Em
carta, Marco Rubio confirma que Flávio Bolsonaro age contra os interesses do
Brasil
O
secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu oficialmente à
carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), reafirmando o apoio do
governo do presidente Donald Trump à aplicação de novas tarifas comerciais
contra o Brasil e à classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC)
e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Na
correspondência, Rubio reforça que permanecem divergências relevantes entre
Brasil e Estados Unidos na área comercial e destaca que a investigação
conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos
(USTR) poderá resultar na adoção de sobretaxas contra produtos brasileiros,
conforme o processo iniciado durante o governo de Donald Trump.
Ao
abordar a investigação comercial, Rubio afirma que o representante comercial
dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer, já havia exposto a posição
americana. Segundo a carta, "deixou claro" que os dois países ainda
enfrentam "diferenças substanciais" sobre a conclusão do processo.
O
secretário explica que Greer propôs a abertura de uma fase de consulta pública
antes da decisão definitiva da administração americana. Conforme a tradução
divulgada pelo g1, Rubio escreveu:
"Ele
[Jamieson Greer] propôs uma ação responsiva para comentário público. Esta
determinação e a proposta de ação responsiva [sobretaxas] decorrem de uma
investigação iniciada em julho de 2025 sob a direção específica do Presidente
Trump."
O USTR
é o órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos Estados
Unidos. Além de conduzir investigações sobre práticas consideradas prejudiciais
ao comércio americano, pode recomendar medidas como a imposição de tarifas
sobre produtos de outros países.
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EUA detalham pontos de divergência com o Brasil
Na
resposta enviada ao senador brasileiro, Rubio também enumera os principais
temas que, segundo o governo americano, ainda impedem um entendimento entre os
dois países no campo comercial.
Entre
os pontos mencionados estão:
• tarifas preferenciais consideradas
injustas;
• barreiras ao acesso ao mercado
brasileiro de etanol;
• desmatamento ilegal;
• proteção da propriedade intelectual.
Segundo
o governo americano, a audiência pública prevista faz parte do procedimento
estabelecido pela legislação comercial dos Estados Unidos e permitirá que
empresas, entidades e governos apresentem manifestações antes da decisão final
da administração de Donald Trump sobre a adoção das medidas.
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Rubio agradece apoio de Flávio Bolsonaro sobre facções
Outro
tema abordado na carta é a recente decisão dos Estados Unidos de classificar o
PCC e o Comando Vermelho como "Terroristas Globais Especialmente
Designados" e "Organizações Terroristas Estrangeiras".
Rubio
agradece o apoio manifestado por Flávio Bolsonaro à medida e afirma:
"Os
Estados Unidos reconhecem que a violência e as sofisticadas redes criminosas
dessas facções ameaçam a segurança de cidadãos honestos em nosso hemisfério
compartilhado. Ao visar suas redes financeiras, de drogas e de armas, estamos
tomando medidas decisivas para proteger os povos brasileiro e americano do
crime organizado transnacional."
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Secretário destaca aproximação política
No
início da correspondência, Marco Rubio também agradece a carta e a visita
realizada por Flávio Bolsonaro a Washington, ressaltando convergências entre
ambos.
O
secretário escreveu:
"Obrigado
por sua carta e por sua recente visita a Washington. Compartilho de sua
convicção de que a amizade duradoura entre os Estados Unidos e o Brasil deve
permanecer ancorada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão
unificada para a segurança e prosperidade do Hemisfério Ocidental."
De
acordo com o conteúdo divulgado pelo g1, Rubio encerra a resposta mencionando o
otimismo manifestado por Flávio Bolsonaro em relação às eleições presidenciais
brasileiras de outubro.
Segundo
a reportagem, a carta revela que o senador informou ao governo americano que
colocaria à disposição uma "equipe de transição" caso fosse eleito
presidente da República. Rubio afirma que essa proposta foi registrada pelo
governo dos Estados Unidos e conclui que o país está disposto a trabalhar com
os líderes escolhidos pelo povo brasileiro em busca de uma estrutura de
investimentos considerada mutuamente benéfica.
• Projeto de Flávio Bolsonaro é
‘oportunista para rifar o Brasil’, e não nacionalista, diz Hugo Albuquerque
Em
entrevista ao Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (26), o analista geopolítico
Hugo Albuquerque analisou a relação do governo dos Estados Unidos com a família
Bolsonaro no Brasil, e destacou que o único projeto de governo de Flávio
Bolsonaro (PL) é rifar o Brasil para o país norte-americano.
Hugo
afirma que, por oportunismo, a família Bolsonaro tem colado com o grupo de
Marco Rubio – que, apesar de pertencer ao governo, tem uma rivalidade com
Donald Trump, de acordo com o analista – uma vez que o secretário de Estados
dos EUA tem uma estratégia voltada para a intervenção em governos da América
Latina.
