Escândalo
do Banco Master: o que se sabe e o que falta descobrir
A
Polícia Federal retomou nesta terça-feira (27/1) uma série de depoimentos de
executivos e dirigentes do Banco Master, controlado pelo
empresário Daniel Vorcaro, como parte da operação Compliance Zero, uma
investigação sobre supostas fraudes na tentativa de venda da instituição para o
Banco de Brasília (BRB).
As
suspeitas iniciais são de que o Master, controlado por Vorcaro, teria tentado
vender R$ 12,7 bilhões em carteiras de crédito falsas ao banco público.
Até
agora, as investigações conduzidas pela PF e por órgãos de controle como o
Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam para um esquema
de fraudes financeiras bilionárias supostamente liderado por Vorcaro.
Em nota
divulgada na semana passada, sua defesa sustentou que Vorcaro é inocente.
"Daniel
Vorcaro reafirma sua inocência, segue exercendo plenamente seu direito de
defesa, colaborando com as autoridades dentro dos limites legais e confia no
esclarecimento dos fatos por meio dos instrumentos regulares do devido processo
legal", diz um trecho da nota.
O
banqueiro e pessoas ligadas a ele como seu cunhado, Fabiano Zettel, já foram
presos (e depois liberados) no âmbito da Operação Compliance Zero, que
investiga o caso.
A
quebra do Master atingiu mais de 1,6 milhão de clientes e pode levar a um rombo de mais de R$
47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma associação
privada formada por bancos para garantir o pagamento do reembolso por alguns
investimentos em caso de quebra da instituição financeira.
Mas a
investigação sobre o caso Master não chama atenção apenas pelo aspecto
econômico. Vorcaro era
conhecido pelo trânsito que mantinha tanto no ambiente político quanto jurídico
do país. Por isso, as revelações que podem surgir com o avanço das
investigações vêm causando expectativa em Brasília.
Em meio
a toda essa movimentação, o que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre
o caso envolvendo o Banco Master?
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Por que o Banco Central liquidou o Banco Master?
O Banco
Master e outras quatro empresas do conglomerado comandado por Daniel Vorcaro
foram liquidados extrajudicialmente pelo Banco Central no dia 18 de novembro de
2025. No mesmo dia, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal durante a Operação
Compliance Zero, quando tentava embarcar em um jatinho para os Emirados Árabes
Unidos.
Segundo
nota oficial divulgada pelo Banco Central naquele mesmo dia, as empresas do
conglomerado comandado por Vorcaro foram liquidadas por três motivos
principais:
- crise de
liquidez;
- violações de
normas que regulam o Sistema Financeiro Nacional e;
- comprometimento
da situação financeira das empresas.
A crise
de liquidez do grupo empresarial de Vorcaro era um dos pontos que vinha
chamando atenção de autoridades monetárias e analistas do mercado financeiro há
mais de um ano.
Segundo
documentos do caso envolvendo Vorcaro aos quais a BBC News Brasil teve acesso,
o Banco Master expandiu suas operações entre 2019 e 2024 com base em um modelo
de emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) pagando taxas de retorno
aos seus investidores acima do que normalmente eram praticadas no mercado.
Os CDBs
são ativos financeiros negociados por bancos ou corretoras de valores e que
podem ser adquiridos tanto por pessoas físicas quanto por empresas. As taxas
acima do mercado serviam para atrair mais clientes e para ampliar o volume de
recursos entrando no banco. Por outro lado, o Master se viu obrigado a pagar
taxas altas por esses recursos.
A
estratégia de crescimento do Master, de acordo com um relatório do Banco
Central, passou a enfrentar dificuldades depois que o Banco Master começou a
ter problemas para captar recursos com os quais ele deveria pagar os juros dos
CDBs que ele emitia.
Para
reverter essa situação, ele passou a vender parte dos seus ativos, entre eles,
carteiras de crédito consignado, que são empréstimos feitos normalmente a
funcionários públicos cujas parcelas são descontadas diretamente na folha de
pagamento.
"As
cessões de carteiras foram intensificadas a partir de novembro de 2024, quando
ocorreu agravamento do risco de liquidez, pois o Master passou a não conseguir
rolar a totalidade dos vencimentos das captações", diz um trecho do
relatório.
