Dragagem
ameaça o rio Tapajós, no Pará
Lideranças
indígenas e organizações socioambientais denunciam irregularidades no processo
de dragagem do rio Tapajós, no estado do Pará, que avança sem licenciamento
ambiental e sem consulta prévia a povos indígenas, ribeirinhos e comunidades
tradicionais. A mobilização se intensificou após o governo federal anunciar, em
23 de dezembro de 2025, o lançamento de um edital de licitação para contratar
empresa especializada na execução de serviços de dragagem de manutenção do rio.
A atividade é prevista para os próximos cinco anos na hidrovia, nos trechos
entre os municípios de Santarém e Itaituba.
A ação,
coordenada pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e executada pelo
Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), é considerada
pelo governo federal como estratégica para a logística regional. Ela vem somar
a uma série de pressões já enfrentadas pelo rio Tapajós e os povos que vivem ao
longo de suas margens, como a contaminação por mercúrio, projetos de barragens
e hidrelétricas, portos construídos para o escoamento do agronegócio e o
impacto de agrotóxicos e estiagens severas.
No
último dia 16 de janeiro, uma sessão pública foi realizada para abertura das
propostas, por meio da plataforma compras.gov.br. O edital completo também está
disponível para consulta no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP). As
empresas que enviaram propostas são: DTA Engenharia, FFL Corp, RP Dragagem,
Hollus Serviços Técnicos Especializados, R A de Oliveira Consultoria e
Locações, F C F de Souza Servicos de Engenharia, Transformar Locação de
Veículos e Serviços Ambientais, Allonda, Arsit Tecnologia e Telecom e
Organização Manos Ltda. Neste link disponibilizado pelo Governo Federal, é
possível expandir as informações para acesso aos dados detalhados das propostas
apresentadas. Depois da fase de abertura das propostas, o processo encontra-se
em análise pelo Dnit.
A obra
de dragagem não foi submetida a Estudo de Impacto Ambiental (EIA), nem entrou
com pedido de licenciamento junto ao Ibama. O projeto recebeu uma autorização
do governo do Pará no ano passado, por meio de licenças emergenciais. Mas esse
procedimento contraria recomendações do Ministério Público Federal (MPF), que
apontou em uma série de danos ambientais e sociais resultados da dragagem.
Auricelia
Arapiun, reconhecida liderança indígena da região do Baixo Tapajós, em
Santarém, e membro do conselho deliberativo da Coordenação das Organizações
Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), disse que os povos originários da
região do Tapajós e as comunidades tradicionais não foram foram informadas,
muito menos consultadas sobre a dragagem do rio, como determina a Convenção 169
da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A
liderança indígena afirma que a dragagem mexe com a estrutura econômica,
cultural e alimentar dos povos do Tapajós. Segundo Auricelia, o trecho do rio
Tapajós entre as cidades de Itaituba e Santarém já é ameaçado pelo avanço do
escoamento de cargas do agronegócio. A dragagem é um processo realizado no
fundo de corpos d’água como mar, lagos, barragens, leito de rios e canais, para
remoção de sedimentos, rochas, lama, areia e outros materiais que se acumulam
ao longo do tempo devido ao vento e a chuva e podem diminuir a profundidade da
água e dificultar a navegação. O processo de dragagem envolve o uso de
equipamentos especializados para escavar ou remover esses sedimentos, como as
dragas de corte, hidráulicas (succionadoras) e de arrasto. Após a remoção, os
materiais podem ser transportados para outra área ou descartados, dependendo
dos requisitos ambientais e regulatórios.
No caso
do rio Tapajós, a dragagem é de manutenção e será realizada para manter as
condições de navegabilidade e operação de portos ao longo de sete pontos do rio
que são considerados “críticos” pelo Dnit. Esse tipo de dragagem é realizada
periodicamente para garantir a continuidade das atividades portuárias nos
locais mais rasos. A dragagem do rio Tapajós vai consistir na sucção do fundo
do rio e o material arenoso será colocado em outra porção do mesmo rio, para
viabilizar os canais de navegação mesmo diante das secas extremas que afetam a
região amazônica nos últimos anos.
“Hoje,
na nossa região, o principal alimento é o peixe, que mesmo contaminado por
mercúrio é a nossa fonte de alimentação e isso ficará muito mais escasso com a
dragagem do Tapajós. Vai mexer no fundo do rio e vai mexer na morada sagrada
dos nossos encantados, dos espíritos. Com o agronegócio vem vários projetos de
infraestrutura como a Ferrogrão, a construção de portos e agora com a dragagem
do Tapajós. Tudo isso é uma carga muito alta de devastação dos nossos
territórios, porque a dragagem Tapajós também aumenta a violência”, denunciou
Auricelia.
