sexta-feira, 26 de junho de 2026

Gustavo Tapioca: Afinal, quem escolherá o próximo presidente do Brasil?

Ao compartilhar um artigo que trata o Brasil como a principal batalha política ainda em aberto na América Latina, o presidente dos Estados Unidos antecipa dúvidas sobre o sistema eleitoral e transforma a disputa de 2026 em tema explícito de sua estratégia continental.

O artigo compartilhado por Trump em sua rede social apresenta a eleição presidencial brasileira de 2026 como o próximo grande teste da influência da ultradireita continental na América Latina.

Não se trata de um detalhe.

Não se trata de uma simples opinião publicada em um site estrangeiro.

Trata-se de um texto escolhido, aprovado e republicado pelo homem que ocupa a Casa Branca e governa a maior potência militar do mundo.

E o que o artigo diz merece atenção.

<><> O Brasil será o nono triunfo?

Segundo a análise compartilhada por Trump, o Brasil é hoje a principal batalha política ainda em aberto na América Latina.

O texto afirma que Trump e seus aliados acumularam oito triunfos políticos em sete anos na região e sugere que uma vitória da direita no Brasil alteraria profundamente o mapa político continental.

Em outras palavras, o Brasil aparece não como mais um país latino-americano, mas como a peça decisiva para completar a virada política continental celebrada por Trump e seus aliados.

Até aí já seria uma declaração politicamente relevante.

<><> O trecho mais grave vem depois

O artigo afirma existir um intenso debate sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro e questiona se a disputa de 2026 será considerada livre e justa por todos os envolvidos.

A eleição ainda não começou.

A campanha oficial ainda não começou.

Não existe qualquer denúncia concreta de fraude sobre as urnas eletrônicas em eleições anteriores.

Mesmo assim, a suspeita já foi colocada sobre a mesa pelo presidente dos Estados Unidos.

E é justamente aí que o episódio deixa de ser apenas mais uma manifestação de preferência ideológica.

<><> A pergunta inevitável passa a ser outra

Por que levantar dúvidas sobre a legitimidade da eleição antes mesmo de ela acontecer?

A pergunta torna-se ainda mais relevante diante da experiência recente.

Foi exatamente esse tipo de narrativa que antecedeu a contestação da eleição norte-americana de 2020 por Donald Trump e a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores do então presidente, insuflados por sua retórica, contestaram sua derrota e interromperam a sessão do Congresso que certificaria a vitória de Joe Biden.

Foi exatamente esse tipo de narrativa que alimentou os ataques sistemáticos do bolsonarismo às urnas eletrônicas.

E foi exatamente esse ambiente de desconfiança fabricada que desembocou nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.

<><> Há um detalhe adicional que não pode ser ignorado

A tentativa bolsonarista de ruptura institucional encontrou, em 2022 e 2023, uma Casa Branca governada por Joe Biden.

Washington reconheceu rapidamente a vitória de Lula e atuou em defesa da preservação da ordem constitucional brasileira.

Em 2026, o cenário internacional será outro.

Quem ocupa a Casa Branca é Donald Trump.

O mesmo líder que se recusou a reconhecer sua derrota eleitoral em 2020.

O mesmo líder cuja retórica ajudou a produzir a invasão do Capitólio.

O mesmo líder que agora compartilha um artigo que coloca sob suspeita a eleição brasileira antes mesmo de ela acontecer.

<><> O texto compartilhado por Trump ajuda a compreender algo maior

Não se trata apenas de Lula.

Não se trata apenas de Flávio Bolsonaro.

O artigo de John Gizzi, publicado em 22 de junho e compartilhado por Trump em sua conta oficial na Truth Social, descreve o Brasil como a potência política da região e sugere que a eleição de 2026 poderá ser a disputa mais importante do hemisfério ocidental.

Trump concorda com Gizzi quando ele descreve o Brasil como o “próximo grande teste” para a influência política da direita continental na América Latina.

