Michelle
abre guerra nas redes contra Flávio Bolsonaro
A
ex-primeira-dama Michelle
Bolsonaro (PL) publicou, nesta quarta-feira (24/6), dois vídeos
com críticas diretas ao senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República com
apoio do ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL).
Nas
gravações, que somam 27 minutos, Michelle responde às cobranças para se
empenhar no apoio à pré-candidatura do seu enteado e disse ter recebido uma
"punhalada" dele no ano passado, quando a família Bolsonaro viveu uma
crise em torno das articulações políticas para as eleições no Ceará.
Ela
disse que, na época, o senador a "maltratou" e tratou seu apoio como
algo "insignificante".
Naquela
ocasião, Michelle criticou diretamente a intenção do PL de apoiar Ciro Gomes
(PSDB) na disputa pelo governo estadual, decisão que, segundo Flávio Bolsonaro,
contaria com a aprovação do pai, dentro de uma estratégia para derrotar o PT no
Estado — o governador Elmano de Freitas (PT) disputará a reeleição.
As
críticas de Michelle ocorreram em novembro, durante evento de lançamento da
pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo do Ceará, político
bolsonarista com forte discurso conservador.
No dia
seguinte, os irmãos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro criticaram Michelle, e
ela foi chamada de autoritária pelo hoje candidato ao Palácio do Planalto.
Após
Michelle postar seus vídeos, Flávio divulgou um texto em suas redes sociais se
desculpando e afirmando que em nenhuma momento ofendeu ou teve a intenção de
ofender a ex-primeira-dama.
"Se
o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e
reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo
o que representa para o Brasil", escreveu.
senador disse ainda que é natural que, em
determinados momentos, "pessoas comprometidas com o mesmo propósito
enxerguem caminhos diferentes", inclusive dentro de famílias:
"Divergências de estratégia não significam divergências de
princípios".
Nos
vídeos divulgados nesta quarta pelo Instagram, a ex-primeira-dama disse que
sempre atuou com a concordância do marido e chamou as palavras contra ela de
"duras" e com "tom agressivo".
"Os
irmãos vieram juntos de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os
outros. Pareceu combinado, premeditado", continuou.
Segundo
Michelle, Flávio não tentou falar com ela antes de criticá-la publicamente e
não a atendeu quando ligou para ele após isso.
A
presidente do PL Mulher diz que o enteado a telefonou depois que ela pediu
publicamente desculpas, ressaltando, na época, ter direito de criticar a
aliança com Ciro Gomes, alguém que "sempre se declarou inimigo" de
Bolsonaro.
"Algumas
horas depois da postagem [de perdão], ele retornou a ligação. Mas sinceramente,
para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi
muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone, e eu não tinha feito
nada contra ele".
"Ele
disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu
havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação,
eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou
que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim
permaneço", continuou.
Michelle
chegou a ser apontada como possível candidata à vice-presidente numa chapa com
o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Repúblicanos), antes de Flávio
Bolsonaro ser lançado ao Palácio do Planalto.
A
expectativa é que ela concorra ao Senado pelo PL no Distrito Federal. Pesquisas
de intenção de voto a colocam na liderança, chegando a marcar mais de 30% nas
intenções de voto.
Como
presidente do PL Mulher, é vista no partido como liderança carismática e
importante ativo junto ao público feminino conservador.
Apesar
disso, a esposa de Jair Bolsonaro disse que o enteado não fez qualquer
movimento de aproximação, após a crise do Ceará, para buscar seu apoio.
"O
Flávio vai a minha casa toda semana, mais de uma vez. Se ele realmente quisesse
falar comigo, já teria falado. Se considerasse necessário o meu apoio. Já teria
conversado. Estou na minha. Continuarei recolhida".
A
ex-primeira-dama ressalta ainda no vídeo que, como presidente do PL Mulher
desde 2023, tem viajado todo o país articulando lideranças femininas e diz que
seu trabalho resultou na eleição de mais mulheres do partido nas eleições de
2024.
"Eu
sou a presidente nacional do PL Mulher. Fui convidada pelo meu marido e pelo
presidente Valdemar [Costa Neto]. Eu percorri o Brasil inteiro, instalei
diretórios em todas as 27 unidades da Federação, ajudei a eleger 1005 mulheres
em 2024, um aumento de 45,8% em relação a 2020".