Ela
também criticou o Decreto nº 12.600, de
28 de agosto de 2025, que incluiu as hidrovias dos rios Tapajós e
Tocantins-Araguaia, no Pará, e Madeira, no Amazonas e Rondônia, no Programa
Nacional de Desestatização (PND). O projeto promete entregar mais de 3 mil
quilômetros de trechos navegáveis dos rios amazônicos para a iniciativa privada
e atende aos interesses do agronegócio e de outros setores econômicos.
Os
estudos específicos para a concessão da hidrovia do Tapajós ainda não foram
concluídos. Mas o governo federal afirma que análises preliminares realizadas
pelo Dnit apontam que o rio tem potencial para receber navegação de cabotagem
(entre portos do próprio País) e de longo curso (ligação com portos
internacionais), desde que sejam feitas obras de dragagem corretiva e
aprofundamento do canal. Caso essas intervenções ocorram, o volume de
embarcações que circulam pelo Tapajós poderá ser ainda maior do que o
inicialmente previsto pelo governo.
“Quando
o governo [federal] decreta a privatização e a morte dos nossos rios, e nega um
direito à consulta, ele viola uma legislação internacional que foi assinada
inclusive pelo próprio presidente Lula, que agora é o chefe do Executivo e que
esse mesmo presidente não cumpre com esse tratado internacional, que para nós é
a nossa principal arma legislativa que assegura os nossos direitos”, disse a
liderança indígena.
À
Amazônia Real, o cacique-geral das 28 aldeias do povo Tupinambá no Baixo
Tapajós, Gilson Tupinambá, reforçou a falta de consulta prévia, mesmo com a
existência do protocolo de consulta. “Nós não fomos consultados, nós não fomos
informados. Soubemos da dragagem porque ela já estava acontecendo aqui no rio
desde o ano passado, mas nós nunca fomos informados de que iria entrar o Dnit,
nunca fomos informados de que iria ser feita essa dragagem. Não teve isso em
momento algum, considerando que nós temos o nosso protocolo de consulta
Tupinambá e tem mais sete protocolos aqui da Resex [Reserva Extrativista
Tapajós-Arapiuns]”, declarou.
O
cacique, que também é coordenador do Conselho Indígena Tupinambá (Citupi), se
preocupa com os impactos, que na sua visão podem ser os piores possíveis para
os modos de vida tradicionais dos povos do Tapajós. “Sem o rio não tem como a
gente continuar existindo aqui. Destruir o rio é dizimar os povos indígenas,
porque é dele que tiramos nossa comida. É no rio que nós vamos em busca de
pegar um tracajá, um surubim, é a nossa alimentação. E com a dragagem do rio,
os peixes vão se afugentar, vai acabar com a sua reprodução. A gente olha com
grande preocupação e a gente não sabe o impacto que vai ter, mas a gente sabe
que não vai ser bom, que vai alterar nosso modo de vida”.
Em
resposta enviada à reportagem, o Mpor informou que a iniciativa integra o Plano
Anual de Dragagem de Manutenção Aquaviária (Padma) e segue as normas ambientais
vigentes. O licenciamento ambiental da obra, segundo o ministério, é de
responsabilidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do
Pará (Semas/PA), que define os estudos ambientais necessários e as
condicionantes a serem cumpridas antes da execução da dragagem. O empreendedor
deve atender a todas as exigências estabelecidas pelo órgão ambiental
competente.
A pasta
afirma que a dragagem prevista é apenas de manutenção e tem como objetivo
aumentar a segurança da navegação e melhorar o transporte de cargas e
passageiros no rio Tapajós. Isso significa que o serviço será realizado em
trecho já utilizado para navegação, sem alteração do traçado do rio e sem
aumento de profundidade. Segundo o ministério, os trechos, volumes e métodos de
dragagem previstos no edital foram definidos com base em estudos técnicos, que
consideram levantamentos da profundidade do rio, histórico de navegação e dados
operacionais da hidrovia.
Na
manhã desta quinta-feira (22), houve registro de protesto nas ruas contra a
dragagem do rio Tapajós. Povos indígenas do Baixo Tapajós se manifestaram
contra o projeto na área da empresa Cargill, uma gigante do agronegócio.
Segundo os indígenas, a mobilização denuncia os impactos ambientais, a ameaça
aos territórios e reivindica respeito aos direitos tradicionais, à vida e ao
futuro das comunidades do Tapajós.
