sábado, 27 de junho de 2026

Esposa de Flávio Bolsonaro volta a atacar Michelle: “Língua mentirosa”

ara não ampliar a sua rejeição entre o eleitorado feminino, Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, terceirizou os ataques a Michelle para sua esposa, a dentista Fernanda Bolsonaro.

Tudo começou na madrugada desta sexta-feira (26), quando Michelle Bolsonaro publicou um versículo bíblico com um recado direto para Flávio e seu entorno político:

“A falsa testemunha não ficará impune, e o que profere mentiras perecerá”, escreveu Michelle Bolsonaro.

Algumas horas depois da publicação de Michelle Bolsonaro, a esposa de Flávio, Fernanda, respondeu à ex-primeira-dama e, para tanto, também utilizou um versículo bíblico:

“Provérbios 6:16-19: Há seis coisas que o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contenda entre irmãos.”

<><> Briga com Flávio Bolsonaro: Michelle não recua e faz publicação em tom de ameaça

Após implodir a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o vídeo expondo o lado machista e autoritário do enteado, Michelle Bolsonaro (PL) tem mostrado em publicações nas redes sociais que não deve retroceder em sua estratégia, que teve conhecimento do marido, Jair Bolsonaro (PL).

Na madrugada desta sexta-feira (26), após Flávio desencadear estratégia para tentar conter os danos dos ataques, Michelle publicou um versículo bíblico nos stories de seu Instagram em uma mensagem direta ao enteado e aos aliados dele.

“A falsa testemunha não ficará impune e o que profere mentiras perecerá”, diz o Salma 34:13, publicado pela ex-primeira-dama.

A mensagem é um recado direto para o enteado, que derreteu na intenção de votos do eleitorado evangélico diante das mentiras sobre a relação com Daniel Vorcaro. A análise foi feita pelo bispo Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra, em entrevista ao jornal O Globo antes da divulgação do vídeo de Michelle.

“Evangélico é intransigente com mentira. A pior coisa que tem é uma coisa ser dita e a realidade ser outra. Ele deveria ter falado sobre o assunto desde o início”, disse Rodovalho sobre Flávio na mesma entrevista em que defendeu Michelle como nome do clã à Presidência, dizendo que esperava falar sobre isso com Jair.

<><> Reviravolta

A mensagem cifrada de Michelle na madrugada desta sexta-feira revela que não retrocedeu em sua estratégia após uma publicação errada de mensagem anterior, em que diz não ter “raiva de ninguém”.

“Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada. Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno”, escreveu Michelle.

A mensagem foi interpretada por aliados de Flávio Bolsonaro como uma espécie de “bandeira branca”, já que a madrasta terminou o texto com “fiquem em paz”.

No entanto, Michelle já havia antecipado que não deve ceder mesmo diante de um recuo do enteado.

A ex-primeira-dama teria como guarida o aval de Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, que chegou a elogiar a “coragem” dela para expor a briga.

Michelle também teria avisado Bolsonaro sobre o vídeo. O marido teria ficado calado, em uma leitura de aliados dela de que houve consentimento do ex-presidente aos ataques ao próprio filho.

Um interlocutor próximo ao clã afirmou à coluna de Malu Gaspar, n’O Globo, que não seria possível dizer que Bolsonaro autorizou a iniciativa, mas que ele a compreendeu. “Ele está na Faixa de Gaza. Deixou ela desabafar”, disse esse aliado.

<><> Vice mulher para conter danos

O episódio abriu uma crise familiar pública que acelerou, segundo aliados do senador, a decisão de anunciar uma mulher como candidata a vice-presidente em até três semanas, numa tentativa de conter a sangria eleitoral entre mulheres e evangélicos, dois segmentos onde os números de pesquisa já vinham em queda antes mesmo do vídeo.

No vídeo divulgado na noite de 24 de junho, Michelle Bolsonaro descreveu em detalhes o que classificou como uma humilhação imposta pelo enteado. Segundo ela, Flávio retornou uma ligação e foi “muito ríspido”, a “desrespeitou” e a “tratou mal ao telefone”, dizendo que ela “havia chegado ontem” na política e não entendia nada do assunto, sugerindo que ela deveria ficar fora das decisões partidárias. “Diante dessa humilhação, respondi que tudo bem”, afirmou Michelle, que descreveu a situação como uma “punhalada”.

