Gustavo
Tapioca: Afinal, quem escolherá o próximo presidente do Brasil?
Ao
compartilhar um artigo que trata o Brasil como a principal batalha política
ainda em aberto na América Latina, o presidente dos Estados Unidos antecipa
dúvidas sobre o sistema eleitoral e transforma a disputa de 2026 em tema
explícito de sua estratégia continental.
O
artigo compartilhado por Trump em sua rede social apresenta a eleição
presidencial brasileira de 2026 como o próximo grande teste da influência da
ultradireita continental na América Latina.
Não se
trata de um detalhe.
Não se
trata de uma simples opinião publicada em um site estrangeiro.
Trata-se
de um texto escolhido, aprovado e republicado pelo homem que ocupa a Casa
Branca e governa a maior potência militar do mundo.
E o que
o artigo diz merece atenção.
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O Brasil será o nono triunfo?
Segundo
a análise compartilhada por Trump, o Brasil é hoje a principal batalha política
ainda em aberto na América Latina.
O texto
afirma que Trump e seus aliados acumularam oito triunfos políticos em sete anos
na região e sugere que uma vitória da direita no Brasil alteraria profundamente
o mapa político continental.
Em
outras palavras, o Brasil aparece não como mais um país latino-americano, mas
como a peça decisiva para completar a virada política continental celebrada por
Trump e seus aliados.
Até aí
já seria uma declaração politicamente relevante.
<><>
O trecho mais grave vem depois
O
artigo afirma existir um intenso debate sobre a integridade do sistema
eleitoral brasileiro e questiona se a disputa de 2026 será considerada livre e
justa por todos os envolvidos.
A
eleição ainda não começou.
A
campanha oficial ainda não começou.
Não
existe qualquer denúncia concreta de fraude sobre as urnas eletrônicas em
eleições anteriores.
Mesmo
assim, a suspeita já foi colocada sobre a mesa pelo presidente dos Estados
Unidos.
E é
justamente aí que o episódio deixa de ser apenas mais uma manifestação de
preferência ideológica.
<><>
A pergunta inevitável passa a ser outra
Por que
levantar dúvidas sobre a legitimidade da eleição antes mesmo de ela acontecer?
A
pergunta torna-se ainda mais relevante diante da experiência recente.
Foi
exatamente esse tipo de narrativa que antecedeu a contestação da eleição
norte-americana de 2020 por Donald Trump e a invasão do Capitólio em 6 de
janeiro de 2021, quando apoiadores do então presidente, insuflados por sua
retórica, contestaram sua derrota e interromperam a sessão do Congresso que
certificaria a vitória de Joe Biden.
Foi
exatamente esse tipo de narrativa que alimentou os ataques sistemáticos do
bolsonarismo às urnas eletrônicas.
E foi
exatamente esse ambiente de desconfiança fabricada que desembocou nos ataques
golpistas de 8 de janeiro de 2023.
<><>
Há um detalhe adicional que não pode ser ignorado
A
tentativa bolsonarista de ruptura institucional encontrou, em 2022 e 2023, uma
Casa Branca governada por Joe Biden.
Washington
reconheceu rapidamente a vitória de Lula e atuou em defesa da preservação da
ordem constitucional brasileira.
Em
2026, o cenário internacional será outro.
Quem
ocupa a Casa Branca é Donald Trump.
O mesmo
líder que se recusou a reconhecer sua derrota eleitoral em 2020.
O mesmo
líder cuja retórica ajudou a produzir a invasão do Capitólio.
O mesmo
líder que agora compartilha um artigo que coloca sob suspeita a eleição
brasileira antes mesmo de ela acontecer.
<><>
O texto compartilhado por Trump ajuda a compreender algo maior
Não se
trata apenas de Lula.
Não se
trata apenas de Flávio Bolsonaro.
O
artigo de John Gizzi, publicado em 22 de junho e compartilhado por Trump em sua
conta oficial na Truth Social, descreve o Brasil como a potência política da
região e sugere que a eleição de 2026 poderá ser a disputa mais importante do
hemisfério ocidental.
