Um
em cada quatro idosos brasileiros sofrem ao menos uma queda anualmente
Um
estudo longitudinal aponta que 25,1% dos idosos brasileiros que vivem em áreas
urbanas sofreram ao menos uma queda no período de um ano, correspondendo a um
em cada quatro idosos. As ocorrências são maiores em pessoas com 80 anos ou
mais.
Apesar
de as quedas não fazerem parte do envelhecimento, o estudo analisa que elas são
um dos principais problemas de saúde entre a população idosa, representando uma
das maiores causas de perda de autonomia, hospitalizações e redução da
qualidade de vida.
Segundo
dados do ELSI-Brasil (Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros),
publicado na Revista de Saúde Pública, 1,8% das quedas resultam em fraturas de
quadril ou fêmur, consideradas complicações graves para a faixa etária.
Além
disso, também foi calculado na pesquisa que 31,8% necessitam passar por
cirurgia para colocação de prótese.
A
médica endocrinologista e membro da diretoria da ABRASSO (Associação Brasileira
de Avaliação Óssea e Osteometabolismo), Dra. Maisa Monseff, ressalta que “A
maioria das quedas está relacionada a fatores que podem ser identificados e
prevenidos. Quando uma pessoa idosa sofre uma queda, o impacto pode ir muito
além da lesão física, afetando sua confiança, independência e qualidade de
vida.”
As
consequências das quedas na terceira idade vão muito além do acidente e das
lesões, gerando inseguranças nos idosos ao caminharem sozinhos, reduzindo a
mobilidade e aumentando a dependência de terceiros para atividades cotidianas.
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Perfil dos acidentes
A
maioria dos acidentes acontecem dentro das próprias residências, principalmente
em ambientes mal iluminados, com tapetes soltos, pisos escorregadios, escadas
sem corrimão e na ausência de barras de apoio.
“A
prevenção começa com medidas simples. Adequar os ambientes, manter
acompanhamento médico regular, praticar atividades físicas e cuidar da saúde
óssea são estratégias capazes de reduzir significativamente o risco de quedas e
fraturas. Além dos ossos, precisamos cuidar dos músculos. A perda de massa e
força muscular aumenta muito o risco de quedas.”, explica a doutora Maisa
Monseff.
De
acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil
possui mais de 22 milhões de pessoas com 65 anos ou mais.
No Dia
Mundial de Prevenção de Quedas, celebrado em 24 de junho, a doutora ressalta
que “Quando falamos sobre prevenção de quedas, estamos falando sobre garantir
que as pessoas possam continuar vivendo com independência, segurança e
qualidade de vida. É um tema que precisa estar no centro das discussões sobre
envelhecimento no Brasil.”
• Queda de idosos em casa: o que fazer
quando acontecer e como evitar
Apesar
de ser algo comum, a queda de idosos pode desencadear problemas maiores para o
bem-estar e saúde, o que exige uma atenção especial daqueles que cuidam de
pessoas mais velhas em casa.
De
acordo com Alexandre Kalache, médico gerontólogo e presidente do Centro
Internacional da Longevidade, "tudo pode acontecer a partir de uma
queda", mas a gravidade ou não de uma pode depender das circunstâncias de
cada queda.
"A
queda pode ser o começo e o fim, como uma cascata, um dominó. Você começa com
um evento simples, mas aquela pedrinha solta na areia da praia de Copacabana
pode ser fatal. Então, você tem que estar muito atento, você tem que fazer todo
o possível para evitar a queda", afirmou à CNN.
Entre
os riscos associados a quedas de idosos, estão lesões, fraturas,
hospitalizações, alteração da mobilidade, restrição de atividades físicas,
declínio funcional e, em casos graves, a morte. Segundo a Sociedade Brasileira
de Geriatria e Gerontologia (SBGG), as fraturas decorrentes de quedas são
responsáveis por aproximadamente 70% das mortes acidentais em pessoas acima de
75 anos.
"As
consequências são imensas e dependem de cada um. Você pode ter desde uma
fratura no cólon do fêmur até uma concussão", completou.
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Principais causas de queda de idosos
Entre
as causas das quedas estão fatores intrínsecos, relacionados à saúde do idoso
-- como a perda de massa muscular, comum no envelhecimento -- e fatores
externos, como calçadas irregulares, comportamentos de risco, execuções de
tarefas complexas e objetos que possam causar acidentes em casa.
O uso
de certos medicamentos também podem aumentar o risco de quedas, principalmente
os que possuem ação no sistema nervoso central, causando sonolência, tontura,
confusão, entre outros efeitos, de acordo com a SBGG.
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Como evitar quedas de idosos
Apesar
da gravidade de uma queda, Kalache reforça que as medidas para se evitar
eventos desse tipo são simples e "podem fazer uma grande diferença".
"Não
tem que chamar de acidente para as pessoas aprenderem que sempre há alguma
coisa que pode ser feita para evitar. Pequenas mudanças no ambiente doméstico
podem fazer uma grande diferença. A maioria das quedas se dá dentro de casa.
Então, esse ambiente doméstico tem que ser mais seguro."
Dentre
as medidas que o especialista avalia que podem ser benéficas estão:
• Eliminar móveis que não são necessários;
• Botar barra no banheiro para apoio;
• Proibir uso de escadas;
• Iluminar o ambiente a noite em caso de
necessidade de ir ao banheiro;
• Ter atenção ao uso de medicamentos
(possibilidade de queda de pressão);
• Deixar portas do banheiro para abrir
para fora, e não para dentro.
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O que fazer após uma queda?
De
acordo com Kalache, uma fratura pode ocorrer por conta de uma queda ou ser a
causa de uma em vez de uma consequência.
O
especialista afirma que é sempre importante estar atento para o problema
causado pela queda, chamar uma equipe de socorro especializada, mas não
intervir para evitar aumentar o dano ou uma lesão, sempre trazendo conforto ao
idoso.
Fonte:
CNN Brasil

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