O
matemático 'guru das Copas' que previu confronto entre Brasil e Japão - e
aposta em vitória dos japoneses
Quando
o polvo Paul (2008-2010)
acertou todos os resultados da seleção alemã na Copa do Mundo Fifa de Futebol
Masculino de
2010, na África do Sul, o mundo o saudou como um verdadeiro oráculo.
Mas o
economista alemão Joachim Klement superou Paul com um complexo modelo de
previsão que mantém 100% de acerto nas suas previsões do campeão mundial, desde
a Copa disputada no Brasil, em 2014.
Se a
profecia estatística de Klement se confirmar pela quarta vez, a Holanda irá
erguer o troféu de campeão no Estádio MetLife em Nova Jersey, nos Estados
Unidos, após vencer Portugal na final do torneio, no próximo dia 19 de julho.
Além
dos campeões, o modelo do economista alemão mapeia todas as
fases do torneio e suas 48 seleções.
Para o
Brasil, Klement acertou a previsão da classificação em primeiro lugar no grupo.
Ele também previu algo que não é muito do agrado dos brasileiros: o confronto
com o Japão, terminando com vitória dos japoneses.
"Provavelmente,
uma das maiores zebras da história da Copa do Mundo", prevê Joachim Klement.
Segundo
o modelo, a Holanda enfrentará a Espanha nas semifinais. E, na outra semifinal,
enfrentam-se Inglaterra e Portugal — que terá eliminado a Argentina nas quartas
de final.
O
economista prevê que Portugal vencerá mais uma vez os ingleses, como ocorreu
nas quartas de final da Copa de 2006, na Alemanha. A previsão só não detalha se
a decisão ocorrerá novamente nos pênaltis.
Klement
é um "pessimista" confesso, que morou por 10 anos no Reino Unido.
Para ele, a pesquisa nunca pretendeu evitar a tristeza de ninguém, nem ganhar
dinheiro em apostas.
Na
verdade, ele esperava revelar o absurdo de tentar prever os resultados.
"Tudo
começou como um exercício para mostrar ao mundo a arrogância dos economistas,
que acham que podem prever fatos sobre os quais não têm nenhuma
indicação", explica Klement.
"Agora,
isso passou a ser uma demonstração de como, se você tiver sorte várias vezes,
as pessoas irão achar que você é um guru."
Sua
primeira previsão se tornou realidade em 2014, quando o seu país, a Alemanha,
venceu a Copa do Mundo realizada no Brasil.
Klement
imaginou que, refazendo a simulação novamente em 2018, ele poderia demonstrar
que aquilo foi uma casualidade. Mas ele acertou novamente sua previsão com a
França em 2018 — e, depois, com a Argentina, em 2022.
"Como
eu acertei três vezes seguidas, as pessoas, agora, acham que este modelo é
invencível e que, é claro, eu certamente irei acertar mais uma vez", ele
conta.
É
verdade que existem fatores "sistêmicos" conhecidos que determinam,
em parte, o sucesso de cada país na Copa do Mundo. Eles incluem a população
nacional, a riqueza, o clima e o ranking mundial da Fifa.
Mas a
popularidade das previsões quadrienais de Klement cresce a cada acerto. E ele
alerta seus leitores a considerar seus resultados com cautela, pois estes
fatores contam apenas uma parte da história.
"Os
outros 50% são de sorte", segundo ele.
"Cada
jogo — especialmente quando você tem equipes de alta qualidade, com técnicas e
habilidade muito similares, jogando entre si — realmente depende da forma
naquele dia, de uma decisão da arbitragem, de um pouco de sorte entre aquela
bola que bate na trave ou entra no gol."
"Este
tipo de coisa é completamente imprevisível", explica Klement.
Sempre
que a Copa do Mundo se aproxima, o modelo de previsão oferece a Klement uma
ótima diversão em relação ao seu trabalho diário.
"Particularmente
em 2026, quando temos tantas crises, guerras e coisas acontecendo, é algo que
me faz sentir bem", ele conta. "E espero que os leitores também se
sintam bem e tenham um pouco de distração de tudo de ruim que está acontecendo
no mundo."
Mas, a
cada vez que o economista acerta uma previsão, cresce o peso da expectativa.
¨
Veja o histórico de confrontos entre as duas seleções
A Seleção brasileira vai enfrentar o
Japão na primeira fase do mata-mata da Copa do Mundo 2026. A partida
acontecerá na segunda-feira (29/6), às 14h (horário de Brasília), no Estádio de
Houston, no Texas (EUA).
