TariFlávio:
Documento expõe farsa de Flávio Bolsonaro em “agenda VIP” e audiência “contra”
o tarifaço de Trump
Acuado
no Brasil pelo avanço das investigações envolvendo o Banco Master, o senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), agora
rebatizado nas redes como “TariFlávio“, decidiu fabricar uma agenda
internacional de estadista. O parlamentar transformou uma audiência pública de
rotina nos Estados Unidos, que debaterá a imposição de tarifas contra produtos
brasileiros, em uma cortina de fumaça sob medida para tentar limpar sua imagem.
Flávio
viaja a Washington no dia 6 de julho para discursar contra a proposta do
Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de taxar bens
do Brasil em 25%. A narrativa que o clã tenta emplacar, no entanto, esbarra na
frieza dos registros oficiais: não há convite especial da Casa Branca, nem
tapete vermelho estendido pelas lideranças do trumpismo.
O aviso
publicado no Federal Register não deixa margem para o delírio diplomático. O
documento informa claramente que qualquer pessoa, empresa ou entidade
interessada poderia se inscrever através de um portal aberto no dia 2 de junho.
O “TariFlávio” preencheu um formulário online, como qualquer cidadão comum
faria, e solicitou módicos cinco minutos de fala, o tempo padrão destinado a
qualquer inscrito.
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O “salvador da pátria” TariFlávio e o neofascismo global
O
núcleo da manobra política está no documento que o próprio senador enviou ao
USTR. Na peça, ele tenta “dar carteirada”, apresentando-se como figura da
oposição e “pré-candidato declarado” à Presidência da República em 2026. Para
encorpar a farsa, faz questão de registrar supostos encontros com Donald Trump,
o vice-presidente J.D. Vance e o senador Marco Rubio.
A tese
que Flávio tentará vender para sua base é transparente: diante das sanções
comerciais americanas, ele seria o único líder brasileiro com trânsito livre
para dialogar com a nova ordem da extrema direita mundial. A intenção é voltar
ao Brasil posando como o negociador internacional que “salvou” empresas
brasileiras da tarifa de 25% , uma
sanção, ironicamente, desenhada pelo próprio campo político que ele idolatra.
No
resumo de seu testemunho, o senador afirma que vai defender a suspensão da
tarifa e propor um mecanismo bilateral de negociação, alegando que não vai
“implorar por alívio”, mas firmar uma parceria. É um discurso inflamado e
inócuo, formatado exclusivamente para gerar cortes no WhatsApp e no Telegram
bolsonaristas.
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A fuga do Banco Master
A
audiência faz parte de uma investigação da Seção 301 do governo americano sobre
práticas do Brasil em áreas como comércio digital, propriedade intelectual e
desmatamento. A página oficial da USTR confirma que o processo recebeu
comentários escritos e pedidos de comparecimento de forma amplamente pública,
sem exigência de qualquer chancela política ou cargo eletivo.
O
teatro armado em Washington atende a uma urgência existencial de Flávio
Bolsonaro no Brasil: sumir do noticiário policial. O autoproclamado diplomata
precisa desesperadamente abafar sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco
Master.
Como a
Fórum revelou, Flávio confirmou ter pedido dinheiro diretamente ao banqueiro. A
crise atingiu o ponto de fervura quando a produtora do filme “Dark Horse” o
desmentiu publicamente, negando ter recebido qualquer repasse de Vorcaro. O
nível de intimidade entre o senador e o banqueiro se mostrou tão profundo que
Flávio chegou a agir como *promoter* de luxo, oferecendo-se para levar um ator
de Hollywood para jantar com o empresário.
A
viagem aos Estados Unidos é, no fim das contas, uma rota de fuga. Flávio tenta
trocar a incômoda cadeira de investigado por movimentações suspeitas pelo
púlpito de um falso estadista no exterior. Resta saber se os cinco minutos de
microfone aberto em uma audiência burocrática serão suficientes para esconder a
sombra gigantesca do Banco Master.
• Descontrolado, Eduardo Bolsonaro manda
“moer” direita que critica elo Flávio/Vorcaro: “virgens de bordel”
O
deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) saiu em defesa do senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) e atacou os críticos do irmão em meio aos desdobramentos das
investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Em mensagem de vídeo em
suas redes sociais, o deputado cassado afirmou que a estratégia da família é
mandar “moer” os críticos, que ele classificou como “virgens de bordel“.