Além da
falta de consulta às comunidades que podem ser afetadas, o Movimento Tapajós
Vivo e o GT Infraestrutura e Justiça Ambiental (GT Infra) denunciam que a obra
está sendo planejada sem Estudo de Impacto Ambiental (EIA), Relatório de
Impacto Ambiental (RIMA) e sem licenciamento ambiental para a dragagem regular
do rio. O que existe, segundo as organizações, é apenas uma autorização
emergencial concedida em abril de 2025 pela Semas-PA, de forma temporária.
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Sem licença ambiental
O
Movimento Tapajós Vivo afirma que, historicamente, o trecho do rio entre
Santarém e Itaituba nunca demandou dragagem para a navegação tradicional nem
para a subsistência das populações ribeirinhas e das cidades do entorno, como
Itaituba, Aveiro, Belterra e Santarém. Mesmo em períodos de seca severa, a
pesca e a circulação local sempre ocorreram sem a necessidade de intervenções.
Segundo
a denúncia, esse cenário passou a se alterar na última década, com a
intensificação do escoamento de grãos do Centro-Oeste pela BR-163 e a
instalação de grandes portos no município de Miritituba. Atualmente, ao menos
sete grandes empresas do setor do agronegócio, como Cargill, Bunge e Hidrovias
do Brasil, concentram no rio Tapajós o tráfego de mais de 100 barcaças e cerca
de 15 empurradores.
Johnson
Portela, assessor GT Infra e militante do Movimento Tapajós Vivo afirma que os
impactos ambientais e sociais da dragagem se estendem para além da fauna e
flora do fundo do rio, e podem afetar a qualidade da água. O processo de dragagem também é capaz de
alterar a forma de rios, mudar o curso das águas e enchê-las de lodo,
perturbando ecossistemas, dependendo da técnica utilizada.
“A
dimensão das dragagens é enorme, principalmente na flora aquática que é tão
importante para os peixes, pela retirada de areia e com ela algas, limos entre
outros que servem de alimento e abrigo para todas as espécies de peixes, sendo
a maior fonte de alimentação de comunidades e povos indígenas e das cidades na
região. Então, [a dragagem] afetará a qualidade e o ciclo de reprodução da
pesca, um efeito dominó para todos, desde povos na beira do rio até quem
consome na cidade”, disse o especialista.
Portela
disse que, após o decreto que “privatiza” os rios Tapajós, Madeira e Tocantins
para a hidrovia, a pressão dos movimentos continuou na COP30 e por isso foi
criada a ideia de uma mesa de diálogo entre governo e movimento social tendo
como pauta a consulta das comunidades, povos e movimentos. “Porém, mesmo assim
o edital foi lançado, e com recurso em dobro, com mais de 70 milhões (de reais)
para a destruição do fundo do rio”, afirma.
Em
manifesto publicado nas redes sociais, a Associação Iwipurãga, representação
jurídica do povo indígena Borari da Terra Indígena Alter do Chão, em Santarém,
declarou que projetos como o da dragagem do rio Tapajós quase nunca consideram
o modo de vida dos povos tradicionais, principalmente sua relação espiritual
com o rio.
“Não é
só uma obra. Dragar um rio muda o fundo, a água, o curso, os peixes, as margens
e a vida de quem depende dele todos os dias. Para nós, o Tapajós não é só um
‘canal de navegação’. Ele é território, alimento, caminho, memória e morada dos
nossos encantados”, disse a organização.
Questionado
pela reportagem, o Dnit informou que, a partir de campanhas periódicas de
batimetria no rio Tapajós, por meio do Programa de Monitoramento Hidrográfico
(PMH), foram identificados sete pontos críticos com definição da extensão e do
volume a ser dragado, “garantindo a segurança e a navegabilidade da hidrovia”.
Com base nesses dados técnicos, foram estabelecidos os trechos, volumes e
métodos de dragagem previstos no edital.
O Dnit
declarou que não está prevista a elaboração de Estudos de Impacto Ambiental
(EIA/Rima), mas sim do RCA e PCA, conforme estabelecido pela Semas. Apesar do
avanço do processo de dragagem, o Dnit afirmou que ainda será contratada uma
empresa especializada para elaborar estudos ambientais necessários ao
licenciamento da dragagem do rio Tapajós. Somente após a conclusão e aprovação
desses estudos pela Semas e a emissão da Autorização Ambiental é que as
intervenções poderão ser realizadas, segundo o Dnit.
“As
medidas de mitigação e de monitoramento socioambiental serão definidas após a
conclusão dos estudos ambientais, que subsidiarão a elaboração dos programas
ambientais a serem implantados durante a execução da dragagem”, disse o órgão.
