O
saldo de Milei: 26 mil empresas fechadas e 340 mil empregos perdidos
Javier
Milei acumula um saldo negativo no mercado de trabalho argentino De acordo com
o relatório “Análise da dinâmica
laboral e empresarial”
do Centro de Economia Política Argentina (CEPA), elaborado a partir de dados da
Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT), entre novembro de 2023 e março de
2026 desapareceram 26.448 empregadores e foram eliminados 339.841 postos de
trabalho formais em unidades produtivas de todo o país.
Em
média, durante os primeiros 28 meses da gestão libertária, deixaram de existir
31 empregadores por dia e foram perdidos cerca de 400 postos de trabalho
formais diariamente.
A
quantidade de empresas e trabalhadores formais continua apresentando uma
tendência negativa desde a chegada de Javier Milei à Casa Rosada.
Na contramão do discurso oficial, que enfatiza o papel do setor privado na
economia, a política libertária não para de atingir as empresas.
Os
números refletem o impacto da recessão sobre o tecido produtivo argentino. Em
média, durante os primeiros 28 meses da gestão libertária, deixaram de existir
31 empregadores por dia, enquanto foram perdidos cerca de 400 postos de
trabalho formais diariamente.
O setor
mais afetado em termos absolutos foi o comércio. A atividade de “Comércio
atacadista e varejista; reparação de veículos automotores e motocicletas”
registrou o desaparecimento de 6.836 empregadores, liderando o ranking de
fechamentos de empresas.
No
entanto, a maior queda relativa foi observada em “Serviços de transporte e
armazenagem”, onde a quantidade de empregadores foi reduzida em 16,4% em
relação aos níveis existentes no início da gestão.
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A construção civil, a atividade mais afetada
A
destruição de empregos teve seu principal impacto na construção civil. O setor
perdeu 81.425 postos de trabalho formais desde novembro de 2023, o que
representa uma queda de 17,1%, a mais acentuada entre todas as atividades
econômicas.
A
paralisação das obras públicas e a retração dos investimentos aparecem entre os
fatores que explicam a deterioração do emprego em uma atividade historicamente
sensível aos ciclos econômicos.
Outro
dos setores afetados foi o trabalho doméstico. Segundo o relatório, foram
perdidos 30.646 postos formais de trabalhadoras domésticas durante o período
analisado, o equivalente a quase 36 desligamentos por dia.
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O impacto sobre as pequenas e médias empresas
Os
dados mostram que o fechamento de empresas se concentrou quase exclusivamente
nas pequenas e médias unidades produtivas.
Do
total de 26.448 empregadores a menos registrados desde a posse de Milei, 26.382
correspondiam a empresas com até 500 trabalhadores. Isso significa que 99,75%
dos fechamentos afetaram empresas de menor porte.
Em
contraste, as empresas com mais de 500 empregados responderam por apenas 0,25%
da redução do número de empregadores, com 66 casos registrados.
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As grandes empresas concentram a perda de empregos
O
comportamento muda quando se analisa a destruição de postos de trabalho. Embora
as pequenas e médias empresas tenham sido as mais afetadas em número de
fechamentos, a maior expulsão de trabalhadores ocorreu em companhias de grande
porte.
As
empresas com mais de 500 empregados concentraram 67,11% dos postos de trabalho
perdidos durante o período, com uma redução de 228.084 trabalhadores formais.
Por sua
vez, as empresas com até 500 empregados responderam pelos 32,89% restantes da
queda do emprego, o equivalente a 111.757 postos de trabalho.
Os
dados mostram que, a quase dois anos e meio do início da gestão libertária, a
contração econômica continua impactando tanto o emprego formal quanto a
estrutura empresarial, com especial incidência sobre setores produtivos
vinculados ao mercado interno e sobre as pequenas e médias empresas.
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Justiça argentina convoca ex-deputado aliado de Milei
para depor em caso de lavagem de dinheiro
A
Justiça Federal argentina agendou para a próxima terça-feira (30/06) a
audiência preliminar do ex-deputado federal
José Luis Espert,
acusado de lavagem de dinheiro e supostos vínculos com o empresário Federico
“Fred” Machado, acusado de tráfico de drogas.
