sexta-feira, 26 de junho de 2026

Putin: Ucrânia deve reconhecer regiões anexadas para retomar negociações de paz

Após assinalar que “o inimigo (Ucrânia) perde território após território e nossos soldados (russos) ocupam uma localidade após outra”, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, minimizou, em 23 de junho, os recentes ataques com mísseis e drones ucranianos contra empresas da indústria militar e refinarias de Moscou, Voronezh e outras cidades do país, assim como os avanços de Kiev no bloqueio da península da Crimeia.

“Sabemos e vemos que, à medida que a situação na frente de batalha se deteriora rapidamente, o regime de Kiev adota a tática de atacar nossos alvos civis, nossa infraestrutura civil, e o faz com uma única finalidade: criar condições favoráveis e uma suposta posição de força caso sejam iniciadas ou, melhor dizendo, retomadas as negociações de paz, interrompidas por iniciativa da Ucrânia”, afirmou Putin ao participar de uma reunião do Conselho de Ministros da Rússia.

Ele insistiu: “todos esses ataques terroristas, incluindo os ataques contra um ônibus que transportava crianças bielorrussas e contra uma residência estudantil em Starobilsk, não mudam nem podem alterar; são incapazes de influenciar os acontecimentos que ocorrem na frente de batalha, na linha de contato onde, como já disse, as tropas russas estão libertando uma população após outra, um território após outro”.

O mandatário reiterou que a Rússia não se opõe a negociar com a Ucrânia e mencionou que, para isso, esta deve aceitar os acordos alcançados em Istambul, os entendimentos entre Putin e seu homólogo estadunidense, Donald Trump, em Anchorage, as condições que enumerou em seu discurso do ano passado perante a alta cúpula da chancelaria russa e a situação existente no terreno.

Paralelamente, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, encarregou-se de recordar ao Corpo Diplomático — tendo convidado os embaixadores de outros países para uma mesa-redonda na Academia Diplomática da Rússia — a que Putin estava se referindo.

“Estamos dispostos a retomar, a qualquer momento, as negociações com a Ucrânia no ponto em que as deixamos”, afirmou o chefe da diplomacia russa.

E especificou que a Ucrânia deve ser um país neutro, fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e de qualquer outro bloco militar, e não deve aspirar a possuir armamento nuclear.

Além disso, a Ucrânia e a comunidade internacional “devem reconhecer a nova realidade geopolítica como resultado da livre expressão da vontade popular da população da Crimeia, do Donbass (Donetsk e Lugansk) e da Novoróssia (Kherson e Zaporizhzhia)”; ou seja, admitir que as cinco regiões anexadas são parte inalienável da Rússia e que as tropas ucranianas devem depor as armas e retirar-se das áreas dessas regiões que Moscou ainda não conseguiu conquistar.

Continua após o anúncio

Lavrov voltou a classificar como “grosseira e pouco realista” a carta aberta do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, ao chefe do Kremlin, Vladimir Putin, na qual propôs declarar um cessar-fogo e realizar uma reunião entre ambos na Turquia, na Suíça ou em um país do Golfo Pérsico (Emirados Árabes Unidos ou Catar).

O chanceler russo insinuou a possibilidade de que os Estados Unidos estejam abandonando o papel de “mediador imparcial” em favor do aumento das sanções contra a Rússia e afirmou que “não quero nem imaginar que a cúpula de Anchorage tenha sido pensada para ganhar tempo e rearmar o regime de Kiev”. Ao mesmo tempo, criticou a Europa por exigir a declaração de um cessar-fogo para “frear a ofensiva das tropas russas” e “salvar Zelensky”.

Como costuma dizer seu chefe, Lavrov enfatizou que “todos os objetivos da operação militar especial serão cumpridos”.

