quinta-feira, 25 de junho de 2026

Inverno: o que quem tem diabetes precisa saber sobre os cuidados com os pés

O inverno começou neste domingo (21), e com ele chegam calçados mais fechados, meias mais grossas e noites mais frias. Para a maioria das pessoas, essa mudança é só uma questão de conforto. Para quem vive com diabetes, ela também representa um alerta: os pés ficam mais cobertos, menos inspecionados e expostos a situações que, combinadas com a neuropatia diabética, podem evoluir para lesões graves.

A neuropatia periférica é uma das complicações mais comuns do diabetes e reduz ou elimina a sensibilidade nos membros inferiores. Isso significa que ferimentos, pressões excessivas e queimaduras podem ocorrer sem dor, e sem que a pessoa perceba a tempo. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), aproximadamente 20% das internações de pessoas com diabetes são motivadas por lesões nos pés. A maioria dessas complicações é evitável com autocuidado sistemático e orientação adequada.

<><> Por que o frio representa um risco a mais para os pés

No inverno, alguns hábitos aparentemente inofensivos se tornam fatores de risco relevantes para quem tem diabetes. O uso de bolsas térmicas, escalda-pés ou qualquer fonte de calor direta nos membros inferiores é contraindicado: a temperatura pode ser alta demais sem que a pessoa perceba, causando queimaduras que dificilmente cicatrizam com rapidez.

O ressecamento da pele, mais intenso na estação fria, é outro ponto de atenção. A pele seca racha, e as fissuras, mesmo as pequenas, funcionam como porta de entrada para infecções. O frio também costuma desestimular a inspeção diária dos pés, já que ficam cobertos por mais tempo. Mas é justamente nessa época que o monitoramento precisa ser mantido com mais disciplina.

<><> A inspeção diária dos pés: simples, eficaz e inegociável

A SBD orienta que a inspeção dos pés seja feita todos os dias, sem exceção. O exame deve incluir a sola, os calcanhares e a região entre os dedos. A orientação é ficar de olho em áreas onde lesões costumam aparecer primeiro e passam despercebidas com mais facilidade. Quem tiver dificuldade para visualizar a planta do pé pode usar um espelho ou pedir ajuda a um familiar.

Os sinais que pedem atenção imediata incluem alteração de cor na pele, bolhas, calos ou ferimentos e variação de temperatura no pé. Inchaço, odor ou secreção também exigem avaliação profissional sem demora. Em nenhum caso se deve recorrer à automedicação ou à manipulação em casa.

<><> Higiene, hidratação e cuidado com as unhas

A limpeza diária dos pés deve ser feita com água morna e sabão neutro. Após lavar, a secagem precisa ser completa, especialmente entre os dedos: a umidade acumulada nessa região favorece o surgimento de fungos e pequenas lesões que podem se agravar rapidamente.

A hidratação dos pés com creme ou loção específica é recomendada pela SBD para prevenir o ressecamento e as rachaduras. O único cuidado é não aplicar o produto entre os dedos, onde o excesso de umidade é prejudicial.

O corte das unhas deve ser feito de forma reta, sem arredondar os cantos. O corte inadequado é uma das causas mais comuns de encravamento e feridas. Além disso, calos, calosidades e unhas encravadas não devem ser tratados em casa: o procedimento deve ser realizado por podólogo ou enfermeiro estomaterapeuta com experiência em diabetes.

<><> Calçados: a escolha certa faz toda a diferença

A seleção de sapatos para pessoas com diabetes é tratada pela SBD como uma prescrição clínica. O calçado adequado precisa ter parte anterior ampla para acomodar os dedos sem pressão e solado antiderrapante com espessura mínima de 20 mm. A ausência de costuras internas é igualmente necessária. Palmilha removível e fechamento regulável são outros critérios importantes.

O Departamento de Pé Diabético da SBD criou o Selo de Calçado Adequado, que certifica modelos que atendem a critérios técnicos de segurança. Entre os parâmetros avaliados estão: peso máximo de 400 g, rigidez adequada no médio pé, fixação no calcanhar e salto de até 2 cm. Andar descalço, inclusive dentro de casa, é um fator de risco direto para ulcerações e deve ser evitado.