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Denúncia do MPF
O MPF
já havia emitido recomendações formais para a suspensão do licenciamento da
Hidrovia do Tapajós em razão da ausência de estudos ambientais e consultas às
comunidades tradicionais da região. Em relação ao projeto de dragagem na
hidrovia do Rio Tapajós, MPF informou à reportagem que aguarda decisão do
Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, sobre recurso
judicial em que pede que o tribunal conceda decisão urgente para impedir o Pará
de licenciar ou autorizar obras na hidrovia do rio Tapajós – especialmente
dragagens – sem a realização de estudos ambientais completos e Consulta Prévia,
Livre e Informada (CPLI) aos povos e comunidades tradicionais.
O
recurso foi apresentado ao tribunal em maio de 2025, após o MPF ter feito o
mesmo pedido à 2ª Vara da Justiça Federal em Santarém (PA), que, naquele mês,
negou acolher os pedidos do MPF porque considerou inexistentes os requisitos de
urgência e risco de dano. Para o MPF, a decisão da Justiça Federal em Santarém
desconsiderou as graves violações aos direitos socioambientais perpetradas pelo
Estado do Pará e pelo Dnit, e ignorou os riscos irreversíveis que podem advir
da continuidade da dragagem no rio Tapajós sem as devidas salvaguardas
ambientais e sociais.
Segundo
o MPF, a decisão da Justiça desconsiderou documentos técnicos do Instituto
Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que apontam graves riscos ambientais
decorrentes da dragagem no rio Tapajós. Entre os impactos apontados estão a
liberação de metais pesados, como o mercúrio, e de sedimentos, com prejuízos à
qualidade da água, à vida aquática e à saúde das populações que consomem essa
água e os peixes do rio. Os órgãos também destacam o aumento da turbidez, a
redução de peixes e outros organismos da cadeia alimentar, afetando diretamente
a pesca, a segurança alimentar e os modos de vida de comunidades ribeirinhas e
indígenas, além da destruição de hábitats essenciais para espécies ameaçadas,
como botos (rosa e tucuxi), peixe-boi amazônico, quelônios e aves aquáticas.
No
recurso, o MPF afirma ainda que a Justiça Federal em Santarém ignorou os
relatos de lideranças tradicionais ouvidas em audiência e deixou de se
manifestar sobre a violação ao direito à Consulta Prévia, Livre e Informada,
prevista na Convenção 169 da OIT. O órgão também aponta a inversão do princípio
da precaução ambiental, ao exigir a comprovação de danos concretos antes da
obra, além de contradições na decisão ao admitir licenciamento em curso para
dragagens anuais. Para o MPF, a dragagem viabiliza o escoamento de mercadorias
agrícolas e commodities do agronegócio, integrando um corredor logístico que
contribui para o desmatamento e a crise climática.
Na
sexta-feira, (16), a Justiça Federal de Santarém negou o pedido do MPF para
suspender a licitação para a dragagem do Tapajós. A decisão foi proferida pela
juíza federal Grace Anny de Souza Monteiro, da 2ª Vara Federal Cível e Criminal
da Subseção Judiciária de Santarém, que entendeu que não há comprovação de que
a dragagem esteja sendo executada sem as devidas autorizações ambientais.
“É
inaceitável que o Dnit e o Estado do Pará tenham deliberadamente ignorado por
anos a necessidade de planejar adequadamente a manutenção da hidrovia do rio
Tapajós para depois alegar ‘emergência’ como justificativa para atropelar os
direitos fundamentais de povos e comunidades tradicionais e as salvaguardas
ambientais constitucionalmente previstas”, disse o MPF.
O órgão
pediu ao TRF1 que a decisão da Justiça Federal em Santarém seja revista e
reiterou a necessidade da realização do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório
de Impacto Ambiental (Eia/Rima) – incluindo estudos específicos de impactos a
povos indígenas e a comunidades quilombolas – e da CPLI a indígenas,
extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos, quilombolas e demais povos e
comunidades tradicionais potencialmente afetados.
Procurada
pela reportagem por e-mail, a Semas/PA alegou que a dragagem no rio Tapajós foi
autorizada de forma estritamente pontual, restrita ao leito do rio. De acordo
com a Secretaria, a medida foi adotada em razão da situação emergencial
associada ao período de estiagem prolongada e de seus desdobramentos,
reconhecida por decretos municipal, estadual e federal, além da declaração de
escassez hídrica emitida pela Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA). A
pasta afirma que a recomendação do MPF
foi emitida após a finalização da dragagem e que esta ocorreu dentro do escopo
autorizado e em caráter emergencial.
Fonte:
Amazonas Real

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