Para
impedir que o ódio se utilize da religião
Desde
os primórdios, a humanidade sempre esteve submetida à ação dos manipuladores de
seus sentimentos para que os interesses característicos de certos grupos fossem
mantidos, ou conquistados.
Assim,
também desde sempre, um dos principais instrumentos aos quais os manipuladores
recorrem para a concretização de seus planos tem a ver com a religião, ou com
temas a ela correlacionados.
Por
isso, considero quase que impossível vislumbrar uma resposta para este tipo de
problemas sem que tenhamos igualmente uma boa compreensão do significado dos
fatores que dão embasamento aos sentimentos religiosos e às religiões como
instituições organizadas da sociedade.
Antes
de avançar nos pontos realmente merecedores de serem qualificados como dignos
de atenção, quero deixar bem claro desde o princípio que considero totalmente
irrelevante a discussão sobre a existência ou não de Deus, o ser supremo,
criador e regedor de tudo o que existe no mundo.
E o
teor de minha argumentação deveria ser bem compreendido e aceito por todos, em
especial por aqueles que acreditam com sinceridade que a existência de Deus é
uma realidade indiscutível.
Inegavelmente,
para que sua autoridade se imponha de fato e que seus seguidores a acatem e
obedeçam voluntariamente, é imperativo que Deus incorpore tão somente causas,
ideias e motivações que nos conduzam no rumo do bem, da justiça e da
solidariedade entre toda a humanidade. Por expressar a bondade em seu nível
mais elevado, seria inadmissível que suas orientações apontassem em sentido
oposto.
Um ser
com toda essa magnanimidade jamais teria como sua preocupação cobrar de suas
criaturas declarações públicas de sua crença. A única prova indispensável de
fidelidade que corresponde a seu caráter é exigir que seus seguidores vivam
inteiramente dedicados a defender e exercitar na prática a luta para atingir os
objetivos de bondade por ele traçados.
Em
consequência, todas as boas ações humanas são de seu agrado, mesmo quando
feitas sem mencioná-lo. Por outro lado, nenhuma maldade tem sua aprovação,
ainda que quem a cometa invoque seu nome para tal. Isto se deve a que, como já
visto, a mais contundente prova de lhe ser fiel é obrar em perfeita sintonia
com seus desígnios, ou seja, praticar efetivamente o bem.
Havendo
feito os esclarecimentos das linhas anteriores, podemos tentar extrair algumas
lições determinantes para nossa boa orientação.
Como
saber se o caminho que nos está sendo sugerido corresponde de verdade à vontade
de Deus? Para responder corretamente a esta indagação, o que menos importa é
quantas vezes seu nome é pronunciado por quem nos transmite a orientação, e sim
analisar se os propósitos indicados estão ou não alinhados com o que poderia
ser condizente com nossa divindade suprema do bem.
A
maneira mais adequada de avaliar se as orientações que nos estão sendo passadas
correspondem ou não com os desejos de Deus é recorrer ao maravilhoso
instrumento que nos foi proporcionado para dirimir dúvidas: nossa capacidade de
raciocinar.
É
simplesmente inadmissível que alguém dotado da exclusiva faculdade mental de
discernir entre o bem e o mal não se ponha a refletir sobre as propostas que
lhe são apresentadas antes de sua aceitação.
Se o
ser humano conta com este exclusivo dom de refletir para distinguir o certo do
errado, o justo do injusto, então, sua obrigação e seu dever é sempre fazer uso
do mesmo.
Obedecer
cegamente certas ordens apenas por terem sido apresentadas como se fossem de
Deus é uma enorme violação de nossos deveres para com o próprio criador. Se ele
nos gerou com o poder do raciocínio, como é possível imaginar que nos proibiria
usá-lo? Seguramente, só seus mais encarniçados inimigos querem impedir isto. É
que eles temem ser desmascarados quando raciocinamos.
Seguindo
adiante com nossas reflexões, podemos nos perguntar: Sendo Deus o criador de
toda a humanidade, por que ele discriminaria alguns e privilegiaria outros? Faz
algum sentido a ideia de que ele tem um povo de sua preferência, ao qual
reserva um lugar e um futuro especial em seu reino?
Conforme
concluímos após um pouco de reflexão, caso fosse assim, esse deus não passaria
de um racista, um ser maldoso, indigno, que mereceria ser rechaçado e condenado
por todos os que defendem os princípios da justiça e da bondade.