Trump
concorda com Gizzi quando ele descreve o Brasil como o “próximo grande teste”
para a influência política da direita continental na América Latina.
O
artigo afirma que a eleição brasileira será crucial para consolidar a expansão
da ultradireita liderada por Trump no continente.
Ele
celebra uma sequência de vitórias eleitorais da nova direita latino-americana,
citando lideranças como Javier Milei, na Argentina, Daniel Noboa, no Equador, e
Nayib Bukele, em El Salvador, além de outros governos e movimentos alinhados ao
campo conservador continental.
<><>
Chegou a vez do Brasil
Não por
acaso.
O
Brasil é a maior economia da América Latina.
É
membro dos BRICS.
É o
principal parceiro comercial da China na região.
E ocupa
posição central em qualquer projeto de reorganização geopolítica do continente.
Talvez
por isso o Brasil apareça, no texto compartilhado por Trump, como um dos
principais desafios ainda pendentes para a consolidação desse novo mapa
político regional.
A
questão, portanto, já não é apenas quem vencerá a eleição em outubro de 2026.
A
questão é outra.
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O que acontecerá se as urnas reelegerem Lula?
O
resultado será reconhecido como expressão legítima da vontade popular?
Ou a
suspeição lançada antecipadamente servirá para alimentar uma nova contestação
eleitoral?
Donald
Trump não compartilhou apenas um artigo.
Compartilhou
um roteiro político.
E nele
o Brasil aparece como a próxima batalha.
¨
Tereza Cruvinel: Dois avisos de que Trump planeja meter a
mão em nossa eleição. Contra Lula
Por
estreitíssima maioria, a extrema direita venceu na Colômbia - e se não venceu,
manipulou a contagem de votos, como denuncia o presidente Gustavo Petro – com a
ajuda de Donald Trump e seus esbirros regionais, como Noboa, do Equador, e
Bukele, de El Salvador. O aviso foi bem anotado pelo governo. E para que fique
clara sua disposição de meter a mão grande na eleição brasileira para evitar a
vitória de Lula, Trump postou em sua rede social, na madrugada desta
terça-feira, o texto de um articulista amistoso, festejando a oitava vitória de
aliados trumpistas na América Latina nos últimos sete anos e definindo o Brasil
como “próximo grande teste”. Foi outro aviso.
A isso
podemos somar o rumor de que Trump poderá desferir novo ataque ao ministro
Alexandre de Morais caso Bolsonaro pai seja enviado de volta à Papudinha esta
semana, com o encerramento do período de prisão domiciliar humanitária. Sinal
de que a química com Lula acabou e ele agora partiu mesmo para o modo ataque.
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A
derrota do governo de esquerda na Colômbia é a mais grave para Lula,
depois da vitória de Milei na Argentina, acentuando seu isolamento regional, no
que pese o prestígio internacional. Só restam agora, na América do Sul, os
governos progressistas do Brasil e do Uruguai, que por seu reduzido peso
econômico e político, incomoda menos Trump.
Afora
sua importância econômica, a Colômbia importa muito para a política externa de
Lula e suas pautas integracionistas, ambientais, de segurança regional e de
transição energética, que tinham Petro como aliado importante. Tentando
relativizar a mudança que haverá na Colômbia, o embaixador Celso Amorim
declarou que haverá diálogo também com o governo de Aberlado de la Espriella,
mas sabemos que ele jogará fechado com Trump.
A
vitória do exótico Abelardo, que gosta de ser chamado de “El Tigre”, está sendo
festejada pela oposição bolsonarista, especialmente por sua proposta de tratar
o crime organizado com “mão de ferro” e a promessa de construir dez mega
presídios do gênero Bukele. Isso será usado comparativamente na campanha para
atacar a política de segurança de Lula.
O
artigo assinado por John Gizzi no site norte-americano Newsmax sugere uma das
armas que serão usadas por Trump e os lesa-pátria brasileiros da família
Bolsonaro, ao afirmar que já se debate intensamente “o sistema eleitoral
brasileiro e se a disputa será conduzida de maneira considerada livre e justa
por todos os lados”. Aqui no Brasil ninguém está discutindo o sistema eleitoral
nem a lisura das eleições. Contestar resultados eleitorais é especialidade de
Trump e da extrema direita em geral.
