Esporte,
imperialismo e a “neutralidade” seletiva
O
banimento da Rússia das competições esportivas internacionais, promovido pela
Federação Internacional de Futebol (FIFA) e pelo Comitê Olímpico Internacional
(COI) após o início da guerra na Ucrânia, foi apresentado como uma medida
ética, civilizatória e em defesa da paz mundial. Em nome da “neutralidade
política” e da “proteção dos valores universais do esporte”, atletas, seleções
e delegações russas passaram a ser impedidas de participar oficialmente de
eventos esportivos globais. Contudo, quando se observa o comportamento dessas
mesmas instituições diante de ações belicosas, intervencionistas e
flagrantemente violadoras do direito internacional por parte dos Estados Unidos
— incluindo golpes de Estado, invasões militares, bloqueios econômicos e, mais
recentemente, o sequestro de um chefe de Estado estrangeiro — se expressa uma
contradição estrutural: a neutralidade esportiva é, na prática, seletiva,
ideológica e funcional à ordem imperial vigente, atendendo aos interesses do
capital internacional.
Parto
do entendimento de que o esporte constitui um aparelho ideológico fundamental
da ordem capitalista global, não operando fora da política, mas como um
aparelho ideológico do estado burguês que acentua e legitima o poder
geopolítico hegemônico, no qual sanções são aplicadas não a partir de
princípios universais, mas de alinhamentos ideopolíticos estratégicos.
<><>
O banimento da Rússia e a retórica moral do esporte
A
decisão de excluir a Rússia de competições organizadas pela FIFA e pelo COI foi
rapidamente justificada como uma resposta excepcional a uma agressão militar
“inaceitável”. Essa retórica humanitária opera como ideologia, no sentido
clássico do termo, ao converter interesses geopolíticos específicos em valores
universalizados. Essa expressão da “falsa consciência”, ao longo dos anos,
construiu a ideia de que o esporte, enquanto espaço de fraternidade entre os
povos, não poderia compactuar com um Estado que viola a soberania de outro.
Assim, o banimento foi apresentado como um gesto de responsabilidade ética,
quase pedagógico, em defesa da paz.
No
entanto, essa postura ignora deliberadamente um elemento fundamental: o esporte
internacional jamais adotou critérios semelhantes de forma sistemática. A
história recente está repleta de conflitos armados, intervenções militares e
ações de guerra protagonizadas por potências ocidentais — especialmente pelos
Estados Unidos — que jamais resultaram em qualquer tipo de sanção esportiva.
Invasões como as do Iraque, Afeganistão, Líbia ou Síria, além de operações
militares indiretas, assassinatos seletivos e golpes patrocinados, nunca
suscitaram debates equivalentes sobre banimento, neutralidade ou valores
universais do esporte.
Essa
assimetria revela que o problema não é a guerra em si, mas quem a protagoniza.
<><>
Estados Unidos: violência estrutural sem punição esportiva
Os
Estados Unidos, cujo presidente, no dia 5 de dezembro, recebeu do mandatário da
Fifa, Gianni Infantino, o Prêmio da Paz, figuram como o principal agente
militar global nas últimas décadas. Seu histórico inclui intervenções diretas,
guerras preventivas baseadas em informações falsas, sanções econômicas que
produzem crises humanitárias e práticas de sequestro, prisão arbitrária e
extradições forçadas de lideranças políticas estrangeiras. Ainda assim, a
delegação estadunidense segue participando normalmente de Jogos Olímpicos,
Copas do Mundo e demais eventos esportivos internacionais, sem qualquer
questionamento institucional relevante.
O
recente sequestro do presidente venezuelano — um ato que viola frontalmente
princípios básicos do direito internacional, da soberania nacional e da
autodeterminação dos povos — reforça esse padrão de exceção imperial. O
silêncio da FIFA e do COI diante desse episódio não é um lapso, mas uma
expressão coerente de sua inserção política no sistema internacional.
Se a
defesa da paz fosse um princípio real e universal, os Estados Unidos deveriam
figurar como os primeiros a sofrer sanções esportivas (mas, como observamos,
seu presidente recebe prêmio em evento oficial de entidade esportiva). O fato
de isso jamais ter ocorrido demonstra que tais instituições não atuam como
árbitros morais globais, mas como atores políticos subordinados à hegemonia
ocidental.
