Gabriel
Vezeiro: A economia libidinal do capitalismo algorítmico
A
passagem do capitalismo industrial-fordista para um regime financeirizado,
plataformado e algorítmico reorganizou simultaneamente o trabalho, a linguagem,
a atenção e os mecanismos de produção de valor. Portanto, não pode ser
compreendido apenas como transformação econômica, tecnológica e produtiva. O
capital já não opera exclusivamente por meio da exploração material do trabalho
no interior da fábrica; passa a incidir diretamente sobre comunicação,
cognição, afetos e circulação semiótica, capturando a vida social em sua
totalidade.
É nesse
ponto que a noção de economia libidinal se torna axial. O capitalismo
algorítmico não captura apenas atenção no sentido funcional do termo; captura
também disposição afetiva, expectativa, desejo, ansiedade, reconhecimento e
necessidade de validação. A plataforma não se limita a oferecer conteúdos, já
que organiza pequenos circuitos de recompensa, frustração e promessa, nos quais
o sujeito é continuamente chamado a expressar-se, reagir, comparar-se, desejar
e reaparecer.
A vida
psíquica torna-se, assim, matéria de valorização. Barbara Ehrenreich já havia
mostrado, na crítica ao pensamento positivo, como o capitalismo tardio exigia
do indivíduo uma administração permanente da própria atitude: sorrir,
adaptar-se, eliminar a negatividade, transformar sofrimento em oportunidade.
O
capitalismo algorítmico prolonga essa pedagogia da normalização ou adaptativa,
mas a inscreve numa infraestrutura técnica. A antiga obrigação moral de ser
positivo reaparece agora como obrigação de engajar, performar, manter
visibilidade, produzir sinais de entusiasmo e converter a própria presença em
dado. A economia libidinal da plataforma opera precisamente aí, onde não
reprime simplesmente o desejo, mas o mobiliza, excita, mede e reconduz aos
circuitos de acumulação.
Por
isso, a dominação contemporânea não funciona apenas pela censura ou pela
imposição ideológica direta. Funciona pela administração dos afetos. A raiva, a
alegria, o medo, a inveja, a indignação, a neurodivergência e até a esperança
tornam-se formas de circulação rentável. O sujeito acredita estar expressando
espontaneamente sua interioridade, mas essa expressão é organizada por
arquiteturas que selecionam, hierarquizam e monetizam intensidades afetivas.
A
economia libidinal do capitalismo algorítmico consiste, portanto, em
transformar desejo em engajamento, engajamento em dado e dado em expectativa de
valorização futura. Essa administração dos afetos deve ser pensada também como
administração da normalidade. Robert Chapman mostrou, em Empire of normality:
neurodiversity and capitalism, que a distinção moderna entre normalidade e
patologia não é apenas médica ou psicológica, mas histórica e econômica.
A
passagem de uma ideia de saúde como harmonia para uma ideia de saúde como
normalidade acompanha a formação de sociedades capitalistas que classificam
corpos e mentes segundo a sua utilidade produtiva, a sua adaptabilidade e a sua
proximidade a um padrão médio. Aquilo que aparece como desvio individual revela
uma relação social: há modos de perceber, trabalhar, falar, sofrer ou desejar
que se tornam “problemáticos” porque não se ajustam às exigências dominantes de
produtividade, rendimento, flexibilidade e autocontrole.
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Plataformas, financeirização e mediação cognitiva
É
precisamente nesse plano que o capitalismo algorítmico introduz uma mutação
fulcral. Pela primeira vez, grandes corporações privadas controlam, em escala
planetária, infraestruturas cotidianas de mediação cognitiva: motores de busca,
redes sociais, plataformas de vídeo, sistemas de recomendação, interfaces de
mensagens, assistentes automatizados, ambientes educacionais digitais e
ferramentas de inteligência artificial generativa. Não se trata apenas de
controlar conteúdos. Trata-se de organizar as condições de visibilidade,
atenção, memória, circulação da linguagem e formação do juízo.
Nesse
contexto, torna-se insuficiente analisar separadamente o capitalismo digital e
a financeirização. A plataformização da vida social e a hegemonia financeira
constituem dimensões inseparáveis da mesma reorganização histórica da
acumulação. As plataformas digitais funcionam como infraestrutura material da
financeirização contemporânea, enquanto as finanças dependem crescentemente da
extração contínua de dados, atenção e padrões comportamentais produzidos nesses
ambientes.
A
simbiose entre plataformização e financeirização consiste precisamente na
transformação da vida social em fluxo capitalizável. As plataformas capturam
atenção, interações, deslocamentos, desejos, consumo, trabalho e linguagem sob
a forma de dados; a financeirização converte essa capacidade de captura em
expectativa de rendimento futuro. O valor da plataforma não reside apenas nos
lucros presentes, mas na promessa de monopolizar infraestruturas de mediação
social e transformar comportamentos futuros em ativos calculáveis.
