Versão
02 do Caso Master: Banco Digimais, de Edir Macedo, é investigado pela PF por
fraudes
A
Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23/06) a Operação Miragem, contra
supostas fraudes no Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir
Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).
A
informação foi confirmada por uma fonte familiarizada com a investigação à BBC
News Brasil.
A
suspeita é de que o banco tenha usado fundos de investimentos para ocultar a
sua real situação econômico-financeira.
Segundo
nota divulgada pela PF, mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de
busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo.
A
decisão judicial também autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal
dos investigados, além do sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670
milhões.
As
investigações, subsidiadas por relatórios do Banco Central do Brasil, apontam
que os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros
regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, aparentar
solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações supostamente
irregulares.
Legenda
da foto,Edir Macedo assumiu o controle integral do banco Digimais em 2020
Ainda
segundo a PF, os investigados poderão responder, na medida de suas
responsabilidades, pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos
em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas,
previstos na Lei nº 7.492/1986, que define os crimes contra o Sistema
Financeiro Nacional.
Segundo
o Estadão, entre os alvos das buscas da PF estariam dirigentes do Digimais,
como o bispo João Urbaneja, homem de confiança de Edir Macedo, e seu filho,
Thiago Urbaneja, e donos do grupo ID, que gere os fundos do banco.
O bispo
Edir Macedo não foi alvo de buscas por morar fora do Brasil, de acordo com a
reportagem.
A BBC
News Brasil procura a defesa do banco e do pastor Edir Macedo para comentários.
O Banco
Digimais foi fundado em 1981 no Rio Grande do Sul originalmente com o nome de
Banco Renner.
Em
2020, a instituição foi reestruturada para atuar como um banco digital, adotou
o nome Digimais e foi assumida integralmente por Edir Macedo.
Em
abril, o banco de investimento BTG Pactual confirmou ter assinado um acordo
para adquirir o Digimais. Posteriormente, o BTG divulgou nota afirmando que a
aquisição ainda estava sujeita ao cumprimento de algumas condições não
especificadas.
Segundo
uma fonte próxima ao caso, a chance da operação ser finalizada diminuiu
drasticamente, pois as condições não foram cumpridas.
• Entenda as investigações sobre o
Digimais
O Banco
Digimais, de Edir Macedo, entrou na mira da PF após indícios de que a
instituição seguiu os passos do Master, de Daniel Vorcaro, nas brechas de
“desregulamentação e modernização” realizadas por Paulo Guedes, no “super”
Ministério da Economia, e de Roberto Campos Neto, na Presidência do Banco
Central (BC), durante o ex-governo Jair Bolsonaro, com suposta negociação de
papéis podres. O Digimais também teria operado venda de carteiras de
financiamento, a líder de outra igreja, que tem até carros roubados.
Em
maio, reportagem do Estadão revelou que o banco teria manipulado o seu balanço
financeiro para deixar de declarar pelo menos R$ 480 milhões em créditos
vencidos, em uma manobra para maquiar perdas e declarar lucro de R$ 31 milhões
em 2025.
Segundo
relatórios obtidos pela reportagem, o escândalo financeiro de Edir Macedo pode,
no entanto, chegar a cifras bilionárias. A apuração mostra que há um saldo de
investimentos de R$ 3 bilhões que sequer puderam ser auditados, valor
equivalente a 75% do valor investido em fundos do banco.
O
principal negócio do Digimais é financiamento de veículos considerados velhos,
com mais de 10 anos de uso, e que normalmente são rejeitados por bancos
tradicionais.
Em
2021, a carteira representava 94% das operações do banco. No entanto, diante
das altas taxas de inadimplência e de problemas na justiça – em razão do
financiamento de veículos quebrados -, o Digimais passou a vender essas
carteiras, baixando para 52% a participação nas operações do banco.
Uma
dessas carteiras foi repassado à Hatikvah Participações, que tem como sócio o
pastor Tiago Gouvêa, da igreja evangélica Alive Church, sem ligação com a
Universal.