O artigo afirma que a eleição brasileira será crucial para consolidar a expansão da ultradireita liderada por Trump no continente.

Ele celebra uma sequência de vitórias eleitorais da nova direita latino-americana, citando lideranças como Javier Milei, na Argentina, Daniel Noboa, no Equador, e Nayib Bukele, em El Salvador, além de outros governos e movimentos alinhados ao campo conservador continental.

<><> Chegou a vez do Brasil

Não por acaso.

O Brasil é a maior economia da América Latina.

É membro dos BRICS.

É o principal parceiro comercial da China na região.

E ocupa posição central em qualquer projeto de reorganização geopolítica do continente.

Talvez por isso o Brasil apareça, no texto compartilhado por Trump, como um dos principais desafios ainda pendentes para a consolidação desse novo mapa político regional.

A questão, portanto, já não é apenas quem vencerá a eleição em outubro de 2026.

A questão é outra.

<><> O que acontecerá se as urnas reelegerem Lula?

O resultado será reconhecido como expressão legítima da vontade popular?

Ou a suspeição lançada antecipadamente servirá para alimentar uma nova contestação eleitoral?

Donald Trump não compartilhou apenas um artigo.

Compartilhou um roteiro político.

E nele o Brasil aparece como a próxima batalha. 

¨      Tereza Cruvinel: Dois avisos de que Trump planeja meter a mão em nossa eleição. Contra Lula

Por estreitíssima maioria, a extrema direita venceu na Colômbia - e se não venceu, manipulou a contagem de votos, como denuncia o presidente Gustavo Petro – com a ajuda de Donald Trump e seus esbirros regionais, como Noboa, do Equador, e Bukele, de El Salvador. O aviso foi bem anotado pelo governo. E para que fique clara sua disposição de meter a mão grande na eleição brasileira para evitar a vitória de Lula, Trump postou em sua rede social, na madrugada desta terça-feira, o texto de um articulista amistoso, festejando a oitava vitória de aliados trumpistas na América Latina nos últimos sete anos e definindo o Brasil como “próximo grande teste”. Foi outro aviso.

A isso podemos somar o rumor de que Trump poderá desferir novo ataque ao ministro Alexandre de Morais caso Bolsonaro pai seja enviado de volta à Papudinha esta semana, com o encerramento do período de prisão domiciliar humanitária. Sinal de que a química com Lula acabou e ele agora partiu mesmo para o modo ataque.

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A derrota do governo de esquerda na Colômbia é a mais grave para  Lula, depois da vitória de Milei na Argentina, acentuando seu isolamento regional, no que pese o prestígio internacional. Só restam agora, na América do Sul, os governos progressistas do Brasil e do Uruguai, que por seu reduzido peso econômico e político, incomoda menos Trump.

Afora sua importância econômica, a Colômbia importa muito para a política externa de Lula e suas pautas integracionistas, ambientais, de segurança regional e de transição energética, que tinham Petro como aliado importante. Tentando relativizar a mudança que haverá na Colômbia, o embaixador Celso Amorim declarou que haverá diálogo também com o governo de Aberlado de la Espriella, mas sabemos que ele jogará fechado com Trump.

 A vitória do exótico Abelardo, que gosta de ser chamado de “El Tigre”, está sendo festejada pela oposição bolsonarista, especialmente por sua proposta de tratar o crime organizado com “mão de ferro” e a promessa de construir dez mega presídios do gênero Bukele. Isso será usado comparativamente na campanha para atacar a política de segurança de Lula.

O artigo assinado por John Gizzi no site norte-americano Newsmax sugere uma das armas que serão usadas por Trump e os lesa-pátria brasileiros da família Bolsonaro, ao afirmar que já se debate intensamente “o sistema eleitoral brasileiro e se a disputa será conduzida de maneira considerada livre e justa por todos os lados”. Aqui no Brasil ninguém está discutindo o sistema eleitoral nem a lisura das eleições. Contestar resultados eleitorais é especialidade de Trump e da extrema direita em geral.