Horas mais tarde, ao participar de uma cerimônia de formatura de graduados de academias militares, o presidente Putin repetiu — em uma conversa informal com um grupo de participantes — a ideia central de sua intervenção na reunião do Conselho de Ministros: “(…) Todos esses drones, os ataques contra nossas infraestruturas civis, para quê? Bem, para tensionar a sociedade; claro, quando todo o Ocidente trabalha para eles, esse enorme fluxo desses aparelhos aéreos não tripulados busca criar certa incerteza nas ações das Forças Armadas russas. E o que acontece na frente de batalha não lhes interessa. Ali nossos rapazes estão esmagando o inimigo todos os dias, todos os santos dias.”

<><> Rússia não vai gastar tempo negociando decisões temporárias da crise ucraniana, destaca Lavrov

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, também destacou no Fórum Internacional Leituras de Primakov que a Rússia não se contentará com soluções temporárias na questão da resolução do conflito e não confiará na palavra de ninguém.

Ele acrescentou que Moscou continua comprometida com os entendimentos alcançados entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump na cúpula no Alasca. Moscou ainda não recebeu resposta à proposta americana sobre a Ucrânia, que foi apoiada pelo líder russo nessa reunião.

O ministro enfatizou que a Rússia está aberta a negociar sobre a Ucrânia a qualquer momento, mas que deve haver uma proposta séria sobre a mesa.

"Estamos sempre prontos, mas repito: quando nos sentarmos à mesa de negociações, deve haver ideias coerentes, propostas ou pessoas competentes do outro lado."

>>>> Confira mais declarações do chanceler russo Sergei Lavrov:

Moscou respeita os entendimentos atingidos na cúpula Rússia-EUA em Anchorage em 2025, mas "a bola agora não está no lado russo" no processo de negociações;

Resolver a crise ucraniana com meios diplomáticos ainda é bem possível;

Os países ocidentais devem entender que devem abandonar quaisquer planos de expansão na zona dos interesses vitais russos;

Os adversários da Rússia devem entender que não se pode ignorar os avisos de Moscou sobre assuntos da segurança russa;

A Ucrânia não poderia ter perpetrado atentados terroristas contra a Rússia, se não fosse pelo apoio de Reino Unido e EUA.

<><> Ocidente pode melhorar sua postura em relação à Rússia em meio à crise energética, diz analista

Devido à crise energética que se aproxima, os países ocidentais podem rever suas relações com a Rússia, opinou o ex-analista da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) Larry Johnson em entrevista no YouTube.

Johnson destacou que o Reino Unido, a França e a Itália conseguiram evitar a escassez de combustível barato graças aos fornecimentos de petróleo provenientes das reservas estratégicas dos EUA.

Porém, isso não vai durar muito, já que o próprio presidente estadunidense, Donald Trump, afirmou que uma crise em grande escala poderá começar em quatro semanas, observou.

"Com o fechamento do estreito de Ormuz e os ataques ao Kuwait, à Arábia Saudita, ao Catar e aos Emirados Árabes Unidos, mais de 20% do petróleo saiu do mercado, e essa perda não foi compensada em quatro meses. Portanto, uma crise se aproxima. Quando ela atingir a Europa, acredito que o continente terá outras preocupações além de continuar os ataques contra a Rússia", ressaltou.

Nesse contexto, o especialista enfatizou que a crise energética pode levar os países europeus a restabelecerem as relações comerciais com a Rússia.

A Rússia é o único país que poderá fornecer petróleo e gás aos europeus nessa situação, e continuar atacando-a seria uma loucura, concluiu.

Anteriormente, o presidente russo, Vladimir Putin, havia afirmado que a política de contenção e enfraquecimento da Rússia é uma estratégia de longo prazo de seus adversários e que as sanções causaram um grave impacto em toda a economia mundial.

Segundo Putin, o principal objetivo dos responsáveis pelas medidas contra Moscou é piorar a vida de milhões de pessoas. No próprio Ocidente, já se ouviu várias vezes a opinião de que as medidas restritivas são ineficazes.