Por
isso, o capitalismo digital não pode ser separado do capitalismo financeiro. A
plataforma extrai a matéria-prima comportamental; a finança capitaliza a
promessa de sua exploração futura.
Essa
dinâmica ajuda também a evitar uma confusão recorrente. As rendas de
plataforma, as assinaturas, os preços por API, a dependência de nuvem e os
ecossistemas fechados podem produzir uma sensação de vassalagem digital, mas
não indicam a saída do capitalismo para uma ordem tecnofeudal. O que aí aparece
é antes uma forma concentrada de propriedade capitalista sobre infraestruturas
indispensáveis à circulação social.
A
coerção não se exerce por vínculos pessoais de servidão, mas por contratos,
bloqueios técnicos, padrões proprietários, custos de saída e dependência
econômica. A plataforma torna-se portagem porque controla meios de acesso ao
trabalho, à comunicação, à visibilidade e ao consumo. A novidade não está numa
regressão neomedieval, mas na capacidade capitalista de transformar mediações
sociais básicas em gargalos rentáveis.
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Obscurecimento por saturação
Entre o
antigo monopólio da verdade e o atual monopólio da atenção, há a mediação
determinante da mídia corporativa moderna. Michael Parenti mostrou que os
grandes meios de comunicação não apenas informam sobre a realidade; participam
da sua produção pública. Definem que acontecimentos existem como problema, que
conflitos merecem visibilidade, que sujeitos aparecem como racionais ou
perigosos, que violências são nomeadas e quais permanecem fora do campo
perceptivo. A mídia empresarial não exerce poder apenas quando mente, mas
quando seleciona, enquadra, hierarquiza, repete e delimita o espaço do discurso
aceitável.
O
capitalismo algorítmico não rompe com essa lógica; radicaliza-a. A antiga mídia
de massas produzia realidade por meio de propriedade concentrada, publicidade,
dependência de fontes oficiais, enquadramento editorial e repetição. As
plataformas acrescentam outra camada quando medem a reação de cada sujeito,
personalizam a circulação, testam estímulos, hierarquizam visibilidade em tempo
real e convertem atenção em dado.
A
produção capitalista da realidade deixa de operar apenas pela agenda pública
comum e passa a funcionar também por modulação diferencial da percepção.
Michael Parenti ajuda, portanto, a compreender que a plataforma não é apenas
tecnologia nova, mas a continuação, em forma algorítmica, de uma velha
estrutura de poder de classe sobre os meios de produzir mundo.
No
passado, o obscurecimento podia estar associado ao monopólio religioso ou
estatal do saber. No presente, ele aparece de forma mais difusa e tecnicamente
sofisticada. Não opera primariamente pela proibição da informação, mas pela sua
sobreprodução desestruturada. O sujeito contemporâneo não é necessariamente
impedido de saber; é submerso e mergulhado num fluxo contínuo que dificulta
hierarquizar, reter, relacionar e elaborar. A censura clássica retirava
palavras de circulação. A plataforma tende a dissolver a continuidade da
palavra no excesso de estímulos por saturação.
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Ecologia social da inteligência
A
questão central, portanto, não é a inteligência individual. É a ecologia social
da inteligência. Por ecologia social da inteligência, entendo o conjunto das
mediações materiais, linguísticas, institucionais, técnicas e afetivas que
tornam possível a formação da consciência. A inteligência não é uma faculdade
abstrata depositada no indivíduo isolado; ela se forma em ambientes de língua,
leitura, memória, transmissão, conflito, atenção e reconhecimento. Uma
comunidade pensa por meio das suas línguas, dos seus arquivos, das suas
escolas, dos seus corpos autorizados a falar, das mulheres e homens admitidos à
interpretação, dos tempos concedidos à demora e dos dispositivos que organizam
a circulação da palavra.
O
capitalismo algorítmico não destrói simplesmente a inteligência; reconfigura a
sua ecologia social. Substitui mediações relativamente estáveis – leitura
demorada, memória compartilhada, debate público, transmissão institucional,
comunidades interpretativas – por ambientes de reação contínua, recompensa
intermitente, visibilidade competitiva e fragmentação da linguagem. O resultado
não é necessariamente um sujeito menos inteligente, mas uma inteligência
socialmente treinada para operar em regime de estímulo, velocidade e adaptação,
isto é, em formas menos propícias à abstração crítica.