Se a
eleição brasileira tornou-se, como Trump está deixando claro, uma equação
importante em seu plano de dominar “o quintal” latino-americano, desde logo o
governo Lula e as forças democráticas nacionais devem se preparar para outra
tentativa de golpe. Quanto mais observadores internacionais forem convidados,
melhor.
E para
completar, o TSE será presidido, durante o pleito, pelo ministro Nunes Marques,
indicado ao STF por Bolsonaro.
¨
Imagem de Trump derrete no mundo e rejeição aos EUA
aumenta no Brasil
A
imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desabou em uma pesquisa
global, que mostra que 76% dos entrevistados não confiam no mandatário
norte-americano em temas internacionais, enquanto a percepção sobre os Estados
Unidos também se deteriorou em 36 países, incluindo o Brasil.
O
levantamento, realizado pelo Pew Research Center, aponta que a maioria dos
entrevistados tem avaliação negativa dos Estados Unidos e rejeita pontos
centrais da política externa conduzida por Washington sob Donald Trump. Na
média global, 57% dizem ter visão desfavorável do país, contra 37% que afirmam
enxergá-lo de forma positiva.
A
pesquisa também mostra que 50% dos entrevistados não consideram os Estados
Unidos um parceiro confiável. Outros 63% avaliam que o país não contribui para
a paz e a estabilidade mundial, enquanto 66% afirmam que Washington não leva em
conta os interesses de outras nações ao tomar decisões.
<><
Rejeição aos EUA é maior na Europa e na Ásia
Os
maiores níveis de avaliação negativa aparecem em países da Europa e da Ásia. Na
França, na Holanda e na Alemanha, a rejeição aos Estados Unidos supera 70%. Na
Suécia, país que ingressou recentemente na Otan, 80% dos entrevistados têm
visão desfavorável dos EUA.
Índices
semelhantes foram registrados na Malásia, com 80%, no Paquistão, com 81%, na
Turquia, com 84%, e na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, com 82%. No Japão,
tradicional aliado de Washington, há empate: 50% têm visão positiva e 50% veem
os Estados Unidos de forma negativa.
Em
partes da África e da América Latina, a percepção é mais favorável. Na
Colômbia, 60% dos entrevistados avaliam positivamente os Estados Unidos. No
Brasil, 47% têm visão positiva do país, enquanto 43% declaram opinião negativa.
Em 2025, a parcela de brasileiros com avaliação favorável era de 56%.
Israel
aparece como o país mais favorável aos Estados Unidos entre os pesquisados, com
81% de aprovação.
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Trump enfrenta forte desconfiança internacional
A
avaliação sobre Donald Trump é ainda mais negativa do que a percepção geral
sobre os Estados Unidos. Segundo o Pew, 76% dos entrevistados afirmam não
confiar no presidente norte-americano quando se trata de assuntos
internacionais.
Em 11
países, entre eles seis aliados da Otan, a desconfiança em relação a Trump
ultrapassa 80%. A Turquia registra o maior índice, com 92%. O presidente
norte-americano, porém, mantém níveis positivos de apoio em países como
Filipinas, Israel, Gana, Nigéria e Quênia, especialmente entre entrevistados
que se declararam cristãos ou judeus.
No
Brasil, 64% dos entrevistados dizem não confiar nas ações de Trump. O
percentual é próximo ao registrado em 2025, quando a desconfiança era de 61%,
mas inferior ao patamar observado durante seu primeiro mandato, quando a
desaprovação chegou a 78% em 2018.
O dado
ganha peso no contexto das discussões sobre eventuais impactos da política
externa americana na eleição presidencial brasileira de outubro, diante de
sinais de que a Casa Branca poderia buscar algum tipo de influência sobre a
disputa.
