As
polêmicas de Toffoli no STF, da indicação por Lula às críticas no caso do Banco
Master
Ministro
do Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2009, José Dias Toffoli coleciona uma
série de decisões e julgamentos que causaram controvérsia em sua carreira. Indicado
ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu nome esteve cercado
de críticas na época, especialmente pela sua ligação com o Partido dos
Trabalhadores. Desde sua nomeação, Toffoli foi alvo de quatro pedidos de
impeachment. O mais recente foi protocolado por um grupo de senadores que o
acusam de crime de responsabilidade por sua atuação no caso do Banco Master.
O
Master teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro
de 2025 e é investigado por um suposto esquema de fraudes financeiras. Em
dezembro, Toffoli passou a ser responsável pelo inquérito, após aceitar um
pedido da defesa para que o caso subisse para o STF. A condução da investigação
sobre o Banco Master pelo ministro acumula uma série de questionamentos sobre
suas relações pessoais e tem causado desconforto dentro do STF. O episódio mais
recente envolve um resort em Ribeirão Claro, no Paraná, que liga pessoas
investigadas no caso a familiares de Toffoli.
Segundo
o jornal O Estado de São Paulo, dois irmãos do ministro, José Carlos e José
Eugênio, foram sócios do empreendimento, o resort Tayayá, entre dezembro 2020 e
fevereiro de 2025, por meio da Maridt Participações, uma empresa registrada no
nome dos dois. Em 2021, uma fatia da participação foi vendida a um fundo de
investimentos que, segundo apuração do Estadão, tinha como dono o pastor e
empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do banco Master. Em
resposta à reportagem, ele confirmou que foi cotista do fundo, dizendo ter
deixado o investimento em 2022 e destacando que ele foi liquidado em 2025.
Vorcaro
e Zettel chegaram a ser presos durante a Operação Compliance Zero, que
investiga as possíveis fraudes envolvendo o banco. Zettel foi detido
temporariamente durante a deflagração da segunda fase da operação, segundo a
Polícia Federal, para preservar seu sigilo. Vorcaro está atualmente em prisão
domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica. Sua defesa tem afirmado que
ele tem "colaborado integral e continuamente com as autoridades
competentes" e que "todas as medidas judiciais determinadas no âmbito
da investigação serão atendidas com total transparência".
A
empresa dos irmãos de Toffoli, que não tem mais participação na gestão do
resort desde 2025, tem o endereço registrado em uma casa em Marília, em São
Paulo, ainda de acordo com o jornal. Uma equipe da publicação esteve no local e
encontrou a esposa de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro. Ela disse
que mora no local e negou que o marido tenha sido dono do empreendimento. Apesar
de não ter participação direta no resort, o ministro vai com frequência ao
local. Uma reportagem do Metrópoles mostrou que Toffoli passou pelo menos 168
dias no Tayayá desde dezembro de 2022. As diárias dos seguranças do ministro
nessas viagens teriam consumido R$ 548,9 mil dos cofres públicos, segundo
apuração da publicação. O resort também é usado pelo ministro para receber
políticos e empresários. Um vídeo divulgado pelo Metrópoles nesta quinta-feira
(22/1) mostra o ministro recebendo o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, e
o empresário Luiz Pastore. O encontro teria ocorrido em 25 de janeiro de 2023. Pastore
é o dono de um jatinho no qual Toffoli viajou em novembro para ir a um jogo da
Libertadores em Lima, no Peru. No avião também estava um dos advogados do banco
Master.
No
início da noite, o presidente da Corte, Edson Fachin, divulgou uma nota
defendendo tanto o tribunal quanto Toffoli das críticas feitas na condução do
caso Master. Ele afirmou que o STF "não se curva a ameaças ou
intimidações", que Toffoli atua de forma regular e que eventuais dúvidas
sobre procedimentos seriam analisadas conforme os ritos internos. Essa,
contudo, não é a primeira crise pela qual passa Dias Toffoli. Relembre as
outras polêmicas que envolvem o ministro.
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Homem de confiança de Lula
A
trajetória de Toffoli até o Supremo Tribunal Federal tem laços estreitos com o
Congresso e o Palácio do Planalto, acumulando cargos diretamente ligados ao PT.