No
capitalismo algorítmico, porém, essa degradação não depende apenas de
propaganda estatal ou manipulação ideológica explícita. Ela resulta de uma
economia da atenção que recompensa a simplificação, a agressividade, a
repetição, o reconhecimento imediato e a aderência emocional. A linguagem que
circula melhor tende a ser a que exige menos demora. O pensamento que resiste
precisa de tempos que a plataforma não favorece.
Nesse
ponto, a crítica cultural deve reencontrar a economia política. A regressão
cognitiva não é um acidente moral da juventude, nem uma decadência espontânea
dos hábitos de leitura. Ela está ligada ao modelo de negócios das plataformas.
A atenção capturada é valor econômico. Reação é dado. Engajamento é métrica.
Permanência é rendimento. Quanto mais a linguagem se torna breve, repetível,
emocionalmente intensa e facilmente classificável, mais se adapta à circulação
algorítmica.
A
superficialidade não é apenas defeito cultural; é funcional à valorização.
Marazzi percebeu que linguagem e comunicação deixaram de ser esferas exteriores
à produção para se tornarem forças produtivas centrais da acumulação
contemporânea. A linguagem já não pode ser tratada como esfera exterior à
produção, nem como simples revestimento simbólico da economia. No capitalismo
pós-fordista, comunicação, informação, circulação semiótica e cooperação
linguística tornam-se forças produtivas diretas. O capital não produz apenas
mercadorias; produz ambientes comunicacionais, disponibilidade subjetiva,
interação social e fluxos de sentido. A linguagem deixa de ser apenas meio de
expressão e passa a integrar os mecanismos de valorização.
À
primeira vista, esse movimento sugeriria que o capital finalmente conseguiu
absorver integralmente aquilo que, em Karl Marx, permanecia como exterioridade
relativa: o trabalho vivo. Entretanto, a centralidade dessa categoria não
desaparece; desloca-se. Em Marx, o trabalho vivo nunca designa apenas atividade
física imediata ou trabalho manual industrial. Ele nomeia a potência viva,
criativa, cooperativa e temporal da atividade humana que o capital necessita
explorar, mas jamais consegue absorver completamente. O capital depende
estruturalmente dessa vitalidade social, mas não consegue produzi-la
autonomamente. Pode apenas organizá-la, explorá-la, acelerar sua circulação e
converter seus efeitos em valorização.
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Inteligência artificial generativa e apropriação do arquivo cultural
A
Inteligência artificial generativa aprofunda essa lógica ao acrescentar uma
segunda camada de apropriação. Já não se trata apenas de capturar
comportamentos presentes, mas de absorver trabalho intelectual e cultural
previamente acumulado. Quando as grandes empresas tecnológicas falam em
“dados”, apresentam como matéria bruta aquilo que, em muitos casos, é conteúdo
elaborado: reportagens, livros, arquivos, música, imagens, investigação
científica, crítica, edição e memória cultural. A palavra “dados” funciona,
assim, como uma operação ideológica: naturaliza como recurso disponível aquilo
que foi produzido por trabalho humano situado.
A
denúncia recente do suspeito A. G. Sulzberger, editor do The New York Times,
torna esse processo particularmente visível. Os grandes modelos generativos
dependem de talento técnico, capacidade computacional, eletricidade e dados.
Pelos três primeiros elementos, as empresas pagam fortunas; pelo quarto,
procuram frequentemente pagar pouco ou nada. Mas esse quarto elemento não é
exterior à produção social. É a sedimentação de anos de trabalho jornalístico,
científico e criativo. A inteligência artificial aparece como tecnologia do
futuro, mas alimenta-se de um passado cultural que não criou.
No caso
do jornalismo, quando uma aplicação de Inteligência artificial responde
diretamente a uma pergunta sem conduzir o leitor à fonte que produziu a
informação, rompe-se o circuito material que sustenta a reportagem: investigar,
entrevistar, verificar, deslocar-se, contextualizar, editar e publicar. A
plataforma já tinha capturado grande parte da publicidade; a Inteligência
artificial ameaça capturar também a relação entre pergunta, fonte e leitura.
O risco
não é apenas econômico para os meios de comunicação, mas político. Uma esfera
pública com mais respostas automáticas e menos instituições capazes de produzir
informação verificável, contextualizada e responsável. Essa apropriação permite
compreender melhor por que a categoria marxiana de trabalho vivo continua
presente. A Inteligência artificial não produz autonomamente o mundo cultural
de que se alimenta. Recombina, modela e comercializa linguagem, conhecimento e
memória social previamente produzidos.
O
capital algorítmico transforma a cooperação intelectual acumulada em
infraestrutura proprietária e expectativa financeira. Aquilo que aparece como
inteligência da máquina é, em grande medida, trabalho social capturado,
abstraído de suas condições de produção e devolvido ao mercado como serviço
automatizado. A Inteligência artificial generativa amplia a captura algorítmica
da linguagem, agora não apenas como interação presente, mas como arquivo
cultural acumulado. É precisamente nesse ponto que a categoria marxiana de
trabalho vivo conserva toda a sua força.
