sábado, 27 de junho de 2026

Talibã reforça ofensiva contra mulheres e protestos

As notícias vindas do Afeganistão – as que conseguem passar pela censura imposta pelo regime do Talibã – são alarmantes.

No início de junho, autoridades talibãs detiveram pelo menos 30 mulheres na cidade de Herat, no oeste do país, por supostas violações das regras de vestimenta, segundo a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama, na sigla em inglês).

As detenções desencadearam protestos raros no distrito de Injil, uma comunidade majoritariamente xiita de Herat que enfrenta insegurança e discriminação sob o regime sunita extremista.

As forças talibãs responderam com violência, disparando contra os manifestantes, de acordo com a Unama e organizações de direitos humanos. Ao menos duas pessoas morreram, incluindo uma criança, e mais de 20 ficaram feridas.

O Talibã rejeitou relatos sobre as detenções. Ainda assim, as notícias provocaram indignação entre ativistas de direitos das mulheres e renovaram a preocupação com o controle cada vez mais rígido do regime sobre as mulheres e os espaços públicos.

<><> Protestos em Herat mostram resistência

Duas integrantes da Rede do Movimento de Mulheres Afegãs, que pediram anonimato por razões de segurança, descreveram as detenções como parte de um sistema mais amplo de repressão.

"Cada mulher presa hoje em Herat é um símbolo do sofrimento de milhões de mulheres afegãs que vivem sob a sombra de um apartheid de gênero", disse uma delas à DW. "A liberdade das mulheres é um direito. Não ao Talibã!"

Outra integrante afirmou que o regime está criminalizando escolhas básicas. "O Talibã está prendendo mulheres pelo 'crime' de escolher como se vestir", disse à DW. "Esse comportamento não é religioso nem humano. É opressão contra as mulheres e uma clara violação da dignidade humana."

Os protestos em Herat, portanto, não foram apenas uma reação às prisões. Também mostraram que parte da sociedade afegã ainda está disposta a desafiar a autoridade do Talibã, apesar dos riscos.

"Esses protestos também evidenciam a resistência do povo afegão e das mulheres afegãs", disse à DW Nigara Mirdad, ex-diplomata afegã e ativista de direitos das mulheres. Segundo ela, os atos também destacam "a solidariedade dos homens afegãos com as mulheres do país", o que desafia a narrativa imposta pelo Talibã pela força e pela tirania nos últimos cinco anos.

<><> Um marco simbólico de cinco anos

A situação de confrontos em Herat se dá em um momento politicamente emblemático.

Em agosto, o Talibã completará cinco anos de seu retorno ao poder. Sua primeira passagem pelo governo, de 1996 a 2001, também durou cerca de cinco anos, antes de ruir após a invasão liderada pelos EUA em resposta aos ataques de 11 de setembro.

Poucos analistas esperam um colapso semelhante agora. O Talibã controla as instituições do Estado, o aparato de segurança e grande parte da vida pública. A oposição política foi esmagada, e a imprensa independente sofre severas restrições.

Ainda assim, o marco de cinco anos tem peso histórico. Ele lembra aos afegãos que o regime talibã, apesar de parecer inabalável, já desmoronou antes.

<><> Por que o Talibã intensifica o controle

Mohammad Osman Tariq, estudioso islâmico e vice-chefe do Conselho de Pesquisa dos Ulemás do Afeganistão, afirma que as medidas recentes indicam apreensão dentro do próprio regime.

O Talibã costuma apresentar muitas de suas restrições às mulheres como questões religiosas. Tariq rejeita essa interpretação e sustenta que o endurecimento tem como principal objetivo preservar o poder.

"Uma das razões pelas quais a atual administração talibã está endurecendo o controle e não permite que ninguém – nem mesmo mulheres – saia para protestar, e até quer proibir smartphones, é que vê tudo isso como uma ameaça ao seu domínio e existência", disse à DW. "Por isso, busca evitar isso de forma rígida."