Por
isso, sua indicação para ministro da Corte foi alvo de muitas críticas. Toffoli
foi assessor jurídico da liderança do PT na Câmara dos Deputados, em Brasília,
de 1995 a 2000. Atuou também como advogado do PT nas campanhas de Lula em 1998,
2002 e 2006. No primeiro governo do petista, Toffoli ocupou o cargo de subchefe
para Assuntos Jurídicos na Casa Civil por dois anos. Após o escândalo do
Mensalão, deixou o governo, mas logo voltou para assumir a Advocacia Geral da
União (AGU) no início de 2007. Em outubro de 2009 foi indicado por Lula para
ministro do Supremo, na vaga aberta com a morte do ministro Menezes Direito. A
indicação foi criticada tanto por sua forte conexão com o PT, quanto por sua
suposta falta de notável saber jurídico, já que ele havia sido reprovado quando
jovem para um concurso de juiz e não tem títulos acadêmicos como mestrado e
doutorado. É bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Largo de São
Francisco da Universidade de São Paulo (USP), graduado no ano de 1990. Muitos
atribuem sua nomeação à confiança que conquistou de Lula com seu trabalho, além
da simpatia que despertava também entre políticos e juristas.
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Decisões que geraram controvérsia
A
proximidade de Toffoli com políticos investigados em processos no STF foi
constantemente alvo de questionamentos.
Em
2012, contrariando o que muitos esperavam, ele não se declarou suspeito e
participou do julgamento do Mensalão, votando pela absolvição do ex-ministro da
Casa Civil José Dirceu, com quem trabalhou no governo Lula. Durante o
julgamento, Toffoli afirmou não haver provas de que Dirceu tinha conhecimento
do esquema do Mensalão. Segundo o ministro, a única prova seria o depoimento do
delator e ex-deputado Robert Jefferson, que era "inimigo" do
ex-ministro. Dirceu acabou condenado pelos outros ministros do tribunal.
Toffoli
também foi o responsável por, anos depois, derrubar restrições impostas a
Dirceu no âmbito da Operação Lava Jato. Em uma entrevista em 2020, o ministro
fez um balanço de suas decisões sobre o tema. "Não haveria Lava Jato se
não houvesse o Supremo Tribunal Federal. [Se houve] uma ou outra decisão
residual ou contrária, é porque entendeu-se que houve a ultrapassagem dos
limites da Constituição Federal", disse na época. Ele acusou ainda ter
havido "vazamentos políticos" de investigações para a imprensa no
âmbito da operação e afirmou "que não se pode querer é abuso, não se pode
escolher quem você quer investigar, deixar investigações na gaveta".
Sua
chegada à presidência do STF, em 2018, veio acompanhada de polêmicas. Na época,
um abaixo-assinado online foi criado pelo jurista Modesto Carvalhosa contra a
posse de Toffoli no comando do Supremo e chegou a acumular mais de 400 mil
assinaturas. À frente do STF, ele instaurou o "inquérito das fake
news" sem provocação da Procuradoria Geral da República (PGR) e indicou o
ministro Alexandre de Moraes para ser o relator do caso sem realizar sorteio,
como ocorre geralmente. A instauração da investigação sobre disseminação de
notícias falsas contra ministros do Supremo, por iniciativa do próprio
tribunal, excluiu a participação do Ministério Público nas investigações e se
tornou alvo de críticas por ser considerada "fora dos padrões". Em
entrevista à BBC na época, o ex-procurador-geral da República Roberto Gurgel
classificou o inquérito como "exercício arbitrário do poder". A então
procuradora-geral da República, Raquel Dodge, tentou impedir a continuidade da
investigação, por considerá-la ilegal. Ela encaminhou ao STF um documento
informando que havia arquivado o inquérito porque só o Ministério Público
poderia abrir e conduzir uma investigação criminal. A decisão de Dodge, porém,
foi descartada por Alexandre de Moraes, que argumentou que só o STF tinha poder
para arquivá-la.
Em
2020, quando deixou a presidência do STF, Toffoli disse que a abertura do
inquérito "foi a decisão mais difícil" de sua gestão. "Foi a
decisão mais difícil da minha gestão a abertura desse inquérito. Mas ali já
vínhamos vivendo algo que vinha ocorrendo em outros países, o início de uma
política de ódio plantada por setores que queriam e querem destruir
instituições, que querem o caos", disse Toffoli. O ministro também afirmou
que a "história vai avaliar o papel desse inquérito na democracia do
Brasil". A investigação ainda está em curso.
A
abertura do inquérito das fake news acabou gerando uma crise entre o Supremo e
o Legislativo e ameaça de pedidos de impeachment dos ministros Dias Toffoli e
Alexandre de Moraes. Na época, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE)
apresentou um requerimento para instalar uma CPI para investigar integrantes do
Judiciário, que ficou conhecida como "CPI da Lava Toga". Vieira disse
que Dias Toffoli representava "uma ameaça aos parlamentares e à sociedade
em geral". A comissão, no entanto, nunca chegou a ser instalada.