“Já é
vagabundagem, por mim pode mandar moer esses caras. ‘Ah, mas é o fulano, ah,
mas é o sicrano’, cara, e não conte com a minha benevolência. Aí vem outros:
‘não, mas eu tenho direito de criticar o Flávio, olha o banco Master’. Cara, o
negócio do banco Master, quem mais criticou o Flávio foi a direita, porque as
virgens no meio do bordel: ‘não, eu tenho que criticar, olha, eu sou limpinho,
se você eu, eu jamais seria acusado de corrupção’’, encerrou.
Veja
abaixo:
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“Rachamaster”
A
declaração ocorre em um momento de desgaste cada vez maior da pré-candidatura
presidencial de Flávio Bolsonaro nas redes sociais, após a divulgação de áudios
e mensagens relacionadas ao caso. Entre os críticos, passou a circular a
expressão “Rachamaster”, em referência às investigações sobre rachadinhas e ao
escândalo envolvendo os repasses atribuídos ao ex-dono do Banco Master.
Nos
bastidores, a crise também teria provocado irritação em Eduardo Bolsonaro. Em
episódios recentes, o ex-deputado chegou a fazer críticas públicas a
jornalistas e a integrantes do próprio PL, diante de suspeitas de vazamentos de
informações de reuniões internas da família Bolsonaro.
• Foragido da Justiça brasileira,
Alexandre Ramagem abre empresa nos EUA e mantém vida de luxo na Flórida
Alexandre
Ramagem (PL/RJ), ex-diretor da Abin e ex-deputado federal condenado pelo
Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por crimes contra o Estado
Democrático de Direito, abriu uma empresa na Flórida em 6 de janeiro de 2026.
O
registro da ARBN Villa Corporation foi obtido pela ICL Notícias e pela Agência
Pública e revela que Ramagem constituiu o negócio apenas quatro meses depois de
fugir clandestinamente do Brasil pela fronteira com a Guiana, usando passaporte
diplomático para entrar nos Estados Unidos. Enquanto o governo brasileiro
aguarda resposta ao pedido de extradição, Ramagem vive com a família em
Orlando, em uma casa avaliada em cerca de R$ 4,5 milhões.
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A empresa na Flórida: detalhes do registro
Segundo
documentos obtidos pela ICL Notícias e pela Agência Pública, a ARBN Villa
Corporation foi registrada em 6 de janeiro de 2026 no estado da Flórida,
inicialmente com endereço em Kissimmee, no mesmo local de uma escola de
jiu-jitsu da rede brasileira Gracie Barra. Em 20 de março, o endereço da firma
foi alterado para uma caixa postal em uma loja da UPS, no município de Saint
Cloud, a cerca de 45 quilômetros de Orlando, onde Ramagem estaria morando com a
família de acordo com informações da Polícia Federal.
Os
documentos de registro não especificam ramo de atuação nem atividades
concretas. A finalidade declarada é realizar “todo e qualquer negócio legal”,
formulação genérica que não permite identificar o objeto real da empresa. A
reportagem tentou contato com Ramagem por telefone, e-mail e redes sociais, mas
não obteve retorno. A sequência de endereços, do espaço compartilhado com uma
academia à caixa postal anônima, reforça a opacidade em torno do negócio aberto
por um foragido da Justiça brasileira.
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Da Abin paralela à fuga: o histórico de Ramagem
Ramagem
foi condenado pelo STF a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime fechado
pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do
Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. A condenação está diretamente
ligada ao seu papel na chamada “Abin paralela”: durante o governo Jair
Bolsonaro, ele foi acusado de usar a estrutura da Agência Brasileira de
Inteligência para monitorar e perseguir opositores e para desacreditar as urnas
eletrônicas. Eleito deputado federal em 2022, teve o mandato cassado em
dezembro do ano passado, após a decisão do STF.
A fuga
ocorreu em setembro do ano passado. Ramagem saiu clandestinamente do Brasil
pela fronteira com a Guiana e usou passaporte diplomático para entrar nos
Estados Unidos, segundo a Polícia Federal. Em dezembro, o governo brasileiro
encaminhou às autoridades norte-americanas um pedido formal de extradição.
Ramagem respondeu com um pedido de asilo político, que segue sob análise do
governo dos EUA. É justamente esse status migratório pendente que, segundo as
fontes, lhe permite abrir empresas no país enquanto o impasse jurídico não se
resolve.
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Vida de luxo e impunidade: a rotina nos EUA
Sem
salário de deputado e sem bens declarados à Justiça Eleitoral nas eleições de
2022, Ramagem mantém um padrão de vida que contrasta com qualquer imagem de
exilado em dificuldades. Segundo apuração do G1, a casa em Orlando onde ele
mora com a esposa e as duas filhas tem 5 quartos, 329 m² e valor estimado em
cerca de R$ 4,5 milhões (US$ 899 mil). A origem dos recursos que sustentam esse
padrão não foi esclarecida publicamente.