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Regressão cognitiva e monopólio da atenção
A
regressão, portanto, não significa retorno simples à ignorância. Significa
deslocamento das capacidades humanas para formas menos propícias à abstração
crítica. Pode haver mais informação, mais habilidade técnica e mais velocidade
operacional, mas menos densidade conceitual, menos memória interiorizada, menos
continuidade argumentativa e menor disposição para sustentar conflitos de
interpretação. O sujeito digital não é necessariamente menos capaz; é
frequentemente treinado para capacidades que servem melhor à plataforma do que
à autonomia reflexiva.
A
regressão da consciência não se dá apenas pela redução da capacidade de leitura
ou pela fragmentação da atenção. Dá-se também pela reorganização libidinal da
experiência. O sujeito é treinado para desejar aquilo que o enfraquece:
interrupção, resposta imediata, exposição contínua, reconhecimento mensurável,
indignação repetível e pertencimento algorítmico. A plataforma não impõe
simplesmente uma falsa consciência; produz uma ambiência na qual a consciência
se vincula afetivamente às próprias condições de sua dispersão.
O
sujeito é treinado para desejar aquilo que o enfraquece. Essa é a diferença
entre o monopólio da fé e o monopólio da atenção. O primeiro pretendia fixar a
verdade. O segundo organiza a dispersão. O primeiro subordina o pensamento a
uma autoridade doutrinal. O segundo subordina a experiência a uma economia de
estímulos. O primeiro combateu a heresia. O segundo absorve a diferença como
conteúdo circulável, desde que possa ser convertida em engajamento. O resultado
não é silêncio, mas ruído; não é ausência de palavras, mas inflação de
mensagens; não é proibição do pensamento, mas enfraquecimento das suas
condições materiais.
O
capital contemporâneo já não administra apenas mercadorias ou trabalho.
Administra percepção, cognição, atenção e vida social. A linguagem deixa de
funcionar apenas como meio de comunicação e converte-se em território
estratégico da valorização. A consciência transforma-se em campo direto de
extração econômica e intervenção política.
O
problema do capitalismo digital, portanto, não se reduz à desinformação, à
superficialidade cultural ou à manipulação ideológica. O que está em jogo é uma
reorganização da própria ecologia da consciência e da produção de
subjetividade, na qual as capacidades de abstração, continuidade reflexiva e
elaboração crítica passam a ser estruturalmente corroídas por um ambiente
técnico organizado em função da captura permanente da atenção. Daí que a luta
pela linguagem e pela atenção seja uma luta política de primeira ordem.
Não se
trata de defender uma cultura letrada como privilégio elitista, nem de opor
nostalgicamente o livro à tela. Trata-se de perguntar que formas de mediação
permitem pensamento complexo, deliberação democrática e autonomia subjetiva.
Uma sociedade que entrega a infraestrutura da atenção a corporações orientadas
pela maximização do engajamento entrega também parte das condições de sua
própria consciência. O problema, portanto, não é rejeitar a tecnologia, mas
disputar a sua organização social.
A
pergunta-chave não é se usamos ou não plataformas, algoritmos e inteligência
artificial. A pergunta é sob que propriedade, com que finalidades, segundo que
critérios de desenho, sob que formas de controle democrático e com que limites
diante da dignidade humana. O obscurantismo algorítmico não nasce da máquina em
si, mas da sua integração ao capital como forma de captura da atenção, da
linguagem e do tempo psíquico.
Essa
disputa, contudo, não pode limitar-se a uma regulação externa das plataformas,
como se bastasse tornar mais transparente ou menos abusiva a mesma propriedade
privada das infraestruturas digitais. Em algum momento, a pergunta sobre
desenho tecnológico conduz à pergunta sobre propriedade, controle democrático e
socialização dos meios que organizam a atenção, a linguagem, a comunicação
pública e a inteligência artificial.
A
crítica do presente deve começar precisamente aí. Defender a consciência não
significa preservar uma interioridade abstrata contra o mundo técnico.
Significa reconstruir as condições sociais da atenção, da linguagem e da
abstração e criar tempos, instituições, práticas educativas, meios públicos e
formas coletivas capazes de resistir à conversão integral da experiência
neurotípica quanto a neurodivergente, em estímulo rentável.
A luta
contra o capitalismo algorítmico é também a luta para que a humanidade não
perca, no interior da abundância informacional, a capacidade de pensar o que
lhe acontece.
Fonte:
A Terra é Redonda

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