O
que é estresse térmico, causado por temperaturas extremas
A onda
de calor que atingiu diversos estados no Brasil na última semana chega como
alerta para a população que pode sofrer com uma condição chamada estresse
térmico, que traz riscos para a saúde e ainda é pouco conhecida.
O
estresse térmico ocorre quando o corpo é exposto a temperaturas extremas,
baixas ou altas , mas principalmente calor intenso, e não consegue se resfriar
adequadamente e se manter nos 36,5°C – ideal para o nosso organismo. É
diferente de insolação e golpe de calor, causados pela exposição ao sol, e no
caso do segundo também por esforço físico excessivo num ambiente quente.
Um
índice chamado bioclimático que analisa não apenas a temperatura, mas o
conforto fisiológico do corpo humano diante de algumas condições específicas
como o calor, umidade do ar, vento e índice de radiação, é utilizado para
avaliar o estresse térmico.
"O
corpo humano tende a manter a temperatura constante entre 36 e 37 °C. Quando as
temperaturas se elevam o corpo dá início a mecanismos para resfriamento, como a
transpiração. Transpiração em excesso sem a adequada reposição de fluídos e
eletrólitos pode levar a perda da capacidade de controlar a temperatura,
havendo aumento muito significativo da temperatura corporal", explica
Marcelo Franken, cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein.
<><>
Problemas para a saúde
O
estresse térmico faz com que o corpo perca água e sais minerais em excesso
podendo acarretar problemas de saúde que vão desde um leve desconforto, cansaço
e tontura até condições mais graves, como exaustão pelo calor e desidratação.
A
frequência cardíaca e a pressão arterial podem aumentar, como um mecanismo
compensatório ao calor extremo do corpo, podendo evoluir para um choque
térmico, confusão mental e convulsões. Em quadros mais graves e extremos, a
condição pode causar falência de múltiplos órgãos e óbito. Idosos, crianças e
pessoas com comorbidades são os mais suscetíveis.
"O
coração é um dos órgãos que mais é comprometido, podendo causar arritmias,
aumento da pressão arterial e, em casos mais severos, pode até resultar em uma
parada cardíaca, especialmente em pessoas com condições cardíacas
preexistentes", acrescenta Diego Gaia, cirurgião cardiovascular do
Hospital Santa Catarina – Paulista e professor na Universidade Federal de São
Paulo.
Para
amenizar os sintomas do estresse térmico, os especialistas recomendam manter o
corpo hidratado, dando preferência para ingestão de água, água de coco ou
isotônicos, ingerir alimentos frescos, pouco gordurosos e calóricos, procurar
permanecer em locais frescos (com sombra ou espaços com ar-condicionado ou
ventilador), usar roupas leves e, se possível, evitar andar na rua nos horários
de pico do calor.
<><>
Estresse térmico também afeta o emocional
Os
efeitos do estresse térmico vão além do físico e influenciam diretamente o
estado emocional. A psicóloga Tatiane Mosso explica que as altas temperaturas
podem causar aumento da irritabilidade, sensação constante de cansaço,
dificuldade de concentração e tomadas de decisão, além de quadros de ansiedade
e apatia. A falta de energia física pode repercutir em desmotivação para
atividades de rotina e uma consequente sensação de frustração.
"O
estresse térmico afeta o bem-estar psicológico porque coloca o nosso corpo em
estado constante de alerta, já que o organismo precisa se esforçar mais para
manter a temperatura interna equilibrada. Além disso, temperaturas extremas
podem dificultar o descanso adequado, prejudicando a qualidade do sono, fator
que compromete a capacidade do corpo e da mente de se recuperar, gerando maior
instabilidade emocional", explica.
Para
lidar com esse tipo de estresse, a psicóloga ressalta que é importante adotar
algumas medidas como usar técnicas de respiração profunda para aliviar a tensão
e a ansiedade.