Em
julho de 2019, uma outra decisão de Toffoli, envolvendo o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), gerou desgaste para o ministro. Atendendo a um pedido de
Flávio, ele determinou a suspensão de investigações criminais que usassem dados
detalhados de órgãos de controle sem autorização judicial. A decisão levou à
paralisação de centenas de processos, incluindo o que investigava Flávio
Bolsonaro por suspeitas de desvio de recursos de seu ex-gabinete de deputado
estadual no Rio de Janeiro. A apuração foi alimentada por dados do Conselho de
Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Na época, orgãos internacionais como
a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE)
manifestaram preocupação com a suspensão das investigações. Meses depois, o
plenário do tribunal reviu a decisão e o próprio Toffoli votou para derrubá-la,
considerando constitucional o repasse de informações. No âmbito desse processo,
outra situação polêmica veio à tona.
O
jornal Folha de São Paulo revelou que, em outubro de 2019, o ministro
determinou que o Coaf lhe desse acesso a todos os relatórios de inteligência
financeira produzidos nos últimos três anos. Os relatórios continham dados
sigilosos de cerca de 600 mil pessoas e empresas. A decisão de Toffoli foi
criticada por juristas, já que o STF não investiga dados contidos nos
relatórios solicitados. Informações sigilosas ficam em poder dos órgãos de
controle porque eles têm atribuição, prevista em lei, para obtê-las,
analisá-las, ou repassá-las para o Ministério Público, responsável por
investigações criminais. Dias depois, o ministro reviu sua decisão e alegou que
recebeu uma senha para acessar o sistema, mas não chegou a utilizá-la.
Também
em 2019, Dias Toffoli autorizou Lula a sair da prisão para se encontrar com
familiares após a morte de seu irmão, em São Bernardo do Campo. Contudo, a
decisão foi emitida minutos antes do enterro. A concessão do habeas corpus
divergiu de decisões anteriores da Polícia Federal e da Justiça Federal, que
haviam negado a saída de Lula da prisão com base em diversos argumentos, entre
eles a indisponibilidade de transporte aéreo em tempo hábil para a chegada
antes do sepultamento. Apesar da autorização de Toffoli, Lula acabou decidindo
não ir a São Bernardo encontrar com parentes.
O
ministro, que é conhecido por ser crítico à Lava Jato, também impôs inúmeros
reveses à operação nos últimos anos. Sob sua presidência, por exemplo, o
Supremo decidiu que crimes comuns, como corrupção e lavagem de dinheiro, quando
associados a crimes eleitorais, devem ser julgados pela Justiça Eleitoral,
tirando das mãos do Ministério Público Federal do Paraná e da Justiça Federal
processos importantes da operação. Após ser criticado, ele afirmou que
"não é a ação de heróis que resolve os problemas do Estado, mas as
instituições", fazendo referência aos membros da Lava Jato. Desde 2023,
quando passou a relatar no STF ações relacionadas à Lava Jato, Dias Toffoli tem
proferido decisões que anulam atos e provas da força-tarefa, muitas delas
ligadas a grandes empreiteiras. Ele anulou todas as provas obtidas a partir de
delações da Odebrecht e considerou a prisão do presidente Lula (PT) "um
dos maiores erros judiciários da história do país". Em decisões mais
recentes, Toffoli também anulou todos os atos da Lava Jato contra o doleiro
Alberto Youssef e os ex-ministros Antônio Palocci e Paulo Bernardo.
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Atuação no caso do Master
As
polêmicas de Toffoli no âmbito do Banco Master começaram assim que ele assumiu
o caso no STF, que inicialmente tramitava na primeira instância da Justiça
Federal do Distrito Federal. O caso foi parar no seu gabinete após ele ter sido
sorteado para relatar um recurso apresentado pela defesa de Daniel Vorcaro,
fundador e CEO do Master, na Corte. No dia seguinte ao sorteio, o ministro
pegou carona em um jatinho do empresário Luiz Pastore para ir até Lima, no
Peru, assistir à final da Copa Libertadores, no fim de novembro. No jatinho
também estava Augusto Arruda Botelho, advogado de defesa de um dos diretores do
Master. O ministro confirmou que viajou no avião e afirmou a interlocutores,
segundo o jornal O Globo, que não discutiu o processo durante o trajeto. Após a
divulgação do caso, parlamentares da oposição apresentaram um pedido para
retirada de Toffoli da relatoria do processo. A representação foi arquivada
pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, nesta quinta-feira. O ministro
do STF, Gilmar Mendes, comemorou o arquivamento. Em uma postagem nas redes
sociais, ele afirmou que a decisão "evidencia o funcionamento regular das
instituições da República".