A ex-primeira-dama não se limitou a relatar o episódio da ligação. Ela também acusou Flávio e aliados, incluindo o coordenador de campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), de trabalharem para vetar três indicações femininas ao Senado que ela havia feito: a senadora Carol De Toni (PL-SC), a deputada Bia Kicis (PL-DF) e a prefeita Priscila Costa (PL-CE).

Segundo Michelle, o PL teria direito a 17 vagas femininas pela regra dos 30% nas candidaturas, e o bloqueio a essas três nomes revelaria, nas palavras dela, machismo e autoritarismo dentro da própria cúpula do partido.

<><> Impacto na pré-campanha e no eleitorado

Antes mesmo do vídeo de Michelle, os números já sinalizavam deterioração. Levantamento da Nexus/BTG apontou que a rejeição a Flávio Bolsonaro subiu de 50% para 52% em um mês, com a resistência mais acentuada entre mulheres, segmento em que o senador registrava 56% de rejeição.

A pesquisa BTG/Nexus de 15 de junho mostrou que Lula ampliou a vantagem sobre Flávio de 1 para 9 pontos percentuais em apenas 20 dias: na medição de 25 de maio, Lula marcava 31% contra 30% do senador; vinte dias depois, o presidente foi a 35% enquanto Flávio caiu para 26%. Entre as mulheres, segundo a mesma pesquisa Nexus, Lula abria 20 pontos de vantagem, liderando por 49% a 29%.

O quadro entre os evangélicos era igualmente preocupante antes da crise familiar. A pesquisa Atlas Bloomberg, divulgada em 19 de maio, mostrou que o apoio de Flávio nesse eleitorado havia caído de 65,4% em março para 50,9% após a revelação do caso BolsoMaster, quando vieram a público áudios em que o senador cobrava do banqueiro Daniel Vorcaro parte dos US$ 24 milhões prometidos para o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Em março, Lula marcava 14% entre evangélicos; com o desgaste acumulado, chegou a 25%, segundo a Atlas Bloomberg.

O vídeo de Michelle foi elaborado justamente para atingir esses dois segmentos já fragilizados. A ex-primeira-dama tem forte penetração entre mulheres evangélicas e bolsonaristas, e sua fala sobre desrespeito e machismo reforçou uma narrativa que a pré-campanha de Flávio tinha dificuldade de rebater sem aprofundar o problema. O efeito combinado das duas crises, o caso Vorcaro e o embate familiar, colocou a candidatura diante de um desafio eleitoral sem resposta simples.

•        Flávio Bolsonaro arma encontro com Michelle para conter racha no PL

lávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta transformar um evento de pré-campanha voltado a mulheres em palco de reconciliação pública com Michelle Bolsonaro, depois de a ex-primeira-dama expor nas redes sociais o racha no clã Bolsonaro e no Partido Liberal.

Segundo Lauro Jardim, de O Globo, a campanha do senador trabalha com a possibilidade de um encontro entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro na próxima quarta-feira, 1º de julho. A estratégia é responder à crise em etapas, sem confronto direto, e reconstruir uma narrativa de unidade dentro do bolsonarismo.

O plano ocorre em torno de um evento voltado ao eleitorado feminino, área sensível para o PL porque Michelle Bolsonaro preside o PL Mulher e atua como uma das principais vitrines eleitorais do partido entre mulheres conservadoras e evangélicas.

Flávio Bolsonaro, cujo perfil oficial no Senado Federal registra mandato pelo Rio de Janeiro de 2019 a 2027, tenta consolidar a pré-campanha ao Palácio do Planalto como herdeiro político de Jair Bolsonaro. A crise com Michelle, porém, atingiu justamente a tentativa de vender unidade no núcleo familiar e partidário.

<><> Flávio Bolsonaro quer foto com Michelle Bolsonaro para conter desgaste

No cenário considerado ideal pela campanha, Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro apareceriam juntos no evento, com sinais públicos de pacificação. A imagem serviria para tentar reduzir o impacto do vídeo em que a ex-primeira-dama afirmou ter sido humilhada e desrespeitada pelo senador.

A guerra entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro deixou de ser uma divergência doméstica e passou a interferir diretamente no cálculo eleitoral do PL. A crise expôs disputa por espaço, comando e influência na direita em um momento em que o senador tenta se apresentar como nome natural do bolsonarismo em 2026.