A
Hatikvah Participações acionou a justiça após comprar uma carteira de
financiamentos veiculares que tinha carros roubados sendo vendidos.
“Estava
com o carro há apenas 15 dias quando a polícia me parou falando que o carro era
“dublê”, que só tinha a placa do carro real, mas o chassi e o motor eram de um
outro carro, que tinha sido furtado”, disse ao Estadão o técnico de instalação
de sistemas de segurança Rafael Cascardi, dono do Celta 2014 que comprou
financiado pelo Digimais. Ele conseguiu a rescisão do contrato pela Justiça.
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BTG anuncia compra
O BTG
Pactual fechou um acordo para comprar o Banco Digimais, instituição financeira
controlada pelo bispo Edir Macedo. O negócio, anunciado ao mercado em 9 de
abril, consolida um modelo de salvamento bancário que ganha força no Brasil: a
transferência da “parte boa” de um banco asfixiado para um gigante do setor,
com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) atuando na retaguarda para absorver o
impacto e viabilizar a transação.
A
operação repete a mesma engenharia financeira desenhada após o recente
derretimento do Banco Master. Ativos saudáveis e carteiras rentáveis mudam de
mãos, enquanto o risco sistêmico e a parcela tóxica do balanço encontram amparo
no suporte institucional do fundo para evitar uma quebra generalizada.
O
Digimais respirava por aparelhos e já era monitorado de perto pelas autoridades
monetárias. Conforme revelou a Fórum em fevereiro, Edir Macedo foi forçado a
injetar R$ 250 milhões de seu próprio patrimônio na instituição. A manobra
emergencial tentou blindar o banco das exigências de capital do sistema
financeiro e conter o contágio gerado pela crise do Master. O fôlego
milionário, contudo, não sustentou as portas abertas por mais de dois meses.
A
entrada do BTG não é uma simples compra de oportunidade no livre mercado. Em
janeiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou novas regras que
permitiram ao FGC atuar diretamente na transferência de controle de bancos à
beira do colapso, evitando o trauma de uma intervenção federal.
O fundo
deixa de ser apenas um pagador de seguros para correntistas e passa a
viabilizar negócios para os grandes atores do mercado. O suporte pode envolver
o alongamento de prazos para o pagamento de dívidas ou o oferecimento de linhas
de liquidez. Na prática, é uma estrutura que barateia drasticamente a compra
para o BTG e evita o impacto de uma liquidação extrajudicial clássica.
O foco
estratégico do negócio reside na escolha do que é absorvido. O Banco Digimais,
que operava sob a alcunha de Banco Renner no passado, detém uma fatia
considerável e rentável no financiamento de veículos automotores. Para o BTG,
que avança agressivamente sobre o crédito de varejo, herdar essa base de
clientes ativos representa um atalho altamente lucrativo.
O banco
de André Esteves consolida sua posição absorvendo o “filé” do Digimais,
enquanto as pontas soltas da gestão que levou a instituição de Edir Macedo ao
limite são diluídas no grande acordo chancelado pelo mercado.
Como o
FGC atua sob a fiscalização rígida do Banco Central do Brasil (BCB), a
transação exige a aprovação do Estado. O comunicado oficial aos investidores
confirma que o negócio depende da chancela da autoridade monetária e do
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que avalia concentrações de
mercado.
As
regras do CMN exigem ainda a abertura formal para o recebimento de propostas
concorrentes. Trata-se de um rito procedimental para dar transparência e
competitividade ao repasse de ativos socorridos pelo sistema, embora o BTG já
desponte como o controlador natural. Reforçando a opacidade típica dessas
operações, o valor final da transação é mantido em absoluto sigilo pelas
partes.
• Banco de Edir Macedo obteve aval do BC
de Campos Neto para operar
Alvo da
Operação Miragem, desencadeada nesta terça-feira (23) pela Polícia Federal, o
Digimais foi autorizado a operar em 2020, durante a gestão de Roberto Campos
Neto na presidência do Banco Central. O aval foi dado 11 anos após a
instituição, chamada até então como Banco Renner, ter sido comprada e ficar sob
o comando de Edir Macedo, líder da Igreja Universal e do grupo Record, e da
esposa dele, Ester Bezerra.