Os
japoneses se classificaram em segundo lugar no Grupo F após empatarem em 1 a 1
contra a Suécia nesta quinta-feira (25/6).
A
Holanda ficou com a liderança do grupo e jogará na próxima fase contra o
Marrocos. A Suécia também segue no torneio entre as melhores terceiras
colocadas.
O duelo
entre Brasil e Japão coloca frente a frente duas escolas de futebol com
características bem diferentes, além de representar a influência histórica do
futebol brasileiro no desenvolvimento do futebol japonês, que teve técnicos,
jogadores e métodos de treinamento do Brasil como referências importantes ao
longo de sua evolução.
Além da
relação histórica, as seleções chegam ao confronto em patamares distintos no
cenário internacional. A seleção japonesa ocupa a 17ª posição no ranking da
Fifa, enquanto o Brasil aparece em 5º lugar (de acordo com atualização
realizada nesta quinta-feira).
A
superioridade brasileira também se reflete no retrospecto do confronto. As duas
seleções já se enfrentaram 14 vezes. O Brasil soma 11 vitórias, dois empates e
apenas uma derrota.
O único
triunfo japonês aconteceu em outubro do ano passado, quando venceu a seleção
comandada pelo técnico Carlo Ancelotti por 3 a 2 em amistoso disputado no
Estádio Nacional do Japão, em Tóquio.
Em
Copas do Mundo, as seleções se enfrentaram uma única vez. Foi na fase de grupos
do Mundial de 2006, na Alemanha. Na ocasião, a Seleção Brasileira venceu por 4
a 1, terminou na liderança da chave e avançou às oitavas de final. O Japão, por
sua vez, foi eliminado ainda na primeira fase.
Nesta
Copa do Mundo, porém, o Japão tem mostrado que chega em um patamar diferente ao
mata-mata.
Os
japoneses garantiram vaga no Mundial fazendo uma das melhores campanhas de sua
história nas Eliminatórias Asiáticas. Ao todo, foram 13 vitórias, dois empates
e uma derrota.
A
equipe comandada por Hajime Moriyasu — o primeiro técnico a liderar a seleção
japonesa em Copas do Mundo consecutivas — se mostra confortável com e sem a
posse de bola, tendo derrotado, além do Brasil, a Inglaterra em amistosos com
apenas 30% de posse.
Na
estreia do Mundial deste ano, a seleção japonesa empatou em 2 a 2 com a Holanda
e venceu a Tunísia por 4 a 0 na segunda rodada.
Presente
de forma ininterrupta nas Copas desde 1998, esta é a oitava participação da
seleção japonesa em Copas do Mundo.
O
Japão, contudo, ainda busca alcançar uma campanha inédita. Até hoje, nunca
passou das oitavas de final. A equipe chegou a essa fase em quatro
oportunidades — 2002, 2010, 2018 e 2022 —, mas foi eliminada em todas elas.
Muitos
analistas esportivos apontam que a principal qualidade da seleção japonesa é o
forte espírito coletivo, enraizado na cultura japonesa.
O
atacante Ayase Ueda, de 27 anos, é o principal destaques do time. Ele foi o
artilheiro disparado da Eredivisie, principal liga da Holanda nesta temporada e
marcou o gol da vitória inédita sobre o Brasil, em outubro.
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Retrospecto Brasil x Japão
– 11
vitórias do Brasil
– 2
empates
– 1
derrota
Gols do
Brasil: 37
Gols do
Japão: 8
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Resultados:
Brasil
1 x 0 Japão (Amistoso, 1989)
Japão 0
x 3 Brasil (Copa Umbro 1995)
Japão 1
x 5 Brasil (Amistoso, 1995)
Japão 0
x 3 Brasil (Amistoso, 1997)
Japão 0
x 2 Brasil (Amistoso, 1999)
Brasil
0 x 0 Japão (Copa das Confederações, 2001)
Japão 2
x 2 Brasil (Copa das Confederações, 2005)
Japão 1
x 4 Brasil (Copa do Mundo, 2006)
Japão 0
x 4 Brasil (Amistoso, 2012)
Brasil
3 x 0 Japão (Copa das Confederações, 2013)
Japão 0
x 4 Brasil (Amistoso, 2014)
Japão 1
x 3 Brasil (Amistoso, 2017)
Japão 0
x 1 Brasil (Amistoso, 2022)
Japão 3
x 2 Brasil (Amistoso, 2025)
Fonte:
BBC Sport

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