Antes de calçar qualquer sapato, a recomendação é inspecionar o interior do calçado com a mão. Objetos pequenos, dobras na palmilha ou irregularidades podem causar lesões que a neuropatia impede de sentir. Por isso, esse cuidado deve ser repetido toda vez que o calçado for colocado.

<><> Controle glicêmico e cicatrização

O controle da glicemia é parte integrante dos cuidados com os pés. A glicose elevada prejudica a circulação sanguínea e a resposta imunológica, tornando qualquer ferida mais difícil de cicatrizar e mais suscetível a infecções. Por isso, manter a glicemia dentro das metas estabelecidas pelo médico é, ao mesmo tempo, prevenção e tratamento.

Neste contexto, a SBD orienta que pessoas com diabetes realizem avaliação periódica dos pés na consulta médica ou de enfermagem, mesmo sem sintomas aparentes. A identificação precoce de alterações de sensibilidade, circulação ou estrutura óssea permite intervenções antes que qualquer lesão se instale.

•        Diabetes: você pode estar treinando no horário errado para controlar a glicemia; veja o que diz especialista

Quem pratica musculação ou treino de força já sabe que a glicemia pode se comportar de forma imprevisível durante e após os exercícios. O que muitas pessoas ainda não sabem é que o horário do treino também influencia essa resposta. E essa distinção pode ser um recurso valioso no planejamento do controle glicêmico.

O exercício físico é um componente fundamental do tratamento do diabetes. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recomendam combinar o exercício aeróbio com o exercício resistido para um controle mais eficiente. Cada modalidade, porém, age de forma diferente sobre a glicose.

<><> O exercício resistido e seu efeito diferente na glicemia

Diferentemente da caminhada, da corrida ou da natação, o exercício resistido pode elevar a glicemia durante a sua execução. Isso acontece porque o esforço intenso estimula a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol, que mobilizam glicose para os músculos. Como consequência, o risco de hipoglicemia tende a ser menor durante e após esse tipo de treino.

Por isso, segundo as diretrizes da SBD, antecipar o exercício resistido em relação ao aeróbio pode ser uma estratégia eficaz para pessoas que usam insulina. Essa sequência ajuda a reduzir o risco de hipoglicemia ao longo da sessão.

<><> O melhor horário segundo o especialista

O fisiologista e preparador físico especializado em diabetes William Komatsu, aponta que o período entre 15h e 19h tende a ser o mais favorável para o treino. Nesse intervalo, o organismo apresenta maior sensibilidade à insulina, o que contribui para um melhor controle glicêmico durante e após o exercício. No entanto, o especialista é enfático: a regularidade é mais importante do que o horário escolhido.

“O melhor horário para treinar é aquele em que há maior sensibilidade à insulina, geralmente entre 15h e 19h. No entanto, a prioridade máxima é a regularidade no dia a dia, independentemente do período escolhido”, orienta o fisiologista do exercício.

<><> Como otimizar o controle da glicemia no treino

Além do horário, Komatsu destaca algumas estratégias práticas para quem quer melhorar a performance sem comprometer a glicemia.

A primeira delas é a combinação de modalidades. Mesclar exercícios aeróbios, como caminhada, corrida ou bike, com o treino de força promove o melhor controle glicêmico. Os aeróbios tendem a reduzir a glicemia mais rapidamente, enquanto a musculação mantém os níveis mais estáveis. Usados juntos, os dois se complementam.

O monitoramento constante é igualmente essencial. Medir a glicemia antes, durante e após a atividade ajuda a entender como o organismo responde a diferentes intensidades e a ajustar a estratégia com o tempo.

Outro ponto de atenção envolve os carboidratos pré-treino. Segundo o especialista, consumir carboidratos de absorção rápida nos 30 minutos anteriores ao exercício pode causar um pico de insulina reativa seguido de queda de energia logo no início da sessão. Por isso, o momento e o tipo do alimento pré-treino merecem atenção.

Por fim, Komatsu reforça que as respostas glicêmicas variam conforme o tipo de diabetes. Compreender como o próprio organismo reage a cada modalidade é o caminho para tornar o treino um aliado mais eficaz no controle da glicemia.

 

Fonte: Um Diabético

 

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