Fragmentada
e sem condições de enfrentar os EUA, OTAN caminha para a implosão, avalia
analista
À
Sputnik Brasil, analista aponta para uma deterioração da aliança atlântica,
alimentada pelo desprezo do governo Trump, desconfiança interna crescente entre
seus membros e incapacidade de países europeus de criar uma agenda externa
própria e independente dos EUA.
O
presidente estadunidense, Donald Trump, afirmou em coletiva na terça-feira (20)
que "algo muito bom vai acontecer na Groenlândia" e que tem
reuniões para discutir a questão da ilha nos próximos dias. A declaração vem em
um momento que as investidas de Washington sobre a Groenlândia elevam a tensão
com a Europa.
Em meio
a esse contexto, países europeus anunciaram o envio
de soldados à
Groenlândia para uma missão de reconhecimento e avaliação de possíveis
contribuições de segurança à ilha. O presidente francês, Emmanuel Macron,
intitulou a missão como Operação Resistência no Ártico. Além disso, membros da
Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) deixaram de
compartilhar informações
de inteligência com Washington temendo que possam ser usadas em uma
tentativa de tomar a ilha pela força.
Em
entrevista à Sputnik Brasil, Héctor Saint-Pierre, especialista em
segurança internacional da Universidade Estadual Paulista (Unesp), afirma que
Trump, desde que assumiu o segundo mandato, se manifestou favorável a tomada do
controle do canal do Panamá e a incorporação do Canadá e a Groenlândia. O que
inicialmente parecia um discurso criado para impressionar se mostrou uma ameaça
real após os acontecimentos na Venezuela. Na ocasião, em que Washington
desrespeitou "todos os princípios do direito internacional", ficou
exposto que "não havia limites para a vontade do presidente dos EUA"
O
cenário expansionistas foi formalizado em 3 de janeiro deste ano, quando o
governo Trump publicou sua Estratégia de Defesa Nacional, na
qual incorporou o caráter imperialista da Doutrina Monroe. O documento
apresenta uma estratégia voltada para um mundo dividido em esferas de
interesse, estabelecendo praticamente uma nova ordem mundial liderada por
grandes potências: EUA, Rússia, China e Índia. "A Europa, na verdade, não
é mencionada [no documento]. A Europa é relegada naquele documento,
humilhada."
"Melindrados"
pelas ações da Casa Branca, os países da OTAN enviaram suas tropas à
Groenlândia. Poucos dias depois, no entanto, a Alemanha retirou seus soldados,
evidenciando uma fratura na aliança. Esses eventos, somados ao crescente
desprezo dos Estados Unidos pela OTAN, não são os únicos sinais de implosão
interna. A França, por exemplo, está desconfiada do rearmamento acelerado da
Alemanha, que agrediu e ocupou a Europa durante a Segunda Guerra Mundial. "Com
essas questões, a OTAN está quebrando. Não há confiança. A confiança política é
como uma taça de cristal, uma vez quebrada é impossível recuperar." Por
outro lado, uma vez quebrada a aliança, a Europa se encontra sem condições de
resistir a um confronto com os Estados Unidos. Essa incapacidade bélica,
acrescenta o especialista, ficou demonstrada no conflito ucraniano, no qual os
europeus abasteceram a Ucrânia com treinamento militar e armamento, e ainda
assim a Rússia sai fortalecida do embate.
Mesmo
elevando o gasto com a defesa para 5% do Produto Interno Bruto (PIB), os
países europeus não têm condições de criar uma indústria de defesa autônoma,
que levaria muito tempo de desenvolvimento científico e tecnológico,
possivelmente décadas, para alcançar o nível das grandes potências. "Ainda
assim, quando conseguissem alcançar esse nível, provavelmente China, Rússia e
EUA já estariam em um outro nível acima de desenvolvimento tecnológico",
comenta Saint-Pierre. A disparidade chegou a tal ponto que o próprio Trump
demonstra mais respeito ao presidente russo, Vladimir Putin, que à Europa.
Essa
falta de coesão interna da aliança já era vista conhecida, enfatiza o
professor, uma vez que ela sempre seguiu os interesses norte-americanos em
detrimento da política externa europeia. Foi assim durante a invasão do Iraque,
na questão da Iugoslávia, na Líbia e no Afeganistão. "A política externa
da Europa, até o momento, era dependente dos EUA, da decisão imperialista dos
EUA. Neste momento, os europeus se sentem impotentes e desorientados diante de
políticos de tão baixo nível. A Europa nunca teve políticos, dignitários ou
magistrados de tão baixo nível e tão impopulares. As próprias sociedades não se
sentem representadas, o que leva a uma ruptura entre as sociedades e seus
líderes, podendo resultar em um declínio prematuro da Europa."