“Nessa
brincadeira toda, os Bolsonaro estão colando com o Marco Rubio e o Marco Rubio
está colando com a família Bolsonaro, com o interesse de conseguir uma grande
vitória, que é a grande cereja do bolo, que é o Brasil. Mas eles não conseguem
dobrar o Brasil de imediato, até porque a economia brasileira, por mais que ela
seja vendida, tem interesses próprios”, afirma Hugo.
Em
relação a Trump, o analista diz que o presidente dos EUA é um
“morto-vivo-político”, que governa sem grandes poderes e é obrigado a ceder a
Marco Rubio. No entanto, ainda assim, a família Bolsonaro insiste em se
associar a Trump por não ter outro caminho para ganhar a eleição que não seja
entregar tudo para os Estados Unidos.
“Se não
fosse a vitória do Trump, muito provavelmente a família Bolsonaro seria uma
carta fora do baralho, e a gente teria uma figura como Tarcísio sendo
candidato”, diz Hugo.
Para o
analista, a família Bolsonaro conseguiu se impor devido a dois fatores: o
primeiro, o capital eleitoral que Jair Bolsonaro tem, e o segundo, o discurso
entreguista.
“A
família Bolsonaro cola nesse ecossistema cada vez mais complexo e fragmentado
da extrema direita americana, prometendo entregar o Brasil. Porque o Flávio
Bolsonaro não tem nenhum plano para o Brasil, o único plano do Flávio Bolsonaro
é falar: ‘eu vou ganhar isso daqui e eu vou entregar’. Então, é evidente que o
Flávio Bolsonaro vai entregar o Pix, o Flávio Bolsonaro vai fazer o que ele bem
entende”, pontua Hugo.
O
analista ressalta que, se vitorioso na eleição, Flávio terá que agir, de alguma
maneira, para libertar o pai, mas que em seguida deve enfraquecer a relação com
o ex-presidente e seus irmãos para se impor no poder.
“O que
é que uma figura diminuta como o Flávio Bolsonaro teria para oferecer? Ele que
só foi vereador e agora senador por conta do pai. Ele é uma figura menor e pior
do que o Jair Messias, que depende, por ora, do pai, mas que uma vez que chegue
à presidência da República vai virar tipo aquele ditador de país de terceiro e
quarto mundo. Não é um projeto nacionalista, é um projeto oportunista de rifar
o Brasil”, afirma Hugo.
Ele
analisa que Flávio se vale de camadas vulgares da elite brasileira, do “baixo
clero da burguesia”, para subir ao poder. “A gente sabe que tem muita gente que
rifaria o próprio país para ganhar dinheiro, para se dar bem, por algum mau
sentimento, e é com isso que o Flávio conta. Basicamente fingir um pouquinho
essa patriotada de camisa da CBF, bandeira do Brasil, mas que na verdade
esconde aquela classe média que odeia o Brasil, que odeia o Brasil
multirracial, o Brasil diverso, o Brasil da sua cultura autêntica, então é uma
disputa entre esse falso verde-amarelismo”, declara Hugo.
“Os
Bolsonaro querem trabalhar com isso, porque os Bolsonaro querem instaurar uma
ditadura familiar para cobrar a pedágio do capitalismo nacional. É isso que
eles querem criar, um tipo de ditadura do quarto, do quinto mundo, como a gente
já viu em muitos lugares, quase sempre apoiado pelo Ocidente e pelos Estados
Unidos, que sempre toleraram esse tipo de ditadura familiar”, finaliza o
analista.
• Jandira reage à carta de Rubio a Flávio
Bolsonaro: "Não dá para ser mais entreguista e subalterno que isso"
A
deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) reagiu nesta sexta-feira (26) à
carta enviada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na correspondência, Rubio reafirma o apoio da
administração do presidente Donald Trump à possibilidade de impor novas
sobretaxas sobre produtos brasileiros, agradece o posicionamento de Flávio em
relação às medidas adotadas por Washington e revela que o parlamentar colocou
uma futura equipe de transição à disposição das autoridades estadunidenses caso
venha a vencer a eleição presidencial.
Em
publicação nas redes sociais, Jandira afirmou que a postura do senador
representa uma atuação contrária aos interesses nacionais. "Diz o ditado
que 'Presunção e água benta, cada um toma a que quer'. Pois Tariflavio, além de
tramar contra o Brasil, agora coloca sua futura equipe de transição à
disposição do governo dos EUA", escreveu a deputada.
Na
sequência da mensagem, Jandira endureceu as críticas ao parlamentar. "Não
dá para ser mais entreguista e subalterno que isso", afirmou.