"Decisões
fundadas em critérios jurídicos objetivos, afastadas de pressões
circunstanciais, fortalecem a segurança jurídica e reafirmam a maturidade
institucional do sistema constitucional brasileiro", escreveu Gilmar. Dias
depois da polêmica viagem de jatinho, Toffoli colocou o caso sob sigilo e
decidiu transferir o inquérito para o STF, sob sua própria relatoria, atendendo
ao pedido de um diretor do Master — o mesmo pleito feito anteriormente pelos
advogados de Vorcaro.
Com
isso, todas as decisões sobre a investigação passaram a ser tomadas por ele, e
não mais pela Justiça Federal em Brasília. Toffoli acolheu a solicitação com
base na citação de um deputado federal nas investigações, autoridade com
prerrogativa de foro privilegiado. Na época, a PF não viu conexão com pessoa
com foro, e argumentou que o deputado não tinha relação com o caso. O ministro
justificou o sigilo afirmando que o inquérito envolve informações econômicas
sensíveis, com potencial impacto no mercado financeiro.
Ainda
em dezembro, causou estranhamento entre investigadores e juristas a decisão de
Toffoli de marcar, no final daquele mês, uma acareação entre dois investigados
no inquérito — Daniel Vorcaro e o ex-presidente do banco BRB Paulo Henrique
Costa — e um dos diretores do Banco Central envolvido na operação de
liquidação, Ailton de Aquino. A decisão causou polêmica porque acareações
servem para esclarecer controvérsias em versões dadas em uma investigação ou
processo, mas ainda não haviam ocorrido depoimentos dos envolvidos. Além disso,
acareações costumam ocorrer entre testemunhas e/ou investigados, o que não era
o caso do diretor do BC.
Após
críticas, Toffoli recuou e o diretor prestou um depoimento, mas foi liberado da
acareação. Em janeiro de 2026, outra decisão do ministro foi alvo de
questionamentos.
Após a
Polícia Federal realizar uma nova operação policial contra Daniel Vorcaro e
outros empresários, Toffoli determinou que todo o material apreendido ficasse
retido e lacrado no STF, ao invés de ser enviado diretamente para análise dos
investigadores da PF, como é o comum nessas operações. A PGR entrou com um
pedido para que o material ficasse com o Ministério Público e Toffoli voltou
atrás, determinando que as provas ficassem sob custódia do órgão. Contudo, o
ministro surpreendeu novamente ao escolher quais seriam os quatro peritos da PF
com acesso para analisar o conteúdo apreendido. A decisão causou estranhamento
entre integrantes da PGR e da PF. Em entrevista à BBC, um delegado da cúpula da
Polícia Federal disse que "nunca tinha visto isso antes". Um outro
delegado pontuou que Toffoli deveria manter distanciamento da condução prática
do inquérito, já que ele posteriormente iria julgar os investigados. "Não
deveria ser ele a escolher quem pericia vestígios numa investigação",
declarou.
Para o
economista Cleveland Prates, professor de regulação da Fipe-USP e da FGV-Law,
Toffoli deveria se declarar suspeito em ações envolvendo o banco. "A
partir do momento que você observa ele pegando um jato junto com o advogado
para ver um jogo — que é o advogado do banco — eu acho que só isso já é um
péssimo sinal, e ele deveria ter se declarado suspeito", declarou em
entrevista à BBC News Brasil.
Ao
declarar suspeição, um juiz ou autoridade encarregada de determinado processo
se afasta do caso por considerar que suas relações pessoais ou outras questões
possam afetar sua imparcialidade. "A segunda coisa é que, até o momento, a
única coisa que se achou neste processo foi um contrato de compra e venda de
uma de uma casa no sul da Bahia envolvendo um deputado, e por isso puxou-se o
caso para o Supremo. Eu não vejo que isso seria razão para puxar para o
Supremo. Isso é muito estranho. O caso deveria tramitar na primeira
instância", acrescentou. Diante de pedidos pela suspeição de Dias Toffoli
e questionamentos crescentes sobre decisões tomadas no inquérito do Banco
Mascer, o presidente do STF, Edson Fachin, emitiu uma nota dizendo que
"eventuais vícios ou irregularidades alegados serão examinados nos termos
regimentais e processuais".
