Caso
Master: As ligações perigosas de Jaques Wagner e o risco de Rui Costa também está
no bolo
Considerado
o maior golpe já sofrido por Jaques Wagner (PT), liderança que iniciou a
dinastia do petismo na Bahia há 20 anos, as revelações sobre suas ligações
perigosas com o empresário Guga Lima, sócio baiano de Daniel Vorcaro no Master,
abalaram a moral do partido, dos governos federal e estadual e das demais
lideranças na Bahia da sigla, aonde se teme a extensão das apurações da
Operação Compliance Zero, que investiga o esquema de fraudes, propinas e
corrupção do banqueiro.
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Risco
Por
enquanto, o temor maior é de que, além de Wagner, as investigações alcancem o
ex-ministro Rui Costa, parceiro do senador nas tratativas e medidas que levaram
o Master, por meio da relação com Guga, a adquirir musculatura e tração
nacionais, através de produtos como o Credcesta e do sistema de crédito
consignado em contas de servidores dos órgãos estaduais baianos que foram
reproduzidos com sucesso - para o banco - em outros Estados e, inclusive, no
governo federal.
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Estrago maior
A
avaliação é a de que se as apurações chegarem a Rui, depois do estrago que
fizeram em Wagner, os petistas verão seu principal ativo eleitoral no Estado
ser atingido, com consequências imprevisíveis sobre a candidatura à reeleição
do governador Jerônimo Rodrigues (PT), único quadro importante do petismo na
Bahia que, se acredita, passará incólume em meio às denúncias contra Guga e
Vorcaro. Mas não apenas sobre ele. O entorno do presidente Lula também se
preocupa com o andamento da Compliance.
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Bola da vez
Em
Brasília, circulam abertamente informações de que Rui é a próxima bola da vez
das investigações, motivo porque a tropa de choque do presidente da República
se prepara para vários cenários dramáticos nos próximos dias. Por enquanto, o
fator maior de preocupação, no entanto, é Wagner, que resiste a deixar a
liderança do governo, desconsiderando que a posição é um dos motivos para o
grau de exposição de que tem sido vítima e vitimado todos no seu entorno,
inclusive Lula.
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'Malandrão carioca'
Nas
rodas petistas-raiz que sempre torceram o nariz para ele, Wagner é conhecido
pelo apelido de "malandrão carioca" desde que comprou, logo após ter
deixado o comando do governo baiano, seu primeiro apartamento na Vitória, para
cuja aquisição arrumou uma desculpa para lá de fajuta na época que incluía até
o improvável empréstimo de um irmão. Neste grupo, as últimas revelações da
Polícia Federal acabaram liquidando de vez o respeito pelo líder petista.
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'Sementinha do mal'
Não é
apenas sobre Rui que Brasília se debruça na expectativa de que será o próximo
alvo da Compliance Zero. João Roma (PL), candidato a senador na chapa do
postulante ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil), é outro nome mencionado
com frequência quando se fala sobre o andamento das apurações. Foi ele que
levou a 'sementinha' do Credcesta para o governo Jair Bolsonaro (PL), abrindo o
caminho para o esquema que atingiu o INSS e turbinando os canais do senador
Flávio (PL) com Vorcaro.
<><>Fantasmão
Um
petista de São Paulo muito amigo da Radar do Poder, acusado de ser o
responsável pelo jocoso apelido de "República da Bahia", como os
representantes baianos próximos a Lula passaram ser chamados desde a eclosão do
escândalo com Wagner, diz que o grupo não cansa de criar problemas para o
governo em Brasília. A última, segundo ele, teriam sido as declarações de José
Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo lulista, ao jornal O
Globo, que deixaram o mercado assustado.
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Vem ou não vem?
