As
universidades públicas reféns do clientelismo parlamentar
O
modelo das universidades federais brasileiras, responsável pela quase
totalidade da produção científica do país, enfrenta hoje uma crise que vai além
da escassez de recursos: a substituição do planeamento estratégico calcado em
políticas públicas pela dependência das emendas parlamentares. O que deveria
ser parte fundamental de um projeto de desenvolvimento nacional está a ser
fatiado em interesses locais, transformando Reitores em negociadores políticos
e a autonomia universitária numa moeda de troca no Congresso Nacional.
A
aprovação, pelo Congresso, da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 com
direcionamento de R$ 61 bilhões em emendas consentâneo à redução do orçamento
para universidades em R$ 488 milhões levou a uma ostensiva manifestação da
comunidade acadêmica e científica brasileira. Além da Andifes, instituições
como Associação Brasileira de Ciências (ABC) e Sociedade Brasileira para o
Progresso da Ciência (SBPC), além da Associação Nacional dos Dirigentes das
Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) reagiram de forma crítica.
Em especial, a ABC e a SBPC enfatizaram o quanto esse corte limitará a
continuidade de pesquisas, de formação de corpo técnico qualificado para o
país, bem como poderá limitar ainda mais a ascensão social.
O
movimento, que também contou com manifestações de sindicatos, coletivos de
estudantes, Diretórios Centrais de Estudantes (DCE) e União Nacional dos
Estudantes (UNE), logrou êxito: no último 20 de janeiro, o governo federal
publicou a Portaria GM/MPO no 12/2026 que determinou a recomposição integral do
orçamento de 2026 para as universidades federais. De acordo com esta portaria,
prevê-se o aporte de R$32 milhões para o custeio das universidades federais, R$
156 milhões para a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e
Tecnológica e R$ 230 milhões para Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (CAPES) que serão revertidos para concessão de bolsas a
pesquisadores. É uma excelente notícia, porém é preciso ponderar e compreender
que a situação não está resolvida. Uma leve evidência é a declaração do
ministro da educação, Camilo Santana: “Vamos continuar na luta (grifo nosso)
para que cada vez mais a gente possa aumentar os recursos para as nossas
instituições.” Assim como as instituições e representações mencionadas aqui, o
ministro também precisará seguir na luta pelo orçamento das universidades e da
pesquisa no Brasil.
Neste
texto, especificamente, discorremos sobre o estágio de crise de financiamento
das universidades públicas federais brasileiras evidenciado por um nível de
investimento estrutural em educação de apenas 1,5% a 2% do PIB, em contraste
com a meta de 10% definida no Plano Nacional da Educação (PNE – 2015-2024),
sancionado pela então presidenta Dilma Roussef. De outro, a alocação de
recursos via emendas parlamentares cresceu exponencialmente. De acordo com a
compilação dos dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (SIOP)
realizada pelo Observatório do Conhecimento, em 2025, a Lei Orçamentária Anual
(LOA) destinou R$ 7,89 bilhões para as 69 universidades federais do País, sendo
parte deste montante na forma de emendas parlamentares impositivas (individuais
ou de bancada). Ainda com base nesse Relatório, na LOA 2025 para as
universidades, somente em emendas individuais foram destinados R$ 269,1 milhões
e de bancada, R$ 302 milhões. No caso dos institutos federais, o total em
emendas individuais chegou a R$ 151,8 milhões e de bancada, R$ 360,4 milhões.
As agências de fomento da pesquisa nacional, como a Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e o Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), também podem ter seu custeio
complementado com recursos de emendas parlamentares. Na LOA 2025, porém,
somente o CNPq o fez e com R$3,2 milhões em emendas individuais. Aqui, o que
queremos exemplificar é que esses dados parecem indicar um menor interesse dos
parlamentares pela ciência em si, uma vez que as universidades oferecem um
alcance maior, principalmente via projetos de extensão.