"Manter-se
hidratado e buscar ambientes com temperaturas mais amenas é fundamental. Dormir
adequadamente e praticar atividades físicas em horários mais frescos também
ajudam a melhorar o humor e reduzir o cansaço emocional. Além disso, buscar um
apoio social, conversar sobre o desconforto e reconhecer os limites pessoais em
situações de estresse térmico são passos importantes para promover equilíbrio
emocional", acrescenta a psicóloga.
<><>
38 milhões de brasileiros expostos ao estresse térmico
No
Brasil, estima-se que ao menos 38 milhões de pessoas estejam expostas ao
estresse térmico, segundo dados são de um estudo realizado pelo Laboratório de
Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(Lasa/UFRJ).
O
estudo, que teve como objetivo analisar o fenômeno na América do Sul e como ele
evoluiu ao longo das últimas quatro décadas, analisou dados de 31 cidades da
América do Sul com mais de um milhão de habitantes, sendo 13 delas no Brasil –
Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife,
Fortaleza, Manaus, Belém, Goiânia, Porto Alegre, Curitiba e Campinas.
Os
pesquisadores perceberam que a cada ano, em média, os períodos de estresse
térmico ganham dez horas extras nas cidades brasileiras analisadas. A escalada
de aumento do estresse térmico começou há 20 anos. Os moradores das cidades
analisadas passam de 17 a 25 dias por ano sob condições meteorológicas
superiores às que o corpo humano pode suportar.
• Como é calculada a sensação térmica
A onda
de calor que atingiu diversas regiões do Brasil na última semana voltou a
destacar que, além da temperatura, um número que vem sendo considerado para dar
dimensão à intensidade do calor é a sensação térmica.
<><>
O que é e como é calculado?
A
sensação térmica indica qual temperatura uma pessoa está sentindo na pele
exposta.
Não há
uma fórmula padronizada para o cálculo, e empresas que oferecem serviço de
meteorologia podem usar equações distintas. Um levantamento de 2011 identificou
mais de 100 índices criados para chegar a esse número.
Além da
temperatura do ar à sombra, tomada como medida de base, os principais fatores
considerados são umidade, ocorrência de vento e radiação solar.
<><>
Umidade do ar
A alta
umidade do ar intensifica a sensação térmica – se está frio, sente-se mais
frio; se está calor, a percepção do calor também é aumentada.
No caso
do calor, quando está muito quente e úmido ao mesmo tempo, o corpo humano tem
mais dificuldade para se resfriar por meio da transpiração, pois a capacidade
de a atmosfera absorver mais água está reduzida. Isso aumenta a sensação de
calor. Já quando está seco, o corpo transpira mais facilmente, reduzindo a sua
temperatura e a sensação de calor.
No
outro extremo, se está muito frio e úmido, mais moléculas de água entram em
contato com as roupas, reduzindo sua capacidade de isolamento térmico e
aumentando a sensação de frio.
<><>
Velocidade do vento
A
ocorrência de vento aumenta a velocidade de transpiração da pele, facilitando
com que o corpo consiga baixar sua temperatura e, portanto, reduzir a sensação
térmica.
No
frio, o vento também amplia essa sensação. Diante de muito vento frio, mais
moléculas no ar se chocam com a pele da pessoa, ampliando a percepção do frio.
<><>
Radiação solar
Essa
variável indica a intensidade da radiação solar que está chegando a um
determinado local. Essa energia produz calor.
Em
lugares expostos diretamente ao sol, a radiação é maior e, consequentemente, a
sensação térmica.
• O que fazer em caso de insolação e golpe
de calor
Depois
de algum tempo no calor, o corpo precisa de uma pausa. Quem fica muito tempo
exposto ao sol corre o risco de sofrer uma insolação. E quem se esforça muito
em ambientes quentes pode até sofrer um golpe de calor.
Aqui
estão algumas dicas para evitar essas situações e o que fazer caso ocorram.
<><>
O que é uma insolação?
Muito
sol na região da cabeça e do pescoço pode causar insolação. As meninges e o
tecido cerebral ficam irritados com o superaquecimento e pode ocorrer a chamada
meningite asséptica, uma inflamação das meninges que não é causada por
bactérias.