Se a eleição brasileira tornou-se, como Trump está deixando claro, uma equação importante em seu plano de dominar “o quintal” latino-americano, desde logo o governo Lula e as forças democráticas nacionais devem se preparar para outra tentativa de golpe. Quanto mais observadores internacionais forem convidados, melhor.

E para completar, o TSE será presidido, durante o pleito, pelo ministro Nunes Marques, indicado ao STF por Bolsonaro.

¨      Imagem de Trump derrete no mundo e rejeição aos EUA aumenta no Brasil

A imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desabou em uma pesquisa global, que mostra que 76% dos entrevistados não confiam no mandatário norte-americano em temas internacionais, enquanto a percepção sobre os Estados Unidos também se deteriorou em 36 países, incluindo o Brasil.

O levantamento, realizado pelo Pew Research Center, aponta que a maioria dos entrevistados tem avaliação negativa dos Estados Unidos e rejeita pontos centrais da política externa conduzida por Washington sob Donald Trump. Na média global, 57% dizem ter visão desfavorável do país, contra 37% que afirmam enxergá-lo de forma positiva.

A pesquisa também mostra que 50% dos entrevistados não consideram os Estados Unidos um parceiro confiável. Outros 63% avaliam que o país não contribui para a paz e a estabilidade mundial, enquanto 66% afirmam que Washington não leva em conta os interesses de outras nações ao tomar decisões.

<>< Rejeição aos EUA é maior na Europa e na Ásia

Os maiores níveis de avaliação negativa aparecem em países da Europa e da Ásia. Na França, na Holanda e na Alemanha, a rejeição aos Estados Unidos supera 70%. Na Suécia, país que ingressou recentemente na Otan, 80% dos entrevistados têm visão desfavorável dos EUA.

Índices semelhantes foram registrados na Malásia, com 80%, no Paquistão, com 81%, na Turquia, com 84%, e na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, com 82%. No Japão, tradicional aliado de Washington, há empate: 50% têm visão positiva e 50% veem os Estados Unidos de forma negativa.

Em partes da África e da América Latina, a percepção é mais favorável. Na Colômbia, 60% dos entrevistados avaliam positivamente os Estados Unidos. No Brasil, 47% têm visão positiva do país, enquanto 43% declaram opinião negativa. Em 2025, a parcela de brasileiros com avaliação favorável era de 56%.

Israel aparece como o país mais favorável aos Estados Unidos entre os pesquisados, com 81% de aprovação.

<>< Trump enfrenta forte desconfiança internacional

A avaliação sobre Donald Trump é ainda mais negativa do que a percepção geral sobre os Estados Unidos. Segundo o Pew, 76% dos entrevistados afirmam não confiar no presidente norte-americano quando se trata de assuntos internacionais.

Em 11 países, entre eles seis aliados da Otan, a desconfiança em relação a Trump ultrapassa 80%. A Turquia registra o maior índice, com 92%. O presidente norte-americano, porém, mantém níveis positivos de apoio em países como Filipinas, Israel, Gana, Nigéria e Quênia, especialmente entre entrevistados que se declararam cristãos ou judeus.

No Brasil, 64% dos entrevistados dizem não confiar nas ações de Trump. O percentual é próximo ao registrado em 2025, quando a desconfiança era de 61%, mas inferior ao patamar observado durante seu primeiro mandato, quando a desaprovação chegou a 78% em 2018.

O dado ganha peso no contexto das discussões sobre eventuais impactos da política externa americana na eleição presidencial brasileira de outubro, diante de sinais de que a Casa Branca poderia buscar algum tipo de influência sobre a disputa.