Um
estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sobre os
impactos das emendas parlamentares no orçamento da União mostrou que entre 2014
e 2024, as emendas destinadas à educação representaram 4,8% do total (Fonseca e
Vazquez, 2025). Um ponto interessante abordado pelos autores é que a execução
financeira em termos de empenho é significativa, porém sua efetiva liquidação e
pagamento ainda é relativamente menor. Outros pontos de destaque estão na
redução nos últimos anos de destinação de emendas para ensino superior e
hospitais universitários em relação à educação básica, bem como as disparidades
regionais entre os estados brasileiros. Extrapolando para o caso das
universidades federais, em períodos de contingenciamento do orçamento, as emendas
individuais podem ajudar na sua execução financeira (empenho de despesas
correntes das instituições), mas estando vinculadas a planos de trabalho de
instrumentos como projetos de extensão, os valores ficam restritos a esse tipo
de execução.
É
pertinente lembrar de um aspecto básico sobre o financiamento das universidades
públicas federais. Conforme o art. 55 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de
1996: “Caberá a União assegurar, anualmente, em seu Orçamento Geral, recursos
provenientes para a manutenção e desenvolvimento das instituições de educação
superior por ela mantidas” (Brasil, 1996, p.18). Contudo, não foi estabelecido
o modelo adotado nem o montante de recurso que assegure a manutenção e
desenvolvimento das instituições. Na avaliação de Amaral (2008), a programação
financeira dessas instituições se materializa por uma combinação do
financiamento incremental ou inercial, cujo recurso financeiro terá por base o
ano anterior.
Segundo
os dados do Painel da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições
Federais de Ensino Superior (Andifes), vivencia-se um contexto geral de queda
do orçamento para as universidades federais. Em 20 anos o número de
universidades cresceu em 73% – totalizando as atuais 69 universidades –, porém,
somente em 2022, caíram para R$53,2 bilhões (-14,2%). Enquanto em 2000, os
orçamentos das universidades totalizaram R$ 28,2 bilhões, em 2019 aumentaram
para R$ 62,2 bilhões. Por certo que a pandemia da Covid-19 contribuiu para
explicar o orçamento menor entre 2020-2022, mas, desde 2017 os orçamentos
começaram uma trajetória de queda relativa. No ano de 2010, os valores da
execução orçamentária pelas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES)
foram na ordem de R$ 16 bilhões. Em 2017, as cifras somaram um montante de R$
33 bilhões. Ou seja, os valores utilizados dentro do orçamento mais que
duplicaram neste período.
Além
desse contexto de queda do orçamento discricionário das universidades, a forma
de distribuição desse orçamento total para as instituições é outro aspecto de
atenção que fica mais distante de uma solução. Ao mesmo tempo, a ‘inovação’
imposta pelo orçamento impositivo, com as emendas parlamentares, contribui para
piorá-lo.
No
cenário das emendas parlamentares, essas instituições precisam cada vez mais
assumir estratégias alternativas para permanecer em uma rota expansiva. Os
dados da participação dos gastos públicos com educação no PIB brasileiro
mostram que em 2015, essa participação ultrapassou os 10% definidos e no ano
seguinte, o do impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, essa
participação caiu para 4%. Após ter registrado um crescimento de 6% em 2017 e
2018, uma nova queda foi registrada: 2% e nela a participação dos gastos com
educação no PIB se manteve até 2024. Em 2015, como sabemos, a Câmara dos
Deputados aprova a PEC das emendas impositivas e em 2019, as emendas do relator
(‘emendas Pix’).
O PNE
deveria ser tratado como a bússola para o financiamento da educação superior.