<><>
O mito da neutralidade esportiva
A
contradição entre o tratamento dado à Rússia e aos Estados Unidos desmonta o
mito da neutralidade esportiva que na essência cumpre função hegemônica,
organizando o consenso em torno de uma ordem que se apresenta como natural e
inevitável. A ideia de que o esporte pode se manter “acima da política”
funciona como um discurso ideológico que oculta relações de poder. Na prática,
o esporte internacional se articula com interesses econômicos, diplomáticos e
estratégicos, operando como uma plataforma de soft power.
Diversos
estudos no campo da educação física/ciências do esporte demonstram que a
chamada neutralidade esportiva jamais foi um princípio efetivo, mas uma
construção ideológica funcional aos conflitos geopolíticos, especialmente
durante a Guerra Fria. As pesquisas evidenciam como eventos esportivos
internacionais foram sistematicamente instrumentalizados tanto pelos Estados
Unidos quanto pela União Soviética como arenas de disputa simbólica, afirmação
de modelos civilizatórios e demonstração de superioridade política, econômica e
cultural.
Os
Jogos Olímpicos, em particular, constituíram-se como espaços privilegiados
dessa confrontação, seja pela contagem de medalhas como indicador de eficiência
e eficácia do modelo econômico adotado, seja pelo uso do boicote, da propaganda
e da exclusão seletiva como estratégias políticas. Nesse contexto, o discurso
da neutralidade operou como uma mistificação: enquanto se proclamava o
afastamento da política, o esporte cumpria uma função ativa na produção de
consenso, na legitimação ideológica dos blocos – socialista e/ou capitalista –
em disputa e na naturalização da ordem internacional bipolar.
É
importante ressaltar que FIFA e COI dependem financeiramente de patrocinadores,
direitos de transmissão, mercados consumidores e alianças com Estados centrais
do capitalismo global. Nesse contexto, sancionar países periféricos ou rivais
geopolíticos é viável; confrontar a potência hegemônica, não. Assim, o esporte
torna-se um instrumento de punição simbólica seletiva, reforçando narrativas de
“bem” e “mal” alinhadas à política externa das potências dominantes.
<><>
Considerações finais
O
banimento da Rússia e a complacência diante das ações belicosas dos Estados
Unidos não representam incoerências pontuais, mas revelam a lógica estrutural
do esporte internacional sob o capitalismo global. FIFA e COI não são entidades
neutras, nem guardiãs universais da ética esportiva. São instituições inseridas
em uma ordem mundial desigual, que utilizam o discurso dos valores para
legitimar decisões políticas assimétricas.
Reconhecer
essa contradição é fundamental para desmistificar o esporte como espaço puro e
apolítico. Ao contrário, ele constitui um campo privilegiado de disputa
ideológica, no qual se reproduzem hierarquias globais, interesses imperialistas
e estratégias de dominação simbólica. Questionar essa neutralidade seletiva não
é politizar o esporte; é, antes, revelar a política que sempre esteve nele.
• O capital-imperialismo no futebol. Por
Vinicius Almeida
Por
trás do sucesso midiático da primeira Copa do Mundo de Clubes da FIFA,
realizada no meio do ano de 2025 nos EUA, esconde-se uma disputa envolvendo
duas entidades, FIFA e UEFA, as relações econômicas entre “grandes potências do
futebol mundial” e uma longa espoliação de países sul-americanos, sobretudo
brasileiros e argentinos. A FIFA
(Federação Internacional de Futebol) faturou mais de US$ 7 bilhões no último
ciclo da Copa do Mundo, sua principal competição, entre 2019 e 2022, foi um
recorde histórico. Mesmo com essas grandes cifras, com apenas um torneio, a
UEFA (Federação Europeia de Futebol) consegue arrecadar ainda mais dinheiro. A
Europe Champions League arrecada anualmente mais de US$ 3,5 bilhões com o
torneio, o que em quatro anos, supera em dobro a arrecadação da FIFA.