<><> Política externa agressiva pesa contra Washington

A queda da imagem dos Estados Unidos no cenário internacional aparece associada à postura mais agressiva da política externa americana. Após uma breve recuperação durante o governo de Joe Biden, entre 2021 e 2025, a percepção global voltou a se deteriorar com o retorno de Trump à Presidência.

A atual estratégia de Washington busca ampliar a presença norte-americana em diferentes regiões e reforçar sua influência sobre áreas consideradas estratégicas. Na América Latina, esse movimento aparece associado a uma versão atualizada da Doutrina Monroe, com maior pressão sobre países da região.

O levantamento do Pew indica forte rejeição a medidas adotadas pelo governo Trump. O tarifaço global anunciado no ano anterior é desaprovado por 77% dos entrevistados. No Brasil, apenas 19% aprovam a iniciativa.

As políticas migratórias do presidente americano também enfrentam resistência: 65% dos entrevistados são contrários a elas. Entre brasileiros, 25% aprovam essas medidas. Já as novas diretrizes para a distribuição de ajuda humanitária, afetadas por cortes promovidos no início do governo, são desaprovadas por 56% dos entrevistados. No Brasil, 41% consideram corretas as atuais políticas de assistência americana.

<><> Ações no Irã, Venezuela, Gaza e Ucrânia são mal avaliadas

A atuação dos Estados Unidos em conflitos internacionais também é rejeitada pela maioria dos entrevistados. Apenas 20% aprovam a ofensiva contra o Irã lançada no fim de fevereiro, que está atualmente suspensa em meio a negociações.

A intervenção na Venezuela, em janeiro, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro, foi considerada correta por 22% dos entrevistados. No Brasil, esse cenário teve aprovação de 33%, percentual superior à média global, mas ainda minoritário.

Em Gaza, onde Washington se alinhou a Israel, as ações norte-americanas foram aprovadas por 18% dos entrevistados. Na Ucrânia, conflito que Trump prometeu encerrar rapidamente durante a campanha, mas que já chega ao quinto ano, a atuação do presidente americano recebeu o aval de 20%.

Com exceção da Venezuela, os índices brasileiros seguem tendência semelhante à média internacional, com forte desaprovação das principais ações externas dos Estados Unidos.

<><> Maioria vê interferência excessiva dos EUA

Outro ponto de consenso no levantamento é a percepção de que os Estados Unidos interferem demais nos assuntos internos de outros países. Entre os entrevistados de 17 nações em desenvolvimento, 76% concordam com essa avaliação.

No Brasil, o índice também é de 76%. A percepção é ainda maior entre adultos de 30 a 49 anos, grupo em que 82% afirmam que Washington exerce influência excessiva sobre temas de outras nações.

Segundo o Pew, essa visão também aparece entre os próprios norte-americanos. Nos Estados Unidos, 83% reconhecem que o governo do país exerce influência em excesso sobre assuntos externos.

<><> Outros líderes mundiais também foram avaliados

Além de Trump, a pesquisa mediu a percepção internacional sobre outros líderes. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tem apoio majoritário entre europeus, mas enfrenta menor aprovação no Oriente Médio e em partes da Ásia.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, é amplamente rejeitado na Europa, mas registra números positivos na África e em países como Indonésia, onde tem 64% de aprovação, e Malásia, com 62%.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, só teve aprovação superior a 50% nas Filipinas e no Quênia. Já o presidente da China, Xi Jinping, encontra suas principais bases de apoio na África e em partes da Ásia.

Na América Latina, nenhum dos líderes avaliados ultrapassou 45% de aprovação, o que levou o Pew a identificar a região como a mais cética entre as áreas pesquisadas.

Ao todo, o Pew Research Center ouviu 42.151 pessoas em 36 países e regiões, além de 3.507 residentes nos Estados Unidos. As entrevistas foram feitas presencialmente, por telefone e pela internet entre 8 de fevereiro e 13 de maio.

 

Fonte: Brasil 247

 

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