O
procurador Fernando Domínguez solicitou o comparecimento de Espert após
detectar manobras para impedi-lo de depor e ocultar sua relação com Machado,
que foi extraditado para os Estados Unidos no âmbito de uma investigação por
tráfico de drogas e fraude financeira. Na audiência, Espert, que nas eleições
de 2025 era o principal candidato legislativo do Libertad Avanza, partido que
levou Javier Milei à
presidência,
poderá exercer seu direito à defesa.
A
investigação teve origem numa denúncia apresentada pelo congressista Juan
Grabois, que apontou a existência de documentos judiciais nos Estados Unidos
que registravam uma transferência de US$ 200.000 (R$ 1.037.400,00) para uma
conta ligada a Espert, que teve de renunciar à sua candidatura no início de
outubro de 2025 devido a este caso.
Embora
tenha negado inicialmente a transação, o ex-congressista acabou admitindo ter
recebido o dinheiro. Além disso, durante uma busca na casa de Machado em
Viedma, foi encontrado um contrato de um milhão de dólares, supostamente ligado
a um projeto de mineração
na Guatemala.
No entanto, segundo o promotor, não há provas de que Espert tenha viajado ao
país ou realizado qualquer trabalho relacionado ao projeto.
Domínguez
enfatizou que “não há registro de sequer uma única visita à mina guatemalteca
na qual (Espert) supostamente basearia seu plano de trabalho”. Essa falta de
evidências reforçou as suspeitas de que o contrato foi usado como fachada para
justificar a transferência.
As
medidas cautelares determinadas pelo tribunal incluíram a restrição de acesso
aos bens de Espert, e o tribunal rejeitou repetidamente os pedidos de sua
defesa para suspender essas restrições. O caso está em fase avançada e prevê-se
um processo criminal.
O
escândalo obrigou Espert a renunciar à sua candidatura legislativa pelo partido
Libertad Avanza e a solicitar uma licença remunerada da Câmara dos Deputados.
Segundo
declarações do contador Mariano Consentino, várias estratégias foram
consideradas para justificar os valores: declará-los como “serviços não
prestados”, apresentá-los como remuneração , registrá-los como doação ou
simplesmente não declará-los. Essas alternativas visavam reduzir o impacto
tributário e evitar penalidades.
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Milei enfrenta crise de popularidade e denúncias de
corrupção na Argentina
A
imagem internacional de Javier Milei atravessa um
momento de tensão, marcado por críticas, queda de popularidade e
questionamentos sobre a economia argentina e a corrupção galopante em sua
administração. Começaram a se reorganizar setores da oposição que, apesar de
sua debilidade, já projetam o cenário eleitoral de 2027, e o que era visto como
uma campanha segura para a reeleição começa a parecer mais do que duvidoso.
Quase
40% da população considera que o principal problema do governo nacional é a
corrupção, e mais de 65% avaliam que a gestão do presidente Javier Milei é
ruim. Os dados correspondem a uma pesquisa privada. Quando começou a gestão
libertária, a variável “corrupção” estava em torno de 20%, mas os casos $LIBRA,
ANDIS e o de Manuel Adorni foram marcando picos na série.
O show
de Manuel Adorni no Parlamento mostra muito mais do que parece à primeira
vista. Não é apenas um espernear desesperado para mudar a agenda da crise
econômica e dos escândalos por possível enriquecimento ilícito do outrora
porta-voz estrela — que se somam aos já numerosos casos de corrupção neste
governo —, mas algo que desnuda até a medula as fragilidades do governo e,
junto com ele, as de toda uma época, afirma a revista Noticias.
A
decisão de Karina Milei de apoiar Adorni contra tudo e todos mergulhou na lama
toda a administração libertária e teve consequências inesperadas: durante um
dos intervalos, o mandatário insultou toda a imprensa — “são chorros (ladrões),
corruptos” —, cena que deixou exposto o mau momento pessoal do mandatário.