Mas,
evidentemente, foram os espertalhões manipuladores os inventores dessa história
de que Deus tem um povo escolhido. Por meio dessa argumentação, eles tratavam
de obter benesses para si mesmos em detrimento do conjunto da humanidade.
Porém,
quando fazemos uma análise criteriosa desta questão, torna-se mais fácil
deduzir que esse favorecimento de uns em prejuízo dos demais é uma
característica maligna, é algo muito mais típico do diabo, que nunca poderia
estar associado à figura do Deus do bem.
Basta
observar o crime que os sionistas israelenses estão cometendo atualmente na
Palestina, com o massacre de crianças, mulheres e todo um povo indefeso, para
concluir que nenhuma divindade bondosa jamais daria sua aprovação a tão
abominável atrocidade.
Mesmo
assim, por instância de certos pilantras e farsantes pseudo-religiosos, há
muitos que se consideram cristãos entre os principais apoiadores do genocídio
do povo palestino.
Como é
sabido, os estudos científicos sobre a psicologia de massas revelam o enorme
potencial do ódio para forjar e conquistar a adesão de grande número de pessoas
com o intuito de jogá-las contra outros grupos humanos.
Os
manipuladores sabem bem que um grupo de gente tomado pela fúria dispõe-se a
tolerar e cometer quaisquer monstruosidades, por mais terríveis que sejam,
contra os alvos de sua ira.
Em
ilustração do que acaba de ser referido, podemos recordar o período em que o
Brasil esteve submetido à intensa campanha midiática de endeusamento da mais
tenebrosa quadrilha do crime organizado em atividade em nosso país, a chamada
Operação Lava-Jato.
Visando
favorecer os interesses das classes dominantes e os de seus mentores do
imperialismo, esse bando de facínoras não hesitou em desviar bilhões e bilhões
de recursos públicos para benefício dos membros da quadrilha e em empenhar-se
na destruição da base da indústria nacional. Tudo com vista a possibilitar que
seus patrocinadores dos centros imperialistas pudessem garantir seu domínio
sobre nossa nação.
Entretanto,
esses crimes avassaladores contaram com a tolerância, e até mesmo com o apoio,
de boa parte de nossa população, na qual a massacrante campanha midiática de
manipulação de sentimentos havia injetado o veneno do ódio contra os pretensos
“corruptos do PT”.
Ou
seja, para propiciar uma gigantesca roubalheira, a pilhagem do país e abrir as
portas para o imperialismo, os mais corruptos, depravados e entreguistas
serviçais dos interesses antinacionais falavam que estavam “combatendo a
corrupção”. E o ódio despejado sobre nossa população pelos instrumentos a
serviço das classes dominantes possibilitou que os inimigos da pátria
obtivessem uma vitória parcial naquele momento.
É
recorrendo a esse mesmo modelo de indução hipócrita de ódio por quem quer
cometer os delitos que diz estar combatendo que atuam certas correntes
políticas pseudo-religiosas, fundamentalmente as do âmbito do chamado
neopentecostalismo.
Assim,
é comum observar como certos aproveitadores da pior espécie, agentes do mal e
inimigos mortais de tudo o que a figura de Jesus simboliza, inoculam e
disseminam seu mais venenoso ódio entre os adeptos de suas instituições sob o
pretexto de estarem numa campanha frontal contra as forças do diabo.
Contudo,
esses falsos cristãos são os mais evidentes propulsores de infames hipocrisias
que poderiam claramente ser atribuídas aos senhor das trevas. No entanto, seu
propósito real é apoiar os ricos contra os pobres, manter o Estado
exclusivamente com a função de garantir os privilégios dos grandes bilionários.
Por isso, eles são contrários a tudo o que se proponha a amenizar o sofrimento
dos mais carentes.
Portanto,
não à toa, embora se declarem ferrenhos inimigos do bolsa-família, alegando que
serve para sustentar vagabundos, estavam plenamente integrados no esquema de
ladroagem do Banco Master e se locupletaram até o talo com o roubo dos recursos
públicos destinados a atender os aposentados e pensionistas. Uma vez mais,
crimes diabólicos sendo praticados por pilantras que ousam dizer que falam em
nome de Deus.
Resumindo
conclusivamente, é muito importante que os que nos identificamos sinceramente
com as maiorias populares e o conjunto da nação reiteremos nossa mensagem em
defesa do direito de que todos possam ter e cultuar a religião que considerem
mais afim com sua visão de mundo. Não obstante, devemos também deixar bem
evidente que somos frontalmente contrários à manipulação de conceitos
religiosos com a pretensão de privilegiar os exploradores de nosso povo.