A campanha de Flávio Bolsonaro avalia que uma reconciliação pública com Michelle Bolsonaro pode ajudar a reorganizar a militância e reduzir o desgaste entre eleitoras. Mas a própria apuração de Lauro Jardim aponta que comunicação não resolve tudo: o acerto depende também de negociações políticas internas e da posição de Jair Bolsonaro.

<><> Michelle Bolsonaro virou peça central da crise no PL

Michelle Bolsonaro elevou o custo político da candidatura de Flávio Bolsonaro ao tornar pública a insatisfação com o enteado e com articulações do PL. A ex-primeira-dama citou disputas envolvendo candidaturas femininas ao Senado e cobrou respeito ao espaço de mulheres no partido.

A crise se agravou após embates sobre acordos regionais do PL, especialmente a aproximação com Ciro Gomes no Ceará. A Fórum mostrou que Michelle Bolsonaro reagiu ao movimento e classificou articulações como “acordos espúrios”, em uma ofensiva que atingiu Flávio Bolsonaro e outros filhos de Jair Bolsonaro.

O peso de Michelle Bolsonaro na crise vem do lugar que ela ocupa no arranjo eleitoral da extrema direita. A ex-primeira-dama reúne capital político próprio, presença no PL Mulher e entrada em segmentos nos quais Flávio Bolsonaro precisa crescer para sustentar uma candidatura presidencial competitiva.

<><> Jair Bolsonaro ainda pesa sobre Flávio Bolsonaro e Michelle

Jair Bolsonaro segue como fiador político do projeto de Flávio Bolsonaro, mesmo fora da disputa presidencial. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral declarou Jair Bolsonaro inelegível por oito anos, ao reconhecer abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.

A inelegibilidade de Jair Bolsonaro abriu a disputa pela sucessão dentro da direita e ampliou a importância de Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e outros nomes do campo conservador. Por isso, a palavra do ex-presidente é tratada como decisiva para definir se a crise familiar será contida ou continuará contaminando a pré-campanha do senador.

A tentativa de reconciliação ocorre depois de dias de desgaste público para Flávio Bolsonaro. A Fórum mostrou que o vídeo de Michelle Bolsonaro ampliou a crise nas redes e transformou o conflito familiar em problema de campanha.

Até aqui, o plano da campanha de Flávio Bolsonaro tem um objetivo claro: produzir uma cena de unidade com Michelle Bolsonaro antes que o racha no PL se consolide como símbolo da disputa pelo espólio político de Jair Bolsonaro. A questão é se uma foto conjunta será suficiente para apagar uma crise que já expôs a fragilidade da sucessão bolsonarista.

•        De Miami, Valdemar Costa Neto diz que o que “Michelle fez não tem preço”

m nova declaração que sinaliza ter tido conhecimento sobre o vídeo e dado apoio a Michelle Bolsonaro (PL), o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, afirmou que o que a ex-primeira-dama fez “não tem preço”.

A declaração foi dada em um aeroporto de Miami, nos EUA, onde Costa Neto estaria acompanhando a Copa do Mundo. Ele diz que teve que voltar às pressas para se reunir com Michelle e tentar contornar a hecatombe causada pelo vídeo, que implodiu a candidatura de Flávio Bolsonaro, que também estava nos EUA.

“Então, eu estou aqui em Miami, indo para São Paulo, antecipei minha viagem, porque isso é muito sério”, afirmou Costa Neto ao ser flagrado por repórter da Globonews.

Em seguida, ele começou a rasgar elogios à ex-primeira-dama. “A Michelle tem um preço para nós. O que ela fez pelo PL Mulher no Brasil não tem preço. O Flávio está com a eleição quase empatada com o Lula, eu tenho que conversar com a Michelle chegando e com o Flávio”, afirmou.

Por fim, Costa Neto usou um termo futebolístico para expressar o desastre que o vídeo causou na candidatura de Flávio Bolsonaro.

“Nós temos que acertar isso aí. Se não acertar isso aí, nós já vamos sair perdendo em casa. Vamos ter que acertar”, concluiu.

<><> “Admiro a coragem”

Em nota divulgada nesta quinta-feira (25), Costa Neto já havia sinalizado apoio a Michelle na briga com o enteado ao ressaltar “que admiro a coragem dos que defendem aquilo que acreditam”, em sinalização clara à atitude da ex-primeira-dama, que expôs toda a negociata e os ataques que teria sofrido ao se opor ao apoio a Ciro Gomes (PSDB) nas eleições no Ceará realizadas pelo grupo do enteado.