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Milei
passa cada vez mais tempo encerrado na residência presidencial, tem pouco
contato mesmo com seus funcionários mais próximos e está aumentando o tempo
diário que dedica às redes sociais — mais de três horas por dia, em média —, ao
mesmo tempo em que seu impacto no mundo virtual vem em franco declínio. É o
mundo do avesso: o presidente aparece como defensor público do chefe de
Gabinete, e, nesse apoio público, vai deixando rastros de sua própria imagem,
afirma Juan Luis González, em Noticias.
A
solidão presidencial e sua turbulenta personalidade estão alcançando níveis
históricos. A paranoia do mandatário chegou a um nível que assusta até
dirigentes libertários. Uma frase que repete tanto em privado quanto em
público, e que causa estupor, é: “não há crise econômica, esta é uma invenção
do jornalismo corrupto”.
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Assim é visto pelo mundo capitalista
Dois
dos mais influentes meios de comunicação globais, Financial Times e The Economist, analisaram o
impacto dos escândalos políticos, o desempenho econômico e as disputas internas
do governo na percepção do presidente no exterior. O Financial Times descreveu
um cenário adverso para o mandatário, indicando que “a popularidade do
presidente cai enquanto os funcionários enfrentam acusações de corrupção e o
desemprego aumenta”, em um contexto em que a agenda política se vê dominada por
investigações e conflitos internos.
O
jornal acrescentou que a aprovação de Milei caiu de 40% para 30% em poucos
meses, enquanto a confiança em sua administração retrocedeu 12% em abril,
acumulando a quarta queda mensal consecutiva. Um dos episódios mais relevantes
ocorreu durante a semana passada, em uma extensa sessão no Congresso, quando o
chefe de Gabinete, Manuel Adorni, foi interrogado por suposto enriquecimento
ilícito. “Não cometi nenhum delito e vou demonstrar isso nos tribunais”,
afirmou o questionado funcionário.
Segundo
o Financial Times, a desaceleração da atividade em setores como
comércio e indústria, junto com a queda dos salários reais e um desemprego de
7,5%, erodiu o apoio social. The Economist esclareceu
igualmente que os analistas esperam um crescimento de 3% para este ano, com
expectativas centradas no “auge da extração de petróleo e do investimento
internacional em gás e mineração”. Destacou ainda a compra de reservas, embora
esclarecendo que o governo destina a maior parte ao pagamento da dívida.
Por
último, o influente jornal britânico indicou, em vista das eleições
presidenciais de 2027, que, apesar da forte queda da imagem de Milei, a
oposição não consegue capitalizá-la. The Economist advertiu
sobre “o frágil equilíbrio da Argentina” e sobre o impacto das pesquisas,
afirmando que, se persistir a imagem ruim do oficialismo quando se aproximarem
as eleições, poderia haver um impacto direto nos mercados, com menções ao
“histórico de má gestão econômica dos peronistas populistas”. Acrescentou que
Milei “não tem tempo a perder”.
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Corrupção a granel
“O caso
de Adorni está erodindo todo o governo e eclipsando todo o bom trabalho que
estamos fazendo”, reconheceu uma fonte citada pelo Financial Times,
marcando a preocupação interna com o dano às reputações. O próprio Milei
intensificou seu confronto com a mídia, com restrições ao acesso da imprensa à
Casa Rosada e o uso reiterado da frase “não odiamos suficientemente os
jornalistas”, o que contribui para tensionar ainda mais seu vínculo com a
opinião pública.
Além
disso, as disputas dentro do oficialismo, particularmente entre sua irmã e
secretária-geral da Presidência, Karina Milei, e o assessor Santiago Caputo,
somam ruído político. Antes eram apenas elogios para o presidente libertário da
motosserra; hoje, o olhar do exterior é mais do que crítico.