Em seu
depoimento à Polícia Federal, Vorcaro reconheceu que o Banco Master enfrentou,
sim, problemas de liquidez.
"Existia
uma crise, não era de hoje, mas o Banco Master sempre foi solvente, sempre teve
muito mais ativo que passivo e sempre honrou todos os compromissos até o dia 17
de novembro", disse Vorcaro à PF.
Ainda
de acordo com o executivo, o modelo de negócio do Banco Master era baseado no
funcionamento do FGC. O fundo garante o reembolso de até R$ 250 mil por
investidor (pessoa física ou jurídica) por grupo econômico em caso de
liquidação da instituição financeira.
"O
plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de
errado nisso, essa era a regra do jogo", afirmou.
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Por que o Will Bank também foi liquidado?
O Will
Bank foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central no dia 21 de janeiro
deste ano. O banco era uma das empresas do conglomerado comandado por Daniel
Vorcaro.
Na nota
divulgada pelo BC sobre o episódio, o órgão disse que a liquidação da Will
Financeira (nome oficial do Will Bank) ocorreu depois que a instituição passou
a descumprir seus pagamentos à plataforma de cartões de crédito Mastercard.
"Assim,
tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do
comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do
vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A.,
já sob liquidação extrajudicial", diz a nota divulgada pelo BC.
Na
semana em que a liquidação foi efetuada, clientes do Will Bank relataram que
seus cartões do banco com a bandeira Mastercard não estavam funcionando.
A nota
do BC também disse que o Will Bank não foi liquidado em novembro de 2025, junto
com outras empresas do conglomerado do Banco Master, porque o órgão procurou
uma "solução que preservasse o funcionamento" da empresa.
O Will
Bank foi comprado pelo Banco Master em fevereiro de 2024. A aquisição fez parte
da estratégia de ampliação da base de clientes do banco de Vorcaro. Na época, o
Will Bank tinha uma base de aproximadamente 6 milhões de clientes e com forte
presença na região Nordeste, o que levou o total de clientes atendidos pelo
conglomerado de Vorcaro para 10,5 milhões.
Assim
como no caso do Banco Master, o BC também decretou a indisponibilidade dos bens
dos controladores e ex-administradores do Will Bank.
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Qual o tamanho do prejuízo e quem vai pagar?
Ainda
não há uma estimativa oficial sobre o tamanho do prejuízo causado pela
liquidação das empresas ligadas a Daniel Vorcaro.
Isso se
deve, em parte, à complexidade das operações realizadas pelo grupo.
Mas as
estimativas preliminares apontam que, apenas com clientes diretos dos bancos
Master, Letsbank e Will Bank, o prejuízo possa chegar a R$ 47 bilhões. Esse
valor é referente ao que será desembolsado pelo FGC aos clientes dos bancos.
Se o
valor for confirmado, será o maior caso de quebra de uma instituição financeira
brasileira com impacto sobre o FGC, criado em 1995.
Desse
total, R$ 39 bilhões deverão ser pagos pelo FGC a clientes do Master e Letsbank
e R$ 6,7 bilhões aos clientes do Will Bank.
Pelas
regras do fundo, têm direito a ressarcimento os clientes que mantinham
depósitos ou investimentos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ nessas
instituições.
De
acordo com nota divulgada pelo FGC na sexta-feira (23/1), o fundo já havia pago
R$ 26 bilhões em garantias a credores do conglomerado Master (exceto os do Will
Bank).
O rombo
causado pela quebra do FGC será coberto pelas contribuições feitas por todos os
bancos associados ao fundo. Então, o prejuízo será pago, em parte, tanto por
instituições financeiras privadas quanto pelos cofres públicos.
Segundo
o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dois dos maiores bancos públicos do
Brasil, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, são responsáveis por
aportes ao fundo.
"O
FGC, que todo mundo considera fundo privado, é capitalizado também por dois
bancos públicos. Banco do Brasil e Caixa respondem por um terço da
capitalização do FGC. É um assunto de interesse público por várias razões, mas
também porque envolve recursos de bancos públicos", disse Haddad no dia 13
de janeiro a jornalistas.