A
discrepância entre FIFA e UEFA é sintomática de como o futebol europeu enquanto
produto mercadológico está hoje bem acima de outros mercados da bola e, até
mesmo, acima do mercado de seleções. Provocado por esse cenário, Gianni
Infantino, atual presidente da FIFA, buscou “expandir sua influência e formas
de receita”, e o novo mundial de clubes exemplificou isso. O torneio contou com 32 clubes e a mesma
exigência de jogos para os clubes europeus e os do resto do mundo, algo
inimaginável, considerando o espaço tomado no calendário e a inclusão de jogos.
Oferecendo maior premiação, cerca de US$ 125 milhões para os vencedores,
quantia ainda inferior aos US$ 154 milhões pagos na Champions League, e
contando com uma derrota da UEFA diante do Tribunal de Justiça Europeu,
Infantino foi capaz de seguir adiante com seu plano. Além disso, o novo mundial
de clubes foi apoiado por personagens poderosos não europeus, como Mohammed Bin
Salman, da Árabia Saudita, e Donald Trump.
<><>
O capital-imperialismo
Hoje o
futebol mundial está configurado de uma forma inédita, mas sua maior fonte de
arrecadação vem de torcedores, e são os torcedores jovens que movimentam as
novas tendências, que acreditam que o estado atual das coisas é o que sempre
foi e sempre será. Uma negação da história e, portanto, dos processos
históricos que nos levaram ao mundo atual.
Em entrevista coletiva após o jogo entre Flamengo e Chelsea, Filipe
Luís, comandante do time brasileiro destacou que “existe uma elite no futebol
da qual dez clubes fazem parte e são muito superiores”. Os dez clubes são
europeus, tais como PSG, Manchester City, Real Madrid e Liverpool. São estes
clubes que formam os elencos mais valorizados, compostos quase inteiramente por
seleções transnacionais, com jogadores como Vini Júnior, Mbappé, Mohamed Salah,
Yamal e Lewandowski, protagonistas de suas respectivas seleções nacionais. Isso
desequilibra completamente a disputa esportiva, sobretudo para países que estão
fora da Europa e nem sequer se aproximam das receitas dessa elite.
O
fenômeno que constatamos aqui é um reflexo do modo de produção capitalista e de
uma das suas faces mais conhecidas: a tendência à acumulação e à concentração
de riquezas. O desenvolvimento desse sistema nas últimas décadas atingiu um
nível de globalização inédito na história. O predomínio da finança, que se
caracteriza pela submissão de todo o modo de produção a movimentos
autonomizados da esfera financeira, combina-se com a realização de
expropriações e com contornos de barbárie que superam a ideia de prosperidade
na sociedade atual alcançada pelo esforço empreendedor e meritocracia. Valorizações fraudulentas de ações, falsos
esquemas de enriquecimento imediato, a destruição estruturada de ativos por
meio da inflação, a dilapidação de ativos mediante fusões e aquisições e a
promoção de níveis de encargos de dívida que reduzem populações inteiras, mesmo
nos países capitalistas avançados, a prisioneiros da dívida (…) tudo isso são
características centrais da face do capitalismo contemporâneo. (HARVEY, 2003,
p. 123)
Outro
aspecto fundamental do capitalismo contemporâneo é a presença constante de
sobreacumulação do capital (capital acumulado que não encontra boas
alternativas de valorização), e o fato de que a espoliação permite a
apropriação de um conjunto de ativos a custos baixos ou nulos. Indo além, para o geógrafo britânico David
Harvey, o “novo imperialismo” ou capital-imperialismo fez da acumulação via
espoliação, uma forma dominante de acumulação no capitalismo, em relação à
reprodução expandida do sistema (para ordenação do espaço-tempo) ou à expansão
de mercados, característico da globalização. Em outras palavras, essa forma de
acumulação é, em muitos casos, vista como o custo necessário para o
desenvolvimento capitalista em determinada região.
A
financeirização do capitalismo obrigou uma busca por novos canais e formas de
acumulação num ritmo ainda mais acelerado do que em outros períodos históricos.
