Após
um ano de Trump, relação com Alemanha está por um fio
A
disputa entre os parceiros europeus da Otan e os EUA está se intensificando a
cada dia. O presidente dos EUA, Donald Trump , acirrou o conflito sobre a
Groenlândia ao anunciar tarifas especiais contra oito países europeus. A
Alemanha e outras nações europeias haviam enviado soldados à Groenlândia como
um sinal – em grande parte simbólico – de resistência à exigência de Trump de
anexar a ilha semiautônoma dinamarquesa, se necessário pela força. Agora, a UE
cogita lançar tarifas retaliatórias caso Trump leve adiante sua proposta. Há
poucos dias, durante uma visita a Washington, o ministro das Relações
Exteriores alemão, Johann Wadephul, se mostrara otimista. "Nossa parceria
é forte, somos capazes de agir e estamos determinados a expandir ainda mais
essa parceria", declarou. Os EUA, acrescentou, estão "total e
completamente ao lado da Europa", tanto política quanto militarmente.
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Anexação mudaria tudo
Mas
sobre a aliança dos EUA com os países europeus da Otan pairam dúvidas cada vez
maiores. Dúvidas não apenas sobre se Washington realmente protegeria seus
parceiros em caso de um ataque russo. Caso os EUA violem a soberania da
Dinamarca , seu parceiro na Otan, a aliança estaria acabada, como afirmou a
primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen . "Este é um momento de
tensão dramática", diz Rachel Tausendfreund, especialista americana do
think tank Conselho Alemão de Relações Exteriores (DGAP), sediado em Berlim.
"A Alemanha agora se pergunta se deve se preparar para um ataque de seu
parceiro mais importante na Otan. Nesse sentido, a relação nunca esteve tão
tensa. Por outro lado, pelo que ouvimos, Trump e o chanceler federal alemão
Friedrich Merz têm uma relação de trabalho bastante boa." Mas essa boa
relação não pode ser colocada indefinidamente à prova. O chanceler alemão ainda
se mostrou cauteloso ao comentar o ataque à Venezuela e o sequestro do
presidente Nicolás Maduro por forças especiais americanas, classificando a ação
como "complicada" do ponto de vista jurídico, embora ela tenha sido
claramente uma violação do direito internacional. Tal contenção agora
dificilmente se sustenta.
Johannes
Varwick, professor de relações internacionais da Universidade de Halle, na
Alemanha, acredita que uma invasão da Groenlândia "seria, de fato, a gota
d'água".
"A
relação de confiança com os EUA seria provavelmente destruída de forma
irremediável. Seria necessário recomeçar do zero e avaliar em que bases a
cooperação futura seria possível. Mas isso será muito, muito difícil, porque,
ao mesmo tempo, dependemos dos EUA em muitas questões. E essa ruptura seria
cara, arriscada, mas provavelmente inevitável", avalia.
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Diferenças de interesse
Ferrenho
defensor da cooperação transatlântica, Merz está determinado a evitar essa
ruptura. Trump, que assumiu um segundo mandato como presidente dos EUA em 20 de
janeiro de 2025, subverteu praticamente todos os princípios anteriores da
outrora estreita parceria. Merz ainda não era chanceler federal quando Trump
humilhou o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski , perante o mundo em
fevereiro. Na ocasião, Merz afirmou: "Desde as declarações de Trump, no
mínimo, ficou claro que esse segmento da população americana se mostra
amplamente indiferente ao destino da Europa". Sua principal prioridade
agora, disse ele, é ajudar a Europa a "conquistar, passo a passo, a
independência dos EUA". Mas o problema não é tão simples, alerta Varwick.
"A única coisa que poderia realmente causar algum impacto [em Trump], se é
que causaria algum, é uma posição europeia verdadeiramente unificada. Friedrich
Merz está trabalhando nisso, mas as diferenças de interesses entre os Estados
europeus ainda são muito significativas".