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Postagem de Trump sobre OTAN 'tira máscaras' de muitos
líderes europeus
A
postagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sua rede social
Truth Social, sobre o reconhecimento da OTAN e da ONU como inimigos de
Washington, tirará máscaras de muitos líderes europeus, disse à Sputnik o
especialista em conflitos internacionais russo Vitaly Arkov. Donald
Trump postou uma mensagem em sua página na rede social Truth Social dizendo que as
Nações Unidas e a OTAN, e não a Rússia e a China, são os verdadeiros
inimigos dos Estados Unidos.
Vitaly
Arkov, chefe da rede analítica de especialistas PolitRUS, deixou sua opinião de
que, embora as Nações Unidas precisem de uma ampla reforma para que suas
atividades retornem às metas e objetivos estabelecidos durante sua criação, o
presidente norte-americano pode não ter razão ao dizer que a
organização é o inimigo dos Estados Unidos. "Mas ele tem razão sobre a
OTAN. Os próprios Estados Unidos criaram um monstro que agora não é
mais administrável, e sua burocracia europeia está até tentando se colocar
contra Washington. Este tweet de Trump tirará as máscaras de muitos
líderes europeus", disse Arkov.
Segundo
ele, já há muito tempo que a OTAN deixou de ser uma organização útil, porque a
Rússia já fez inúmeras declarações de que não tem intenção de entrar em
uma guerra com o Ocidente e não tem planos agressivos contra os países-membros da OTAN. Mais do que isso,
ele ressaltou que a ajuda militar da Europa prestada ao regime e Kiev na
Ucrânia em um confronto contra Moscou revelou um óbvio atraso das forças
armadas e dos complexos militar-industriais dos países europeus. Até a
incapacidade de dar sua resposta à suposta ameaça russa e chinesa prova esse
fato.
"Ao
mesmo tempo, os Estados Unidos continuam sendo um doador fundamental para a
OTAN, e o que está acontecendo levanta em Washington questões
lógicas sobre para onde vão seus financiamentos", destacou o
analista.
Arkov
ressaltou que, segundo Washington, em vez da esperada gratidão e apoio, os EUA
recebem "provocações e oposição" da Europa. E essa discórdia entre os
aliados da OTAN começou muito antes da história com a
Groenlândia.
Anteriormente, o chefe da Casa Branca questionou a disposição da OTAN em vir em
auxílio dos Estados Unidos, se necessário. Segundo ele, os Estados Unidos, ao
contrário de seus aliados, estão prontos para cumprir suas obrigações, enquanto
Washington, como ele acredita, fez a maior contribuição para o trabalho da
Aliança e arca com os principais custos financeiros para sua manutenção.
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Se UE quiser ser independente dos EUA, bloco deve escalar
tensão com Washington, diz mídia
O
presidente dos EUA, Donald Trump, pode deixar de apoiar a Ucrânia se a União
Europeia (UE) usar uma "bazuca comercial" contra os EUA por causa da
Groenlândia, escreve o jornal The New York Times. O jornal destaca que a UE pode
introduzir cotas comerciais, restringir o acesso aos mercados financeiros,
revogar direitos de propriedade intelectual, proibir investimentos e impor
restrições às importações e exportações. "O risco de usar esse instrumento
é que Trump se precipite e retire imediatamente todo o apoio à Ucrânia, o
que seria um desastre para a Europa. Isso seria um desastre para a
Europa", ressalta a publicação.
Segundo
a matéria, isso também seria uma catástrofe para os Estados Unidos e para o
próprio Trump, pois os mercados provavelmente entrariam em colapso, e as
relações transatlânticas se desintegrariam. Além disso, o artigo salienta
que a única maneira de a UE manter sua independência em relação aos EUA é
retaliar, escalando as tensões com Washington. Nesse contexto, o jornal
especifica que, encurralada por sua repetida submissão aos EUA, a Europa só
pode sair da crise se decidir não recuar.