De acordo com o Relatório do 5º Ciclo de Monitoramento das Metas do PNE 2024, o
Brasil ficou aquém das metas de expansão do ensino superior, concentrando-se as
matrículas na educação à distância no segmento privado. De acordo com a Meta 12
de expansão do ensino superior, 40% das novas matrículas deveriam acontecer no
ensino público superior e 50% da população entre 18 e 24 anos deveria ser o
público matriculado. Quanto ao financiamento da educação superior (Meta 20), a
participação da União decresceu de 25,9% para 22,9%, em 2022. Sem contar o
fenômeno da evasão que é lido como evidência de ineficiência para o gasto
público. A taxa média de conclusão por curso é de aproximados 40%, sendo a
evasão ainda maior na modalidade EaD, no ensino privado.
Este
colapso coincide com o fortalecimento de mecanismos de controle orçamentário
pelo Congresso Nacional, notadamente o aumento do poder de execução das Emendas
Impositivas e o uso posterior das Emendas de Relator. O valor empenhado e pago
em emendas parlamentares saltou para patamares recordes, caracterizando um
parlamentarismo orçamentário.
O
cenário é de queda do investimento estrutural e de alocação de crescimento
exponencial do volume de recursos via emendas parlamentares. Este movimento não
apenas inviabiliza metas nacionais como o PNE, mas também reposiciona a
universidade federal de um agente estratégico de desenvolvimento para uma
instituição refém de negociações políticas. Não podemos deixar de lembrar que
foram muitos os momentos em que Reitores de universidade fizeram apelos por
emendas parlamentares, sendo possível encontrar menções a esse tipo de
‘esforço’ até mesmo em relatórios institucionais de gestão ou em outros meios
de divulgação, colocando-o como algo positivo.
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Um pouco mais de perto – alguns exemplos
A
necessidade de se definir regramentos para as emendas parlamentares já foi
levantada pelo Superior Tribunal Federal (STF), ainda em 2025. O ministro
Flávio Dino determinou em 1º de abril de 2025 a suspensão imediata dos repasses
de emendas parlamentares federais para instituições de ensino superior
estaduais e suas fundações de apoio nos estados do Acre, Alagoas, Maranhão,
Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rondônia e Sergipe, porque essas unidades não
cumpriram uma determinação anterior de publicar normas e orientações que
garantam transparência, rastreabilidade e prestação de contas na aplicação dos
recursos públicos. Nesses casos, mais de 6,2 mil planos de trabalho referentes
a “emendas Pix” de 2020 a 2023 não estavam cadastrados em sistema público de
acompanhamento.
Como
resultado da decisão do STF na Arguição de Descumprimento de Preceito
Fundamental nº 854, o MEC emitiu a portaria no 97 em 11 de fevereiro de 2025
com orientações obrigatórias para a aplicação e a prestação de contas de
recursos provenientes de emendas parlamentares federais por instituições de
ensino superior e instituições da Rede Federal de Educação Profissional,
Científica e Tecnológica, bem como suas fundações de apoio credenciadas.
Busca-se assegurar maior transparência, rastreabilidade e controle na gestão
desses recursos aplicados em projetos de ensino, extensão e inovação. Entre as
principais diretrizes estão: a exigência de cláusulas específicas nos termos de
execução descentralizada, contratos e instrumentos de parceria que envolvam
emendas parlamentares; a utilização de marcadores para vincular transações
diretamente às emendas no processo de execução; e a inclusão de informações
detalhadas sobre o atendimento ao objeto da emenda durante a prestação de
contas.
Algumas
universidades têm buscado fomentar orientações amplas sobre as emendas
parlamentares. A Universidade Federal Fluminense (UFF) elaborou uma cartilha
como forma de auxiliar a comunidade na captação e execução de emendas. A
Universidade de Brasília (UnB) também elaborou um manual de orientação para
captação e execução de emendas individuais oriundas da LOA. Outras iniciativas
podem ser mencionadas como o site de transparência mantido pela Pró-reitoria de
Extensão e Cultura da Universidade Federal do ABC (UFABC) em que são listados
os projetos com recursos de emendas.