"Mas
para ele e alguns que o cercam, eu não entendo de política. Tudo bem, eu me
recolhi e, desde esse dia, ele não me procurou mais. Eu também não procurei
porque estou respeitando o que ele falou. E é só isso", reforçou.
Para
Michelle, seus adversários a tratam como idiota.
"Agora,
vou desmentir as narrativas e notícias que circulam na imprensa. Eu sei quem as
planta, eu sei quem são as fontes. Eles me tratam como se eu fosse idiota, como
se eu fosse alguém que chegou ontem. Mas eu não sou. Eu sei mais do que eles
pensam".
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A disputa no Ceará
Nos
dois vídeos, Michelle dá detalhes sobre a briga do PL do Ceará, que envolve não
só a disputa pelo governo do Estado, mas as eleições para o Senado.
Ela
defende que, no primeiro turno, o PL apoie Girão para o governo estadual.
"Não
é questão de política, é questão de coerência. Ciro Gomes foi o principal
responsável pelo processo que levou à inelegibilidade do meu marido durante a
pandemia. Numa live com outros esquerdistas, ele incentivou e conclamou as
pessoas a chamarem o meu marido de genocida e pediu que repetissem isso o tempo
todo. Ele chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de
jumento".
"Disse
que Bolsonaro roubava a gasolina. Disse que as esposas de Bolsonaro seriam
todas ladras. Disse que os filhos do meu marido, os meus enteados, eram
corruptos, que eram ladrões, e deu a eles um apelido: ovos de serpentes
nazistóides. Essas foram as palavras de Ciro Gomes sobre os filhos do meu
marido".
Ela
defendeu que eventual aliança com Ciro Gomes ocorra apenas no segundo turno.
"Não
estou exigindo que se desfaça nenhuma aliança no Ceará, mas que a adie para o
segundo turno. Eu sou contra ela, mas essa é apenas a minha convicção. Se a
direita quer se unir para derrotar o PT, tudo bem. Mas a coerência obriga que
isso aconteça apenas no segundo turno", defendeu.
Na
disputa pelo Senado, a ex-primeira-dama apoia Priscila Costa (PL), vereadora
mais votada de Fortaleza em 2024. Seu desejo é que ela dispute uma das duas
vagas para o Senado, ao lado de Alcides Fernandes (PL), pai de André Fernandes
(PL), deputado federal mais votado no Ceará em 2024.
Dentro
da negociação para a aliança com Ciro Gomes, porém, André Fernandes, que
preside o PL no Ceará, quer manter a candidatura de seu pai, que disputaria com
outro nome indicado por outro partido. Priscila Costa, então, não disputaria o
Senado.
"É
para se unir a esse homem [Ciro Gomes] que o PL do Ceará está abandonando um
candidato legítimo da direita? É para se unir a esse homem que estão
perseguindo e tentando retirar da disputa uma mulher nordestina, mãe de quatro
filhos, que dedicou tudo ao movimento em defesa da vida?", questiona
Michelle.
"Já
que a aliança com Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga do
seu próprio pai? Estranho, né? Por que só a mulher tem que ceder? Não dá para
aceitar", disse ainda.
A
ex-primeira-dama disse ainda que tem apoio do seu marido na oposição à aliança
com Ciro e no apoio à Priscila Costa.
"Que
fique registrado para sempre. Enquanto ainda estava preso no 19.º batalhão, o
meu marido mandou um recado claro que foi repassado à direção do partido e ao
senador Rogério Marinho. Ele disse: Priscila será candidata".
¨
O pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro após vídeo de
Michelle
O
senador e pré-candidato à Presidência Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) pediu desculpas publicamente à
ex-primeira-dama Michelle
Bolsonaro após ser
acusado de tratá-la mal.
Em um
texto publicado em suas redes sociais, Flávio afirma que em nenhuma momento
ofendeu ou teve a intenção de ofender Michelle.
"Se
o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e
reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo
o que representa para o Brasil", escreveu.
O
senador disse ainda que é natural que, em determinados momentos, "pessoas
comprometidas com o mesmo propósito enxerguem caminhos diferentes",
inclusive dentro de famílias: "Divergências de estratégia não significam
divergências de princípios".
