

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