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Merz em Washington
As
relações continuaram a deteriorar-se ao longo do ano. As tarifas de importação
americanas sobre produtos europeus estão afetando duramente a economia alemã,
que é fortemente dependente das exportações. Na guerra da Ucrânia, Trump deixou
cada vez mais claro que faria concessões significativas ao presidente russo
Vladimir Putin para alcançar a paz. No entanto, apesar de todos os conflitos –
ou talvez por causa deles –, Merz foi Washington no início de junho. O encontro
correu melhor do que o esperado, provavelmente também porque Merz pôde afirmar
que a Alemanha agora pretende gastar consideravelmente mais em defesa, como
Trump havia exigido. Já por parte de Trump, não houve concessões.
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Volta do imperialismo
Desde
dezembro, os eventos têm se desenrolado rapidamente: na nova estratégia de
segurança nacional, o governo americano alerta a Europa sobre a
"aniquilação civilizacional" por meio da migração. O Hemisfério
Ocidental é declarado esfera de influência dos EUA. Em seguida, após a
intervenção na Venezuela, veio a ameaça da Groenlândia. O governo alemão parece
perplexo sobre como, por um lado, manter a parceria com Trump na busca pela paz
na Ucrânia e como protetor da Europa e, por outro, permanecer fiel aos seus
valores autoproclamados: a adesão ao direito internacional e a uma ordem
internacional baseada em regras.
Rachel
Tausendfreund não acredita que os EUA irão virar completamente as costas para a
Europa. "Os Estados Unidos querem recalibrar seu relacionamento com a
Europa; querem arcar com um fardo muito menor na segurança da Ucrânia, mas
mesmo o governo Trump ainda vê a Europa como parceira, embora alguns membros do
governo sejam muito anti-UE."
O
cientista político Johannes Varwick, no entanto, prevê tempos turbulentos para
a Alemanha, pois o imperialismo e a "lei da selva", segundo ele,
retornaram com Trump. "Esta é, obviamente, uma notícia muito, muito ruim
para a Alemanha, porque, como quase nenhum outro país, a Alemanha depende de um
ambiente internacional estável, tanto em termos de política de segurança quanto
de política econômica. O modelo de negócios alemão está à beira do colapso e
não há nada melhor à vista."
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Baixa popularidade entre alemães
No
final do ano passado, o gabinete do chanceler federal alemão anunciou que Trump
havia aceitado o convite de Merz para visitar a Alemanha. O convite foi feito
durante a visita a Washington em junho, ocasião em que Merz também presenteou
Trump com uma certidão de nascimento de seu avô, que emigrou de Kallstadt, na
região do Palatinado, Alemanha, para os EUA. Tausendfreund acredita que Trump
provavelmente se sentiu lisonjeado com o presente do país de seus ancestrais.
No entanto, alerta para que não se tirem conclusões precipitadas. "Isso
não significa que ele tenha qualquer sentimento forte ou duradouro de apego à
Alemanha."
Uma
pesquisa divulgada no início de janeiro pela TV pública alemã ARD revelou o
sentimento público que Trump encontraria no paí: apenas 15% dos entrevistados
consideram os EUA um parceiro confiável, contra 76% que acham que o país já não
é mais digno de confiança – uma inversão radical do
sentimento que prevalecia sob o governo do presidente Joe Biden. O convite à
Alemanha foi feito quando as relações já estavam bastante tensas, mas muito
antes da recente escalada de tensões na Groenlândia. Diante dessas circunstâncias,
uma visita de Trump à Alemanha parece inconcebível a curto prazo.
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O plano da Europa para reagir à ameaça tarifária de Trump
O
anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que pretende aplicar tarifas extras a oito países europeus para forçar
a compra da Groenlândia provocou ondas
de choque no continente, com representantes europeus pedindo medidas
retaliatórias inéditas contra o que foi descrito por diversos líderes como
"intimidação". A União Europeia (UE) realizou uma reunião emergencial de
seus embaixadores em
Bruxelas neste domingo (18/01) para discutir o tema. O presidente do Conselho
Europeu, António Costa, também decidiu convocar uma cúpula extraordinária dos
líderes do bloco, que deve ocorrer na quinta-feira. Seis dos oito países que
entraram na mira de Trump – Alemanha, França, Holanda, Dinamarca, Suécia e
Finlândia – são membros da União Europeia. O Reino Unido e a Noruega também
serão taxados.
