sábado, 27 de junho de 2026

Em carta, Marco Rubio confirma que Flávio Bolsonaro age contra os interesses do Brasil

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu oficialmente à carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), reafirmando o apoio do governo do presidente Donald Trump à aplicação de novas tarifas comerciais contra o Brasil e à classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Na correspondência, Rubio reforça que permanecem divergências relevantes entre Brasil e Estados Unidos na área comercial e destaca que a investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) poderá resultar na adoção de sobretaxas contra produtos brasileiros, conforme o processo iniciado durante o governo de Donald Trump.

Ao abordar a investigação comercial, Rubio afirma que o representante comercial dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer, já havia exposto a posição americana. Segundo a carta, "deixou claro" que os dois países ainda enfrentam "diferenças substanciais" sobre a conclusão do processo.

O secretário explica que Greer propôs a abertura de uma fase de consulta pública antes da decisão definitiva da administração americana. Conforme a tradução divulgada pelo g1, Rubio escreveu:

"Ele [Jamieson Greer] propôs uma ação responsiva para comentário público. Esta determinação e a proposta de ação responsiva [sobretaxas] decorrem de uma investigação iniciada em julho de 2025 sob a direção específica do Presidente Trump."

O USTR é o órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos Estados Unidos. Além de conduzir investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano, pode recomendar medidas como a imposição de tarifas sobre produtos de outros países.

<><> EUA detalham pontos de divergência com o Brasil

Na resposta enviada ao senador brasileiro, Rubio também enumera os principais temas que, segundo o governo americano, ainda impedem um entendimento entre os dois países no campo comercial.

Entre os pontos mencionados estão:

•        tarifas preferenciais consideradas injustas;

•        barreiras ao acesso ao mercado brasileiro de etanol;

•        desmatamento ilegal;

•        proteção da propriedade intelectual.

Segundo o governo americano, a audiência pública prevista faz parte do procedimento estabelecido pela legislação comercial dos Estados Unidos e permitirá que empresas, entidades e governos apresentem manifestações antes da decisão final da administração de Donald Trump sobre a adoção das medidas.

<><> Rubio agradece apoio de Flávio Bolsonaro sobre facções

Outro tema abordado na carta é a recente decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como "Terroristas Globais Especialmente Designados" e "Organizações Terroristas Estrangeiras".

Rubio agradece o apoio manifestado por Flávio Bolsonaro à medida e afirma:

"Os Estados Unidos reconhecem que a violência e as sofisticadas redes criminosas dessas facções ameaçam a segurança de cidadãos honestos em nosso hemisfério compartilhado. Ao visar suas redes financeiras, de drogas e de armas, estamos tomando medidas decisivas para proteger os povos brasileiro e americano do crime organizado transnacional."

<><> Secretário destaca aproximação política

No início da correspondência, Marco Rubio também agradece a carta e a visita realizada por Flávio Bolsonaro a Washington, ressaltando convergências entre ambos.

O secretário escreveu:

"Obrigado por sua carta e por sua recente visita a Washington. Compartilho de sua convicção de que a amizade duradoura entre os Estados Unidos e o Brasil deve permanecer ancorada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão unificada para a segurança e prosperidade do Hemisfério Ocidental."

De acordo com o conteúdo divulgado pelo g1, Rubio encerra a resposta mencionando o otimismo manifestado por Flávio Bolsonaro em relação às eleições presidenciais brasileiras de outubro.

Segundo a reportagem, a carta revela que o senador informou ao governo americano que colocaria à disposição uma "equipe de transição" caso fosse eleito presidente da República. Rubio afirma que essa proposta foi registrada pelo governo dos Estados Unidos e conclui que o país está disposto a trabalhar com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro em busca de uma estrutura de investimentos considerada mutuamente benéfica.

•        Projeto de Flávio Bolsonaro é ‘oportunista para rifar o Brasil’, e não nacionalista, diz Hugo Albuquerque

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (26), o analista geopolítico Hugo Albuquerque analisou a relação do governo dos Estados Unidos com a família Bolsonaro no Brasil, e destacou que o único projeto de governo de Flávio Bolsonaro (PL) é rifar o Brasil para o país norte-americano.

Hugo afirma que, por oportunismo, a família Bolsonaro tem colado com o grupo de Marco Rubio – que, apesar de pertencer ao governo, tem uma rivalidade com Donald Trump, de acordo com o analista – uma vez que o secretário de Estados dos EUA tem uma estratégia voltada para a intervenção em governos da América Latina.