A
informação, que consta no relatório da Polícia Federal, revela que o caso foi
semelhante ao do Banco Master, que obteve aval em 2019 do mesmo BC de Campos
Neto para passar a operar, dois anos após Daniel Vorcaro comprar o Banco
Máxima.
Leia
Mais: PF pediu quebra de sigilo de Edir Macedo, que só não foi alvo de busca
por morar no exterior; veja a íntegra
“Com
efeito, o processo de alteração na composição societária da instituição teve
início em outubro de 2009, ocasião em que o GRUPO RECORD comunicou a aquisição
de uma participação correspondente a 40% (quarenta por cento) do capital do
banco. A formalização desta operação de ingresso de novos acionistas obteve a
confirmação do Banco Central do Brasil no ano de 2013 (quando foi adquirido o
montante de 49% do capital da instituição, e não os 40% anunciados),
registrando-se a participação de EDIR MACEDO BEZERRA e de sua esposa, ESTER
BEZERRA, na qualidade de investidores com domicílio no exterior. A transição
para o controle societário total ocorreu no ano de 20205, momento em que houve
a aquisição da parcela remanescente das ações, culminando na saída dos fundadores
da estrutura de administração da entidade”, diz o documento, assinado pelo
delegado Daniel Penido de Britto.
Na
representação, o delegado ainda afirma que “o BANCO DIGIMAIS, sob o controle de
EDIR MACEDO, adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às
do extinto BANCO MASTER”, como a emissão de CDBs com taxas acima do mercado.
Maurício
Quadrado, ex-sócio de Vorcaro, também teria tentado comprar o banco do grupo de
Edir Macedo.
“O
relatório também destaca que, em janeiro de 2025, houve uma tentativa
de
aquisição da instituição por MAURÍCIO ANTONIO QUADRADO, ex-sócio e executivo
egresso do BANCO MASTER, por intermédio da holding BLUEBANK, tendo esta
operação sido vetada pelo Banco Central do Brasil em virtude dos riscos
relevantes associados ao histórico e aos vínculos do proponente”, diz o texto.
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BTG Pacutal
Conforme
a Fórum noticiou, a PF destaca que o BTG Pactual também tentou fechar um acordo
para comprar o Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo
Edir Macedo. O negócio, anunciado ao mercado em 9 de abril, consolida um modelo
de salvamento bancário que ganha força no Brasil: a transferência da “parte
boa” de um banco asfixiado para um gigante do setor, com o Fundo Garantidor de
Créditos (FGC) atuando na retaguarda para absorver o impacto e viabilizar a
transação.
A
operação repete a mesma engenharia financeira desenhada após o recente
derretimento do Banco Master. Ativos saudáveis e carteiras rentáveis mudam de
mãos, enquanto o risco sistêmico e a parcela tóxica do balanço encontram amparo
no suporte institucional do fundo para evitar uma quebra generalizada.
O
Digimais respirava por aparelhos e já era monitorado de perto pelas autoridades
monetárias. Conforme revelou a Fórum em fevereiro, Edir Macedo foi forçado a
injetar R$ 250 milhões de seu próprio patrimônio na instituição. A manobra
emergencial tentou blindar o banco das exigências de capital do sistema
financeiro e conter o contágio gerado pela crise do Master. O fôlego
milionário, contudo, não sustentou as portas abertas por mais de dois meses.
A
entrada do BTG não é uma simples compra de oportunidade no livre mercado. Em
janeiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou novas regras que
permitiram ao FGC atuar diretamente na transferência de controle de bancos à
beira do colapso, evitando o trauma de uma intervenção federal.