Não é
por outro motivo que, na equipe direta do presidente, há quem defenda
ostensivamente que Lula não venha mais para o 2 de Julho ou então que se dê um
jeito de Wagner não dar as caras na festa no caso de o presidente decidir
comparecer - como foi revelado por este Política Livre -, modelo que deve ser
usado para outras virtuais programações do petista na Bahia, dada a aura
radiativa adquirida pelo senador, com a qual se estima que terá que lidar até
depois das eleições.
• Sob pressão do caso Master, Rui Costa e
Wagner evitam festejos juninos na Bahia; limpinho, por ora, Jerônimo manteve
agenda
Depois de ter sido alvo da Polícia Federal e
arrastado para as investigações relacionadas ao Banco Master, o senador Jaques
Wagner (PT) decidiu não participar dos festejos juninos na Bahia este ano. O
petista foi alvo de mandados de busca e apreensão na semana passada durante uma
nova fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de pagamentos
vinculados ao banco de Daniel Vorcaro e ao seu ex-sócio, o banqueiro baiano
Augusto Lima.
Apesar
de não ser alvo da investigação, o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT),
também evitou as ruas durante o período junino. Da chapa majoritária
puro-sangue, apenas o governador Jerônimo Rodrigues (PT) manteve agenda
pública.
A
ausência, na avaliação de interlocutores, chama atenção por se tratar de uma
das datas mais importantes do calendário político baiano, especialmente em um
ano pré-eleitoral, e pelo fato de ter dado de bandeja ao ex-prefeito de
Salvador e pré-candidato da oposição ao Governo do estado, ACM Neto (União
Brasil), o protagonismo das agendas.
Rui
Costa compensou a ausência física pela presença digital. Nas redes sociais, sua
equipe publicou pelo menos três postagens alusivas ao período para manter sua
imagem associada à tradição da festa. Nenhuma delas, porém, teve aparição em
vídeo de Rui. Já nas redes de Wagner, não houve nenhuma menção à data.
Mesmo
com seus dois principais aliados ‘indoor’, o governador Jerônimo manteve uma
intensa agenda pelo interior do estado. Desde o início dos festejos, ele passou
pelo São João de Irecê, fez entregas em Riacho de Santana e Irajuba, depois em
Cabaceiras do Paraguaçu e ainda curtiu o São João em Senhor do Bonfim,
Jaguarari e Serrinha.
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All alone
Na
avaliação de aliados, a operação contra Wagner acabou fazendo ACM Neto nadar de
braçada na agenda do São João. Sob o constrangimento do noticiário nacional que
passou a associar lideranças petistas ao caso Master, Wagner e Rui, preferiram
adotar a discrição durante o período junino. Sem a tradicional disputa por
espaço nas festas do interior, ACM Neto circulou livremente pelos municípios em
um dos momentos mais importantes do calendário eleitoral.
• Wagner se reúne com Lula e deixa
liderança do governo no Senado após PF apontar 'vantagens indevidas' para atuar
pelo Master
O
senador Jaques Wagner (PT) decidiu nesta quarta-feira (24) deixar o cargo de
líder do governo no Senado. Ele estava pressionado a sair do posto depois de
ter sido alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de ter recebido
pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Wagner
resistia à ideia de deixar a liderança do governo. Sua saída foi consumada
depois de reunião de cerca de duas horas com o presidente Lula (PT). O chefe do
governo estudava demitir seu aliado, mas preferia que o próprio senador tomasse
a iniciativa de se afastar.
Lula,
que concorrerá à reeleição neste ano, quer evitar que sua candidatura seja
contaminada pelo escândalo do Banco Master.
Na
última segunda-feira (22), a defesa de Wagner apresentou recurso contra decisão
do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a
busca e apreensão nos endereços do senador. No pedido, a equipe negou a
acusação da PF de que Wagner tenha atuado em favor do Master no Congresso
Nacional e afirmou que há "erros graves" na medida.
Com o
recurso, a defesa procura, por exemplo, anular as provas obtidas com a busca e
apreensão em endereços do senador. Caso Mendonça negue o pedido, os advogados
devem recorrer à Segunda Turma do Supremo.