Segundo ele, o humor da população mudou desde os primeiros anos do regime. Parte das pessoas que inicialmente apoiaram o Talibã ou acreditaram que o grupo havia mudado após duas décadas de insurgência agora se diz desiludida.

"É natural que o Talibã tema pela continuidade de seu governo", afirmou. "Eles sabem que, no fim, este é um regime de opressão e que vai colapsar. Até alguns integrantes do próprio grupo acreditam que ele não poderá durar."

<><> Proibição de smartphones aumenta temores

A repressão em Herat coincidiu com outra medida drástica: autoridades e funcionários do governo talibã foram instruídos a parar de usar smartphones. Vídeos que circularam nas redes parecem mostrar integrantes do grupo destruindo seus aparelhos em cumprimento à ordem.

Muitos afegãos temem agora que a restrição seja estendida a toda a população.

Em um país onde o jornalismo independente foi seriamente enfraquecido e repórteres enfrentam intimidação, os celulares se tornaram ferramentas políticas. Smartphones estão entre os poucos meios disponíveis para documentar abusos, registrar protestos e enviar provas a veículos de comunicação e organizações de direitos humanos no exterior.

A nova proibição indica o desejo do regime de controlar não apenas o que as pessoas fazem, mas também o que pode ser visto.

<><> Mulheres como alvo mais fácil

Shinkai Karokhail, ex-parlamentar afegã, diplomata e ativista de direitos humanos, afirma que a repressão também está ligada à incapacidade do regime de governar.

"Infelizmente, o regime talibã não conseguiu atender às necessidades da população, fornecer serviços públicos ou criar empregos", disse à DW. "Como consequência, teme agora uma revolta popular."

"Na visão deles, a população precisa ser intimidada e reprimida de várias formas para não levantar a voz", afirmou. "Para o Talibã, as mulheres são o alvo mais fácil, e contra elas se pode usar força para silenciá-las."

As prisões em Herat refletem um padrão mais amplo. Desde que voltou ao poder, o Talibã emitiu dezenas de decretos restringindo os direitos das mulheres. Meninas foram impedidas de estudar além do ensino fundamental, mulheres foram banidas das universidades, tiveram seu acesso ao trabalho limitado, foram excluídas de espaços públicos e passaram a ser submetidas a regras mais rígidas de vestimenta e circulação.

Enquanto o Talibã defende essas políticas como compatíveis com o Islã e a cultura local, ativistas afegãs veem nelas instrumentos políticos para apagar mulheres da vida pública e disseminar medo.

<><> Controle expõe crise de legitimidade

Para além das hostilidades com o Paquistão, o Talibã enfrenta hoje menos pressão internacional do que quando retomou o poder, em 2021. A Rússia reconheceu oficialmente as autoridades talibãs como governo do Afeganistão, enquanto outros países mantêm relações práticas, apesar de não concederem reconhecimento formal.

A ex-diplomata Nigara Mirdad afirma que a atenção global se voltou para outras crises.

"É impossível que eles continuem com as políticas adotadas nos últimos cinco anos", disse à DW, mas reconheceu que o contexto internacional ajudou o regime a permanecer no poder por mais tempo do que muitos esperavam.

Isso deixa os afegãos em uma situação difícil. Dentro do país, expressar indignação é perigoso. Fora dele, a comunidade internacional está mais preocupada com segurança, migração e estabilidade regional.

Os acontecimentos em Herat expõem as duas faces desse momento. O Talibã aperta o controle enquanto o mundo desvia o olhar. Mas os protestos mostram que controle não é sinônimo de legitimidade.

¨      Sob críticas, UE recebe Talibã para negociar deportações

Eurodeputados e ativistas pró-imigrantes criticaram as lideranças da União Europeia por receberem nesta terça-feira (23/06) uma delegação do Talibã em Bruxelas – pela primeira vez desde que o grupo fundamentalista retomou o poder no Afeganistão, em 2021, apesar de os próprios europeus até hoje não reconhecerem seu governo e terem sancionado diversos indivíduos ligados ao regime.