• Lindbergh lamenta "submissão dos
Bolsonaro aos EUA" e cita propostas preocupantes da extrema direita
brasileira
O
deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta sexta-feira (26) que a
carta do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para o senador e
pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) "escancarou o tamanho
da submissão" do clã Bolsonaro aos interesses estadunidenses.
"É
a síntese do bolsonarismo: entrega a soberania, oferece o Pix, coloca as
riquezas nacionais de minerais críticos na mesa e ainda volta de Washington sem
concessão real. Enquanto Lula defende o Brasil, Flávio pede bênção aos
EUA", escreveu o petista na rede social X, antigo Twitter.
"Flávio
Bolsonaro enviou um ofício ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em
papel timbrado do Senado Federal", destacou Lindbergh na postagem.
"Na carta, agradeceu ao governo norte-americano, atacou o próprio governo
brasileiro, pediu que Washington não impusesse novas tarifas contra o Brasil e
ainda afirmou estar confiante de que será eleito presidente em outubro",
continuou o petista.
"O
secretário de Trump agradeceu a 'oferta generosa' de Flávio de colocar uma
futura equipe de transição à disposição dos Estados Unidos, mas manteve a linha
dura contra o Brasil: tarifas, investigação comercial, ataques aos serviços de
pagamento eletrônico, incluindo o Pix, e pressão sobre setores estratégicos da
economia nacional", ressaltou Lindbergh.
• 'Postura é de puro interesse político e
de capacho', dispara Zarattini sobre Flávio Bolsonaro
O
deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) criticou nesta sexta-feira (26) a
carta escrita pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para o
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. “A
suposta carta de Rubio para Flávio Bolsonaro deixa claro que: Flávio só se
posicionou contra as tarifas por interesse político, por causa das críticas. E
mais: a postura de Flávio é de capacho, totalmente subserviente aos interesses
dos EUA, colocando os interesses próprios acima da defesa dos interesses do
Brasil”, escreveu o petista na rede social X, antigo Twitter.
Na
carta, Rubio reforça que existem divergências comerciais relevantes entre
Brasil e Estados Unidos e destaca que a investigação conduzida pelo Escritório
do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) poderá resultar na
adoção de sobretaxas contra produtos brasileiros, conforme o processo iniciado
durante o governo de Donald Trump
No
final de maio, o pré-candidato passou três dias nos EUA para fazer articulações
com a extrema direita estadunidense, com o objetivo de estimular sanções contra
o Brasil por causa de condenações no inquérito da trama golpista. O Supremo
Tribunal Federal condenou 29 pessoas. Jair Bolsonaro (PL) recebeu a pena mais
alta (27 anos e três meses de prisão).
O
senador Flávio Bolsonaro viajou para os EUA em 25 de maio e retornou três dias
depois. No começo de junho, os EUA defenderam um tarifaço de 25% e também
criticaram o Pix, sistema de pagamento lançado pelo Banco Central em 2020.
Mesmo sem provas, o governo Trump acusou o Brasil de adotar práticas desleais
no comércio.
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Movimentação preocupante
O
episódio também ocorre em um ambiente de crescente preocupação com
interferência externa no processo político brasileiro. Trump compartilhou em
sua conta na Truth Social um artigo do site Newsmax que celebra o avanço de
aliados de direita na América Latina e descreve o Brasil como o “próximo grande
teste” da influência regional do republicano.
O
texto, assinado por John Gizzi, sustenta que Trump acumulou “8 vitórias em 7
anos” na América Latina. A análise cita a Colômbia, após a vitória de Abelardo
de la Espriella, do Defensores de la Patria, e inclui ainda El Salvador,
Argentina, Equador, Honduras, Bolívia, Chile e Peru como países ligados a esse
movimento de alinhamento político à direita trumpista.
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Articulações perigosas
As
articulações de Flávio Bolsonaro com atores políticos dos Estados Unidos também
ganharam destaque em outro episódio. Em 25 de outubro de 2025, o senador
respondeu a uma publicação do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, e
pediu apoio para atacar barcos que, segundo ele, transportariam drogas no Rio
de Janeiro.
“Que
inveja! Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de
Guanabara, inundando o Brasil com drogas. Você não gostaria de passar alguns
meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”.
Em 5 de
junho de 2026, entrou em vigor a classificação do Primeiro Comando da Capital
(PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras
pelos Estados Unidos. A medida pode gerar consequências jurídicas, financeiras
e militares e amplia o debate sobre soberania nacional, sanções e riscos de
pressão externa sobre o Brasil.
Para
críticos da iniciativa, a designação das facções brasileiras como organizações
terroristas pode abrir caminho para novas sanções contra o país. A avaliação de
Zarattini reforça a disputa política em torno da atuação de Flávio Bolsonaro
nos EUA e do impacto das medidas adotadas pelo governo de Donald Trump sobre os
interesses brasileiros.
Fonte:
Brasil 247/Fórum

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