sábado, 27 de junho de 2026

Caso Master: As ligações perigosas de Jaques Wagner e o risco de Rui Costa também está no bolo

Considerado o maior golpe já sofrido por Jaques Wagner (PT), liderança que iniciou a dinastia do petismo na Bahia há 20 anos, as revelações sobre suas ligações perigosas com o empresário Guga Lima, sócio baiano de Daniel Vorcaro no Master, abalaram a moral do partido, dos governos federal e estadual e das demais lideranças na Bahia da sigla, aonde se teme a extensão das apurações da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema de fraudes, propinas e corrupção do banqueiro.

<><> Risco

Por enquanto, o temor maior é de que, além de Wagner, as investigações alcancem o ex-ministro Rui Costa, parceiro do senador nas tratativas e medidas que levaram o Master, por meio da relação com Guga, a adquirir musculatura e tração nacionais, através de produtos como o Credcesta e do sistema de crédito consignado em contas de servidores dos órgãos estaduais baianos que foram reproduzidos com sucesso - para o banco - em outros Estados e, inclusive, no governo federal.

<><> Estrago maior

A avaliação é a de que se as apurações chegarem a Rui, depois do estrago que fizeram em Wagner, os petistas verão seu principal ativo eleitoral no Estado ser atingido, com consequências imprevisíveis sobre a candidatura à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), único quadro importante do petismo na Bahia que, se acredita, passará incólume em meio às denúncias contra Guga e Vorcaro. Mas não apenas sobre ele. O entorno do presidente Lula também se preocupa com o andamento da Compliance.

<><> Bola da vez

Em Brasília, circulam abertamente informações de que Rui é a próxima bola da vez das investigações, motivo porque a tropa de choque do presidente da República se prepara para vários cenários dramáticos nos próximos dias. Por enquanto, o fator maior de preocupação, no entanto, é Wagner, que resiste a deixar a liderança do governo, desconsiderando que a posição é um dos motivos para o grau de exposição de que tem sido vítima e vitimado todos no seu entorno, inclusive Lula.

<><> 'Malandrão carioca'

Nas rodas petistas-raiz que sempre torceram o nariz para ele, Wagner é conhecido pelo apelido de "malandrão carioca" desde que comprou, logo após ter deixado o comando do governo baiano, seu primeiro apartamento na Vitória, para cuja aquisição arrumou uma desculpa para lá de fajuta na época que incluía até o improvável empréstimo de um irmão. Neste grupo, as últimas revelações da Polícia Federal acabaram liquidando de vez o respeito pelo líder petista.

<><. 'Sementinha do mal'

Não é apenas sobre Rui que Brasília se debruça na expectativa de que será o próximo alvo da Compliance Zero. João Roma (PL), candidato a senador na chapa do postulante ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil), é outro nome mencionado com frequência quando se fala sobre o andamento das apurações. Foi ele que levou a 'sementinha' do Credcesta para o governo Jair Bolsonaro (PL), abrindo o caminho para o esquema que atingiu o INSS e turbinando os canais do senador Flávio (PL) com Vorcaro.

<><>Fantasmão

Um petista de São Paulo muito amigo da Radar do Poder, acusado de ser o responsável pelo jocoso apelido de "República da Bahia", como os representantes baianos próximos a Lula passaram ser chamados desde a eclosão do escândalo com Wagner, diz que o grupo não cansa de criar problemas para o governo em Brasília. A última, segundo ele, teriam sido as declarações de José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo lulista, ao jornal O Globo, que deixaram o mercado assustado.

<><> Vem ou não vem?

Não é por outro motivo que, na equipe direta do presidente, há quem defenda ostensivamente que Lula não venha mais para o 2 de Julho ou então que se dê um jeito de Wagner não dar as caras na festa no caso de o presidente decidir comparecer - como foi revelado por este Política Livre -, modelo que deve ser usado para outras virtuais programações do petista na Bahia, dada a aura radiativa adquirida pelo senador, com a qual se estima que terá que lidar até depois das eleições.

•        Sob pressão do caso Master, Rui Costa e Wagner evitam festejos juninos na Bahia; limpinho, por ora, Jerônimo manteve agenda

 Depois de ter sido alvo da Polícia Federal e arrastado para as investigações relacionadas ao Banco Master, o senador Jaques Wagner (PT) decidiu não participar dos festejos juninos na Bahia este ano. O petista foi alvo de mandados de busca e apreensão na semana passada durante uma nova fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de pagamentos vinculados ao banco de Daniel Vorcaro e ao seu ex-sócio, o banqueiro baiano Augusto Lima.

Apesar de não ser alvo da investigação, o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), também evitou as ruas durante o período junino. Da chapa majoritária puro-sangue, apenas o governador Jerônimo Rodrigues (PT) manteve agenda pública.  

A ausência, na avaliação de interlocutores, chama atenção por se tratar de uma das datas mais importantes do calendário político baiano, especialmente em um ano pré-eleitoral, e pelo fato de ter dado de bandeja ao ex-prefeito de Salvador e pré-candidato da oposição ao Governo do estado, ACM Neto (União Brasil), o protagonismo das agendas.

Rui Costa compensou a ausência física pela presença digital. Nas redes sociais, sua equipe publicou pelo menos três postagens alusivas ao período para manter sua imagem associada à tradição da festa. Nenhuma delas, porém, teve aparição em vídeo de Rui. Já nas redes de Wagner, não houve nenhuma menção à data.