"Para
fazer isso, a Europa precisa incorporar em sua política econômica ideias que
parecem estranhas a um continente que prefere o poder suave a estratégias de
segurança rígidas, como dissuasão, ameaças credíveis e domínio da
escalada", enfatiza o material. Dessa forma, a publicação conclui que,
para preservar sua autonomia, a UE deve tomar medidas decisivas, incluindo a
aplicação de restrições
econômicas e
financeiras aos Estados Unidos.
Na
terça-feira (20), o presidente da França, Emmanuel Macron, declarou no Fórum
Econômico Mundial, em Davos, que a Europa deve estar pronta para aplicar um
"mecanismo de contra-ataque à coerção", frequentemente chamado de
"bazuca comercial", quando não for respeitada. Na sexta-feira (16),
Trump impôs tarifas de 10% à Dinamarca, à Noruega, à Suécia, à França, à
Alemanha, ao Reino Unido, aos Países Baixos e à Finlândia, devido à
discordância deles com suas reivindicações sobre a Groenlândia. As tarifas
entrarão em vigor em 1º de fevereiro, aumentarão para 25% em junho e
permanecerão em vigor até que a ilha seja controlada por Washington. Macron
respondeu que a UE pode aplicar uma "bazuca comercial" contra os
Estados Unidos. Isso inclui impostos e taxas adicionais para empresas de
tecnologia, restrições a investimentos, acesso ao mercado da UE e participação
em licitações para contratos públicos.
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Trump não vai levar em conta interesses da OTAN e da UE em suas pretensões à
Groenlândia, diz analista
A
posição e o comportamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em
relação à Groenlândia indicam sua atitude desdenhosa em relação à reação da UE
e da OTAN, que ele não considera como contrapartes nesse assunto, disse à
Sputnik o observador político turco Ercan Mumlu.Segundo o analista, a atitude desdenhosa
de Trump em relação à União Europeia e à Organização do Tratado do Atlântico
Norte, de fato, reflete sua percepção constante dessas estruturas não como
centros independentes de poder, mas como ferramentas que devem se adaptar
à agenda norte-americana. "Trump não se preocupa com a reação da UE e da
OTAN — ele não as considera como seus homólogos", disse o
interlocutor da agência.
O
observador turco explicou que, na ótica de Donald Trump, esses
"aliados" de Washington podem ser valiosos apenas nos casos em
que fortalecem a posição dos EUA, compartilham o fardo financeiro e militar
e não limitam a
liberdade de ação da Casa Branca. É por isso que o desrespeito flagrante pela
opinião de Bruxelas e dos mecanismos da OTAN se torna uma forma de
pressão para os Estados Unidos, destacou o observador. Ele esclareceu que
tal abordagem norte-americana destrói o modelo usual de "solidariedade
transatlântica" e, ao mesmo tempo, empurra a Europa para uma maior
submissão ou para uma dolorosa busca de autonomia estratégica.
A
Groenlândia faz parte do Reino da Dinamarca. No entanto, Donald Trump
afirmou repetidamente que a ilha deveria se tornar parte dos Estados Unidos. As
autoridades da Dinamarca e da Groenlândia alertaram Washington contra a tomada
da ilha, observando que esperam respeito por sua integridade territorial. Na
véspera, na mídia ocidental foi divulgada a informação que Donald Trump,
buscando uma maneira de conquistar a ilha, está considerando pagar
até US$ 1 milhão (R$ 5,3 milhões) a cada morador da Groenlândia caso
a ilha aceite se tornar parte dos Estados Unidos.
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'Sentença de morte para OTAN': analista avalia consequências de ações dos EUA
na Groenlândia
Uma
possível operação militar dos EUA na Groenlândia pode significar a sentença de
morte para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e pôr fim à
cooperação em matéria de defesa entre Washington e Bruxelas, disse à Sputnik
Enver Demirel Yilmaz, analista político turco. Yilmaz destacou que medidas como
essas, por parte de Washington, podem minar os fundamentos da
solidariedade transatlântica.
"A
demonstração de força dos Estados Unidos na Groenlândia
será uma sentença de morte para a OTAN", ressaltou. Segundo o analista, se
os EUA tiverem preocupações legítimas sobre a segurança na região do Polo
Norte, essa questão deve ser levada para discussão no Conselho Atlântico
da OTAN. Na opinião do especialista, a Europa deve acelerar o processo de
integração e começar a formar um sistema de defesa verdadeiramente
conjunto. Além disso, o continente poderia estreitar laços com outros países
que também manifestam sérias preocupações com o que está acontecendo.