O
prejuízo aos cofres públicos, no entanto, pode ser ainda maior à medida que a
Polícia Federal investiga investimentos feitos por fundos de previdência
vinculados a governos estaduais e municipais em títulos emitidos pelo Banco
Master.
Na
sexta-feira (23/1), a Polícia Federal deflagrou a operação Barco de Papel, que
investiga investimentos feitos pela Rioprevidência, instituição que administra
o pagamento de pensões a aposentados e pensionistas do governo do Estado do Rio
de Janeiro.
Segundo
as investigações, a Rioprevidência investiu R$ 970 milhões em títulos emitidos
pelo Banco Master entre novembro de 2023 e julho de 2024.
Em
tese, esses investimentos deveriam gerar rendimentos à Rioprevidência no longo
prazo para ajudar o fundo a pagar pensões e aposentadorias de servidores
fluminenses.
Essas
operações, no entanto, não são cobertas pelo FGC e um eventual prejuízo,
segundo o Ministério da Previdência, precisará ser pago pelas instituições e
pelos governos municipais e estaduais responsáveis.
A PF
quer apurar, agora, se houve irregularidades na escolha dos investimentos pela
Rioprevidência.
Na
semana passada, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), exonerou o
então diretor-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, um dos alvos
da operação.
Em nota
publicada quando o Banco Master foi liquidado, a Rioprevidência disse que o
pagamento aos seus beneficiários está garantido e que "à época das
aplicações, o Banco Master S.A detinha autorização de funcionamento emitida
pelo Banco Central do Brasil".
Para a
economista e professora da Fundação Getúlio Vargas, Carla Beni, o caso dos
fundos de previdência inspira preocupação.
"Esse
é um caso sério pois, como não há garantia do FGC, acredito que haverá
judicialização porque alguém precisa ser responsabilizado pelos investimentos
de recursos de servidores públicos nesse tipo de ativo", diz a economista
à BBC News Brasil.
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O caso do Banco Master é um fato isolado ou existe um problema sistêmico?
A
quebra do Banco Master e as investigações sobre como a instituição cresceu
aceleradamente nos últimos anos geraram dúvidas entre investidores sobre se o
que aconteceu com o Master foi um caso isolado ou se há um problema sistêmico
no ambiente financeiro brasileiro.
De
acordo com uma ata do Comitê de Estabilidade Financeira do Banco Central
divulgada no dia 26 de novembro de 2025, à qual a BBC News Brasil teve acesso,
o cenário não indica um risco ampliado sobre o sistema financeiro nacional, em
parte, por conta do porte do banco, considerado pequeno.
De
acordo com o Banco Central, o conglomerado liderado pelo Banco Master era
responsável por 0,57% do ativo total e por 0,55% de todas as captações de
recursos do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
"A
liquidação extrajudicial de instituições do Conglomerado Master não traz risco
sistêmico (...) Trata-se de conglomerado prudencial bancário, classificado como
de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da
regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Master S.A",
diz um trecho da nota.
O
segmento S3, citado pela nota, se refere às instituições financeiras com porte
entre 0,1 e 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
Carla
Beni, da FGV, também descarta um risco de "contaminação" causado pela
quebra do Master.
"Risco
sistêmico, que é o risco de quebra em cadeia dos bancos, não existe neste caso.
Vivemos uma situação específica. Há uma crítica até válida sobre se o Banco
Central demorou para liquidar o Master, mas temos um nível bom de regulação e o
sistema financeiro nacional está bastante sólido", afirma.
Segundo
a economista, ainda que o risco de "contágio" seja descartado entre
os bancos brasileiros, ela disse que é preciso que as autoridades financeiras
apertem a fiscalização sobre as chamadas fintechs, empresas de menor porte em
comparação aos bancos e que usam tecnologia para inovar o mercado.
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Qual a ligação entre o caso Master e o ministro Dias Toffoli?
A ligação entre o caso do Banco Master
e o ministro do STF, Dias Toffoli, começou oficialmente no dia 1º de dezembro
de 2025, quando ele assumiu a relatoria de um recurso dos advogados de Daniel
Vorcaro pedindo que as investigações da Operação Compliance Zero fossem
remetidas para o Supremo, após a PF ter identificado indícios de transações
comerciais entre Vorcaro e o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA).
