sábado, 27 de junho de 2026

Restrita no Brasil, vacina de HPV zera mortes por câncer na Inglaterra

A vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano) alcançou um marco histórico na saúde pública mundial. Dados de um estudo populacional realizado na Inglaterra mostram que não houve mortes por câncer de colo do útero entre mulheres de 20 a 24 anos que receberam o imunizante na adolescência.

Enquanto o país europeu colhe os frutos de uma cobertura vacinal superior a 80%, o Brasil ainda enfrenta gargalos socioeconômicos e geográficos que impedem a erradicação da doença.

<><> Resultados na Inglaterra

A pesquisa, publicada na revista científica The Lancet, analisou dados de mortalidade entre 2001 e 2024. Entre as mulheres vacinadas aos 12 ou 13 anos, a redução da mortalidade foi de 100%. O estudo estimou que, até o final de 2024, o programa nacional de imunização britânico evitou aproximadamente 200 mortes pela doença.

Os pesquisadores destacam que a alta adesão ao programa escolar, que atingiu entre 88% e 90% de cobertura antes da pandemia, foi determinante para o sucesso da estratégia.

Segundo os especialistas, os achados comprovam que a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar o câncer cervical como problema de saúde pública é alcançável.

<><> O cenário da vacinação no Brasil

No território brasileiro, o imunizante é oferecido gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos específicos como imunossuprimidos e vítimas de violência sexual.

Embora a cobertura vacinal tenha crescido — passando de 79,1% em 2021 para 86,1% em 2025 entre as meninas —, o país ainda convive com disparidades acentuadas.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) indicam que a prevalência de não vacinação é de 26,4%, variando drasticamente entre os estados. Estados como Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul registram os maiores índices de adolescentes sem nenhuma dose.

"A vacinação contra o HPV é uma forma de proteção individual, mas que também impacta coletivamente", pondera Dr. Fábio Argenta, diretor médico da Saúde Livre Vacinas.

<><> Desafios para a ampliação vacinal

A expansão da proteção contra o HPV no Brasil enfrenta três obstáculos principais:

•        Desigualdades Socioeconômicas e Geográficas: A não vacinação é mais frequente em áreas rurais e entre adolescentes cujas mães possuem menor nível de escolaridade. Um estudo constatou que contraditoriamente, em alguns estados, famílias de maior renda também apresentam resistência devido à falta de campanhas específicas fora do ambiente escolar público.

•        Desinformação: O avanço de movimentos antivacina e a difusão de notícias falsas geram hesitação entre pais e responsáveis. Mitos sobre a estimulação precoce da vida sexual e medos infundados sobre a segurança do imunizante são barreiras constantes para as equipes de saúde.

•        Conhecimento e acesso: Muitos adolescentes e responsáveis desconhecem a relação direta entre o vírus e o desenvolvimento de tumores no pênis, ânus e orofaringe, limitando a percepção da vacina como um método de prevenção de câncer.

Para especialistas, o monitoramento detalhado das desigualdades regionais é essencial para que as políticas públicas alcancem os grupos mais vulneráveis e garantam que o sucesso observado na Inglaterra se repita no Brasil.

•        Anvisa aprova novo medicamento oral contra câncer de mama avançado

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou, nesta semana, um novo medicamento oral para o tratamento de câncer de mama em estágios mais avançados. 

A agência explica que o medicamento “Inluriyo” serve para o tratamento de pessoas que são positivos para receptor de estrogênio (ER+), negativos para receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2-), com mutação no receptor de estrogênio 1 (ESR1m), e que foram previamente tratados com terapia endócrina.

Além disso, as alterações no gene ESR1, que são, praticamente ausentes nos estágios iniciais nos tumores de mama, mas que ao longo do tratamento passam a criar resistências à hormonioterapia.

Assim, o “Inluriyo” visa atuar especificamente bloqueando e facilitando a degradação desses receptores de estrogênio, o que contribui para retardar a progressão da doença. 

Dados do estudo sobre o medicamento demostraram que a monoterapia reduziu o risco de progressão da doença ou morte em 38% em comparação com a terapia endócrina padrão. Em relação àqueles pacientes com o câncer de mama metastático, o “Inluriyo” apresentou uma melhoria na sobrevida livre de progressão (SLP), atingindo uma mediana de 5,5 meses, o que contrasta com a média de 3,8 meses observados com as terapias comuns.

As análises também apontaram que o remédio tem efeitos colaterais caracterizados como de intensidade leve a moderada, pois apresentam diarreia, náusea, anemia e fadiga como as principais consequências. 

O estudo para analisar os efeitos do tratamento com o novo medicamento foi feito com a participação de 874 pacientes adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático ER+, HER2–, cuja doença havia retornado ou progredido durante ou após uma terapia com inibidor de aromatase, com ou sem um inibidor.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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