"A Europa deve agir, pois as medidas dos EUA podem pôr fim à cooperação em
defesa entre Washington e Bruxelas", concluiu.
Desde o
início de seu segundo mandato, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou diversas
vezes que a Groenlândia deveria fazer parte dos Estados Unidos. Após a operação
militar na Venezuela, ele começou a insistir abertamente em sua aquisição.
Trump afirma que há supostamente submarinos russos e chineses ao redor da ilha,
enquanto sua defesa consiste em apenas dois trenós puxados por cães. Tal
afirmação provocou críticas severas na própria Groenlândia, cujas autoridades e
a maioria dos habitantes se opõem à adesão aos EUA. A iniciativa também
não recebeu apoio na Europa. Cabe destacar que Rasmus Jarlov, presidente da
Comissão de Defesa do Parlamento dinamarquês, afirmou anteriormente à CNN que a
Dinamarca entrará em guerra com os EUA se estes tentarem invadir a Groenlândia.
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Groenlândia, o fator inesperado que revela a
'incongruência e a tibieza' da União Europeia
Por
muito tempo, a União Europeia fabricou inimigos externos como Rússia e China
para justificar suas políticas, vangloriando-se de ser o núcleo daquele
"mundo baseado em regras" tão alardeado no Ocidente. Ao mesmo tempo,
deixou segurança e defesa nas mãos da OTAN, ou seja, dos EUA. Hoje, a
Groenlândia e Trump expõem a insensatez de tais decisões. O tempo começa a
cobrar seu preço em Bruxelas. Enquanto a classe
política europeia buscava confrontos no leste, descobriu-se que o
verdadeiro problema estava em casa, dentro de sua própria rede de aliados. "Quem
diria que um conflito — invisível por gerações — finalmente irromperia entre os
EUA e a Europa, com a Groenlândia como epicentro
dessa tempestade geopolítica?", indagou o jornal chinês Global Times.
O que
começou como uma piada tornou-se um ponto crítico de discórdia dentro da
Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e da União Europeia (UE), onde
Washington, até recentemente, era recebido como um rosto familiar. No início de
2025, ninguém em Bruxelas levou a sério o comentário de Donald Trump sobre
"comprar" ou "apoderar-se" da Groenlândia. Nem mesmo os
próprios groenlandeses.
Mas o
tempo passou e a situação mudou. A Casa Branca agora não esconde suas
ameaças: a ilha ártica estará sob controle americano, mesmo que isso
signifique uma intervenção militar em um território sob a proteção da
Dinamarca, ou seja, da OTAN.
Diante
dessa situação de "fogo amigo" dentro do Ocidente — mas especialmente
dentro do supostamente sólido bloco atlântico — oito países europeus se
declararam contrários aos interesses de Trump: Alemanha, Dinamarca,
Finlândia, França, Noruega, Países Baixos, Reino Unido e Suécia. Uma posição
que — diga-se de passagem — não foi além de uma forte condenação formal e
do envio supérfluo de algumas tropas alemãs e dinamarquesas. Nada mais.
"A
resposta que [os líderes europeus] deram a Washington foi incrivelmente
morna. Foi absurdo ver [os alemães] enviarem 15 soldados para a Groenlândia. E
o pior é que, quando Trump ameaça com tarifas, os alemães recuam. É
ridículo", observa Mauricio Alonso Estévez, especialista em relações
internacionais da Universidade Autônoma do México (UNAM) e doutor em Ciências
Sociais, em entrevista à Sputnik. O especialista também destaca que essas
nações europeias expressam seu suposto medo de que a China ou a Rússia
controlem o Ártico, quando, na realidade, o país que busca o controle da
Groenlândia são os EUA.
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'As elites europeias carecem de perspectiva própria'
As
classes políticas que governam em Bruxelas perseguem interesses muito
específicos que geralmente se alinham a uma agenda ditada por Washington.
Segundo Estévez, isso poderia explicar o papel incongruente e passivo que
a União Europeia desempenha hoje diante das intenções dos EUA de tomar a
Groenlândia a qualquer custo. Por um lado, aponta o analista, a Europa adotou
medidas beligerantes e antirrussas devido ao conflito na Ucrânia, país que
apoiou militar e financeiramente, mesmo em detrimento dos seus próprios
interesses — estima-se que, desde fevereiro de 2022, tenha repassado US$
196 bilhões (mais de R$ 1 trilhão em valores atuais) a Kiev, de acordo com
a Comissão Europeia.