Dor de
cabeça é geralmente o primeiro sintoma. A pessoa atingida fica com a cabeça
quente e vermelha, o pescoço dói, podem ocorrer cansaço, náuseas e vômitos,
também tonturas. A temperatura corporal de um paciente com insolação geralmente
não é elevada, mas baixa.
<><>
O que fazer em caso de insolação?
Quem é
afetado por insolação deve ser imediatamente levado para um ambiente fresco e
deitado de costas, para que possa se recuperar o mais rapidamente possível. A
cabeça e a parte superior do corpo devem ficar um pouco mais elevadas.
Toalhas
frias e molhadas ajudam a resfriar áreas do corpo como o pescoço. Além disso,
estando consciente, o paciente deve beber muito, para que o equilíbrio hídrico
volte ao nível normal. Segundo especialistas, a transpiração excessiva pode
levar a uma perda adicional de líquidos de até dois litros em dias muito
quentes.
Até que
os sintomas desapareçam, é recomendado permanecer deitado. Importante: em casos
mais graves podem ocorrer vômitos intensos, confusão mental ou até perda de
consciência. Aí um médico deve ser consultado, também para evitar que a
insolação progrida para um golpe de calor.
<><>
O que é o golpe de calor?
Os
termos insolação e golpe de calor são frequentemente usados como sinônimos, mas
há diferenças. O golpe de calor é bem mais perigoso que a insolação. Ele pode
ser desencadeado por exposição direta ao sol ou por esforço físico excessivo
num ambiente quente.
Devido
à alta temperatura externa, o corpo absorve mais calor do que consegue liberar.
A temperatura corporal pode subir para 41ºC em apenas 10 ou 15 minutos. Esse
superaquecimento agudo desencadeia uma resposta inflamatória em todo o corpo.
O
sistema de regulação da temperatura corporal pode ser desativado, por exemplo,
com a produção de suor falhando e o corpo acumulando calor.
Um
golpe de calor pode ser fatal. Os sintomas possíveis incluem problemas de
consciência, dores de cabeça, tonturas e sonolência, além de convulsões,
vômitos, diarreia e baixa pressão arterial. Um golpe de calor se desenvolve
entre uma e seis horas e pode acarretar morte em menos de 24 horas, se não
forem tomadas medidas.
Em
idosos, portadores de doenças crônicas e crianças, o golpe de calor geralmente
ocorre devido à combinação de altas temperaturas e grave deficiência de
líquidos e eletrólitos. Em adultos saudáveis, esforço físico excessivo, como
prática esportiva ou trabalho ao ar livre, geralmente é a causa.
<><>
O que fazer no caso de golpe de calor?
Aos
primeiros sinais, deve-se chamar o serviço de emergência. O corpo deve ser
resfriado o mais rapidamente possível, o paciente transferido para um local
fresco e, se possível, ingerir líquidos. Roupas supérfluas devem ser retiradas.
Se a
pessoa estiver inconsciente, mas respirando normalmente, deve ser colocada em
posição lateral de segurança até a chegada do serviço de emergência. A
respiração e a consciência devem ser verificadas regularmente. Se a respiração
não é normal, é preciso iniciar medidas de reanimação.
<><>
Evite a insolação e o golpe de calor
Temperaturas
extremamente altas logo confrontam a regulação térmica do organismo humano com
seus limites. Além disso, idosos costumam beber menos. Como resultado, o corpo
não consegue produzir suor suficiente, o que impede que se resfrie por conta
própria. Em muitos casos, é recomendado e mais seguro chamar um médico.
A
melhor forma de evitar a insolação ou o golpe de calor é óbvia: não pegar sol
demais, proteger a cabeça com um chapéu claro, pois cores claras refletem
calor, evitar a exposição ao calor extremo e beber bastante água.
Como
regra geral: um adulto precisa de pelo menos meio litro de água adicional em
dias quentes.
Fonte:
DW Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário