sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Miguel do Rosário: Discurso da China foca em estabilidade, paz e respeito à soberania

“O mundo não pode voltar à lei da selva, onde os fortes intimidam os fracos.”

A frase foi dita por He Lifeng, vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado da República Popular da China, ao discursar no World Economic Forum. Em poucas palavras, ela resume o eixo central da intervenção chinesa em Davos: a defesa de regras comuns, do multilateralismo, do respeito à soberania dos países e da cooperação como base da ordem internacional.

O discurso de He Lifeng não teve a mesma repercussão que as declarações de Donald Trump no mesmo período, dominadas por ameaças, retórica agressiva e o uso explícito da coerção econômica como instrumento político. Ainda assim, deveria ter tido. O pronunciamento chinês apresentou um contraste direto com essa postura: em vez de confronto, diálogo; em vez de unilateralismo, instituições; em vez de sanções e intimidação, regras e previsibilidade.

Logo nos primeiros minutos de fala, He Lifeng deixou claro que a China vê com preocupação o avanço do protecionismo e das guerras comerciais. “Guerras tarifárias não têm vencedores”, afirmou, acrescentando que esse tipo de política apenas eleva custos, fragmenta cadeias produtivas globais e prejudica o crescimento econômico. A mensagem foi reforçada com dados: a participação do comércio global sob regras de nação mais favorecida caiu de 80% para 72%, enquanto o Fundo Monetário Internacional estima que a fragmentação econômica pode reduzir o PIB mundial em cerca de 7%. “Isso não é do interesse de nenhum país”, disse.

Foi apenas no terceiro momento do discurso que veio a contextualização mais ampla. A fala ocorreu em 20 de janeiro de 2026, em Davos, num cenário internacional marcado por tensões crescentes, conflitos regionais e pelo enfraquecimento das instituições multilaterais. Nesse ambiente, a China optou por se apresentar como defensora declarada da estabilidade econômica global e da cooperação internacional, retomando ideias já expostas pelo presidente Xi Jinping em discursos anteriores no mesmo fórum.

He Lifeng recuperou a metáfora usada por Xi em 2017, quando o líder chinês afirmou que tentar “canalizar as águas do oceano de volta para lagos isolados” era impossível e contrário à história. A imagem voltou agora para criticar o isolamento econômico, o fechamento de mercados e a tentativa de reverter a globalização por meio de barreiras artificiais.

O discurso insistiu que a globalização pode gerar distorções, mas que a resposta não está no isolamento. “O caminho correto é encontrar soluções por meio do diálogo”, afirmou. A China, segundo ele, defende uma globalização “universalmente benéfica e inclusiva”, baseada na cooperação e na complementaridade entre economias.

A defesa do livre comércio apareceu de forma indissociável da defesa da paz. Ao falar sobre o sistema internacional, He Lifeng afirmou que “as regras devem se aplicar igualmente a todos” e que nenhum país pode se arrogar privilégios apenas com base em sua força econômica ou militar. A crítica à “lei da selva” foi acompanhada da defesa explícita da soberania nacional e do direito de cada país escolher seu próprio caminho de desenvolvimento.

Nesse ponto, o vice-primeiro-ministro reafirmou o compromisso da China com a Organização Mundial do Comércio. Lembrou que o país vem cumprindo rigorosamente suas obrigações desde a adesão e destacou uma decisão recente: a China anunciou que não buscará novos tratamentos especiais ou diferenciados em negociações futuras. O objetivo, segundo ele, é fortalecer a credibilidade do sistema multilateral e ampliar a representatividade dos países do Sul Global.

Outro tema central foi a rejeição à lógica da soma zero. Para He Lifeng, desenvolvimento não é um jogo de “eu ganho, você perde”. “Fazer o bolo crescer juntos é mais importante do que brigar por fatias”, afirmou. A China, disse ele, não busca superávits comerciais permanentes e pretende se consolidar também como um grande mercado consumidor, ampliando importações e oportunidades para outros países.

Ao abordar as relações entre China e Estados Unidos, o discurso adotou um tom pragmático. He Lifeng reconheceu que houve tensões recentes, mas destacou que o diálogo permitiu estabilizar a relação econômica bilateral. “Os fatos mostram que a China e os Estados Unidos ganham com a cooperação e perdem com o confronto”, afirmou, acrescentando que sempre haverá “mais soluções do que problemas” quando há disposição para negociar em pé de igualdade.

No campo interno, o vice-primeiro-ministro apresentou a China como fator de estabilidade para a economia global. Destacou o crescimento médio anual de cerca de 5,4% nos últimos cinco anos, a expansão da economia para mais de 140 trilhões de yuans e a contribuição de aproximadamente 30% para o crescimento mundial. Lembrou ainda que o país importou mais de US$ 15 trilhões em bens e serviços nesse período, reforçando a ideia de que o dinamismo chinês beneficia outras economias.

O discurso avançou também sobre inovação e clima. He Lifeng reafirmou as metas chinesas de pico de emissões antes de 2030 e neutralidade de carbono até 2060, destacando que o país construiu o maior sistema de energias renováveis do mundo. Defendeu cooperação internacional em tecnologia, inteligência artificial e transição energética, ressaltando que inovação exige colaboração, não isolamento.

Ao final, a mensagem foi direta: “A sabedoria de Davos está no diálogo, e o futuro do mundo depende da cooperação”. Em um momento em que parte do debate internacional é dominada por ameaças, sanções e discursos de força, a China apresentou uma narrativa alternativa — baseada em regras, soberania, comércio aberto e paz.

Um discurso que passou relativamente despercebido, mas que ajuda a entender a disputa de projetos em curso na ordem internacional.

¨      Aos 95 anos, historiador analisa China, EUA e a disputa por uma nova ordem

A história chinesa, segundo o historiador Wong Gong Wu, não pode ser vista como um arquivo encerrado. Ela funciona, ainda hoje, como um guia político que influencia decisões estratégicas e a forma como a sociedade chinesa interpreta o mundo. Aos 95 anos, o professor — um dos mais respeitados especialistas em história da China, radicado em Singapura — afirma que conceitos forjados ao longo de séculos seguem no centro da política contemporânea do país.

As reflexões foram apresentadas em entrevista ao canal do YouTube do apresentador Max Chernov, no vídeo “95-year-old Professor on China, US and a New World Order”. Ao longo da conversa, Wong percorre o colapso do império, a guerra civil chinesa, a vitória comunista em 1949 e os desafios atuais envolvendo os Estados Unidos, Taiwan, liberdade política e estabilidade global.

<><> A unidade como valor central da história chinesa

Para Wong Gong Wu, a noção de unidade nacional é um dos pilares mais profundos da tradição política chinesa. Ele sintetiza essa herança de forma direta: “Na tradição chinesa, existe apenas uma China, assim como existe apenas um sol no céu. Essa China precisa estar unida.” Na avaliação do historiador, a experiência histórica associou a fragmentação ao caos, à pobreza e à violência, enquanto a unificação passou a ser vista como condição para prosperidade e segurança.

Ao revisitar o início do século 20, Wong explica que, após a derrota para o Japão em 1894, as elites chinesas passaram a temer o desaparecimento do próprio país. A criação da República da China, inspirada em modelos europeus e norte-americanos, não trouxe estabilidade. “A revolução política fracassou. O que veio depois foi a divisão do país entre senhores da guerra, durante cerca de 15 anos”, afirmou. Esse cenário, segundo ele, abriu caminho para a guerra civil entre nacionalistas e comunistas, com apoio externo das grandes potências da época.

<><> Dois modelos ocidentais e a busca pela modernização

O historiador destaca que, naquele momento, os chineses enxergavam dois caminhos distintos de modernização, ambos considerados “ocidentais”. “Para os chineses, havia dois Ocidentes: o anglo-americano, ligado aos Estados Unidos, e o socialista, representado pela União Soviética”, explicou. Nacionalistas e comunistas, embora rivais, concordavam em um ponto: era necessário aprender com o Ocidente para salvar a China.

Décadas depois, essa lógica reapareceu durante a abertura econômica. Wong associa esse processo a uma releitura do marxismo feita pela liderança chinesa. “O capitalismo sabe criar riqueza. Não há nada de errado nisso. E só quando existe riqueza é possível falar em socialismo, porque o socialismo redistribui o que já foi criado”, afirmou. Para ele, a ideia de “socialismo com características chinesas” surgiu como tentativa de combinar crescimento econômico, identidade nacional e controle político.

<><> Liberdade política e o pacto pela estabilidade

Wong reconhece que a China impõe limites claros à liberdade política, mas ressalta que muitos cidadãos enxergam essa restrição de forma pragmática. “A principal coisa que você não é livre para fazer é dizer o que quiser sobre política”, afirmou. Segundo ele, críticas públicas à liderança, especialmente em redes sociais, são rapidamente bloqueadas. “Você não pode dizer em público que não gosta do presidente Xi Jinping, muito menos publicar isso”, acrescentou.

Ao comparar com sistemas eleitorais do Ocidente, Wong questiona se a disputa política permanente é, de fato, central para a vida da maioria das pessoas. “Para muitos, eleições acabam parecendo um espetáculo, como assistir a um jogo de futebol”, disse. Em contraste, ele afirma que a tradição chinesa valoriza um Estado orientado pelo desempenho administrativo. “A ideia de bom governo, na China, é a de um governo que cuida das pessoas, formado por dirigentes treinados, avaliados pelo desempenho e promovidos pelo mérito.”

<><> Estados Unidos, polarização e Donald Trump

Ao analisar o cenário político norte-americano, Wong afirma que a polarização extrema compromete o funcionamento da democracia. Para ele, o sistema depende de uma maioria moderada, capaz de negociar e construir consensos, algo que estaria se perdendo. “Hoje quase não existe mais centro. Os lados se vêem como inimigos”, observou.

Nesse contexto, ele cita Donald Trump como um exemplo de liderança que prospera em ambientes altamente polarizados. “Alguém como Trump pode chegar ao poder dizendo o que quiser e fazendo o que quiser, porque não há moderação suficiente para contê-lo”, afirmou. Segundo Wong, quando a política se reduz à lógica do “vencedor leva tudo”, a democracia perde legitimidade e estabilidade.

<><> Intervenções externas e perda de credibilidade

Wong também avalia que a imagem de liderança global dos Estados Unidos foi enfraquecida por intervenções militares mal sucedidas. “Onde quer que os Estados Unidos tenham intervindo, os resultados foram ruins”, disse, citando conflitos no Oriente Médio e no Norte da África. Para ele, essas ações minaram a confiança internacional e também a autoconfiança da própria sociedade norte-americana.

<><> China e EUA: competir sem guerra

Apesar das tensões, o historiador diz acreditar que um confronto militar direto não é o objetivo de nenhum dos lados. “Tenho razões para acreditar que tanto os Estados Unidos quanto a China querem evitar uma guerra a qualquer custo”, afirmou. A alternativa, segundo ele, é a disputa econômica e tecnológica. “Se não houver guerra, a competição vai ocorrer na economia, na ciência e na tecnologia”, explicou, apontando esse caminho como menos destrutivo para a ordem global.

<><> Taiwan e o risco da escalada

Sobre Taiwan, Wong afirma não acreditar que Pequim deseje resolver a questão pela força. “Não acho que a China queira tomar Taiwan militarmente, porque isso significaria matar muitos chineses”, disse. Para ele, a principal preocupação de Pequim é estratégica: “O que a China quer é garantir que Taiwan não seja usada como base para atacar o território continental.”

O historiador considera possível manter o status quo por longo tempo, desde que não haja iniciativas externas que tratem Taiwan como um Estado independente. “Gestos que dão a impressão de que Taiwan é um país separado são vistos como provocações”, alertou.

<><> Identidade, fronteiras e legado

No plano mais filosófico, Wong relativiza o peso das fronteiras nacionais. “Não vejo as fronteiras como algo sagrado. Elas são uma definição legal, não tudo aquilo que somos”, afirmou. Para ele, identidades são múltiplas e mutáveis, e a ideia de lealdade absoluta a uma única identidade nacional é um conceito moderno, associado a conflitos e guerras.

Ao final, o historiador reflete sobre a própria vida e o sentido do conhecimento. “Você não pode levar nada com você”, disse. E completou: “O mais importante foi aprender, reconhecer erros e transmitir o que aprendi. Se isso ajudou outras pessoas, então valeu a pena.”

¨      A China diante do caos e de Taiwan. Por Elias Jabbour

O presidente chinês Xi Jinping em sua mensagem de final de ano lançou uma frase muito objetiva e que, mesmo para o senso comum diplomático, pode ter passado despercebido: “A tendência histórica de reunificação da pátria é irreversível”. O presidente claramente estava se referindo a Taiwan. Qual a grande novidade semiótica deste pronunciamento? Simples sem ser simplista: a noção de unificação pacífica desapareceu do léxico colocando em seu lugar a nada sutil expressão de “tendência histórica”.

A tradução de “tendência história” deve ser a mais clara possível. Trata-se de um processo cuja nenhuma ação humana seja capaz de conter. Da mesma forma que as leis da natureza impõe regularidades que dão o ritmo das mudanças no meio natural. Na prática, nem as ações de outras potências – notadamente os Estados Unidos – poderão conter esse processo. Processe este que já não poderá ser pacífico como outrora e sim de acordo com as necessidades colocadas pela própria história. Inclui-se a guerra propriamente dita.

De um ponto de vista particular, para o lado chinês, o melhor cenário é o da manutenção do atual status quo com a ilha mantendo seus símbolos, moeda e sistema, porém sem declarar independência. Porém, o cenário muda ao longo das duas últimas décadas na mesma proporção em que as forças de oposição ao Kuomintang acumulam forças e alcançam o poder central da ilha em linha com a direita mais inconsequente dos EUA que podem ser localizadas tanto dentro dos Partido Democrata quando no Partido Republicano.

Vejamos, ao mesmo tempo em que Donald Trump desautoriza a primeira-ministra japonesa a provocar abertamente a China usando-se da questão de Taiwan como meio, os Estados Unidos venderam um pacote de US$ 12 bilhões em armas à província. Tratou-se de uma provocação aberta aos chineses que, por sua vez, responderam com sanções contra cerca de 20 empresas de defesa dos EUA edez altos executivos ligados às vendas de armas. Ao lado destas medidas, exercícios militares na região foram retomados em clara demonstração de força e das capacidades do continente em cercar e bloquear a ilha.

Porém, ficam duas questões mais estratégicas. Como a China se preparou, e se prepara, para o caos global tendo em vista seus interesses em Taiwan e no mar do Sul da China? E como o país trabalha diante de um “acordão” com os Estados Unidos?

A segunda questão é menos complexa, pois demanda um exercício de lógica formal simples para uma conclusão. Os EUA não são um país confiável, mesmo acenando para um recuo às outrora “áreas de influência”, o que deixaria a China com liberdade de ação em seu entorno. Perguntemos. Tendo em vista que o grande interesse estratégico estadunidense é deter a China, o que demanda desgastá-la, qual o sentido de “abandonar” Taiwan e o mar do Sul da China? Respondo: nenhum.

Já a primeira questão tem mais alto grau de complexidade. O caos. Ainda precisamos encontrar uma dialética que nos entregue a relação entre a atual doutrina de política externa do país, o “Corolário Trump” e a estratégia global de uma potência decadente que necessita do caos enquanto forma de governança em um mundo em intensa transformação e com bases materiais muito diferentes da “retomada da hegemonia” nos anos de 1980 com Ronald Reagan.

Traduzindo, a China de hoje é completamente diferente da então União Soviética e o próprio Japão. No limite, os EUA nunca aceitarão sua superação. E nisso Taiwan é ainda um grande ativo em suas mãos como forma de conter e desgastar a China.

A China diante desse cenário opera em várias frentes e em nenhuma delas o trabalho deu-se início agora ou recentemente. O próprio projeto de modernização iniciado em 1978 foi uma resposta à demanda histórica de reunificação do país via criação de uma zona de convergência econômica entre o continente e Hong-Kong, Macau e Taiwan enquanto base do conceito de “um país, dois sistemas”.

O resultado é uma dependência econômica de Taiwan em relação ao continente nada pequena: quase um terço das exportações de Taiwan vai para a China, e cerca de um quinto das suas importações vêm do continente – o que faz de China/Hong Kong o parceiro econômico mais importante do ponto de vista do comércio. Do ponto de vista econômico e comercial, Taiwan já foi absorvida pela China. E isso é fundamental.

Militarmente, a expansão dos gastos chineses no setor é uma necessidade tanto histórica quanto de um entorno regional cada vez mais instável, incluindo a própria dinâmica taiwanesa. Entre 2019 e 2025 o orçamento militar oficial da China tem crescido todos os anos a taxas médias de 6,9%. Suas capacidades de dissuasão e coerção tem-se elevado em grande proporção, ainda que uma ocupação militar da província ainda não seja uma opção imediata.

O mais importante nesse ponto é a já citada e demonstrada capacidade chinesa em isolar Taiwan por mar, ar e terra. O país já conta com três porta-aviões, muito distante dos EUA ainda, mas o recém-lançado Fujian é capaz de rivalizar com o USS Gerald R.

A elevação da pressão psicológica aliada a crescentes gastos e presença militar ao redor da ilha tem sido altamente funcional para, ao menos por enquanto, manter o atual status quo. Ao que tudo indica, a mudança semiótica conforme notada no discurso de ano novo e Xi Jinping esteja em conformidade com a oficialização do caos enquanto instrumento de governança mundial.

As coisas não tendem a parar por aí. O consenso entre especialistas ocidentais é que em 2027 o continente esteja pronto para uma tomada militar total da “província rebelde”.

¨      Chancelaria chinesa: China e Estados Unidos se prejudicam quando brigam

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou durante uma coletiva de imprensa, que, no ano passado, as relações entre a China e os Estados Unidos passaram por altos e baixos e mantiveram, de modo geral, uma estabilidade dinâmica, não apenas em consonância com os interesses comuns dos povos dos dois lados, mas também em linha com as expectativas comuns da comunidade internacional.

Segundo ele, o desenvolvimento das relações entre Beijing e Washington comprovou mais uma vez que, quando cooperam, ambos se beneficiam; quando brigam, ambos se prejudicam. A China e os Estados Unidos devem explorar e encontrar um modo correto de convivência, com base na igualdade, no respeito e no benefício recíproco.

A China está disposta a promover, junto com os Estados Unidos, o desenvolvimento estável das relações bilaterais, ao mesmo tempo em que defende firmemente os próprios interesses de soberania, segurança e desenvolvimento, disse o porta-voz.

 

Fonte: Brasil 247/A Terra é Redonda

 

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