A reunião, denunciada por críticos como um gesto de legitimação dos islamistas, foi defendida pela UE como um passo para facilitar a deportação de imigrantes afegãos cujos pedidos de asilo no bloco tenham sido rejeitados e que tenham cometido crimes ou sejam considerados perigosos. O bloco argumenta que, para isso, é preciso manter diálogos limitados com as "autoridades de fato" do país.

De olho no eleitorado e na guinada de alguns países à direita, governos da UE têm aumentado seus esforços para controlar a imigração e deportar cidadãos indesejados.

"A capacidade de retornar indivíduos que não têm um direito legal de permanecer no país é um pilar central de um sistema credível e funcional de migração e asilo", disse após o encontro o ministro sueco de Migração, Johan Forssell. 

Participaram da reunião autoridades da Comissão Europeia, braço executivo da UE, e representantes de 15 Estados-membros. 

À agência de notícias Reuters, um porta-voz da diplomacia afegã disse que foram discutidos uma possível presença consular do Talibã na UE, a retomada de serviços consulares para afegãos no bloco e "a necessidade de medidas de construção de confiança".

<><> Quantos afegãos buscaram refúgio na UE?

O Afeganistão, que esteve em guerra de 2001 a 2021, foi tomado pelo Talibã após a saída das tropas dos Estados Unidos do país. Desde então, os islamistas têm restringido progressivamente os direitos da população, limitando a liberdade de movimento das mulheres, proibindo meninas de estudar além do ensino primário e impondo leis de moralidade que restringem a liberdade de expressão e o acesso ao emprego.

A ONG International Rescue Committee estima que cerca de 40% da população do país passe fome.

Os países da UE receberam cerca de 1 milhão de pedidos de asilo apresentados por afegãos entre 2013 e 2024, segundo dados oficiais do bloco. Cerca de metade desse total foi aprovada no período. 

É um número menor do que os cerca de 1,5 milhões de refugiados afegãos que a ACNUR, agência de refugiados da ONU, estima que vivam hoje no vizinho Paquistão.

"Somos 450 milhões de pessoas ao todo [na UE]. Não há motivo para pânico quando se fala de um certo número de migrantes fugindo do desespero ou da falta de oportunidades. Quanto mais da perseguição, que é motivo para buscarem proteção internacional", disse o eurodeputado espanhol Juan Fernando López Aguilar, da aliança social-democrata, ao jornal britânico The Guardian. "A migração não é uma ameaça, nem mesmo uma crise. É um fato constante da história da humanidade."

Dos 27 Estados-membros da UE, 20 manifestaram em outubro do ano passado interesse em deportar alguns migrantes afegãos sem direito de permanência. 

Alguns países já avançaram, com a Alemanha deportando mais de 100 afegãos com condenações criminais desde 2024, por meio de voos fretados facilitados pelo Catar, e a Áustria seguindo o exemplo.

<><> Visto de apenas um dia para o Talibã

A visita do Talibã foi duramente criticada por grupos de direitos humanos e alguns políticos europeus, que disseram que esse tipo de engajamento poderia colocar afegãos em risco e minar valores fundamentais da UE.

"A Comissão Europeia está convidando opressores de milhões de mulheres afegãs. Elas não podem se fazer ouvir. Nem ir a um parque. Nem trabalhar ou estudar. Convidar este regime cruel é uma bofetada para elas – e uma derrota para nossos valores", declarou a presidenta da delegação do Parlamento Europeu no Afeganistão, Raquel García Hermida van der Walle, à agência de notícias EFE.

Um grupo de 37 eurodeputados oriundos das bancadas verde, de esquerda, social-democrata e liberal chegou a enviar uma carta ao ministro belga do Exterior, Maxime Prévot, pedindo que barrasse a entrada dos representantes do Talibã.

O Ministério das Relações Exteriores da Bélgica havia emitido um visto que permitiu aos representantes afegãos entrar no país por apenas um dia e restringiu sua presença ao território belga, em vez de permitir a livre circulação normal na zona Schengen da UE.

<><> Afegãos em risco?