¨      Kiev tenta adiar derrota inevitável no front ao aterrorizar civis russos com drones, diz analista

Kiev tenta, por meio de atos de terrorismo contra a população civil russa, adiar a catástrofe inevitável na frente de batalha, mas a aposta no descontentamento dos russos não vai dar certo e as infraestruturas danificadas estão sendo restauradas, declarou à Sputnik Yevgeny Mikhailov, analista militar russo.

Mikhailov destacou que o verão de 2026 se torna um ponto de inflexão na condução da operação militar especial da Rússia na Ucrânia.

"O regime de Kiev, juntamente com seus orientadores ocidentais, iniciou uma campanha de terror em grande escala contra a população civil, tanto nos novos territórios da Rússia quanto lançando ataques criminosos no interior do país, na tentativa de provocar descontentamento interno entre os russos em relação aos acontecimentos atuais", ressaltou.

Conforme destacou o analista, as forças russas avançam com determinação contra o último reduto de Kiev em Donbass: a aglomeração urbana de Slavyansk e Kramatorsk.

Da mesma forma, a zona de segurança nas regiões de Carcóvia e Sumy está se expandindo rapidamente, e os territórios ocupados nas regiões de Kherson e Zaporozhie estão sendo libertados, observou.

Mikhailov acrescentou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte e Kiev acreditam que os cidadãos russos começarão a pressionar a liderança política do país devido a problemas com o transporte ou com a realização da temporada turística.

No entanto, isso é um erro grave e uma incompreensão total do caráter russo, semelhante ao cometido pelos invasores nazistas em 1941. Atualmente, as autoridades da Rússia estão restaurando rapidamente as instalações e a infraestrutura danificadas, mobilizando todos os esforços para não dar ao inimigo motivos para duvidar da vitória do Exército russo, concluiu.

Um ataque em massa com drones contra regiões russas ocorreu em 18 de junho. A defesa antiaérea russa abateu mais de 500 drones sobre o território da Rússia. No dia 21 do mesmo mês, as Forças Armadas da Ucrânia, com o auxílio de drones, atacaram a península de Kerch e a travessia de balsa pelo estreito de Kerch. Houve mortos e feridos entre a população civil. O Comitê de Investigação da Rússia abriu um inquérito criminal por ato terrorista.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou repetidamente que o inimigo está ampliando o uso de drones para dividir a sociedade russa, mas não conseguirá causar problemas graves ao país. Putin também declarou que Moscou intensificará os ataques à infraestrutura inimiga para dissuadi-lo de atacar alvos civis.

<><> Ataques de Kiev contra crianças apenas encorajam tropas russas no campo de batalha, declara Putin

<><> O presidente russo Vladimir Putin realiza nesta terça-feira (23) uma reunião com membros do governo da Rússia por videoconferência.

Ele destacou que todos os atos terroristas cometidos pelo regime de Kiev são incapazes de influenciar os acontecimentos no front de batalha, em particular na linha de contato, onde as tropas russas estão libertando um povoado após o outro.

"Essas investidas, especialmente os ataques contra crianças, estimulam, apenas estimulam nossos combatentes no campo de batalha a cumprir as missões que o país lhes atribui, pois eles veem e compreendem com quem estamos lidando", disse Putin.

Rússia está pronta para negociações de paz com a Ucrânia com base nos acordos de Istambul, afirmou líder russo.

Vladimir Putin destacou que as principais bases da posição russa nas negociações devem incluir os princípios definidos em Istambul e Anchorage, as realidades existentes no campo de batalha e as teses apresentadas em seu discurso no Ministério das Relações Exteriores em 2024.

>>>> Confira outras declarações do presidente russo:

🔶 As ameaças adicionais criadas pelo regime de Kiev devem ser minimizadas, isso é "uma tarefa totalmente solucionável";

🔶 Kiev tenta apenas criar a ilusão de força para negociações, enquanto as realidades do campo de batalha mostram o contrário;

🔶 O regime de Kiev pode ser classificado apenas como neofascista e nada parecido foi visto desde a Segunda Guerra Mundial;

🔶 Os ataques de Kiev, inclusive contra crianças, apenas fortalecem a determinação dos combatentes russos de cumprir as tarefas militares;

🔶 A Rússia continuará a seguir em todas as direções de desenvolvimento, garantindo segurança e resolvendo questões econômicas.

