quinta-feira, 25 de junho de 2026

China defende união do BRICS para enfrentar desafios globais e reforçar multilateralismo

A China defendeu que o BRICS deve atuar unido para enfrentar desafios globais urgentes e preservar o rumo do desenvolvimento internacional, afirmou Wang Yi na reunião de conselheiros de segurança do bloco. O diplomata destacou o papel crescente do grupo como pilar de paz, justiça e desenvolvimento na defesa do multilateralismo.

Segundo um artigo do Global Times, a China afirmou estar preparada para trabalhar com os demais membros do BRICS para enfrentar desafios globais urgentes e preservar o rumo do desenvolvimento internacional, declarou o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, durante a 16ª Reunião de Conselheiros de Segurança Nacional do bloco.

O diplomata destacou que, em duas décadas, a cooperação do BRICS transformou o grupo em um pilar de paz, desenvolvimento e justiça, reforçando a necessidade de defender o multilateralismo e rejeitar o unilateralismo e o protecionismo.

Wang ressaltou que, como líderes do Sul Global, os países do BRICS devem assumir protagonismo na defesa da justiça internacional e na busca por resultados equitativos, ampliando seu peso político e diplomático. Para ele, romper impasses em segurança exige consenso e compromisso com uma visão comum, abrangente e cooperativa, privilegiando soluções políticas e o diálogo para resolver disputas.

O representante chinês defendeu que o BRICS responda de forma coordenada aos desafios globais, incluindo o combate a todas as formas de terrorismo, a oposição à militarização do espaço, a mitigação de riscos energéticos e alimentares e o fortalecimento da cooperação em minerais estratégicos. Ele também citou a necessidade de ação conjunta diante do surto de Ebola na África.

Ainda segundo a mídia asiática, Wang enfatizou que o bloco deve contribuir para aprimorar a governança em setores emergentes, com atenção especial aos riscos trazidos pela inteligência artificial (IA). Defendeu orientar o desenvolvimento da IA de forma segura e responsável, além de apoiar as Nações Unidas como principal fórum para a governança do ciberespaço e da esfera digital.

O diplomata reiterou que a vitalidade do BRICS decorre da igualdade e do benefício mútuo entre seus membros, enquanto sua força nasce da solidariedade. Ele afirmou que a China, que assumirá a presidência rotativa do grupo no próximo ano, está pronta para trabalhar com os parceiros na construção de um futuro de paz e prosperidade.

De acordo com a apuração, os países participantes destacaram sua intenção de cooperar para consolidar um mundo multipolar baseado em paz, segurança, equidade, justiça e desenvolvimento.

¨      BRICS garantirá pagamentos imunes à pressão externa, diz secretário do Conselho de Segurança russo

Os países do BRICS podem coordenar seus esforços nos projetos destinados à criação de uma nova plataforma de investimentos, declarou na terça-feira (23) o secretário do Conselho de Segurança russo, Sergei Shoigu, durante uma reunião de altos representantes dos países da aliança responsáveis pelas questões de segurança.

Conforme destacou Shoigu, é importante que os países do BRICS coordenem seus esforços no âmbito dos projetos destinados à criação de mecanismos de liquidação e custódia, compensação e resseguro, bem como da bolsa de grãos da aliança.

"É igualmente importante garantir o bom funcionamento das decisões previamente aprovadas, inclusive no mais alto nível. Consideramos que os projetos mais promissores nesse sentido são os que visam à criação de mecanismos de liquidação, custódia, compensação e resseguro imunes a influências externas, à bolsa de grãos do BRICS e a uma nova plataforma de investimentos", afirmou.

Além disso, ele apontou que os acontecimentos no Oriente Médio demonstraram que a segurança está intimamente ligada à economia e que a instabilidade sem precedentes no mundo é causada pelas ações das elites ocidentais que ignoram a formação de uma ordem mundial policêntrica.

Shoigu ressaltou que os neocolonialistas, acostumados a viver às custas alheias na busca por recursos e influência, não se coíbem de recorrer a nenhum método: desde guerras tarifárias e sanções unilaterais até o envolvimento de regiões inteiras em conflitos armados, bem como o sequestro e a eliminação física de líderes de países soberanos.