Em dois
vídeos postados na quarta-feira (24/6), a ex-primeira-dama disse ter recebido
uma "punhalada" do enteado no ano passado, quando a família Bolsonaro
viveu uma crise em torno das articulações políticas para as eleições no Ceará.
Ela
disse que, na época, o senador a "maltratou" e tratou seu apoio como
algo "insignificante".
Naquela
ocasião, Michelle criticou diretamente a intenção do PL de apoiar Ciro Gomes
(PSDB) na disputa pelo governo estadual, decisão que, segundo Flávio Bolsonaro,
contaria com a aprovação do pai, dentro de uma estratégia para derrotar o PT no
Estado — o governador Elmano de Freitas (PT) disputará a reeleição.
As
críticas de Michelle foram feitas em novembro, durante evento de lançamento da
pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo do Ceará, político
bolsonarista com forte discurso conservador.
No dia
seguinte, os irmãos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro criticaram Michelle, e
ela foi chamada de autoritária pelo hoje pré-candidato ao Palácio do Planalto.
Nos
vídeos divulgados agora pelo Instagram, a ex-primeira-dama disse que sempre
atuou com a concordância do marido e chamou as palavras contra ela de
"duras" e com "tom agressivo".
"Os
irmãos vieram juntos de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os
outros. Pareceu combinado, premeditado", continuou.
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'O coração segue aberto'
Em seu
pedido de desculpas, Flávio afirma que na própria quarta-feira, antes de
Michelle publicar suas acusações nas redes sociais, ele tentou ligar para a
madrasta para convidá-la "de coração aberto" para uma reunião com
lideranças femininas conservadoras, mas não foi atendido.
"Hoje
(quarta) pela manhã, eu mesmo fiz questão de ligar para Michelle e convidá-la,
pessoalmente. Fiz mais um gesto não correspondido. Não atendeu. Deixei
mensagem. Também não retornou", contou.
"Para
minha surpresa, na tarde de hoje ela publicou o vídeo."
Segundo
Flávio, a reunião com as lideranças femininas está mantida "para tratar
justamente das soluções que proporemos para milhões de mulheres brasileiras que
acordam cedo, trabalham, cuidam dos filhos e das famílias".
Ainda
segundo o senador e pré-candidato à Presidência, "o convite segue de pé e
o coração segue aberto, pois temos um Brasil para tirar das mãos do PT".
"O
Brasil precisa de maturidade, serenidade e unidade. Vamos concentrar nossas
energias naquilo que realmente importa: construir um futuro melhor para todos
os brasileiros!", diz no texto.
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O que aconteceu?
Como
presidente do PL Mulher — um movimento dentro do PL que visa "fomentar a
participação de mulheres na política do país", segundo sua página no
Facebook —, Michelle Bolsonaro é vista no partido como liderança carismática e
importante ativo junto ao público feminino conservador.
Apesar
disso, a esposa de Jair Bolsonaro disse que o enteado não fez qualquer
movimento de aproximação após a crise do Ceará para buscar seu apoio.
"O
Flávio vai a minha casa toda semana, mais de uma vez. Se ele realmente quisesse
falar comigo, já teria falado. Se considerasse necessário o meu apoio, já teria
conversado. Estou na minha. Continuarei recolhida."
Segundo
Michelle, Flávio não tentou falar com ela antes de criticá-la publicamente por
manifestar sua opinião em relação à disputa no Ceará e não a atendeu quando
ligou para ele após isso.
A
presidente do PL Mulher diz que o enteado a telefonou depois que ela pediu
publicamente desculpas, ressaltando, na época, ter direito de criticar a
aliança com Ciro Gomes, alguém que "sempre se declarou inimigo" de
Bolsonaro.
"Algumas
horas depois da postagem [de perdão], ele retornou a ligação. Mas sinceramente,
para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi
muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone, e eu não tinha feito
nada contra ele".
"Ele
disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu
havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação,
eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou
que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim
permaneço", continuou.
Michelle
chegou a ser apontada como possível candidata à vice-presidente numa chapa com
o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), antes de Flávio
Bolsonaro ser lançado ao Palácio do Planalto.
A
expectativa é que ela concorra ao Senado pelo PL no Distrito Federal. Pesquisas
de intenção de voto a colocam na liderança, chegando a marcar mais de 30% nas
intenções de voto.
Fonte:
BBC News Brasil

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