A
esposa, Rebeca Ramagem, tem atuado como influenciadora nas redes sociais,
publicando fotos do casal e da família em Miami, com registros de datas
comemorativas e eventos esportivos. Em dezembro do ano passado, ela anunciou
que o marido planejava lançar cursos online “de altíssimo nível, com conteúdo
sério, relevante e transformador, e com um valor acessível, pensado para caber
na renda de todos”. Até agora, nenhum curso foi divulgado oficialmente por
Ramagem. Em abril, ele foi detido em Orlando pelo Serviço de Imigração dos EUA
(ICE) por questões migratórias, ficando sob custódia por dois dias antes de ser
solto, o que não interrompeu a rotina da família na Flórida.
• Altineu Côrtes: filho de bolsonarista
foi sócio de diretor de distribuidora citada em operação sobre PCC
ltineu
Côrtes Paesler Coutinho, filho do deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ), foi
sócio-administrador da JDB Assessoria e Representações até 2025 ao lado de
Flávio Jandoso Navarro, diretor da Rede Sol Fuel Distribuidora. A informação
foi publicada nesta terça-feira (23) pela coluna de Tácio Lorran, do
Metrópoles.
A
revelação conecta o filho do 1º vice-presidente da Câmara dos Deputados a um
executivo de uma distribuidora citada em apuração sobre combustíveis e PCC. O
ponto novo é que a Rede Sol também fechou contrato de R$ 13,84 milhões com a
Prefeitura de São Gonçalo, base eleitoral de Altineu, para abastecimento da
frota municipal.
O mural
de contratos da Prefeitura de São Gonçalo registra a Rede Sol Fuel
Distribuidora S/A como fornecedora no pregão eletrônico PE/90022/2024, processo
17.943/2024. O objeto é o fornecimento de óleo diesel S 500, óleo diesel S10 e
gasolina comum para veículos oficiais do município.
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Altineu Côrtes e o contrato de combustível em São Gonçalo
O
contrato divulgado pelo Metrópoles foi assinado em 1º de fevereiro de 2025. O
trecho publicado aponta valor total estimado de R$ 13.840.000,00 e despesa
mensal estimada de R$ 1.153.000,00. A assinatura da contratada aparece em nome
de Flávio Jandoso Navarro, pela Rede Sol Fuel Distribuidora S/A.
Segundo
a reportagem, a Rede Sol foi vencedora de pregão eletrônico para distribuição
de combustíveis em São Gonçalo. O material analisado não indica que Altineu
Côrtes ou seu filho tenham participado da contratação.
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Rede Sol foi citada em apuração sobre Carbono Oculto
Segundo
o Metrópoles, a Rede Sol foi citada na Operação Carbono Oculto porque notas
comerciais da companhia teriam sido adquiridas por R$ 30 milhões pelo Mabruk II
Fundo de Investimento, descrito na reportagem como um dos fundos investigados
pela Receita Federal.
A
Receita Federal afirmou, ao deflagrar a Carbono Oculto, que a operação mira
fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, com uso de fintechs e
fundos de investimento para ocultação patrimonial. A Agência Brasil registrou
que uma nova fase da operação apura a atuação do PCC no setor.
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Deputado e empresa negam irregularidades
Em
resposta à coluna, Altineu Côrtes afirmou que, no período em que seu filho foi
sócio de Flávio Jandoso Navarro, não havia investigação ou citação envolvendo a
Rede Sol Fuel Distribuidora. O deputado também disse que contratos com São
Gonçalo, Rio de Janeiro e Maricá foram firmados por pregão eletrônico e
atenderam a critérios de transparência e imparcialidade.
A Rede
Sol divulgou nota afirmando ser inverídica a informação de que manteve relação
financeira, econômica ou negocial com o fundo Mabruk II ou outros citados na
operação. A empresa também disse não ter vínculo com o crime organizado.
O caso
revelado pelo Metrópoles não aponta que Altineu Côrtes Paesler Coutinho,
Altineu Côrtes ou Flávio Jandoso Navarro sejam alvos da Carbono Oculto. A
informação central é a sociedade anterior entre o filho do deputado e o diretor
de uma distribuidora citada na apuração, somada ao contrato milionário da
empresa com município ligado à base política do parlamentar.
Fonte:
Fórum

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