“Nessa brincadeira toda, os Bolsonaro estão colando com o Marco Rubio e o Marco Rubio está colando com a família Bolsonaro, com o interesse de conseguir uma grande vitória, que é a grande cereja do bolo, que é o Brasil. Mas eles não conseguem dobrar o Brasil de imediato, até porque a economia brasileira, por mais que ela seja vendida, tem interesses próprios”, afirma Hugo.

Em relação a Trump, o analista diz que o presidente dos EUA é um “morto-vivo-político”, que governa sem grandes poderes e é obrigado a ceder a Marco Rubio. No entanto, ainda assim, a família Bolsonaro insiste em se associar a Trump por não ter outro caminho para ganhar a eleição que não seja entregar tudo para os Estados Unidos.

“Se não fosse a vitória do Trump, muito provavelmente a família Bolsonaro seria uma carta fora do baralho, e a gente teria uma figura como Tarcísio sendo candidato”, diz Hugo.

Para o analista, a família Bolsonaro conseguiu se impor devido a dois fatores: o primeiro, o capital eleitoral que Jair Bolsonaro tem, e o segundo, o discurso entreguista.

“A família Bolsonaro cola nesse ecossistema cada vez mais complexo e fragmentado da extrema direita americana, prometendo entregar o Brasil. Porque o Flávio Bolsonaro não tem nenhum plano para o Brasil, o único plano do Flávio Bolsonaro é falar: ‘eu vou ganhar isso daqui e eu vou entregar’. Então, é evidente que o Flávio Bolsonaro vai entregar o Pix, o Flávio Bolsonaro vai fazer o que ele bem entende”, pontua Hugo.

O analista ressalta que, se vitorioso na eleição, Flávio terá que agir, de alguma maneira, para libertar o pai, mas que em seguida deve enfraquecer a relação com o ex-presidente e seus irmãos para se impor no poder.

“O que é que uma figura diminuta como o Flávio Bolsonaro teria para oferecer? Ele que só foi vereador e agora senador por conta do pai. Ele é uma figura menor e pior do que o Jair Messias, que depende, por ora, do pai, mas que uma vez que chegue à presidência da República vai virar tipo aquele ditador de país de terceiro e quarto mundo. Não é um projeto nacionalista, é um projeto oportunista de rifar o Brasil”, afirma Hugo.

Ele analisa que Flávio se vale de camadas vulgares da elite brasileira, do “baixo clero da burguesia”, para subir ao poder. “A gente sabe que tem muita gente que rifaria o próprio país para ganhar dinheiro, para se dar bem, por algum mau sentimento, e é com isso que o Flávio conta. Basicamente fingir um pouquinho essa patriotada de camisa da CBF, bandeira do Brasil, mas que na verdade esconde aquela classe média que odeia o Brasil, que odeia o Brasil multirracial, o Brasil diverso, o Brasil da sua cultura autêntica, então é uma disputa entre esse falso verde-amarelismo”, declara Hugo.

“Os Bolsonaro querem trabalhar com isso, porque os Bolsonaro querem instaurar uma ditadura familiar para cobrar a pedágio do capitalismo nacional. É isso que eles querem criar, um tipo de ditadura do quarto, do quinto mundo, como a gente já viu em muitos lugares, quase sempre apoiado pelo Ocidente e pelos Estados Unidos, que sempre toleraram esse tipo de ditadura familiar”, finaliza o analista.

•        Jandira reage à carta de Rubio a Flávio Bolsonaro: "Não dá para ser mais entreguista e subalterno que isso"

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) reagiu nesta sexta-feira (26) à carta enviada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na correspondência, Rubio reafirma o apoio da administração do presidente Donald Trump à possibilidade de impor novas sobretaxas sobre produtos brasileiros, agradece o posicionamento de Flávio em relação às medidas adotadas por Washington e revela que o parlamentar colocou uma futura equipe de transição à disposição das autoridades estadunidenses caso venha a vencer a eleição presidencial.

Em publicação nas redes sociais, Jandira afirmou que a postura do senador representa uma atuação contrária aos interesses nacionais. "Diz o ditado que 'Presunção e água benta, cada um toma a que quer'. Pois Tariflavio, além de tramar contra o Brasil, agora coloca sua futura equipe de transição à disposição do governo dos EUA", escreveu a deputada.

Na sequência da mensagem, Jandira endureceu as críticas ao parlamentar. "Não dá para ser mais entreguista e subalterno que isso", afirmou.