“Assim que falar pessoalmente com os dois irei me manifestar publicamente, mas já adianto que admiro a coragem dos que defendem aquilo que acreditam”, escreveu Costa Neto.

Costa Neto diz, no início do texto, que “Michelle e Flávio conhecem muito bem nosso presidente Bolsonaro e sabem do grande respeito que ele tem às convicções e aos pensamentos individuais, e isso se tornou um dos princípios mais valiosos do nosso partido”.

Em seguida, tenta minimizar a briga pública entre madrasta e enteado, dizendo que as divergências “não nos enfraquecem; ao contrário, nos tornam mais maduros e mais preparados para os desafios que enfrentamos”.

“A liberdade para expressar o que se pensa, o que se sente e no que se acredita é a verdadeira essência da democracia. Divergências fazem parte de qualquer ambiente vivo, plural e comprometido com ideias”, afirma.

<><> Michelle expõe machismo e autoritarismo de Flávio

Chamada de “autoritária” pelo enteado por interferir nas negociações com Ciro Gomes (PSDB) nas eleições do Ceará, Michelle Bolsonaro (PL) deu o troco e expôs o lado machista e autoritário de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no vídeo em que conta os bastidores da negociata e da briga no núcleo central do clã Bolsonaro.

Presidenta do PL Mulher, Michelle Bolsonaro contou que Flávio Bolsonaro e seus aliados, entre eles o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN) trabalham para vetar as três indicações de mulheres para o Senado, feitas por ela, entre 17 que “teríamos direito”.

Michelle cita Carol De Toni (PL-SC), que foi trocada pelo forasteiro Carlos Bolsonaro em Santa Catarina; Bia Kicis, que enfrenta problemas com Ibaneis Rocha (MDB) no Distrito Federal; e Priscila Costa (PL-CE), motivo da briga com André Fernandes (PL-CE) no Ceará, que teve aval de Flávio Bolsonaro para colocar o nome do pai, Alcides Fernandes.

Segundo Michelle, Piscila Costa “dedicou-se integralmente à campanha de André, aproximando o público feminino, diminuindo a rejeição, abrindo portas que estavam fechadas” na eleição à Prefeitura de Fortaleza em 2024.

“E o que ela recebeu recebeu em retribuição é revoltante. Reconhecer, ser grato e retribuir o bem a quem nos ajuda é sinal de nobreza e de lealdade. Mas o agradecimento a Priscila parece estar vindo em forma de perseguição e desprezo”, diz.

Em seguida, Michelle revela o lado autoritário de Flávio Bolsonaro ao desprezar seu trabalho junto ao eleitorado feminino, justamente o eleitorado onde Lula tem grande vantagem e causa derretimento e desespero no senador.

“Deixa eu te mostrar o tamanho dessa injustiça. Em 2026 serão 54 vagas para o Senado Federal. Em comparação, se aplicarmos a regra dos 30% para candidaturas femininas, teríamos direito a 17 vagas para mulheres no partido. Eu pedi apenas três: Priscila Costa, Carol Ditoni e Bia Kicis. Três vagas, de 17 que poderíamos ter e tem sido uma batalha diária para manter essas três. Isso é muito desgastante”, disse Michelle.

Michelle ainda expôs a agressividade do enteado, que vem tentando se pintar como “moderado” para se apresentar às mulheres, ao eleitorado de Centro e à chamada terceira via, consórcio que une Centrão, mídia liberal e Faria Lima.

“á que a aliança com o Ciro é tão boa, por que que o André não disponibiliza a vaga do seu próprio pai? Estranho, né? Por que sua mulher tem que ceder? Não dá para aceitar. E foi exatamente isso que me assustou quando cheguei a Brasília. Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras, tom agressivo, defendendo André Fernandes”, afirmou sobre a publicação de Flávio nas redes.

Depois, Michelle ainda detalha o tom da conversa pelo telefone com o enteado, em que diz que foi humilhada.

“Algumas horas depois da postagem ele retornou a ligação. Mas sinceramente para falar o que ele me falou seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou. telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, afirmou.

 

Fonte: Fórum

 

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