No
entanto, quando Washington ameaça o território de um dos seus membros — a
Groenlândia, cuja defesa está sob a jurisdição da OTAN — emite apenas algumas
declarações e envia um contingente insignificante (além dos 15
soldados alemães, as outras nações europeias enviaram mais 40). "Aqueles
que ocupam posições importantes no âmbito da integração da União Europeia são
figuras políticas que claramente carecem de uma perspectiva independente focada
no bem-estar do povo europeu. O que eles realmente buscam é salvaguardar seus
interesses econômicos e manter o poder, e para isso, alinham-se aos EUA",
destaca Estévez.
Essa
"subserviência" a Washington, acrescenta o especialista, é observada
na forma como Bruxelas avalia cada situação geopolítica de acordo com sua
perspectiva construída: “enquanto
considera o conflito ucraniano "inaceitável" e "escandaloso" e responde
com veemência contra a Rússia, na questão da Groenlândia prefere
adotar "posições discretas e tímidas" e, na Faixa de
Gaza, "recusa-se a falar abertamente de genocídio. Não podemos
esquecer que a OTAN foi criada no início da Guerra Fria com o objetivo central
e retórico de formar uma aliança de segurança contra o comunismo e o Pacto de
Varsóvia, mas, na realidade, também foi uma forma de os EUA interferirem nos
assuntos internos da Europa", afirma.
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Narrativa russofóbica da União Europeia
A União
Europeia vê a China e a Rússia
como "adversárias" ou "inimigas" porque,
durante séculos, "a identidade europeia foi construída em contraste com o
Oriente, seja o mundo islâmico, a China ou a Rússia, embora esta última também
possua características europeias notáveis", observa Estévez. "Essa
perspectiva europeia exclui os russos e os posiciona como o inimigo que
potencialmente atacará a Europa. No entanto, trata-se apenas de uma narrativa
construída que não se sustenta em fatos históricos", aponta. "Na
verdade, quando analisamos como os conflitos entre a Europa Ocidental e a
Rússia começaram, vemos basicamente que tudo foi desencadeado por ataques
originários da Polônia, da França ou da Alemanha, para citar alguns
exemplos", destaca o especialista.
Ele
ressalta um toque de "russofobia" no envolvimento total de
Bruxelas na crise na Ucrânia — um país que nem sequer faz parte da União
Europeia ou da OTAN — enquanto em outros conflitos ou ameaças prefere
manter distância. Durante anos, reflete o Global Times, a Europa
interpretou mal as suas próprias oportunidades de desenvolvimento no cenário
global em transformação, tornando-se "excessivamente dependente dos seus
laços profundos com os EUA e negligenciando a cooperação com parceiros mais
amplos, como a China e a Rússia". O resultado, conclui, é que a Europa se
tornou um bloco "facilmente intimidado" e "com
pouca capacidade de se defender", mesmo contra o seu próprio aliado:
Washington. "As relações entre a China e a Europa, outrora prósperas em
termos de cooperação econômica, mudaram quando a Europa seguiu o exemplo dos
EUA e reformulou a sua relação com Pequim a partir de uma perspectiva
ideológica em vez de uma parceria pragmática. A Europa sempre acreditou
que os EUA eram seus amigos, mas será que os EUA veem a Europa da mesma
forma?", conclui.
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Será que a Europa vai se fechar aos EUA?
O
jornal britânico Financial Times noticiou recentemente que
os Estados-membros da UE estão considerando impor tarifas sobre até € 93
bilhões (aproximadamente R$ 578 bilhões) em produtos americanos, além de
negociar o uso do Instrumento Anticoerção, que poderia limitar o acesso de
empresas americanas ao mercado europeu. Segundo Valdis Dombrovskis,
comissário para Assuntos Econômicos do bloco, "nada está
descartado" como retaliação contra Washington, mas até o momento, são
apenas rumores. "A Europa percebeu que Donald Trump só faz exigências, mas
não a considera aliada nem a trata como tal", afirma María Cristina
Rosas, especialista em relações internacionais da UNAM com especialização em
resolução de conflitos pela Universidade de Uppsala, em entrevista. A analista
acredita que, entre os parceiros europeus da OTAN, existe outra
preocupação: a de que Trump estenda seus planos expansionistas a
territórios que pertencem a outras nações europeias ou estão sob sua
tutela, como na Groenlândia, nação constituinte e autônoma do Reino da
Dinamarca.
Fonte:
Sputnik Brasil

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