Todas essas transformações socioeconômicas traduziram-se para o esporte mais
rentável do planeta de maneira própria, porém inexoravelmente coerente com a
ideia de financeirização e acumulação via espoliação. As dinâmicas do capitalismo imperialista se
traduzem nas mudanças da qualidade dos times do sul global em comparação aos
clubes europeus. Em 1981, o Flamengo de Zico derrotou o Liverpool por 3 x 0,
uma vitória incontestável de um time absolutamente superior tecnicamente ao seu
adversário. Com o tempo, algumas mudanças importantes na regulamentação do
futebol europeu, especialmente a ampliação dos números de jogadores não
europeus nos times e a integração europeia pela consolidação da União Europeia,
permitiram que seus clubes se transformassem em seleções transnacionais, com
atletas de elite de diversos países do mundo.
Somado ao aumento de estrangeiros nos times europeus, esses clubes se
enriqueceram ainda mais com a elitização dos estádios, a partir da década de
1990, o que gerou uma inflação significativa nas arrecadações do esporte e em
seus locais de espetáculo. A Europa, pioneira nessas mudanças, se beneficiou
ainda mais e foi capaz de se distanciar financeiramente dos clubes das
periferias mundiais.
A
reboque de todas essas transformações europeias, a periferia econômica do
futebol mundial sofreria graves consequências, sobretudo a América do Sul. De
1960 a 1979, o que foi convencionado (e hoje reconhecido pela FIFA) como
campeão mundial de clubes dava-se pela disputa em dois jogos realizados entre o
campeão europeu e o campeão sul-americano, no formato de ida e volta (um jogo
na Europa e outro na América do Sul). Nesse período, das dezoito disputas
ocorridas, os europeus venceram sete, enquanto os sul-americanos, onze. De 1980
até 2004, o formato mudou para jogo único realizado no Japão. Nesse período, os
sul-americanos venceram doze títulos mundiais, enquanto os europeus venceram
treze. Embora os números apresentem uma leve vantagem para os europeus no
período da chamada Copa Toyota havia enorme discrepância entre os resultados
nos anos 1980, com sete vitórias dos sul-americanos, e os resultados entre 1996
e 2004, após o caso Bosman, com sete vitórias europeias e apenas duas vitórias
americanas, ambas do Boca Juniors de Juan Riquelme. Já de 2005 até 2024, apenas
três sul-americanos (os brasileiros São Paulo, Internacional e Corinthians)
venceram europeus e sagraram-se campeões mundiais de clubes. Nos países do sul global, as mudanças em
suas economias nacionais – adequando-se, na maioria dos casos, à cartilha
neoliberal do FMI e do Banco Mundial – favoreceram ainda mais o futebol
europeu. Um exemplo emblemático foi a aprovação da chamada Lei Pelé, sancionada
em 1998, que acabou com o conceito de “passe” na legislação trabalhista
brasileira. Motivada pela conquista de direitos para os jogadores (o que não
deixa de ser verdade), a mudança facilitou imensamente a contratação de
jogadores brasileiros por clubes mais ricos da Europa.
<><>
Hegemonia europeia e a construção de um mito
Sem
seus maiores talentos nativos, os craques da bola na América do Sul, a exemplo
de Ronaldo, Maradona, Rivaldo, Crespo, Kaká e Ronaldinho Gaúcho, passaram a
jogar seus melhores anos de carreira em clubes europeus. A partir da década de
2010, a busca pela mão-de-obra ultra qualificada brasileira e sul-americana
passou a ocorrer com atletas ainda menores de idade. Um dos pioneiros foi
Lionel Messi, transferido ao Barcelona com 14 anos de idade, ainda em 2001.
Exemplos como o de Vinicius Júnior, Endrick, e agora Estevão, negociados com 16
anos e liberados ao completar 18 anos, passaram a ser a regra das compras
europeias dos nossos “diamantes brutos”. Hoje podemos admitir que se trata de
uma esfoliação capitalista, que golpeia o amor do torcedor pela magia de seus
ídolos, que nem se tornam mais, ídolos que nunca foram.