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Segundo The
Economist, “Javier Milei está com sérios problemas”, descrevendo um cenário
em que convergem uma economia debilitada e uma cadeia de questionamentos por
corrupção, nos quais estão envolvidos os mais altos funcionários de sua
administração, que chegou nesta semana ao pior nível de aprovação. De acordo
com um levantamento da consultora Atlas Intel, a aprovação do mandatário se
situa em torno de 35,5%, enquanto a desaprovação chega a 63%, ampliando a
brecha negativa na opinião pública.
Entre
os casos mais sensíveis de corrupção aparece o episódio vinculado à criptomoeda
$LIBRA, em que registros telefônicos mostram contatos entre Milei e empresários
envolvidos na estafa promovida pelo próprio mandatário. Também, a Justiça
Federal avançou de maneira contundente sobre um dos esquemas de corrupção mais
graves detectados na área de políticas públicas vinculadas às pessoas com
deficiência.
O juiz
federal Sebastián Casanello determinou o
processamento de 19 pessoas — funcionários públicos, empresários farmacêuticos
e colaboradores — por integrarem uma organização criminosa destinada ao desvio
sistemático de recursos públicos no seio da Agência Nacional de Incapacitados
(ANDIS). Karina Milei, irmã do presidente; Eduardo “Lule” Menem, subsecretário
de Gestão Institucional da Presidência; e Martín Menem, presidente da Câmara de
Deputados, aparecem envolvidos neste caso de propinas — 3% da arrecadação para
cada um — pela compra de medicamentos.
Mas os
argentinos sentem na própria carne a deterioração econômica, com uma queda do
PIB de 2,6% em fevereiro e um impacto forte em setores como manufatura,
comércio e construção, que concentram grande parte do emprego. Obviamente, a
credibilidade do presidente continua sendo erodida e será difícil para ele
reverter a percepção negativa antes do próximo ciclo eleitoral.
A isso
se somam os escândalos que atingem funcionários do governo. A investigação
sobre o chefe de Gabinete Manuel Adorni, assim como a renúncia de um
funcionário do Ministério da Economia por ocultar propriedades e as revelações
sobre uma suposta estafa com criptomoedas, amplificam o impacto negativo.
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Uma fissura a mais
O apoio
irrestrito dos funcionários do governo ao chefe de Gabinete Manuel Adorni
começa a se abalar: a senadora de La Libertad Avanza Patricia Bullrich, que em
2025 fez campanha junto com ele na cidade de Buenos Aires, pediu que apresente
sua declaração jurada “imediatamente”, somando pressão a um funcionário que
está custando caro em imagem ao governo, e levou Milei a apoiá-lo novamente com
palavras taxativas: “Nem a pau Adorni sai”.
Patricia
Bullrich, presidenta do bloco de La Libertad Avanza no Senado, foi a primeira
voz forte do oficialismo a exigir publicamente de Adorni que apresente
“imediatamente” sua declaração jurada. Bullrich deixou claro que a demora
“mergulha o governo na lama”, desgasta sua credibilidade e faz sofrer o país e
a gestão. “Para que você vai esperar até 30 de junho se tem tudo provado?”,
perguntou.
O
pedido de Bullrich marca uma fissura no seio libertário e expõe a preocupação
crescente enquanto avança o escândalo judiciário que envolve Adorni por
enriquecimento ilícito.
Milei
disse: “não executo inocentes. Adorni não sai nem a pau”. Desta vez,
diferentemente de suas viagens anteriores — desde que começou sua gestão foram
16 aos EUA —, foi sem sua irmã Karina, que ficou na Casa Rosada ocupada com
reuniões políticas. Na sexta-feira (15), em sua volta, o mandatário
participaria da reunião da mesa política que se realizaria na Casa Rosada, em
que todos se veriam frente a frente.