•        Lindbergh lamenta "submissão dos Bolsonaro aos EUA" e cita propostas preocupantes da extrema direita brasileira

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta sexta-feira (26) que a carta do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) "escancarou o tamanho da submissão" do clã Bolsonaro aos interesses estadunidenses.

"É a síntese do bolsonarismo: entrega a soberania, oferece o Pix, coloca as riquezas nacionais de minerais críticos na mesa e ainda volta de Washington sem concessão real. Enquanto Lula defende o Brasil, Flávio pede bênção aos EUA", escreveu o petista na rede social X, antigo Twitter.

"Flávio Bolsonaro enviou um ofício ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em papel timbrado do Senado Federal", destacou Lindbergh na postagem. "Na carta, agradeceu ao governo norte-americano, atacou o próprio governo brasileiro, pediu que Washington não impusesse novas tarifas contra o Brasil e ainda afirmou estar confiante de que será eleito presidente em outubro", continuou o petista.

"O secretário de Trump agradeceu a 'oferta generosa' de Flávio de colocar uma futura equipe de transição à disposição dos Estados Unidos, mas manteve a linha dura contra o Brasil: tarifas, investigação comercial, ataques aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, e pressão sobre setores estratégicos da economia nacional", ressaltou Lindbergh.

•        'Postura é de puro interesse político e de capacho', dispara Zarattini sobre Flávio Bolsonaro

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) criticou nesta sexta-feira (26) a carta escrita pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. “A suposta carta de Rubio para Flávio Bolsonaro deixa claro que: Flávio só se posicionou contra as tarifas por interesse político, por causa das críticas. E mais: a postura de Flávio é de capacho, totalmente subserviente aos interesses dos EUA, colocando os interesses próprios acima da defesa dos interesses do Brasil”, escreveu o petista na rede social X, antigo Twitter.

Na carta, Rubio reforça que existem divergências comerciais relevantes entre Brasil e Estados Unidos e destaca que a investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) poderá resultar na adoção de sobretaxas contra produtos brasileiros, conforme o processo iniciado durante o governo de Donald Trump

No final de maio, o pré-candidato passou três dias nos EUA para fazer articulações com a extrema direita estadunidense, com o objetivo de estimular sanções contra o Brasil por causa de condenações no inquérito da trama golpista. O Supremo Tribunal Federal condenou 29 pessoas. Jair Bolsonaro (PL) recebeu a pena mais alta (27 anos e três meses de prisão).

O senador Flávio Bolsonaro viajou para os EUA em 25 de maio e retornou três dias depois. No começo de junho, os EUA defenderam um tarifaço de 25% e também criticaram o Pix, sistema de pagamento lançado pelo Banco Central em 2020. Mesmo sem provas, o governo Trump acusou o Brasil de adotar práticas desleais no comércio.

<><> Movimentação preocupante

O episódio também ocorre em um ambiente de crescente preocupação com interferência externa no processo político brasileiro. Trump compartilhou em sua conta na Truth Social um artigo do site Newsmax que celebra o avanço de aliados de direita na América Latina e descreve o Brasil como o “próximo grande teste” da influência regional do republicano.

O texto, assinado por John Gizzi, sustenta que Trump acumulou “8 vitórias em 7 anos” na América Latina. A análise cita a Colômbia, após a vitória de Abelardo de la Espriella, do Defensores de la Patria, e inclui ainda El Salvador, Argentina, Equador, Honduras, Bolívia, Chile e Peru como países ligados a esse movimento de alinhamento político à direita trumpista.

<><> Articulações perigosas

As articulações de Flávio Bolsonaro com atores políticos dos Estados Unidos também ganharam destaque em outro episódio. Em 25 de outubro de 2025, o senador respondeu a uma publicação do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, e pediu apoio para atacar barcos que, segundo ele, transportariam drogas no Rio de Janeiro.

“Que inveja! Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil com drogas. Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”.

Em 5 de junho de 2026, entrou em vigor a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos. A medida pode gerar consequências jurídicas, financeiras e militares e amplia o debate sobre soberania nacional, sanções e riscos de pressão externa sobre o Brasil.

Para críticos da iniciativa, a designação das facções brasileiras como organizações terroristas pode abrir caminho para novas sanções contra o país. A avaliação de Zarattini reforça a disputa política em torno da atuação de Flávio Bolsonaro nos EUA e do impacto das medidas adotadas pelo governo de Donald Trump sobre os interesses brasileiros.

 

Fonte: Brasil 247/Fórum

 

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