Países da UE e a Comissão negam que acolher autoridades do Talibã equivalha a reconhecer o governo em Cabul.

Para ativistas, porém, a abertura de diálogo prejudica a posição internacional do bloco em direitos humanos e suscita questionamentos sobre o que Bruxelas estaria disposta a oferecer a Cabul em troca de cooperação em migração.

"A Europa não deve legitimar um regime responsável por uma das piores crises de direitos humanos do mundo", disse no X a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Malala Yousafzai, ativista paquistanesa pelo direito das meninas à educação. Malala foi ela mesma vítima do Talibã, baleada por membros do grupo em 2012 a caminho da escola. "O Talibã apagou mulheres e meninas da vida pública."

Há também quem tema pela segurança de afegãos deportados, ou que as deportações acabem atingindo também aqueles sem condenações criminais.

"A consequência mais óbvia e perigosa é que afegãos serão enviados de volta pela UE e enfrentarão perseguição do Talibã após sua chegada", disse Jeff Crisp, ex-chefe de Desenvolvimento de Políticas e Avaliação da ACNUR e pesquisador visitante na Universidade de Oxford.

"Em um momento em que os afegãos seguem sofrendo perseguição, repressão e graves penúrias humanitárias, a UE deveria protegê-los, e não buscar novas formas de deportá-los para o perigo", afirmou Chiara Catelli, da ONG de defesa de migrantes Picum.

Um relatório publicado em 2025 pela ONU e citado pelo Guardian coletou relatos de afegãos que foram forçados a voltar para o seu país, a maioria vindos do Paquistão e Irã, sofreram prisão arbitrária, tortura e maus tratos nas mãos das autoridades. O direito internacional, porém, veta a deportação de pessoas que corram o risco de sofrer perseguição ou tortura.

¨      O que está por trás da aproximação entre Rússia e o Talibã

A Rússia e o Talibã assinaram um acordo de cooperação técnico-militar, em 27 de maio, em cerimônia com a presença do secretário do Conselho de Segurança russo, Sergei Shoigu, e do ministro da Defesa talibã, mulá Mohammad Yaqoob. O teor completo do acordo e do encontro não foi divulgado.

Ao voltar de Moscou, Yaqoob tratou logo de mandar um recado para um vizinho em especial. Ainda no aeroporto de Cabul, afirmou a repórteres que o acordo passaria a valer em breve e que, uma vez implementado, o Paquistão não ousaria mais realizar ataques contra o Afeganistão.

Ao mesmo tempo, o ministro afegão tentou minimizar preocupações internacionais sobre a cooperação militar entre o regime e Moscou. O grupo fundamentalista islâmico retomou o controle do país em 2021, após a retirada das tropas dos Estados Unidos e da Otan. Desde então, estabeleceu um governo "de facto", reconhecido formalmente apenas pela Rússia.

Yaqoob insistiu que o acordo não é um pacto de defesa ou segurança. Trata-se de um entendimento com o governo de Vladimir Putin voltado ao reparo e à manutenção de sistemas de armas de fabricação russa já presentes no arsenal afegão, incluindo helicópteros e outras aeronaves.

<><> História conturbada com a União Soviética

As tropas soviéticas invadiram o Afeganistão no fim de 1979 e permaneceram por uma década tentando sustentar um regime aliado. Após serem derrotadas por milícias financiadas pelos EUA, deixaram pra trás alguns sistemas de defesa. Muito desse equipamento continua em uso até hoje.

O que se seguiu foi um período de guerra civil entre milícias. O Talibã tomou o poder pela primeira vez em 1996. Em 2001, o regime foi derrubado pelos EUA e a Otan, que incluíram helicópteros russos, especialmente o modelo MI-17, na força aérea afegã. Pilotos e técnicos afegãos já eram familiarizados com esses equipamentos, considerados ainda mais adequados ao terreno acidentado do país.

Yaqoob chegou a sugerir que acordos semelhantes de reparo de patrimônio militar poderiam ser firmados com os EUA, observando que armamentos americanos também foram deixados para trás após a invasão e intervenção americana no país, que durou até 2021.