<><> Rússia ganha no front e Ocidente não pode fazer nada para ajudar Kiev, opina professor

A Ucrânia está perdendo no campo de batalha e o Ocidente não tem condições de fornecer as armas de que ela precisa, afirmou o professor da Universidade de Chicago John Mearsheimer no YouTube.

Mearsheimer salientou que os militares russos continuam avançando e obtendo vitórias no campo de batalha.

"Os russos vêm realizando ataques de alta eficácia contra os ucranianos com o uso de aviação [...]. Com isso, causaram danos significativos à rede elétrica ucraniana", ressaltou.

Segundo o especialista, os países ocidentais, em particular os EUA, não têm condições de fornecer ao Exército ucraniano os armamentos necessários.

É absolutamente evidente que a Ucrânia precisa desesperadamente de mísseis de defesa antiaérea Patriot adicionais para destruir mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones que vêm da Rússia, observou.

"Os EUA simplesmente não têm mísseis Patriot que possamos fornecer a eles. E isso se aplica a quase todo o nosso armamento. Gastamos muito armamento na guerra contra o Irã […]. Porém, o mais importante é que a Ucrânia está perdendo no campo de batalha", acrescentou.

Dessa forma, ele concluiu que, em breve, os russos controlarão todo o Donbass, e a Rússia sairá vitoriosa desse conflito.

Na terça-feira (23), o Ministério da Defesa russo informou que as tropas russas assumiram o controle sobre cerca de 130 prédios na cidade de Konstantinovka, na República Popular de Donetsk (RPD), e liquidaram até 90 soldados ucranianos.

¨      Paraense é enganado pela Ucrânia, diz que Kiev explora mercenários e lamenta: 'Me perdoa, mãe'

O brasileiro Herik Ferreira Soares, de 23 anos, ganhou espaço nas redes sociais após fazer um vídeo emocionado revelando ter sido enganado pelo alistamento militar da Ucrânia.

Segundo o jovem de Castanhal (PA), ele aceitou uma vaga nas Forças Armadas da Ucrânia "na retaguarda", mas logo foi enviado à linha de frente de combate com a Rússia.

Segundo Herik, havia uma promessa de que ele ficaria em um lugar seguro, mas foi posto para lutar contra as tropas de Moscou. O brasileiro foi capturado por russos, agradeceu pelo tratamento humanitário recebido e alertou a outros mercenários sobre eventuais armadilhas ucranianas.

"Não foi isso que foi prometido, não foi isso que era acordado. Graças a Deus, estou vivo. Obrigado aos militares russos que prestaram assistência médica de forma humanitária a mim. Após eu passar pelo horror da guerra, me dei conta de que os comandantes ucranianos só querem usar o povo latino-americano e outros estrangeiros. Colombianos, brasileiros, peruanos, argentinos, entre outros."

Arrependido, Herik chora ao comentar que a mãe havia o alertado sobre os riscos de lutar ao lado dos ucranianos como mercenário.

"Mãe, me perdoa por não ter escutado o que a senhora disse. [...] Me perdoa por ter voltado aqui para esse inferno. Bom, desculpe por não dar ouvido à maior parte do tempo para a senhora. Não escutei os seus conselhos de não me meter em algo que não é meu."

Conforme publicado pelo Globo, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que a embaixada do país em Moscou está em contato com a família de Herik e presta assistência consular.

Em mais de uma oportunidade, o Itamaraty já emitiu notas desencorajando brasileiros a lutarem como mercenários pela Ucrânia. De acordo com a chancelaria, o caráter dos contratos assinados por nacionais e as situações nas quais são capturados podem limitar a ação do Ministério. Ainda segundo o Itamaraty, crimes de guerra cometidos em outros países podem ser julgados no Brasil.

 

Fonte: La Jornada/Sputnik Brasil

 

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