A
decisão de deixar o posto era esperada por parte dos aliados de Wagner. O movimento é um gesto para tentar preservar
a gestão petista em meio a escândalo, que surpreendeu governistas.
Jaques
Wagner ocupava o posto de líder do governo no Senado desde o início do atual
mandato de Lula (PT). Foi anunciado ainda durante o governo de transição, em
dezembro de 2022. Ex-governador da Bahia, ele é um dos principais nomes do PT
no estado e um dos aliados mais próximos do presidente.
Lula e
Wagner se conhecem há quase 50 anos e se tornaram amigos ao longo dessas
décadas. O senador foi um dos principais políticos que mantiveram apoio ao hoje
presidente da República quando ele foi preso, em 2018.
Interlocutores
ouvidos pela reportagem afirmam que o senador já quis entregar a liderança duas
vezes após derrotas do governo no Congresso, mas Lula não teria deixado. A
primeira tentativa de abandonar o cargo ocorreu com a aprovação do PL da
Dosimetria, que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e, depois,
quando Jorge Messias teve sua indicação ao STF (Supremo Tribunal Federal)
rejeitada.
Agora,
o governo teme que ação contra Wagner esvazie o efeito de revelações sobre o
pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também manteve
relação com Vorcaro e chegou a pedir dinheiro ao ex-banqueiro para financiar o
filme sobre seu pai.
Lula já
havia questionado Wagner, em reuniões privadas, sobre notícias acerca de sua
relação com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Segundo relatos, nessas ocasiões
o senador tranquilizou o presidente, afirmando não haver envolvimento com o
caso.
A
coluna Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo, também apurou que o
presidente já estava preparado para a possibilidade de o escândalo do Banco
Master atingir pessoas do núcleo de seu governo, especialmente da Bahia, e já
teria inclusive ensaiado a resposta para dar.
A
expectativa no Planalto é que Lula reitere discurso em favor das operações
iniciadas em seu próprio governo e faça um pedido de explicações a Wagner.
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Apesar das evidências, governador Jerônimo Rodrigues manifesta apoio a Wagner
Jerônimo
Rodrigues (PT) manifestou apoio a Jaques Wagner (PT) após o senador deixar a
liderança do governo Lula nesta quarta-feira (24), em meio às investigações da
Polícia Federal que apontam supostas vantagens indevidas relacionadas ao Banco
Master. Em publicação na rede social X, o governador afirmou ter total
confiança no parlamentar e disse acreditar que ele conseguirá se defender das
acusações.
“Minha
confiança no senador é total e tenho certeza de que irá se defender de todas as
injustiças. E seguirá se dedicando ao nosso estado e ao nosso país como senador
e figura fundamental nessa caminhada de transformações e avanços na Bahia e no
Brasil”, escreveu Jerônimo.
O
governador também ressaltou o papel do senador na política baiana e nacional.
“A Bahia e o Brasil reconhecem o importante trabalho realizado pelo senador
Jaques Wagner na liderança do governo do presidente Lula. A experiência, o
senso democrático e o dom conciliador de Wagner foram fundamentais para a
reconstrução da democracia e da soberania brasileira”.
A nova
fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira (18), apura
suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Além do
senador, foram alvos Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e
secretário no governo Jerônimo Rodrigues (PT).
Os
investigadores identificaram um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa
ligada a Lima ao "núcleo familiar" de Jaques Wagner, o que segundo o
ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, é uma das evidências de
proximidade entre o parlamentar e o senador.
Wagner
também teria recebido de Lima um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5
milhões, além de viagens gratuitas em jatinhos ligados ao Master, e ingressos
para assistir a um show de uma "cantora internacional" em Los
Angeles, em 2023.
Em
endereços ligados ao senador, agentes da Polícia Federal encontraram US$ 55 mil
e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais).
Fonte:
Política Livre

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