Fachin
também defendeu o tribunal e disse que "não aceitará pressões de natureza
política ou midiática que visem desmoralizar a instituição". "A seu
turno, a Corte constitucional brasileira se pauta pela guarda da Constituição,
pelo devido processo legal, pelo contraditório, e pela ampla defesa, cumprindo
respeitar os campos de atribuições do Ministério Público e da Polícia Federal,
porem, atuando na regular supervisão judicial, como vem sendo feito no âmbito
dessa Suprema Corte pelo Ministro relator, Dias Toffoli", afirmou em nota.
>>>>>
Confira a nota do ministro Edson Fachin na íntegra:
Adversidades
não suspendem o Direito. É precisamente nos momentos de tribulações que o
império da legalidade, discernimento e serenidade demonstra sua razão de ser. É
com os olhos voltados para esse dever que miro fatos presentes.
As
situações com impactos diretos sobre o sistema financeiro nacional exigem mesmo
resposta firme, coordenada e estritamente constitucional das instituições
competentes.
A
Constituição da República atribui ao Banco Central do Brasil o dever jurídico
de assegurar a estabilidade do sistema financeiro, a continuidade das operações
bancárias essenciais, a proteção dos depositantes e a prevenção de riscos
sistêmicos. Tais competências, de natureza técnica e indelegável, devem ser
exercidas com plena autonomia e sem ingerências indevidas.
A
atuação da Polícia Federal é igualmente indispensável, sobretudo na apuração de
eventuais práticas criminosas de gestão temerária, fraude financeira,
manipulação de informações, lavagem de dinheiro e outros ilícitos previstos na
legislação penal e financeira.
Cabe
à Procuradoria-Geral da República, no âmbito de suas atribuições
constitucionais, promover a persecução penal e controlar a legalidade das
investigações. O Ministério Público, como instituição permanente, exerce papel
fundamental na tutela da ordem econômica e do regime jurídico de defesa dos
consumidores
A
seu turno, a Corte constitucional brasileira se pauta pela guarda da
Constituição, pelo devido processo legal, pelo contraditório, e pela ampla
defesa, cumprindo respeitar os campos de atribuições do Ministério Público e da
Polícia Federal, porem, atuando na regular supervisão judicial, como vem sendo
feito no âmbito dessa Suprema Corte pelo Ministro relator, DIAS TOFFOLI.
No
tocante ao Supremo Tribunal Federal, registro que o Tribunal Pleno se encontra
atualmente em recesso. Nesse período, matérias urgentes são apreciadas pela
Presidência ou pelo Relator, nos termos regimentais. Encontra-se regularmente
no exercício da Presidência o Ministro Alexandre de Moraes, Vice-Presidente
desta Corte. As matérias de competência do Tribunal Pleno ou das Turmas, quando
decididas no recesso, serão, oportunamente, submetidas à deliberação colegiada,
com observância do devido processo constitucional, da segurança jurídica e da
uniformidade decisória. A colegialidade é método.
É
legítimo o exercício regular da jurisdição por parte dos membros do Tribunal no
período do recesso, sem exceção. Eventuais vícios ou irregularidades alegados
serão examinados nos termos regimentais e processuais. Questões tais têm rito
próprio e serão apreciadas pelo colegiado com a seriedade que merecem. A
Presidência não antecipa juízos, mas tampouco se furta a conduzi-los.
É
induvidoso que todos se submetem à lei, inclusive a própria Corte
Constitucional; nada obstante, é preciso afirmar com clareza: o Supremo
Tribunal Federal não se curva a ameaças ou intimidações. Quem tenta
desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a
diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia
constitucional e do Estado de direito. O Supremo age por mandato
constitucional, e nenhuma pressão política, corporativa ou midiática pode
revogar esse papel. Defender o STF é defender as regras do jogo democrático e
evitar que a força bruta substitua o direito. A crítica é legítima e mesmo
necessária. Não obstante, a história é implacável com aqueles que tentam
destruir instituições para proteger interesses escusos ou projetos de poder; e
o STF não permitirá que isso aconteça.
O
Supremo fez muito no Brasil em defesa do Estado de direito democrático; fará
ainda mais. Sim, todas as instituições podem e devem ser aperfeiçoadas, isso
sempre, mas jamais destruídas. Quem almeja substituir a ousada pedagogia da
prudência pelo irresponsável primitivismo da pancada errou de endereço.
Transparência,
ética, credibilidade e respeitabilidade faz bem ao Estado de direito. Este deve
ser compromisso de todos nós democratas.
Fonte:
BBC News Brasil

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