Em
decorrência do já exposto, precisamos estar alertas para impedir que o ódio
continue servindo como um eficaz instrumento das classes dominantes e seus
auxiliares subalternos.
Sabemos
que os sentimentos que atraem as pessoas para a religião são originalmente
derivados da busca de um mundo mais justo. Além disso, temos ciência de que uma
coisa é ter um sentimento de caráter espiritual e outra bem diferente é a
maneira como certas instituições que se autodenominam religiosas desenvolvem
suas atividades.
Neste
esforço por construir um mundo melhor, cabe-nos a tarefa de zelar para que os
agentes do ódio não consigam manipular a fé daqueles que vão à procura de Deus.
Tendo ou não religião, devemos estar sempre dispostos a entender e contribuir
com todas as medidas que efetivamente signifiquem uma melhoria de vida para
nossa gente. De igual maneira, devemos nos opor com determinação aos que
almejem empregar conceitos e instituições religiosas com o propósito de manter
ou aprofundar as condições de subordinação das maiorias para favorecimento dos
exploradores.
• Memorial lembra testemunhas de Jeová
perseguidas no nazismo
Um
memorial para homenagear as testemunhas de Jeová perseguidas pelo regime da
Alemanha nazista foi inaugurado em um parque de Berlim nesta quarta-feira
(24/06), 81 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial.
"Este
memorial é dedicado às pessoas que sofreram amarga injustiça e, ainda assim,
repetidamente demonstraram humanidade", disse Julia Klöckner, presidente
do Bundestag (Parlamento alemão), durante a cerimônia de inauguração no parque
Tiergarten.
Membros
das testemunhas de Jeová, um movimento religioso de origem cristã que surgiu
nos Estados Unidos no século 19, foram sistematicamente perseguidos na Alemanha
e em outras partes da Europa durante o regime nazista, de 1933 a 1945. Ao menos
1.750 testemunhas de Jeová foram mortas nesse período.
"Quase
14 mil testemunhas de Jeová – mulheres e homens – foram presas, incluindo 4.200
em campos de concentração, onde foram estigmatizadas com um 'triângulo
roxo'", afirma a fundação em seu site.
Eles
praticavam sua religião em segredo, já que haviam sido banidos por Hitler.
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Não faziam saudação nazista
Segundo
a fundação federal responsável pelo memorial, os membros dessa religião
rejeitavam Adolf Hitler, se recusavam a fazer a saudação nazista, não se
filiavam a organizações estatais, fugiam do serviço militar e ajudavam outras
pessoas que estavam sendo perseguidas.
A
fundação também administra o memorial do Holocausto em Berlim, um amplo espaço
no centro da cidade, próximo do Portão de Brandemburgo, e não muito distante do
memorial às testemunhas de Jeová.
Com
cinco metros de altura, o memorial de bronze foi projetado pelo artista
Matthias Leeck para se assemelhar a uma árvore que permanece firme, mesmo com
seus galhos cortados.
O
memorial foi erguido próximo ao lago dos peixes dourados no parque Tiergarten,
onde um grupo de testemunhas de Jeová foi preso pela polícia da Gestapo em 22
de agosto de 1936, segundo a fundação. Ao menos 17 morreram em consequência das
torturas sofridas.
Na
época, os membros costumavam se reunir próximo do lago para trocar informações
secretamente.
"A
Gestapo realizou sua batida exatamente aqui, onde 17 pessoas corajosas
posteriormente perderam a vida", disse Wolfram Weimer, comissário de
cultura da Alemanha, durante a cerimônia.
Na
ocasião, Klöckner observou que, mesmo após o fim do domínio nazista, algumas
comunidades religiosas continuaram a ser vistas com desconfiança no país. É por
isso, disse Klöckner, que o memorial demorou tanto para ser construído – a obra
cumpre uma lei aprovada no parlamento em 2023.
"A
fé delas permaneceu estranha e suspeita para muitas pessoas. Sua perseguição e
sofrimento não foram suficientemente reconhecidos", afirmou.
Hoje,
as testemunhas de Jeová somam 180 mil pessoas na Alemanha; na década de 1930,
eram 25 mil, segundo a agência de notícias AFP.
Além de
ter sido responsável pela morte de 6 milhões de judeus, o nazismo também
perseguiu e assassinou dissidentes, homossexuais, vadios e desajustados,
pessoas de etnia sinti ou roma, comunistas, pessoas com deficiência e eslavos.
Fonte:
Por Jair de Souza, em Brasil 247/DW Brasil

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