De
acordo com o presidente americano, uma sobretaxa de 10% entrará em vigor no
início do próximo mês contra essas nações. A tarifa subirá para 25% em junho se
não houver acordo para que os Estados Unidos assumam o controle da ilha ártica.
Segundo diplomatas da UE ouvidos pela agência de notícias Reuters, embaixadores
do bloco europeu chegaram a um acordo no domingo para intensificar os
esforços diplomáticos a fim de dissuadir Trump da medida, mas também
preparam instrumentos retaliatórios caso as tarifas
avancem.
As
opções do bloco incluem um pacote de contratarifas sobre 93 bilhões de
euros (R$ 580 bilhões) em importações dos Estados Unidos, além de uma gama
de medidas inéditas previstas no chamado "instrumento
anticoerção", que poderiam atingir também o comércio de serviços e
investimentos americanos. Os representantes concordaram em aguardar até 1º de
fevereiro para avaliar se as sanções de Washington de fato serão impostas,
segundo a Reuters.
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Pacote de contratarifas pode afetar aviões, carros e soja
A
imposição do pacote de 93 bilhões de euros em contratarifas já havia sido
aprovada em julho do ano passado, também durante um conflito tarifário
com os Estados Unidos.
Na ocasião, o bloco concordou em aplicar as sanções como retaliação à retórica
de Trump, que ameaçava impor tarifas abrangentes a diversos países, incluindo
os membros da UE. Sua implementação acabou sendo suspensa após a UE fechar um
acordo com Washington, que estabeleceu uma tarifa de 15% para produtos
europeus entrarem nos EUA.
O
jornal britânico Financial Times também informou que essa é a
primeira opção discutida pelos europeus neste domingo. Se for mantido o mesmo
modelo de retaliação preparado no ano passado, o pacote poderia afetar produtos
americanos como aeronaves, automóveis, autopeças e produtos agrícolas como a
soja. Segundo o jornal, a possibilidade de retaliação dá poder de
negociação aos líderes que participarão do Fórum Econômico Mundial, em Davos. A medida,
que ainda precisaria ser formalmente acatada pelos membros do bloco, entraria
em vigor em 6 de fevereiro.
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França pressiona por mecanismo anticoerção
Segundo
a imprensa francesa, o presidente da França, Emmanuel Macron, também pressiona
nos bastidores para que a UE ative um mecanismo retaliatório mais duro e jamais
utilizado, o chamado "instrumento anticoerção". De acordo com o
jornal britânico The Guardian, o presidente da comissão de comércio
do Parlamento Europeu, Bernd Lange, também apoia a medida, cujo uso não foi
descartado pelo bloco. Conhecido como "bazuca comercial", o
instrumento permite que a UE adote medidas de retaliação quando houver pressão
econômica para forçar decisões políticas. Ele foi criado para proteger o bloco
de medidas comerciais da China, mas agora pode ser usado, por exemplo, para
barrar grandes empresas de tecnologia
americanas de
prestarem serviços na Europa. Também poderia ser aplicado para controles de
exportação, restrições à propriedade intelectual e aos fluxos de investimento,
além do bloqueio de acesso ao mercado único da UE. O uso da ferramenta, que já
havia sido aventado pela França em 2025, seria considerado drástico, uma vez
que pode acentuar as tensões com Washington e levar a uma escalada comercial
sem precedentes.
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Países reafirmam apoio à Groenlândia
Os
países alvos de Trump são os mais vocais contra a anexação da Groenlândia pelos
EUA, todos membros da aliança de defesa da Otan. O presidente
americano diz que tais nações jogam um "jogo muito perigoso" ao
enviarem militares à Groenlândia para treinamento na última semana.