Mesmo com seus dois principais aliados ‘indoor’, o governador Jerônimo manteve uma intensa agenda pelo interior do estado. Desde o início dos festejos, ele passou pelo São João de Irecê, fez entregas em Riacho de Santana e Irajuba, depois em Cabaceiras do Paraguaçu e ainda curtiu o São João em Senhor do Bonfim, Jaguarari e Serrinha.

<><> All alone

Na avaliação de aliados, a operação contra Wagner acabou fazendo ACM Neto nadar de braçada na agenda do São João. Sob o constrangimento do noticiário nacional que passou a associar lideranças petistas ao caso Master, Wagner e Rui, preferiram adotar a discrição durante o período junino. Sem a tradicional disputa por espaço nas festas do interior, ACM Neto circulou livremente pelos municípios em um dos momentos mais importantes do calendário eleitoral.

•        Wagner se reúne com Lula e deixa liderança do governo no Senado após PF apontar 'vantagens indevidas' para atuar pelo Master

O senador Jaques Wagner (PT) decidiu nesta quarta-feira (24) deixar o cargo de líder do governo no Senado. Ele estava pressionado a sair do posto depois de ter sido alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de ter recebido pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Wagner resistia à ideia de deixar a liderança do governo. Sua saída foi consumada depois de reunião de cerca de duas horas com o presidente Lula (PT). O chefe do governo estudava demitir seu aliado, mas preferia que o próprio senador tomasse a iniciativa de se afastar.

Lula, que concorrerá à reeleição neste ano, quer evitar que sua candidatura seja contaminada pelo escândalo do Banco Master.

Na última segunda-feira (22), a defesa de Wagner apresentou recurso contra decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a busca e apreensão nos endereços do senador. No pedido, a equipe negou a acusação da PF de que Wagner tenha atuado em favor do Master no Congresso Nacional e afirmou que há "erros graves" na medida.

Com o recurso, a defesa procura, por exemplo, anular as provas obtidas com a busca e apreensão em endereços do senador. Caso Mendonça negue o pedido, os advogados devem recorrer à Segunda Turma do Supremo.

A decisão de deixar o posto era esperada por parte dos aliados de Wagner.  O movimento é um gesto para tentar preservar a gestão petista em meio a escândalo, que surpreendeu governistas.

Jaques Wagner ocupava o posto de líder do governo no Senado desde o início do atual mandato de Lula (PT). Foi anunciado ainda durante o governo de transição, em dezembro de 2022. Ex-governador da Bahia, ele é um dos principais nomes do PT no estado e um dos aliados mais próximos do presidente.

Lula e Wagner se conhecem há quase 50 anos e se tornaram amigos ao longo dessas décadas. O senador foi um dos principais políticos que mantiveram apoio ao hoje presidente da República quando ele foi preso, em 2018.

Interlocutores ouvidos pela reportagem afirmam que o senador já quis entregar a liderança duas vezes após derrotas do governo no Congresso, mas Lula não teria deixado. A primeira tentativa de abandonar o cargo ocorreu com a aprovação do PL da Dosimetria, que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e, depois, quando Jorge Messias teve sua indicação ao STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitada.

Agora, o governo teme que ação contra Wagner esvazie o efeito de revelações sobre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também manteve relação com Vorcaro e chegou a pedir dinheiro ao ex-banqueiro para financiar o filme sobre seu pai.

Lula já havia questionado Wagner, em reuniões privadas, sobre notícias acerca de sua relação com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Segundo relatos, nessas ocasiões o senador tranquilizou o presidente, afirmando não haver envolvimento com o caso.

A coluna Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo, também apurou que o presidente já estava preparado para a possibilidade de o escândalo do Banco Master atingir pessoas do núcleo de seu governo, especialmente da Bahia, e já teria inclusive ensaiado a resposta para dar.

A expectativa no Planalto é que Lula reitere discurso em favor das operações iniciadas em seu próprio governo e faça um pedido de explicações a Wagner.

<><> Apesar das evidências, governador Jerônimo Rodrigues manifesta apoio a Wagner

Jerônimo Rodrigues (PT) manifestou apoio a Jaques Wagner (PT) após o senador deixar a liderança do governo Lula nesta quarta-feira (24), em meio às investigações da Polícia Federal que apontam supostas vantagens indevidas relacionadas ao Banco Master. Em publicação na rede social X, o governador afirmou ter total confiança no parlamentar e disse acreditar que ele conseguirá se defender das acusações.

“Minha confiança no senador é total e tenho certeza de que irá se defender de todas as injustiças. E seguirá se dedicando ao nosso estado e ao nosso país como senador e figura fundamental nessa caminhada de transformações e avanços na Bahia e no Brasil”, escreveu Jerônimo.

O governador também ressaltou o papel do senador na política baiana e nacional. “A Bahia e o Brasil reconhecem o importante trabalho realizado pelo senador Jaques Wagner na liderança do governo do presidente Lula. A experiência, o senso democrático e o dom conciliador de Wagner foram fundamentais para a reconstrução da democracia e da soberania brasileira”.

A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira (18), apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Além do senador, foram alvos Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário no governo Jerônimo Rodrigues (PT).

Os investigadores identificaram um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Lima ao "núcleo familiar" de Jaques Wagner, o que segundo o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, é uma das evidências de proximidade entre o parlamentar e o senador.

Wagner também teria recebido de Lima um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, além de viagens gratuitas em jatinhos ligados ao Master, e ingressos para assistir a um show de uma "cantora internacional" em Los Angeles, em 2023.

Em endereços ligados ao senador, agentes da Polícia Federal encontraram US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais).

 

Fonte: Política Livre

 

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