Toffoli
atendeu ao pedido da defesa do banqueiro e o caso passou a tramitar no Supremo,
sob sua supervisão. Logo após essa decisão, Toffoli impôs sigilo sobre a
tramitação do caso.
As
polêmicas envolvendo a atuação do ministro se ampliaram poucos dias depois, no
dia 7 de dezembro, depois que o jornal O Globo revelou que o ministro viajou em
um jatinho privado para Lima na companhia do advogado Augusto de Arruda
Botelho, que defende o executivo do Banco Master Luiz Antônio Bull. À época,
Bull já havia sido alvo da Operação Compliance Zero.
Uma
semana depois, Toffoli deu mais uma decisão favorável à defesa de Vorcaro. No
dia 12 de dezembro, ele determinou que os dados das quebras de sigilo bancário
e fiscal de Vorcaro, determinadas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito
(CPMI) do INSS, fossem retirados da comissão e encaminhadas para a Presidência
do Senado.
Na
prática, a decisão limitou a quantidade de parlamentares com acesso aos dados.
Toffoli também determinou a acareação entre executivos do Banco Master e o
diretor de fiscalização do Banco Central, Aílton de Aquino Santos. A decisão
causou surpresa junto à cúpula do BC uma vez que levantou suspeitas sobre a
conduta do órgão que determinou a liquidação do Master.
No
início de janeiro, porém, a pressão sobre a condução de Toffoli sobre o caso
aumentou depois que veículos como o jornal Folha de S. Paulo, Estado de S.
Paulo e Metrópoles revelaram que irmãos de Toffoli teriam vendido ações de um
resort no interior do Paraná em uma transação milionária com um fundo de
investimento ligado à gestora Reag.
No dia
15 de janeiro, a Reag, que agora se chama CBSF Distribuidora de Títulos e
Valores Mobiliários, foi liquidada pelo Banco Central em meio a investigações
conduzidas pela Polícia Federal que apuram as suspeitas de que a empresa teria
cometido fraudes financeiras junto com o Banco Master.
Segundo
as investigações, a gestora é suspeita de usar seus fundos para praticar
fraudes financeiras em benefício do grupo Master. Entre as supostas fraudes
estão movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e minimizar
riscos com indícios de lavagem de dinheiro.
À época
da liquidação, a Reag não se manifestou. Em seu site, no entanto, a empresa
mantém uma nota na qual afirma que "vem a público repudiar alegações
publicadas na imprensa que buscam indevidamente associar a companhia e a
atuação de seus executivos a práticas irregulares e organizações criminosas,
sem apresentar quaisquer provas de envolvimento em atos ilícitos".
Em
2021, uma fatia da sociedade foi vendida a um fundo de investimentos que,
segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, tinha como dono o pastor e
empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.
Em
resposta à reportagem, ele confirmou que foi cotista do fundo, dizendo ter
deixado o investimento em 2022 e destacando que ele foi liquidado em 2025.
Vorcaro
e Zettel foram presos durante a Operação Compliance Zero. Ambos, porém, já
deixaram a prisão.
A
defesa de Vorcaro tem afirmado que ele tem "colaborado integral e
continuamente com as autoridades competentes" e que "todas as medidas
judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total
transparência".
A
empresa dos irmãos de Toffoli, que não tem mais participação na gestão do
resort desde 2025, tem o endereço registrado em uma casa em Marília, em São
Paulo, ainda de acordo com o jornal.
Uma
publicação do portal Metrópoles apontou que, desde dezembro de 2022, Toffoli
passou 168 dias no resort.
Desde
que os vínculos da família Toffoli com o resort Tayayá foram revelados, o
ministro não se manifestou publicamente sobre o assunto.
As
revelações fizeram com que políticos pedissem a saída de Toffoli da relatoria
do caso, mas, na semana passada, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet,
arquivou três pedidos feitos por parlamentares da oposição que pediram o
afastamento de Toffoli do processo.
Apesar
disso, lideranças da direita como a senadora Damares Alves (PL-DF) articulam a
coleta de assinaturas para pedir o impeachment de Toffoli assim que o
Parlamento voltar do recesso, na semana que vem.