O fundo
deixa de ser apenas um pagador de seguros para correntistas e passa a
viabilizar negócios para os grandes atores do mercado. O suporte pode envolver
o alongamento de prazos para o pagamento de dívidas ou o oferecimento de linhas
de liquidez. Na prática, é uma estrutura que barateia drasticamente a compra
para o BTG e evita o impacto de uma liquidação extrajudicial clássica.
O foco
estratégico do negócio reside na escolha do que é absorvido. O Banco Digimais,
que operava sob a alcunha de Banco Renner no passado, detém uma fatia
considerável e rentável no financiamento de veículos automotores. Para o BTG,
que avança agressivamente sobre o crédito de varejo, herdar essa base de
clientes ativos representa um atalho altamente lucrativo.
O banco
de André Esteves consolida sua posição absorvendo o “filé” do Digimais,
enquanto as pontas soltas da gestão que levou a instituição de Edir Macedo ao
limite são diluídas no grande acordo chancelado pelo mercado.
Como o
FGC atua sob a fiscalização rígida do Banco Central do Brasil (BCB), a
transação exige a aprovação do Estado. O comunicado oficial aos investidores
confirma que o negócio depende da chancela da autoridade monetária e do
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que avalia concentrações de
mercado.
As
regras do CMN exigem ainda a abertura formal para o recebimento de propostas
concorrentes. Trata-se de um rito procedimental para dar transparência e
competitividade ao repasse de ativos socorridos pelo sistema, embora o BTG já
desponte como o controlador natural. Reforçando a opacidade típica dessas
operações, o valor final da transação é mantido em absoluto sigilo pelas
partes.
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R$ 250 milhões do próprio bolso
Alvo de
suspeitas em meio ao escândalo do Master, o Clava Fort Bank, de André Valadão,
da Igreja da Lagoinha, não é a única instituição financeira ligada a pastores
midiáticos a ser tragada pelas investigações na Faria Lima. Edir Macedo, líder
da Igreja Universal do Reino de Deus, teve que tirar R$ 250 milhões do próprio
bolso para evitar que seu banco, o Digimais, entre em colapso.
O
aumento de capital visa blindar o banco de uma investigação do Banco Central,
já que a instituição do pastor, dono da Record, está com um capital próprio de
6,35%, segundo dados de setembro. O Digimais também teria um índice de capital
– ativos do controlador – abaixo da média do mercado, que fica sempre acima dos
12%.
Sócio
de Macedo, Roberto Campos Marinho Filho diz que o Digimais teve um prejuízo de
cerca de R$ 500 milhões ao aceitar papéis podres do da Fictor, da Reag e do
Banco Master como lastro de participação no fundo de investimento EXP1.
Os
títulos das instituições, que quebraram com as investigações sobre a
organização de Daniel Vorcaro, foram usados pelo banco de Edir Macedo para
comprar 80% do fundo. Marinho, que é dono da Yards Capital, ficou 20%.
A Yards
é a gestora do fundo, que foi à bancarrota após o estouro do Banco Master, e
entrou com ação judicial para que Edir Macedo compre a carteira de R$ 462,2
milhões do fundo para cobrir o rombo.
O líder
da Universal usou R$ 316,6 milhões em títulos podres do Master e da Reag, fundo
que é controlado pelo também pastor Fabiano Zettel, da Igreja da Lagoinha – de
Valadão, que é cunhado de Vorcaro.
Os
outros títulos seriam do Fictor, que é investigado por participar do
ecossistema do Banco Master.
Antigo
Banco Renner, o Digimais foi comprado pela holding do pastor evangélico Edir
Macedo, fundador da Igreja Universal e dono da RecordTV.
Macedo
planejava vender a instituição, que já tinha um comprador definido. A proposta
seria justamente do Bluebank, de Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro
no Banco Master. A negociação emperrou diante das investigações do escândalo.
Em
2025, o Nubank, que tem na direção Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco
Central, chegou a sondar o banco de Edir Macedo. Mas, desistiu da aquisição
diante da avalanche que viria logo adiante.
Fonte:
BBC News Brasil/Fórum

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