<><>
Política externa agressiva pesa contra Washington
A queda
da imagem dos Estados Unidos no cenário internacional aparece associada à
postura mais agressiva da política externa americana. Após uma breve
recuperação durante o governo de Joe Biden, entre 2021 e 2025, a percepção
global voltou a se deteriorar com o retorno de Trump à Presidência.
A atual
estratégia de Washington busca ampliar a presença norte-americana em diferentes
regiões e reforçar sua influência sobre áreas consideradas estratégicas. Na
América Latina, esse movimento aparece associado a uma versão atualizada da
Doutrina Monroe, com maior pressão sobre países da região.
O
levantamento do Pew indica forte rejeição a medidas adotadas pelo governo
Trump. O tarifaço global anunciado no ano anterior é desaprovado por 77% dos
entrevistados. No Brasil, apenas 19% aprovam a iniciativa.
As
políticas migratórias do presidente americano também enfrentam resistência: 65%
dos entrevistados são contrários a elas. Entre brasileiros, 25% aprovam essas
medidas. Já as novas diretrizes para a distribuição de ajuda humanitária,
afetadas por cortes promovidos no início do governo, são desaprovadas por 56%
dos entrevistados. No Brasil, 41% consideram corretas as atuais políticas de
assistência americana.
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Ações no Irã, Venezuela, Gaza e Ucrânia são mal avaliadas
A
atuação dos Estados Unidos em conflitos internacionais também é rejeitada pela
maioria dos entrevistados. Apenas 20% aprovam a ofensiva contra o Irã lançada
no fim de fevereiro, que está atualmente suspensa em meio a negociações.
A
intervenção na Venezuela, em janeiro, que resultou no sequestro do presidente
Nicolás Maduro, foi considerada correta por 22% dos entrevistados. No Brasil,
esse cenário teve aprovação de 33%, percentual superior à média global, mas
ainda minoritário.
Em
Gaza, onde Washington se alinhou a Israel, as ações norte-americanas foram
aprovadas por 18% dos entrevistados. Na Ucrânia, conflito que Trump prometeu
encerrar rapidamente durante a campanha, mas que já chega ao quinto ano, a
atuação do presidente americano recebeu o aval de 20%.
Com
exceção da Venezuela, os índices brasileiros seguem tendência semelhante à
média internacional, com forte desaprovação das principais ações externas dos
Estados Unidos.
<><>
Maioria vê interferência excessiva dos EUA
Outro
ponto de consenso no levantamento é a percepção de que os Estados Unidos
interferem demais nos assuntos internos de outros países. Entre os
entrevistados de 17 nações em desenvolvimento, 76% concordam com essa
avaliação.
No
Brasil, o índice também é de 76%. A percepção é ainda maior entre adultos de 30
a 49 anos, grupo em que 82% afirmam que Washington exerce influência excessiva
sobre temas de outras nações.
Segundo
o Pew, essa visão também aparece entre os próprios norte-americanos. Nos
Estados Unidos, 83% reconhecem que o governo do país exerce influência em
excesso sobre assuntos externos.
<><>
Outros líderes mundiais também foram avaliados
Além de
Trump, a pesquisa mediu a percepção internacional sobre outros líderes. O
presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tem apoio majoritário entre
europeus, mas enfrenta menor aprovação no Oriente Médio e em partes da Ásia.
Vladimir
Putin, presidente da Rússia, é amplamente rejeitado na Europa, mas registra
números positivos na África e em países como Indonésia, onde tem 64% de
aprovação, e Malásia, com 62%.
O
primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, só teve aprovação superior a
50% nas Filipinas e no Quênia. Já o presidente da China, Xi Jinping, encontra
suas principais bases de apoio na África e em partes da Ásia.
Na
América Latina, nenhum dos líderes avaliados ultrapassou 45% de aprovação, o
que levou o Pew a identificar a região como a mais cética entre as áreas
pesquisadas.
Ao
todo, o Pew Research Center ouviu 42.151 pessoas em 36 países e regiões, além
de 3.507 residentes nos Estados Unidos. As entrevistas foram feitas
presencialmente, por telefone e pela internet entre 8 de fevereiro e 13 de
maio.
Fonte:
Brasil 247

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