Lagartas
tóxicas viram problema de saúde pública na Alemanha
Parece
uma lagarta inofensiva. Mas não é. O contato com os pelos do inseto pode
provocar uma reação alérgica na pele, e em alguns casos, desencadear até mesmo
uma conjuntivite, problemas respiratórios ou, nos piores casos, um choque
anafilático.
Comumente
encontrada nas florestas de carvalho em regiões de clima mediterrâneo, a
Thaumetopoea processionea – também conhecida como processionária-do-carvalho –
vem ganhando terreno na Alemanha, e neste ano virou assunto frequente na
imprensa do país por causa das infestações cada vez mais numerosas do inseto.
Quem
cede ao impulso de coçar a pele depois de entrar contato com o bicho que contém
uma toxina irritante só piora a situação: os pelos têm anzóis microscópicos que
penetram ainda mais fundo na pele, junto com a toxina.
O risco
à saúde pública é considerado tão sério que a presença das lagartas já leva ao
fechamento temporário de instalações esportivas, parques e até escolas na
Alemanha.
Além de
ameaçarem humanos e animais de estimação, os bichos também são considerados um
problema por devorarem árvores inteiras.
Combatê-las
requer profissionais especializados e roupas de proteção, dado o alto risco de
intoxicação – o que, para aflição das prefeituras, significa gastos elevados.
"Na
maioria das vezes, os ninhos das lagartas são aspirados, às vezes
queimados", explicou Norbert Geisthof, do órgão de administração de
florestas da Renânia do Norte-Vestfália, ao portal alemão Tagesschau. "É
preciso se proteger da forma correta, idealmente com uma roupa dupla de
proteção, quando você remove esses ninhos de lagarta."
Em
Berlim, as autoridades já haviam relatado no início de junho um aumento das
infestações e pediram socorro financeiro, alegando ter chegado ao limite de
seus próprios recursos para combater as lagartas, informou o portal RBB.
Em um
dos bairros da capital alemã, Jungfernheide, a situação saiu do controle, com
as lagartas se espalhando até mesmo pelas paredes dos prédios, carros e
bicicletas.
Em
algumas áreas da vizinha Brandemburgo, helicópteros chegaram a ser mobilizados
para lidar com a infestação.
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Risco à saúde
A
Thaumetopoea processionea é um tipo de mariposa noturna. Na fase adulta, ela é
de fato inofensiva.
O nome
processionária-do-carvalho tem a ver com a preferência das lagartas por
carvalhos, e também com a forma como se locomovem em grupos com até 10 metros
de extensão e 30 indivíduos lado a lado ao longo de troncos e galhos.
O ciclo
de vida do inseto começa na primavera, com a brotação dos carvalhos, onde eles
fazem seus ninhos. Esses ninhos, contendo até 200 ovos por fêmea, podem se
estender por vários metros ao longo do tronco da árvore.
As
lagartas, totalmente desenvolvidas entre o fim de maio e o início de julho,
produzem milhares de finíssimos pelos urticantes, capazes de provocar erupções
cutâneas que podem durar semanas. O contato com os pelos também pode fazer com
que as pessoas se sintam tontas ou febris e sofram com dificuldades
respiratórias — que podem levar a ataques de asma em casos extremos. Animais
domésticos que entrarem em contato com as toxinas correm risco de morte.
Os
pelos se espalham com o vento, mesmo a grandes distâncias das árvores
infestadas. Só depois de passado esse estágio da lagarta é que elas começam a
formar o casulo que as levará à fase adulta.
Ainda
assim, depois disso sobram os muitos pelos deixados para trás em ninhos nas
árvores, que mesmo vazios ainda podem representar risco à saúde por anos.
A
lagarta é semelhante à extremamente tóxica taturana oblíqua encontrada no
Brasil.
Um mapa
do serviço meteorológico alemão que monitora os insetos mostra que o perigo
aumentou visivelmente em junho.
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Temperaturas mais amenas favorecem reprodução das lagartas
Especialistas
atribuem a onipresença das lagartas às temperaturas elevadas, com invernos mais
amenos e verões mais quentes.
"Ainda
somos cautelosos em dizer que é por causa das mudanças climáticas",
afirmou ao portal Tagesschau Dominik Wonsack, do FVA, órgão estatal de pesquisa
florestal de Baden-Württemberg. "Precisaríamos de mais dados. Mas é claro
que é bastante evidente que esses anos quentes e secos simplesmente favorecem
essa espécie."
No sul
da Europa, predadores naturais e fatores ambientais mantêm a população desses
insetos sob controle.
Na
Alemanha, organizações de proteção ambiental defendem que o combate às lagartas
seja feito sem pesticidas — também para proteger abelhas e outros insetos. A
cidade de Trier, por exemplo, tem feito experimentos com pássaros predadores.
Fonte:
DW Brasil

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