Com
relação à sua — desta vez — veloz viagem aos EUA, Milei fez com que o Estado
argentino pagasse passagens para ele, para o chanceler Pablo Quirno, para o
ministro da Economia Luis Caputo e para toda sua comitiva com destino a Los
Angeles, para fazer um discurso no Instituto Milken. Sua mensagem, no entanto,
não trouxe novidades: foi quase calcada na que fez dias antes no jantar da
Fundação Libertad e, embora a viagem tenha sido paga com o dinheiro de todos os
argentinos, não houve transmissão oficial do governo. Só se pôde ouvir o
discurso do mandatário em um link da fundação, com dublagem em inglês.
A
deputada Marcela Pagano afirmou que Manuel Adorni é “o caixa de Karina Milei”,
sugerindo que ganhou três milhões de dólares na estafa com a criptomoeda Libra,
promovida por Javier Milei. “Há uma cifra por aí; que não aconteça de este
número começar a circular pela mão de Adorni”, disse, fazendo o três com a mão.
Quando lhe perguntaram se eram 3% ou 3 milhões, respondeu que eram milhões “por
uma operação em uma wallet”. Pouco antes, contou que Adorni tem uma conta na
Lemon e pediu que se investigue a circulação do dinheiro.
A fala
de Pagano coincide com uma crença em setores do governo nacional de que os
irmãos Milei não soltam a mão de Adorni porque ele estava muito envolvido na
trama da Libra. O então porta-voz foi um dos convidados do Tech Forum 2024, em
que se gestou o lançamento da Libra, e também seria a estrela da frustrada
edição de 2025.
Patricia
Bullrich, chefe do bloco de senadores de La Libertad Avanza, não teve meias
palavras e exigiu de Manuel Adorni que demonstrasse que não enriqueceu de
maneira ilegal. “O chefe de Gabinete disse que tem uma explicação para os
gastos que fez e que tem que apresentar sua declaração jurada. Bem, acho que
tem que fazer isso imediatamente”, apressou-o em um canal de televisão.
A
resposta não veio do protagonista do interminável “Adornigate”. Quem saiu para
defendê-lo foi o próprio presidente Milei que, de Los Angeles, disse pela
televisão que “Adorni não sai nem a pau”: “O que fez Patricia é spoiler. Manuel
tem os números e isso não é um problema”. De toda forma, e em tom mais
moderado, mandou uma mensagem direta para a senadora e para o restante dos
ministros: “O presidente sou eu. Se alguém não gostar do que decido, ou engole
ou vai embora”. Adorni manteve silêncio: sua permanência está ligada à sorte
dos Milei.
Se a
queda de Milei sair de controle, colocando em risco a integridade de seu
mandato ou o êxito de qualquer candidatura pró-establishment nas eleições,
Bullrich poderia assumir como chefe de Gabinete plenipotenciária, afastar os
Milei e seu gabinete, montar sua equipe e governar por interposta pessoa
enquanto faz campanha para ser eleita.
As
tropelias de Manuel Adorni e suas misérias, a estafa $LIBRA de Milei, as
propinas para sua irmã, os créditos do Banco Nación a seus funcionários, a
evasão fiscal de Andrés Vázquez — funcionário que dirige nada menos que a
Agência de Arrecadação e Controle Alfandegário (ARCA), encarregada do controle
tributário dos contribuintes — se somam ao desmonte da rede de longa distância,
reduzida a 50% da que existia em dezembro de 2023.
“A
barbárie está nos destruindo. São cruzados de uma luta contra um comunismo
inexistente, soldados de uma batalha cultural que na realidade é um combate
contra a cultura, legionários medievais que investem contra a justiça social,
os trabalhadores, o aquecimento global, as vacinas, a educação e a saúde
pública, os aposentados, as pessoas com deficiência e, em geral, contra todo
avanço humano e toda conquista social”, afirma Hugo Presman.
Se isso
continuar assim — e não há nenhuma probabilidade de mudar, porque Milei veio
para fazer esta demolição, salvo que se esgote a paciência popular —, o humor
do poeta e filósofo Macedonio Fernández será realidade: “foi um desastre tão
completo que até os sobreviventes pereceram”.
Fonte: Agencia
Paco Urondo – APU/TeleSUR/CLAE - Centro Latino-Americano de Análise Estratégica

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