Os oito
países reafirmaram apoio à Dinamarca e a Groenlândia e advertiram neste domingo
que o gesto "mina as relações transatlânticas e arrisca desencadear uma
perigosa espiral descendente". O presidente do Conselho Europeu, António
Costa, afirmou em uma publicação nas redes sociais que suas consultas com os
Estados-membros demonstraram forte compromisso em apoiar a Dinamarca e a
Groenlândia e prontidão para se defender contra qualquer forma de coerção, ao
mesmo tempo em que se mantém o engajamento construtivo com os Estados Unidos. Ele
convocou uma cúpula extraordinária para discutir o assunto nesta semana.
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"Europeus projetam fraqueza", diz secretário americano
Já o
secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou à emissora NBC
neste domingo que o governo americano precisa assumir o controle da Groenlândia
porque a ilha ártica só poderia ser defendida se fizesse
parte dos Estados Unidos. "Não haverá conflito, porque os Estados Unidos,
neste momento, são o país mais forte do mundo. Os europeus projetam fraqueza.
Os EUA projetam força", afirmou.
Segundo
Bessent, Trump "está tentando evitar um conflito". Ele descreveu um
cenário no qual a Rússia ou outro país atacaria a Groenlândia, arrastando os
Estados Unidos para um confronto. Por isso, argumentou, seria melhor tornar a
Groenlândia parte dos EUA agora. Situada entre o Oceano Atlântico e o Ártico,
a Groenlândia é um território
semiautônomo da Dinamarca, mas Trump quer subordiná-la ao controle de Washington.
Ele alega que o tema é uma questão de segurança nacional, dada a localização
estratégica do território, suas reservas minerais e as ameaças vindas da Rússia
e da China.
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O que é a 'bazuca comercial' da União Europeia que França
quer usar contra Trump
"A
Europa não será chantageada." Com essas palavras, a primeira-ministra
dinamarquesa, Mette Frederiksen, respondeu ao anúncio do presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, de que pretende impor tarifas adicionais a oito países
europeus que se opõem ao plano americano de anexar a Groenlândia. "A paz
mundial está em jogo! A China quer a Groenlândia e a Dinamarca não pode fazer
nada a respeito", declarou Trump no sábado (17/1), na rede social Truth
Social.
Na
postagem, o americano afirmou que os produtos importados da Dinamarca, Noruega,
Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia estarão sujeitos a
uma tarifa de 10% a partir de 1º de fevereiro. A taxação subirá para 25% em 1º
de junho e permanecerá nesse patamar até que as autoridades dinamarquesas
concordem em vender a ilha ártica, disse o republicano. Trump fez o anúncio
dias depois de os países sancionados enviarem uma missão militar à Groenlândia
para reforçar a segurança do território.
Embora
os governos dos países afetados tenham iniciado contatos diplomáticos com o
governo americano e expressado sua "disposição para dialogar com base nos
princípios da soberania e da integridade territorial", alguns sinalizaram
que estão se preparando para um confronto sem precedentes com Washington. E a
prova disso é o pedido do presidente francês Emmanuel Macron, que solicitou aos
demais presidentes da União Europeia (UE) a ativação do Instrumento contra a
Coerção Econômica (ACI, na sigla em inglês), conhecido como a "bazuca
comercial", em resposta à ameaça considerada "inaceitável" de
Trump.
O ACI
foi aprovado pela UE em 2023 e é uma arma "dissuasiva" para a
resolução de litígios comerciais, como explica o site do Parlamento Europeu. Além
de procurar "dissuadir países terceiros de exercerem medidas coercivas
contra os interesses da União", o instrumento "permite, em última
instância, a aplicação de medidas retaliatórias".
Quais
são as medidas retaliatórias que ele prevê? O instrumento autoriza "a
imposição de restrições comerciais, na forma, por exemplo, de tarifas mais
altas, licenças de importação ou exportação, restrições ao comércio de serviços
ou restrições ao acesso a investimento estrangeiro direto ou licitações
públicas."
Se o
pedido francês for aprovado, a UE poderá não só impor tarifas adicionais às
importações dos EUA, como também impedir que empresas americanas comprem ações
de empresas de qualquer um dos seus 27 Estados-Membros, recebam financiamento
público ou privado e participem em licitações para contratos públicos com os
seus governos. Além disso, o ACI autoriza a UE a exigir "reparação"
financeira do país que exercer coerção contra ela.