"Nas condições atuais, a segurança está cada vez mais ligada à economia e às cadeias de produção e distribuição de abastecimento, como ficou claramente demonstrado pela crise no Oriente Médio, desencadeada pela agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã", observou.

Anteriormente, o analista financeiro russo Pavel Goncharov disse à Sputnik que os fortes resultados econômicos dos países do BRICS, sobre os quais o presidente da Rússia, Vladimir Putin, falou no SPIEF 2026, indicam que o bloco desempenha um papel crucial no caminho para o desenvolvimento global com o envolvimento ativo dos países do Sul Global.

Segundo ele, os países-membros do BRICS e os países associados ao bloco são relativamente livres social, política e economicamente. Por isso, tendem a tomar medidas pragmáticas em vez de optar por experimentos sociais irrealistas, muitas vezes a mando de um centro político como os Estados Unidos ou a UE, sem relação com as características culturais ou econômicas do país.

¨      'Não é por acaso': Brasil bate recorde de exportação e investimentos, diz presidente da ApexBrasil

O presidente da ApexBrasil, Laudemir André Müller, afirmou nesta terça-feira (23) que o bom desempenho alcançado pelo Brasil nas exportações e na atração de investimento estrangeiro não é fruto do acaso, mas sim da estratégia brasileira baseada no diálogo e na cooperação internacional.

A declaração foi dada durante II Fórum de Investimentos União Europeia–Brasil, realizado na sede da ApexBrasil, em Brasília. O encontro teve como tema central o acordo Mercosul-União Europeia e reuniu representantes dos governos brasileiro e do bloco europeu, além de lideranças empresariais.

Ao longo das discussões, a mensagem predominante foi a de que a parceria entre os dois blocos pode se tornar um instrumento para fortalecer a competitividade, ampliar investimentos e impulsionar projetos industriais e tecnológicos.

Laudemir André Müller, presidente da ApexBrasil, destacou que o fortalecimento da relação ocorre em um momento de transformações na economia global.

"Ao mesmo tempo em que há turbulências internacionais, nós vemos ao mesmo tempo o Brasil bater um recorde de exportação, de atração de investimentos."

Segundo ele, os resultados alcançados pelo país decorrem de uma estratégia baseada no diálogo e na cooperação internacional.

"Isso não se dá do acaso, não é por acaso que o Brasil tem esse desempenho, é por conta de uma decisão acertada, de um caminho que o Brasil trilha, talvez um caminho diferente de alguns outros países, que é o caminho do entendimento, o caminho da negociação, da abertura."

O dirigente ressaltou que os investimentos europeus acumulados no Brasil já se aproximam de meio trilhão de dólares, mas avaliou que o potencial de crescimento é muito maior. Segundo ele, os parceiros internacionais brasileiros podem ampliar sua presença em áreas como data centers, infraestrutura digital e minerais críticos.

O tema dos minerais vem aparecendo repetidamente em discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros. Segundo Lula, o Brasil não pode repetir o que aconteceu com o ciclo do ouro, por exemplo, no qual o país foi apenas exportador de matéria-prima.

"Podemos caminhar juntos em um tema em que somos altamente complementares, o de minerais críticos", disse Müller.

A busca por uma integração produtiva mais profunda também foi destacada pelo presidente do Conselho do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), José Pio Borges.

Para ele, as mudanças econômicas e geopolíticas em curso exigem mais cooperação entre países e blocos. "O mundo atravessa um momento de profundas transformações econômicas e geopolíticas", afirmou. Segundo Borges, "isso exige integração, não isolamento".

¨      Brasil tem a maior carteira de projetos do mundo em rodovias e ferrovias, diz ministro dos Transportes

O ministro dos Transportes, George Santoro, em entrevista à Sputnik Brasil, comenta os planos para o desenvolvimento das ferrovias e o aprimoramento da logística interna para dinamizar o fluxo comercial brasileiro, além de cooperações internacionais que podem ajudar o país a executar projetos importantes e também na integração regional.

Conforme explica o titular da pasta, o Ministério dos Transportes possui em seu planejamento uma carteira de projetos para atrair investidores estrangeiros, visando ampliar e otimizar o fluxo da malha ferroviária brasileira no âmbito internacional.