<><>
Mundial de clubes: destruindo um mito
Houve
também uma profunda evolução tática do futebol europeu, simbolizada pela figura
de Josep “Pep” Guardiola e seu futebol tiki taka, que substituiu o estilo
físico e com bolas altas e longas do passado e adotou um estilo de toque de
bola e habilidade, consagrado no futebol sul-americano. Porém, na I Copa do
Mundo de clubes, a expectativa de grande imposição tática e técnica de times
europeus sobre sul-americanos não se deu, com derrotas importantes de PSG,
Inter de Milão e Chelsea para respectivamente Botafogo, Fluminense e
Flamengo. Ainda assim, um clube
europeu, o Chelsea, sagrou-se campeão do torneio mundial e a forma como o fez
evidencia a análise aqui abordada sobre a relação do futebol mundial com a
evolução do capitalismo. Pelo regulamento do torneio, foi permitido que clubes
se reforçassem durante a disputa do torneio. Uma regra absurda que permitiu que
o Chelsea, classificado apenas como segundo de seu grupo, contratasse um
jogador por 55 milhões de Libras, o equivalente a cerca de R$ 415 milhões de
reais9. Em comparação, pela primeira vez em sua história, o Palmeiras gastou em
um ano cerca de R$ 633 milhões e o Flamengo, clube mais rico da América do Sul,
pouco mais de R$ 300 milhões.
A
entrada de João Pedro desequilibrou o confronto entre Fluminense e Chelsea,
visto que o atacante brasileiro marcara os dois gols do jogo. Foi também o
principal nome do jogo contra o PSG, marcando mais um gol e sendo um dos
artilheiros do clube, mesmo tendo jogado apenas três jogos na Copa. Mas o que
isso tem a ver com a discussão deste artigo? João Pedro deixou claro sua origem
em entrevista coletiva pós-jogo contra o Fluminense, dizendo que “quando eu era
jovem, eles (Fluminense) deram tudo para mim, me mostraram o mundo e se eu
estou aqui é porque eles acreditaram em mim”. João foi formado e revelado pelo
clube carioca em 2011 e vendido ao Watford, outro clube inglês, em 2020.
Resumindo: o Chelsea venceu o Fluminense com um jogador formado por este clube,
podendo comprá-lo no meio da competição. Antes disso, o mesmo time sofreu uma
derrota vergonhosa contra o Flamengo e teve muitas dificuldades no confronto
contra o Palmeiras, nas quartas-de-final.
Não
podemos decretar que Chelsea não seria capaz de vencer o mundial sem João
Pedro, mas sem dúvida seria muito mais difícil do que foi. Precisou um clube
europeu recorrer a um recurso do futebol brasileiro e sul-americano para
derrotar os próprios sul-americanos. E podemos afirmar que a máxima de que o
futebol europeu é “outro esporte” em comparação aos sul-americanos e o resto do
mundo é um absoluto mito. Não nos coube negar a realidade, porém elucidá-la
ainda mais. O futebol europeu abriga hoje os melhores times do mundo. São os
melhores porque são mais ricos, compram jogadores mais valorizados e, na
maioria dos casos, mais técnicos e com mais valências para a competição
futebolística. Tudo isso segue sendo verdade. Porém, a ideia de que não há
disputa a ser feita e qualquer clube europeu é invencível diante de um clube de
fora da Europa é mentira. Soma-se a isso o fato de que hoje a Europa vive um
grande dilema financeiro. Clubes como Chelsea, Manchester City e PSG são
mantidos por financiamento internacional, estranho à economia europeia, tema
para ser aprofundado em outra oportunidade e colocam mais uma questão sobre o
real mérito do futebol europeu em ser o melhor hoje. Não sabemos por quanto
tempo essa hegemonia europeia durará, mas sua sustentação é, inegavelmente, o
resultado do assalto de mão-de-obra formada pelos sul-americanos com o
financiamento de agentes econômicos não europeus, com resultados diante de
condições climáticas e de calendário adversas, bem menos impactantes que
humilhações de clubes como Barcelona de Guardiola e Messi ao Santos de Neymar e
Muricy, confronto do mundial de 2011.
Fonte:
Por Wellington Araújo Silva, em Outras Palavras/Le Monde

Nenhum comentário:
Postar um comentário