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Com China e EUA na mira
O texto
foi elaborado para desencorajar países terceiros de "tentarem pressionar a
UE ou um Estado-Membro a tomar uma decisão específica, aplicando, ou ameaçando
aplicar, medidas que afetem o comércio ou o investimento. Este instrumento
permite-nos reagir rapidamente à pressão de outros países", afirmou o
eurodeputado alemão Bernd Lange após a aprovação da legislação. "Agora
temos uma vasta gama de contramedidas, completando o conjunto de ferramentas
defensivas à nossa disposição. Embora o objetivo principal seja a dissuasão,
também poderemos agir, se necessário, para defender a soberania da União",
acrescentou o legislador alemão.
As
autoridades da UE começaram a elaborar o ACI logo após o fim do primeiro
mandato de Trump, período em que as relações comerciais transatlânticas
sofreram vários reveses. No entanto, foi um incidente envolvendo a Lituânia em
2021 que finalmente impulsionou a iniciativa.
Naquele
ano, a China impôs restrições comerciais ao país báltico depois que suas
autoridades anunciaram que melhorariam as relações comerciais com Taiwan, uma
ilha que o gigante asiático considera uma "província rebelde" e busca
anexar. "Poucos meses após o anúncio, empresas lituanas relataram
dificuldades em renovar ou firmar contratos com empresas chinesas. Além disso,
tiveram problemas com remessas não liberadas e com a recusa de pedidos de
importação", observa o site do Parlamento Europeu. Na época, a UE
justificou a aprovação do ACI argumentando que a "coerção" não está
contemplada nos acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC) e, portanto,
não pode ser resolvida por meio do sistema de solução de controvérsias da OMC. No
ano passado, quando Trump lançou sua guerra tarifária global e atingiu a UE, a
possibilidade de aplicar o instrumento foi explorada. No entanto, naquela
ocasião, Bruxelas optou simplesmente por recorrer ao diálogo.
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Esgotar a diplomacia
Antes
de solicitar a ativação do ACI, Macron já havia deixado clara sua insatisfação
com o anúncio de Trump. "Nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará,
nem na Ucrânia, nem na Groenlândia, nem em qualquer outro lugar do mundo",
declarou ele. Além do presidente francês, outro líder europeu que se pronunciou
sobre a chamada "bazuca comercial" da UE foi o primeiro-ministro
irlandês, Micheál Martin, que reiterou no domingo (18/1) que o instrumento
"está sobre a mesa".
No
entanto, em entrevista à emissora pública irlandesa, Martin defendeu que se
esgotem primeiro todas as vias de diálogo. Outros líderes europeus, incluindo
os de alguns dos países ameaçados por Trump, também defenderam a diplomacia
antes de se prepararem para uma batalha comercial com os EUA. "Devemos ter
muito cuidado para não entrarmos numa guerra comercial que saia do controle.
Não acho que ninguém se beneficie disso", disse o primeiro-ministro da
Noruega, Jonas Gahr Stoke, à emissora norueguesa NRK.
O
comércio de bens e serviços entre a União Europeia e os EUA atingiu US$ 1,8
trilhão (R$ 9,7 trilhões) em 2023. Isso significa que, diariamente, bens e
serviços no valor de US$ 5 bilhões atravessam o Atlântico entre a UE e os EUA,
segundo a Comissão Europeia.
Em
termos de bens, a UE registrou um superávit de mais de US$ 170 bilhões,
enquanto em termos de serviços, os EUA saíram vencedores, com quase US$ 120
bilhões, de acordo com os mesmos dados da União Europeia. Em julho passado,
Washington e Bruxelas chegaram a um acordo. O primeiro acordo reduziu as
tarifas de 25% para 15% em troca do compromisso de a União Europeia investir
bilhões de dólares nos setores industrial e de defesa dos EUA. A possibilidade
de congelamento deste acordo também está em discussão.
Fonte:
DW Brasil/BBC News Mundo

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