"Hoje nós temos a maior carteira tanto de rodovias quanto de ferrovias do mundo e, quando há uma carteira relevante, no setor ferroviário, a gente quer criar projetos e o mercado vai amadurecendo. A participação estrangeira é real. Estamos cooperando com o governo russo em conversas. E com a China, estamos há três anos em discussões com o governo e também com as empresas chinesas", disse.

Santoro também ressalta que, por meio da cooperação internacional, é possível aproveitar essa oportunidade para aprimorar a transferência de tecnologia, o que possibilita a qualificação da mão de obra e das empresas locais.

"Quando a gente faz projetos, montam-se consórcios de infraestrutura com empresas estrangeiras, normalmente, eles fazem parceria com o parceiro local também. Em rodovias, isso aconteceu, e vai acontecer também nas ferrovias. Com isso, a gente tem uma transferência de tecnologia, de soluções, de engenharia e de soluções", comenta.

<><> Parceria com o NBD e integração regional na pauta

Outro ponto levantado pelo ministro é a possibilidade de cooperação com o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), também conhecido como Banco do BRICS e como NDB na sigla em inglês, instituição que já investiu em projetos de infraestrutura no Brasil e que atualmente é presidida por Dilma Rousseff, ex-presidenta do Brasil.

"A gente tem discutido com o NDB e com o Asian Bank para gerar funding [investimentos] para a carteira de ferrovias que está em andamento com o BNDES, que lançou uma carteira de 40 anos de prazo. Estamos priorizando esses fundings do NDB e do Asian Bank em parceria com o BNDES para estruturar esses empréstimos de 40 anos. Agora, na missão à China, houve visita ao NDB e ao Asian Bank", destaca.

No âmbito do multilateralismo em nível regional, Santoro aponta que, de forma bilateral, o Brasil vem fortalecendo sua cooperação com a Argentina e também estenderá o diálogo com outros países da região para o fortalecimento do setor logístico.

"Fizemos a primeira concessão com o governo argentino da ponte binacional de São Borja. Temos projetos de replicar esse modelo em mais 12 ativos nossos com países da América Latina. Isso possibilita um desembaraço aduaneiro unificado e homologado pelas autoridades dos dois países. É um ganho logístico enorme", observa.

<><> Investimento em infraestrutura é vital para a soberania

Quanto à viabilização do corredor multimodal para conectar a produção nacional ao Porto de Chancay, empreendimento chinês no Peru, o ministro explicou que a estruturação do plano está sob responsabilidade de Pequim. Contudo, ele defende como crucial o fortalecimento dos portos brasileiros no eixo atlântico, uma estratégia vista por ele como essencial para resguardar a soberania do país, e que a saída para o Pacífico seria uma opção estratégica.

"Acredito que, primeiro, temos que consolidar o corredor atlântico do Brasil com acessos ferroviários. Quando se consolida a saída pelo Atlântico, o caminho seguinte é ter opção para o Pacífico como uma alternativa logística. A prioridade do Brasil é gerar recursos e renda nos portos brasileiros. Até por questões geopolíticas, eu controlo o meu porto. Levar mercadorias para um porto estrangeiro tem que ser uma opção estratégica e não um determinante logístico", pontua.

Por fim, Santoro enfatiza que todo investimento que venha a ser feito na região Norte do país precisa levar em conta o meio ambiente e a sustentabilidade e que, para isso, o Ministério dos Transportes segue critérios na modelagem de seus projetos.

"É preciso ter muito cuidado ao levar investimento para a região Norte, no que diz respeito à sustentabilidade. O Brasil é um país responsável, que está preservando a Amazônia. Todos os projetos têm que ser muito bem pensados. Toda a nossa carteira de projetos é carbono zero e segue diretrizes da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico]", conclui.

A dinâmica do comércio exterior passa por um momento de mudanças por conta de desafios que precisam ser superados devido a tensões geopolíticas. Portanto, o investimento na infraestrutura logística no território nacional torna-se imprescindível, tanto quanto a diversificação de parceiros comerciais e cooperações internacionais.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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