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Houve influência de políticos em favor do Banco Master?
Os
documentos públicos divulgados até o momento não permitem dizer se houve ou não
influência política em favor do Banco Master.
Em
Brasília, a expectativa é de que os dados extraídos de telefones celulares e
computadores apreendidos durante as duas fases da Operação Compliance Zero
ajudem a revelar se Vorcaro contou ou não com a ajuda de políticos para
realizar seus negócios.
Este
ponto, aliás, entrou na mira da Polícia Federal e de parlamentares que
articulam um pedido para instauração de uma CPI sobre o Banco Master. A pressão
para abertura de uma CPI deverá aumentar na semana que vem, na volta do recesso
parlamentar.
Em seu
depoimento à Polícia Federal, Vorcaro disse ter conversado com o governador do
Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a tentativa de venda do Master
para o banco público BRB, do governo do Distrito Federal.
"Já
foi à minha casa, se não me engano, uma vez. Eu já fui à casa dele, e a gente
se encontrou poucas vezes. Conversas institucionais, todas na presença
também", disse.
Ibaneis,
por sua vez, negou, ao portal UOL, ter conversado sobre a transação com
Vorcaro.
"Eu
nunca tratei com ele (Vorcaro) sobre a operação BRB-Master. Todas as tratativas
foram feitas pelo Paulo Henrique (Costa, então presidente do BRB)", disse
ao portal.
Veículos
de imprensa também revelaram que Vorcaro manteve reuniões com outros políticos,
inclusive com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo
o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Vorcaro teve um encontro fora da
agenda oficial com Lula em dezembro de 2024.
De
acordo com o jornalista, o encontro teria sido intermediado pelo ex-ministro da
Fazenda Guido Mantega, que estaria atuando como consultor do Banco Master à
época.
No
depoimento dado por Vorcaro à Polícia Federal, o banqueiro negou que tivesse
contado com a influência de políticos em suas transações.
"Eu
queria só dizer o seguinte: se eu tenho tantas relações políticas, como estão
dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a
operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido
preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo",
disse o empresário.
A
menção ao Banco de Brasília (BRB) é por conta da tentativa feita pelo banco
vinculado ao governo do Distrito Federal de comprar parte das operações do
Banco Master, em 2025. A PF investiga se o Master repassou R$ 12,2 bilhões em
carteiras de crédito falsas ao BRB.
Outro
político com proximidade a Vorcaro é o ex-presidente Michel Temer (MDB).
Temer,
que é advogado de formação, foi contratado em setembro de 2025 como mediador
para destravar a negociação de venda do banco para o BRB, depois que o Banco
Central barrou o acordo original.
"Me
chamaram duas semanas atrás a Brasília, quando ainda se achavam interessados na
formalização da transação (com o BRB). Estava também o Daniel Vorcaro, e o
Ibaneis (Rocha, governador do DF) disse que queria que eu fizesse uma
mediação", contou Temer no programa Roda Viva, da TV Cultura, em 15 de
setembro.
Outras
possíveis relações políticas de Vorcaro são com o ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL) e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O
empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e um dos alvos da
operação Compliance Zero, foi o maior doador pessoa física das campanhas de
Bolsonaro e Tarcísio, nas eleições de 2022.
Casado
com Natália Vorcaro Zettel, irmã do banqueiro, ele transferiu R$ 3 milhões para
a campanha presidencial de Bolsonaro e R$ 2 milhões para a do governador de São
Paulo.
Zettel
é fundador e CEO da Moriah Asset, uma gestora de private equity — modalidade de
investimento que compra participações em empresas que não estão na bolsa. Em
2022, ele foi o sexto maior doador pessoa física do país.
Pela
legislação eleitoral, indivíduos podem doar até 10% da renda bruta do ano
anterior à eleição.
A
assessoria de imprensa de Tarcísio afirmou que sua campanha contou com mais de
600 doadores e que o governador não possui qualquer vínculo ou relação com
Zettel.
"Vale
destacar que a prestação de contas de Tarcísio foi devidamente aprovada pela
justiça eleitoral", diz a nota enviada à BBC News Brasil. Já Bolsonaro não
respondeu aos questionamentos da reportagem à época.
Fonte:
BBC News Brasil

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