<><> Por que o momento do acordo importa

As declarações de Yaqoob ocorrem em meio ao aumento das tensões com o Paquistão, incluindo trocas de tiros na fronteira e ataques aéreos em território afegão. Islamabad acusa reiteradamente o Talibã de abrigar militantes do Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), também conhecido como Talibã paquistanês, acusação negada pelo grupo.

Enquanto o regime em Cabul busca reforçar suas capacidades militares e enviar um sinal ao Paquistão, a Rússia parece interessada em usar o apoio como propaganda, à medida que a influência ocidental diminui.

Segundo a agência estatal russa TASS, o secretário do Conselho de Segurança russo, Sergei Shoigu, manifestou oposição à instalação de bases ou infraestrutura militar dos EUA ou da Otan no Afeganistão ou em países vizinhos — uma posição alinhada ao objetivo de Moscou de manter a região sob um arranjo de segurança não ocidental.

<><> Relação "pragmática"

Abas Basir, ex-ministro do governo afegão deposto pelo Talibã, define a relação entre o grupo e a Rússia como "pragmática e baseada em interesses", mais do que uma aliança política genuína.

Na avaliação dele, uma das principais preocupações de Moscou é o Estado Islâmico Khorasan (ISIS-K) e o risco de o grupo usar o território afegão para desestabilizar a Ásia Central e, eventualmente, ameaçar a segurança interna russa. Como o Talibã combate o ISIS-K, Basir afirma que Moscou o vê como um "amortecedor de segurança relativo".

Para o Talibã, a aproximação traz legitimidade política regional e oportunidades econômicas, como comércio e importação de energia e grãos, em um momento de forte crise econômica. Basir observa ainda que o grupo busca diversificar suas relações externas para evitar depender de poucos aliados.

<><> Falta de transparência

Besmillah Taban, analista de segurança e política, alerta que ainda é cedo para tirar conclusões sobre o conteúdo do acordo, dado o histórico de ambos os lados de restringir informações.

Segundo ele, o Talibã também tem usado a visita a Moscou para melhorar sua imagem dentro de casa, em meio ao desgaste de confiança provocado pelos ataques paquistaneses.

Há ainda um movimento, observado por Taban, de moderação de expectativas por parte de Moscou. Depois que Yaqoob ampliou o alcance público do acordo, autoridades russas se apressaram em frisar que, por ora, o entendimento se limita à recuperação de equipamentos herdados da era soviética.

<><> Reaproximação apesar do passado

Há ainda a avaliação de que a aproximação entre Rússia e Talibã é parte de uma mudança regional mais ampla.

O pesquisador de relações internacionais afegão Idrees Rahmani observa que seu país tem sido arrastado para disputas entre potências devido à fragilidade estrutural de sua economia. Sem uma base sólida, governos tendem a se alinhar a quem afirma garantir a sobrevivência do país — o que tem seus custos, como depois vem à tona.

Ele aponta uma sobreposição de tensões, como a rivalidade entre EUA e China, o conflito entre Rússia e Ocidente pela guerra na Ucrânia, além da disputa entre Índia e Paquistão e as dinâmicas do Oriente Médio. Segundo Rahmani, o risco é que o Afeganistão seja lançado "como um redemoinho" em meio a essas turbulências.

A aproximação com Moscou chama atenção também pelo contexto histórico. A invasão soviética de 1979 e a guerra subsequente estão entre os maiores traumas do país, forçando milhões a fugir e moldando a sociedade afegã por décadas.

O fato de a Rússia agora se apresentar como parceira de segurança mostra como interesses geopolíticos podem rapidamente se rearranjar, relativizando o peso da história na política contemporânea.

O Talibã surgiu do cenário pós-soviético e construiu parte de sua legitimidade com base na retórica religiosa contra "ocupantes" estrangeiros. Hoje, ironicamente, mulá Yaqoob, filho do fundador do grupo, mulá Omar, exalta um acordo militar com a potência que um dia invadiu o Afeganistão.

 

Fonte: DW Brasil

 

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