De
acordo com Fernandes e Oliveira (2023), na UFF entre 2019 e 2022, as emendas
parlamentares foram vitais para complementar o orçamento, dada a necessidade de
enfrentar a restrição fiscal do orçamento federal, funcionando como complemento
essencial às verbas tradicionais. Dessa forma, esses recursos ajudaram a
retomar projetos e obras que estavam paralisados devido à queda na capacidade
de investimento do governo federal e passou a se voltar para captar esses
recursos de maneira mais ativa, o que se tornou parte da estratégia
institucional para manter atividades essenciais.
Araújo,
Valente e Oliveira (2024) avaliaram como deputados e senadores distribuíram
recursos de emendas parlamentares individuais para as quatro universidades
federais rurais brasileiras – Universidade Federal Rural do Amazonas (UFRA),
Universidade Federal Rural do Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro (UFRRJ) e Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) ao
longo do período de 2016 a 2023. De acordo com os autores, no período de 2016 a
2023, a UFRRJ foi a universidade federal rural que recebeu o maior montante de
recursos em emendas parlamentares individuais executadas, totalizando
aproximadamente R$ 37,6 milhões provenientes dessas emendas impositivas. Em
comparação com outras universidades rurais analisadas – como a UFRA (R$ 11,3
milhões), a UFERSA (R$ 9 milhões) e a UFRPE (R$ 5 milhões) – a UFRRJ se
destacou pelo maior volume de recursos captados via emendas individuais,
refletindo sua posição relativa na alocação desse tipo de recurso de 2016 a
2023. Em linhas gerais, houve a execução de 140 emendas no período, voltadas
principalmente à reestruturação, expansão e modernização dessas instituições, e
demonstra que a distribuição dos recursos não segue uma relação direta com o
número de parlamentares por estado, refletindo dinâmicas políticas e
institucionais mais complexas.
Dória
(2022) analisou os documentos dos espelhos de emendas e identificou que, para a
UnB, entre 2008 e 2022, houve a destinação de 137 emendas individuais, 13
emendas de bancada distrital e 1 emenda de comissão, que somaram mais de R$ 853
milhões em valores nominais dos quais 82,7% vieram de emendas de bancada. Os
recursos se concentraram majoritariamente em ações amplas de ensino, pesquisa,
extensão e infraestrutura universitária, muitas vezes com baixa especificação
do objeto. Na avaliação do autor, a UnB desenvolveu uma forte dependência de
decisões políticas, levantando questionamentos sobre critérios de alocação,
transparência e racionalidade orçamentária no financiamento das universidades
federais.
É
válido ressaltar que há esforços da parte das universidades de modo geral para
aprimorar seus mecanismos de transparência quanto a recursos em emendas
parlamentares.
De
acordo com o Relatório do Observatório do Conhecimento, em 2025, as
universidades federais que receberam o maior volume de recursos em emendas
parlamentares foram: Fundação Universidade de Brasília (R$ 65,1 milhões),
Universidade Federal do Espírito Santo (R$ 63,8 milhões) e Fundação
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (R$ 56 milhões).
Embora
sejam registrados avanços importantes em termos de transparência,
rastreabilidade e padronização da execução das emendas parlamentares, elas
atuam sobretudo no plano procedimental, sem enfrentar o problema estrutural que
sustenta essa dependência. A institucionalização de cartilhas, manuais e
portais de transparência não deixa de revelar uma adaptação defensiva das
universidades a um arranjo orçamentário disfuncional, no qual a captação de
emendas passa a integrar a estratégia de sobrevivência institucional. Os dados
rapidamente apresentados aqui mostram que as emendas não são apenas
complementares, tornando-se componente relevante e recorrente do financiamento,
moldando prioridades, induzindo escolhas e aprofundando assimetrias entre
instituições.
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Possíveis preços cobrados por essa ‘reestruturação’ do financiamento
A
consequência mais profunda do atual arranjo orçamentário é a corrosão
simultânea da qualidade acadêmica e da autonomia universitária. O risco central
não se limita à opacidade ou à execução inadequada das emendas parlamentares,
mas à normalização de um modelo no qual o planejamento acadêmico de longo prazo
é progressivamente substituído por decisões políticas contingentes. Nesse
contexto, a política de educação superior deixa de operar como política pública
estratégica e passa a ser mediada por lógicas de barganha orçamentária, típicas
do clientelismo parlamentar.
Um dos
efeitos mais imediatos desse processo é a deterioração da capacidade científica
das universidades públicas. Como a maior parte da pesquisa brasileira é
realizada direta ou indiretamente nessas instituições, o subfinanciamento
estrutural compromete laboratórios, infraestrutura de pesquisa, bolsas e a
continuidade de projetos de médio e longo prazo. A dependência crescente de
recursos instáveis e fragmentados limita a capacidade do país de produzir
conhecimento estratégico em áreas sensíveis como saúde, energia, tecnologia e
inovação, com impactos diretos sobre a soberania científica e tecnológica
nacional.
Além
disso, as emendas parlamentares produzem uma falsa compensação em termos
orçamentários. Embora possam, em determinados momentos, mitigar gargalos
urgentes da execução financeira, elas tendem a reconfigurar o papel da gestão
universitária, transformando reitores e dirigentes acadêmicos em articuladores
políticos permanentes. Esse movimento fragmenta projetos institucionais, induz
docentes e pesquisadores a buscarem emendas para garantir a continuidade de
atividades de pesquisa e extensão e desloca o foco da gestão universitária do
planejamento estratégico para a captação episódica de recursos, enfraquecendo a
autonomia institucional.
Há
ainda uma contradição relevante entre a orientação normativa e a prática
institucional. Embora o MEC enfatize, em sua cartilha de orientação, que as
emendas parlamentares deveriam ser prioritariamente destinadas a investimentos,
observa-se, na prática, a preferência por instrumentos como projetos de
pesquisa e extensão. Essa dinâmica dificulta a avaliação dos ganhos efetivos
das emendas para a universidade, uma vez que os dados das demonstrações
contábeis e dos relatórios de execução não permitem aferir com clareza seus
impactos estruturais sobre a capacidade acadêmica e científica das
instituições.
Esse
quadro contrasta de forma evidente com as diretrizes estabelecidas na
Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para um Brasil justo,
desenvolvido e soberano (ENCTI 2024–2034), que reconhece o sistema público
federal de ensino superior como elemento central para a produção de
conhecimento, a formação de recursos humanos qualificados, a promoção da
inovação e a redução das desigualdades regionais. Enquanto potências
internacionais utilizam suas universidades como alavancas estratégicas na corrida
tecnológica global, o Brasil submete seu sistema público de ensino superior a
uma lógica de alocação de recursos orientada por interesses parlamentares
pontuais e de curto prazo.
Em
síntese, as emendas parlamentares deixaram de atuar como instrumentos
complementares para se tornarem pilares informais do financiamento
universitário, operando sem planejamento sistêmico, baixa previsibilidade e
frágil vinculação a resultados acadêmicos e científicos. Esse arranjo fragmenta
projetos institucionais, incentiva práticas clientelistas e subordina a
produção de conhecimento a lógicas eleitorais imediatas. A crise, portanto, não
é apenas fiscal, mas política e institucional. Superá-la exige recolocar o PNE
no centro da política pública, restabelecer o financiamento público estável e
suficiente, submeter as emendas a critérios técnicos rigorosos e reconhecer,
como decisão estratégica de Estado, que a universidade pública não pode ser
tratada como moeda de troca orçamentária, mas como infraestrutura essencial
para a soberania, a redução das desigualdades e o desenvolvimento
socioeconômico e ambiental do nosso País.
Fonte:
Por Rubia Cristina Wegner, no Le Monde

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